Uma Grande Resposta a Uma Grande Provocação

Olá amigos

Eu alguns dias atrás fiz uma provocação aqui no blog e lá no Facebook convidando as pessoas a refletirem sobre o nosso papel de educadores/professores, de questionar o sistema, de olhar pra frente e tentar ver se estamos no caminho certo ou não. Bem, vários amigos queridos participaram e deixaram suas contribuições no blog e lá no Facebook. O meu amigo José Carlos Antônio (@profjc) fez uma colocação que eu gostaria de compartilhar aqui com vocês. Após a leitura que tal fazermos uma reflexão?

“Grande Robson!

Excelente iniciativa. Excelente texto. Excelentes reflexões. Ou seja, nenhuma novidade, você continua ótimo!

Puxa-saquismo à parte, confesso que não tenho nenhuma resposta para suas indagações. Mas vou explicar por quê. E vou tentar fazê-lo à partir de uma estratégia um pouco inusual.

Imagine-se como um professor 30 anos atrás. Como você estaria preparando seus alunos para que eles enfrentassem o futuro e hoje fossem pais competentes dos alunos que temos nas escolas e cidadão capazes de lidar com o mundo atual?

Hum… Veja bem, esses seus alunos de 30 anos atrás são os adultos que estão no mercado de trabalho, ou desempregados; são policiais e bandidos, são professores e analfabetos funcionais, são políticos e eleitores, são pais dos seus alunos atuais. O que foi feito deles, com eles e para eles nos idos tempos de colégio 30 anos antes? 30 anos atrás não tínhamos internet, nem celulares, nem TV a cabo, NetFlix e TEDs. Há 30 anos éramos idiotas?

Talvez fôssemos, mas na verdade é mais provável que tenhamos sido apenas humanos incapazes de prever o futuro. Como, aliás, continuamos a ser hoje em dia.

Porém, não nos perguntávamos, com a frequência e desespero como fazemos hoje, como deveríamos educar nossas crianças para o futuro. Apenas educávamos para lhes ensinar valores, conceitos e técnicas que acreditávamos serem necessárias para qualquer um, em qualquer situação presente ou futura.

Nós sabíamos nada sobre o futuro e nem éramos capazes de imaginá-lo como o nosso presente atual. Mas isso não nos era problema. Não tínhamos a pretensão da futurologia.

E hoje? Hoje nos perguntamos como devemos educar as crianças para um futuro que temos certeza de não sermos capazes de imaginar (talvez isso seja uma evolução, mas será que é?). E, no entanto, além da certeza sobre o futuro também perdemos outras certezas. Muitas.

Tudo, absolutamente tudo, o que você colocou no seu texto eu me atreveria a resumir assim: não temos mais certeza sobre que conteúdos, habilidades, competências, valores e práticas devemos ensinar. Não temos certeza sobre modelos de escola, currículos, competências ou valores.

Talvez nossa incerteza e nosso “medo de errar” venha da constatação de que nesses 30 anos quase nada deu certo na Educação e na sociedade. Vivemos há décadas numa montanha russa à espera de uma subida.

Talvez seja apenas um modismo desse início de século crer que estejamos realmente perdidos. Ou será que nos convenceram de que somos mesmo incapazes de encontrar rumos? Ou pior, será que acreditamos mesmo que estamos sem rumo?

Nas últimas duas décadas tenho refletido sobre tudo isso. Tenho feito muitos experimentos, muitas observações. E a cada dia tenho mais certeza de que o que perdemos de fato foram apenas as nossas certezas. Vivemos as décadas da desilusão. Do crer que já não vale a pena acreditar. Há quem veja isso como ganho.

Às vezes para seguir adiante é preciso dar alguns passos para trás. Principalmente se você estiver à beira de algum abismo. Talvez estejamos mesmo precisando voltar um pouco no tempo, para aquela época em que acreditávamos em algo e fazíamos o que tinha que ser feito. Essa vida de incertezas contemplativas, de aventuras sem convicção, de discursos vazios sob holofotes e claques, isso não está prestando não.

Terminando, então: não tenho respostas. Só tenho minhas certezas. Não tenho medo de errar. Tenho medo de passar a vida não fazendo nada na esperança de um dia descobrir o “certo”. Educo meus alunos para serem pessoas melhores. Simples assim. E o que é mais curioso: isso independe do modelo de escola, independe do currículo oficial, independe dos recursos tecnológicos e até mesmo do que chamam por aí de “inovações”. É incrível o que se pode fazer com apenas umas poucas convicções.
Grande abraço!

P.S.: Espero ter confundido muita gente. Essa é uma das minhas convicções: sem confusão não há reordenamento.”

Que tal? O que tem a me dizer sobre isso? Leia também os outros comentários na postagem original que estão igualmente fantásticos.

Um grande abraço

Robson Freire

Estamos no caminho certo de como construir o estudante do século 21?

Olá amigos

Há dias eu venho divagando e digerindo um montão de coisas. Filmes que eu assisto e que me fazem pensar ( Spare Parts, A Rainha de Katwe,  Moonlight, A Chegada e Estrelas Além do Tempo) , textos ( 1 2 3 4 5 ) e livros (1) que leio e até andar sem rumo nas redes sociais tá nesse rolo ( 1 2 3 ). Essa inquietação culminou com a aprovação da reforma do ensino médio. Mas a questão que sempre volta a me incomodar é o papel da educação e da formação do estudante diante disso tudo.

A minha cabeça fervilha de perguntas….. 

Os estudantes brasileiros estão sendo preparados para o futuro? A escola está preparada para receber esse aluno? Os currículos são adequados para as necessidades do século 21? O professor está pronto pra ensinar esse aluno? As metodologias e práticas pedagógicas atuais e seus modismos (PBL, Aprendizagem Centrada no Aluno, Cultura Maker, Mobile Learning, REA,  Mooc, EaD, etc..) darão o suporte necessário ao professor para ensinar esses alunos? Qual o papel da tecnologia nessa formação?

Mas a principal pergunta é: Para que futuro esse aluno deve estar preparado?

Numa passadinha rápida pelo YouTube na página do TED Talks vocês irão ver uma quantidade imensa de palestras sobre como “mudar a educação“. Eu fico sinceramente desconfiado de que ou eu sou muito burro ou os caras tem a receita de como fazer a pedra filosofal. Só pode. Tem muitas palestras de como fazer o aluno moderno, como transformar a escola em centros de excelência (quero ver fazer isso na África sem recurso nenhum), de como fazer o professor mudar de vinho nacional pra um Château Lafite Rothschild em um piscar de olhos. Essa palestras, quando muito, servem para dar um direcionamento ou dicas de como agir pontualmente em determinadas situações ou contextos educacionais. Mas não serve pra todo mundo nem para tudo.

O historiador inglês Eric Hobsbawm disse que “a tarefa de educar as pessoas nesse século talvez não seja tão ruim quanto ao século anterior, que já tinha visto duas grandes guerras“. Ele também coloca que A experiência humana perdeu espaço no fim do século 20 para as técnicas de administração do mundo.”. Aí começam as perguntas necessárias: Como preparar crianças e jovens para enfrentar, e quem sabe melhorar, uma sociedade desigual e polarizada, com ricos cada vez mais ricos e com uma competitividade crescente a custa de uma desigualdade sem igual de muitos? O que fazer para que a geração que hoje vai para as escolas aprenda a proteger o planeta e a respeitar o próximo? Qual a melhor maneira de mostrar a esses jovens, habituados a relações virtuais, o quão valioso é o contato físico, o olho no olho?

Os desafios nunca foram tão grandes, e o papel da escola nesse processo de formação e superação é crucial.

O educador Moacir Gadotti diz que Não basta apenas entregar um conjunto de informações: é preciso preparar para pensar”. Mas pensar como? Voltado para que “norte”? O tecnológico? O da inovação? O do fazer? O da criatividade ou da sustentabilidade? A tão propalada ideia do pensar fora da caixa (o que seja lá essa maldita caixa)? Ou tudo isso junto e misturado?

Outra vez Moacir Gadotti volta a dizer que “A grande mudança pode ser sintetizada no conceito de Educação para toda a vida”. Isto é, a aquisição de conhecimentos não se limita à escola: ela nunca pára de acontecer. Esse debate vem desde lá os anos 90, quando a Unesco encomendou ao político francês Jacques Delors um relatório sobre a educação para o novo século. No texto, concluído em 1996, Delors indica quatro pilares que devem moldar o aprendizado no nosso tempo: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Aí venho eu com mais perguntas: Aprender a aprender o que? Pra quem? Como? Aprender a fazer o que? Pra quem? Como? Aprender a conviver com quem? Em relações igualitárias de gênero, raça, etnia, credo, no mercado de trabalho ou apenas socialmente? Ou somente virtualmente? Aprender a ser quem? Mas qual EU? O EU verdadeiro que dorme comigo todas as noites ou o Eu que esperam que eu seja profissionalmente e socialmente?

Estamos meio que vivendo como em um episodio de Black Mirror (Perdedores 3×01 Nosedive) da Netfilx, onde a vida das pessoas é guiada pela avaliação que as pessoas fazem nas redes sociais. Vivemos regidos pelos “likes & views” e compartilhamentos que nossos personagens (ou avatares) recebem nas redes sociais. Mas mesmo que não sejamos (bem lá no fundo) aquilo que demonstramos quando ninguém está olhando (o episodio mostra isso muito bem no final), a impressão que fica é que hoje somos quase como uma Sociedade do Espetáculo como bem descreve Guy Debord em seu livro. A máscara que criamos para que os outros não vejam as rachaduras do nosso caráter, o nosso preconceito mais puro e cruel, a necessidade de fazer parte e o oportunismo social. Definitivamente não estamos distantes dessa merda toda e Black Mirror está apenas desenhando as possibilidades.

Mas é a educação como pode ajudar a mudar isso?

No Brasil, com um sistema de ensino dito cambaleante, fraco, ineficiente (do ponto de vista das avaliações internacionais), escolas desprovidas de recursos e professores despreparados ou desmotivados (será mesmo que são e estão?), a proposta de Delors acaba soando como utopia. Mas, esses os quatro pilares vêm sendo colocados em prática por instituições públicas e privadas (muito mais nas escolas privadas) como tentativa de reverter e inovar o ensino.

Então como é isso na prática?

