Animação como um recurso pedagógico em sala de aula

Professores de arte tem a possibilidade de utilizar a produção de animação como mais um recurso pedagógico. O AnimaMundi (Festival Internacional de Animação do Brasil) desenvolveu a “Cartilha Anima Escola” , material de apoio a arte-educadores que aborda história da animação, técnicas e dicas de como utilizar a produção de animação no ambiente escolar.

Além da cartilha foi desenvolvido um programa denominado MUAN (Manipulador Universal de Animação) em parceria com o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e a IBM (International Business Machines). O Muan é um Sistema Livre, compatível com o Sistema Operacional Linux e por sua vez gratuito, que possibilita a democratização da produção de animação. Destinado a produção de filmes animados quadro-a-quadro de fácil manipulação para iniciantes em animação. O software Muan pode ler e escrever arquivos de animação nos formatos avi e mpg, ou como uma lista de imagens nos formatos jpg ou ras, o que torna seu uso bastante flexível e de fácil interação com outros aplicativos de vídeo, mesmo que sobre sistemas operacionais diferentes.

O processo de produção consiste na gravação de imagens fixas sequenciadas através de uma máquina fotográfica, WebCam ou câmera de vídeo digital ligada a um computador.
O programa capta cada imagem gravada e em seguida as compõe de forma que é possível fazer uma pré-visualização da animação, permitindo assim um pré-resultado imediato para a utilização e exibição em sala de aula. A imagem abaixo demonstra a produção da animação em Stop Motion realizada na oficina de animação do Anima Mundi em João Pessoa no ano de 2007.

Informações sobre o projeto, uma parte da cartilha e o programa podem ser baixados no site oficial do Muan:
http://www.muan.org.br/index.htm

fonte:
http://www.muan.org.br/index.htm
http://www.animamundi.com.br/default.asp
http://ensinandoartesvisuais.blogspot.com/2008/07/animao-como-um-recurso-pedaggico-em.html

Se seu professor falasse assim?

Olá Amigos

O vídeo abaixo é um comercial de uma universidade do EUA, chamada Kaplan University. O discurso do professor no comercial é emblemático, mesmo tirando o fato de que é um comercial e quem tem todo um apelo comercial, o discurso é fantástico.

Ele começa o discurso pedindo desculpas por ele e o sistema ter falhado com os aluno. Veja o vídeo e depois vamos fazer umas considerações.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=e50YBu14j3U&hl=en&fs=1&]

O comercial é incrível. Mostra como as coisas evoluem e como o homem vai acompanhar esse processo, alguns antes dos outros, pois ficar preso ao passado é inútil pois como diz o professor Pedro Demo na postagem abaixoA tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco. É não faz sentido para não fazer algo como uma forma melhor do que você poderia fazê-lo antes e práticas tradicionais podem ainda funcionar bem, mas quando TICs são utilizadas de forma consciente e eficiente os resultados são comprovadamente melhores. Você nem ninguem não pode parar a evolução.

Para alguns professores só porque uma coisa é rotulada de “progresso” não significa necessariamente que ele fornece uma maneira melhor de fazer uma coisa, apenas uma maneira mais fácil, e penso que pensando assim estamos a ponto de ver uma geração de alunos ser desperdiçada.

Você concorda que devemos adotar novas práticas?
O vídeo deu a vocês alguma coisa para pensar?
Mas o seu problema não é tanto a tecnologia, mas a falta de disciplina que os resultados na sequência das suas vantagens?

Opine e Comente

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

E vale a pena ser professor?


João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

>E vale a pena ser professor?

>
João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

Alguns usos pedagógicos da internet

As invenções do homem, grandes ou pequenas, sempre nascem de um desejo ou de uma necessidade. Não é diferente com a informática e tudo que gira em torno dela.

Santos-Dumont inventou o avião porque acreditava que se as pessoas pudessem viajar e conhecer outras culturas com mais facilidade, veriam que não somos tão diferentes assim e não haveria mais guerras.

A internet foi inventada por um comodismo, para facilitar a transferência de arquivos entre dois pontos. Curiosamente, é exatamente esta característica que as grandes corporações lutam para combater.

A web não tem um berço nobre como o avião mas teve uma boa criação e tem um bom coração. É esta quebra de fronteiras, tão sonhada por Santos-Dumont, que torna a web este local tão atraente para muitos.

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
John Lennon
Imagine (trecho).

A web retira automaticamente o pré judice, onde a cor da pele, a marca da roupa, a localização geográfica e às vezes até mesmo o idioma não importam mais. Isso faz da web o ambiente mais humano que nós já conseguimos criar.

Não é a tecnologia, é este aspecto humano que tanto fascina os seus alunos.

Qualquer ferramenta online tem relacionamento como pedra fundamental. O email serve para uma comunicação pessoal. Os sites, mesmo os de empresa, expõem opiniões e sonhos da mesma forma que as meninas de nosso tempo faziam em diários. Os blogs se diferenciam justamente pela possibilidade de interação com o visitante. As ferramentas de relacionamento, como o Orkut ou o Twitter se colocam, obviamente, como um instrumental relevante.

Não há possibilidade de compreensão da web e seus ambientes sem colocar o ser humano no centro. A web é antropocêntrica por natureza.

A web é rica e heterogênea, portanto. Nada é feito por humanos sem ser um reflexo de nós mesmos. Nossas criações são imagem e semelhança de nós mesmos.

É comum ouvirmos “na web encontra-se de tudo”. Sim, na humanidade também.

O ser humano constrói máquinas incríveis e depois precisa domá-las. Não sei se alguém aqui já tentou, mas dirigir um trator é dificílimo e tem poucos controles a mais que um carro comum. É natural que quanto mais variáveis, mais difícil é o aprendizado da tecnologia/máquina.

Vocês passaram a vida estudando as suas matérias. São especialistas e professores de áreas muito mais complexas do que a internet. As ferramentas online são mais fáceis e intuitivas do que coisas estranhas como oração subordinada ou física quântica.

Nós somos mais inteligentes do que a máquina.

Acredito que todos os leitores, mesmo que não usem muito, tenham um endereço de email. Email é fácil de usar, é como uma carta, nossa velha conhecida, mas e quando o recurso começa a gastar mais neurônios do que estamos dispostos a ceder?

O erro, na maioria das vezes, é do desenvolvedor. As ferramentas deveriam ser simples e fáceis de usar.

