>Projeto Cinema no Caldeirão – Mary e Max – Uma Amizade Diferente

>Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é a animação Mary e Max – Uma Amizade Diferente. Resolvi falar sobre o filme depois de ler uma noticia do excelente portal Conexão Professor via twitter (@conexaoprof), sobre um aluno da rede estadual com Síndrome de Asperger que se destaca na Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE). Para quem não sabe a Síndrome de Asperger, doença similar ao autismo, entretanto mais branda – os jovens são mais inteligentes e sem atraso significativo no desenvolvimento da linguagem.

A animação “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” mostra os problemas dessas pessoas. Na ficção, Mary, de 8 anos, que mora na Austrália, torna-se amiga de Max, um homem de 44 anos, que tem síndrome de Asperger e vive em Nova York. Ambos têm dificuldade em fazer amigos e passam a trocar correspondências nas quais compartilham alegrias e decepções.

Sinopse:
Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. Mary e Max é viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais. Baseado numa estória real.

O filme contrariando a onda 3D e feito todo filmado com a técnica stop motion, em que cada cena é fotografada quadro a quadro. Gostaria muito que esse filme fosse levado à sala de aula. E que na presença de Professores, e até de um Psicólogo, fosse então debatido. Há vários temas em “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” que carece desses jovens serem confrontados. Além de muitos acharem engraçado tripudiar de um coleguinha “diferente”… há no filme o bem que faz uma amizade verdadeira.

Eu passei a ter conhecimento dessa Síndrome, vendo “Ben X – A Fase Final”. Onde podemos ver, o quanto sofrem, mas com a zombaria, e até agressões físicas dos colegas de classe. Para Max, além do bullying por conta disso, também por ter sido judeu.

Mas como muito bem cita a critica do Blog Cinema é Minha Praia! que foi maravilhosamente escrita pela Valéria Miguez (LELLA)que reproduzo alguns trechos aqui: “Mas como atualmente, os casos de pedofilia estão vindo mais a público, para uma galerinha Teen, é sempre bom o acompanhamento de um adulto, para que não entre em nenhuma roubada, caso resolva se corresponder com um desconhecido. Claro, que sem um patrulhamento ostensivo. Se há liberdade entre você e esse menor, é bem provável que lhe conte o que anda fazendo. Esse é um dos motivos para um adulto assistir junto esse filme.”

O filme começa na década de 70. Num tempo sem internet. Os personagens começando por Mary… Filha única. De um pai ausente, e de uma mãe alcoólatra e cleptomaníaca. Na escola, sofre com o bullying. Por ser gordinha; por usar óculos; e até por um sinal de nascença em sua testa. Tem por amigo, um galo. Seus brinquedos foram criados por si: como cópias dos personagens de seu desenho favorito. Sua pequena mesada, vem de um serviço que presta a um vizinho que perdeu as pernas na Guerra, e que sofre de agorafobia. Com medo de sair de dentro de casa, ela pega para ele as correspondências. Esse vizinho, terá um papel fundamental na vida de Mary. Um outro vizinho também, um menino grego. Que também é um excluído pelos colegas, por ser gago. Mary tem uma sede de aprender. E além de chocolate, adora leite condensado. Gostaria de ter uma amiguinha com quem pudesse conversar e brincar.do filme Síndrome de Asperger. Mas um problema ainda desconhecido na época. Dai, era tido como maluco.

Agora o Max: tem 44 anos de idade. Vive sozinho na companhia de um periquito, um gatinho que perdeu um dos olhos por maldade de crianças, alguns caracóis e um peixinho que devido ao pânico de Max… Bem, peixinho morto, peixinho posto. Além de uma vizinha que é cega, mas não está nem ai para isso. O problema, é que não admitindo ser cega, acaba não se adequando a sua realidade. Ocasionando certas situações… Max, padecia de Síndrome de Asperger. Mas um problema ainda desconhecido na época. Dai, era tido como maluco.

Mary e Max – Uma Amizade Diferente é um filme que deixa uma vontade de uma análise mais detalhada. Ele é daqueles filmes que machucam, mais ainda por ser baseado numa estória real. É lento. Indicado também para quem gosta de ouvir a estória de vida de uma pessoa. Embora triste, nos leva a amá-los.

Num tempo onde o 3D virou uma febre, talvez uma animação com personagens de massinhas, e meio toscas, não irá atrair o grande público. Pena! Pois estarão perdendo um excelente filme! Com um final emocionante! Assistam!

Elenco:
Vozes na versão original de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries.

Curiosidades:
Dos criadores do vencedor do Oscar de curta de animação ‘Harvie Krumpet’.

Trailer:

Resumo: Baixar Filme Mary e Max – Uma Amizade Diferente
Título original: Mary and Max
Download do Filme Mary e Max – Uma Amizade Diferente
Gênero: Animação
Direção: Adam Elliot
Duração: 90 min.
Distribuidora: PlayArte Pictures

Tamanho: 700 MB
Formato: Avi
Qualidade de Vídeo: Dvdrip
Idioma: Inglês

Download Filme

Download Legenda

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Projeto Cinema no Caldeirão – Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é a animação Mary e Max – Uma Amizade Diferente. Resolvi falar sobre o filme depois de ler uma noticia do excelente portal Conexão Professor via twitter (@conexaoprof), sobre um aluno da rede estadual com Síndrome de Asperger que se destaca na Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE). Para quem não sabe a Síndrome de Asperger, doença similar ao autismo, entretanto mais branda – os jovens são mais inteligentes e sem atraso significativo no desenvolvimento da linguagem.