No Aprender a aprender o gostar de aprender é o que mais se espera do estudante do século 21. E esse “gostar” não depende apenas do aluno, mas das estratégias adotadas pela escola. Aprender não é uma coisa arrumadinha, pronta e acabada (não existe fórmula mágica e nem receita de bolo perfeita) é sim um processo pessoal complexo que nem sempre se adapta à estrutura tradicional da escola. Para contemplar a forma de aprender de cada um, as vezes é preciso fazer uma revolução completa em tudo, mas as vezes apenas uma ação pontual é capaz de causar uma revolução.

A escola do século 21 exige autonomia do aluno, mas ela também deve ensiná-lo a pedir ajuda, acolhendo seus possíveis erros. Eu sempre falo com os meus pares que lugar para cometer erros é na escola, onde as conseqüências não são drásticas. Na escola o estudante pode tentar, errar, tentar de novo, acertar. A solução oferecida como prato feito ou como receita perfeita não ensina o aluno a pensar.

No Aprender a fazer o que se espera do profissional do novo milênio? Além de saberes específicos de sua área, conhecimento de informática e de línguas estrangeiras, assim como iniciativa e capacidade de trabalhar em equipe, são exigências do mercado de trabalho que busca mão-de-obra qualificada. Mas a nossa escola ensina assim? Esses conceitos são trabalhados na escola pensando tão a longo prazo? A tão falada Cultura Maker seria a solução? Mas esse conceito não é facilmente aplicável nas disciplinas tipo filosofia, sociologia, história, então como faremos o Maker nessas disciplinas?

O uso de informática, por sua vez, já é realidade em muitas escolas, que são equipadas com laboratórios e dispõem de mídias variadas até mesmo em sala de aula. Os computadores, claro, são dotados de filtros, programas que impedem o acesso a alguns endereços eletrônicos. O tradicional quadro-negro cedeu lugar às lousas digitais, nas quais o professor projeta a tela do computador que usa na sala de aula. A criança que faltou à aula pode acessar todo o conteúdo perdido no site do colégio.

Tudo isso é muito legal, mas a grande questão é como fazer o melhor uso possível da informática. Muitos alunos lidam facilmente com as novas tecnologias, mas de uma maneira muito superficial. Usam bem o que lhes interessa como as redes sociais e smartphones, mas não sabem nenhuma linguagem de programação que faria uma grande diferença entre usar e criar. Muitas das vezes não sabem nem o básico que é fazer uma pesquisa na web. Como se ensina a separar o joio do trigo? Trabalhando o senso crítico do aluno e ensinando onde pode averiguar se o que leu na internet é verdadeiro ou não. Sabendo isso não se fica soterrado sob uma avalanche de informação inútil e muitas das vezes falsas/erradas. Quem não souber selecionar corre o risco de ficar para trás. Mas cabe à escola preparar o aluno para que esse processo seja estimulante e determinante.

Outra questão importante e como incentivar o tão desejado espírito de equipe e de colaboração, sem que isso afete a possibilidade de liderança? Há varias propostas democráticas no ambiente escolar que caminham nessa direção. Eu vi na Escola da Ponte em Portugal como funciona as assembleias semanais de alunos, professores e funcionários que tratam de assuntos relevantes para a comunidade escolar. Todos podem opinar e os assuntos, do mais básico até os mais complexos e de difícil solução, são votados e decididos por eles.

Experiências como essa ainda são bem raras por aqui, mas começam a ganhar espaço. É uma questão primordial no mundo moderno hoje é Saber escolher. Quando escolhe o que é melhor para a escola, o aluno enfrenta um problema real do cotidiano e busca soluções e saber escolher é uma competência fundamental para o jovem do século 21. Ele já se experimenta como cidadão e como isso se refletira no futuro dele como profissional dentro da escola.

No Aprender a conviver tem gente que pensa como o filósofo e educador Alípio Casali, que diz que a geração que se prepara para o século 21 enfrenta uma grave crise de socialização. Famílias dispersas, pais ausentes e o distanciamento de instituições tradicionais, deixam as crianças meio perdidas, sem referências. E de que os vínculos vêm enfraquecendo aceleradamente, o que está produzindo indivíduos com dificuldades para os relacionamentos sociais, mesmo diante da imensa interação que se desenrola hoje em dia nas redes sociais. Para ele a escola do futuro não pode deixar de lado seu papel de socializar adequadamente, ensinando a cada criança o jogo tenso entre direitos, deveres, ordem e liberdade. Para ele “O convívio é uma experiência estruturante. O conhecimento também se dá por transmissão.”

Esta aprendizagem, sem dúvida, representa um dos maiores desafios da atualidade. O mundo atual está repleto de violência, em oposição à esperança que alguns têm no progresso da humanidade. A educação deve utilizar duas vias complementares. Primeiramente a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, tendo este método o intuito de evitar ou resolver os conflitos latentes.

Muitas escolas preocupadas com esse esgarçamento de vínculos, incentivam o trabalho em grupo. No trabalho em grupo a criança, as vezes, é obrigada a trabalhar mesmo com quem não tem afinidades dentro das regras da boa convivência. Assim, aprende como o outro pensa e aprende a respeitar os limites de cada um e superar as vezes situações que não tem nenhuma ação concreta. Pois além de estabelecer laços, outro desafio para o estudante do século 21 é a boa relação com a heterogeneidade. Conviver com a diversidade é uma expressão da inteligência humana.

Mais do que uma exigência do mercado de trabalho, que valoriza as diferenças, respeitar o outro é uma questão de sobrevivência da espécie no planeta. É preciso aceitar a diversidade não apenas com respeito, mas também valorizando a diversidade e as diferenças ideológicas como riqueza.

No Aprender a ser vem sempre aquela fatídica pergunta: Quem você quer ser quando crescer?. “Um cidadão do mundo, preocupado com as questões sociais e ecológicas” talvez fosse esta a resposta da maioria dos estudantes de hoje, que faria com que poderíamos sonhar com um mundo melhor para as próximas décadas. Mas no contexto atual, não basta fazer. Os ideais têm de estar incorporados. É uma questão de ser. Fazer desse aluno um ser justo, correto e de caráter forte é uma tarefa para a família e para a escola na transmissão de valores importantes para a vida adulta. A parte mais importante desse ser é a construção dessa identidade do aluno. Situa-lo no seu contexto social, cultural e intelectual. Delors coloca assim:

A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espirito, corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal e espiritualidade. Todo o ser humano deve receber uma educação que lhe dê ferramentas para o despertar do pensamento crítico e autônomo, assim como para formular seus juízos de valor e ser autônomo intelectualmente.

Mais do que nunca a educação parece ter como papel essencial, conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, o discernimento, os sentimentos e a imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos de seus próprios destinos (pg 81).

Despertar na criança a noção de que o planeta está em perigo e prepará-la para defender a Terra é uma das principais missões da escola no século 21 a outra missão tão importante, ou talvez mais importante, é em relação as desigualdades sociais que afligem a humanidade. Lutar por um mundo mais justo socialmente, inclusivo, tolerante e que respeite a diversidade.

O segredo para criar cidadãos conscientes é fazer com que essa preocupação não fique apenas na teoria mas que ocupe espaço na vida escolar das crianças. Os muros da escola são realmente estreitos demais para o ensino contemporâneo. O conhecimento que se adquire com a prática é mais significativo. E se já não bastasse essas coisas todas, eis que vem uma reforma do ensino médio imposta de cima pra baixo, desrespeitando toda a discussão que vem sendo feita para a reforma do ensino médio desde 2006.

E o Brasil o que fez pra mudar?

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (8) a chamada Medida Provisória do Novo Ensino Médio, com segmentação de disciplinas segundo áreas do conhecimento e implementação do ensino integral. Foram 43 votos favoráveis e 13 votos contrários ao Projeto de Lei de Conversão (PLV) 34/2016,  proposta originada após alterações promovidas na MPV 746/2016 pela comissão mista e pela Câmara dos Deputados.

Não há duvida que o ensino médio precisava de uma sacudida, de mudanças estruturais mesmo, mas o que foi proposto e o que foi aprovado distanciam o que se propunha enquanto discussão coletiva de uma imposição política de um governo ilegítimo de uma politica educacional dos anos 90. Bem algumas coisas positivas podem ser tiradas dessa mudança? Talvez. A reforma flexibiliza o conteúdo que será ensinado aos alunos, muda a distribuição do conteúdo das 13 disciplinas tradicionais ao longo dos três anos do ciclo, dá novo peso ao ensino técnico e incentiva a ampliação de escolas de tempo integral. Mas isso é suficiente? Não.

O currículo do ensino médio será definido pela Base Nacional Comum Curricular – BNCC (que deverá dar um passo significativo, se pra melhor ou pior ninguém ainda sabe), atualmente em elaboração. Mas talvez aqui o que está sendo vendido como “moderno” não tenha o efeito desejado: a adoção dos eixos curriculares. Pois a nova lei já determina como a carga horária do ensino médio será dividida. Tudo o que será lecionado vai estar dentro de uma das seguintes áreas, que são chamadas de “itinerários formativos”

  1. linguagens e suas tecnologias
  2. matemática e suas tecnologias
  3. ciências da natureza e suas tecnologias
  4. ciências humanas e sociais aplicadas
  5. formação técnica e profissional

As escolas, pela reforma, não são obrigadas a oferecer aos alunos todas as cinco áreas, mas deverão oferecer ao menos um dos itinerários formativos. E aqui o grande ponto de ruptura. Vamos lá pela lei, eu não sou obrigado a oferecer os cinco itinerários formativos, apenas um. Beleza. Qual gestor público vai adotar mais de um  itinerário, se a adoção deles implica em investimento  em estrutura e em professor? Como pode disciplinas como História e Geografia não serem obrigatórias como é Matemática e Português? Fora o engodo de que Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes terem se tornados obrigatórias. Elas são apenas obrigatórias na Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Não nos eixos formativos. Uma emenda definiu que as matérias devem ter “estudos e práticas” incluídos como obrigatórios na BNCC.

A língua inglesa passará a ser a disciplina obrigatória no ensino de língua estrangeira, a partir do sexto ano do ensino fundamental. Isso quer dizer que Congresso manteve a proposta do governo federal. Antes da reforma, as escolas podiam escolher se a língua estrangeira ensinada aos alunos seria o inglês ou o espanhol, que dentro de uma politica de integração adotada pelo Mercosul, o ensino do espanhol (que é a língua mais falada no mundo em numero de países que adotam o espanhol como língua oficial).