As ferramentas que começam a se mostrar muito complexas são fadadas a sobreviver apenas dentro de um seleto grupo de nerds/geeks e não se tornará popular. Até mesmo aquelas que são “fenômenos” (de acordo com a imprensa, pelo menos) de audiência seguem esta simples regra. O fiasco que se tornou o Second Life ou a WebTV são bons exemplos disso; ou ainda o domínio do Google onde antes reinavam Yahoo, Altavista e Cadê?; ou, por último, a simplicidade do i-pod.

O simples sempre vence.

Então, se o seu aluno fala sobre algo muito complexo, difícil de usar, inacessível, não se preocupe: a moda passará rapidamente ou não se tornará consolidada até que melhore sua interface. O inverso também é verdadeiro: se o seu aluno falar sobre algo com uma interface simples, a poucos cliques de distância, pode ter a certeza de que mesmo que você não entenda a utilidade ou a função da ferramenta, esta vai ser bem sucedida.

Existem, naturalmente, ferramentas óbvias como VOIP (voice over ip, ex: Skype) que fazem exatamente aquilo que você imagina.

O seu aluno é capaz de aprender coisas estranhas como equação de segundo grau. Algo como o Twitter é mais simples para ele do que abrir a geladeira.

Assim como qualquer coisa online, a chave é como nós nos relacionamos com a ferramenta e seus usuários. Qual botão apertar qualquer um aprende. Entender o signo e o significado é sempre mais complexo, não importa se na web ou não.

Talvez o melhor norte que se possa fornecer neste assunto seja a quebra do pré judice. Na web não apenas o pré julgamento (roupa, aparência, cor, etc) se quebra mas também rui a relação de poder: você e seu aluno estão no mesmo nível hierárquico e ele espera ser tratado como igual.

Você precisa falar a linguagem dele. Dois ótimos exemplos disso são o blog Física na veia e o portal Lablogatórios que unem o conteúdo com uma linguagem (tanto em termos de ambiente e interface quanto no que diz respeito à linguagem escrita) a que o aluno/jovem está acostumado, tratando-o com respeito e de igual para igual.

No que diz respeito à tecnologia, hoje temos uma entidade sem fins lucrativos chamada w3C (World Wide Web Consortium), que orienta como construir sites e aplicativos de forma acessível por todos. A acessibilidade hoje é uma das maiores preocupações dos desenvolvedores. Uma das grandes mudanças foi a separação da informação do conteúdo.

A informação ou o conteúdo não existem mais localizados, centralizados. Nós somos múltiplos e estamos em muitos lugares.

O que muda, essencialmente, é o tom. Não apenas uma questão de linguagem, onde a escrita é tratada como oral, mas também (e principalmente) a quebra absoluta da relação de poder. O leitor não é mais apenas um receptor e o discurso pode ser complementado a qualquer momento, por qualquer um.

O modelo da Wikipedia, por exemplo, pode ser usado com milhares de outros fins, inclusive o pedagógico. Um professor pode, por exemplo, criar um site no modelo Wiki sobre a sua matéria e com isso montar de uma forma muito dinâmica e participativa um modelo inovador de gestão de conteúdo, junto com seus alunos.

O sistema da Wikipedia é de código aberto, gratuito e pode ser baixado no endereço http://www.mediawiki.org/wiki/MediaWiki

A maioria dos provedores de hospedagem trabalha com um gerenciador chamado Cpanel (painel de controle) e possui o Fantastico, um instalador automático de diversos sistemas, entre eles alguns modelos diferentes de Wikis, ao alcance de um clique.

O miguxês e outros códigos

O designer Mario Amaya falou com muita propriedade sobre o assunto em seu blog e merece a sua visita.

O miguxês, ou seja, aquele dialeto de internet que a gente não entende, não é um empobrecimento do idioma, é outro idioma. A comunicação em miguxês é uma opção do jovem, e não falta de.

Este aspecto, o de não ser uma limitação e sim uma opção é crucial para entendermos esta comunicação.

Redes sociais

Acho hilário o termo “rede social”. Existe alguma rede de pessoas que não seja social? A internet toda é humana, formada por pessoas que se comunicam entre si e portanto é toda uma grande rede social.

O termo na verdade se refere a sistemas que facilitam esta comunicação interpessoal, como o Twitter, Orkut, Facebook e muitos outros. Assim como em qualquer festa, é mais importante saber se comportar no ambiente do que saber a receita do bolo.

Tanto nas ditas redes sociais como na tal da “blogosfera”, o crédito é importantíssimo. Apesar de abrir mão da privacidade, o jovem não abre – e nem deveria – mão da individualidade. A internet toda funciona muito por mérito e crédito, ou seja, se você viu um link interessante no Twitter de alguém, ao invés de copiar e colar para repassar para o seu grupo, faça um “retwitt”, ou seja, assuma que você está repassando algo feito/descoberto por outra pessoa, citando a fonte. O mesmo vale para blogs. Os blogs mais respeitados são aqueles que criam conteúdo próprio e que quando reproduzem algo de outra pessoa, dão os devidos créditos. Esta é uma regra que não pode ser quebrada online, sob o risco de perder completamente a credibilidade. E, como sabemos em qualquer ambiente (online ou offline), credibilidade é tudo nessa vida.

Outra regra importante para a sobrevivência online é a periodicidade. É melhor não ter um blog/twitter/etc do que ter um bissexto. A presença online exige alguma manutenção.

O contato direto com o aluno e no ambiente dele pode trazer bons frutos. Muitos problemas como a falta de tempo, a timidez ou mesmo a pressão de grupo caem por terra quando o jovem está online. Muitas vezes ele consegue se expressar com mais desenvoltura, rapidez e facilidade na internet do que na sala de aula.

A semelhança com audiovisuais e seus blocos pequenos de texto

O quadro-negro não passa vídeo, não permite o copy-and-paste, não tem hiperlink, não toca mp3, não reproduz podcast e não aceita comentários, mas na verdade a estrutura lingüística é muito similar à internet. São tópicos com pouco texto que dão suporte ao que é dito verbalmente.

Apesar de o texto ser o seu suporte fundamental, a linguagem é verbal e conta com todo e qualquer recurso audiovisual disponível naquele momento.

Essa capacidade de síntese que o professor tem para dar e vender é extremamente valorizada online.

Assim como na sala de aula, na internet o aluno que se interessar por determinado assunto irá procurar textos e subsídios mais aprofundados. A grande diferença é que o processo não é passivo: o aluno assume o papel de responsável e ator da busca por aquela informação.

O professor tem à sua disposição diversas mídias e formatos diferentes. Aqueles que se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo podem, por exemplo, criar um podcast.

Escrever em um blog, por exemplo, não exclui outras possibilidades. O blog pode inclusive conter um podcast, vídeos, um fórum e conteúdos de redes sociais.

