A reinvenção dos educadores

Melhorar a formação dos professores sobre o uso da tecnologia é fundamental para que a escola do futuro se transforme na escola do presente

Imagem retirada da Wiki João de Meira https://joaodemeira.wikispaces.com

Por Bruna Nunes

Muito se fala sobre a necessidade de que a escola se atualize. A educação do século 21 exige que professores e professoras se reinventem, refletindo sobre o seu papel como educadores, a forma como se relacionam com os seus alunos e a maneira como realizam a sua prática docente. Promover uma educação mais alinhada aos novos tempos significa compreender as transformações pelas quais a sociedade passa. Uma das quais se relaciona diretamente ao uso da tecnologia.

Os jovens que hoje frequentam nossas escolas nasceram no mundo permeado pela cultura digital. Usam smartphones para compartilhar sentimentos, realizar pesquisas, informar-se, se expressar e interagir com a cidade nas suas diversas esferas e dimensões e exercer a sua cidadania. A cultura digital, que caracteriza a chamada sociedade do século 21, transformou a forma como processamos e construímos o conhecimento. Como observa Pierre Lévy, a inteligência hoje é coletiva, desenvolvida por meio do compartilhamento de experiências e saberes, facilitados pelas novas tecnologias da comunicação. E a escola precisa estar atenta a isso.

Quando se fala sobre incorporar as novas tecnologias nas escolas, o primeiro desafio listado por estudiosos e especialistas é a falta de infraestrutura. Sem dúvida, trata-se de uma questão proeminente na hora de se pensar políticas públicas que possibilitem a alunos e professores usufruir de todos os benefícios e facilidades que hoje a tecnologia oferece para o processo de ensino-aprendizagem. Contudo, prover as escolas com laboratórios de informática e conectividade não é o único fator determinante para o sucesso de qualquer política que tenha como meta a incorporação da tecnologia no cotidiano escolar. Para isso, a tecnologia precisa vir associada ao oferecimento de formação para professores, que os oriente a usá-la com abordagem pedagógica. A tecnologia pela tecnologia não faz milagre. O seu uso pedagógico precisa vir acompanhado de intencionalidade. E a situação brasileira, no que se refere à formação de professores para esse uso qualificado dos recursos tecnológicos, não é muito diferente da trágica realidade que caracteriza a infraestrutura das escolas.

A imensa maioria de professores e professoras que atuam nas redes municipais e estaduais de ensino não cursou disciplinas específicas sobre educação e tecnologia na sua formação inicial. De acordo com dados da pesquisa TIC Educação, realizada em 2014 pelo Comitê Gestor da Internet – Cetic (2014), quase 60% dos professores entre 31 e 45 anos afirmam não ter cursado disciplina específica sobre como usar dispositivos (computadores, tablets e smartphones) e a internet nas atividades escolares.

Se considerarmos que a média de idade dos professores que atuam nas escolas está na faixa dos 38 anos, isso nos revela um aspecto fundamental sobre os desafios relacionados ao uso da tecnologia nas escolas: a maioria não está preparada para usar os recursos digitais pedagogicamente. E a culpa não é deles. Simplesmente não lhes foi oferecida a oportunidade de aprender. Com aprender, não me refiro a saber como ligar um computador ou tablet, a como projetar um vídeo ou elaborar uma apresentação de powerpoint, embora isso também seja importante. Me refiro a saber como utilizar as novas tecnologias com enfoque na aprendizagem dos alunos, e isso passa por aprender a pesquisar, criar e definir quais recursos educativos digitais serão usados, quando e para quê. Trata-se, portanto, de menos fetiche tech e mais consciência de como e com que intuito se utilizará a tecnologia. Ter lousas digitais nas salas de aula não vai melhorar o desempenho escolar dos jovens num passe de mágica. No entanto, saber a forma mais adequada de usá-las, segundo os objetivos que se quer alcançar, sim.

Conscientes do problema, alguns professores e professoras têm procurado minimizar essa brecha formativa. A mesma pesquisa nos mostra que aqueles que afirmam utilizar a tecnologia para potencializar as suas aulas buscaram, por iniciativa própria, outros meios para aprender a usá-la na prática docente. Na pesquisa, projetos que preveem capacitação e treinamento, oferecidos por organizações do terceiro setor em parceria com instituições ou secretarias de educação, também aparecem como alternativa. A oferta, porém, ainda está aquém da demanda.

É por isso que se faz necessário reavaliar o currículo das licenciaturas. A prática docente precisa incorporar a tecnologia tanto da perspectiva ferramental quanto da metodológica. A real inovação em educação acontece quando conseguimos associar ambas as coisas: ferramentas e métodos inovadores. Em termos de estratégias metodológicas, podemos citar a aprendizagem por projeto, o ensino híbrido, a educomunicação, a cultura maker e a gamificação, como propostas interessantes. Associadas a plataformas e recursos digitais diversos, essas metodologias podem revolucionar o processo de ensino-aprendizagem.

A aprendizagem por projeto tem como objetivo fortalecer o aprendizado significativo, estimulando os jovens a aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula na realização de ações que transladem os conteúdos curriculares da dimensão abstrata para a concreta. Associada ao uso da tecnologia, desperta o interesse dos alunos, a retenção do conhecimento, aumentando o engajamento dos jovens nas atividades escolares, diminuindo a evasão escolar e, em consequência, melhorando o seu desempenho. Além disso, esse tipo de abordagem pedagógica favorece o desenvolvimento de competências e habilidades que apoiarão os jovens ao longo de suas vidas.