Imaginar que agora, se a escola só oferece uma língua estrangeira, essa língua deve ser obrigatoriamente o inglês, e se ela oferece mais de uma língua estrangeira, a segunda língua, preferencialmente, deve ser o espanhol, mas isso não é obrigatório. Precisamos contextualizar, mais uma vez, a importância do ensino do espanhol como língua obrigatória, pois no mundo moderno atual as políticas comerciais e diplomáticas que norteiam as relações dos países e do Brasil (MERCOSUL e BRICS) o ensino do idioma espanhol não é apenas necessário, é estratégicos em todos os pontos de vista possíveis.

Outro objetivo da reforma é incentivar o aumento da carga horária para cumprir a meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que, até 2024, 50% das escolas e 25% das matrículas na educação básica (incluindo os ensinos infantil, fundamental e médio) estejam no ensino de tempo integral.

No ensino médio, a carga deve agora ser ampliada progressivamente até atingir 1,4 mil horas anuais. Atualmente, o total é de 800 horas por ano, de acordo com o MEC. No texto final, os senadores incluíram uma meta intermediária: no prazo máximo de 5 anos, todas as escolas de ensino médio do Brasil devem ter carga horária anual de pelo menos mil horas. Não há previsão de sanções para gestores que não cumprirem a meta. (lógico pois ninguém é louco de cobrar uma coisa que eles sabem não vão cumprir, pois depende de um investimento pesado em estrutura com um PEC que congela investimentos em todas as áreas).

Outro alvo de críticas foi a permissão para que professores sem diploma específico ministrem aulas. O texto aprovado no Congresso manteve a autorização para que profissionais com “notório saber”, reconhecidos pelo sistema de ensino, possam dar aulas exclusivamente para cursos de formação técnica e profissional, desde que os cursos estejam ligados às áreas de atuação deles.

Também ficou definido pelos deputados e senadores que profissionais graduados sem licenciatura poderão fazer uma complementação pedagógica para que estejam qualificados a ministrar aulas. O perigo é essa brecha ser usada para todo ensino médio e não apenas o profissional e técnico.

Bem ainda vamos precisar de tempo para digerir isso tudo, mas o principal é chamar os professores para fazerem uma reflexão mais ampla e crítica (em todos os sentidos) sobre os rumos do que fazemos, de como fazemos e principalmente de como queremos fazer. O mundo está mudando rapidamente, e os alunos também. E nos professores estaremos aonde nisso?

Convido aos amigos educadores a fazerem comigo essa reflexão. Seja aqui nos comentários ou em seus próprios espaços. Para isso deixo essa reflexão para todos que quiserem debater:

“Em toda a história da escolarização, nunca se exigiu tanto da escola e dos professores quanto nos últimos anos. Essa pressão é decorrente, em primeiro lugar, do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação e, em segundo lugar, das rápidas transformações do processo de trabalho e de produção da cultura. A educação e o trabalho docente passaram então a ser considerados peças-chave na formação do novo profissional do mundo informatizado e globalizado.” (FREITAS, 2005).

A pergunta final que deixo para vocês é essa:

Robson Freire

O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea?

[Segue o fichamento do texto de HOBSBAWN que produzi para subsidiar minha aula na turma de História Contemporânea, na PUC-GO, no primeiro semestre de 2010. Utilizei o mesmo texto no curso oferecido para a formação especial de professores na UNEB/Campus IX (Barreiras-BA), pela PARFOR/CAPES, no final do ano passado]

O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea?

Referência do texto fichado aqui: HOBSBAWN, Eric. O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea? (36-48). In _____. Sobre história. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.

1. Da utilidade do conhecimento histórico

Para que serve a história? Quais as utilidades deste conhecimento? De que forma este conhecimento pode ser operacionalizado na vida, na dimensão da experiência individual? O conhecimento histórico contribui para a aquisição de algum resultado, seja no âmbito pessoal ou social/coletivo?

“pessoas que só admitem despender um bom dinheiro em coisas que tenham uma compensação prática e óbvia”

As relações entre passado, presente e futuro são indispensáveis e de interesse vital para nossa sociedade → é inevitável que nos situemos no continuum de nossa existência, da família e do grupo a que pertencemos. Aprendemos com isto:

“é o que a experiência significa” (p. 36) → “os historiadores são o banco de memória da experiência”

Todo o passado constitui a história e a maior parte deste passado é da competência dos historiadores que compilam e constituem a memória coletiva do passado [esta atividade ou função manifesta é a base que sustenta a confiança que a sociedade “deve ter” no conhecimento produzido pelos historiadores, segundo o autor] (37)

“necessitamos e utilizamos a história mesmo quando não sabemos por que”

[por exemplo, na maioria das celebrações dos marcos cronológicos, como os aniversários, as efemérides nacionais ou institucionais] (37);

2. Função tradicional da história

Até o final do século XVIII, supuseram que a história pudesse nos dizer como uma dada sociedade deveria funcionar. O passado era o modelo para o presente e o futuro

“a história representava a chave para o código genético pelo qual cada geração reproduzia seus sucessores e organizava suas relações”

É o que a Didática da História (na reflexão alemã) denomina de função tradicional do passado: as sociedades tendem a buscar nas tradições (familiares, regionais/culturais, nacionais/ideológicas/identitárias) os referentes que servem de orientação para a ação/comportamento presente.

→ Indícios da função tradicional do passado: velho = sabedoria (longa experiência + memória de como eram, como eram feitas as coisas e, portanto, como deveriam ser feitas)

→ “senado” (Congresso sênior); o “conceito de precedente” em sistemas legais baseados no direito consuetudinário

→ história como autoridade para o presente [a história oficial/história nacional é utilizada pelas elites brasileiras para construírem um discurso em relação ao passado, cuja consequência prática é a base de sua perpetuação no poder, no presente e no futuro. Serve a esta ideia a representação histórica que o “povo brasileiro” não é belicoso. Logo é pacífico, subserviente, passivo e obediente. Quer funções mais apropriadas à reprodução de um status quo que estas?]

3. Função mitológica da história ou a narrativa de origem

É a lição da história de experiência acumulada e coagulada. Por exemplo:

“os bons tempos do passado, e é para lá que a sociedade deveria voltar”

Utopia como nostalgia (boa e velha moralidade da cidadezinha do interior; a crença literal na Bíblia que é um documento histórico antigo) → hoje, esta função não é mais disponível:

“o retorno ao passado é algo tão distante que tem de ser reconstruído ou um retorno a algo que nunca existiu realmente, mas foi inventado para tal fim”

→ “qualquer nacionalismo moderno, não poderia ser concebido como um retorno a um passado perdido, porque o tipo de Estados-nações territoriais, dotados de tipo de organização que ele visava, simplesmente, não existiu até o século XIX”

→ “entender mal a história é parte essencial de se tornar nação” (Ernest Renan) (38)

→ “A atividade profissional dos historiadores é desmantelar essas mitologias, a menos que se contentem – e receio que os historiadores nacionais muitas vezes se contentam – em ser os servos dos ideólogos” (38)

É o exemplo de contribuição (negativa) importante que a história pode nos dar a respeito das sociedades contemporâneas;

4. O “meu tempo” é hoje

Esse é o título de um documentário sobre Paulinho da Viola. É fantástica a potência que possui esse título para criticarmos a noção de “história mitológica” que Hobsbawm acabou de nos apresentar. Na frase, a história/tempo não está no passado. O tempo é o presente. Engraçado que um dos primeiros indícios que uma pessoa está ficando velha (já li isso em algum lugar) é dizer: “no meu tempo…” como se ela, o tempo dela, tivesse, em algum momento, sido apartado do que ela é no presente. Esse funcionamento é o primeiro indício que uma coisa ficou datada. Tipo o corte de cabelo dos 80’s, a calça boca de sino dos 60’s, o cabelo colorido dos 90’s ou suas roupas de flanela. É preciso que a história volte-se para o presente. É a leitura que Walter Benjamin (1892-1940) fez do anjo pintado por Paul Klee. Contudo, a condição fundamental para que isso aconteça, é ir ao passado. Ir ao passado é um recurso e uma condição para se chegar ao presente e nele se situar; com ele dialogar, nele viver.

5. O presente não pode tomar o passado como modelo em nenhum sentido operacional

“Desde o início da industrialização, a novidade que toda geração traz é mto mais marcante que sua similaridade com o que havia antes”

Diante disso, imaginem o quanto é difícil para uma pessoa jovem hoje imaginar um mundo sem internet; sem CD; sem TV; sem cor impressa; sem rádio; sem energia elétrica; sem rádio; sem cinema; sem rede de abastecimento de água encanada e residencial; sem imagem fotográfica… acabei de faze um breve percurso cronológico que nos leva diretamente a meados do século XIX. Mas essa volta poderia ser feita ate períodos históricos mais afastados. É o que nos propõe Maria Bethania numa releitura de uma música de Arnaldo Antunes.

6. Debaixo d’água – Agora (ao vivo), Maria Bethânia, 2007, álbum Dentro do mar tem rio.

7. Há uma parte muito grande de assuntos humanos nos quais o passado retém sua autoridade e, portanto, a história ou a experiência, no genuíno sentido antiquado, opera do mesmo modo como operava no tempo de nossos antepassados (38);

8. Uso antiquado ou experiencial da história (o que a história nos diz sobre o passado): A história elementar (saber como era alguma prática ou saber os valores que norteiam as práticas sociais)

→ “são necessárias duas pessoas para aprender as lições da história ou de qualquer outra coisa: uma para dar a informação e outra para ouvir”

→ a mera experiência histórica sem muita teoria sempre pode nos dizer muita coisa sobre a sociedade contemporânea

→ as situações humanas são, de tempos em tempos, recorrentes → registro acumulado de muitas gerações (“já vi isto antes”)

→ [traços de uma abordagem materialista?]

→ “a ciência social moderna, a política e o planejamento adotaram um modelo de cientificismo e manipulação técnica que, sistemática e deliberadamente, negligencia o humano e, acima de tudo, a experiência histórica” (39)

→ ciclos de longa duração de Kondratiev (descobertos no século XX) = padrão secular da economia mundial na qual períodos de cerca de vinte a trinta anos de expansão econômica e prosperidade se alternam com períodos de dificuldades econômicas com a mesma duração → uma dentre as poucas periodicidades que permitem previsão (40)

→ o computador de nossas cabeças tem, ou pode ter, experiência histórica embutida [consciência histórica geneticamente transmitida?]