A questão da atenção dividida

Paradoxalmente, quanto mais o professor espalhar as suas informações online, mais o aluno vai focar no assunto. Esta pulverização que pode enlouquecer alguém ainda não habituado com a tecnologia é, na verdade, percebida como um símbolo de importância. Quase que uma reprodução das medidas de um clipping, onde o volume de notícias é contabilizado como uma vitória. O internauta presta mais atenção àquilo que chegou a ele de várias fontes diferentes porque entende como sendo de uma relevância maior.

Qualquer informação online que venha de forma intrusiva ou impositiva é imediatamente descartada, mesmo que de interesse do aluno. Ele precisa se sentir e se perceber como agente daquela informação. Aqui entram, com grande importância, as redes sociais e os blogs, onde o professor pode, além de interagir com outras pessoas, colocar o seu conteúdo online de uma forma em que o aluno vá até ele sem se sentir em uma posição submissa ou passiva.

A passividade no recebimento da informação é sempre entendida como spam. Nada online é unilateral, mesmo que a bilateralidade seja apenas a de clicar em um endereço para chegar ao blog.

Dicas de ferramentas

Colocar uma matéria online no Google Docs, onde o aluno pode copiar e colar o que interessa, interagir deixando comentários e/ou dúvidas ou mesmo acrescentar algo.

Publicar slides, imagens, ilustrações e apresentações nas ferramentas gráficas (Flickr, Picasa, etc), de forma que o aluno tenha acesso a estas informações com maior clareza do que uma reprodução xerox ou cópias feitas em cadernos.

Publicar textos em domínio público no Scribd, de forma não apenas a compartilhá-los com toda a web mas também facilitando o acesso e busca deste material.

Indicar a leitura de trechos ou livros na íntegra no Google Books, dependendo se em domínio público ou não.

Abrir um canal de comunicação direta com alunos e colegas através do Skype, msn ou similares.

Tocar/mostrar músicas no Blip.fm, como demonstrativas de uma figura de linguagem ou de uma época.

Estimular a leitura através de hipertexto e a assimilação de conteúdo de qualidade em palestras online e vídeos educativos.

Criar coleções (listas) no Youtube ou no Vimeo de vídeos interessantes e recomendados para os seus alunos.

Criar versões WAP de seus blogs para que os alunos possam ler no celular. A maioria dos sistemas de blog possui versão WAP ou algum plugin gratuito para esta finalidade.

Usar o Google Earth ou Maps para mostrar locais ou o History do Google Earth para representações em 3D históricas (Roma Antiga, por exemplo), ou ainda o céu ou a Lua ou Marte.

Reproduzir experiências bem sucedidas como o Mil Casmurros, por exemplo.

Centralizar bookmarks de forma pública e acessível no Delicious.

Ampliar o repertório dos alunos com palestras do Teachertube, do MIT ou do TED.

O senso de comunidade

O ser humano é engraçado: basta ver a casa de um que já quer construir a sua do lado. Nós temos o senso de comunidade muito enraizado em nossa formação. Desde o homem primata que formamos comunidades. Os princípios de auto-preservação e proteção seguem em nossas vidas o tempo todo.

Os alunos formam grupos, tanto em sala de aula quanto em intervalos. O ser humano se relaciona em bandos, mesmo que este bando seja composto por apenas duas pessoas. É natural portanto que na web este senso de comunidade se reproduza também.

Um dos pecados mortais é ir contra ou trair grupos estabelecidos (exemplo: a propaganda do Estadão contra os blogs), mas às vezes é difícil detectar os grupos que são por natureza voláteis, orgânicos e flexíveis, ainda mais online.

Uma boa forma de se medir a relevância daquele grupo ou pessoa online é uma simples busca no Google. Coloco aqui alguns truques práticos de uso do Google para este fim:

Para limitar a busca naquele termo específico e não em todas as palavras que o compõe, use aspas. Ex: “gato siamês” irá retornar um resultado muito mais relevante do que apenas procurar por gato e siamês.

Para descobrir quem ou quantos sites têm links para alguém, use o “link:”. Exemplo: “link:aguarras.com.br”. Não é necessário usar o www.

Para buscar algo apenas dentro de um determinado site, comece a busca com “site:URL busca”. Exemplo: “site:aguarras.com.br arte-educação”.

Para buscar um conteúdo apenas em um determinado tipo de arquivo, use o filetype:TIPO. Exemplo: “hauser filetype:pdf”

Existem outras dicas no próprio Google.

Muitas vezes a própria internet fornece informações sobre quem é o seu visitante, o que ele pensa, como age e o que a comunidade pensa dele.

O potencial disseminador do internauta

As técnicas de divulgação mudam de nome e formato com o tempo. O que antigamente era o RP (relações públicas) hoje é o especialista em rede social. As ferramentas mudam mas o princípio é o mesmo (nós somos os mesmos).

“Aquilo que é bom não precisa de propaganda”. Esse é um dos mitos mais conhecidos na publicidade e é apenas isso: um mito. O professor faz propaganda de sua matéria. A mãe faz propaganda de suas opções de vida ao filho. O padre faz propaganda de sua religião. Os formatos e os objetivos mudam, naturalmente, de acordo com o caso, mas a disseminação de idéias e ideais faz parte de nosso instinto de preservação, a preservação de nossa memória.

Na Grécia Antiga, era considerado “clássico” aquilo digno de ser copiado. A expectativa de vida então era de 35 anos e a noção da finitude da condição humana era claríssima. Assim como na internet, a nacionalidade era uma essência, um pertencimento espiritual e cultural e não algo limitado por fronteiras: se você fala grego, segue a religião grega, pensa como um grego, você é grego, não importa onde viva ou tenha nascido. As artes eram consideradas de suma importância porque perpetuavam o registro da cultura. As conquistas eram não apenas militares mas também culturais.

Estes mesmos conceitos são reproduzidos na internet que, assim como a Grécia Antiga, não tem a noção do Estado-nação. O modo de vida do internauta o qualifica. Aqueles que não são internautas (”não falam grego”) são considerados pelo grupo como inferiores culturalmente (bárbaros). O conceito de clássico é aquilo que é reproduzido, independente se um vídeo tosco no Youtube ou uma palestra no TED.

Surge então o conceito de uma informação viral, ou seja, que se reproduz além de uma intenção ou controle, que se reproduz de forma autônoma, espontânea. Um bom viral é aquele que move alguma emoção, que toca em algum ponto da formação do ser, mesmo que seja o de considerar o diferente como um bárbaro.

