Repensando A Educação: A Escola Educa?


A educação no Brasil tem enfrentado grandes desafios. Desafios estes que nos remetem a um novo pensar, a uma nova forma de agir e principalmente de educar.

Estamos impregnados de velhos modelos e conservadorismos que não condizem mais com o momento planetário atual. Há a necessidade de repensarmos a educação, de forma que possamos sair da utopia e passar para o plano real. Idealizamos uma educação diferente, uma escola diferente e um mundo melhor, porém, o que fazemos é repetir os velhos modelos de séculos passados ou simplesmente negamos o caos, como se não tivéssemos responsabilidade com o todo.

A partir do entendimento de que educar é fazer o indivíduo sair de dentro de si e integrar-se com a sociedade na qual está inserido, relacionando-se de forma que possa construir o progresso próprio e da comunidade planetária da qual todos fazemos parte, concluo que educar não é uma tarefa fácil, e requer pessoas abertas ao novo e, principalmente, dispostas a buscar conhecer o ser humano na sua complexidade 2. A forma como se dará a relação homem / comunidade planetária depende de uma série de fatores, e a educação é um dos principais responsáveis pelo resultado dessa relação.

É imprescindível que mudemos a nossa forma de educar, mas isso depende de nos reeducarmos. Precisamos aprender a olhar o mundo como um todo, cientes de que tudo está interligado. E, a partir disso, adquirir uma consciência coletiva, sabendo que todas as nossas ações, sejam elas positivas ou negativas, irão refletir no todo.

Os problemas que necessitam ser resolvidos são mundiais. A fome no Brasil não é um problema somente dos brasileiros, assim como a miséria na África não é um problema somente dos africanos. As guerras, a violência, a devastação do meio ambiente, enfim, todas essas crises atuais são globais e não isoladas como pensamos e vemos.

Segundo Capra (1996, p. 23), “quanto mais estudamos os problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes”.

Se passarmos a visualizar a relação entre homem-meio ambiente-comunidade planetária como matérias interdependentes, poderemos ter mais clareza e ampliar a nossa visão a respeito do que temos feito com nossas crianças e jovens no âmbito escolar.

Atualmente, as crianças e os jovens são levados a estudar uma quantidade de disciplinas que são ensinadas isoladamente, o que não os leva a fazer relações desses conteúdos ensinados em sala de aula com a própria vida. Estamos massacrando a mente de nossos alunos com uma série de conteúdos e pouco nos preocupamos com o ser humano que está recebendo essas informações. Queremos que eles compreendam e aprendam, mas poucos são os educadores que se envolvem com a história de vida do aluno que não consegue aprender e “incomoda” o professor e os colegas em sala de aula.

Cury (2003, p. 106), coloca que” o registro na memória é involuntário”.

“(…) As experiências tensas são registradas no centro do inconsciente, e a partir daí serão lidas continuamente. Com o passar do tempo, elas vão sendo deslocadas para a periferia inconsciente da memória, chamada de ME, memória existencial.

Em alguns casos, o volume de ansiedade ou sofrimento pode ser tão grande que provoca um bloqueio da memória.

Normalmente as experiências com alta carga emocional ficam disponíveis para serem lidas e gerarem milhares de novos pensamentos e emoções”. (CURY, p. 108)

O professor precisa conhecer o interior de seus alunos, os anseios, os medos, as dificuldades, as ansiedades, enfim, precisa conhecer o ser humano para educá-lo. A partir do momento em que o professor vai conhecendo seus alunos, ele passa a se envolver de maneira mais efetiva com os problemas educacionais e sociais e, conseqüentemente, ele deve tornar-se mais sensível, apto a mudanças, quando necessárias e aberto às novas idéias.

Hoje, consideramos bons professores aqueles que têm uma boa cultura acadêmica, são eloqüentes, têm um currículo exemplar e transmitem o seu conhecimento com segurança. Cremos que não há quem discorde de que todas essas distinções sejam importantes para um professor, mas, certamente, não são mais suficientes para um educador. O educador de hoje, ou melhor, o educador do futuro, deve ultrapassar o seu currículo de vários cursos, de vários idiomas, a sua segurança acerca dos conteúdos que deverão ser ensinados em sala de aula, enfim, o educador do futuro tem como grande desafio conhecer o ser humano.

Cury (2003, p. 57), distingue os bons professores dos professores fascinantes:

Bons professores têm uma boa cultura acadêmica e transmitem com segurança e eloqüência as informações em sala de aula. Os professores fascinantes ultrapassam essa meta. Eles procuram conhecer o funcionamento da mente dos alunos para educar melhor. Para eles, cada aluno não é mais um número em sala de aula, mas um ser humano complexo, com necessidades peculiares.

Os professores fascinantes transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiência. Sabem que apenas a experiência é registrada de maneira privilegiada nos solos da memória, e somente ela cria avenidas na memória capazes de transformar a personalidade.

Estamos nos defrontando com uma crise de percepção, nossos valores estão invertidos e nos remetem a uma série de crises sociais, econômicas, políticas, psicológicas, ou seja, são vários setores que necessitam de uma mudança radical. Enquanto insistirmos em nos mantermos ligados ao nosso eu e à matéria, buscando satisfazer os nossos desejos mais supérfluos, estaremos caminhando na direção do abismo e certamente deixaremos como herança às gerações futuras a violência, a corrupção, a ganância, a competitividade, enfim, a má educação.

Os educadores devem estar abertos a mudarem seus valores para educar, e não podemos pensar a escola como o centro da educação, pois a escola não educa.

Temos nas escolas do Brasil e do mundo, muitos professores despreparados para lidarem com outros seres humanos. Há muitos professores que não estão dispostos a mudar seus olhares e ampliarem suas visões a ponto de comprometerem-se verdadeiramente com os problemas educacionais e sociais. Nossos líderes pouco ou nada fazem em relação à educação e à saúde. A sociedade está doente; as pessoas, sejam adultos ou crianças, encontram-se nervosas, agitadas, agressivas, impacientes, estressadas, por isso a família tende a responsabilizar a escola pela educação de seus filhos.

Em muitas famílias brasileiras, pais e filhos não conseguem ter uma relação amigável, de entendimento, compreensão e amor. Na escola, os professores estressados perdem a paciência com os alunos que não param em sala de aula, são agressivos ou alienados. Então que tipo de educação iremos construir se o que nos resta são pais estressados e negligentes, e professores desinteressados e estressados?