A animação “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” mostra os problemas dessas pessoas. Na ficção, Mary, de 8 anos, que mora na Austrália, torna-se amiga de Max, um homem de 44 anos, que tem síndrome de Asperger e vive em Nova York. Ambos têm dificuldade em fazer amigos e passam a trocar correspondências nas quais compartilham alegrias e decepções.

Sinopse:
Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. Mary e Max é viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais. Baseado numa estória real.

O filme contrariando a onda 3D e feito todo filmado com a técnica stop motion, em que cada cena é fotografada quadro a quadro. Gostaria muito que esse filme fosse levado à sala de aula. E que na presença de Professores, e até de um Psicólogo, fosse então debatido. Há vários temas em “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” que carece desses jovens serem confrontados. Além de muitos acharem engraçado tripudiar de um coleguinha “diferente”… há no filme o bem que faz uma amizade verdadeira.

Eu passei a ter conhecimento dessa Síndrome, vendo “Ben X – A Fase Final”. Onde podemos ver, o quanto sofrem, mas com a zombaria, e até agressões físicas dos colegas de classe. Para Max, além do bullying por conta disso, também por ter sido judeu.

Mas como muito bem cita a critica do Blog Cinema é Minha Praia! que foi maravilhosamente escrita pela Valéria Miguez (LELLA)que reproduzo alguns trechos aqui: “Mas como atualmente, os casos de pedofilia estão vindo mais a público, para uma galerinha Teen, é sempre bom o acompanhamento de um adulto, para que não entre em nenhuma roubada, caso resolva se corresponder com um desconhecido. Claro, que sem um patrulhamento ostensivo. Se há liberdade entre você e esse menor, é bem provável que lhe conte o que anda fazendo. Esse é um dos motivos para um adulto assistir junto esse filme.”

O filme começa na década de 70. Num tempo sem internet. Os personagens começando por Mary… Filha única. De um pai ausente, e de uma mãe alcoólatra e cleptomaníaca. Na escola, sofre com o bullying. Por ser gordinha; por usar óculos; e até por um sinal de nascença em sua testa. Tem por amigo, um galo. Seus brinquedos foram criados por si: como cópias dos personagens de seu desenho favorito. Sua pequena mesada, vem de um serviço que presta a um vizinho que perdeu as pernas na Guerra, e que sofre de agorafobia. Com medo de sair de dentro de casa, ela pega para ele as correspondências. Esse vizinho, terá um papel fundamental na vida de Mary. Um outro vizinho também, um menino grego. Que também é um excluído pelos colegas, por ser gago. Mary tem uma sede de aprender. E além de chocolate, adora leite condensado. Gostaria de ter uma amiguinha com quem pudesse conversar e brincar.do filme Síndrome de Asperger. Mas um problema ainda desconhecido na época. Dai, era tido como maluco.

Agora o Max: tem 44 anos de idade. Vive sozinho na companhia de um periquito, um gatinho que perdeu um dos olhos por maldade de crianças, alguns caracóis e um peixinho que devido ao pânico de Max… Bem, peixinho morto, peixinho posto. Além de uma vizinha que é cega, mas não está nem ai para isso. O problema, é que não admitindo ser cega, acaba não se adequando a sua realidade. Ocasionando certas situações… Max, padecia de Síndrome de Asperger. Mas um problema ainda desconhecido na época. Dai, era tido como maluco.

Mary e Max – Uma Amizade Diferente é um filme que deixa uma vontade de uma análise mais detalhada. Ele é daqueles filmes que machucam, mais ainda por ser baseado numa estória real. É lento. Indicado também para quem gosta de ouvir a estória de vida de uma pessoa. Embora triste, nos leva a amá-los.

Num tempo onde o 3D virou uma febre, talvez uma animação com personagens de massinhas, e meio toscas, não irá atrair o grande público. Pena! Pois estarão perdendo um excelente filme! Com um final emocionante! Assistam!

Elenco:
Vozes na versão original de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries.

Curiosidades:
Dos criadores do vencedor do Oscar de curta de animação ‘Harvie Krumpet’.

Trailer:

Resumo: Baixar Filme Mary e Max – Uma Amizade Diferente
Título original: Mary and Max
Download do Filme Mary e Max – Uma Amizade Diferente
Gênero: Animação
Direção: Adam Elliot
Duração: 90 min.
Distribuidora: PlayArte Pictures

Tamanho: 700 MB
Formato: Avi
Qualidade de Vídeo: Dvdrip
Idioma: Inglês

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Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Para que nos nunca esqueçamos …

Olá Amigos

Hoje é dia 9 de agosto, um dia para que a humanidade nunca se esqueça do maior ataque nuclear ocorridos em Hiroshima e Nagasaki onde cerca de 80 mil pessoas morreram em Nagasaki por conta do ataque e em Hiroshima, onde o número de mortos chegou a cerca de 140 mil, realizado pelos Estados Unidos.