Algumas experiências têm sido bem positivas nesse sentido. Uma é a criação de aplicativos ou plataforma digitais por professores e estudantes para desenvolver conteúdos curriculares. Muito mais interessante que estudar taxonomia apenas via aulas expositivas, é propor aos alunos o desenvolvimento de um aplicativo ou mapa geo-referencial que mapeie as plantas que compõem o seu território escolar, atribuindo-lhes seu nome científico. Outra forma mais simples de usar a tecnologia para potencializar o processo de ensino aprendizagem e ao mesmo tempo dialogar com o universo dos jovens é sugerir aos alunos criação de memes, usando figuras de linguagem, ensinando como prevenir as doenças tropicais, sobre as leis de Newton, e por aí vai. As possibilidades são infinitas e podem ser realizadas mesmo em condições com pouca infraestrutura. Temos observado resultados muito animadores nesse tipo de boa prática.

Para que mais experiências como essas aconteçam, no entanto, é preciso mais que exigir dos professores criatividade: é imprescindível oferecer-lhes formação adequada para usar as novas tecnologias de maneira qualificada e segundo o perfil dos seus alunos e o seu contexto escolar. Se desejamos que a escola do futuro se transforme na escola do agora, do nosso presente, é preciso melhorar a formação inicial de professoras e professores. Somente assim a educação do século 21 sairá do plano abstrato para ser reconhecível no fazer cotidiano das escolas.

Bruna Nunes é coordenadora pedagógica do Recode, ONG voltada para o empoderamento digital. Com forte experiência no uso das novas tecnologias e em metodologias educomunicativas de ação socioeducativa, é especialista em Políticas Públicas Culturais pela Universidad de Barcelona, com mestrado em Ciências Sociais e doutorado em Estudos Internacionais e Interculturais, ambos realizados pela Universidad de Deusto (Bilbao-Espanha).

Fonte: http://www.arede.inf.br/reinvencao-dos-educadores/

Aprender com diálogo e diversão

Ferramenta estimula a criação de cenários nos quais a criança se envolva e participe, aprendendo à medida que vence os desafios propostos

Muito além de um site de games, Plinks é uma plataforma digital em que educadores e educandos exercem a aprendizagem por meio de atividades lúdicas e colaborativas. Desenvolvida pela Joy Street, veterana startup de Recife (PE), a ferramenta tem foco nas competências e conteúdos de Português e Matemática do ensino fundamental I (do 2º ao 5º ano). A proposta é propiciar a criação de cenários nos quais a criança se envolva e participe, aprendendo à medida que vence os desafios propostos. “São jogos digitais e enigmas articulados em uma narrativa, como nas plataformas lúdicas não educacionais com as quais as crianças já se engajam no seu cotidiano.

O conteúdo não é seriado (divido por séries), trabalhando as competências de forma evolutiva e aberta”, explica Marcelo Clemente, gerente de produto da Joy Street. Do ponto de vista pedagógico, a plataforma espelha as atividades encontradas nos livros didáticos impressos, mas apresentadas em formatos que incentivam o máximo de engajamento e de interesse dos alunos. O educador tem a possibilidade de construir um mundo virtual e levar os alunos e seus avatares a percorrer um caminho em busca de conhecimentos. Recursos de diagnósticos de desempenho ajudam a identificar e corrigir as dificuldades das crianças.

Elisabeth Santos, professora da Escola Municipal Emídio Dantas Barreto, no bairro de Santo Amaro, em Recife, utilizou o Plinks em abril de 2016. Primeiro, trabalhou nas disciplinas de Português (acentuação) e Matemática (operações, formas geométricas e problemas) no modelo tradicional. Depois, apresentou às turmas a ferramenta digital. “Era uma turma de 4º ano, alunos de nove a 12 anos, com problemas de alfabetização. Eles melhoraram bastante, pois trata-se de uma forma mais divertida de aprendizagem. Agora eles criaram o hábito de entrar na plataforma em casa”, diz a educadora.


O educador tem a possibilidade de construir um mundo virtual e levar os alunos e seus avatares a percorrer um caminho em busca de conhecimentos

No início, Jenifer Yasmim, aluna do 4º ano, achou que não ia conseguir. Mas depois viu que era possível superar os problemas e até ficava mais fácil aprender. Cleberson Luan de Andrade Gomes, de dez anos, já é bom aluno e tem facilidade de aprender. Para ele, a vantagem é que, a cada tarefa, precisa dar uma resposta, o que vai estimulando a aprendizagem: “Alguns acharam difícil no começo, pois na sala de aula, quando você não sabe, o professor explica. No Plinks tem as perguntas e você tem de saber a resposta para continuar jogando”.

Adriana Carvalho, gerente de negócios da Joy Street, explica que a startup resultou de um consórcio de empresas criado em 2008 para elaborar uma plataforma de ensino de acordo com uma demanda do governo de Pernambuco. A ferramenta acabou sendo adotada também no Rio de Janeiro. Com a criação da Joy Street, em 2011, a empresa iniciou o desenvolvimento do Plinks, com financiamento do Instituto Natura, da Fundação Telefônica e do Instituto Ayrton Senna.

O projeto começou a ser concebido em 2012. No final de 2014 e início de 2015, a plataforma passou por um período de homologação, sendo testada em mais de 50 escolas de diversos municípios do país. No final de 2015, entrou em operação no formato final. Hoje é adotada em escolas municipais de Aracaju (SE – 35 unidades de ensino) e de Recife (PE – 50 unidades). Atualmente, a Joy Street também negocia contratos com prefeituras do Amazonas, do Espírito Santo e do Pará. Em Recife, o desempenho do projeto nas 14 turmas que usam o Plinks será avaliado pela Move Social, empresa especializada em avaliação de projetos do terceiro setor. Os resultados serão divulgados no final de 2016.

