Uma Grande Resposta a Uma Grande Provocação

Olá amigos

Eu alguns dias atrás fiz uma provocação aqui no blog e lá no Facebook convidando as pessoas a refletirem sobre o nosso papel de educadores/professores, de questionar o sistema, de olhar pra frente e tentar ver se estamos no caminho certo ou não. Bem, vários amigos queridos participaram e deixaram suas contribuições no blog e lá no Facebook. O meu amigo José Carlos Antônio (@profjc) fez uma colocação que eu gostaria de compartilhar aqui com vocês. Após a leitura que tal fazermos uma reflexão?

“Grande Robson!

Excelente iniciativa. Excelente texto. Excelentes reflexões. Ou seja, nenhuma novidade, você continua ótimo!

Puxa-saquismo à parte, confesso que não tenho nenhuma resposta para suas indagações. Mas vou explicar por quê. E vou tentar fazê-lo à partir de uma estratégia um pouco inusual.

Imagine-se como um professor 30 anos atrás. Como você estaria preparando seus alunos para que eles enfrentassem o futuro e hoje fossem pais competentes dos alunos que temos nas escolas e cidadão capazes de lidar com o mundo atual?

Hum… Veja bem, esses seus alunos de 30 anos atrás são os adultos que estão no mercado de trabalho, ou desempregados; são policiais e bandidos, são professores e analfabetos funcionais, são políticos e eleitores, são pais dos seus alunos atuais. O que foi feito deles, com eles e para eles nos idos tempos de colégio 30 anos antes? 30 anos atrás não tínhamos internet, nem celulares, nem TV a cabo, NetFlix e TEDs. Há 30 anos éramos idiotas?

Talvez fôssemos, mas na verdade é mais provável que tenhamos sido apenas humanos incapazes de prever o futuro. Como, aliás, continuamos a ser hoje em dia.

Porém, não nos perguntávamos, com a frequência e desespero como fazemos hoje, como deveríamos educar nossas crianças para o futuro. Apenas educávamos para lhes ensinar valores, conceitos e técnicas que acreditávamos serem necessárias para qualquer um, em qualquer situação presente ou futura.

Nós sabíamos nada sobre o futuro e nem éramos capazes de imaginá-lo como o nosso presente atual. Mas isso não nos era problema. Não tínhamos a pretensão da futurologia.

E hoje? Hoje nos perguntamos como devemos educar as crianças para um futuro que temos certeza de não sermos capazes de imaginar (talvez isso seja uma evolução, mas será que é?). E, no entanto, além da certeza sobre o futuro também perdemos outras certezas. Muitas.

Tudo, absolutamente tudo, o que você colocou no seu texto eu me atreveria a resumir assim: não temos mais certeza sobre que conteúdos, habilidades, competências, valores e práticas devemos ensinar. Não temos certeza sobre modelos de escola, currículos, competências ou valores.

Talvez nossa incerteza e nosso “medo de errar” venha da constatação de que nesses 30 anos quase nada deu certo na Educação e na sociedade. Vivemos há décadas numa montanha russa à espera de uma subida.

Talvez seja apenas um modismo desse início de século crer que estejamos realmente perdidos. Ou será que nos convenceram de que somos mesmo incapazes de encontrar rumos? Ou pior, será que acreditamos mesmo que estamos sem rumo?

Nas últimas duas décadas tenho refletido sobre tudo isso. Tenho feito muitos experimentos, muitas observações. E a cada dia tenho mais certeza de que o que perdemos de fato foram apenas as nossas certezas. Vivemos as décadas da desilusão. Do crer que já não vale a pena acreditar. Há quem veja isso como ganho.

Às vezes para seguir adiante é preciso dar alguns passos para trás. Principalmente se você estiver à beira de algum abismo. Talvez estejamos mesmo precisando voltar um pouco no tempo, para aquela época em que acreditávamos em algo e fazíamos o que tinha que ser feito. Essa vida de incertezas contemplativas, de aventuras sem convicção, de discursos vazios sob holofotes e claques, isso não está prestando não.

Terminando, então: não tenho respostas. Só tenho minhas certezas. Não tenho medo de errar. Tenho medo de passar a vida não fazendo nada na esperança de um dia descobrir o “certo”. Educo meus alunos para serem pessoas melhores. Simples assim. E o que é mais curioso: isso independe do modelo de escola, independe do currículo oficial, independe dos recursos tecnológicos e até mesmo do que chamam por aí de “inovações”. É incrível o que se pode fazer com apenas umas poucas convicções.
Grande abraço!

P.S.: Espero ter confundido muita gente. Essa é uma das minhas convicções: sem confusão não há reordenamento.”

Que tal? O que tem a me dizer sobre isso? Leia também os outros comentários na postagem original que estão igualmente fantásticos.

Um grande abraço

Robson Freire

“Todos nós dançamos uma música misteriosa” – Um sensível texto de Albert Einstein

“A escola fracassou comigo, e não eu com ela. Ela me deixou entediado. Os professores se comportavam como Feldwebel (sargentos). Eu queria saber o que eu queria saber, mas eles queriam que eu aprendesse para o exame. O que eu mais odiava era o sistema competitivo lá, e especialmente dos esportes. Devido a isso, eu não valia nada, e várias vezes eles sugeriram que eu saísse.

“Todos nós dançamos uma música misteriosa” – Um sensível texto de Albert Einstein

Era uma escola católica em Munique. Eu senti que a minha sede de conhecimento estava sendo estrangulada por meus professores; as notas eram sua única medição. Como pode um professor a compreender a juventude com tal sistema?

A partir de doze anos comecei a suspeitar da autoridade e desconfiar de meus professores. Eu aprendi principalmente em casa, primeiro do meu tio e, em seguida, de um estudante que vinha para comer com a gente uma vez por semana. Ele me mostrava livros sobre física e astronomia.

