E vale a pena ser professor?


João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

>E vale a pena ser professor?

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João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

Novos tempos, novos profissionais


Alexandre Mendes

Um assunto que gosto muito de conversar é sobre o impacto das novas tecnologias em nossas vidas, sobre o que estamos vivenciando no dia-a-dia e não nos damos conta, sobre a transposição de uma linha imaginária entre passado e futuro, bastando para isto ver como mudaram as comunicações e a sociedade, por exemplo. O mundo está mudando, ele diminuiu, e muitos conceitos mudaram, como o trabalho, o tempo e o espaço.

Neste ritmo rápido de mudanças, quantos nomes surgem em nossa mente: século XXI, Internet, relações comerciais diferenciadas, globalização, diferenciação, a “nova empresa” ou empresa “inteligente”, automatização, voz do Cliente.

Hoje vemos profissionais trabalhando sem o esquema tradicional de alocação e sim com tarefas a serem cumpridas, sem a obrigatoriedade de horários rígidos e dias previamente acordados. Este profissional trabalha em seu microcomputador, via Internet, em conjunto com outro colega de sua equipe, sem problemas de horário (fuso horário) e de local (um em cada país, por exemplo), desenvolvendo mais um projeto para a empresa.

O profissional agora precisa ter outra mente, postura e atitude, procurando o tal diferencial. Por outro lado a empresa quer um funcionário versátil, que compartilha o seu conhecimento pensando no todo. Agora eles passam a ser “sócios”, ficando claro para ambos que existe uma forte dependência , que deverá ser tratada da melhor maneira. Hoje as empresas sabem que precisam gerenciar o seu ativo mais precioso e mais cobiçado – o conhecimento.

Há muito se investe em pesquisa do perfil do cliente, de forma a conquistá-lo seja através de ofertas, prêmios, descontos ou novos produtos. A empresa, ao ter em suas mãos informações do cliente, passa a tratá-lo como um valioso bem. Ela quer retê-lo o maior tempo possível e sabe que isto não é das tarefas mais fáceis. O importante agora não são só os dados pessoais, mas também seus gostos, preferências e estilo. É preciso conhecê-lo, surpreendê-lo, conquistá-lo.

Mas afinal, o que é conhecimento? Pelo o que vimos até agora, fica claro que ele toma importante papel na Organização e o momento atual é de criar, descobrir, pesquisar. Mas como lapidar tal “diamante”? Como transformar informação em conhecimento? Como disponibilizar este conhecimento de forma que um outro indivíduo possa facilmente acessá-lo? Podemos separar informação e indivíduo?

Até!

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/3684/tendencias/novos_tempos_novos_profissionais/

>Novos tempos, novos profissionais

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Alexandre Mendes

Um assunto que gosto muito de conversar é sobre o impacto das novas tecnologias em nossas vidas, sobre o que estamos vivenciando no dia-a-dia e não nos damos conta, sobre a transposição de uma linha imaginária entre passado e futuro, bastando para isto ver como mudaram as comunicações e a sociedade, por exemplo. O mundo está mudando, ele diminuiu, e muitos conceitos mudaram, como o trabalho, o tempo e o espaço.

Neste ritmo rápido de mudanças, quantos nomes surgem em nossa mente: século XXI, Internet, relações comerciais diferenciadas, globalização, diferenciação, a “nova empresa” ou empresa “inteligente”, automatização, voz do Cliente.

Hoje vemos profissionais trabalhando sem o esquema tradicional de alocação e sim com tarefas a serem cumpridas, sem a obrigatoriedade de horários rígidos e dias previamente acordados. Este profissional trabalha em seu microcomputador, via Internet, em conjunto com outro colega de sua equipe, sem problemas de horário (fuso horário) e de local (um em cada país, por exemplo), desenvolvendo mais um projeto para a empresa.