→ tipo de conhecimento histórico que os intelectuais, de Tucídides a Maquiavel, teriam reconhecido ou praticado (41);

9. O que a história nos diz sobre o presente

(o que a história pode nos dizer sobre o inédito?): não há precedentes →

“a história, mesmo quando generaliza com muita eficácia, ela não vale muitas coisa se não generaliza, sempre está atenta à dessemelhança”

→ a historiografia tradicionalmente se desenvolveu a partir do registro de vidas e eventos específicos e irrepetíveis.

“estou me referindo a transformações que fazem do passado um guia direto fundamentalmente inadequado para o presente”

→ as transformações rápidas, profundas, radicais e contínuas são características do mundo a partir do final do século XVIII e, especialmente, a partir da metade do XX (41)

→ uma das funções menores dos historiadores é mostrar que a inovação não é e não pode ser absolutamente universal (descobrir uma prática absolutamente nova)

→ a evolução humana:
como deixamos de nos assustar com os perigos da natureza para nos assustar por aqueles que nós mesmos criamos?

→ apesar de sermos mais altos e pesados do que nunca, biologicamente somos quase os mesmos que no início dos registros históricos

→ é quase certo que não somos mais inteligentes que os mesopotâmios, entretanto, o modo como as sociedades vivem e operam foi totalmente transformado (42)

→ “se fixamos nossa atenção naquilo que é permanente, não podemos explicar o que obviamente foi transformado, a menos que acreditemos que não possa haver nenhuma mudança histórica, mas apenas combinação e variação” (42)

→ o objetivo de se traçar a evolução histórica da humanidade não é antever o que acontecerá no futuro, ainda que o conhecimento e o entendimento histórico sejam essenciais a todo aquele que deseja basear suas ações e projetos em algo melhor que a clarividência, a astrologia ou o franco voluntarismo (42)

→ ler na história (descobrir padrões e mecanismos da transformação) é diferente de deduzir da história (previsões / esperanças) (43);

10. O progresso e a concepção materialista da história

Qualquer tentativa genuína para dar sentido à história humana deve tomar o progresso (sentido literal de um processo direcional) como ponto de partida

→ o progresso é a capacidade persistente e crescente da espécie humana de controlar as forças de natureza por meio do trabalho manual e mental, da tecnologia e da organização da produção [a abordagem e interpretação da categoria ‘progresso’ por parte do autor é pragmática e não considera valores e condicionantes morais e éticos?] → a concepção e análise da história construída por Karl Marx baseou-se na ideia de progresso, daí sua importância para os historiadores

→ “não é possível nenhuma discussão séria da história que não se reporte a Marx ou, mais precisamente, que não parta de onde ele partiu. E isso significa, basicamente, uma concepção materialista da história” (43)

→ durante a maior parte da história registrada, de 80 a 90% da população esteve envolvida na produção de alimentos básicos. Hoje, uma população de 3% dos estadunidenses produz comida suficiente para alimentar outros 97% (44);

11. Quais as consequências destas mudanças?

Elas podem definir uma dimensão urgente do problema = a necessidade de redistribuição social

→ durante maior parte da história, o crescimento econômico operava por meio da desigualdade (apropriação do excedente social gerado pela capacidade do homem de produzir por meio de uma minoria para fins de investimento em melhoria adicional) (44)

→ isto era compensado pelo crescimento da riqueza total que tornou cada geração mais aquinhoada que suas predecessoras. Os trabalhadores partilhavam desses benefícios mediante a participação no processo produtivo (posse de empregos – assalariados – ou por meio da venda de sua produção no mercado – camponeses e artesãos)

12. Qual o problema do tempo presente?

A maioria da população não é mais necessária para a produção. Do que ela se manterá?

→ o motor principal do crescimento econômico do Ocidente são os lucros empresariais

→ Uma economia empresarial depende cada vez mais das compras

→ A maioria da população tem de viver de transferência de recursos públicos (entre ½ e 2/3 dos gastos públicos – pensões, seguridade e bem-estar social) = mecanismo político e administrativo de redistribuição social [os programas sociais do governo federal: bolsa família, bolsa escola, benefício dos idosos, aposentadoria etc.] = crescimento do setor estatal = ônus tributário sobre os lucros empresariais = pressão pelo desmantelamento do sistema de redistribuição de rendas

→ mas este mecanismo de redistribuição não foi projetado para uma economia na qual a maioria poderia ser excedente às necessidades produtivas, mas sim para uma economia de pleno emprego e por ele sustentada.

13. O crescimento econômico mediante uma economia de mercado não foi um mecanismo eficaz para diminuir as desigualdades internas ou internacionais, embora tendesse a aumentar o setor industrializado do planeta → as desigualdades embutidas nesses desenvolvimentos históricos são desigualdades de poder: populações pobres e países pobres são fracos, desorganizados e tecnicamente incompetentes: relativamente mais fracos hoje do que no passado (46) → dentro de nossos países podemos cozinhá-los em guetos (“um nível aceitável de violência” [qual é a violência aceitável? Que violência você aceita?]) ou isolarmos em carros blindados, condomínios fechados → os pobres e descontentes, nacional e internacionalmente, devem ser contidos (46);

14. Muros e grades, Engenheiros do Havaí, 1993. Álbum Filmes de Guerra, canções de amor.

15. O que a história pode nos dizer: pode-se supor que os pobres não mais mobilizem em protesto, pressão, mudança e revolução social, em nível nacional ou internacional, como fizeram entre 1880 e 1950; mas não que permaneçam ineficazes enquanto forças políticas/militares, principalmente quando não puderem ser comprados pela prosperidade →
o que a história não pode nos dizer é o que acontecerá, apenas quais problemas teremos que resolver (47);

CONCLUSÃO

16. O que a história pode nos dizer sobre as sociedades contemporâneas baseia-se em uma combinação entre experiência histórica e perspectiva histórica [horizonte de expectativas]

→ “é tarefa dos historiadores saber consideravelmente mais sobre o passado do que as outras pessoas, e não podem ser bons historiadores a menos que tenham aprendido, com ou sem teoria, a reconhecer semelhanças e diferenças” (47)

→ [é possível identificar semelhanças e diferenças sem um exercício teórico?];

17. “Infelizmente, uma coisa que a experiência histórica também ensinou aos historiadores é que ninguém jamais parece aprender com ela. No entanto, temos que continuar tentando” (47);

18. Razão pela qual as lições da história não são aprendidas ou são desprezadas:

  • História utilitarista: Devido uma abordagem a-histórica, manipuladora, de solução de problemas, que se vale de modelos e dispositivos mecânicos [factualista, narrativista, não-problematizadora, informacionista, professoral? História para passar/não-passar no vestibular, no Rio Branco, no concurso do Estado?];
  • História como inspiração e ideologia (mito de auto-justificação) / “história-Venda para os olhos”: distorção sistemática da história para fins irracionais → Por que todos os regimes fazem seus jovens estudarem história na escola?
    “não para compreenderem sua sociedade e como ela muda, mas para aprová-la, orgulhar-se dela, serem ou tornarem-se bons cidadãos” “e o mesmo é verdade para causas e movimentos”;

19. É tarefa dos historiadores remover as vendas ou tentar levantá-las um pouco → ao fazer isto, dizem algumas coisas das quais ela poderia se beneficiar, ainda que hesite em aprendê-las

“uma pena que os historiadores somente sejam autorizados e encorajados a fazer isso nas universidades”

[será?] → as universidades são/devem se tornar os locais onde mais facilmente se pode praticar uma história crítica (48).

Fonte: http://euzebiocarvalho.blogspot.com.br/2013/01/o-que-historia-tem-dizer-nos-sobre.html

A arte de se reinventar

Em tempos de mudanças em velocidade cada vez maior, aprender a se reinventar é uma arte indispensável aos que realmente desejam galgar espaços notáveis ou até mesmo manter-se em condições minimamente competitivas nos ambientes de trabalho e de desenvolvimento profissional.

Aquele tempo do emprego vitalício já ficou para trás, coisa que em empresas de médio e especialmente, pequeno porte, a bem da verdade, nunca existiu. Entretanto, é preciso encarar que, embora a máxima do emprego vitalício tenha morrido, a carreira não. E para que ela também não fique par trás, é necessário que se tenha um espectro de visão um pouco mais amplo acerca das supostas garantias do emprego, a fim de que a aprendizagem da reinvenção seja um fato e não um duro enfretamento com uma realidade repentina.

De modo que faz bem saber, que a arte de se reinventar exige:

  • Compreender o dinamismo do novo mundo no que tange aos ferramentais disponíveis para a execução de tarefas, bem como aos processos horizontais de tomadas de decisão;
  • A manutenção de uma rede de contatos viva, pois esta poderá ser determinante na definição de novos caminhos profissionais. E essa tarefa impõe interesses reais de relacionamentos entre os contatos, não apenas uma lista a que se recorra em momentos críticos. Aliás, uma rede de contatos viva, também se reproduz em um processo rico de diversidade de pensamento e argumentação que o ajudará a se diferenciar, se você se colocar como parte efetiva da rede;
  • O desenvolvimento de uma marca pessoal, o que significa dizer, antes de mais nada, que você precisa se conhecer muito bem, em suas mais disfarçadas deficiências, tal como, claro, em suas habilidades e capacitações mais louváveis. É esse escopo de saber que o permitirá criar uma presença consistente nos ambientes a que se propõe conquistar e o balizará para startar novos processos profissionais, a descobrir novos caminhos e a propor novas soluções quando ninguém consegue percebê-las.

Claro que reinventar-se não se esgota em três tópicos. No entanto, são estes, norteadores para que diante do inusitado ou de um inesperado acontecimento na sua carreira profissional, você não se veja estático, imobilizado pela incerteza e descrença, mas tenha condições de encarar que novas possibilidades e novos caminhos se abrem a quem se dispõe a começar de novo, a aprender sempre e a se reinventar.

Fonte: http://www.daexe.com.br/a-arte-de-se-reinventar/

Yoga na sala de aula? Sim!