O lançamento da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki completou 65 anos. O ataque americano devastou as cidades japonesas. Eram 8:15 da manhã e é um dia de lembrar de um dos episódios mais trágicos da história, o primeiro ataque atômico do mundo.

O Japão, foi o único país a ter sido bombardeado em duas ocasiões com armas nucleares – em 6 de agosto de 1945 em Hiroshima e em 9 de agosto de 1945 em Nagasaki na qual milhares de civis foram literalmente pulverizados.

“Little Boy”, apelido dado pelos soldados americanos à bomba de urânio de quatro toneladas jogada sobre Hiroshima, explodiu a várias dezenas de metros do solo com uma luz cegante, desprendendo uma onda expansiva e um calor de vários milhares de graus que reduziu todos os seres vivos ao estado de cinzas num raio de várias centenas de metros.

Nos como educadores não podemos deixar de falar e comentar com os nossos alunos a importancia da luta contra as armas nucleares e s destruição de todas elas do planeta. Uma sugestão é passar aos alunos o documentário exibido pelo canal de TV paga HBO intitulado Clarão / Chuva Negra: A Destruição de Hiroshima e Nagasaki (White Light/Black Rain: The Destruction of Hiroshima and Nagasaki) (aqui para baixar o filme com legendas ou aqui em torrent) .

A sinopse do filme conta que em 6 de agosto de 1945, duas bombas atômicas vaporizaram 210.000 pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Aquelas que sobreviveram são chamadas “hibakusha” – pessoas expostas à bomba – estima-se que cerca de 200.000 ainda estejam vivas. Hoje, com a ameaça real de armas de destruição em massa – o arsenal mundial é capaz de repetir a destruição de Hiroshima mais de 400.000 vezes. O cineasta vencedor do Oscar, Steven Okazaki, revisita os locais dos bombardeios e compartilha as histórias das únicas pessoas que sobreviveram a um ataque nuclear. O filme recebeu os prêmios de vencedor do Emmy 2008; indicado em Sundance e ao prêmio do Sindicato dos Produtores.

Devemos sempre nos fazer a pergunta que Tsutomu Yamaguchi, único sobrevivente oficialmente reconhecido das bombas atômicas que devastaram Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial fez a James Cameron e ao autor norte-americano Charles Pellegrino, que está trabalhando em um livro sobre os sobreviventes da bomba de Hiroshima, disse que Yamaguchi desejava que Cameron passasse adiante, por meio de um filme, a história de sua vida.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QC3Evh20rgU&hl=pt_BR&fs=1]

Yamaguchi segurou a mão dos dois e disse: “Que benefício a bomba atômica trouxe? Eu quero passar o bastão a vocês, para que vocês possam passá-lo para todas as outras pessoas.

Yamaguchi morreu aos 93 anos, devido a complicações de um câncer de estômago, efeito colateral da bomba atômica.

Que possamos ensinar aos nossos alunos que nada justifica uma guerra ou a destruição de uma bomba atômica. Que a PAZ seja sempre cultivada nos corações dos homens e que o dialogo permeie todos os conflitos no mundo.

Abraços e PAZ a todos

Equipe NTE Itaperuna

Presente do Futuro: o cinema como janela para o mundo

“O  que realmente me deixa feliz não é o fato de saber como as pessoas me viram, mas como viram minha cidade. O Brasil inteiro percebeu que dentro do Brasil existem vários Brasis. Manari é um deles”, Valéria Fagundes.

valeria-fagundes
Por Marcus Tavares

Talvez, você se lembra dela. Valéria Fagundes era uma jovem estudante do interior de Pernambuco. Morava em Manari, que possuía o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. A história dela foi uma de muitas retratadas pelo  documentário Pro Dia Nascer Feliz, do diretor João Jardim. O filme estreou, aqui no Rio, em janeiro de 2007.

Na ocasião, tive a oportunidade de entrevistar o diretor.  Segundo ele, trata-se de um documentário investigativo que mostra que não existem padrões de escolas, mas realidades complexas que envolvem alunos, professores e sistemas públicos e privados de educação. De certa forma, o conteúdo das cenas não é muito diferente das histórias que já foram publicizadas pela mídia. Mas, o fato é que elas estão todas reunidas numa costura narrativa simples, objetiva e sem ser piegas.

Passados três anos e em comemoração ao Dia da Criança no Rádio e na TV, uma data festiva coordenada há mais de 15 anos pelo Unicef, que tem o objetivo de dar vez e voz, na mídia, ao público infantil, resolvi conversar com Valéria. Afinal, o que aconteceu com aquela jovem estudante que lutava, no agreste de Pernambuco, contra todas as dificuldades para estudar? A partir do momento em que sua história ganhou as telas do país sua vida mudou? Qual foi o impacto do cinema na sua vida?