Quanto mais eu lia, mais confuso eu era pela ordem do universo e pela desordem da mente humana, pelos cientistas que não concordaram sobre o como, o quando, ou o porquê da criação.

Então, um dia esse aluno me trouxe ‘Crítica da Razão Pura’ de Kant. Lendo Kant, comecei a suspeitar de tudo o que me foi ensinado. Eu já não acreditava no Deus conhecido da Bíblia, mas sim no Deus misterioso expresso na natureza.

As leis básicas do universo são simples, mas porque nossos sentidos são limitados, não podemos compreendê-las. Há um padrão na criação.

Se olharmos para uma árvore lá fora com raízes buscando pela água por debaixo do pavimento, ou uma flor que exala o seu cheiro doce às abelhas polinizadoras, ou até mesmo nós mesmos e as forças interiores que nos impulsionam a agir, podemos ver que todos nós dançamos uma música misteriosa, e o flautista que toca a melodia de uma distância, com qualquer nome que queiramos dar-lhe: Força Criativa ou Deus, escapa todo o conhecimento dos livros.

Todos nós dançamos uma música misteriosa

A ciência nunca está terminada porque a mente humana utiliza apenas uma pequena parte de sua capacidade, e a exploração do mundo pelo homem também é limitada.

A criação pode ser espiritual na origem, mas isso não significa que tudo criado é espiritual. Como eu posso explicar essas coisas para você? Vamos aceitar o mundo é um mistério. A natureza não é nem exclusivamente material, nem inteiramente espiritual.

Homem, também, é mais do que carne e sangue

Caso contrário, nenhuma religião teria sido possível. Por trás de cada causa há outra causa; o fim ou o começo de todas as causas ainda não foi encontrado.

No entanto, apenas uma coisa deve ser lembrada: não há efeito sem causa, e não há nenhuma ilegalidade na criação.

Se eu não tivesse uma fé absoluta na harmonia da criação, eu não teria tentado por trinta anos expressá-la em uma fórmula matemática. É só a consciência do homem sobre o que ele faz com sua mente que o eleva acima dos animais, e permite-lhe tornar-se consciente de si mesmo e sua relação com o universo.

Eu acredito que eu tenho sentimentos religiosos cósmicos. Eu nunca poderia entender como alguém poderia satisfazer estes sentimentos ao orar a objetos limitados. A árvore do lado de fora é a vida, uma estátua está morta. Toda a natureza é vida, e vida, como eu a observo, dura e complexa, rejeita um homem semelhante a Deus.

O homem tem infinitas dimensões e encontra Deus em sua consciência. [A religião cósmica] não possui outro dogma senão ensinar ao homem que o universo é racional e que o seu destino mais elevado é ponderar-lo e co-criar com suas leis.

Eu gosto de experimentar o universo como um todo harmonioso. Cada célula possui vida. A matéria, também, possui vida; É energia solidificada. Nossos corpos são como prisões, e estou ansioso para ser livre, mas eu não especulo sobre o que vai acontecer comigo.

Eu gosto de experimentar o universo como um todo harmonioso

Eu vivo aqui e agora, e minha responsabilidade é neste mundo agora. Eu lido com as leis naturais. Este é o meu trabalho aqui na Terra. O mundo precisa de novos impulsos morais que, temo, não virão das igrejas, fortemente comprometidas como têm sido ao longo dos séculos.

Talvez esses impulsos devem vir de cientistas na tradição de Galileu, Kepler e Newton. Apesar de falhas e de perseguições, estes homens dedicaram suas vidas para provar que o universo é uma entidade única, em que, creio eu, um Deus humanizado não tem lugar.

O cientista genuíno não é movido pelo louvor ou culpa, nem prega. Ele desvenda o universo e as pessoas vêm ansiosamente, sem ser empurradas, para contemplar uma nova revelação: a ordem, a harmonia, a magnificência da criação!

E conforme o homem se torna consciente das leis estupendas que governam o universo em perfeita harmonia, ele começa a perceber o quão pequeno ele é. Ele vê a pequenez da existência humana, com as suas ambições e intrigas, o seu crer em ‘eu sou melhor do que você’.

Este é o começo da religião cósmica dentro dele; a comunhão e o serviço humano tornar-se seu código moral. Sem tais fundamentos morais, estamos irremediavelmente condenados.

Se queremos melhorar o mundo não podemos fazê-lo com o conhecimento científico, mas com ideais. Confúcio, Buda, Jesus e Gandhi fizeram mais para a humanidade do qualquer ciência jamais fez.

Temos que começar com o coração do homem – com a sua consciência – e os valores da consciência só podem ser manifestados por um serviço altruísta para a humanidade.

A religião e a ciência caminham juntas. Como eu disse antes, a ciência sem religião é manca e religião sem a ciência é cega. Eles são interdependentes e têm um objetivo comum – a busca da verdade.

Por isso, é um absurdo para a religião proscrever Galileu ou Darwin ou outros cientistas. E é igualmente absurdo quando os cientistas dizem que não há Deus. O verdadeiro cientista tem fé, o que não significa que ele deve se inscrever em um credo.

O verdadeiro cientista tem fé, o que não significa que ele deve se inscrever em um credo

Sem religião não há caridade. A alma que é dada a cada um de nós é movida pelo mesmo espírito vivo que move o universo.

Eu não sou um místico. Tentar descobrir as leis da natureza não tem nada a ver com misticismo, embora em face da criação eu me sinta muito humilde. É como se um espírito se manifestasse infinitamente superior ao espírito do homem. Através da minha busca na ciência conheço os sentimentos religiosos cósmicos. Mas eu não me importo de ser chamado um místico.