O profissional agora precisa ter outra mente, postura e atitude, procurando o tal diferencial. Por outro lado a empresa quer um funcionário versátil, que compartilha o seu conhecimento pensando no todo. Agora eles passam a ser “sócios”, ficando claro para ambos que existe uma forte dependência , que deverá ser tratada da melhor maneira. Hoje as empresas sabem que precisam gerenciar o seu ativo mais precioso e mais cobiçado – o conhecimento.

Há muito se investe em pesquisa do perfil do cliente, de forma a conquistá-lo seja através de ofertas, prêmios, descontos ou novos produtos. A empresa, ao ter em suas mãos informações do cliente, passa a tratá-lo como um valioso bem. Ela quer retê-lo o maior tempo possível e sabe que isto não é das tarefas mais fáceis. O importante agora não são só os dados pessoais, mas também seus gostos, preferências e estilo. É preciso conhecê-lo, surpreendê-lo, conquistá-lo.

Mas afinal, o que é conhecimento? Pelo o que vimos até agora, fica claro que ele toma importante papel na Organização e o momento atual é de criar, descobrir, pesquisar. Mas como lapidar tal “diamante”? Como transformar informação em conhecimento? Como disponibilizar este conhecimento de forma que um outro indivíduo possa facilmente acessá-lo? Podemos separar informação e indivíduo?

Até!

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/3684/tendencias/novos_tempos_novos_profissionais/

Eu, professora, me confesso?


Maria Helena Ramalho| 2008-05-20

Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora com 50 anos de idade e no 29.º ano de serviço, me confesso “transportada” repentinamente para um tempo e um contexto que não são os meus.

Um tempo, algures entre um passado, que felizmente já não vivi como docente (o de ditadura), e um futuro ainda muito confuso, em que tudo parece acontecer a um ritmo alucinante e com trajectórias pautadas pela irregularidade e imprevisibilidade.

Um contexto, em que as condições materiais e espaciais escolares são das menos favoráveis de toda a minha carreira (apesar do tão falado “choque tecnológico”), em que a estrutura educativa e escolar está de tal modo verticalizada e a cadeia de transmissão de informação tão extensa e difusa que os fenómenos de entropia marcam o quotidiano, abrindo caminho a uma opacidade nada favorável a ambientes construtivos e colaborativos.

Eu, professora por opção e vocação, confesso colocar em causa o meu papel na escola de hoje. Por temperamento e circunstâncias diversas, sempre tive uma postura discreta (excessivamente, segundo alguns), sempre me bastou o carácter sedutor e gratificante de cada aula, de cada encontro pedagógico com os meus alunos. Quando o mérito era reconhecido por pares e por superiores hierárquicos melhor, mas nunca foi (nem é) essa a preocupação da minha vida profissional. Hoje, as circunstâncias do encontro pedagógico estão tão condicionadas e são, por vezes, tão violentas, que dificilmente se consegue fruir o momento, se consegue encantar e ser encantado. Quanto ao reconhecimento do mérito por terceiros, o clima que se está a instalar na(s) escola(s) leva-me a recear que não só tenha menos probabilidade de acontecer como, pior ainda, possa a subserviência vir a ser considerada `mérito’.

Eu, professora, confesso saber ler, interpretar, detectar incongruências… pensar. Confesso saber (no sentido, também, de `estar convencida’) que o ensino-aprendizagem para qualquer ser humano (aluno, professor…) tem de ser faseado e tem de fazer sentido, sob pena de não ocorrer verdadeira aprendizagem. Assim, ninguém vive dignamente a sua profissão numa cadência desenfreada de alterações profundas, num sistema top-down e em cascata, com a agravante das incongruências se sucederem ao mesmo ritmo das orientações/determinações superiormente emanadas. Na melhor das hipóteses sobrevive-se à custa de manipulação de dados e de subversão de princípios.