Confira o que a educadora e autora de livros infanto juvenis Maeve Vida nos contou sobre os benefícios dessa técnica na Educação

por João Victor Siqueira

Você já ouviu falar na técnica How-To-Live? A prática, criada pelo filósofo e educador indiano Paramahansa Yogananda, em 1917, usa a ciência do Yoga aplicada na Educação. Ela é mais comum no sistema de Educação da Índia, onde já existem em torno de 100 escolas que utilizam essa técnica, com até 5.000 alunos. No Ocidente, a primeira escola adepta ao How-To-Live e ensinamentos da Yoga foi a Escola Arte de Ser, fundada há oito anos, em São Paulo. Para saber melhor sobre as atividades exercidas na escola e os benefícios que a Yoga traz para os alunos, conversamos com Maeve Vida, consultora da filosofia How-To-Live da escola.

 A Escola Arte de Ser é a primeira do Ocidente adepta ao How To Live. Como e quando surgiu essa ideia? Você tem ideia de, mais ou menos, quantas escolas no mundo já usavam dessa metodologia?

Há doze anos, vários amigos que eram professores de meditação para crianças que seguem a filosofia How-To-Live começaram a realizar oficinas na Livraria Omnisciência, um projeto de Cultura de Paz. Inspirados no livro de Yogananda, a Autobiografia de um Iogue, em que ele conta sobre a fundação da sua primeira escola com a filosofia How-To-Live, em Ranchi, na Índia, e como aplicar os princípios da Yoga no ambiente escolar, esse grupo de professores de meditação resolveu fundar a primeira escola How-To-Live no Brasil. Atualmente, temos cerca de 50 crianças estudando conosco na Educação Infantil.

De forma geral, quais são os benefícios que o método How-To-Live pode trazer para as crianças, tanto no aprendizado quanto na relação delas com as pessoas e consigo mesmas?

A filosofia How-To-Live, idealizada por Yogananda, contempla as quatro dimensões do ser humano para um desenvolvimento harmonioso:

Ciência do Corpo: como recarregar nosso corpo de energia vital, a partir do cultivo de hábitos saudáveis nas diversas atividades da vida cotidiana: alimentação, exercícios físicos, ritmo, banhos de sol, higiene corporal, entre outros.

Engenharia Mental: pelo uso correto da força de vontade, podemos ensinar às crianças e aos jovens como construir pontes que vão do “fracasso” ao “sucesso” para superar cada pequeno desafio de suas vidas. Por meio de pensamentos calmos e positivos, podemos desenvolver uma mente concentrada e equilibrada.

Artes Sociais: uma convivência social harmoniosa segue valores de tolerância, paz, amor e solidariedade. A criança e o jovem devem ser estimulados a substituir o “desejo de possuir pela alegria de compartilhar, para que seus interesses pessoais não discordem das necessidades sociais.”

Dimensão Espiritual: as práticas contemplativas – como a meditação, visualizações e relaxamento – são ferramentas importantes para o desenvolvimento de nossa riqueza interior. Isso se expressa, naturalmente, na forma pacífica e humanizada com que iremos atuar junto à Natureza e a todos os seres vivos ao nosso redor.

Como funciona o processo de avaliação dos alunos e como a escola relaciona as disciplinas tradicionais, como matemática, história e português com as atividades de yoga, jardinagem, arte etc?

Somos uma escola de Educação Infantil, as disciplinas tradicionais são realizadas ludicamente, por meio das atividades de arte, música, movimento, pesquisa e interação com a natureza que desenvolvemos. Nossa observação em relação ao desenvolvimento das crianças é feita avaliando as quatro dimensões do ser humano, caracterizadas nos pilares da filosofia How-To-Live: corporal, mental, social e espiritual. Dessa forma, procuramos acompanhar a sua forma de relacionar-se com as outras crianças e com os educadores, a sua capacidade de concentração nas atividades e o desenvolvimento de suas habilidades corporais.

Quais são as atividades exercidas na escola?

Seguimos um ritmo para cada dia da semana. Algumas práticas são diárias, como uma roda rítmica na entrada da manhã e a meditação. Temos uma professora especialista em hatha-yoga, que dá aula uma vez por semana, mas os professores de classe também cultivam práticas de yoga em outros momentos do dia a dia escolar como uma forma de resgatar o equilíbrio e a harmonia. Além de fornecermos uma alimentação vegetariana às crianças, incentivamos que elas mesmas aprendam a cozinhar. Diariamente também, existe uma interação com a horta e com as tartarugas que ali habitam, como uma forma de conexão com a Mãe Terra. A música e a arte permeiam nosso dia a dia escolar, fazendo parte do ritmo cotidiano, tendo sempre como pano de fundo, as virtudes e valores humanos universais no planejamento pedagógico semanal. O Projeto Heróis da Verdade, que foi iniciado na Omnisciência, é aplicado na escola, procurando incentivar uma Cultura de Paz, trazendo o exemplo de vida dos grandes mestres da Humanidade.

Na escola, é bastante valorizada a participação dos pais nas atividades. Qual a importância dessa relação, tanto para as crianças quanto para os próprios pais?

Para nós, essa participação é fundamental para que as famílias possam não apenas opinar em questões que julguem importantes para o aprimoramento da escola, mas também para ajudar para que isso aconteça.

Você tem algum exemplo ou história de um aluno que sentiu os resultados da metodologia? Como alguma criança que chegou a escola com um mau comportamento e melhorou depois das técnicas, por exemplo.

Tivemos o caso de duas crianças de Abrigo que estudaram em nossa escola e foram um exemplo de como essa metodologia pode trabalhar em níveis muito profundos de mudança de harmonização das crianças. Mesmo continuando a morar nos Abrigos, sem uma atenção individualizada familiar, elas se transformaram significativamente. Ambas foram adotadas. A primeira delas, uma menina encantadora, com um caso familiar muito delicado, que ficou conosco por mais tempo, ensinava outras crianças do Abrigo as posturas de Yoga e meditação que aprendia na escola.

6 maneiras divertidas para aprender inglês online

Porvir reuniu dicas de sites e aplicativos que ajudam a melhorar o domínio do idioma com recursos criativos

Aprender inglês pode ser útil para muitas coisas: de dar um salto na carreira a conseguir uma bolsa de estudos no exterior. Para quem deseja começar o ano focado em estudar uma nova língua, mas não tem tempo ou dinheiro para frequentar um curso tradicional, o Porvir reuniu dicas de sites e aplicativos que tornam o aprendizado divertido.

Das mensagens instantâneas aos vídeos e histórias, a lista reúne maneiras criativas de aprender inglês online. Confira as dicas:

Viagens ao redor do mundo
Com mais de 450 vídeos, a plataforma Tripppin funciona como uma viagem ao redor do mundo. O usuário acompanha temporadas e episódios gravados em 12 países, passando por cidades como Londres, Berlim, Barcelona e Paris. Os vídeos tentam simular experiências pessoais de viagem, que são representadas pelos irmãos Tripp e Pin. Além de apresentar situações formais e informais do idioma, a plataforma reúne exercícios, desafios, músicas e uma rede social interna que permite interagir com pessoas de diferentes locais. Alguns vídeos e recursos são gratuitos, mas para ter acesso completo é necessário fazer um plano de assinatura. Os valores variam entre US$ 19 e 80.

Mensagens instantâneas
Disponível para as plataformas iOS e Android, o HelloTalk é um aplicativo para aprender mais de 100 idiomas com professores nativos de diversos países. Como uma espécie de WhatsApp, ele tem ferramentas que permitem enviar mensagens de texto e voz. O usuário também pode ouvir a pronúncia correta das mensagens recebidas e enviadas, além de criar um banco de dados com o vocabulário aprendido durante as conversas. O aplicativo é gratuito.

Videoaulas com Star Wars
Baseado nos filmes de Star Wars, o minicurso gratuito ensina diferentes tópicos de inglês e expressões idiomáticas a partir de trechos com cenas famosas. Desenvolvido pela startup brasileira Backpacker, o curso ainda conta com uma ferramenta de reconhecimento de voz para praticar a pronúncia.

Filmes e músicas
O site English Attack! reúne trechos de filmes e músicas que ajudam a treinar o idioma. As mídias são acompanhadas por exercícios, jogos, atividades de compreensão auditiva e itens de vocabulário. A plataforma é paga, com opções de assinatura mensal, semestral anual ou bienal, entre R$ 35.90 e R$ 357.60. Também existem planos voltados para professores, escolas e empresas.

Histórias em quadrinhos
O jogo Speaking Comics, criado pela escola de idiomas CNA, ajuda a praticar a pronuncia de inglês e espanhol com tirinhas. O usuário pode criar seus próprios quadrinhos, selecionando personagens, fundos e falas. Após concluir, ele também tem a opção de gravar sua voz para narrar a história e compartilhar nas redes sociais. O game é gratuito.

Vídeos curtos para qualquer tempo livre
Do iniciante para avançado, a plataforma Pow eLearning possibilita aprender diferentes tópicos gramaticais de inglês, como tempos verbais e advérbios, por meio de vídeos gravados por alunos e professores de diversas nacionalidades. Com vídeos de menos de 1 minuto, a plataforma gratuita pode ser acessada em qualquer tempo livre e ajuda a treinar a compreensão auditiva, proporcionando o contanto com falantes nativos e sotaques variados.

Existem muitos recursos que podem ajudar a aprender inglês. Faça um teste para descobrir qual é o método mais indicado para você:

Fonte: http://porvir.org/6-maneiras-divertidas-para-aprender-ingles-online/

6 Filmes com Histórias de Professores Inspiradores para ver na Netflix

Porvir reuniu obras que mostram a importância de um educador na vida dos seus alunos

Um professor inspirador pode fazer toda a diferença na vida do seu aluno. E como dizem que a arte imita a vida ou a vida imita a arte, no cinema também não poderia ser diferente. Pensando nisso, o Porvir fez uma seleção de filmes da plataforma Netflix que reafirmam o papel transformador da educação e a importância do trabalho desempenhado por um docente comprometido.

Está esperando o que para se inspirar com boas histórias? Confira a lista:

Sociedade dos poetas mortos
Encantar os alunos com a disciplina de literatura foi apenas uma parte do trabalho feito pelo professor John Keating (Robin Williams). Quando começou a dar aulas na tradicional escola preparatória Welton Academy, ele passou a utilizar métodos para retirar os alunos de uma posição passiva e transformá-los em livres pensadores, que perseguem seus interesses e vocações.