Eu acredito que nós não precisamos nos preocupar com o que acontece depois desta vida, enquanto nós fazemos o nosso dever aqui, para amar e servir.

Eu tenho fé no universo, porque ele é racional. Leis ditam cada acontecimento. E eu tenho fé no meu propósito aqui na Terra. Tenho fé em minha intuição, a língua da minha consciência, mas não tenho fé em especulações sobre o Céu e o Inferno. Estou preocupado com este tempo aqui e agora.

Muitas pessoas pensam que o progresso da raça humana está baseado em experiências de natureza empírica, crítica, mas eu digo que o verdadeiro conhecimento está a ser obtido apenas através de uma filosofia da dedução. Pois é a intuição que melhora o mundo, não apenas seguir um caminho trilhado do pensamento.

A intuição nos faz olhar para os fatos não relacionados e depois pensar sobre eles, até que tudo possa ser traduzido em uma lei. Procurar por fatos relacionados significa manter o que se tem em vez de procurar novos fatos.

A intuição é o pai de novos conhecimentos, enquanto que o empirismo nada mais é que um acúmulo de conhecimento antigo. A intuição, não o intelecto, é o “abre-te sésamo” de si mesmo.

Na verdade, não é o intelecto, mas a intuição que leva a humanidade adiante. A intuição diz ao homem o seu propósito nesta vida.

Eu não preciso de qualquer promessa de eternidade para ser feliz. Minha eternidade é agora. Eu tenho um único interesse: cumprir o meu propósito aqui onde estou.

Este propósito não me é dado por meus pais ou meu ambiente. É induzido por certos fatores desconhecidos. Esses fatores tornam-me uma parte da eternidade”.

Albert Einstein

Fonte do texto: Einstein e o poeta: Em Busca do Homem Cósmico (1983). A partir de uma série de reuniões William Hermanns teve com Einstein em 1930, 1943, 1948, e 1954.

A arte de se reinventar

Em tempos de mudanças em velocidade cada vez maior, aprender a se reinventar é uma arte indispensável aos que realmente desejam galgar espaços notáveis ou até mesmo manter-se em condições minimamente competitivas nos ambientes de trabalho e de desenvolvimento profissional.

Aquele tempo do emprego vitalício já ficou para trás, coisa que em empresas de médio e especialmente, pequeno porte, a bem da verdade, nunca existiu. Entretanto, é preciso encarar que, embora a máxima do emprego vitalício tenha morrido, a carreira não. E para que ela também não fique par trás, é necessário que se tenha um espectro de visão um pouco mais amplo acerca das supostas garantias do emprego, a fim de que a aprendizagem da reinvenção seja um fato e não um duro enfretamento com uma realidade repentina.

De modo que faz bem saber, que a arte de se reinventar exige:

  • Compreender o dinamismo do novo mundo no que tange aos ferramentais disponíveis para a execução de tarefas, bem como aos processos horizontais de tomadas de decisão;
  • A manutenção de uma rede de contatos viva, pois esta poderá ser determinante na definição de novos caminhos profissionais. E essa tarefa impõe interesses reais de relacionamentos entre os contatos, não apenas uma lista a que se recorra em momentos críticos. Aliás, uma rede de contatos viva, também se reproduz em um processo rico de diversidade de pensamento e argumentação que o ajudará a se diferenciar, se você se colocar como parte efetiva da rede;
  • O desenvolvimento de uma marca pessoal, o que significa dizer, antes de mais nada, que você precisa se conhecer muito bem, em suas mais disfarçadas deficiências, tal como, claro, em suas habilidades e capacitações mais louváveis. É esse escopo de saber que o permitirá criar uma presença consistente nos ambientes a que se propõe conquistar e o balizará para startar novos processos profissionais, a descobrir novos caminhos e a propor novas soluções quando ninguém consegue percebê-las.

Claro que reinventar-se não se esgota em três tópicos. No entanto, são estes, norteadores para que diante do inusitado ou de um inesperado acontecimento na sua carreira profissional, você não se veja estático, imobilizado pela incerteza e descrença, mas tenha condições de encarar que novas possibilidades e novos caminhos se abrem a quem se dispõe a começar de novo, a aprender sempre e a se reinventar.

Fonte: http://www.daexe.com.br/a-arte-de-se-reinventar/

7 escolas com sistemas de ensino tecnológicos e inovadores

Confira a lista que separamos de 7 escolas inovadoras espalhadas pelo mundo

por João Victor Coelho

As escolas que incentivam o aprendizado diferenciado, com uso das tecnologias e outras ferramentas inovadoras, merecem ser reconhecidas para que sirvam de inspiração. Por esse motivo, separamos uma lista de 7 escolas inovadoras pelo mundo, mapeadas pelo InnoveEdu, para exemplificar e ilustrar a ideia de uma Educação mais evoluída e progressista. Confira:


Colégio Estadual José Leite Lopes

O projeto Núcleo Avançado em Educação (Nave) foi desenvolvido no Colégio Estadual José Leite Lopes, no Rio de Janeiro. O objetivo é formar os estudantes para atuarem no mercado digital. Ele oferece três especializações: roteiro para mídias digitais, multimídia e programação de jogos digitais. Os alunos têm contato com disciplinas dos três cursos profissionalizantes no primeiro ano, e no segundo escolhem qual deles querem cursar e passam a conhecer a área com mais profundidade, e os trabalhos podem ser feitos em diferentes formatos, como áudio, vídeo, jogos, artes manuais ou textos.