Eu, professora, me confesso (ainda) disposta a lutar para que a escola se paute pela seriedade e dignidade, pelo binómio ensinar-aprender, num contexto de formar e crescer. Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora, me questiono…
– Contribuí para este estado da situação? Espero que não.
– Fui conivente com ele? Talvez em parte, por omissão e desorientação nos primeiros meses do meu “reencontro” com a escola.
– Posso alterá-lo? Quero acreditar que sim, certa de que só o poderei fazer se não estiver isolada. Afinal, a escola somos nós (também) que a fazemos!

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=4DAC20983055309EE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0

>Eu, professora, me confesso?

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Maria Helena Ramalho| 2008-05-20

Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora com 50 anos de idade e no 29.º ano de serviço, me confesso “transportada” repentinamente para um tempo e um contexto que não são os meus.

Um tempo, algures entre um passado, que felizmente já não vivi como docente (o de ditadura), e um futuro ainda muito confuso, em que tudo parece acontecer a um ritmo alucinante e com trajectórias pautadas pela irregularidade e imprevisibilidade.

Um contexto, em que as condições materiais e espaciais escolares são das menos favoráveis de toda a minha carreira (apesar do tão falado “choque tecnológico”), em que a estrutura educativa e escolar está de tal modo verticalizada e a cadeia de transmissão de informação tão extensa e difusa que os fenómenos de entropia marcam o quotidiano, abrindo caminho a uma opacidade nada favorável a ambientes construtivos e colaborativos.

Eu, professora por opção e vocação, confesso colocar em causa o meu papel na escola de hoje. Por temperamento e circunstâncias diversas, sempre tive uma postura discreta (excessivamente, segundo alguns), sempre me bastou o carácter sedutor e gratificante de cada aula, de cada encontro pedagógico com os meus alunos. Quando o mérito era reconhecido por pares e por superiores hierárquicos melhor, mas nunca foi (nem é) essa a preocupação da minha vida profissional. Hoje, as circunstâncias do encontro pedagógico estão tão condicionadas e são, por vezes, tão violentas, que dificilmente se consegue fruir o momento, se consegue encantar e ser encantado. Quanto ao reconhecimento do mérito por terceiros, o clima que se está a instalar na(s) escola(s) leva-me a recear que não só tenha menos probabilidade de acontecer como, pior ainda, possa a subserviência vir a ser considerada `mérito’.

Eu, professora, confesso saber ler, interpretar, detectar incongruências… pensar. Confesso saber (no sentido, também, de `estar convencida’) que o ensino-aprendizagem para qualquer ser humano (aluno, professor…) tem de ser faseado e tem de fazer sentido, sob pena de não ocorrer verdadeira aprendizagem. Assim, ninguém vive dignamente a sua profissão numa cadência desenfreada de alterações profundas, num sistema top-down e em cascata, com a agravante das incongruências se sucederem ao mesmo ritmo das orientações/determinações superiormente emanadas. Na melhor das hipóteses sobrevive-se à custa de manipulação de dados e de subversão de princípios.

Eu, professora, me confesso (ainda) disposta a lutar para que a escola se paute pela seriedade e dignidade, pelo binómio ensinar-aprender, num contexto de formar e crescer. Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora, me questiono…
– Contribuí para este estado da situação? Espero que não.
– Fui conivente com ele? Talvez em parte, por omissão e desorientação nos primeiros meses do meu “reencontro” com a escola.
– Posso alterá-lo? Quero acreditar que sim, certa de que só o poderei fazer se não estiver isolada. Afinal, a escola somos nós (também) que a fazemos!

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=4DAC20983055309EE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0

Precisando se atualizar, professor?

Profissão Mestre

Site-Profissao-Mestre

www.profissaomestre.com.br

Uma das maiores dificuldades vividas pelos professores se refere à falta de oportunidades para obter informações a respeito da profissão que exerce. O intercâmbio que ocorre em boa parte das escolas é insuficiente para que se saiba o que ocorre entre as paredes de uma única instituição, imagine então em relação ao que ocorre em outras.