Precisamos seriamente cuidar uns dos outros. Não teremos a escola que sonhamos e que educa se continuarmos a destruir a nossa qualidade de vida, a qualidade de vida de nossos educadores, pais, crianças ou jovens.

Vejamos o que afirma Capra (1996, p.23) sobre a mudança de paradigma que se faz necessária em nosso tempo:

“Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria de nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades.

Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados; eles também se recusam a reconhecer como suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras”.

A mudança de valores é o primeiro passo para começarmos a repensar a educação atual e partirmos em busca da escola do futuro. A escola do futuro exige que cuidemos não somente de nossos alunos, mas também de nossos educadores e, que estes estejam abertos para as novas possibilidades, novos pensamentos e novas visões. Mais do que cuidar de nossos educadores e alunos, é mister que resgatemos o valor e a importância da condição humana.

O homem é o centro da educação, pois ele é o gerador dos problemas atuais, então somente ele poderá e deverá solucionar esses problemas. Somos nós os responsáveis por todas as barbáries que o planeta tem passado, somos nós os devastadores do planeta, então, seremos nós os reconstrutores dessas calamidades.

Morin (2001, p. 47) coloca que há sete saberes que são necessários à educação do futuro e, entre eles, ressalta a condição humana:

“A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e ao mesmo tempo reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano.

Conhecer o ser humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separá-lo dele”.

A educação atual está voltada para o conhecimento, mas transmite um conhecimento desconexo, fragmentado. O educando necessita receber as informações de modo que possa adquirir uma visão acerca do mundo em que vive, desenvolvendo a capacidade de refletir sobre sua condição enquanto ser humano.

Os educadores precisam reconhecer-se como seres capazes de educar, precisam despertar suas habilidades adormecidas, utilizando sua criatividade. Segundo Morin (2001, p.32), “necessitamos civilizar nossas teorias, ou seja, desenvolver nova geração de teorias abertas, racionais, críticas, reflexivas, autocríticas, aptas a se auto-reformar”.

Os educadores necessitam congregar seus objetivos em relação a educação do futuro. É o momento de criarem projetos inovadores, que ultrapassem a fronteira das teorias. A educação exige que se crie um eixo de estudos e projetos educacionais pragmáticos e ao mesmo tempo humanizados. Hoje há um interesse maior em teorias que centralizem o homem e sua relação com o todo. As preocupações com o meio ambiente tem sido ressaltadas em muitas teses, e isso deve ser uma chave para que possamos pensar uma nova forma de educar o homem.

As instituições educacionais deverão assumir um novo posicionamento perante as dificuldades educacionais para que haja a possibilidade de uma nova geração pensante. Se continuarmos a pensar que educamos, há uma grande chance de não haver educação no futuro.

Temos que estar cientes de que os homens são educados por homens, e que estes homens que educam são seres bipolarizados, assim como seus educandos. Há em nós caracteres antagônicos, ou seja, ora somos racionais, ora irracionais, ora “homo sapiens, ora homo demens” 3, o que faz de nós seres humanos como nossos alunos. O que não podemos deixar de fazer é nos reeducarmos, mudar nossas posturas, rever valores, pedir auxílio, se assim for preciso, mas preparar-nos para adentrar no complexo campo da educação.

Os educadores precisam ter clareza de suas obrigações e assumirem suas responsabilidades como cidadãos, enfrentando os desafios que certamente surgirão. Hoje temos um grande desafio na educação, que é o desafio de conhecer o homem em sua complexidade e a partir daí, torna-se indispensável que ensinemos a nossos educandos a sua condição humana. Tanto os educandos quanto os educadores, precisam compreender-se como seres humanos complexos e que fazem parte de um todo. Devem aprender a enfrentar as incertezas do conhecimento e crescer em conjunto como seres éticos, capazes de gerenciar seus pensamentos e emoções. Os educadores necessariamente deverão deixar de se esconder atrás de um quadro-negro e enfrentarem os desafios de hoje, de forma que possam criar seres felizes, revolucionários e empreendedores.

Titles: Rethink the education: the school educates?

Abstract:

This article intends to bring to the reflection what it is to educate. It will be that we are, educators and pretense educators, looking at for what really it must be looked at?

It is essential that let us open hand of the ideas conservatives and let us start to search clarifications concerning what is truily to educate. Will be we them educators of the future or mere unconscious repeaters of the past?

According to Morin, the education of the future will have to be first and universal education, centered in the condition human being. To know the human being are, before more nothing, to point out it in the universe, and not to separate it of it.

Key-words: to educate – to rethink – new values – school – condition human being

REFERÊNCIAS

BUSARELLO, Raulino. Dicionário Básico Latino-Português. 6.ed. Florianópolis: UFSC, 2003.

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. São Paulo: Cultrix, 1996.

CURY, Augusto. Pais brilhantes, Professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextane, 2003.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à Educação do Futuro. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2001.

1 Do latim educere – fazer sair, tirar, criar, conduzir para. In Dicionário Básico Latino-Português

2 Complexus significa, segundo Morin, o que foi tecido junto; de fato há complexidade quanto elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico), e há um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes, as partes entre si. Por isso, a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade.

3 Segundo Morin, o ser humano é complexo e traz em si, de modo bipolarizado, caracteres antagonistas: homo sapiens e homo demens (ser humano sábio e ser humano louco).

Flávia Rocha David – Formada em Letras pela FAPA- Faculdades Porto-Alegrenses. Este artigo foi escrito no primeiro semestre de 2006, como instrumento parcial de avaliação da cadeira de Metodologia Científica

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/914/1/repensando-a-educacao-a-escola-educa/pagina1.html

A fala que se ensina

Oralidade não se aprende por intuição: gêneros mais formais, como o seminário, devem ser trabalhados com as crianças desde as séries iniciais

Rodrigo Ratier

Por alguns instantes, volte ao passado: algum professor ajudou você a saber como falar? Salto para o presente: na sua prática em sala, você se preocupa em abordar conteúdos da oralidade? É possível que a resposta às duas perguntas seja a mesma: um sonoro “não”.