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como você foi ‘parar’ no filme Pro Dia Nascer Feliz?
Valéria Fagundes
– O filme aborda as condições de ensino em todo o Brasil. Então o diretor [João Jardim] foi até a minha cidade para ver como funcionava a educação na cidade de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do país, Manari [ dados de 2000]. Ao chegar à cidade, o João percebeu uma aglomeração de alunos em frente à casa do prefeito. Estávamos reivindicando transporte escolar. O diretor conversou com vários jovens, inclusive comigo. Depois ele nos acompanhou no caminho para escola e durante as aulas. E aí foi selecionando os personagens.

revistapontocom – Você tinha ideia do que era uma produção de cinema?
Valéria Fagundes
– Para falar a verdade nunca tinha ido ao cinema nem imaginava como seria uma produção cinematográfica. O diretor não nos disse que aqueles depoimentos estariam mundo afora,embora a presença da equipe do filme tenha causado o maior reboliço na cidade.

revistapontocom – Como foi “da noite para o dia” se ver na tela do cinema e sob os holofotes da imprensa?
Valéria Fagundes
– Foi um choque! A primeira vez que me vi na telona foi em Recife. Quando acabou a sessão, as pessoas me abraçavam. Certa vez, uma mulher me disse: se eu pudesse, botava essa menina no bolso e levava pra casa [risos]. Não entendia direito porque causava esse tipo de sentimento nas pessoas. Mas também não queria que me vissem como uma coitadinha. Apesar de tudo e da vida árdua, parte do que sei e do que sou  aprendi com aquele povo e naquelas condições. Eu vivia ali no meio daquela realidade e sabia que não era nada fácil. Mas quando essa mesma realidade foi projetada é que a ficha caiu. Manari passou a ser capa de revista, notícias de jornal. De repente, me vi dando entrevista, aparecendo na TV.

revistapontocom – O fato de você ter aparecido no filme mudou a sua vida?
Valéria Fagundes
– Costumo dizer que minha vida pode ser dividida antes e depois do filme. A partir da aparição no documentário, comecei a viajar e conhecer praticamente todos os estados do país. Conheci pessoas importantes e principalmente ampliei minha visão sobre o mundo. Na verdade, o filme abriu algumas portas. Então comecei a projetar meu futuro por meio dessas oportunidades.

revistapontocom –  Mudou, inclusive, a sua maneira de pensar?
Valéria Fagundes
– Com certeza. Minha maneira de pensar mudou de tal forma que não pude continuar em Manari, porque a maioria das pessoas já se acomodou com aquela realidade e não vislumbra  possibilidade de mudança. Então cheguei ao um ponto que precisei sair e trilhar outro caminho. As pessoas pensam de forma muito limitada. O que elas sabem é o que é transmitido pela grande mídia. Elas absorvem e pronto. Nunca param pra questionar  porque Manari ainda permanece nesse panorama ruim. Nem as crianças nem os jovens sabem quais são os seus direitos. Esse pensamento limitado vai sendo transmitido.

revistapontocom – As pessoas viram você de forma diferente depois do filme?
Valéria Fagundes
– Acredito que sim. As pessoas perceberam que tudo aquilo que eu dizia começava a fazer sentido. Meus professores começaram a entender que existem várias outras valérias que estão à espera de uma oportunidade para fazer da sala de aula um ambiente mais agradável.  O que realmente me deixa feliz não é o fato de saber como as pessoas me viram, mas como viram minha cidade. O Brasil inteiro percebeu que dentro do Brasil existem vários Brasis. Manari é um deles.

revistapontocom – Que importância o cinema teve para você?
Valéria Fagundes
– O cinema projetou a história de minha cidade que até então era desconhecida. Projetou minha história e possibilitou o encontro do meu sonho com a realidade.

revistapontocom – Depois de três anos do filme, a Valéria….
Valéria Fagundes
– Sou outra pessoa no mesmo retrato. Muitas coisas daquela Valéria do filme ainda mantenho, mas foi preciso abrir mão de outras  para me manter firme e forte aqui na selva de concreto. Estou cursando o 6º período do curso de jornalismo, escrevendo um livro sobre minha vida e trabalhando com midiaeducação. Recentemente, inscrevi um roteiro num edital da Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Cultural de Pernambuco. O roteiro foi selecionado e vou dirigir um curta sobre a história de Manari.