Cabe a cada escola incentivar uma comunicação mais freqüente entre os professores e integrar as ações de profissionais que trabalham com diferentes disciplinas e níveis de aprendizagem (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio). É ferramenta importantíssima essa integração e troca de informações, para a efetivação de uma educação adequada, inclusive, aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Espera-se que as escolas consigam articular projetos, unindo diferentes áreas do conhecimento e integrando seus estudantes ao mundo que os cerca, de forma a conceder-lhes condições para melhor lidar com as condições que os esperam como cidadãos e profissionais.

Se os professores não estiverem bem preparados, a repercussão de seus trabalhos pode reverter negativamente para seus pupilos.

Para aumentar suas possibilidades, além daquilo que podem obter com a troca de informações dentro do próprio ambiente escolar onde trabalham, os professores devem ler livros específicos de suas áreas de formação ou relacionados à pedagogia, informar-se através de jornais e revistas, assistir filmes na televisão e no cinema e navegar pela internet a procura de artigos, materiais de apoio, dicas e orientações para o exercício de sua profissão.

Em termos de internet, um dos sites voltados para a informação do professor é Profissão Mestre (www.profissaomestre.com.br). Trata-se de um site que disponibiliza artigos voltados especificamente para os profissionais da educação, onde há orientações para questões relacionadas às estratégias de aula, disciplina dos alunos, dicas quanto ao uso de tecnologia, motivação para o trabalho e outras temáticas que povoam o dia a dia escolar.

De visual simples e descomplicado, o que a princípio pode afastar os visitantes que anseiam por grandes efeitos visuais, o site Profissão Mestre tem na parte alta de sua homepage os canais de acesso a seu material (letras em preto, com fundo verde), onde encontramos as sessões Em Foco, O Novo Professor, Novas Tecnologias e Sala de Aula.

Cada uma delas trabalha uma área específica de interesse, sendo que, a sessão Em Foco dá destaque as questões de maior interesse no presente momento, podendo abordar temas que pertençam aos outros segmentos do site.

No Em Foco, são apresentadas matérias como:
Professor nota dez – que lista as qualidades fundamentais para que um professor seja bem sucedido em seu trabalho.
7 dicas para dar aulas melhores.
Definindo metas – onde o professor fica sabendo que para seu trabalho dar certo é necessário estabelecer prioridades.
Maneiras de aumentar a participação de seus alunos nas aulas.
Educando para a realidade.
O que eles procuram – que fala sobre as características procuradas pelas empresas para o profissional do futuro.

No setor Novo Professor, há artigos que orientam os professores quanto a caminhos que ele pode seguir para melhorar seu rendimento no trabalho, sentir-se melhor nas aulas, adaptar-se aos novos tempos e prosperar na profissão. Entre os títulos destacados, selecionei os seguintes para que se tenha uma idéia do conteúdo desse link:-
Quatro fatores para o sucesso.
Só aprende quem faz.
Adapte-se (aos novos tempos, as mudanças da educação).
Construa sua competência e trajetória pessoal.
Tarefa de Casa – que orienta na organização do trabalho escolar que deve ser desenvolvido em casa.

Ao entrar no setor destinado as Novas Tecnologias, encontram-se novas matérias, dessa vez voltadas para o uso de equipamentos que tem invadido a sala de aula e as conversas de nossos alunos, principalmente, o computador e sua principal aliada, a Internet. São artigos como:-
Internet para viagem – que explora a onda da internet, através dos telefones celulares.
Novas Mídias – em que se comenta sobre os novos equipamentos a disposição, que integram funções (computador, DVD, telefone, rádio,…).
Regras para o ensino a distância (dentro das novas tecnologias).
Literatura à distância – que fala sobre o uso do computador para um curso a distância sobre literatura destinado aos professores.