Uma apresentação de sucesso

Montagem sobre foto: Edson Reis
Montagem sobre foto: Edson Reis

ROTEIRO PRECISO
Uma cola com tópicos pode ajudar a encaminhar a apresentação. Não vale ler os cartazes nem decorar o trabalho

DISCURSO SEGURO
As falas devem ser claras, coerentes e concisas: é preciso passar todo o conhecimento no tempo combinado

APOIO CERTEIRO
Recursos visuais devem trazer informações simples e diretas para facilitar a compreensão do tema geral da apresentação

A razão é compreensível. Existe a idéia corrente de que não é papel da escola ensinar o aluno a falar – afinal, isso é algo que a criança aprende muito antes, principalmente com a família. Meia verdade. Há nessa concepção um erro grave de reduzir a oralidade à fala cotidiana, informal, representada pelos bate-papos e pelas conversas do dia-a-dia. O fato é que, sob a denominação genérica de “linguagem oral”, encontram-se diversos gêneros: entrevistas, debates, exposições, diálogos com autoridades e dramatizações. Em relação a todos eles, o professor tem um papel importante.

“Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas, especialmente nas mais formais”, afirmou o psicólogo suíço Bernard Schneuwly em entrevista à NOVA ESCOLA em 2002. Considerado um dos maiores estudiosos sobre o Desenvolvimento da oralidade, ele defende que os gêneros da fala têm aplicação direta em vários campos da vida social – o do trabalho, o das relações interpessoais e o da política, por exemplo.

Esforço contínuo

Uma primeira medida para resgatar a importância do tema é investir na abordagem sistemática. A estratégia que deve permear todas as fases da escolarização é iniciar o trabalho pelas situações comunicativas praticadas naturalmente em sala de aula. Partindo dessa perspectiva, o Centro Educacional São Camilo, em Cachoeiro de Itapemirim, a 130 quilômetros de Vitória, decidiu trabalhar o seminário como uma atividade permanente desde o início do Ensino Fundamental (veja a foto à esquerda). E não apenas nas aulas de Língua Portuguesa: pesquisas e trabalhos de campo de História, Geografia e Ciências, antes restritos à entrega em papel, são apresentados para toda a turma na forma de exposição oral. “Com a experiência constante, os estudantes avançam em todas as etapas do trabalho: passam a fazer pesquisas mais profundas, descobrem o que pode ser utilizado na apresentação e mostram mais desenvoltura na hora de expor o assunto”, diz a coordenadora pedagógica Edna Valory (leia no quadro acima os conteúdos desse tipo de atividade).

No seminário, como em qualquer outro gênero, o fundamental é conseguir que ele faça sentido aos alunos. Para isso, o professor deve debater com a turma o propósito da atividade: por que estamos fazendo essa pesquisa? Quais os critérios para selecionar o que aprendemos e merece ser apresentado? De que forma ele pode interessar ao público? “O seminário tem de ter uma finalidade maior do que ser apenas uma apresentação. Caso contrário, o trabalho corre o risco de se tornar desmotivante”, explica Roxane Rojo, professora do Departamento de Lingüística Aplicada da Universidade de Campinas. Depois, é partir para o detalhamento dos procedimentos que sustentam a apresentação oral (leia se qüência didática com etapas da atividade ao lado).

A melhor forma de conseguir bons resultados é acompanhar o aluno em todos os processos. No Colégio Sete de Setembro, em Fortaleza, a orientação dos seminários vai desde a discussão sobre o tema até a avaliação da apresentação. “No momento em que o aluno vai pesquisar, por exemplo, não adianta ele reunir um monte de indicações bibliográficas ou simplesmente copiar trechos de sites da internet. É tarefa do professor auxiliar na seleção de informações e na articulação das diversas fontes”, explica a coordenadora pedagógica Rachel Ângela Rodrigues.

Ainda que a exposição oral seja mais comum nas séries finais do Ensino Fundamental, ela pode ter lugar desde os primeiros anos. A recomendação dos Parâmetros Curriculares Nacionais é que as expectativas de aprendizagem acompanhem a evolução dos alunos. A partir do 3º ano, é possível exigir mais formalidade no uso da linguagem, preparação prévia e manutenção de um ponto de vista na apresentação. A avaliação deve contemplar esses aspectos – desde, claro, que o professor os tenha ensinado.

O que ensinar nos seminários

Quem disse que uma apresentação se aprende espontaneamente? Um seminário possui uma série de procedimentos formais que devem ser abordados em sala. Primeiro, é preciso estudar a fundo o assunto a ser apresentado por meio de pesquisas e leituras. Em seguida, é necessário triar as informações e preparar a exposição, estruturando-a para que ela seja assimilada pelos colegas. Só então chega o momento de partir para a apresentacão propriamente dita. Nessas etapas, há quatro aspectos que não podem ser esquecidos:

Planejamento do texto: além de cuidar do conteúdo (uma preocupação comum a todas a situações comunicativas), um seminário exige a preocupação com a forma como as informações são passadas, que não pode ser a mesma usada com os colegas no dia-a-dia. Por isso, é necessário trabalhar as diferenças entre a língua formal e a informal.

Estrutura da exposição: o conteúdo precisa ser apresentado de forma clara e coerente – o objetivo é facilitar a compreensão de seu sentido geral. Para que isso ocorra, o texto oral deve ter uma seqüência organizada: fase de abertura, introdução ao tema, desenvolvimento, conclusão e encerramento.

Características da fala: o tom e a intensidade da voz do expositor devem criar um clima propício para a interação com a platéia.

Postura corporal: olhares, gestos, expressões faciais e movimentos corporais são importantes para complementar as informações transmitidas pela fala. Esses recursos auxiliam a mobilizar a escuta atenta.

Quer saber mais?

CONTATOS

Centro Educacional São Camilo, R. São Camilo de Léllis, 1, 29304-910, Cachoeiro de Itapemirim, ES, tel. (28) 3526-5918
Cláudia Goulart

Colégio Sete de Setembro, R. D. Carloto Távora, 377, 60421-070, Fortaleza, CE, tel. (85) 3232-5194
Roxane Rojo

BIBLIOGRAFIA

Gêneros Orais e Escritos na Escola, Bernard Schneuwly, Joaquim Dolz e outros, 278 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (19) 3252-6011, 58 reais

INTERNET

Neste site você faz o download de As Práticas Orais na Escola, de Cláudia Goulart

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/fala-se-ensina-423559.shtml

Para professor enrolão, seminário é a solução

girafales

Fui estudante de graduação entre os anos de 1990 e 1994, e um dia desses estava me lembrando dos seminários que tive que apresentar em sala de aula. Lembro-me com detalhes, pois isso aconteceu em apenas duas ocasiões.

Semestre passado perguntei a um formando do mesmo curso, qual teria sido a quantidade de seminários, e este me confidenciou que não sabia ao certo. Encontrou-me posteriormente, e disse que foi contar, e que teria apresentado por volta de 40 seminários. Em algumas disciplinas chegou a apresentar 3 trabalhos, em um mesmo semestre.