O conteúdo não é seriado, trabalhando as competências de forma evolutiva e aberta. Recursos de diagnósticos ajudam a corrigir as dificuldades das crianças

A prefeitura de Aracaju e a prefeitura do Recife apoiam o projeto institucionalmente, colocando à disposição suas equipes de tecnologia na educação, que atuam junto aos profissionais da Joy Street. O Instituto Natura e a Fundação Telefônica também contribuem para realizar o monitoramento periódico das atividades. O Plinks foi pensado para ser um recurso educacional aberto, com baixo custo de manutenção e de fácil acesso. Diante da realidade brasileira de acesso à internet, em especial na áreas rurais, foi projetado para exigir o mínimo de configuração das máquinas e de conexão nas escolas.


A plataforma é hospedada na nuvem, em ambiente mantido e monitorado pela Joy Street, podendo ser acessada de qualquer lugar onde haja um link de no mínimo 1Mbps. Roda em qualquer navegador de internet. Está em curso uma versão para dispositivos móveis, que deverá ser lançada no início de 2017.

Para garantir a sustentabilidade do projeto, a Joy Street desenhou um novo modelo de negócios, em que há remuneração pela capacitação dos professores, pela implementação e pela geração de relatórios. Um instrutor da empresa pode apoiar um modelo personalizado por turma. Em Recife, cinco escolas já trabalham com esse instrutor, que participa do planejamento. “Somos remunerados por turma contratada, que tem direito a 15 encontros semestrais e relatórios de análise mensal. Cada turma tem uma aula por semana na grade curricular”, conclui Adriana.

Fonte: http://www.arede.inf.br/aprender-com-dialogo-e-diversao/

6 Problemas com o nosso Sistema Escolar

O sistema tradicional de educação foi concebido na era industrial e agora está desatualizado e ineficaz. Saiba mais sobre os 6 principais problemas com esse sistema. Em outra postagem aqui onde Sir Ken Robinson, especialista em educação e criatividade mundialmente reconhecido, aborda o tema Mudando os Paradigmas da Educação Ele traz a tona o tema sobre essa questão de ensinar para a era industrial muito bem explicado nesse vídeo/animação da RSA Animate.

Então o que podemos fazer enquanto educadores sobre isso? O que é preciso para tornar o ensino mais atraente e atualizado com a realidade do mundo moderno? Postei aqui no Caldeirão de Ideias falando sobre as 7 escolas com sistemas de ensino tecnológicos e inovadores que listavam escolas onde os sistemas de ensino caminhava de mãos dadas com a tecnologia e a inovação na metodologia pedagógica. Mas aonde fica a inovação na parte pedagógica, tecnológica e curricular nas escolas de educação básica nesse Brasil continental, onde as vezes nem luz tem. Imagina internet banda larga pra ter tudo na nuvem. Imagina como a inovação pode chegar as escolas de ensino básica se ainda há prefeitura que manda tirar trechos de livros escolares com união entre gays com a desculpa de que abre aspas “existe uma lei municipal em vigência a qual não permite a exposição de conteúdos com ideologia de gêneros aos alunos do ensino fundamental” fecha aspas decidido pelos representantes da tradicional família brasileira?

Gostaria imensamente de acreditar que um dia essa inovação toda chegue as escolas básicas, de ensino fundamental e médio do país, mas enquanto houver ainda que lutar por questões tão básicas como métodos anticonceptivos, questões de gênero e sexualidade, eu desconfio que ainda vai demorar um bom tempo ainda.

Dica importante: Se você não domina o idioma da terra do William Shakespeare, clique no icone de adicionar Legendas e depois clique no icone Configurações e marque Traduzir Automaticamente e depois escolha o idioma Português. Não fica 100% mais ajuda bastante a quem não domina o idioma

Mudando (ou será melhor Quebrando) os Paradigmas na Educação

Animação adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, especialista em educação e criatividade mundialmente reconhecido. Dublagem em português: AQUI no Blog Brasil Acadêmico. http://www.tsu.co/bracad

Como visto no post: http://blog.brasilacademico.com/2011/09/mudando-paradigmas-na-educacao.html

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7 escolas com sistemas de ensino tecnológicos e inovadores

Confira a lista que separamos de 7 escolas inovadoras espalhadas pelo mundo

por João Victor Coelho

As escolas que incentivam o aprendizado diferenciado, com uso das tecnologias e outras ferramentas inovadoras, merecem ser reconhecidas para que sirvam de inspiração. Por esse motivo, separamos uma lista de 7 escolas inovadoras pelo mundo, mapeadas pelo InnoveEdu, para exemplificar e ilustrar a ideia de uma Educação mais evoluída e progressista. Confira:


Colégio Estadual José Leite Lopes

O projeto Núcleo Avançado em Educação (Nave) foi desenvolvido no Colégio Estadual José Leite Lopes, no Rio de Janeiro. O objetivo é formar os estudantes para atuarem no mercado digital. Ele oferece três especializações: roteiro para mídias digitais, multimídia e programação de jogos digitais. Os alunos têm contato com disciplinas dos três cursos profissionalizantes no primeiro ano, e no segundo escolhem qual deles querem cursar e passam a conhecer a área com mais profundidade, e os trabalhos podem ser feitos em diferentes formatos, como áudio, vídeo, jogos, artes manuais ou textos.


Colégio Fontán

Na escola, que fica na Colômbia, não há salas de aula, séries, aulas expositivas ou professores tradicionais. O aprendizado é guiado por textos elaborados para apoiar o trabalho individual, que ajudam o estudante a alcançar a excelência. Cada estudante desenvolve o próprio plano de estudos e pode estudar sozinho ou em grupo com horários flexíveis. O modelo também permite acesso a dados na nuvem, para que o aluno possa estudar a qualquer hora e em qualquer lugar. Os estudantes usam a tecnologia constantemente, estudando por meio de uma plataforma educacional, programas de computador e internet. A escola ainda tem espaços abertos, que permitem a prática de esportes, como o tênis.