No último setor disponível, chamado de Sala de Aula, temos material voltado para metodologia de aula, relação aluno-professor, projetos,…
Veja alguns dos artigos:-
Ganhe mais tempo (para administrar melhor o seu cotidiano).
Dicas para se tornar um professor mais criativo.
Jogo de memória (estratégia de aula).
Sexo, drogas e Rock and Roll. E outros assuntos difíceis para se tratar em sala de aula.
Registro de projetos.

Professores, vale conferir as dicas do Profissão Mestre. Com elas suas aulas podem ficar ainda melhores.

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=139

>Precisando se atualizar, professor?

>

Profissão Mestre

Site-Profissao-Mestre

www.profissaomestre.com.br

Uma das maiores dificuldades vividas pelos professores se refere à falta de oportunidades para obter informações a respeito da profissão que exerce. O intercâmbio que ocorre em boa parte das escolas é insuficiente para que se saiba o que ocorre entre as paredes de uma única instituição, imagine então em relação ao que ocorre em outras.

Cabe a cada escola incentivar uma comunicação mais freqüente entre os professores e integrar as ações de profissionais que trabalham com diferentes disciplinas e níveis de aprendizagem (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio). É ferramenta importantíssima essa integração e troca de informações, para a efetivação de uma educação adequada, inclusive, aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Espera-se que as escolas consigam articular projetos, unindo diferentes áreas do conhecimento e integrando seus estudantes ao mundo que os cerca, de forma a conceder-lhes condições para melhor lidar com as condições que os esperam como cidadãos e profissionais.

Se os professores não estiverem bem preparados, a repercussão de seus trabalhos pode reverter negativamente para seus pupilos.

Para aumentar suas possibilidades, além daquilo que podem obter com a troca de informações dentro do próprio ambiente escolar onde trabalham, os professores devem ler livros específicos de suas áreas de formação ou relacionados à pedagogia, informar-se através de jornais e revistas, assistir filmes na televisão e no cinema e navegar pela internet a procura de artigos, materiais de apoio, dicas e orientações para o exercício de sua profissão.

Em termos de internet, um dos sites voltados para a informação do professor é Profissão Mestre (www.profissaomestre.com.br). Trata-se de um site que disponibiliza artigos voltados especificamente para os profissionais da educação, onde há orientações para questões relacionadas às estratégias de aula, disciplina dos alunos, dicas quanto ao uso de tecnologia, motivação para o trabalho e outras temáticas que povoam o dia a dia escolar.

De visual simples e descomplicado, o que a princípio pode afastar os visitantes que anseiam por grandes efeitos visuais, o site Profissão Mestre tem na parte alta de sua homepage os canais de acesso a seu material (letras em preto, com fundo verde), onde encontramos as sessões Em Foco, O Novo Professor, Novas Tecnologias e Sala de Aula.

Cada uma delas trabalha uma área específica de interesse, sendo que, a sessão Em Foco dá destaque as questões de maior interesse no presente momento, podendo abordar temas que pertençam aos outros segmentos do site.

No Em Foco, são apresentadas matérias como:
Professor nota dez – que lista as qualidades fundamentais para que um professor seja bem sucedido em seu trabalho.
7 dicas para dar aulas melhores.
Definindo metas – onde o professor fica sabendo que para seu trabalho dar certo é necessário estabelecer prioridades.
Maneiras de aumentar a participação de seus alunos nas aulas.
Educando para a realidade.
O que eles procuram – que fala sobre as características procuradas pelas empresas para o profissional do futuro.

No setor Novo Professor, há artigos que orientam os professores quanto a caminhos que ele pode seguir para melhorar seu rendimento no trabalho, sentir-se melhor nas aulas, adaptar-se aos novos tempos e prosperar na profissão. Entre os títulos destacados, selecionei os seguintes para que se tenha uma idéia do conteúdo desse link:-
Quatro fatores para o sucesso.
Só aprende quem faz.
Adapte-se (aos novos tempos, as mudanças da educação).
Construa sua competência e trajetória pessoal.
Tarefa de Casa – que orienta na organização do trabalho escolar que deve ser desenvolvido em casa.