É preciso pensar com cuidado o que isso significa. E principalmente em que momento esta virada aconteceu com tanta força.

É inegável que um bom trabalho de pesquisa com apresentação pode agregar muito valor ao aluno, tanto em relação ao aprendizado quanto ao desenvolvimento pessoal, já que no cotidiano profissional será necessário fazer apresentações em público.

Mas quando observamos que em grande parte das disciplinas os conteúdos são ministrados por estudantes, alguma coisa está errada.

Em algumas disciplinas é normal a apresentação e orientação de trabalhos, como por exemplo, as disciplinas de Metodologia, ou mesmo de pesquisa. Em outros casos são seminários para conclusão, com poucas horas-aula, justificando pela motivação que pode gerar nos alunos, além do conteúdo que pode ser trabalhado.

Mas o que dizer quando são disciplinas teóricas, do tronco principal da grade de ensino, com mais da metade da carga horária sendo de seminários? Ou ainda quando o próprio livro-texto é dividido entre os alunos para que estes apresentem o conteúdo?

Um aluno de direito me relatou o caso de um professor de Processo Civil que chegou no primeiro dia de aula com o código, dividiu o mesmo em capítulos, e avisou aos alunos que a partir da próxima aula seriam chamados em ordem alfabética para apresentarem o texto durante as duas horas.

Uma parte dos professores acredita que o aluno pode ter um bom desempenho na apresentação de seminários, mas para outra parte, o seminário “comendo” parte significativa das horas-aula de uma disciplina é apenas um pretexto para esconder sua incompetência em desenvolver 60 horas-aula de estudo por completo.

A verdade é que uma parte dos professores se esconde terceirizando suas aulas aos alunos, até porque não têm leitura e didática suficientes para enfrentar 60/70 alunos durante o semestre inteiro.

Outros acabam repassando a forma de ensinar nos programas de pós-graduação, onde a dinâmica é totalmente diferente, e pouco se importam se os estudantes estão ou não aprendendo o conteúdo obrigatório.

Nos cursos de administração e direito a situação é mais dramática, pois no país houve grande expansão do número de faculdades e alunos, sem que a formação de professores acompanhasse este ritmo.

Por exemplo, há 15 anos eram 5 mil professores de administração no Brasil. Hoje existem por volta de 30 mil profissionais. É simplesmente impossível multiplicar por 6 o número de bons profissionais em tão pouco tempo. O resultado está aí.

Como as Federais possuem pacotes mais atrativos (salário e estabilidade), é natural que consigam os melhores professores, mas o que dizer no caso das demais?

E se para o aluno que perguntei, os 40 seminários apresentados por ele foram em uma Universidade Federal, o que dizer do restante das instituições?

Como sou um professor “antiquado”, utilizo minhas 60 horas da melhor forma possível, dando todas as aulas e aplicando as provas, pois ainda não consegui encontrar um método mais adequado de avaliação. Mesmo reconhecendo que o mundo está mudando rapidamente, e que será preciso uma nova metodologia, ainda não mudei minha forma de ensinar.

Talvez o errado seja eu.

* Post publicado originalmente às 23h55 de ontem.

Autor: Pierre Lucena 27/08/09

Fonte: http://acertodecontas.blog.br/educacao/para-professor-enrolo-seminrio-a-soluo/

O know-how de perguntar

Paulo Périssé| 2007-03-08

De uns anos para cá, nota-se uma preocupação progressiva em transformar a escola numa comunidade inquiridora. Isso requer uma revisão significativa da maneira de ensinar. A primeira mudança tem que ser a de criar no educando o hábito de perguntar, em vez de só responder.


A escola reprodutora e copista, cujo modelo dominou o cenário da educação durante tantos anos, adestrava a responder perguntas, para as quais só havia uma única resposta aceitável. Pergunte, por exemplo, a uma plateia com centenas de pessoas o que é uma ilha e você ouvirá de todos, em coro, a mesma resposta: “uma porção de terra cercada de água por todos os lados”. Pergunte como se chamam as habitações dos povos nativos no Brasil e a resposta será “oca”. Poderia até ser, se fosse na língua Tupi, mas e as habitações dos Wayãmpy, dos Yanomani, dos Xavantes e dos Pataxó? E o que dizer dos Fulniô, dos Karajá e dos Yawalapiti? Será que os Txukahamãe, os Kiriri, os Krahô, os Maxakalí e os Kantaruré não têm casa? São centenas de nações indígenas, com línguas muitos distintas, mas a escola só ensinava “oca”.

Pior ainda era a definição de democracia: “o governo do povo, para o povo e pelo povo”. Várias gerações de brasileiros aprenderam a repetir este verbete do dicionário, mas até hoje continuam sem ter ideia do que isso significa. E não falo das classes menos favorecidas; essas nem iam à escola.

Mesmo hoje, não se ensina ainda que qualquer pergunta pode ter várias respostas possíveis ou que, como nos relembra Edgar Morin (2000), não há conhecimento humano “que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão”. Quando se pergunta, geralmente parte-se do pressuposto de que o conhecimento é inequívoco, descontextualizável, unidimensional, fragmentável e simples. Por isso, ingenuamente se induzem respostas com a forma de indagar:

“O Pelourinho é um ponto turístico da cidade Salvador. Será que isso tem a ver com a nossa História?”.

“Vocês sabiam que existem vários tipos de sangue?”

“Será que existem casos em que o som do RR pode ser representado com apenas um R?”

Em todos os exemplos reais acima, as perguntas reduzem o universo infinito de respostas possíveis a apenas duas: “sim” ou “não”. Além disso, como apenas uma delas pode estar correcta, se uma não é a desejada, com certeza será a outra. Perguntas do tipo “sim ou não” ou que induzem a uma resposta específica não estimulam a razão, nem fazem pensar (quando muito, adivinhar). Que tipo de pergunta tem maior probabilidade de induzir à fantasia e fazer o raciocínio germinar, a que procede sinteticamente (8 + 6 = ?) ou a que propõe uma abordagem analítica (12 = ? + ?)?

De uns anos para cá, nota-se uma preocupação progressiva em transformar a escola numa comunidade inquiridora. Isso requer uma revisão significativa da maneira de ensinar e, em particular, de como perguntar. Em primeiro lugar, a escola hegemónica treinou todos os que passaram por ela para serem “respondedores” de perguntas e não formuladores de questões. Bons pesquisadores, no entanto, não são os que respondem e sim os que possuem tendências inesgotáveis para indagar. Numa comunidade inquiridora, o educador precisa de criar condições para que as crianças formulem as questões. Deve haver uma ênfase no fluxo contínuo de indagações, de modo a fomentar pessoas curiosas, sistemáticas e persistentes nas suas investigações. A primeira mudança de enfoque, portanto, tem que ser a de criar no educando o hábito de perguntar, em vez de só responder.