Summit Public Schools

Esta rede de escolas americanas personaliza o ensino por meio do uso de recursos online e offline. De segunda a quinta-feira, os alunos estudam em laptops, em uma plataforma online desenvolvida na escola. Há também um momento para leitura que inclui atividades e exercícios. A sexta­-feira é um dia de reflexão, quando os estudantes se dividem para discutir questões da comunidade e trabalham valores como respeito, responsabilidade, coragem e compaixão. Outra atividade promovida é a conversa com o mentor individual, que pode tratar do desempenho na escola e também de questões pessoais. Durante o ano, há ainda períodos livres para “expedições”, em que os estudantes passam duas semanas se dedicando a algo de seu interesse, como um hobbie ou uma profissão, dentro ou fora da escola.


RDFZ Xishan School

Esta escola de Pequim tem o objetivo de desenvolver habilidades do século 21 nos estudantes, como criatividade, comunicação, colaboração e senso crítico. O colégio usa uma abordagem que integra a aprendizagem baseada em desenvolvimento de projetos, estimulando a colaboração e a experimentação. Cada aluno estuda equipado com um laptop, tablet e smartphone em um ambiente totalmente sem fios, e são incentivados a buscar formas interativas de aprender. Eles contam ainda com uma plataforma educacional desenvolvida pela empresa Apple com aplicativos e ferramentas digitais.


St Paul’s School

As práticas pedagógicas da escola australiana são desenvolvidas de acordo com as necessidades dos estudantes, que são incentivados a desenvolver a autonomia, aplicar seus conhecimentos no contexto do mundo atual e aprender a partir de interesses e paixões pessoais. Uma das formas para atingir esses objetivos é desafiar os alunos a elaborar o próprio currículo, fazer sua autoavaliações e definir as próprias metas em busca de respostas para perguntas sobre a história do universo. Os alunos também montam seus projetos de aprendizagem sobre um tema relacionado a artes ou a tecnologia, além de participar de projetos sociais, como atividades em comunidades de baixa renda. Além de bibliotecas, a escola tem um centro de design tecnológico, onde os alunos podem criar e desenvolver experimentos e há várias opções de programas extracurriculares, como música, teatro, dança, esportes, xadrez, fotografia e reportagem.


Green School

A escola fica no meio de uma floresta da Indonésia e procura integrar os conteúdos acadêmicos tradicionais com a aprendizagem ambiental e experiencial, baseada em práticas sustentáveis e centrada no aprendizado personalizado. Os prédios, em formato de espiral, foram construídos com bambu e não tem paredes. Painéis solares geram 80% da eletricidade, os banheiros são de compostagem e o lixo é reciclado ou composto. O campus tem hortas orgânicas e criações de animais, como uma vaca, um búfalo e porcos. Nas aulas, os professores podem escolher o que ensinar a partir de um cardápio de temas ou podem criar seu próprio roteiro de aulas, e além das disciplinas tradicionais, os alunos também aprendem a plantar, cultivar, colher e cozinhar.


Wooranna Park Primary School

Na escola da Austrália os alunos se responsabilizam pelo próprio aprendizado, desenvolvendo tarefas autênticas, que envolvam a resolução de problemas e estudando em colaboração com colegas. Eles podem negociar seu currículo escolar e se dedicar a paixões pessoais, tratando de temas relevantes e atuais em projetos interdisciplinares. Os professores atuam como treinadores e facilitadores. O colégio retirou as divisórias e paredes, criou locais para reuniões, áreas multimídia, espaço para robótica e estúdios de rádio e TV. A tecnologia é usada para conectar os estudantes com outras crianças e adolescentes ao redor do mundo, e alunos e professores mantêm blogs e produzem vídeos, filmes e músicas sobre seus temas de estudos que podem ser vistos por outros usuários.

fonte: https://www.institutoclaro.org.br/reportagens-especiais/7-escolas-com-sistemas-de-ensino-tecnologicos-e-inovadores/

Yoga na sala de aula? Sim!

Confira o que a educadora e autora de livros infanto juvenis Maeve Vida nos contou sobre os benefícios dessa técnica na Educação

por João Victor Siqueira

Você já ouviu falar na técnica How-To-Live? A prática, criada pelo filósofo e educador indiano Paramahansa Yogananda, em 1917, usa a ciência do Yoga aplicada na Educação. Ela é mais comum no sistema de Educação da Índia, onde já existem em torno de 100 escolas que utilizam essa técnica, com até 5.000 alunos. No Ocidente, a primeira escola adepta ao How-To-Live e ensinamentos da Yoga foi a Escola Arte de Ser, fundada há oito anos, em São Paulo. Para saber melhor sobre as atividades exercidas na escola e os benefícios que a Yoga traz para os alunos, conversamos com Maeve Vida, consultora da filosofia How-To-Live da escola.

 A Escola Arte de Ser é a primeira do Ocidente adepta ao How To Live. Como e quando surgiu essa ideia? Você tem ideia de, mais ou menos, quantas escolas no mundo já usavam dessa metodologia?

Há doze anos, vários amigos que eram professores de meditação para crianças que seguem a filosofia How-To-Live começaram a realizar oficinas na Livraria Omnisciência, um projeto de Cultura de Paz. Inspirados no livro de Yogananda, a Autobiografia de um Iogue, em que ele conta sobre a fundação da sua primeira escola com a filosofia How-To-Live, em Ranchi, na Índia, e como aplicar os princípios da Yoga no ambiente escolar, esse grupo de professores de meditação resolveu fundar a primeira escola How-To-Live no Brasil. Atualmente, temos cerca de 50 crianças estudando conosco na Educação Infantil.

De forma geral, quais são os benefícios que o método How-To-Live pode trazer para as crianças, tanto no aprendizado quanto na relação delas com as pessoas e consigo mesmas?

A filosofia How-To-Live, idealizada por Yogananda, contempla as quatro dimensões do ser humano para um desenvolvimento harmonioso:

Ciência do Corpo: como recarregar nosso corpo de energia vital, a partir do cultivo de hábitos saudáveis nas diversas atividades da vida cotidiana: alimentação, exercícios físicos, ritmo, banhos de sol, higiene corporal, entre outros.

Engenharia Mental: pelo uso correto da força de vontade, podemos ensinar às crianças e aos jovens como construir pontes que vão do “fracasso” ao “sucesso” para superar cada pequeno desafio de suas vidas. Por meio de pensamentos calmos e positivos, podemos desenvolver uma mente concentrada e equilibrada.

Artes Sociais: uma convivência social harmoniosa segue valores de tolerância, paz, amor e solidariedade. A criança e o jovem devem ser estimulados a substituir o “desejo de possuir pela alegria de compartilhar, para que seus interesses pessoais não discordem das necessidades sociais.”

Dimensão Espiritual: as práticas contemplativas – como a meditação, visualizações e relaxamento – são ferramentas importantes para o desenvolvimento de nossa riqueza interior. Isso se expressa, naturalmente, na forma pacífica e humanizada com que iremos atuar junto à Natureza e a todos os seres vivos ao nosso redor.

Como funciona o processo de avaliação dos alunos e como a escola relaciona as disciplinas tradicionais, como matemática, história e português com as atividades de yoga, jardinagem, arte etc?

Somos uma escola de Educação Infantil, as disciplinas tradicionais são realizadas ludicamente, por meio das atividades de arte, música, movimento, pesquisa e interação com a natureza que desenvolvemos. Nossa observação em relação ao desenvolvimento das crianças é feita avaliando as quatro dimensões do ser humano, caracterizadas nos pilares da filosofia How-To-Live: corporal, mental, social e espiritual. Dessa forma, procuramos acompanhar a sua forma de relacionar-se com as outras crianças e com os educadores, a sua capacidade de concentração nas atividades e o desenvolvimento de suas habilidades corporais.

Quais são as atividades exercidas na escola?

Seguimos um ritmo para cada dia da semana. Algumas práticas são diárias, como uma roda rítmica na entrada da manhã e a meditação. Temos uma professora especialista em hatha-yoga, que dá aula uma vez por semana, mas os professores de classe também cultivam práticas de yoga em outros momentos do dia a dia escolar como uma forma de resgatar o equilíbrio e a harmonia. Além de fornecermos uma alimentação vegetariana às crianças, incentivamos que elas mesmas aprendam a cozinhar. Diariamente também, existe uma interação com a horta e com as tartarugas que ali habitam, como uma forma de conexão com a Mãe Terra. A música e a arte permeiam nosso dia a dia escolar, fazendo parte do ritmo cotidiano, tendo sempre como pano de fundo, as virtudes e valores humanos universais no planejamento pedagógico semanal. O Projeto Heróis da Verdade, que foi iniciado na Omnisciência, é aplicado na escola, procurando incentivar uma Cultura de Paz, trazendo o exemplo de vida dos grandes mestres da Humanidade.

Na escola, é bastante valorizada a participação dos pais nas atividades. Qual a importância dessa relação, tanto para as crianças quanto para os próprios pais?

Para nós, essa participação é fundamental para que as famílias possam não apenas opinar em questões que julguem importantes para o aprimoramento da escola, mas também para ajudar para que isso aconteça.

Você tem algum exemplo ou história de um aluno que sentiu os resultados da metodologia? Como alguma criança que chegou a escola com um mau comportamento e melhorou depois das técnicas, por exemplo.

Tivemos o caso de duas crianças de Abrigo que estudaram em nossa escola e foram um exemplo de como essa metodologia pode trabalhar em níveis muito profundos de mudança de harmonização das crianças. Mesmo continuando a morar nos Abrigos, sem uma atenção individualizada familiar, elas se transformaram significativamente. Ambas foram adotadas. A primeira delas, uma menina encantadora, com um caso familiar muito delicado, que ficou conosco por mais tempo, ensinava outras crianças do Abrigo as posturas de Yoga e meditação que aprendia na escola.

Britannica Escola realiza treinamentos para professores da Educação Básica em fevereiro

Enciclopédia Gratuita

A equipe pedagógica do portal Britannica Escola realizará mais três treinamentos online voltados a professores da educação básica no mês de fevereiro, nos dias 8, 9 e 10. Periodicamente, são realizados encontros em diferentes horários onde a equipe explica aos docentes como utilizar as ferramentas digitais da Britannica em sala de aula e também nas atividades complementares.

As inscrições são gratuitas e os professores podem escolher o horário mais conveniente para participar do treinamento. Cada sessão apresenta conteúdos por cerca de 60 minutos. Confira abaixo as próximas capacitações e os links para inscrição:

Calendário

Data

Hora

Tema

Link de Inscrição

8 de fevereiro

11h às 12h

Britannica Escola

https://attendee.gotowebinar.com/register/6048606258742177794

9 de fevereiro

9h às 10h

Britannica Escola

https://attendee.gotowebinar.com/register/6361522869960727042

10 de fevereiro

14h às 15h

Britannica Escola

https://attendee.gotowebinar.com/register/4073832797721630466

Britannica Escola
O portal Britannica Escola é uma parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) com a Encyclopædia Britannica uma das mais conhecidas e conceituadas editoras do mundo. Acessando a interface da Britannica Escola, alunos e professores poderão utilizar, durante o processo de aprendizado, ferramentas de ensino e recursos multimídia disponíveis no portal, como artigos de enciclopédia, imagens e vídeos, atlas do mundo, biografias, notícias diárias voltadas para as crianças, recursos interativos de geografia, jogos interativos, entre outros. O portal é todo em português e gratuito.

Fonte (CCS/Capes): http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/8244-britannica-escola-realiza-treinamentos-para-professores-em-fevereiro

Canvas lança recurso de anotações para dispositivos móveis no seu ambiente virtual de aprendizagem

Inserido na Plataforma Educacional, Recurso Simplifica as Tarefas Digitais e Otimiza o Tempo Para Professores, Estudantes e Gestores Educacionais

A Canvas, ambiente virtual de aprendizagem aberto, da Instructure, apresenta ao mercado seu recurso de anotações na versão para dispositivos móveis, para distribuição e preenchimento de tarefas digitais. A nova aplicação para anotações na versão móvel permite que as tarefas digitais sejam concluídas sem sair da plataforma, o que reduz o tempo na realização das atividades.
Como as escolas se tornam cada vez mais digitais, professores e estudantes frequentemente lidam com diferentes ferramentas online que podem tornar confusos os procedimentos para downloading (descarregamento) e uploading (carregamento). Se os estudantes podem escrever diretamente no ambiente do Canvas, o uso de outros aplicativos se torna desnecessário, o que elimina o custo de outra ferramenta para anotações digitais.

A digitalização das tarefas dentro do Canvas também evita que os professores percam os trabalhos dos estudantes e permite classificar as tarefas usando o Canvas Speedgrader, poupando horas de trabalho na organização de atividades impressas. (Com assessoria de imprensa)

Mais informações: https://www.canvaslms.com/brasil

Fonte: http://www.arede.inf.br/canvas-lanca-recurso-de-anotacoes-para-dispositivos-moveis-no-seu-ambiente-virtual-de-aprendizagem/

A Teoria da Nordestinidade

Bráulio Bessa nos conta um pouso sobre seu trabalho de disseminação da cultura nordestina, em uma palestra rica em poesia de cordel.

Poeta cordelista desde os 14 anos, Bráulio Bessa usou a internet para promover um verdadeiro resgate da literatura de cordel através das redes sociais. Seus vídeos com declamações já ultrapassaram a marca de 40 milhões de visualizações e sua poesia é propagada para um número incalculável de pessoas através do programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, onde integra o elenco fixo e encanta nosso povo no quadro POESIA COM RAPADURA. Criou o projeto “Nação Nordestina” com mais de um milhão de fãs/seguidores e um alcance médio de dez milhões de pessoas por mês. É considerado hoje o maior ativista da cultura nordestina na internet.

Em sua palestra, Bráulio conta a história do matuto sonhador de Alto Santo no interior do Ceará que, sem precisar abandonar o sertão, criou um dos maiores movimentos virtuais de divulgação da cultura nordestina no planeta e se tornou um dos mais importantes empreendedores sociais do país. Uma palestra repleta de elementos como poesia de cordel, causos da sabedoria popular, humor e principalmente a mais pura gaiatice cearense, tudo isso interligado à motivação, empreendedorismo e ao instinto batalhador e sonhador do povo nordestino.

https://www.youtube.com/watch?v=jl88rYfvR6A

39 obras de Hannah Arendt, Adorno, Benjamin e Habermas disponíveis para download

Hannah Arendt. Nascida em Hannover, na Alemanha, em 14 de outubro de 1906, de origem judaica, foi batizada como Johanna Arendt. Tendo perdido o pai com sete anos incompletos, mostrou-se precoce ao tentar consolar sua mãe, Martha Arendt: “Pense – isso acontece com muitas mulheres”, teria dito a menina, para espanto da viúva. Recebeu da mãe, que tinha simpatia por ideias da social-democracia, uma educação marcadamente liberal. Ainda na adolescência, teve contato com a obra de Kant. Aos dezessete anos, abandonou a escola por questões disciplinares. Transferiu-se para Berlim, onde estudou teologia e a filosofia do dinamarquês Soren Kierkegaard. Em 1924, passou a frequentar a universidade de Marburg. Ali permaneceu um ano, durante o qual assistiu aulas de Filosofia com Martin Heidegger – com quem manteve, em seguida, um relacionamento amoroso complicado – e Nicolai Hartmann; teologia protestante com Rudolf Bultmann; e grego. Arendt formou-se em Filosofia em Heidelberg.

Em 1929, época da recessão mundial provocada pela quebra da Bolsa de Nova York, Arendt mudouse para Berlim, com uma bolsa de estudos. Com a ascensão do nazismo ao poder, em 1933, ela foi para a capital francesa, onde conheceu grandes intelectuais, a exemplo do filósofo e escritor Walter Benjamin. Na ocasião, trabalhou como secretária da baronesa Rotschild, de uma tradicional família de banqueiros.

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o governo da França cooperou com os invasores alemães, a judia Hannah foi mandada a um campo de concentração, como “estrangeira suspeita”. Todavia, conseguiu fugir para Nova York, onde chegou em 1941.

Exilada e apátrida (perdeu a nacionalidade alemã), permaneceu dez anos sem direitos políticos, obtendo a cidadania estadunidense em 1951. Nos Estados Unidos, Hannah trabalhou em várias organizações judaicas e editoras, como a Schoken Books, tendo escrito também para o periódico Weekly Aufba. Naquele país, ela desenvolveu efetivamente sua carreira acadêmica, contratada em 1963 pela Universidade de Chicago. No ano seguinte, entraria para a American Academy of Arts and Letters. Em Chicago, Arendt foi professora até 1967, quando se transferiu para Nova York, dando aulas na New School of Social Research. Faleceu em 4 de dezembro de 1975.

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Este renomado intelectual alemão, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, nascido em Frankfurt, no dia 11 de setembro de 1903, formou-se em filosofia, sociologia, psicologia, e tornou-se também musicólogo e compositor, graduando-se na Universidade de Frankfurt. Posteriormente fundou, ao lado de Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jürgen Habermas, entre outros, a célebre Escola de Frankfurt.

Seu pai, Oscar Alexander Wiesengrund, era um alemão de procedência judaica, porém convertido à religião protestante, enquanto sua mãe, a italiana Maria Bárbara Calvelli-Adorno, dedicava-se à música erudita e professava o catolicismo. Mais tarde o filho adota o sobrenome materno, passando a ser conhecido como Theodor W. Adorno.

Sua formação musical foi, em parte, realizada com sua meia-irmã pelo lado de mãe, Agathe, primorosa pianista. Além de se sobressair nos estudos desenvolvidos no Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, freqüentou um curso particular com o compositor Bernhard Sekles e tornou-se especialista no filósofo Immanuel Kant, graças às aulas oferecidas por seu camarada Siegfried Kracauer, um ‘expert’ na Sociologia do Conhecimento.

O empenho intelectual de Adorno o levou a defender, já em 1924, sua tese sobre a fenomenologia de Edmund Husserl. Antes mesmo de se formar ele se torna amigo de Walter Benjamin e de Max Horkheimer, seus futuros companheiros de militância intelectual e política. Sua trajetória intelectual tem início em 1933, quando lança sua tese sobre Kierkegaard. Outro contato importante no universo filosófico é com o principiante Lukács, em 1925. As primeiras publicações deste filósofo alemão – A Teoria do Romance e História e Consciência de Classe -, mais tarde rejeitadas por ele, para completa desilusão de Adorno, influenciam profundamente sua produção acadêmica, sustentando seus ideais e os rumos de sua mente brilhante. Benjamin também deixa marcas fundamentais no pensamento adorniano, que se identifica plenamente com os conceitos desenvolvidos pelo amigo.

Futuro crítico contundente dos meios de comunicação de massa, ele percebe, nos seus anos de exílio nos Estados Unidos, serem eles peças essenciais da engrenagem que alicerça a indústria cultural. Esta criação do Capitalismo molda a mentalidade dos que a ela aderem inconscientemente, semeando o conformismo e a resignação na população que se encontra inerte diante de um sistema implacável que desfigura a essência do ser.

Adorno foi mais um dos adeptos da Escola de Frankfurt que, durante o processo de nazificação da Alemanha, foi obrigado a se refugiar na América, por ser de ascendência judaica e também por sua vocação para o socialismo. Depois de uma passagem pela Suíça, ele atendeu a um convite de Horkheimer para trabalhar na Universidade de Princeton. Sua impressão sobre os Estados Unidos não foi das melhores. Sofisticado intelectual europeu, incomodou-o profundamente o ar de uniformização presente em tudo, a despeito dos conceitos norte-americanos de individualidade e do cultivo das diferenças.

Este universo regido pelos interesses, pelo lucro e pelas conveniências o levou a uma reflexão mais atenta sobre a massificação da cultura. Inclinado a compreender esse paradoxo americano, ele estuda a fundo a mídia dos EUA, e descobre sob a aparente liberdade apregoada pelo ‘American Way of Life’, uma ideologia padronizada que a tudo perpassa, com a intenção de sujeitar a massa apática, induzindo-a ao consumismo e à submissão ao sistema.

Com o término da Segunda Guerra, Adorno professa a volta do Instituto de Pesquisa Social para Frankfurt, juntamente com seus membros. Após a aposentadoria de Horkheimer, Adorno assume sua diretoria, na década de 50. Pouco antes de sua morte, em 6 de agosto de 1969, ele assumiu uma posição controvertida diante dos rebeldes do movimento estudantil que, em 31 de janeiro deste mesmo ano, pretendiam suspender sua aula para darem seqüência aos protestos que se espalhavam pelas ruas da Europa. Surpreendentemente ele recorreu á polícia para reprimir as manifestações, o que causou um mal-estar entre ele e os estudantes, além de o contrapor ao seu antigo companheiro, Marcuse, que se aliara aos alunos nos movimentos que se alastravam pelo continente europeu. Adorno parte sentindo-se aviltado pelos adeptos de uma esquerda para ele considerada ultra-radical.

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Walter Benjamin

Walter Benedix Schönflies Benjamin nasceu no seio de uma família judaica, filho de Emil Benjamin e Paula Schönflies Benjamin, comerciantes. Na adolescência, participou do Movimento da Juventude Livre Alemã, de tendência socialista.

Em 1915, conhece o filósofo e historiador Gerschom Gerhard Scholem, de quem se torna grande amigo.

Após estudar filosofia na Universidade Freiburg im Breisgau, doutorou-se pela Universidade Bern, em 1919, com a tese O conceito de crítica de arte no romantismo alemão.

Com a ascensão do nazismo ao poder, Benjamin, já balado por dificuldades materiais, exilou-se em Paris, em 1935.

Com a invasão da França pelos alemães, em 1940, juntou-se a um grupo de refugiados que tentava a fuga pelos Pireneus. Detido na fronteira pela polícia espanhola, que ameaçou entregar o grupo à Gestapo, Benjamin suicidou-se. No dia seguinte, contudo, as autoridades permitiram a passagem do grupo.

Crítico de idéias e fatos

Walter Benjamin é considerado um dos mais importantes pensadores modernos. Em vida, seus escritos não alcançaram repercussão, embora ele já fosse respeitado em alguns círculos, conseguindo o estímulo decisivo de filósofos como Ernst Bloch e T. W. Adorno.

Adorno, aliás, responsável pela edição póstuma das obras de Benjamin, considerou-o antes de tudo como um filósofo que teria tentado subtrair-se ao pensamento classificatório, filosofando contra a filosofia.

O que mais interessa na obra crítica de Benjamin é a abordagem de temas concretos da literatura, da arte, das técnicas, da vida social, etc., sem abandono do rigor conceitual. Benjamin é, por isso, além de filósofo, um crítico de ideias e fatos.

Os escritos de Benjamin ficaram esparsos em periódicos e só três livros foram por ele publicados em vida. Além de sua tese de doutoramento, publicou uma tese reabilitando o barroco alemão (Origem da tragédia alemã) e um volume de ensaios e reflexões (Rua de mão única), ambos em 1928.

Entre seus ensaios destacam-se “As afinidades eletivas de Goethe”, “Sobre alguns temas em Baudelaire”, “Teses sobre filosofia da história”, “Paris, capital do século 19” e “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”.

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Jürgen Habermas. Um dos mais importantes filósofos alemães do século XX, nasceu em Gummersbach, a 18 de Junho de 1929. Fez cursos de filosofia, história e literatura, interessou-se pela psicologia e economia (Universidades de de Gotingen- com Nicolai Harttman-, de Zurique e de Bona). Em 1954 doutorou-se em filosofia na universidade de Bona. Estudou com Adorno e foi assistente no Instituto de Investigação Social de Frankfurt am Main (1956-1959). Em 1961 obtém licença para ensinar (Universidade de Marburg) e, em seguida, é nomeado professor extraordinário de filosofia da Universidade de Heidelberg (1961-1964), onde ensinava  Hans Geor Gadamer. Foi nomeado depois professor titular de filosofia e sociologia da Universidade de Frankfurt am Main (1964-1971). Desde 1971 é co-director do Instituto Max Plank para a Investigação das Condições de Vida do Mundo Técnico-Científico, em Starnberg.

Habermas foi durante os anos 60 um dos principais teóricos e depois crítico do movimento estudantil. É considerado um dos últimos representantes da escola de Frankfurt.

Apesar da enorme complexidade do pensamento de Habermas, é possível descobrir algumas constantes:

  1. Ao longo da sua vastíssima obra, tem procurado de criar uma  teoria crítica social assente numa teoria da sociedade
  2. Assumindo-se como um dos defensores da modernidade, procura igualmente criar uma teoria da razão que inclua teoria e prática, o mesmo é dizer, uma teoria que seja ao mesmo tempo justificativa e explicativa.
  3. A auto-reflexão individual é inseparável da educação social, e ambas são aspectos de emancipação social e humana. As decisões (práticas) são encaradas como atos racionais, onde não é possível separar a teoria da prática
  4. Todo o seu pensamento aponta, assim, para uma auto-reflexão do espécie humana, cuja história natural nos vai dando conta dos níveis de racionalidade que a mesma atinge.
  5. A noção de interesse é nuclear no seu pensamento. Habermas parte do pressuposto que todo o conhecimento é induzido ou dirigido por interesses. Mas ao contrário das Karl Marx não o reduz o conhecimento à esfera da produção, onde seria convertido em ideologia. Nem reduz os conflitos de interesses à luta de classes. A sua noção de interesse é muito ampla. Os interesses surgem de problemas que a humanidade enfrenta e a que tem que dar resposta. Os interesses  são estruturados por processos de aprendizagem e compreensão mútua. É neste contexto que Habermas afirma o princípio da racionalidade dos interesses. Distingue três grandes tipos de interesses, segundo um hierarquia algo peculiar:
    1. técnicos;
    2. comunicativos;
    3. emancipatórios.

Os interesses técnicos surgem do desejo de domínio e controlo da natureza. Tratam-se de interesses técnicos na medida em que a tecnologia se apoia ou está ligada à ciência. Todo o conhecimento científico enquadra-se nesta esfera de interesses.

Os interesses comunicativos levam os membros duma sociedade a entenderem-se (e às vezes a não entenderem-se) com outros membros da mesma da mesma comunidade, o que origina entendimentos e desentendimentos entre as várias comunidades. Nesta esfera de interesses estão as chamadas ciências do espírito (ciências humanísticas, culturais, etc).

Os interesses emancipatórios ou libertadores estão ligados à auto-reflexão que permite estabelecer modos de comunicação entre os homens tornando razoáveis as suas interpretações. Estes interesses estão ligados à reflexão, às ciências críticas (teorias sociais), e pelo menos em parte, ao pensamento filosófico. Esta auto-reflexão pode converter-se numa ciência, como ocorre com a psicanálise e a crítica das ideologias, mas uma ciência que é capaz transformar as outras ciências. O interesse  emancipatório resulta de ser um interesse justificador, explicativo enquanto justificador.

Para fazer o download das obras clique no link abaixo: 

Adorno, Benjamin, Habermas e Hannah Arendt
 
Fontes:http://afilosofia.no.sapo.pt/habermas1.htm 
http://educacao.uol.com.br/biografias/walter-benjamin.jhtm 
Arquivo Kronos  
http://filosofia.uol.com.br/ 
http://www.infoescola.com/biografias/theodor-adorno/

Revista Biografia

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