O fenômeno de dissipação destes conteúdos é às vezes batizado de “meme”, uma analogia ao conceito criado pelo zoólogo Richard Dawkins para explicar a disseminação de pensamentos, idéias e produtos culturais. Segundo Dawkins, algumas informações são transmitidas da mesma forma que os genes, replicando-se automaticamente e tornando-se parte da cultura universal.

A internet é o veículo ideal para a transmissão desses “memes”. E, com o advento de sites que permitem a criação e a divulgação de conteúdo produzido pelos próprios internautas, os memes ganharam um novo aspecto: a possibilidade de estas unidades de informação não apenas serem retransmitidas, mas ganharem novas leituras.

E tudo isso ao alcance de um clique. Não precisamos mais esculpir em pedra a nossa visão de mundo. E com a facilidade vem também o alcance exponencial.

O professor pode se colocar como receptor e requisitar aos seus alunos, por exemplo, que indiquem conteúdo relativo a um tema. A pesquisa estimulada na web movimentará a comunidade de alunos e, conseqüentemente seu interesse. Ou, ainda, analisar algum conteúdo online junto a seus alunos, estimulando desta forma a busca por similares.

Conteúdo é a chave do negócio, sempre foi e sempre vai ser.

O que você tem a dizer é muito mais importante do que a forma.


Nota importante: este artigo foi originalmente escrito como uma linha geral de uma palestra para professores e não tem a pretensão de ser nada além de um apanhado de dicas sobre alguns dos usos possíveis da internet como instrumento didático. Este não é um whitepaper e a autora é especializada em internet e não em pedagogia.


Carolina Vigna-Marú é a editora do Aguarrás, além de ilustradora, designer e diretora de arte.

Fonte: http://aguarras.com.br/2009/05/18/alguns-usos-pedagogicos-da-internet/

>Alguns usos pedagógicos da internet

>As invenções do homem, grandes ou pequenas, sempre nascem de um desejo ou de uma necessidade. Não é diferente com a informática e tudo que gira em torno dela.

Santos-Dumont inventou o avião porque acreditava que se as pessoas pudessem viajar e conhecer outras culturas com mais facilidade, veriam que não somos tão diferentes assim e não haveria mais guerras.

A internet foi inventada por um comodismo, para facilitar a transferência de arquivos entre dois pontos. Curiosamente, é exatamente esta característica que as grandes corporações lutam para combater.

A web não tem um berço nobre como o avião mas teve uma boa criação e tem um bom coração. É esta quebra de fronteiras, tão sonhada por Santos-Dumont, que torna a web este local tão atraente para muitos.

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
John Lennon
Imagine (trecho).

A web retira automaticamente o pré judice, onde a cor da pele, a marca da roupa, a localização geográfica e às vezes até mesmo o idioma não importam mais. Isso faz da web o ambiente mais humano que nós já conseguimos criar.

Não é a tecnologia, é este aspecto humano que tanto fascina os seus alunos.

Qualquer ferramenta online tem relacionamento como pedra fundamental. O email serve para uma comunicação pessoal. Os sites, mesmo os de empresa, expõem opiniões e sonhos da mesma forma que as meninas de nosso tempo faziam em diários. Os blogs se diferenciam justamente pela possibilidade de interação com o visitante. As ferramentas de relacionamento, como o Orkut ou o Twitter se colocam, obviamente, como um instrumental relevante.

Não há possibilidade de compreensão da web e seus ambientes sem colocar o ser humano no centro. A web é antropocêntrica por natureza.

A web é rica e heterogênea, portanto. Nada é feito por humanos sem ser um reflexo de nós mesmos. Nossas criações são imagem e semelhança de nós mesmos.

É comum ouvirmos “na web encontra-se de tudo”. Sim, na humanidade também.

O ser humano constrói máquinas incríveis e depois precisa domá-las. Não sei se alguém aqui já tentou, mas dirigir um trator é dificílimo e tem poucos controles a mais que um carro comum. É natural que quanto mais variáveis, mais difícil é o aprendizado da tecnologia/máquina.

Vocês passaram a vida estudando as suas matérias. São especialistas e professores de áreas muito mais complexas do que a internet. As ferramentas online são mais fáceis e intuitivas do que coisas estranhas como oração subordinada ou física quântica.

Nós somos mais inteligentes do que a máquina.

Acredito que todos os leitores, mesmo que não usem muito, tenham um endereço de email. Email é fácil de usar, é como uma carta, nossa velha conhecida, mas e quando o recurso começa a gastar mais neurônios do que estamos dispostos a ceder?

O erro, na maioria das vezes, é do desenvolvedor. As ferramentas deveriam ser simples e fáceis de usar.

As ferramentas que começam a se mostrar muito complexas são fadadas a sobreviver apenas dentro de um seleto grupo de nerds/geeks e não se tornará popular. Até mesmo aquelas que são “fenômenos” (de acordo com a imprensa, pelo menos) de audiência seguem esta simples regra. O fiasco que se tornou o Second Life ou a WebTV são bons exemplos disso; ou ainda o domínio do Google onde antes reinavam Yahoo, Altavista e Cadê?; ou, por último, a simplicidade do i-pod.

O simples sempre vence.

Então, se o seu aluno fala sobre algo muito complexo, difícil de usar, inacessível, não se preocupe: a moda passará rapidamente ou não se tornará consolidada até que melhore sua interface. O inverso também é verdadeiro: se o seu aluno falar sobre algo com uma interface simples, a poucos cliques de distância, pode ter a certeza de que mesmo que você não entenda a utilidade ou a função da ferramenta, esta vai ser bem sucedida.

Existem, naturalmente, ferramentas óbvias como VOIP (voice over ip, ex: Skype) que fazem exatamente aquilo que você imagina.

O seu aluno é capaz de aprender coisas estranhas como equação de segundo grau. Algo como o Twitter é mais simples para ele do que abrir a geladeira.

Assim como qualquer coisa online, a chave é como nós nos relacionamos com a ferramenta e seus usuários. Qual botão apertar qualquer um aprende. Entender o signo e o significado é sempre mais complexo, não importa se na web ou não.

Talvez o melhor norte que se possa fornecer neste assunto seja a quebra do pré judice. Na web não apenas o pré julgamento (roupa, aparência, cor, etc) se quebra mas também rui a relação de poder: você e seu aluno estão no mesmo nível hierárquico e ele espera ser tratado como igual.

Você precisa falar a linguagem dele. Dois ótimos exemplos disso são o blog Física na veia e o portal Lablogatórios que unem o conteúdo com uma linguagem (tanto em termos de ambiente e interface quanto no que diz respeito à linguagem escrita) a que o aluno/jovem está acostumado, tratando-o com respeito e de igual para igual.