Ao entrar no setor destinado as Novas Tecnologias, encontram-se novas matérias, dessa vez voltadas para o uso de equipamentos que tem invadido a sala de aula e as conversas de nossos alunos, principalmente, o computador e sua principal aliada, a Internet. São artigos como:-
Internet para viagem – que explora a onda da internet, através dos telefones celulares.
Novas Mídias – em que se comenta sobre os novos equipamentos a disposição, que integram funções (computador, DVD, telefone, rádio,…).
Regras para o ensino a distância (dentro das novas tecnologias).
Literatura à distância – que fala sobre o uso do computador para um curso a distância sobre literatura destinado aos professores.

No último setor disponível, chamado de Sala de Aula, temos material voltado para metodologia de aula, relação aluno-professor, projetos,…
Veja alguns dos artigos:-
Ganhe mais tempo (para administrar melhor o seu cotidiano).
Dicas para se tornar um professor mais criativo.
Jogo de memória (estratégia de aula).
Sexo, drogas e Rock and Roll. E outros assuntos difíceis para se tratar em sala de aula.
Registro de projetos.

Professores, vale conferir as dicas do Profissão Mestre. Com elas suas aulas podem ficar ainda melhores.

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=139

Você é um Professor digital?

Junho 30, 2008
by profjc

Por José Carlos Antonio

Na foto acima, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

Quando comecei a escrever sobre informática educacional, lá pelos idos de 1998, me lembro que meu primeiro artigo abordava a importância do uso dos computadores como ferramenta de ensino-aprendizagem. Nele, eu tentava mostrar que os computadores e a Internet poderiam ser ferramentas poderosas para pesquisa, aprendizagem, interatividade e autoria.

Na foto ao lado, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

De lá para cá muita coisa mudou no mundo da informática e dos computadores. Mas, no âmbito da escola, notamos um descompasso entre o ritmo da evolução tecnológica e o da evolução de nossos processos educacionais. O que, de certa forma, sabemos que não é novidade para ninguém: a escola implementa mudanças de uma forma mais lenta, ainda que, paradoxalmente, seja uma instituição que se propõe a ser um fator gerador de mudanças. É por isso que os professores devem considerar as oficinas de capacitação para o uso pedagógico dos computadores e da Internet como oportunidades valiosas de aprendizagem de novas metodologias e técnicas de ensino-aprendizagem.

Mas só isso não basta. É preciso mais. Já não basta perder o medo do computador. É preciso saber para que ele serve se pretendemos fazer bom uso da máquina. Professores que só usaram computadores para bater papo na Internet, jogar games ou, quando muito, digitar um texto mal formatado no Word, estão deixando de aproveitar a chance de serem verdadeiros “professores digitais”.

Na rede pública de ensino há ainda uma demanda enorme de computadores para equipar centenas de escolas que não dispõem de uma Sala de Informática funcional. Em outras tantas escolas os computadores já estão ultrapassados e não dão mais conta de rodarem sistemas operacionais modernos ou mesmo de lidar com a Internet midiática atual. É preciso suprir essas demandas. As máquinas mudaram, o mundo mudou, embora na maior parte das escolas os professores continuem quase os mesmos. Mas é preciso fazer também, e urgentemente, um “upgrade nos professores” e não apenas nas Salas de Informática. Precisamos de “professores digitais”.

Um professor digital é aquele que possui habilidades para fazer um bom uso do computadores para ele mesmo e, por extensão, é capaz de usá-lo de forma produtiva com seus alunos.