Duração: 2h 08min

Mentes perigosas
Ao perceber que os métodos convencionais não estavam conseguindo chamar a atenção da sua classe, a professora LouAnne Johnson (Michelle Pfeiffer) decidiu inovar. Para motivar os seus alunos, ela começou a trazer para suas aulas assuntos que estavam relacionados ao universo deles, como o Karatê ou as músicas de Bob Dylan. Com essas estratégias, ela conseguiu se aproximar dos estudantes e mostrar que era possível repensar as práticas pedagógicas. O filme é baseado em uma história verídica de uma educadora norte-americana.

Duração: 1h 38min

Coach Carter: Treino para a Vida
Em uma escola com altas taxas de repetência e evasão, o dono de uma loja de artigos esportivos Ken Carter (Samuel L. Jackson) aceitou o convite para se tornar técnico do time de um time de basquete que já colecionava derrotas. Enquanto treinava o grupo para vencer as competições, ele demostrava preocupação com o desempenho escolar dos jogadores. O filme mostra como o técnico acreditou no potencial dos alunos e desafiou que eles fossem além das suas limitações.

Duração: 2h 16min

Matilda
Demostrando que era uma garota com altas habilidades, Matilda (Mara Wilson) era incompreendida pelos pais. No entanto, na escola ela encontrou uma professora que notou o seu potencial. Em diversos momento do filme, Jennifer Honey (Embeth Davidtz) mostra como um professor inspirador e afetuoso pode ser importante para um estudante.

Duração: 1h 38min

Preciosa – Uma história de esperança
Um bom professor consegue ir além dos conteúdos. E foi exatamente isso que ajudou a fazer diferença na vida da adolescente Claireece Preciosa Jones (Gabourey Sidibe), que frequentemente era discriminada por ser negra e obesa. Aos 16 anos, ela vive em um ambiente hostil, privada de uma série de direitos e violentada pelos pais. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é expulsa da sua escola e vai para uma instituições educacional que também recebe outros alunos que não se adaptaram ao local onde estudavam. Lá a menina encontra a professora Mrs. Rain (Paula Patton), que incentiva os alunos a escrever para expressar o que estavam sentindo e enfrentar os desafios das suas vidas.

Duração: 1h 49min

O milagre de Anne Sullivan
Para ajudar a sua aluna surda e cega conseguir se adaptar e aprender, a professora Anne Sullivan (Anne Bancroft) é incansável. Em determinado momento, ela também questiona o papel desempenhado pelos pais, que sempre sentiram pena da menina e nunca estimularam que ela também pudesse aprender como qualquer outra criança. O filme é baseado na história real de Helen Keller, uma escritora e ativista social norte-americana que foi reconhecida por ser a primeira surda e cega a receber um diploma de bacharelado.

Fonte: http://porvir.org/6-filmes-historias-de-professores-inspiradores-para-ver-netflix/?platform=hootsuite

Histórias em Quadrinhos na Escola

Os alunos da rede pública paulista têm uma propensão à leitura de quadrinhos. E na sua escola? Entenda como utilizar as HQs para tornar as aulas mais interessantes – e como a tecnologia facilita o acesso a este recurso

Uma pesquisa da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo divulgada no mês passado indica que 45% dos alunos da rede estadual de ensino têm preferência pelos quadrinhos na hora da leitura. Por isso, este tipo de recurso deve ser incorporado ao planejamento das aulas, em diferentes disciplinas.

Para Waldomiro de Castro Santos Vergueiro, coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), o motivo do interesse dos jovens pelas HQs parece óbvio. Para ele, a linguagem e a dinâmica peculiar dos quadrinhos são essenciais para sua atratividade e para uma leitura ativa por parte de quem acompanha as tramas. “A todo o momento, o leitor tem que preencher elementos da história: uma parte vem narrada graficamente, e a outra parte o leitor vai completando”, afirma. “Você tem uma cena, por exemplo, em que o personagem está com a mão na maçaneta da porta, e logo em seguida ele está dentro da casa. O espaço entre os dois quadrinhos é preenchido pela imaginação do leitor”, explica.

Uso dos quadrinhos atrelado a objetivos didáticos

Alguns professores ainda se mostram hesitantes em usar as HQs em sala de aula, com receio de misturar os “momentos de lazer” com os de aprendizado. Mas o segredo está em fazer um bom uso didático dos quadrinhos, atrelando-os aos conteúdos que se deseja trabalhar com a turma.

E há incentivos governamentais para a adoção deste recurso nas salas de aula brasileiras. Segundo Vergueiro, o governo tem se esforçado desde o final da década de 90 para incluir as histórias em quadrinhos em projetos educacionais e nas diretrizes curriculares da educação nacional. “Pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola, a rede pública de ensino recebe vários livros e, desde 2006, o Ministério da Educação passou a incluir quadrinhos entre as obras distribuídas. Isso é uma mensagem para o professor: ‘você pode utilizar histórias em quadrinhos’”, observa.

Para Paulo Eduardo Ramos, jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coautor do livro Quadrinhos na Educação, há, ainda, outro problema a ser resolvido para que os quadrinhos se consolidem como ferramenta na escola. “Há mais resistência ou falta de habilidade em trabalhar o tema do que experiências bem-sucedidas”, diz. Enfatizando a obrigatoriedade de um objetivo didático-pedagógico atrelado ao uso desse tipo de obra na sala de aula, Ramos alega que a falta de orientação dos profissionais diante dos recursos disponíveis pode invalidar todo esforço e incentivo oferecidos.

Diante disso, o professor Vergueiro observa o quanto a habilidade de inserir os quadrinhos na sala de ala depende de uma preparação didática e do repertório cultural do professor. E indica: a escolha da história abordada deve sempre levar em conta as particularidades de cada turma. “Ele [o professor] deve conhecer bem o seu grupo de alunos, ver que tipo de história é mais eficiente para eles”, lembra.

Histórias na prática: HQ na sala de aula

Sem receios, é possível elencar atividades usando as HQs nas mais diferentes disciplinas, com base em quadrinhos ‘realistas’ ou até mesmo nos de super-heróis. Para Vergueiro, as histórias podem servir como pontos de partida para planejar, inclusive, aulas de Ciências: “Por que seria absurdo o super-herói tal ter esse poder, em termos de leis da Física?”, o professor pode perguntar à turma para levantar hipóteses junto dos alunos até chegar às explicações didáticas sobre o tema central da aula.

É importante atentar-se, também, ao contexto. As tiras da personagem Mafalda, por exemplo, que são as mais utilizadas na educação brasileira, podem gerar confusão se não forem devidamente discutidas e apresentadas aos alunos. “Se o professor quiser usar esse material, ele vai ter que se preparar para conseguir fazer uma ponte entre o leitor da década de 60 [quando as tiras foram criadas] e o leitor de hoje”, argumenta Vergueiro.

Uma proposta diferente pode ser a da confecção de HQs entre os alunos. Com dois códigos diferentes – a imagem e o texto –, essa linguagem é fluida e diferente do que o jovem está acostumado a produzir, por exemplo, em redações.

Waldomiro Vergueiro:
“As melhores tiras, hoje, estão na internet. Tem casos de pessoas cujo trabalho na internet ficou tão conhecido que eles foram contratados em jornais”

O papel da tecnologia na produção e leitura de quadrinhosNo contexto não só da produção de histórias por parte dos alunos, mas também no da distribuição de textos para que eles leiam, a tecnologia pode ajudar bastante. Softwares especializados podem estimular e ajudar o aluno a se expressar por meio dessa linguagem, sem ter que necessariamente saber desenhar. É o caso do “Hagáquê”, ou dos programas disponíveis para uso online, como o Stripgenerator ou o Comeeko.

“As melhores tiras, hoje, estão na internet. Tem casos de pessoas cujo trabalho na internet ficou tão conhecido que eles foram contratados em jornais”, afirma o professor Waldomiro Vergueiro. Esse material disponível gratuitamente na rede permite uma exploração mais livre e barata do mundo dos quadrinhos, tanto por parte do profissional, quanto de seus alunos.

Para adotar os quadrinhos na escola
  • Confira as indicações de autores e títulos populares e mais adequados para cada faixa etária
  • Até o 6º ano – Mauricio de Souza, Disney, Pernalonga
  • Do 6º ao 9º ano – Mangás e quadrinhos de aventura
  • Ensino Médio – Watchmen, Cavaleiro das Trevas, Capitão América, Maus, Persépolis
  • Geral – Asterix, Tintin e Mafalda

“A Lousa Digital Interativa chegou! E agora?”

Elas estão chegando!

Há cerca de uma década os professores se espantavam com a chegada dos computadores à escola. Depois foi o projetor multimídia e a internet e mais recentemente os aparelhos móveis (smartphones, tablets, netbooks e notebooks). Agora é a vez da lousa digital interativa.

Lousas Digitais

Elas estão aí. Não adianta tentar fugir.

Muitas escolas já possuem uma ou mais lousas digitais interativas. O ideal é que elas estivessem presentes em todas as salas de aula, nos laboratórios, nas bibliotecas, nas salas de reuniões e na sala dos professores. Mas, como o seu custo ainda é elevado, essa implantação tende a ser vagarosa (como quase tudo na Educação).

Quando o professor se vê diante da lousa digital interativa pela primeira vez é bem comum um certo ar de espanto e indignação. Afinal, é espantoso que tenham inventado uma “lousa digital” unindo o que há de mais antigo, a lousa, com o que há de mais moderno: a tecnologia digital. E, por outro lado, parece absurdo que governos e escolas invistam altas somas na aquisição de dispositivos digitais modernos e, ao mesmo tempo, se recusem a investir mais e melhor na carreira do professor, na sua formação inicial e continuada, na manutenção dos equipamentos que as escolas já dispõem e no suporte técnico e pedagógico para o uso dessas novas tecnologias.

Seja lá qual for o grau de espanto ou de indignação do professor, o fato concreto é que começa a cair em seu colo “mais uma encrenca” (ou “possibilidade”, conforme a ótica com que se vê a situação): como usar essa “coisa”, geralmente branca, sem muitos botões e aparentemente “vazia”?