No que diz respeito à tecnologia, hoje temos uma entidade sem fins lucrativos chamada w3C (World Wide Web Consortium), que orienta como construir sites e aplicativos de forma acessível por todos. A acessibilidade hoje é uma das maiores preocupações dos desenvolvedores. Uma das grandes mudanças foi a separação da informação do conteúdo.

A informação ou o conteúdo não existem mais localizados, centralizados. Nós somos múltiplos e estamos em muitos lugares.

O que muda, essencialmente, é o tom. Não apenas uma questão de linguagem, onde a escrita é tratada como oral, mas também (e principalmente) a quebra absoluta da relação de poder. O leitor não é mais apenas um receptor e o discurso pode ser complementado a qualquer momento, por qualquer um.

O modelo da Wikipedia, por exemplo, pode ser usado com milhares de outros fins, inclusive o pedagógico. Um professor pode, por exemplo, criar um site no modelo Wiki sobre a sua matéria e com isso montar de uma forma muito dinâmica e participativa um modelo inovador de gestão de conteúdo, junto com seus alunos.

O sistema da Wikipedia é de código aberto, gratuito e pode ser baixado no endereço http://www.mediawiki.org/wiki/MediaWiki

A maioria dos provedores de hospedagem trabalha com um gerenciador chamado Cpanel (painel de controle) e possui o Fantastico, um instalador automático de diversos sistemas, entre eles alguns modelos diferentes de Wikis, ao alcance de um clique.

O miguxês e outros códigos

O designer Mario Amaya falou com muita propriedade sobre o assunto em seu blog e merece a sua visita.

O miguxês, ou seja, aquele dialeto de internet que a gente não entende, não é um empobrecimento do idioma, é outro idioma. A comunicação em miguxês é uma opção do jovem, e não falta de.

Este aspecto, o de não ser uma limitação e sim uma opção é crucial para entendermos esta comunicação.

Redes sociais

Acho hilário o termo “rede social”. Existe alguma rede de pessoas que não seja social? A internet toda é humana, formada por pessoas que se comunicam entre si e portanto é toda uma grande rede social.

O termo na verdade se refere a sistemas que facilitam esta comunicação interpessoal, como o Twitter, Orkut, Facebook e muitos outros. Assim como em qualquer festa, é mais importante saber se comportar no ambiente do que saber a receita do bolo.

Tanto nas ditas redes sociais como na tal da “blogosfera”, o crédito é importantíssimo. Apesar de abrir mão da privacidade, o jovem não abre – e nem deveria – mão da individualidade. A internet toda funciona muito por mérito e crédito, ou seja, se você viu um link interessante no Twitter de alguém, ao invés de copiar e colar para repassar para o seu grupo, faça um “retwitt”, ou seja, assuma que você está repassando algo feito/descoberto por outra pessoa, citando a fonte. O mesmo vale para blogs. Os blogs mais respeitados são aqueles que criam conteúdo próprio e que quando reproduzem algo de outra pessoa, dão os devidos créditos. Esta é uma regra que não pode ser quebrada online, sob o risco de perder completamente a credibilidade. E, como sabemos em qualquer ambiente (online ou offline), credibilidade é tudo nessa vida.

Outra regra importante para a sobrevivência online é a periodicidade. É melhor não ter um blog/twitter/etc do que ter um bissexto. A presença online exige alguma manutenção.

O contato direto com o aluno e no ambiente dele pode trazer bons frutos. Muitos problemas como a falta de tempo, a timidez ou mesmo a pressão de grupo caem por terra quando o jovem está online. Muitas vezes ele consegue se expressar com mais desenvoltura, rapidez e facilidade na internet do que na sala de aula.

A semelhança com audiovisuais e seus blocos pequenos de texto

O quadro-negro não passa vídeo, não permite o copy-and-paste, não tem hiperlink, não toca mp3, não reproduz podcast e não aceita comentários, mas na verdade a estrutura lingüística é muito similar à internet. São tópicos com pouco texto que dão suporte ao que é dito verbalmente.

Apesar de o texto ser o seu suporte fundamental, a linguagem é verbal e conta com todo e qualquer recurso audiovisual disponível naquele momento.

Essa capacidade de síntese que o professor tem para dar e vender é extremamente valorizada online.

Assim como na sala de aula, na internet o aluno que se interessar por determinado assunto irá procurar textos e subsídios mais aprofundados. A grande diferença é que o processo não é passivo: o aluno assume o papel de responsável e ator da busca por aquela informação.

O professor tem à sua disposição diversas mídias e formatos diferentes. Aqueles que se sentem mais confortáveis falando do que escrevendo podem, por exemplo, criar um podcast.

Escrever em um blog, por exemplo, não exclui outras possibilidades. O blog pode inclusive conter um podcast, vídeos, um fórum e conteúdos de redes sociais.

A questão da atenção dividida

Paradoxalmente, quanto mais o professor espalhar as suas informações online, mais o aluno vai focar no assunto. Esta pulverização que pode enlouquecer alguém ainda não habituado com a tecnologia é, na verdade, percebida como um símbolo de importância. Quase que uma reprodução das medidas de um clipping, onde o volume de notícias é contabilizado como uma vitória. O internauta presta mais atenção àquilo que chegou a ele de várias fontes diferentes porque entende como sendo de uma relevância maior.

Qualquer informação online que venha de forma intrusiva ou impositiva é imediatamente descartada, mesmo que de interesse do aluno. Ele precisa se sentir e se perceber como agente daquela informação. Aqui entram, com grande importância, as redes sociais e os blogs, onde o professor pode, além de interagir com outras pessoas, colocar o seu conteúdo online de uma forma em que o aluno vá até ele sem se sentir em uma posição submissa ou passiva.

A passividade no recebimento da informação é sempre entendida como spam. Nada online é unilateral, mesmo que a bilateralidade seja apenas a de clicar em um endereço para chegar ao blog.

Dicas de ferramentas

Colocar uma matéria online no Google Docs, onde o aluno pode copiar e colar o que interessa, interagir deixando comentários e/ou dúvidas ou mesmo acrescentar algo.

Publicar slides, imagens, ilustrações e apresentações nas ferramentas gráficas (Flickr, Picasa, etc), de forma que o aluno tenha acesso a estas informações com maior clareza do que uma reprodução xerox ou cópias feitas em cadernos.

Publicar textos em domínio público no Scribd, de forma não apenas a compartilhá-los com toda a web mas também facilitando o acesso e busca deste material.

Indicar a leitura de trechos ou livros na íntegra no Google Books, dependendo se em domínio público ou não.