Mas simplesmente perguntar aleatoriamente, como um atirador vendado no escuro, também não resolve. Há uma grande diferença entre o que Paulo Freire (2001, 2002) chama de curiosidade ingénua ou desarmada e a curiosidade epistemológica ou crítica. “A curiosidade crítica é metódica, exigente”, ela toma distância do seu objecto e dele se aproxima com inquietação indagadora para conhecê-lo profundamente, “desocultá-lo” e dele falar prudentemente.

O questionamento serve para estruturar o pensamento. É necessário saber identificar que tipo de pergunta realmente favorece a uma organização do conhecimento e avanços conceituais, de outros que, ao contrário, simplesmente colectam factos isolados e saberes desunidos. Estes últimos testam a memória, mas não o raciocínio. A aprendizagem dialógica, definida por Flecha e Tortajada (2000) como aquela que é “derivada da utilização e do desenvolvimento das habilidades comunicativas”, caracteriza-se pelo discurso progressivo. Questões abertas favorecem a transformação das informações em conhecimentos, porque geram várias respostas possíveis, pontos de vistas diferentes e, consequentemente, grande número de trocas e diálogos, tanto consigo mesmo, como com os outros.

Certa vez uma mente inquiridora perguntou: “E se eu estivesse caindo no espaço, à velocidade da luz, dentro de um elevador, com um buraco na parede? E se um facho de luz entrasse no elevador pelo buraco, o que aconteceria? Foi investigando as ramificações estruturantes dessa situação altamente improvável que Albert Einstein desenvolveu alguns dos primeiros conceitos sobre a teoria da relatividade”. Perguntas do tipo “E se…” constituem um dos recursos mais fáceis para fazer a imaginação deslanchar e entrar na modalidade germinativa de raciocínio. É uma forma de se liberar dos preconceitos profundamente enraizados, considerar o possível, arriscar o impraticável e sondar o impossível. Quando se pensa assim, as limitações do mundo real não existem, a não ser que as imponhamos com a nossa obsessão adquirida de achar a resposta certa.

É comum encontrar, hoje em dia, educadores que recitam de cor e salteado, em bom “pedagoguês”, que a função da escola é “formar” cidadãos justos, solidários, críticos, reflexivos e autónomos. Para preparar pessoas com as três últimas características a escola precisa, em primeiro lugar, de educadores que sejam eles próprios críticos, reflexivos e autónomos, ou corre o risco de ter um discurso dourado, mas que não se reflecte na prática. Para começar, os educadores precisam perguntar menos aos educandos e indagar mais a si mesmos. Quando isso estiver garantido, aí sim, poderão ensinar às crianças a perguntar mais e a estruturar o seu próprio questionamento, porque quem aprende não pode somente responder.

REFERÊNCIAS:
Flecha, R. e Tortajada, I. (2000) Desafios e saídas educativas na entrada do século. Em F. Imbernón (Org.), A Educação no Século XXI. Porto Alegre: Artes Médicas.
Freire, P. (2001), Política e Educação, São Paulo: Cortez.
Freire, P. (2002), Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra.
Morin, E. (2000), Os sete saberes necessários à Educação do Futuro. UNESCO/Cortez Editora.

*Paulo M. Périssé é Doutor em Psicologia pela USP/SP, coordenador do Projeto The Global School®, Líder Pedagógico da Escola de Educação Internacional da Bahia e coordenador dos cursos de pós-graduação em Educação da Infância na Perspectiva Lúdica e Educação Inclusiva da Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Detail.aspx?opsel=2&schema=1CD970AB0836334EB627B1FF128684C3&contentid=8CBF7FBC502D473A9EAFDEE004BF0503&channelid=8A4D0E7C9C13D646AD251EDC9DBAA203

>O know-how de perguntar

>Paulo Périssé| 2007-03-08

De uns anos para cá, nota-se uma preocupação progressiva em transformar a escola numa comunidade inquiridora. Isso requer uma revisão significativa da maneira de ensinar. A primeira mudança tem que ser a de criar no educando o hábito de perguntar, em vez de só responder.


A escola reprodutora e copista, cujo modelo dominou o cenário da educação durante tantos anos, adestrava a responder perguntas, para as quais só havia uma única resposta aceitável. Pergunte, por exemplo, a uma plateia com centenas de pessoas o que é uma ilha e você ouvirá de todos, em coro, a mesma resposta: “uma porção de terra cercada de água por todos os lados”. Pergunte como se chamam as habitações dos povos nativos no Brasil e a resposta será “oca”. Poderia até ser, se fosse na língua Tupi, mas e as habitações dos Wayãmpy, dos Yanomani, dos Xavantes e dos Pataxó? E o que dizer dos Fulniô, dos Karajá e dos Yawalapiti? Será que os Txukahamãe, os Kiriri, os Krahô, os Maxakalí e os Kantaruré não têm casa? São centenas de nações indígenas, com línguas muitos distintas, mas a escola só ensinava “oca”.

Pior ainda era a definição de democracia: “o governo do povo, para o povo e pelo povo”. Várias gerações de brasileiros aprenderam a repetir este verbete do dicionário, mas até hoje continuam sem ter ideia do que isso significa. E não falo das classes menos favorecidas; essas nem iam à escola.

Mesmo hoje, não se ensina ainda que qualquer pergunta pode ter várias respostas possíveis ou que, como nos relembra Edgar Morin (2000), não há conhecimento humano “que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão”. Quando se pergunta, geralmente parte-se do pressuposto de que o conhecimento é inequívoco, descontextualizável, unidimensional, fragmentável e simples. Por isso, ingenuamente se induzem respostas com a forma de indagar:

“O Pelourinho é um ponto turístico da cidade Salvador. Será que isso tem a ver com a nossa História?”.

“Vocês sabiam que existem vários tipos de sangue?”

“Será que existem casos em que o som do RR pode ser representado com apenas um R?”