Colégio Fontán

Na escola, que fica na Colômbia, não há salas de aula, séries, aulas expositivas ou professores tradicionais. O aprendizado é guiado por textos elaborados para apoiar o trabalho individual, que ajudam o estudante a alcançar a excelência. Cada estudante desenvolve o próprio plano de estudos e pode estudar sozinho ou em grupo com horários flexíveis. O modelo também permite acesso a dados na nuvem, para que o aluno possa estudar a qualquer hora e em qualquer lugar. Os estudantes usam a tecnologia constantemente, estudando por meio de uma plataforma educacional, programas de computador e internet. A escola ainda tem espaços abertos, que permitem a prática de esportes, como o tênis.


Summit Public Schools

Esta rede de escolas americanas personaliza o ensino por meio do uso de recursos online e offline. De segunda a quinta-feira, os alunos estudam em laptops, em uma plataforma online desenvolvida na escola. Há também um momento para leitura que inclui atividades e exercícios. A sexta­-feira é um dia de reflexão, quando os estudantes se dividem para discutir questões da comunidade e trabalham valores como respeito, responsabilidade, coragem e compaixão. Outra atividade promovida é a conversa com o mentor individual, que pode tratar do desempenho na escola e também de questões pessoais. Durante o ano, há ainda períodos livres para “expedições”, em que os estudantes passam duas semanas se dedicando a algo de seu interesse, como um hobbie ou uma profissão, dentro ou fora da escola.


RDFZ Xishan School

Esta escola de Pequim tem o objetivo de desenvolver habilidades do século 21 nos estudantes, como criatividade, comunicação, colaboração e senso crítico. O colégio usa uma abordagem que integra a aprendizagem baseada em desenvolvimento de projetos, estimulando a colaboração e a experimentação. Cada aluno estuda equipado com um laptop, tablet e smartphone em um ambiente totalmente sem fios, e são incentivados a buscar formas interativas de aprender. Eles contam ainda com uma plataforma educacional desenvolvida pela empresa Apple com aplicativos e ferramentas digitais.


St Paul’s School

As práticas pedagógicas da escola australiana são desenvolvidas de acordo com as necessidades dos estudantes, que são incentivados a desenvolver a autonomia, aplicar seus conhecimentos no contexto do mundo atual e aprender a partir de interesses e paixões pessoais. Uma das formas para atingir esses objetivos é desafiar os alunos a elaborar o próprio currículo, fazer sua autoavaliações e definir as próprias metas em busca de respostas para perguntas sobre a história do universo. Os alunos também montam seus projetos de aprendizagem sobre um tema relacionado a artes ou a tecnologia, além de participar de projetos sociais, como atividades em comunidades de baixa renda. Além de bibliotecas, a escola tem um centro de design tecnológico, onde os alunos podem criar e desenvolver experimentos e há várias opções de programas extracurriculares, como música, teatro, dança, esportes, xadrez, fotografia e reportagem.


Green School

A escola fica no meio de uma floresta da Indonésia e procura integrar os conteúdos acadêmicos tradicionais com a aprendizagem ambiental e experiencial, baseada em práticas sustentáveis e centrada no aprendizado personalizado. Os prédios, em formato de espiral, foram construídos com bambu e não tem paredes. Painéis solares geram 80% da eletricidade, os banheiros são de compostagem e o lixo é reciclado ou composto. O campus tem hortas orgânicas e criações de animais, como uma vaca, um búfalo e porcos. Nas aulas, os professores podem escolher o que ensinar a partir de um cardápio de temas ou podem criar seu próprio roteiro de aulas, e além das disciplinas tradicionais, os alunos também aprendem a plantar, cultivar, colher e cozinhar.


Wooranna Park Primary School

Na escola da Austrália os alunos se responsabilizam pelo próprio aprendizado, desenvolvendo tarefas autênticas, que envolvam a resolução de problemas e estudando em colaboração com colegas. Eles podem negociar seu currículo escolar e se dedicar a paixões pessoais, tratando de temas relevantes e atuais em projetos interdisciplinares. Os professores atuam como treinadores e facilitadores. O colégio retirou as divisórias e paredes, criou locais para reuniões, áreas multimídia, espaço para robótica e estúdios de rádio e TV. A tecnologia é usada para conectar os estudantes com outras crianças e adolescentes ao redor do mundo, e alunos e professores mantêm blogs e produzem vídeos, filmes e músicas sobre seus temas de estudos que podem ser vistos por outros usuários.

fonte: https://www.institutoclaro.org.br/reportagens-especiais/7-escolas-com-sistemas-de-ensino-tecnologicos-e-inovadores/

6 Filmes com Histórias de Professores Inspiradores para ver na Netflix

Porvir reuniu obras que mostram a importância de um educador na vida dos seus alunos

Um professor inspirador pode fazer toda a diferença na vida do seu aluno. E como dizem que a arte imita a vida ou a vida imita a arte, no cinema também não poderia ser diferente. Pensando nisso, o Porvir fez uma seleção de filmes da plataforma Netflix que reafirmam o papel transformador da educação e a importância do trabalho desempenhado por um docente comprometido.

Está esperando o que para se inspirar com boas histórias? Confira a lista:

Sociedade dos poetas mortos
Encantar os alunos com a disciplina de literatura foi apenas uma parte do trabalho feito pelo professor John Keating (Robin Williams). Quando começou a dar aulas na tradicional escola preparatória Welton Academy, ele passou a utilizar métodos para retirar os alunos de uma posição passiva e transformá-los em livres pensadores, que perseguem seus interesses e vocações.

Duração: 2h 08min

Mentes perigosas
Ao perceber que os métodos convencionais não estavam conseguindo chamar a atenção da sua classe, a professora LouAnne Johnson (Michelle Pfeiffer) decidiu inovar. Para motivar os seus alunos, ela começou a trazer para suas aulas assuntos que estavam relacionados ao universo deles, como o Karatê ou as músicas de Bob Dylan. Com essas estratégias, ela conseguiu se aproximar dos estudantes e mostrar que era possível repensar as práticas pedagógicas. O filme é baseado em uma história verídica de uma educadora norte-americana.