Abrir um canal de comunicação direta com alunos e colegas através do Skype, msn ou similares.

Tocar/mostrar músicas no Blip.fm, como demonstrativas de uma figura de linguagem ou de uma época.

Estimular a leitura através de hipertexto e a assimilação de conteúdo de qualidade em palestras online e vídeos educativos.

Criar coleções (listas) no Youtube ou no Vimeo de vídeos interessantes e recomendados para os seus alunos.

Criar versões WAP de seus blogs para que os alunos possam ler no celular. A maioria dos sistemas de blog possui versão WAP ou algum plugin gratuito para esta finalidade.

Usar o Google Earth ou Maps para mostrar locais ou o History do Google Earth para representações em 3D históricas (Roma Antiga, por exemplo), ou ainda o céu ou a Lua ou Marte.

Reproduzir experiências bem sucedidas como o Mil Casmurros, por exemplo.

Centralizar bookmarks de forma pública e acessível no Delicious.

Ampliar o repertório dos alunos com palestras do Teachertube, do MIT ou do TED.

O senso de comunidade

O ser humano é engraçado: basta ver a casa de um que já quer construir a sua do lado. Nós temos o senso de comunidade muito enraizado em nossa formação. Desde o homem primata que formamos comunidades. Os princípios de auto-preservação e proteção seguem em nossas vidas o tempo todo.

Os alunos formam grupos, tanto em sala de aula quanto em intervalos. O ser humano se relaciona em bandos, mesmo que este bando seja composto por apenas duas pessoas. É natural portanto que na web este senso de comunidade se reproduza também.

Um dos pecados mortais é ir contra ou trair grupos estabelecidos (exemplo: a propaganda do Estadão contra os blogs), mas às vezes é difícil detectar os grupos que são por natureza voláteis, orgânicos e flexíveis, ainda mais online.

Uma boa forma de se medir a relevância daquele grupo ou pessoa online é uma simples busca no Google. Coloco aqui alguns truques práticos de uso do Google para este fim:

Para limitar a busca naquele termo específico e não em todas as palavras que o compõe, use aspas. Ex: “gato siamês” irá retornar um resultado muito mais relevante do que apenas procurar por gato e siamês.

Para descobrir quem ou quantos sites têm links para alguém, use o “link:”. Exemplo: “link:aguarras.com.br”. Não é necessário usar o www.

Para buscar algo apenas dentro de um determinado site, comece a busca com “site:URL busca”. Exemplo: “site:aguarras.com.br arte-educação”.

Para buscar um conteúdo apenas em um determinado tipo de arquivo, use o filetype:TIPO. Exemplo: “hauser filetype:pdf”

Existem outras dicas no próprio Google.

Muitas vezes a própria internet fornece informações sobre quem é o seu visitante, o que ele pensa, como age e o que a comunidade pensa dele.

O potencial disseminador do internauta

As técnicas de divulgação mudam de nome e formato com o tempo. O que antigamente era o RP (relações públicas) hoje é o especialista em rede social. As ferramentas mudam mas o princípio é o mesmo (nós somos os mesmos).

“Aquilo que é bom não precisa de propaganda”. Esse é um dos mitos mais conhecidos na publicidade e é apenas isso: um mito. O professor faz propaganda de sua matéria. A mãe faz propaganda de suas opções de vida ao filho. O padre faz propaganda de sua religião. Os formatos e os objetivos mudam, naturalmente, de acordo com o caso, mas a disseminação de idéias e ideais faz parte de nosso instinto de preservação, a preservação de nossa memória.

Na Grécia Antiga, era considerado “clássico” aquilo digno de ser copiado. A expectativa de vida então era de 35 anos e a noção da finitude da condição humana era claríssima. Assim como na internet, a nacionalidade era uma essência, um pertencimento espiritual e cultural e não algo limitado por fronteiras: se você fala grego, segue a religião grega, pensa como um grego, você é grego, não importa onde viva ou tenha nascido. As artes eram consideradas de suma importância porque perpetuavam o registro da cultura. As conquistas eram não apenas militares mas também culturais.

Estes mesmos conceitos são reproduzidos na internet que, assim como a Grécia Antiga, não tem a noção do Estado-nação. O modo de vida do internauta o qualifica. Aqueles que não são internautas (”não falam grego”) são considerados pelo grupo como inferiores culturalmente (bárbaros). O conceito de clássico é aquilo que é reproduzido, independente se um vídeo tosco no Youtube ou uma palestra no TED.

Surge então o conceito de uma informação viral, ou seja, que se reproduz além de uma intenção ou controle, que se reproduz de forma autônoma, espontânea. Um bom viral é aquele que move alguma emoção, que toca em algum ponto da formação do ser, mesmo que seja o de considerar o diferente como um bárbaro.

O fenômeno de dissipação destes conteúdos é às vezes batizado de “meme”, uma analogia ao conceito criado pelo zoólogo Richard Dawkins para explicar a disseminação de pensamentos, idéias e produtos culturais. Segundo Dawkins, algumas informações são transmitidas da mesma forma que os genes, replicando-se automaticamente e tornando-se parte da cultura universal.

A internet é o veículo ideal para a transmissão desses “memes”. E, com o advento de sites que permitem a criação e a divulgação de conteúdo produzido pelos próprios internautas, os memes ganharam um novo aspecto: a possibilidade de estas unidades de informação não apenas serem retransmitidas, mas ganharem novas leituras.

E tudo isso ao alcance de um clique. Não precisamos mais esculpir em pedra a nossa visão de mundo. E com a facilidade vem também o alcance exponencial.

O professor pode se colocar como receptor e requisitar aos seus alunos, por exemplo, que indiquem conteúdo relativo a um tema. A pesquisa estimulada na web movimentará a comunidade de alunos e, conseqüentemente seu interesse. Ou, ainda, analisar algum conteúdo online junto a seus alunos, estimulando desta forma a busca por similares.

Conteúdo é a chave do negócio, sempre foi e sempre vai ser.

O que você tem a dizer é muito mais importante do que a forma.


Nota importante: este artigo foi originalmente escrito como uma linha geral de uma palestra para professores e não tem a pretensão de ser nada além de um apanhado de dicas sobre alguns dos usos possíveis da internet como instrumento didático. Este não é um whitepaper e a autora é especializada em internet e não em pedagogia.


Carolina Vigna-Marú é a editora do Aguarrás, além de ilustradora, designer e diretora de arte.