Em todos os exemplos reais acima, as perguntas reduzem o universo infinito de respostas possíveis a apenas duas: “sim” ou “não”. Além disso, como apenas uma delas pode estar correcta, se uma não é a desejada, com certeza será a outra. Perguntas do tipo “sim ou não” ou que induzem a uma resposta específica não estimulam a razão, nem fazem pensar (quando muito, adivinhar). Que tipo de pergunta tem maior probabilidade de induzir à fantasia e fazer o raciocínio germinar, a que procede sinteticamente (8 + 6 = ?) ou a que propõe uma abordagem analítica (12 = ? + ?)?

De uns anos para cá, nota-se uma preocupação progressiva em transformar a escola numa comunidade inquiridora. Isso requer uma revisão significativa da maneira de ensinar e, em particular, de como perguntar. Em primeiro lugar, a escola hegemónica treinou todos os que passaram por ela para serem “respondedores” de perguntas e não formuladores de questões. Bons pesquisadores, no entanto, não são os que respondem e sim os que possuem tendências inesgotáveis para indagar. Numa comunidade inquiridora, o educador precisa de criar condições para que as crianças formulem as questões. Deve haver uma ênfase no fluxo contínuo de indagações, de modo a fomentar pessoas curiosas, sistemáticas e persistentes nas suas investigações. A primeira mudança de enfoque, portanto, tem que ser a de criar no educando o hábito de perguntar, em vez de só responder.

Mas simplesmente perguntar aleatoriamente, como um atirador vendado no escuro, também não resolve. Há uma grande diferença entre o que Paulo Freire (2001, 2002) chama de curiosidade ingénua ou desarmada e a curiosidade epistemológica ou crítica. “A curiosidade crítica é metódica, exigente”, ela toma distância do seu objecto e dele se aproxima com inquietação indagadora para conhecê-lo profundamente, “desocultá-lo” e dele falar prudentemente.

O questionamento serve para estruturar o pensamento. É necessário saber identificar que tipo de pergunta realmente favorece a uma organização do conhecimento e avanços conceituais, de outros que, ao contrário, simplesmente colectam factos isolados e saberes desunidos. Estes últimos testam a memória, mas não o raciocínio. A aprendizagem dialógica, definida por Flecha e Tortajada (2000) como aquela que é “derivada da utilização e do desenvolvimento das habilidades comunicativas”, caracteriza-se pelo discurso progressivo. Questões abertas favorecem a transformação das informações em conhecimentos, porque geram várias respostas possíveis, pontos de vistas diferentes e, consequentemente, grande número de trocas e diálogos, tanto consigo mesmo, como com os outros.

Certa vez uma mente inquiridora perguntou: “E se eu estivesse caindo no espaço, à velocidade da luz, dentro de um elevador, com um buraco na parede? E se um facho de luz entrasse no elevador pelo buraco, o que aconteceria? Foi investigando as ramificações estruturantes dessa situação altamente improvável que Albert Einstein desenvolveu alguns dos primeiros conceitos sobre a teoria da relatividade”. Perguntas do tipo “E se…” constituem um dos recursos mais fáceis para fazer a imaginação deslanchar e entrar na modalidade germinativa de raciocínio. É uma forma de se liberar dos preconceitos profundamente enraizados, considerar o possível, arriscar o impraticável e sondar o impossível. Quando se pensa assim, as limitações do mundo real não existem, a não ser que as imponhamos com a nossa obsessão adquirida de achar a resposta certa.

É comum encontrar, hoje em dia, educadores que recitam de cor e salteado, em bom “pedagoguês”, que a função da escola é “formar” cidadãos justos, solidários, críticos, reflexivos e autónomos. Para preparar pessoas com as três últimas características a escola precisa, em primeiro lugar, de educadores que sejam eles próprios críticos, reflexivos e autónomos, ou corre o risco de ter um discurso dourado, mas que não se reflecte na prática. Para começar, os educadores precisam perguntar menos aos educandos e indagar mais a si mesmos. Quando isso estiver garantido, aí sim, poderão ensinar às crianças a perguntar mais e a estruturar o seu próprio questionamento, porque quem aprende não pode somente responder.

REFERÊNCIAS:
Flecha, R. e Tortajada, I. (2000) Desafios e saídas educativas na entrada do século. Em F. Imbernón (Org.), A Educação no Século XXI. Porto Alegre: Artes Médicas.
Freire, P. (2001), Política e Educação, São Paulo: Cortez.
Freire, P. (2002), Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra.
Morin, E. (2000), Os sete saberes necessários à Educação do Futuro. UNESCO/Cortez Editora.

*Paulo M. Périssé é Doutor em Psicologia pela USP/SP, coordenador do Projeto The Global School®, Líder Pedagógico da Escola de Educação Internacional da Bahia e coordenador dos cursos de pós-graduação em Educação da Infância na Perspectiva Lúdica e Educação Inclusiva da Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Detail.aspx?opsel=2&schema=1CD970AB0836334EB627B1FF128684C3&contentid=8CBF7FBC502D473A9EAFDEE004BF0503&channelid=8A4D0E7C9C13D646AD251EDC9DBAA203

Você é um Professor Digital?

By profjc

Por José Carlos Antonio

Na foto acima, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

Quando comecei a escrever sobre informática educacional, lá pelos idos de 1998, me lembro que meu primeiro artigo abordava a importância do uso dos computadores como ferramenta de ensino-aprendizagem. Nele, eu tentava mostrar que os computadores e a Internet poderiam ser ferramentas poderosas para pesquisa, aprendizagem, interatividade e autoria.

Na foto ao lado, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

De lá para cá muita coisa mudou no mundo da informática e dos computadores. Mas, no âmbito da escola, notamos um descompasso entre o ritmo da evolução tecnológica e o da evolução de nossos processos educacionais. O que, de certa forma, sabemos que não é novidade para ninguém: a escola implementa mudanças de uma forma mais lenta, ainda que, paradoxalmente, seja uma instituição que se propõe a ser um fator gerador de mudanças. É por isso que os professores devem considerar as oficinas de capacitação para o uso pedagógico dos computadores e da Internet como oportunidades valiosas de aprendizagem de novas metodologias e técnicas de ensino-aprendizagem.

Mas só isso não basta. É preciso mais. Já não basta perder o medo do computador. É preciso saber para que ele serve se pretendemos fazer bom uso da máquina. Professores que só usaram computadores para bater papo na Internet, jogar games ou, quando muito, digitar um texto mal formatado no Word, estão deixando de aproveitar a chance de serem verdadeiros “professores digitais”.