As “habilidades” que listarei a seguir podem ser discutíveis e em número limitado. Arrisco-me, no entanto, a afirmar que quantas mais forem as habilidades possuídas, mais perto se chegará do perfil de um professor digital. Vejamos>

1. Possuir um endereço de e-mail e utilizá-lo pelo menos duas vezes por semana (o ideal seria fazê-lo diariamente);

2. Possuir um blog, um site ou uma página atualizável na Internet onde regularmente se produz, socializa e se confronta seu conhecimento com outras pessoas;

3. Participar ativamente de um ou mais “grupos de discussão”, fórum ou comunidade virtual ligada à sua atividade educacional;

4. Possuir algum programa de troca de mensagens on-line, como o MSN, com, no mínimo, dois colegas de profissão em sua “lista de contatos” e usá-lo para fins profissionais pelo menos uma vez por semana, em média;

5. Assinar algum periódico on-line (mesmo que gratuito) sobre notícias e novidades relacionadas à educação ou à sua disciplina específica, e lê-lo regularmente;

6. Preparar rotineiramente provas, resumos, tabelas, roteiros e materiais didáticos diversos usando um processador de textos (como o Word, por exemplo), uma planilha eletrônica (como o Excel) ou um programa de apresentações multimídia (como o PowerPoint);

7. Fazer pesquisa na Internet regularmente com vistas à preparação de suas aulas (no mínimo) e, preferencialmente, manter um banco de dados de sites úteis para sua disciplina e para a educação em geral. Melhor ainda seria compartilhar esse banco de dados com colegas e alunos;

8. Preparar pelo menos uma aula por bimestre sobre um tema de sua disciplina onde os alunos usarão os computadores e a Sala de Informática de forma produtiva e não apenas para “matar o tempo”;

9. Manter contato com o computador por, pelo menos, uma hora diária, em média;

10. Manter-se atento para as novas possibilidades de uso pedagógico das novas tecnologias que surgem continuamente e tentar implementar novas metodologias em suas aulas.

Note que na lista acima não foi incluída em nenhum item a necessidade de se “possuir um computador”, porque de fato não é preciso possuir algum para ser um professor digital, ou mesmo para incluir-se digitalmente. No entanto, muitos professores que conheço possuem computadores e acesso à Internet, mas não chegam a ter nem três das dez habilidades listadas acima.

As habilidades acima envolvem o “fazer”, o agir, a inclusão efetiva do professor no mundo digital. Nenhuma oficina de capacitação ou curso de computação, por si só, traz nenhuma das habilidades acima, pois todas elas demandam o “uso regular do computador e da Internet”.

Aproveite e faça você mesmo o teste para medir o quanto você se enquadra no perfil do professor digital. Some um ponto para cada item dessa lista que se aplicar a você. Caso você some mais que cinco pontos, já pode se considerar como parte da vanguarda dos professores digitais.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2008/06/30/voce-e-um-professor-digital/

>Você é um Professor digital?

>Junho 30, 2008
by profjc

Por José Carlos Antonio

Na foto acima, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

Quando comecei a escrever sobre informática educacional, lá pelos idos de 1998, me lembro que meu primeiro artigo abordava a importância do uso dos computadores como ferramenta de ensino-aprendizagem. Nele, eu tentava mostrar que os computadores e a Internet poderiam ser ferramentas poderosas para pesquisa, aprendizagem, interatividade e autoria.

Na foto ao lado, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

De lá para cá muita coisa mudou no mundo da informática e dos computadores. Mas, no âmbito da escola, notamos um descompasso entre o ritmo da evolução tecnológica e o da evolução de nossos processos educacionais. O que, de certa forma, sabemos que não é novidade para ninguém: a escola implementa mudanças de uma forma mais lenta, ainda que, paradoxalmente, seja uma instituição que se propõe a ser um fator gerador de mudanças. É por isso que os professores devem considerar as oficinas de capacitação para o uso pedagógico dos computadores e da Internet como oportunidades valiosas de aprendizagem de novas metodologias e técnicas de ensino-aprendizagem.