Fonte: http://www.revistapontocom.org.br/?p=2475

Pro dia nascer feliz


A educação brasileira em fotogramas

Duas-meninas-morenas-à-frente-da-escola
 
Em 1960 o Brasil tinha, aproximadamente, 14 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar. Deste total, apenas 50% conseguia ter acesso à educação… A publicidade oficial da época, ciente do fato, criou propaganda através da qual falava da necessidade deste contingente de excluídos da escola chegar às salas de aula e como isto melhoraria a vida do país… Acreditava-se piamente que o caminho mais certo para o desenvolvimento político, social e econômico passava pelas vias escolares…
“Pro Dia Nascer Feliz”, documentário de João Jardim, produzido entre os anos de 2005 e 2006, procura dar uma visão do que ocorreu mais de 40 anos depois, quando os dados oficiais nos dizem que 97% das crianças e adolescentes em idade escolar estão tendo a oportunidade de estudar. Para tanto, o diretor e sua equipe de produção se propuseram a acompanhar a realidade de seis unidades educacionais, localizadas em diferentes estados brasileiros, todas equiparadas apenas pelo fato de serem escolas públicas.
Este “retrato” da educação brasileira, com apenas três anos, constitui documento de valor inestimável para entendermos um pouco da realidade das escolas do país, de suas carências materiais às dificuldades de trabalho dos professores, da impossibilidade de chegar às escolas por falta de transporte à arcaica e ideologizada metodologia de ensino.
Ao assistirmos ao filme, o que salta aos olhos é, a princípio, a carência material e infraestrutura precária das escolas (exceto no caso da escola de São Paulo). Em quase 2 mil unidades educacionais do país (num universo de 210 mil escolas), conforme dados do MEC/INEP (2004), não há água encanada. Se não bastasse este dado alarmante, há ainda 13,7 mil escolas em que não há banheiros… Paredes sujas, carteiras jogadas no pátio ou nos cantos e ausência de qualquer tipo de instalação de apoio, suporte ou incentivo ao estudo – como quadras, laboratórios e salas de computação, além de grades por todos os lados dão uma ideia do descalabro da educação.
Jovens-em-sala-de-aula-conversando-sendo-uma-jovem-loira-batendo-com-aregua-num-jovem-negro-que-esta-rindo
O que era para ser um ambiente acolhedor, motivador, que criasse uma experiência instigante, interessante e desafiadora para os alunos em seu processo de construção do conhecimento torna-se, então, um espaço que, ao contrário, rechaça, dificulta e acaba, na realidade, promovendo a evasão, o desinteresse, a vontade de não estudar…
Há também o descompromisso dos pais e da comunidade… As escolas não lhes apetecem, não são vistas por eles como parte primordial do núcleo onde residem… Os filhos devem frequentá-la, pois há um compromisso social assumido e, ainda, persiste a ideia de que isto pode lhes ser útil no futuro. A ilusão de que tudo mudará a partir da educação não existe mais, pelo menos não da forma como foi trabalhada há 40 anos pelos governos da época.
Como a comunidade está ausente, abre-se espaço para que outras forças se façam presente. É o que se vê no Rio de Janeiro (e em regiões periféricas de cidades de médio e grande porte), onde quem dá as cartas é, muitas vezes, o traficante local. A força destes marginais oprime os professores e dá demonstrações aos adolescentes e jovens de que o estudo, por si só, não lhes garante nada, enquanto a venda de drogas e a manipulação de armas de fogo podem lhes conferir poder, dinheiro, respeito, temor por parte de seus pares…
O documentário igualmente prima por nos colocar em contato com a fala dos alunos e dos professores. Dos estudantes percebemos a violência e a rudeza que surgem da necessidade de sobreviver em ambiente no qual não há espaço para a candura, a inocência ou a bondade e o respeito pelo próximo. Quanto mais urbana é a escola, maior é a competição feroz e o medo que acaba por se estabelecer – a exceção é a escola paulistana, na qual os pais de classe média, com melhor situação social, dão a seus filhos melhores condições e estímulo quanto ao estudo (o que é corroborado pelo mercado de trabalho competitivo e seletivo que encontrarão depois de formados).
Jovens-conversando-e-rindo-muito
A fala dos estudantes, quanto mais pobre e sem perspectivas é a escola, demonstra o quanto sua educação é fraca, desprovida de maiores elementos culturais, pautada apenas em bases primárias. Há exceções, é claro, como a garota que se encantou desde cedo com os livros de Vinícius de Morais, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade… O que, de certo modo, demonstra o quanto a leitura faz diferença na vida de uma pessoa…
Quanto aos professores, nos rincões do país, faltam-lhes melhor formação e condições de trabalho. Seus salários são baixos, seus equipamentos de trabalho são escassos, sua motivação é igualmente rara e, se não fosse a necessidade de se manter, é possível que muitos viessem a desistir. Mas, como dizia Euclides da Cunha “o sertanejo é um forte”, o que vale tanto para estes professores quanto para seus alunos.
Nas áreas urbanas, por sua vez, novamente excetuando a escola de classe média paulistana, o que se percebe muito forte é o descontentamento, a falta de perspectivas, as condições pouco apropriadas para o trabalho e a perda de engajamento e amor à profissão… Muitos professores faltam de forma abusiva (contabiliza-se, segundo dados da rede estadual paulista para o Ensino Médio, até 30 faltas por docente a cada ano), tantos outros daqueles que vão cumprem o básico (batem o cartão, literalmente) e há ainda, felizmente, os heróis da resistência que continuam a acreditar na educação e trabalham com afinco. Não deixaram de ser críticos, demonstram algum ceticismo, mas não bateram em retirada e tampouco esmoreceram…
De qualquer modo, “Pro Dia Nascer Feliz” deveria ser obra obrigatória nas escolas, comunidades e, também, pré-requisito para todos os políticos brasileiros que estão exercendo mandato ou que futuramente estarão… Quem sabe assim eles não criam vergonha na cara e realmente se mexam para que as escolas deste país não apenas tenham suas salas cheias de alunos, mas que também possam oferecer educação de qualidade!
Cartaz-de-Pro-Dia-Nascer-Feliz
Ficha Técnica
Pro dia nascer feliz

País/Ano de produção: Brasil, 2006
Duração/Gênero: 88 min., Documentário
Direção de João Jardim
Roteiro de João Jardim