Duração: 1h 38min

Coach Carter: Treino para a Vida
Em uma escola com altas taxas de repetência e evasão, o dono de uma loja de artigos esportivos Ken Carter (Samuel L. Jackson) aceitou o convite para se tornar técnico do time de um time de basquete que já colecionava derrotas. Enquanto treinava o grupo para vencer as competições, ele demostrava preocupação com o desempenho escolar dos jogadores. O filme mostra como o técnico acreditou no potencial dos alunos e desafiou que eles fossem além das suas limitações.

Duração: 2h 16min

Matilda
Demostrando que era uma garota com altas habilidades, Matilda (Mara Wilson) era incompreendida pelos pais. No entanto, na escola ela encontrou uma professora que notou o seu potencial. Em diversos momento do filme, Jennifer Honey (Embeth Davidtz) mostra como um professor inspirador e afetuoso pode ser importante para um estudante.

Duração: 1h 38min

Preciosa – Uma história de esperança
Um bom professor consegue ir além dos conteúdos. E foi exatamente isso que ajudou a fazer diferença na vida da adolescente Claireece Preciosa Jones (Gabourey Sidibe), que frequentemente era discriminada por ser negra e obesa. Aos 16 anos, ela vive em um ambiente hostil, privada de uma série de direitos e violentada pelos pais. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é expulsa da sua escola e vai para uma instituições educacional que também recebe outros alunos que não se adaptaram ao local onde estudavam. Lá a menina encontra a professora Mrs. Rain (Paula Patton), que incentiva os alunos a escrever para expressar o que estavam sentindo e enfrentar os desafios das suas vidas.

Duração: 1h 49min

O milagre de Anne Sullivan
Para ajudar a sua aluna surda e cega conseguir se adaptar e aprender, a professora Anne Sullivan (Anne Bancroft) é incansável. Em determinado momento, ela também questiona o papel desempenhado pelos pais, que sempre sentiram pena da menina e nunca estimularam que ela também pudesse aprender como qualquer outra criança. O filme é baseado na história real de Helen Keller, uma escritora e ativista social norte-americana que foi reconhecida por ser a primeira surda e cega a receber um diploma de bacharelado.

Fonte: http://porvir.org/6-filmes-historias-de-professores-inspiradores-para-ver-netflix/?platform=hootsuite

Alunos fazem corredor de honra para aplaudir professor francês que vai se aposentar

O último dia de aulas para o professor de educação física Alain Donnat, do colégio Paul Fort, que fica na comuna de Is-sur-Tille, em Côte d’Or, na Franca, foi inesquecível. Os 700 alunos fizeram um corredor de honra para aplaudi-lo durante a despedida do professor, que vai se aposentar após 38 anos de dedicação à escola.

Os aplausos deixaram Alain emocionado e paralis25ado por algum tempo antes que ele começasse a percorrer o caminho até a porta de saída da escola. “Eu me perguntava ‘O que eu faço agora? Será que eu sigo em frente? Será que volto para trás? Parecia um caminho longo, muito longo, e me deparei com estudantes chorando. E me senti obrigado a chorar também”, disse.

O vídeo foi compartilhado no Facebook por Muriel, mulher do professor, e na tarde desta quarta-feira já contava com mais de 750 mil exibições.

Impossível não se emocionar…

Leia a matéria original em Francebleu

Histórias em Quadrinhos na Escola

Os alunos da rede pública paulista têm uma propensão à leitura de quadrinhos. E na sua escola? Entenda como utilizar as HQs para tornar as aulas mais interessantes – e como a tecnologia facilita o acesso a este recurso

Uma pesquisa da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo divulgada no mês passado indica que 45% dos alunos da rede estadual de ensino têm preferência pelos quadrinhos na hora da leitura. Por isso, este tipo de recurso deve ser incorporado ao planejamento das aulas, em diferentes disciplinas.

Para Waldomiro de Castro Santos Vergueiro, coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), o motivo do interesse dos jovens pelas HQs parece óbvio. Para ele, a linguagem e a dinâmica peculiar dos quadrinhos são essenciais para sua atratividade e para uma leitura ativa por parte de quem acompanha as tramas. “A todo o momento, o leitor tem que preencher elementos da história: uma parte vem narrada graficamente, e a outra parte o leitor vai completando”, afirma. “Você tem uma cena, por exemplo, em que o personagem está com a mão na maçaneta da porta, e logo em seguida ele está dentro da casa. O espaço entre os dois quadrinhos é preenchido pela imaginação do leitor”, explica.

Uso dos quadrinhos atrelado a objetivos didáticos

Alguns professores ainda se mostram hesitantes em usar as HQs em sala de aula, com receio de misturar os “momentos de lazer” com os de aprendizado. Mas o segredo está em fazer um bom uso didático dos quadrinhos, atrelando-os aos conteúdos que se deseja trabalhar com a turma.

E há incentivos governamentais para a adoção deste recurso nas salas de aula brasileiras. Segundo Vergueiro, o governo tem se esforçado desde o final da década de 90 para incluir as histórias em quadrinhos em projetos educacionais e nas diretrizes curriculares da educação nacional. “Pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola, a rede pública de ensino recebe vários livros e, desde 2006, o Ministério da Educação passou a incluir quadrinhos entre as obras distribuídas. Isso é uma mensagem para o professor: ‘você pode utilizar histórias em quadrinhos’”, observa.