Mas só isso não basta. É preciso mais. Já não basta perder o medo do computador. É preciso saber para que ele serve se pretendemos fazer bom uso da máquina. Professores que só usaram computadores para bater papo na Internet, jogar games ou, quando muito, digitar um texto mal formatado no Word, estão deixando de aproveitar a chance de serem verdadeiros “professores digitais”.

Na rede pública de ensino há ainda uma demanda enorme de computadores para equipar centenas de escolas que não dispõem de uma Sala de Informática funcional. Em outras tantas escolas os computadores já estão ultrapassados e não dão mais conta de rodarem sistemas operacionais modernos ou mesmo de lidar com a Internet midiática atual. É preciso suprir essas demandas. As máquinas mudaram, o mundo mudou, embora na maior parte das escolas os professores continuem quase os mesmos. Mas é preciso fazer também, e urgentemente, um “upgrade nos professores” e não apenas nas Salas de Informática. Precisamos de “professores digitais”.

Um professor digital é aquele que possui habilidades para fazer um bom uso do computadores para ele mesmo e, por extensão, é capaz de usá-lo de forma produtiva com seus alunos.

As “habilidades” que listarei a seguir podem ser discutíveis e em número limitado. Arrisco-me, no entanto, a afirmar que quantas mais forem as habilidades possuídas, mais perto se chegará do perfil de um professor digital. Vejamos>

1. Possuir um endereço de e-mail e utilizá-lo pelo menos duas vezes por semana (o ideal seria fazê-lo diariamente);

2. Possuir um blog, um site ou uma página atualizável na Internet onde regularmente se produz, socializa e se confronta seu conhecimento com outras pessoas;

3. Participar ativamente de um ou mais “grupos de discussão”, fórum ou comunidade virtual ligada à sua atividade educacional;

4. Possuir algum programa de troca de mensagens on-line, como o MSN, com, no mínimo, dois colegas de profissão em sua “lista de contatos” e usá-lo para fins profissionais pelo menos uma vez por semana, em média;

5. Assinar algum periódico on-line (mesmo que gratuito) sobre notícias e novidades relacionadas à educação ou à sua disciplina específica, e lê-lo regularmente;

6. Preparar rotineiramente provas, resumos, tabelas, roteiros e materiais didáticos diversos usando um processador de textos (como o Word, por exemplo), uma planilha eletrônica (como o Excel) ou um programa de apresentações multimídia (como o PowerPoint);

7. Fazer pesquisa na Internet regularmente com vistas à preparação de suas aulas (no mínimo) e, preferencialmente, manter um banco de dados de sites úteis para sua disciplina e para a educação em geral. Melhor ainda seria compartilhar esse banco de dados com colegas e alunos;

8. Preparar pelo menos uma aula por bimestre sobre um tema de sua disciplina onde os alunos usarão os computadores e a Sala de Informática de forma produtiva e não apenas para “matar o tempo”;

9. Manter contato com o computador por, pelo menos, uma hora diária, em média;

10. Manter-se atento para as novas possibilidades de uso pedagógico das novas tecnologias que surgem continuamente e tentar implementar novas metodologias em suas aulas.

Note que na lista acima não foi incluída em nenhum item a necessidade de se “possuir um computador”, porque de fato não é preciso possuir algum para ser um professor digital, ou mesmo para incluir-se digitalmente. No entanto, muitos professores que conheço possuem computadores e acesso à Internet, mas não chegam a ter nem três das dez habilidades listadas acima.

As habilidades acima envolvem o “fazer”, o agir, a inclusão efetiva do professor no mundo digital. Nenhuma oficina de capacitação ou curso de computação, por si só, traz nenhuma das habilidades acima, pois todas elas demandam o “uso regular do computador e da Internet”.

Aproveite e faça você mesmo o teste para medir o quanto você se enquadra no perfil do professor digital. Some um ponto para cada item dessa lista que se aplicar a você. Caso você some mais que cinco pontos, já pode se considerar como parte da vanguarda dos professores digitais.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2008/06/30/voce-e-um-professor-digital/