Fonte: http://aguarras.com.br/2009/05/18/alguns-usos-pedagogicos-da-internet/

Ensinando com Games

Publicado em: 10 de Novembro de 2004
Atualizado em: 16 de Novembro de 2004

Claudia Stippe

Educadora, atuante na área de tecnologia educacional com atividades em robótica pedagógica e utilização de ambientes de aprendizagem colaborativa, desenvolve atividades de assessoria pedagógica na utilização de softwares educacionais em escolas da rede pública e privada.

Confira na íntegra a entrevista com a educadora Claudia Stippe.

1. Qual o objetivo pedagógico de usar games na escola?

Eu mesma nunca fui muito chegada em games. Achava que era perda de tempo e que não se poderia ganhar nada com isto. No entanto, durante minhas aulas de informática, chegava um momento em que os alunos queriam muito poder usar os jogos disponíveis no sistema. Afinal ninguém tinha computador em casa ainda.

As professoras da 3ª série do ensino fundamental, da escola em que eu trabalhava na época, começaram a desenvolver atividades com cartas de baralho. Um dia resolvi ceder e os alunos jogaram Paciência. Neste momento percebi o quanto eles buscavam entender o jogo. Não lendo as suas regras, mas investigando, explorando e solucionando um problema que tinham ali em sua frente, errando, acertando, perdendo a jogada.

Entendi naquele momento que o meu oficio de docente deveria ser “fazer com que o aluno aprenda e não ensinar o que eu já sei”. Eu aprendo aquilo que tem significado para mim, aquilo que me dá prazer. Desta maneira inseri o trabalho com games em minhas aulas e hoje mais do que nunca isto faz parte da vivência de jovens de todas as classes sociais. Deve entrar no ambiente escolar da mesma maneira que entrou o vídeo, a TV, a mídia impressa. O game surge como mais um recurso pedagógico a ser mobilizado dentro da escola.

2. Com quais games você costuma trabalhar? Por quê?

Iniciei meu trabalho utilizando games que faziam muito sucesso entre os alunos de classe média na década de 90, como Paciência e Campo Minado, que já vinham no sistema operacional Microsoft Windows. Depois parti para a pesquisa utilizando o Lemmings, Sim Ant, Sim Farm, Carmem San Diego, e outros softwares que não são considerados games, mas que podem desempenhar este papel, como o Torre de Hanói, o Sokomind. Com estes você pode trabalhar o ensino de Matemática, Português e outras disciplinas, adequando de acordo com sua imaginação.

Atualmente tenho desenvolvido trabalhos com games mais sofisticados como os da Série Age of Empire, Age of Mythology e Zôo Tycoon, da Microsoft.

São softwares que provocam o interesse em alunos de nível fundamental até o nível de pós-graduação. São softwares que se explorados potencialmente, rendem aulas produtivas, prazerosas e reflexivas e hoje isto se dá dentro dos projetos desenvolvidos na escola, utilizando o laboratório de informática como mais um espaço em busca de uma menor “compartimentação” do conhecimento.

3. Quais disciplinas tiram maior proveito dos games? Por quê?

Qualquer disciplina pode tirar proveito de um game. O que se precisa ter claro é que ele vai fazer parte do projeto de trabalho a ser desenvolvido e entrar como um recurso pedagógico.

4. Daria para citar exemplos de qual game é mais indicado para cada série?

Depende do projeto de trabalho do professor. Mas para as séries iniciais o simulador Microsoft Zôo Tycoon é muito indicado para desenvolver as atividades relacionadas a meio ambiente, estudo de animais, relações de compra e venda. Dá para utilizar com alunos de 8 anos até uns 12 anos. Os mais velhos já o consideram muito infantil.

Outro bom exemplo é o Microsoft Rise of Nations, que voltou a ser lançado, e é um excelente game para simular as batalhas de Napoleão e a Guerra Fria com os alunos do Ensino Médio. O mesmo vale para o Microsoft Age of Empire, para se estudar as cruzadas integrando as aulas de História, Geografia e Literatura.

Já o RPG Maker, pode ser utilizado para qualquer faixa etária, pois os alunos constroem seus jogos.

5. Como é feita a oficina de games?

Durante a palestra são apresentadas maneiras de promover a integração curricular, além de oferecer a visão de um futuro no qual a tecnologia alavanca o aprendizado e o pensamento crítico dos estudantes, dando-lhes meios de criar e interagir com o que aprendem.

Após as palestras os participantes têm a oportunidade de vivenciar uma aula interativa utilizando um dos softwares apresentados.


6. Na prática, como os professores usam os games com seus alunos?

Partindo de um projeto que está sendo desenvolvido pelas turmas, procuramos buscar o que eles usam no dia a dia e que possa nos servir de referência. Atualmente o aluno tem utilizado muito o RPG, games de estratégia e de simulação, fora da escola. É preciso estar “plugado” no que eles fazem e falam.

Precisamos escolher que parte do game vamos utilizar ou a estratégia que vamos propor para os alunos, como jogos por equipes, em rede, tempo de duração, objetivos a serem alcançados, etapas a serem vencidas, dentro e fora do jogo.

7. Ao final, quais parâmetros são usados para avaliar se os objetivos foram alcançados pelos alunos?

Geralmente o trabalho com games é feito por equipes ou duplas. Cada um tem um trabalho a desenvolver em prol do grupo, para alcançarem os objetivos propostos que podem ser melhoria da qualidade de vida das pessoas dentro de um simulador, análise e conclusão de um experimento ou mesmo vivenciar conteúdos escolares na prática.

8. Qual o equipamento mínimo que a escola precisa ter para fazer uso pedagógico dos games?

Depende do game que vai utilizar. Muitos não precisam de grandes configurações, como Torre de Hanói, Zôo Tycoon, Age of Empire.

Mas sempre é bom ter uma boa quantidade de memória RAM disponível e um bom processador, para não fazer a aula virar um problema com a demora na abertura de tela

Fonte: http://sites.google.com/site/bernardetemotter/primeira

>Ensinando com Games

>Publicado em: 10 de Novembro de 2004
Atualizado em: 16 de Novembro de 2004

Claudia Stippe

Educadora, atuante na área de tecnologia educacional com atividades em robótica pedagógica e utilização de ambientes de aprendizagem colaborativa, desenvolve atividades de assessoria pedagógica na utilização de softwares educacionais em escolas da rede pública e privada.

Confira na íntegra a entrevista com a educadora Claudia Stippe.

1. Qual o objetivo pedagógico de usar games na escola?

Eu mesma nunca fui muito chegada em games. Achava que era perda de tempo e que não se poderia ganhar nada com isto. No entanto, durante minhas aulas de informática, chegava um momento em que os alunos queriam muito poder usar os jogos disponíveis no sistema. Afinal ninguém tinha computador em casa ainda.