Links
http://www.adorocinema.com/filmes/pro-dia-nascer-feliz
http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=12482
http://www.cinerevista.com.br/nacional/Prodianascerfeliz.htm

videos-relacionados
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uxEQhcZNHfM&hl=pt-br&fs=1&]

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1679

“Lifes For Sharing”

Olá Amigos

Assisti agora o outro vídeo T-Mobile Advert “Lifes For Sharing”, que da título a postagem que é muito bom. Só tem uma palavra para descrever o vídeo: Contagiante. Igual a vírus de gripe suína o vídeo é demais de contagiante e inteligente, logico que o produto (olha ai de novo) celular estava a venda, mas mesmo assim achei muito legal a mensagem do vídeo. O anuncio foi filmado as 11 horas de uma quinta-feira do dia 15 de janeiro de 2009 na estação Liverpool Street, Londres ( durante a hora do rush). Isso fora a trilha sonora muito boa. Repara na reação das pessoas em volta.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mUZrrbgCdYc&rel=1&fs=1&showsearch=0&hd=0]
Na trilha sonora rola Lulu – Shout, Yazz – The only way is up, Pussycat Dolls – Don’t cha, Valsa Vienense, Kool & the Gang, Rainbow – Since you’ve been gone, Millie Small – My Boy Lollipop e Contours – Do you love me.

Olha, vira e mexe assisto o vídeo e quando vejo estou dançando na sala.

Recomendo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

“Lifes For Sharing”

Olá Amigos

Assisti agora o outro vídeo T-Mobile Advert “Lifes For Sharing”, que da título a postagem que é muito bom. Só tem uma palavra para descrever o vídeo: Contagiante. Igual a vírus de gripe suína o vídeo é demais de contagiante e inteligente, logico que o produto (olha ai de novo) celular estava a venda, mas mesmo assim achei muito legal a mensagem do vídeo. O anuncio foi filmado as 11 horas de uma quinta-feira do dia 15 de janeiro de 2009 na estação Liverpool Street, Londres ( durante a hora do rush). Isso fora a trilha sonora muito boa. Repara na reação das pessoas em volta.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mUZrrbgCdYc&hl=pt-br&fs=1]
Na trilha sonora rola Lulu – Shout, Yazz – The only way is up, Pussycat Dolls – Don’t cha, Valsa Vienense, Kool & the Gang, Rainbow – Since you’ve been gone, Millie Small – My Boy Lollipop e Contours – Do you love me.

Olha, vira e mexe assisto o vídeo e quando vejo estou dançando na sala.

Recomendo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Projeto Cinema no Caldeirão – 02/05

Olá amigos

O filme de hoje do Projeto Cinema no Caldeirão é o “Felicidade não se Compra” do fantástico diretor Frank Capra com James Stewart e Donna Reed (1 Globo de Ouro de 1946). Além de ser um dos grandes clássicos do cinema mundial e ser um filme constante em qualquer relação dos melhores filmes de todos os tempos o filme tem uma qualidade que está esquecida um pouco nesses tempos de crise mundial: Amor e esperança.

http://www.jafilmes.com/site_2008/secoes/belem/noticias_belem/iap/12_dezembro_08/felicidade-nao-se-compra-poster02.jpg

Atualmente há lições mais importantes a serem dadas em qualquer aula, escola ou momento que não aquelas que falem direto ao coração sobre solidariedade, fraternidade e humanidade. O corre corre do dia a dia em sala de aula faz com que esqueçamos um pouco disso. Precisamos resgatar esses valores que são esquecidos um pouco por causa das exigências que recaem sobre o profissional de educação.

http://vidaordinaria.com/wp-content/uploads/2008/12/felicidade-nao-se-compra.jpg

Levar valores imprescindíveis para a formação de nossos estudantes e não somente conteúdos programados são sim atribuições do profissional de educação. Devemos ser mestres não apenas da matemática, da geografia ou do inglês, temos que aperfeiçoar também as qualidades humanas, dar mais valor e realce, sobretudo a capacidade de se doar, de ser fraterno, de ser sincero. Tudo em favor de um mundo mais justo e melhor, onde a felicidade seja mais que um sonho…

http://receioderemorso.files.wordpress.com/2008/12/10103849.jpg

Como fazer isso? Segundo diz o João Almeida faça assim: “Incorpore a sua prática profissional o hábito de estimular leituras que relatem momentos e realizações solidárias, mesmo que isso signifique “sacrificar” alguns momentos por semana ou quinzena. Aproxime esses temas de suas aulas. Quantifique se for em exatas, compare com a história, forneça como temática para projetos, utilize como tema para redações ou leitura de clássicos. Essas ações serão lembradas para sempre por seus alunos e, se devidamente trabalhadas, irão se incorporar a suas vidas, a seu cotidiano.

http://cinemanamangueirosa.zip.net/images/Felicidade_Nao_Se_Compra2.gif

Perfeito. Agora uma dica: o filme vai passar na SKY ou NET no Telecine Classic canal 65 no domingo dia 03 de maio as 7:50 da manhã, vale a pena acordar mais cedo para assistir. Imperdível

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Projeto Cinema no Caldeirão – 02/05

>Olá amigos

O filme de hoje do Projeto Cinema no Caldeirão é o “Felicidade não se Compra” do fantástico diretor Frank Capra com James Stewart e Donna Reed (1 Globo de Ouro de 1946). Além de ser um dos grandes clássicos do cinema mundial e ser um filme constante em qualquer relação dos melhores filmes de todos os tempos o filme tem uma qualidade que está esquecida um pouco nesses tempos de crise mundial: Amor e esperança.