O objetivo desse artigo é desmistificar esse apetrecho tecnológico de maneira que o professor que sempre se desviou da lousa, ao passar por perto dela, possa agora aproximar-se mais e utilizá-la, descobrindo alguns de seus possíveis usos.

O bicho não morde!

A primeira coisa a saber sobre a lousa digital é que ela não morde, mas você pode até fazê-la latir se você souber apertar os botões corretos. :)

Quebrando computadores

Computador sem uso é computador quebrado.

A lousa digital interativa não é um aparelho frágil a ponto de quebrar se você tocar nela. Na verdade ela foi construída justamente para ser tocada. Não existe o risco de você “estragá-la usando-a” (sobre esse tema, “estragar usando”, veja um artigo meu de junho de 2008, “Quebrando computadores“, que tratava justamente da questão da falta de uso dos computadores da sala de informática sob a alegação de que “usá-los os quebrariam” e que, apesar de passada meia década, ainda continua sendo um artigo atual para algumas escolas). E, por fim, por incrível que pareça, a lousa digital interativa é mais fácil de lidar do que a lousa comum usada com o giz ou com o pincel atômico.

Embora já exista no mercado diversos modelos de lousas digitais com diferentes tecnologias, o funcionamento básico de todas elas é muito parecido. Mais ou menos como são parecidas as lousas tradicionais, que podem ser verdes, pretas, azuis, brancas, de madeira, de “pedra”, etc., mas funcionam sempre da mesma forma e para o mesmo propósito.

Em alguns modelos você pode interagir com a lousa usando os próprios dedos, em outros usa-se uma caneta especial e, em outros ainda, pode-se usar qualquer objeto. Há lousas de diversos tamanhos, mas normalmente elas têm mais de 70 polegadas (na diagonal). Cada tipo/marca/fabricante de lousa costuma ter um ou mais softwares que facilitam o seu uso, mas todos esses softwares de controle também são parecidos em suas funcionalidades.

Traduzindo para um bom português: quem já viu uma, já viu todas.

Como funciona?

As lousas digitais mais comumente encontradas nas escolas são ligadas a um computador (por cabo ou via wirelles) e a um projetor multimídia (o velho “datashow”). Na verdade a lousa digital pode ser entendida como esse conjunto de três componentes: a lousa propriamente dita, um computador e um projetor multimídia. Algumas lousas já estão incorporando o computador em seu próprio corpo, mas todas elas precisam de um computador para funcionar.

Lousa digital - funcionamento

A lousa digital interativa é na verdade um conjunto de três elementos: lousa, projetor e computador.

E é justamente aí que está o “pulo do gato”: a lousa, em si, não faz nada, quem realmente “trabalha” o tempo todo é o computador. Assim, para efeitos comparativos, a lousa nada mais é do que um “monitor + mouse + teclado” que serve para você se comunicar com o computador exatamente da mesma forma como faria usando esses três elementos em um desktop ordinário.

Outra comparação interessante pode ser feita com os smartphones. Se você já manuseou um smartphone com tela full touch (aquela de tocar e mover ícones com os dedos na tela), então você já usou uma lousa digital em miniatura.

De qualquer forma, como você pode ver pelos exemplos acima, a lousa digital pode ser usada com um esforço de aprendizagem muito pequeno por todos aqueles que já usam normalmente um computador ou um smartphone. No caso da lousa digital, o mouse é seu dedo ou a caneta especial (quando a lousa usa uma dessas) e o teclado é virtual, como nos smartphones.

Você pode fazer na lousa digital tudo aquilo que já faz no computador (e mais ainda!). Tudo aquilo que você fizer na lousa aparecerá na tela do computador (se ele estiver ligado a um monitor) e todos os programas do computador podem ser executados a partir da lousa. Bom, mas se é assim, então qual é a vantagem da lousa digital? Porque simplesmente não usamos um computador acoplado a um projetor multimídia?

A grande vantagem da lousa digital é justamente o fato de ela ser uma “lousa”! Dessa forma você pode escrever nela, fazer anotações sobre imagens projetadas, executar e mostrar filmes, músicas e animações ou simulações e, principalmente, interagir com a lousa como interage com seu computador, mas sem precisar ir até o computador para fazer isso.

Ter uma lousa digital na sua casa não seria nada vantajoso porque na sua casa você usa o computador para si mesmo. A lousa digital é para ser usada para, e com, os seus alunos, então, ela só é uma ferramenta vantajosa em situação de aula.

Para que serve?

A lousa digital serve para facilitar o trabalhado do professor, permitindo que ele faça melhor aquilo que já faz com uma lousa comum e estendendo esse uso de forma a incorporar mais facilmente as TIC, o uso da internet e de novas práticas pedagógicas mais interativas, eficazes e atraentes para os alunos.

Para o aluno a lousa digital também pode ser muito vantajosa, dependendo do uso que o professor fizer dela. A lousa digital não serve para transformar uma aula chata em uma aula atraente, ela não faz com que um professor “ruim” fique “bom”, ela não transforma o livro, o laboratório e outros materiais didáticos de apoio em “coisas obsoletas” e não melhora a qualidade da educação por si mesma. A qualidade do professor é fundamental para uma boa aula e, portanto, a única coisa que uma lousa digital pode fazer pela educação é dar ao bom professor mais ferramentas para que ele se torne ainda melhor.

Aula chata

Nada é capaz de “salvar” uma aula chata.

Por isso, antes de pensar em como você vai usar uma lousa digital interativa, é bom pensar em como você já usa a sua lousa tradicional, com giz. No artigo “Uso pedagógico do giz (do giz???)” você encontrará alguns elementos para refletir sobre o uso de lousas “analógicas”.

Há, literalmente, infinitas possibilidades de uso da lousa digital interativa, mas para quem nunca experimentou uma delas, aqui vão algumas (poucas) sugestões por onde se pode começar:

Escrevendo na lousa digital

Escreva nela! Sim, escreva. A lousa digital também serve para escrita, seja com letra cursiva ou como texto digitado por meio do teclado virtual ou do teclado físico acoplado ao computador. Na lousa digital você pode escrever da mesma forma como faria em uma lousa comum, usando giz. E qual é a vantagem disso? São várias:

  • você dispõe de ferramentas de apoio à escrita, como a possibilidade de desenhar figuras geométricas, linhas, setas, etc. de forma perfeita;
  • alguns softwares usados em lousas digitais transformam sua letra manuscrita em caracteres de uma fonte que você escolher, como essa fonte que foi usada para escrever esse texto, tornando assim a sua letra “mais legível” e “mais bonita”;
  • junto com seu texto e seus esquemas você pode adicionar elementos que não poderia em uma lousa comum (sem uma boa dose de sacrifício), como fotos, esquemas, ilustrações e até mesmo músicas e filmes;
  • e agora vem a melhor parte: você não se lambuza de giz e pode apagar sua lousa toda (ou qualquer parte dela) com um único “clique”. Não é fantástico?

Aula pronta

Nem sempre é preciso escrever nela.

Traga suas lousas prontas para a aula! Sim, é muito fácil! Aquela aula que você preparou em casa com tanto carinho, mas que teve que “copiar novamente” na sala ou, pior ainda, repetir a mesma lousa em várias salas para várias turmas, pode agora ser trazida pronta de casa sem que você tenha que despender tempo e esforço copiando-a várias vezes.

  • as lousas digitais interativas geralmente vêm acompanhadas de softwares que o professor pode usar em sua casa ou em outros computadores da escola, durante seu tempo de preparação de aulas, que permitem que a lousa seja toda “montada” antes do professor entrar na sala;
  • a aula “pré-montada” pode ser alterada durante a aula real. Lembre-se que você pode escrever, apagar, modificar, acrescentar ou fazer o que bem entender durante a aula e ainda pode “salvar e gravar” a aula modificada como uma nova versão (as vezes pode ser interessante ter diversas versões para diversas salas, já que as aulas “reais” raramente são idênticas em salas diferentes);
  • preparando antecipadamente a aula (como deve ser, com ou sem lousa digital), e trazendo a lousa pronta para a sala (essa é a novidade!), você certamente terá mais tempo para explorar e acrescentar recursos multimídia, como imagens, clipes, simulações, etc, no próprio espaço de tempo da aula. Além disso, as aulas podem sempre ser “reaproveitadas” em outras salas, em outros anos ou em outros cursos. Com o tempo você pode construir seu próprio material didático multimídia com recursos exclusivos e com a facilidade de poder modificá-lo, ano a ano;
  • assim como você, outras pessoas também prepararão e trarão aulas prontas para a sala de aula e, usando as redes sociais, os repositórios de recursos educacionais abertos, etc., você poderá compartilhar e utilizar aulas, ou trechos de aulas, preparadas por outros professores, otimizando ainda mais o seu tempo. A riqueza por trás dessas possibilidades é gigantesca!

Alunos na lousa digital

A lousa é deles!

Leve os alunos para a lousa! Sim, eles gostam de ir para a lousa, principalmente se a lousa for digital! Lembre-se que a interatividade da lousa digital não deve ser entendida apenas como um recurso para o professor. Essa interatividade pode potencializar muitas aprendizagens dos alunos e, portanto, é com os alunos que ela desempenha seu principal papel como ferramenta de apoio ao ensino e à aprendizagem.

  • os alunos podem usar a lousa de forma individual, como o professor, ou em duplas, trios ou grupos ainda maiores. Para o uso múltiplo e simultâneo é preciso que a lousa possua a tecnologia adequada e um software de controle que permita o uso simultâneo por várias pessoas. Nessas lousas os alunos podem trabalhar de forma cooperativa, participar de jogos e outras atividades que podem ser feitas em grupo.
  • nas lousas que não possuem esse recurso de uso simultâneo é possível levar os alunos para diversas atividades, como: escrever (em turmas de alfabetização, por exemplo), corrigir tarefas, resolver problemas, interagir com simulações, apresentar trabalhos, construir textos coletivos, etc.
  • além daquilo que os alunos podem fazer em uma lousa comum, a lousa digital adiciona recursos que só estão disponíveis em um computador. Pense no que seus alunos poderiam fazer em um computador comum para aprenderem o que você quer que eles aprendam e você terá uma boa ideia do que eles podem fazer para aprender usando a lousa digital.

Registre e compartilhe suas lousas com os alunos! Sim, eles vão amar poder prestar atenção às suas explicações e depois receberem uma cópia das suas lousas ao invés de despenderem um longo tempo e um grande esforço tentando copiar as suas lousas e, ao mesmo tempo, prestar atenção no que você explica.