Na rede pública de ensino há ainda uma demanda enorme de computadores para equipar centenas de escolas que não dispõem de uma Sala de Informática funcional. Em outras tantas escolas os computadores já estão ultrapassados e não dão mais conta de rodarem sistemas operacionais modernos ou mesmo de lidar com a Internet midiática atual. É preciso suprir essas demandas. As máquinas mudaram, o mundo mudou, embora na maior parte das escolas os professores continuem quase os mesmos. Mas é preciso fazer também, e urgentemente, um “upgrade nos professores” e não apenas nas Salas de Informática. Precisamos de “professores digitais”.

Um professor digital é aquele que possui habilidades para fazer um bom uso do computadores para ele mesmo e, por extensão, é capaz de usá-lo de forma produtiva com seus alunos.

As “habilidades” que listarei a seguir podem ser discutíveis e em número limitado. Arrisco-me, no entanto, a afirmar que quantas mais forem as habilidades possuídas, mais perto se chegará do perfil de um professor digital. Vejamos>

  1. Possuir um endereço de e-mail e utilizá-lo pelo menos duas vezes por semana (o ideal seria fazê-lo diariamente);
  2. Possuir um blog, um site ou uma página atualizável na Internet onde regularmente se produz, socializa e se confronta seu conhecimento com outras pessoas;
  3. Participar ativamente de um ou mais “grupos de discussão”, fórum ou comunidade virtual ligada à sua atividade educacional;
  4. Possuir algum programa de troca de mensagens on-line, como o MSN, com, no mínimo, dois colegas de profissão em sua “lista de contatos” e usá-lo para fins profissionais pelo menos uma vez por semana, em média;
  5. Assinar algum periódico on-line (mesmo que gratuito) sobre notícias e novidades relacionadas à educação ou à sua disciplina específica, e lê-lo regularmente;
  6. Preparar rotineiramente provas, resumos, tabelas, roteiros e materiais didáticos diversos usando um processador de textos (como o Word, por exemplo), uma planilha eletrônica (como o Excel) ou um programa de apresentações multimídia (como o PowerPoint);
  7. Fazer pesquisa na Internet regularmente com vistas à preparação de suas aulas (no mínimo) e, preferencialmente, manter um banco de dados de sites úteis para sua disciplina e para a educação em geral. Melhor ainda seria compartilhar esse banco de dados com colegas e alunos;
  8. Preparar pelo menos uma aula por bimestre sobre um tema de sua disciplina onde os alunos usarão os computadores e a Sala de Informática de forma produtiva e não apenas para “matar o tempo”;
  9. Manter contato com o computador por, pelo menos, uma hora diária, em média;
  10. Manter-se atento para as novas possibilidades de uso pedagógico das novas tecnologias que surgem continuamente e tentar implementar novas metodologias em suas aulas.

Note que na lista acima não foi incluída em nenhum item a necessidade de se “possuir um computador”, porque de fato não é preciso possuir algum para ser um professor digital, ou mesmo para incluir-se digitalmente. No entanto, muitos professores que conheço possuem computadores e acesso à Internet, mas não chegam a ter nem três das dez habilidades listadas acima.

As habilidades acima envolvem o “fazer”, o agir, a inclusão efetiva do professor no mundo digital. Nenhuma oficina de capacitação ou curso de computação, por si só, traz nenhuma das habilidades acima, pois todas elas demandam o “uso regular do computador e da Internet”.

Aproveite e faça você mesmo o teste para medir o quanto você se enquadra no perfil do professor digital. Some um ponto para cada item dessa lista que se aplicar a você. Caso você some mais que cinco pontos, já pode se considerar como parte da vanguarda dos professores digitais.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2008/06/30/voce-e-um-professor-digital/

>Você é um Professor Digital?

>By profjc

Por José Carlos Antonio

Na foto acima, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

Quando comecei a escrever sobre informática educacional, lá pelos idos de 1998, me lembro que meu primeiro artigo abordava a importância do uso dos computadores como ferramenta de ensino-aprendizagem. Nele, eu tentava mostrar que os computadores e a Internet poderiam ser ferramentas poderosas para pesquisa, aprendizagem, interatividade e autoria.

Na foto ao lado, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

De lá para cá muita coisa mudou no mundo da informática e dos computadores. Mas, no âmbito da escola, notamos um descompasso entre o ritmo da evolução tecnológica e o da evolução de nossos processos educacionais. O que, de certa forma, sabemos que não é novidade para ninguém: a escola implementa mudanças de uma forma mais lenta, ainda que, paradoxalmente, seja uma instituição que se propõe a ser um fator gerador de mudanças. É por isso que os professores devem considerar as oficinas de capacitação para o uso pedagógico dos computadores e da Internet como oportunidades valiosas de aprendizagem de novas metodologias e técnicas de ensino-aprendizagem.

Mas só isso não basta. É preciso mais. Já não basta perder o medo do computador. É preciso saber para que ele serve se pretendemos fazer bom uso da máquina. Professores que só usaram computadores para bater papo na Internet, jogar games ou, quando muito, digitar um texto mal formatado no Word, estão deixando de aproveitar a chance de serem verdadeiros “professores digitais”.

Na rede pública de ensino há ainda uma demanda enorme de computadores para equipar centenas de escolas que não dispõem de uma Sala de Informática funcional. Em outras tantas escolas os computadores já estão ultrapassados e não dão mais conta de rodarem sistemas operacionais modernos ou mesmo de lidar com a Internet midiática atual. É preciso suprir essas demandas. As máquinas mudaram, o mundo mudou, embora na maior parte das escolas os professores continuem quase os mesmos. Mas é preciso fazer também, e urgentemente, um “upgrade nos professores” e não apenas nas Salas de Informática. Precisamos de “professores digitais”.

Um professor digital é aquele que possui habilidades para fazer um bom uso do computadores para ele mesmo e, por extensão, é capaz de usá-lo de forma produtiva com seus alunos.