Para Paulo Eduardo Ramos, jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coautor do livro Quadrinhos na Educação, há, ainda, outro problema a ser resolvido para que os quadrinhos se consolidem como ferramenta na escola. “Há mais resistência ou falta de habilidade em trabalhar o tema do que experiências bem-sucedidas”, diz. Enfatizando a obrigatoriedade de um objetivo didático-pedagógico atrelado ao uso desse tipo de obra na sala de aula, Ramos alega que a falta de orientação dos profissionais diante dos recursos disponíveis pode invalidar todo esforço e incentivo oferecidos.

Diante disso, o professor Vergueiro observa o quanto a habilidade de inserir os quadrinhos na sala de ala depende de uma preparação didática e do repertório cultural do professor. E indica: a escolha da história abordada deve sempre levar em conta as particularidades de cada turma. “Ele [o professor] deve conhecer bem o seu grupo de alunos, ver que tipo de história é mais eficiente para eles”, lembra.

Histórias na prática: HQ na sala de aula

Sem receios, é possível elencar atividades usando as HQs nas mais diferentes disciplinas, com base em quadrinhos ‘realistas’ ou até mesmo nos de super-heróis. Para Vergueiro, as histórias podem servir como pontos de partida para planejar, inclusive, aulas de Ciências: “Por que seria absurdo o super-herói tal ter esse poder, em termos de leis da Física?”, o professor pode perguntar à turma para levantar hipóteses junto dos alunos até chegar às explicações didáticas sobre o tema central da aula.

É importante atentar-se, também, ao contexto. As tiras da personagem Mafalda, por exemplo, que são as mais utilizadas na educação brasileira, podem gerar confusão se não forem devidamente discutidas e apresentadas aos alunos. “Se o professor quiser usar esse material, ele vai ter que se preparar para conseguir fazer uma ponte entre o leitor da década de 60 [quando as tiras foram criadas] e o leitor de hoje”, argumenta Vergueiro.

Uma proposta diferente pode ser a da confecção de HQs entre os alunos. Com dois códigos diferentes – a imagem e o texto –, essa linguagem é fluida e diferente do que o jovem está acostumado a produzir, por exemplo, em redações.

Waldomiro Vergueiro:
“As melhores tiras, hoje, estão na internet. Tem casos de pessoas cujo trabalho na internet ficou tão conhecido que eles foram contratados em jornais”

O papel da tecnologia na produção e leitura de quadrinhosNo contexto não só da produção de histórias por parte dos alunos, mas também no da distribuição de textos para que eles leiam, a tecnologia pode ajudar bastante. Softwares especializados podem estimular e ajudar o aluno a se expressar por meio dessa linguagem, sem ter que necessariamente saber desenhar. É o caso do “Hagáquê”, ou dos programas disponíveis para uso online, como o Stripgenerator ou o Comeeko.

“As melhores tiras, hoje, estão na internet. Tem casos de pessoas cujo trabalho na internet ficou tão conhecido que eles foram contratados em jornais”, afirma o professor Waldomiro Vergueiro. Esse material disponível gratuitamente na rede permite uma exploração mais livre e barata do mundo dos quadrinhos, tanto por parte do profissional, quanto de seus alunos.

Para adotar os quadrinhos na escola
  • Confira as indicações de autores e títulos populares e mais adequados para cada faixa etária
  • Até o 6º ano – Mauricio de Souza, Disney, Pernalonga
  • Do 6º ao 9º ano – Mangás e quadrinhos de aventura
  • Ensino Médio – Watchmen, Cavaleiro das Trevas, Capitão América, Maus, Persépolis
  • Geral – Asterix, Tintin e Mafalda

Por uma Pedagogia da Descoberta

Por

A escola mata a descoberta. Ela entrega o conhecimento pronto em um currículo, definido de acordo com aquilo que é considerado por autoridades como conhecimento válido, todo o resto é excluído.

O que há nesse “resto”?  Toda  a experimentação, o conhecimento informal, aprendido nas vivências, os saberes tradicionais, transmitidos pelos mais velhos e a descoberta.

A serendipidade (o princípio da descoberta) só existe quando há liberdade de escolha por caminhos diferentes e aleatórios. A descoberta se dá, principalmente, quando não estamos procurando exatamente aquilo. Esse processo, que não pode ser controlado, é inexistente na grade escolar. Na escola somos todos considerados incompetentes para adquirir nosso próprio conhecimento. E nunca somos estimulados à fazê-lo.

A palavra serendipidade surgiu em referência a um antigo conto persa sobre os três príncipes de Serendip. Em suas aventuras eles viviam se deparando com situações inusitadas e fazendo descobertas ao acaso, encontrando respostas para questões que eles sequer haviam feito. Tinha um pouco de sorte envolvida, mas era a sagacidade dos meninos, um toque genial de mentes abertas para a descoberta, que realmente operava a magia.

Essa qualidade da descoberta não é de forma alguma privilégio de mentes superiores. É uma habilidade e um posicionamento, uma forma de ver o mundo, disponível para qualquer pessoa.

Bibliotecas são um excelente lugar para o exercício de serendipidade e nas escolas elas ficam isoladas das pessoas, que mal as frequentam nos intervalos das aulas. Temos alguma contação de história, mas livros previamente escolhidos. Mesmo quando eles não são previamente escolhidos, raramente é o acervo todo ofertado à escolha e, mesmo que fosse, ainda assim seria apenas uma atividade controlada, algum livro teria de ser “o escolhido”, os outros permanecerão inertes nas estantes.

Em geral é proibido (ou vigiado) andar entre as estantes a procura de livros que não se sabe ainda quais são. Isso é feito em nome da “ordem” que sempre vem de cima, e está sempre acima da vivência, pairando sobre ela, limitando suas possibilidades libertadoras.