Copiando a lousa

Novos paradigmas!

  • “copiar a matéria da lousa” é tão moderno quanto copiar à mão uma notícia do jornal para depois enviá-la pelo correio normal para um amigo. Hoje em dia existem métodos muito mais eficientes para se “copiar lousas”. Um deles é a simples “fotografia” da lousa. No entanto, com uma lousa digital você mesmo pode “fotografar suas lousas” (salvando-as como imagem no computador acoplado à lousa) e distribuí-las para seus alunos publicando-as em uma galeria de imagens ou no seu blog. Sim, tenha um blog!
  • você pode registrar também as atividades que os alunos fizerem na lousa, trabalhos apresentados nelas, etc. Tudo o que for mostrado na lousa pode ser gravado, arquivado e distribuído.
  • se você organizar essas lousas em um blog ou em uma galeria de imagens, os alunos, os pais dos alunos e quaisquer outros interessados poderão consultar as “anotações de aula” em qualquer tempo e em qualquer lugar. Isso é incrível! Os alunos poderão rever os assuntos estudados de forma mais organizada (como você os organizou!) e você terá suas aulas devidamente documentadas.
  • quando os alunos dispõem de dispositivos móveis, como notebooks, é possível também compartilhar as lousas diretamente nesses notebooks e vive-versa, ou seja, você pode “conferir a tarefa do aluno” diretamente na sua lousa e ele pode “copiar sua lousa” diretamente para o dispositivo dele.

Não dê aulinhas, dê um show! Sim, é possível! E você não precisa ser um artista mais artista do que já é quando tenta prender a atenção de alunos “elétricos e desatentos”. Basta um pouco de “tempero” nas aulas.

Faça seu show

Faça seu show! O professor é o artista.

  • use e abuse dos recursos gráficos. Ao invés de esquemas confusos, use mapas mentais (há softwares que ajudam nisso); ao invés de desenhar gráficos sofríveis, faça-os em um software próprio e os leve prontos (ou construa em tempo real, junto com os alunos).
  • inclua imagens (fotos, ilustrações, etc.) nas suas aulas. Quando for falar de um personagem histórico, apresente rapidamente sua foto e um trecho da sua biografia (que pode ser encontrado facilmente na internet) e forneça o link para os alunos encontrarem o recurso. É bastante provável que sua lousa digital esteja conectada à internet e, assim, você poderá usar seus recursos diretamente a partir da lousa.
  • use trechos de filmes, clipes e trechos de músicas. Lembre-se que você pode incluir qualquer recurso da internet na sua “aula digital”. O YouTube e outras fontes (muitas!) podem proporcionar imensas possibilidades de enriquecimento para praticamente qualquer conteúdo, competência ou habilidade que você esteja trabalhando com os alunos.
  • se sua escola não tem um laboratório de ciências, ou o laboratório não possui muitos recursos, use softwares e simuladores que permitam fazer as experiências “virtualmente”. Isso amplia muito as possibilidades do uso de experimentação para a compreensão de conceitos e fenômenos, além de reduzir bastante o custo dessas atividades.

Deixe os alunos trabalharem! Tem um ditado que diz que “Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza!“. Não se prenda à lousa (digital ou à lousa com giz), deixe os alunos trabalharem individualmente e em grupos, inclusive na lousa.

  • não é porque você tem agora uma lousa digital que ela precisa ser usado o tempo todo. A lousa digital é muito legal, mas a interação humana ainda é muito melhor. Use a lousa com responsabilidade, criatividade e inteligência.
  • quando planejar sua aula, pense como o diretor de um filme de sucesso ou de uma peça teatral onde a platéia também interaja. Faça um bom roteiro, quebre a monotonia, intercale suas ações com o trabalho dos alunos. Não monopolize o cenário e nem o uso da lousa.

Tudo bem, mas por onde eu começo?

Por onde eu começo?

Nunca é tarde para começar.

Bom, “comece pelo começo”: você já é um Professor Digital? Se não for, não tem problema, mas tenha em mente que será preciso se tornar um deles.

Tenho algumas sugestões que poderão ajudá-lo a se tornar um Professor Digital e, consequentemente, lhe permitirão um bom uso das lousas digitais interativas. Elas podem não ser as melhores sugestões do mundo, e nem todas podem ser adequadas para você, mas, se é para começar de algum ponto, experimente essas dicas:

  • comece a usar o computador de forma regular para digitar textos, fazer gráficos, navegar na internet, trocar e-mails com colegas e parentes, participar de grupos de discussão e redes sociais, ler revistas e jornais, enfim, para atividades que fazem parte do seu dia a dia.
  • visite blogs de outros professores e veja o que eles estão fazendo, como usam a internet, que sugestões e dicas eles dão para seus leitores, etc. Visite também sites ligados à Educação (da sua rede escolar, do seu município, do seu estado, do governo federal, de outros países) e procure por textos que falem sobre o uso pedagógico das TIC.
  • entre na web 2.0; descubra ferramentas/sites de compartilhamento (de textos, fotos, filmes, planos de aula, etc.). Descubra o Google, o YouTube, o Facebook, o Twitter, o MySpaces, o Skype, etc., etc. E se você não sabe do que estou falando, comece a digitar esses nomes na busca do Google, por exemplo, e descubra do que se trata.
  • entenda que os computadores e a internet são seus aliados.  Pergunte-se porque os alunos gostam tanto de computadores e da internet e eles lhe dirão que “é muito divertido”. Sim, é mesmo! Aprenda a se divertir também! Não se preocupe em se tornar “imediatamente” um Professor Digital, comece se tornando um “usuário digital”.
  • procure um “mentor” para lhe ajudar nos primeiros passos. Você tem muitos amigos que sabem usar computadores e a internet. Talvez tenha filhos e eles certamente sabem! Mesmo na sua escola haverá outros professores que já sabem lidar com as TIC e poderão lhe ajudar tirando dúvidas, dando sugestões e, principalmente, lhe mostrando que a tecnologia é divertida, fácil de lidar e, além disso, poderá vir a ser uma ferramenta incrível na sua profissão.
  • não espere se sentir um expert em tecnologia e computadores para, só então, experimentar a lousa digital. Use-a como parte das ferramentas de aprendizagem. Ninguém sabe tudo e, na verdade, nós todos sabemos cada vez menos. Tecnologia se aprende usando.
  • a escola também é um lugar para o professor aprender. Para ser professor hoje em dia é preciso ser um eterno aprendiz. Não podemos mais parar de aprender ou nos recusarmos a continuar aprendendo. É isso que ensinamos aos nossos alunos e é isso que precisamos fazer também.
  • não desanime quando as coisas parecerem não dar certo. Lembre-se de suas próprias aulas: quase sempre elas não dão certo para todos os alunos. É errando que se aprende. Se você se recusar a levantar logo depois dos primeiros tombos nunca vai aprender a caminhar “em pé”. Faça com você mesmo aquilo que você gostaria que seus alunos fizessem para aprender mais em suas aulas.
  • não tenha vergonha de aprender com seus alunos. É muito provável que eles sejam usuários mais proficientes das novas tecnologias em geral e, possivelmente, da própria lousa digital, do que você mesmo. Eles não tem o seu medo de errar e gostam de tentar até acertar. Peça ajuda a eles sempre que precisar. Trabalhe em conjunto com eles. Deixe que eles lhe ensinem o que sabem. Eles vão amar e você vai descobrir que nessa jornada pelas TIC há atalhos que só eles conhecem.
  • concentre sua energia e seus esforços para preparar e executar boas aulas. A lousa digital e as demais tecnologias disponíveis serão naturalmente incorporadas na sua prática na medida em que ela mesma for se modificando. Isso não é imediato, mas é um movimento natural de aprendizagem. Você, professor, tem poder de ver mais longe. Use a tecnologia como uma luneta para seus próprios projetos de inovação.

Conclusão

As lousas digitais estão chegando e provavelmente você se verá diante de uma delas um dia desses. Não fuja! Encare porque o bicho é manso.

Coelho digital

O coelho está aprendendo que é um mamífero lagomorfo da família dos leporídeos (graças a ajuda da Wikipédia). Coisa difícil de se fazer sem uma lousa digital. :)

Depois de algum tempo inserido no mundo das TIC e, tendo usado uma lousa digital interativa, é bem provável que você fique tentado a repetir uma frase que eu tenho ouvido de vários professores ao longo de anos de formações que já dei em oficinas de uso das TIC: “Puxa, como eu pude viver tanto tempo sem ter usado isso?!”.

Boa jornada!

Referências e sugestões na internet:

  • DOSTÁL, Jirí. Reflections on the Use of Interactive Whiteboards in Instruction in International Context. The New Educational Review. 2011. Vol. 25. No. 3. p. 205 – 220. ISSN 1732-6729. Disponível em: <http://goo.gl/30kc6>. Acesso em: 12/07/2012. – Artigo interessante do prof. Jiri Dostál, da República do Cazaquistão.
  • The Interactive Whiteboards, Pedagogy and Pupil Performance Evaluation: An Evaluation of the Schools Whiteboard Expansion (SWE) Project: London Challenge. Disponível em: <http://goo.gl/gg6dt>. Acesso em: 12/07/2012. – Pesquisa da School of Educational Foundations and Policy Studies, Institute of Education, University of London.
  • Para saber um pouco mais sobre o que é e como funciona a lousa digital, consulte esse artigo da Wikipédia (em português) ou esse outro (em inglês e com mais referências).
  • O uso pedagógico da lousa digital associado a teoria dos estilos de aprendizagem. Revista Estilos de Aprendizaje, nº4, Vol 4 octubre de 2009.Disponível em: <http://goo.gl/oPf0b>. Acesso em: 12/07/2012. – Nesse artigo a lousa digital e tratada como um instrumento tecnológico interativo, que possibilita a elaboração de atividades pedagógicas, associadas à Teoria dos Estilos de Aprendizagem.

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. A Lousa Digital Interativa chegou! E agora?, Professor Digital, SBO, 01 ago. 2012. Disponível em: <http://professordigital.wordpress.com/2012/08/01/a-lousa-digita…chegou-e-agora/>. Acesso em: 01/08/2012

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2012/08/01/a-lousa-digital-interativa-chegou-e-agora/