As “habilidades” que listarei a seguir podem ser discutíveis e em número limitado. Arrisco-me, no entanto, a afirmar que quantas mais forem as habilidades possuídas, mais perto se chegará do perfil de um professor digital. Vejamos>

  1. Possuir um endereço de e-mail e utilizá-lo pelo menos duas vezes por semana (o ideal seria fazê-lo diariamente);
  2. Possuir um blog, um site ou uma página atualizável na Internet onde regularmente se produz, socializa e se confronta seu conhecimento com outras pessoas;
  3. Participar ativamente de um ou mais “grupos de discussão”, fórum ou comunidade virtual ligada à sua atividade educacional;
  4. Possuir algum programa de troca de mensagens on-line, como o MSN, com, no mínimo, dois colegas de profissão em sua “lista de contatos” e usá-lo para fins profissionais pelo menos uma vez por semana, em média;
  5. Assinar algum periódico on-line (mesmo que gratuito) sobre notícias e novidades relacionadas à educação ou à sua disciplina específica, e lê-lo regularmente;
  6. Preparar rotineiramente provas, resumos, tabelas, roteiros e materiais didáticos diversos usando um processador de textos (como o Word, por exemplo), uma planilha eletrônica (como o Excel) ou um programa de apresentações multimídia (como o PowerPoint);
  7. Fazer pesquisa na Internet regularmente com vistas à preparação de suas aulas (no mínimo) e, preferencialmente, manter um banco de dados de sites úteis para sua disciplina e para a educação em geral. Melhor ainda seria compartilhar esse banco de dados com colegas e alunos;
  8. Preparar pelo menos uma aula por bimestre sobre um tema de sua disciplina onde os alunos usarão os computadores e a Sala de Informática de forma produtiva e não apenas para “matar o tempo”;
  9. Manter contato com o computador por, pelo menos, uma hora diária, em média;
  10. Manter-se atento para as novas possibilidades de uso pedagógico das novas tecnologias que surgem continuamente e tentar implementar novas metodologias em suas aulas.

Note que na lista acima não foi incluída em nenhum item a necessidade de se “possuir um computador”, porque de fato não é preciso possuir algum para ser um professor digital, ou mesmo para incluir-se digitalmente. No entanto, muitos professores que conheço possuem computadores e acesso à Internet, mas não chegam a ter nem três das dez habilidades listadas acima.

As habilidades acima envolvem o “fazer”, o agir, a inclusão efetiva do professor no mundo digital. Nenhuma oficina de capacitação ou curso de computação, por si só, traz nenhuma das habilidades acima, pois todas elas demandam o “uso regular do computador e da Internet”.

Aproveite e faça você mesmo o teste para medir o quanto você se enquadra no perfil do professor digital. Some um ponto para cada item dessa lista que se aplicar a você. Caso você some mais que cinco pontos, já pode se considerar como parte da vanguarda dos professores digitais.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2008/06/30/voce-e-um-professor-digital/

Professor, você utiliza ou gostaria de utilizar a internet em sala de aula?

Professor, você se sente à vontade para usar a internet na sala de aula? As novas tecnologias facilitam ou prejudicam o aprendizado da turma? “Um projeto de mudança curricular do ensino primário na Inglaterra quer que a tecnologia seja a “espinha dorsal” do currículo e que os alunos menores de 11 anos estejam aptos a usar ferramentas como Twitter, blogs e Wikipédia, dando-lhes a mesma importância de matérias como história ou matemática.”

Para a pesquisadora Rosária Nakashima, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o futuro da escola depende da abertura para os novos recursos tecnológicos que estão surgindo”, os quais “podem ser usados de forma pedagógica”.

Contudo, embora “a escola ainda seja o lugar mais habitual para a navegação pela rede”, no Brasil, a internet ainda é pouco usada em salas de aula: “cerca de 50% dos professores não utilizam nem recomendam a internet como recurso útil para os estudos”.

Você acha que a internet é útil para a realização dos estudos? Você utiliza ou gostaria de utilizar a internet em sala de aula? Comente.

Fonte: http://forum.educacao.blog.uol.com.br/arch2009-04-05_2009-04-11.html#2009_04-06_11_54_23-8953204-0

>Professor, você utiliza ou gostaria de utilizar a internet em sala de aula?

>Professor, você se sente à vontade para usar a internet na sala de aula? As novas tecnologias facilitam ou prejudicam o aprendizado da turma? “Um projeto de mudança curricular do ensino primário na Inglaterra quer que a tecnologia seja a “espinha dorsal” do currículo e que os alunos menores de 11 anos estejam aptos a usar ferramentas como Twitter, blogs e Wikipédia, dando-lhes a mesma importância de matérias como história ou matemática.”

Para a pesquisadora Rosária Nakashima, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o futuro da escola depende da abertura para os novos recursos tecnológicos que estão surgindo”, os quais “podem ser usados de forma pedagógica”.

Contudo, embora “a escola ainda seja o lugar mais habitual para a navegação pela rede”, no Brasil, a internet ainda é pouco usada em salas de aula: “cerca de 50% dos professores não utilizam nem recomendam a internet como recurso útil para os estudos”.

Você acha que a internet é útil para a realização dos estudos? Você utiliza ou gostaria de utilizar a internet em sala de aula? Comente.

Fonte: http://forum.educacao.blog.uol.com.br/arch2009-04-05_2009-04-11.html#2009_04-06_11_54_23-8953204-0

>Para Refletir

>Olá Amigos

Hoje estamos abrindo o Caldeirão de Ideias para um debate iniciado pelas minhas amigas – DTERJ13 ligado ao NTE Rio IIIMulher é desdobrável. Eu sou.” e pela Cybele Meyer dos blogs Cybele Meuyer: Falando Sobre… e o já consagrado Educar Já!. Elas iniciaram debates com temas pra lá de interessantes. Um sobre gestão, um sobre a otica do professor e mudança e o outro sobre uma avaliação profissional sobre o papel do professor, que inclusive foi tema de um debate bem amplo.


O texto colocado abaixo foi uma contribuição da Fernanda Melo na lista de discussão para a turma dos NTEs do Estado do Rio de Janeiro e a da Tatiane Martins intitulado “São as crenças dos professores sobre os alunos que determinam o efeito professor e seu ensino” que pode ser lida no blog dela nos fazem refletir sobre como vemos e sobre o que queremos da educação. Os textos e os destaques da Tatiane Martins são imperdíveis para todo profissional de educação que atua ou não com o uso de TICs em seu cotidiano ou está tentando usar. O da Cybele Meyer intitulado Precisamos mudar a ótica do professor ela coloca uma avaliação precisa da otica atual da classe e da necessidade urgente de mudança que se faz.

O texto da Fernanda Mello mostra que sem o envolvimento dos diretores ou gestores na implantação das TICs na escola, esse processo se torna mais longo, doloroso e quase inaplicavel.

E nosso papel como veiculo de divulgação e reflexão nos interessa trazer para o Caldeirão de Ideias esses debates, para que os leitores possam opinar e deixar aqui suas reflexões que com certeza contribuirão em muito o desenvolvimento profissional de outros leitores.

Por isso não deixe de ler, refletir e opinar.

Comente

Abraços

Equipe NTE Itaperuna