Há um tipo de acesso à biblioteca, que é transversal, não linear, baseado quase que puramente na serendipidade. Ao conduzir uma leitura, indo de um texto à outro, colecionando trechos diferentes de cada livro sobre determinado assunto, eu estou praticando a descoberta. Aliás foi essa prática que desenvolveu a ciência como hoje a conhecemos e o acesso não linear a uma coleção de livros foi o embrião do hipertexto.

Essa forma de utilizar acervos surgiu lá na antiguidade e se tornou evidente na Biblioteca de Alexandria. Foi responsável pelo desenvolvimento da filologia, da geografia, da matemática, da astronomia, da medicina, da poesia, da filosofia, da história e de muitas outras ciências e saberes.

A serendipidade foi a maior consequência de se acumular livros em uma sala. Isso desenvolveu toda uma economia e ergonomia do saber: o surgimento da paginação, da referência, da citação, da glosa, do colofão, dos sumários, dos resumos, das bibliografias, dos catálogos, das resenhas… Todas essas formas de diálogo entre livros, escritores e leitores.

Uma biblioteca nunca é a mesma para duas pessoas praticando a descoberta. As escolhas, mais ou menos aleatórias, de livros formam caminhos, percursos diagonais, transversais, paralelos, pela coleção toda. O prazer de percorrê-los é como o prazer do desconhecido, é desbravar os universos não domesticados do saber. E é possível reiniciar muitas vezes o processo, sempre com resultados inusitados.

A autonomia de percorrer estantes, pegar livros, ler um trecho, procurar outro livro, compará-lo com um terceiro, pegar uma enciclopédia e, partindo de um verbete qualquer, buscar outras fontes, é o principio do amor pela pesquisa e do autodidatismo. São qualidades fundamentais para o pensamento livre e crítico.

Não provoca nenhum espanto a pouca valorização das bibliotecas e da leitura nos dias de hoje. É um reflexo do que a educação faz com a descoberta. Em tempos em que a homogeneidade de ideias, comportamentos e atividades e a obediência a regras, controles e currículos é o que está nas bases da educação, é bastante esperado que as capacidades revolucionárias e libertadoras das bibliotecas sejam caladas.

A busca por uma forma de educação livre passa pelo resgate da descoberta como veículo da potência humana. A serendipidade em substituição à rigidez curricular. É aí que está a importância esquecida das bibliotecas!

Em uma pedagogia da serendipidade, a descoberta é o centro do aprendizado e  a biblioteca é o coração da escola.

Fonte: https://bsf.org.br/2014/08/14/por-uma-pedagogia-da-descoberta/

Educação e Tecnologia: uma aliança necessária

Olá Amigos

Essa postagem que eu reproduzo abaixo é uma contribuição maravilhosa da Denise Vilardo. Não deixem de ver a quantidade de material rico tem por lá no espaço dela.

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Juracy dos Anjos · Salvador, BA

“Estamos diante de uma bela demonstração de que a modernização da educação é séria demais para ser tratada somente por técnicos. É um caminho interdisciplinar e a aliança da tecnologia com o humanismo é indispensável para criar uma real transformação. (…) Em síntese, só terá sentido a incorporação de tecnologia na educação como na escola, se forem mantidos os princípios universais que regem a busca do processo de humanização, característico caminho feito pelo homem até então”. (RENATO, Eduardo José. Informática e educação, 1997,05).

“A importância da reforma dos sistemas educativos é apontada pelas organizações internacionais como uma prioridade na preparação dos cidadãos para essa sociedade pós-moderna. Não é à toa que a introdução das novas tecnologias digitais na educação apresentou mudanças para a dinâmica social, cultural e tecnológica.”

Entendidas por especialistas e educadores como ferramentas essenciais e indispensáveis na era da comunicação, as novas tecnologias ganham espaço efetivo nas salas de aula. Computadores ligados à internet, software de criação de sites, televisão a cabo, sistema de rádio e jogos eletrônicos. Estas são algumas das possibilidades existentes e que podem ser aproveitadas no ambiente escolar como instrumentos facilitadores do aprendizado.

Entretanto, apesar de muitas escolas possuírem estas tecnologias, as mesmas não são utilizadas como deveriam, ficando muitas vezes trancadas em salas isoladas e longe do manuseio de alunos e professores. Existem, segundo estudos recentes, professores e escolas que não conseguem interligar estes instrumentos às atividades regulares.

De acordo com o pedagogo Arnaud Soares de Lima Júnior, “o acesso às redes digitais de comunicação e informação é importante para o funcionamento e o desenvolvimento de qualquer instituição social, especialmente para a educação que lida diretamente com a formação humana”.

No entanto, ele ressalta que os modos de viver e de pensar a organização da vida estão em crise. Está em curso uma mudança qualitativa em virtude da rápida transmissão de informações entre as sociedades, rompendo com isso as barreiras geográficas dos países.

“Por isso, cabe à educação uma parcela de responsabilidade tanto na compreensão crítica do(s) significado(s) desta transformação, quanto na formação dos indivíduos e grupos sociais. Estes devem assumir com responsabilidade a condução social de tal virada, provocada, entre outros fatores, pela revolução nas dinâmicas sociais de comunicação e de processamento de informação”, analisa Arnaud.

Modernização – Neste cenário, a importância da reforma dos sistemas educativos é apontada pelas organizações internacionais como uma prioridade na preparação dos cidadãos para essa sociedade pós-moderna.

Não é à toa que a introdução das novas tecnologias digitais na educação apresentou mudanças para a dinâmica social, cultural e tecnológica. Modelos pedagógicos foram quebrados, tornando-se desatualizados frente aos novos meios de armazenamento e difusão da informação. Neste momento mudam também os conteúdos, os valores, as competências, as performances e as habilidades tidas socialmente como fundamentais para a formação humana.

Apesar de tentar responder a estas questões imediatas, muitos educadores salientam que a inserção, no contexto educacional, destas tecnologias ainda é encarada como uma articulação problemática.

“Esta parceria entre educação e tecnologia é muito difícil de ser efetivada. No que se refere às tecnologias digitais, principalmente, os professores têm dificuldades de interação. Eles já até admitem utilizar o computador e a internet para preparar as suas aulas, mas não conseguem ainda utilizar as mesmas nas suas atividades em sala de aula, como instrumento pedagógico”, observa a pedagoga Lynn Alves.

Para Lynn, o uso da tecnologia não deve se restringir a mera utilização ilustrativa ou instrumental da tecnologia na sala de aula. Exemplo disso, segundo a pedagoga são as aulas de informática de colégios particulares e públicos, que assumem apenas o papel de ensinar o uso dos programas.

“O jovem já sabe disso, ninguém precisa ensiná-lo. Por este motivo, estas aulas acabam se tornando um espaço de “desprazer”, porque os estudantes querem utilizar a tecnologia para criar, re-significar, construir e intercambiar saberes. Infelizmente, este potencial todo a escola ainda despreza”, frisa Lynn.

Internet e Educação

“A Internet é muito mais que um mero instrumento. Além de um dispositivo, ela representa um modo diferente de efetivar a comunicação e o processamento social da informação”. Esta observação é feita por Arnaud Soares Júnior, professor do mestrado em educação e tecnologia da Universidade Estadual da Bahia e autor do livro “Tecnologias Inteligentes e Educação: currículo hipertextual”.

De acordo com o educador, neste panorama de efetiva transformação, o uso da Internet não representa grande desafio para que os professores aprendam a sua utilização, porque suas funções mais sofisticadas são acionadas até mesmo por intuição. Isso por causa da expressão “interface amigável”, que viabiliza o manuseio rápido e fácil.

“Para acessar a Internet não se requer nenhum grau mais elevado de operação mental. Mas, discriminar suas características tecnológicas, sua lógica de funcionamento, e sua natureza comunicativa e informacional, de modo crítico, criativo e politicamente engajado, requer um processo de formação mais abrangente e conseqüente. Tal não poderá ser feito, por exemplo, pelos cursos relâmpagos de informática, nem pelos treinamentos em informática básica”, analisa o professor.

Já no que diz respeito a utilizar a internet como meio para atrair a atenção dos estudantes, Arnaud salienta que não basta prender a atenção dos estudantes com a tecnologia, porque isto já acontece naturalmente, em virtude das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) exercerem fascínio nas novas gerações.

“A questão mais importante é como garantir uma educação de qualidade com a utilização das TICs e como definir sua utilização mais pertinente em cada contexto de formação. Para tanto devem ser consideradas as condições e as necessidades inerentes a cada contexto, além das novas tensões sociais que aí se refletem em função do crescente processo de globalização”, explica Arnaud Soares.

Para finalizar, o pedagogo menciona que diferente do que muitas pessoas acreditam, a Internet não é só uma rede meramente técnica e digital. “A Internet dever vista pelos educadores como uma rede de comunicação, de cultura, de socialização e sociabilidade. Ela está relacionada aos interesses políticos e mercadológicos, além de sua dinâmica estar submetida aos efeitos dos desejos e de representações sociais”, conclui Arnaud.

Jogos eletrônicos: ferramenta importante na aquisição do saber

“A presença dos elementos tecnológicos na sociedade vem transformando o modo dos indivíduos se comunicarem, se relacionarem e construírem conhecimentos. Somos hoje praticamente vividos pelas novas tecnologias”.

A partir desta reflexão, Lynn Alves, professora do mestrado em educação e contemporaneidade da Uneb e autora do livro: “Game Over: Jogos Eletrônicos e Violência”, demonstra a importância da tecnologia, em especial os jogos eletrônicos na vida dos jovens contemporâneos.

Encarada por muitos como nocivo e prejudicial ao desenvolvimento cognitivo dos jovens, os jogos eletrônicos vêm ganhando espaço entre vários estudos e demonstram que podem ser mais um instrumento pedagógico no ambiente escolar. Esta reflexão partir da concepção que existe hoje uma geração submerso no mundo da tecnologia, que tem acesso seja através da televisão ou dos vídeos-game ou das LAN house.

De acordo com estes estudos, os sujeitos nascidos na pós-modernidade estão imersos em um mundo altamente tecnológico. Esta geração é defendida pelos estudiosos como os “nativos digitais” ou “geração mídia”. Uma categoria que vem sendo largamente discutida na atualidade.

Com a utilização de alguns jogos eletrônicos, a exemplo do Simcity, Civilizations e RPG, “os professores podem trabalhar o aprendizado em geografia, história, porque nesse jogo desafia os estudantes a administrar recursos, criar cidades, enfrentar catástrofes, fazer escolhas, planejar, entre outras coisas”, comenta a educadora Lynn.

Nesta perspectiva, e através do jogo eletrônico, os estudantes são estimulados a saber quais as conseqüências de colocar uma escola perto de uma fábrica poluente, além de verificarem quais os problemas sociais ou de saúde as ações realizadas durante o jogo podem causar.

De acordo com Lynn, até mesmo nos jogos violentos, tanto crítica por inúmeros pais, podem servir de fonte de aprendizado e estímulo entre o público jovem. “Você pode trabalhar a questão cognitiva, pois estes jogos exigem uma habilidade sensorial e motora muito grande, tomada de decisão e planejamento estratégico”, conclui Lynn.

Fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/educacao-e-tecnologia-uma-alianca-necessaria#.TkiIkNf0y5Y.facebook