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Atualmente há lições mais importantes a serem dadas em qualquer aula, escola ou momento que não aquelas que falem direto ao coração sobre solidariedade, fraternidade e humanidade. O corre corre do dia a dia em sala de aula faz com que esqueçamos um pouco disso. Precisamos resgatar esses valores que são esquecidos um pouco por causa das exigências que recaem sobre o profissional de educação.

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Levar valores imprescindíveis para a formação de nossos estudantes e não somente conteúdos programados são sim atribuições do profissional de educação. Devemos ser mestres não apenas da matemática, da geografia ou do inglês, temos que aperfeiçoar também as qualidades humanas, dar mais valor e realce, sobretudo a capacidade de se doar, de ser fraterno, de ser sincero. Tudo em favor de um mundo mais justo e melhor, onde a felicidade seja mais que um sonho…

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Como fazer isso? Segundo diz o João Almeida faça assim: “Incorpore a sua prática profissional o hábito de estimular leituras que relatem momentos e realizações solidárias, mesmo que isso signifique “sacrificar” alguns momentos por semana ou quinzena. Aproxime esses temas de suas aulas. Quantifique se for em exatas, compare com a história, forneça como temática para projetos, utilize como tema para redações ou leitura de clássicos. Essas ações serão lembradas para sempre por seus alunos e, se devidamente trabalhadas, irão se incorporar a suas vidas, a seu cotidiano.

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Perfeito. Agora uma dica: o filme vai passar na SKY ou NET no Telecine Classic canal 65 no domingo dia 03 de maio as 7:50 da manhã, vale a pena acordar mais cedo para assistir. Imperdível

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

A Felicidade Não Se Compra

Quando somos verdadeiramente ricos

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Poucas pessoas percebem, ao longo de suas vidas, qual é a maior de todas as riquezas que possuímos. O cinema também tem trabalhado muito pouco o tema, priorizando muito mais as desgraças e desventuras que a felicidade e as realizações. É por isso que “A Felicidade Não Se Compra”, filme de 1946, realizado por Frank Capra (um dos maiores cineastas de todos os tempos), se eternizou na memória de muitos apreciadores da sétima arte e também daqueles que de forma incessante buscam uma vida mais pródiga e feliz.

James Stewart e Donna Reed protagonizam uma história que muitos de nós gostaríamos de viver. Não, nem tudo são rosas. Há turbulências, desvios, erros e problemas como na vida de qualquer um de nós. O fundamental, porém, é que impera a humanidade nas relações entre as pessoas em detrimento de interesses pessoais mesquinhos. A ambição, que costuma envenenar ambientes familiares ou profissionais, dá espaço para relações mais fraternas e solidárias a partir da ação de pessoas comuns, como eu ou você.

E o mais impressionante para muitos é perceber que o verdadeiro “amor ao próximo” não precisa de embalagens vistosas para deslumbrar. Essa forma poderosa de ação pode ser efetivada a partir das ações que desempenhamos em nosso cotidiano. Adicionar um pouco de esperança e otimismo ao dia a dia de cada um de nós pode representar muito para as pessoas que se sentam ao lado na mesa do jantar ou no escritório em que trabalhamos.

Já ouvi muitas pessoas dizerem que reconhecem uma pessoa pelo semblante, pelas linhas que marcam seu rosto. Concordo com elas. Sou capaz de perceber quando meus filhos, esposa, amigos ou mesmo alunos e colegas de trabalho não estão vivendo um bom momento apenas pela expressão de seus rostos. Garanto que muitas pessoas que estão lendo esse artigo também podem fazer isso.

A alegria, a capacidade de superação, a fé e a valorização da vida e de tudo aquilo que somos e representamos para outras pessoas tem que ser a tônica de nossas vidas. Uma das mais poderosas lições do filme “A Felicidade Não Se Compra” reside justamente na idéia de nossa importância pessoal, ou seja, de como nossa existência pode afetar de modo positivo a vida de outras pessoas.

É claro que não somos anjos, nem mesmo de 2ª classe (quem assistir o filme entenderá essa colocação). Somos seres humanos, de carne e osso, fadados a errar (e com os erros também podemos e devemos aprender) e, do mesmo modo, destinados a acertar tantas outras vezes. O importante é que queiramos sempre fazer o melhor, dividir com as outras pessoas aquilo que podemos dar que represente nossos sentimentos mais puros e genuínos de humanidade, justamente a solidariedade, a compaixão, a fraternidade, a paz e o amor…

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O Filme

Um sonho acompanha a trajetória do jovem George Bailey (James Stewart, um dos maiores ícones do cinema americano) desde seus anos de infância, viajar e conhecer o mundo para ajudar a melhorá-lo com grandes construções como pontes e edifícios. Sua vida, entretanto, marcada por inúmeros percalços não irá permitir que suas aspirações se concretizem. Desde cedo, quando ainda era menino, George consolida sua vida como a de uma pessoa que está por perto para ajudar ao próximo. Não de forma totalmente consciente do valor dessa participação fraterna e solidária. Desprovido de qualquer busca de valorização ou reconhecimento em função de suas ações, movido somente pelo bom coração que possui.

Por esse motivo, George é capaz de ajudar pessoas como seu primeiro patrão a não cometer um grave erro como farmacêutico manipulador de remédios ou ainda salvando a vida de seu irmão mais novo. Sua grandeza é realçada na defesa de pessoas pobres que com dificuldade tentam construir o grande sonho de suas humildes vidas, ter uma casa própria. Nesse sentido, apesar do desconforto dessa situação, George assume a firma de seu pai. É do pai, inclusive, que ele herda a noção de justiça e compaixão, abdicando dos lucros em favor de uma vida modesta desde que isso lhe garanta um sono dos mais tranqüilos.

Suas alegrias, apesar de alguns contratempos causados pela falta de dinheiro ou ainda pela deslealdade do homem mais rico da cidade, o senhor Potter (Lionel Barrymore), são ainda maiores a partir de seu casamento com a bela Mary (Donna Reed) e com o nascimento dos filhos. Nesse momento tudo parece caminhar para um final dos mais felizes. É quando o acaso resolve lhes pregar uma peça e faz com que o dinheiro que garantiria os saldos e o cumprimento dos contratos de sua firma simplesmente desaparece…

Acuado pelas dívidas e pela possibilidade de ser preso, George fica desesperado e pensa em tirar sua vida para resgatar um seguro de vida que poderia assegurar a sobrevivência de sua firma e o nome de sua família. O que fazer quando sua vida parece não ter valido a pena? E se eu não tivesse nem ao menos existido, tudo seria muito melhor, não seria? Será que a minha vida foi de alguma forma importante para alguém?

Partindo dessa premissa, a de que nossa existência é fundamental para o equilíbrio e para a felicidade de muitas outras vidas, que Frank Capra consolida um dos mais celebrados clássicos do cinema mundial. Imperdível!

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Aos Professores

• Não há lições mais importantes a serem dadas em qualquer aula, escola ou momento que não aquelas que falem direto ao coração sobre solidariedade, fraternidade e humanidade. Temos nos esquecido disso. Os conteúdos têm exigido tanto de nós, professores, que deixamos de agitar bandeiras imprescindíveis para a formação de nossos estudantes. E não apenas como discursos vazios, desprovidos de significado, de sentido. Até mesmo pelo fato de que nossa existência perde completamente o sentido se nós mesmos não realizamos tais atitudes, se não incorporamos o sentido do auxílio, se não vivenciamos a humanidade que se espera de nós. Somos os mestres não apenas da matemática, da geografia ou do inglês, temos que aperfeiçoar também as qualidades humanas, dar mais valor e realce, sobretudo a capacidade de se doar, de ser fraterno, de ser sincero. Tudo em favor de um mundo mais justo e melhor, onde a felicidade seja mais que um sonho…

• Como fazer isso? Incorpore a sua prática profissional o hábito de estimular leituras que relatem momentos e realizações solidárias, mesmo que isso signifique “sacrificar” alguns momentos por semana ou quinzena. Aproxime esses temas de suas aulas. Quantifique se for em exatas, compare com a história, forneça como temática para projetos, utilize como tema para redações ou leitura de clássicos. Essas ações serão lembradas para sempre por seus alunos e, se devidamente trabalhadas, irão se incorporar a suas vidas, a seu cotidiano.

• Que tal trabalhar o mote principal do filme com seus alunos, ou seja, realizar uma atividade de reflexão em torno da questão central que é: como seria o mundo se você não estivesse por aqui? Para isso é necessário que os estudantes vejam o filme e depois discutam em sala as repercussões da existência pessoal sobre a instância coletiva. O que se pretende é que eles percebam que nossas atitudes e ações influenciam a vida de muitas e muitas pessoas. E que, a partir daí, revejam suas vidas para fazer com que de suas existências floresça a felicidade…

• O que acham de tentar criar um projeto solidário a partir da escola e consolidá-lo como uma prática regular na vida da cidade? Que tal estabelecer um projeto, de comum acordo com os outros professores e com a direção da escola, para que sejam feitas doações de alimentos, agasalhos, remédios ou mesmo de tempo e carinho para pessoas que realmente precisam muito disso?

Ficha Técnica

A Felicidade Não Se Compra (It`s a Wonderful Life)

País/Ano de produção: EUA, 1946
Duração/Gênero: 129 min., Drama
Direção de Frank Capra
Roteiro de Frank Capra, Albert Hackett e Frances Goodrich
Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers, Beulah Bondi, Frank Fayden, Ward Bond, Gloria Grahame.

Links

http://www.adorocinema.com/filmes/felicidade-nao-se-compra/felicidade-nao-se-compra.asp

http://parceiros.cineclick.com.br/cinemateca/ficha_filme.php?id_cine=325

http://www.webcine.com.br/filmessc/felicnao.htm

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=336