As professoras da 3ª série do ensino fundamental, da escola em que eu trabalhava na época, começaram a desenvolver atividades com cartas de baralho. Um dia resolvi ceder e os alunos jogaram Paciência. Neste momento percebi o quanto eles buscavam entender o jogo. Não lendo as suas regras, mas investigando, explorando e solucionando um problema que tinham ali em sua frente, errando, acertando, perdendo a jogada.

Entendi naquele momento que o meu oficio de docente deveria ser “fazer com que o aluno aprenda e não ensinar o que eu já sei”. Eu aprendo aquilo que tem significado para mim, aquilo que me dá prazer. Desta maneira inseri o trabalho com games em minhas aulas e hoje mais do que nunca isto faz parte da vivência de jovens de todas as classes sociais. Deve entrar no ambiente escolar da mesma maneira que entrou o vídeo, a TV, a mídia impressa. O game surge como mais um recurso pedagógico a ser mobilizado dentro da escola.

2. Com quais games você costuma trabalhar? Por quê?

Iniciei meu trabalho utilizando games que faziam muito sucesso entre os alunos de classe média na década de 90, como Paciência e Campo Minado, que já vinham no sistema operacional Microsoft Windows. Depois parti para a pesquisa utilizando o Lemmings, Sim Ant, Sim Farm, Carmem San Diego, e outros softwares que não são considerados games, mas que podem desempenhar este papel, como o Torre de Hanói, o Sokomind. Com estes você pode trabalhar o ensino de Matemática, Português e outras disciplinas, adequando de acordo com sua imaginação.

Atualmente tenho desenvolvido trabalhos com games mais sofisticados como os da Série Age of Empire, Age of Mythology e Zôo Tycoon, da Microsoft.

São softwares que provocam o interesse em alunos de nível fundamental até o nível de pós-graduação. São softwares que se explorados potencialmente, rendem aulas produtivas, prazerosas e reflexivas e hoje isto se dá dentro dos projetos desenvolvidos na escola, utilizando o laboratório de informática como mais um espaço em busca de uma menor “compartimentação” do conhecimento.

3. Quais disciplinas tiram maior proveito dos games? Por quê?

Qualquer disciplina pode tirar proveito de um game. O que se precisa ter claro é que ele vai fazer parte do projeto de trabalho a ser desenvolvido e entrar como um recurso pedagógico.

4. Daria para citar exemplos de qual game é mais indicado para cada série?

Depende do projeto de trabalho do professor. Mas para as séries iniciais o simulador Microsoft Zôo Tycoon é muito indicado para desenvolver as atividades relacionadas a meio ambiente, estudo de animais, relações de compra e venda. Dá para utilizar com alunos de 8 anos até uns 12 anos. Os mais velhos já o consideram muito infantil.

Outro bom exemplo é o Microsoft Rise of Nations, que voltou a ser lançado, e é um excelente game para simular as batalhas de Napoleão e a Guerra Fria com os alunos do Ensino Médio. O mesmo vale para o Microsoft Age of Empire, para se estudar as cruzadas integrando as aulas de História, Geografia e Literatura.

Já o RPG Maker, pode ser utilizado para qualquer faixa etária, pois os alunos constroem seus jogos.

5. Como é feita a oficina de games?

Durante a palestra são apresentadas maneiras de promover a integração curricular, além de oferecer a visão de um futuro no qual a tecnologia alavanca o aprendizado e o pensamento crítico dos estudantes, dando-lhes meios de criar e interagir com o que aprendem.

Após as palestras os participantes têm a oportunidade de vivenciar uma aula interativa utilizando um dos softwares apresentados.


6. Na prática, como os professores usam os games com seus alunos?

Partindo de um projeto que está sendo desenvolvido pelas turmas, procuramos buscar o que eles usam no dia a dia e que possa nos servir de referência. Atualmente o aluno tem utilizado muito o RPG, games de estratégia e de simulação, fora da escola. É preciso estar “plugado” no que eles fazem e falam.

Precisamos escolher que parte do game vamos utilizar ou a estratégia que vamos propor para os alunos, como jogos por equipes, em rede, tempo de duração, objetivos a serem alcançados, etapas a serem vencidas, dentro e fora do jogo.

7. Ao final, quais parâmetros são usados para avaliar se os objetivos foram alcançados pelos alunos?

Geralmente o trabalho com games é feito por equipes ou duplas. Cada um tem um trabalho a desenvolver em prol do grupo, para alcançarem os objetivos propostos que podem ser melhoria da qualidade de vida das pessoas dentro de um simulador, análise e conclusão de um experimento ou mesmo vivenciar conteúdos escolares na prática.

8. Qual o equipamento mínimo que a escola precisa ter para fazer uso pedagógico dos games?

Depende do game que vai utilizar. Muitos não precisam de grandes configurações, como Torre de Hanói, Zôo Tycoon, Age of Empire.

Mas sempre é bom ter uma boa quantidade de memória RAM disponível e um bom processador, para não fazer a aula virar um problema com a demora na abertura de tela

Fonte: http://sites.google.com/site/bernardetemotter/primeira

Vídeo sobre WebQuest

Olá Amigos

Indo aos meus blogs e sites favoritos encontrei esse vídeo sobre Webquest que estava no Vivência Pedagógica, mas é do Portal do Professor do MEC.

O vídeo fala sobre webquest é da Professora Mary Grace Martins. Para quem ainda não sabe WebQuest é uma metodologia de pesquisa orientada, em que quase ou todos os recursos utilizados são provenientes da Web. Foi proposta pelo Professor Bernie Dodge, da Universidade de São Diego, em 1995.

Para desenvolver uma WebQuest é necessário criar um site que pode ser construído com um editor de HTML, serviço de blog ou até mesmo com um editor de texto que possa ser salvo como página da Web.

Para saber mais, conheça alguns sites indicados. Aqui está uma lista com o que já foi publicado no site Vivência Pedagógica:

Relato de experiência – WebQuest do Cortiço (áudio e texto)

Vídeo e fórum sobre Webquest no Portal do Professor – por Mary Grace

WebQuest e mapas conceituais

Webnote: um recurso para produção colaborativa de WebQuests

BlogQuests

Palestra e Workshop com Bernie Dodge

Edição de WebQuests on-line

Indicações de WebQuests

Criando uma WebQuest em equipe

É possível construir WebQuest com os alunos?

Relato de experiência – Os primeiros habitantes do Brasil

Assista o vídeo e discuta sobre Webquest: estratégias de pesquisa e aprendizagem em rede, no Portal do Professor – MEC.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna