>Reciclar sonhos conscientemente

>
Olá Amigos

Hoje acordei já pensando nas tantas e simples coisas que preciso pro café da manha e acabei me assustando ao perceber que a lista era bem maior do que eu precisava.
Pensei nos anos, dias e meses da minha jornada, afinal, não é todo dia que se faz aniversário.
Percebi que a lista era materialista demais, então …

rasguei tudo, …
deletei e repensei

Olhei minha filha,
Olhei minha mulher,
Lembrei dos amigos,
Então refiz a lista
Escrevi três letras

Pão

E de uma forma que não posso transcrever devido a dimensão, pão me foi suficiente pra sair e ir ao mercado. Claro que acabei me perdendo diante das trocentas opções e acabei levando mais que previ, mas de forma consciente paguei pelo que escolhi. Não para mostrar a ninguém nada de nada.

Eu sou a prova de que posso tudo, mas nem tudo convém. Com esse olhar comecei a observar as pessoas no mercado, e tudo me parecia a própria torre de Babel, então me senti livre.
Eu sabia que tinha um caminho, mas acabei com produtos a mais, mas me impressionou a forma como a falsa ideologia de consumismo absorve, entranha e nos faz diferentes.
Então me apeguei novamente a lista.

Pão

Tentei voltar a ela e me desfiz de alguns produtos. É preciso repensar nossa postura sempre e repetidamente para que a lógica de funcionamento da mudança de que tanto falamos, mas pouco (confesso) praticamos seja real.
Não vou negar que sai com mais produtos que o necessário, mas saí com a mente aberta pra uma nova proposta de postura urgente e necessária, e por que não, global?

O consumo consciente ou sustentável é um conceito bem mais aberto, que hoje está além da direção da economia, dos direitos do consumidor e da reciclagem de lixo. Não é uma postura reativa, mas leva o consumidor a se identificar como um protagonista dentro desse amplo contexto social, político e cultural.

Mas temos que muda-lo.

Percebi que é primordial um consumo consciente , sustentável, que embora voltado para o campo econômico, deve se perfazer numa postura delicada de cada um de nós. Não bastam os direitos do consumidor, nem as tantas leis, basta olhar a Ana , a Larissa, e perceber que os gestos simples ao longo dos dias são essenciais pra formar uma nova postura dessa galerinha que vem e que já vê na reciclagem um instrumento para a conservação do universo, ou ao menos
da Terra, planeta água.

Somos protagonistas de nossas histórias e que tal pararmos um pouquinho e fazer aos poucos
pequenos gestos em prol de um mundo sustentável?

Participem da blogagem coletiva sobre Consumo Consciente para discutirmos e divulgarmos ações que levem a um cotidiano de consumo sustentável.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Reciclar sonhos conscientemente


Olá Amigos

Hoje acordei já pensando nas tantas e simples coisas que preciso pro café da manha e acabei me assustando ao perceber que a lista era bem maior do que eu precisava.
Pensei nos anos, dias e meses da minha jornada, afinal, não é todo dia que se faz aniversário.
Percebi que a lista era materialista demais, então …

rasguei tudo, …
deletei e repensei

Olhei minha filha,
Olhei minha mulher,
Lembrei dos amigos,
Então refiz a lista
Escrevi três letras

Pão

E de uma forma que não posso transcrever devido a dimensão, pão me foi suficiente pra sair e ir ao mercado. Claro que acabei me perdendo diante das trocentas opções e acabei levando mais que previ, mas de forma consciente paguei pelo que escolhi. Não para mostrar a ninguém nada de nada.

Eu sou a prova de que posso tudo, mas nem tudo convém. Com esse olhar comecei a observar as pessoas no mercado, e tudo me parecia a própria torre de Babel, então me senti livre.
Eu sabia que tinha um caminho, mas acabei com produtos a mais, mas me impressionou a forma como a falsa ideologia de consumismo absorve, entranha e nos faz diferentes.
Então me apeguei novamente a lista.

Pão

Tentei voltar a ela e me desfiz de alguns produtos. É preciso repensar nossa postura sempre e repetidamente para que a lógica de funcionamento da mudança de que tanto falamos, mas pouco (confesso) praticamos seja real.
Não vou negar que sai com mais produtos que o necessário, mas saí com a mente aberta pra uma nova proposta de postura urgente e necessária, e por que não, global?

O consumo consciente ou sustentável é um conceito bem mais aberto, que hoje está além da direção da economia, dos direitos do consumidor e da reciclagem de lixo. Não é uma postura reativa, mas leva o consumidor a se identificar como um protagonista dentro desse amplo contexto social, político e cultural.

Mas temos que muda-lo.

Percebi que é primordial um consumo consciente , sustentável, que embora voltado para o campo econômico, deve se perfazer numa postura delicada de cada um de nós. Não bastam os direitos do consumidor, nem as tantas leis, basta olhar a Ana , a Larissa, e perceber que os gestos simples ao longo dos dias são essenciais pra formar uma nova postura dessa galerinha que vem e que já vê na reciclagem um instrumento para a conservação do universo, ou ao menos
da Terra, planeta água.

Somos protagonistas de nossas histórias e que tal pararmos um pouquinho e fazer aos poucos
pequenos gestos em prol de um mundo sustentável?

Participem da blogagem coletiva sobre Consumo Consciente para discutirmos e divulgarmos ações que levem a um cotidiano de consumo sustentável.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

E vale a pena ser professor?


João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

>E vale a pena ser professor?

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João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

Playing for Change: Paz através da música

Olá Amigos

Hoje recebi da minha amiga Suzana Cividanis um e-mail contendo uma jóia dentro. Era uma versão remixada e cantada por moradores de rua e varias pessoas pelo mundo cantando e tocando a música Stand By Me de Ben E. King imortalizado pelo maravilhoso John Lenon. O clipe faz parte do premiado documentário, “Playing for Change: Paz através da música”.

Aqui, onde me encontro, na minha casa, quente, com comida , conforto e pessoas que me querem bem, torna-se insuportável saber que , neste mesmo momento, há bombardeios em Gaza, no Congo, em Ruanda, etc. Além de milhões de pessoas que morrem, sem água, sem comida e roupa, sem casa e outros, com isso, mas no desemprego, sem posses para sobreviver, para ter uma vida no mínimo digna: que mundo é este?

Como digo aos amigos mais próximos: O insuportável é aqui tão perto de casa!

O clipe, a musica, o conceito tudo é lindo e perfeito, ainda há quem pense que dar dinheiro à músicos de rua é caridade, para mim eles e elas trabalham. Que belas ficam as cidades cheias dos sons de seus músicos de rua! As ruas do mundo inteiro deveriam encher-se destes sons. Que pena se não existissem!

Não há palavras. Quando o ser humano quer até consegue ser espetacular. A música, a poesia, a voz, a expressão e o sentimento são universais. É a música na rua, para ser desfrutada pelo povo anônimo que não vai aos concertos. A música que aproxima povos e continentes. Trazer a música para a rua talvez contribua para um mundo mais solidário.

A música como um extraordinário meio de comunicação entre os cidadãos do mundo, independentemente da raça ou religião. Legal ver tantas gerações e raças e um único modo de se comunicar… a musica. É incrível como uns simples acordes nos fazem acreditar num mundo melhor…

Mudança, começa por aí…esperança cantada…

Por isso vamos nos juntar ao movimento para ajudar a inspirar as pessoas ao redor do mundo para se unirem através da música. Ainda podemos salvar o mundo…Eu acredito, desde que “You stand by me”!

Emocione-se

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Us-TVg40ExM&hl=pt-br&fs=1&]

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Eu, professora, me confesso?


Maria Helena Ramalho| 2008-05-20

Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora com 50 anos de idade e no 29.º ano de serviço, me confesso “transportada” repentinamente para um tempo e um contexto que não são os meus.

Um tempo, algures entre um passado, que felizmente já não vivi como docente (o de ditadura), e um futuro ainda muito confuso, em que tudo parece acontecer a um ritmo alucinante e com trajectórias pautadas pela irregularidade e imprevisibilidade.

Um contexto, em que as condições materiais e espaciais escolares são das menos favoráveis de toda a minha carreira (apesar do tão falado “choque tecnológico”), em que a estrutura educativa e escolar está de tal modo verticalizada e a cadeia de transmissão de informação tão extensa e difusa que os fenómenos de entropia marcam o quotidiano, abrindo caminho a uma opacidade nada favorável a ambientes construtivos e colaborativos.

Eu, professora por opção e vocação, confesso colocar em causa o meu papel na escola de hoje. Por temperamento e circunstâncias diversas, sempre tive uma postura discreta (excessivamente, segundo alguns), sempre me bastou o carácter sedutor e gratificante de cada aula, de cada encontro pedagógico com os meus alunos. Quando o mérito era reconhecido por pares e por superiores hierárquicos melhor, mas nunca foi (nem é) essa a preocupação da minha vida profissional. Hoje, as circunstâncias do encontro pedagógico estão tão condicionadas e são, por vezes, tão violentas, que dificilmente se consegue fruir o momento, se consegue encantar e ser encantado. Quanto ao reconhecimento do mérito por terceiros, o clima que se está a instalar na(s) escola(s) leva-me a recear que não só tenha menos probabilidade de acontecer como, pior ainda, possa a subserviência vir a ser considerada `mérito’.

Eu, professora, confesso saber ler, interpretar, detectar incongruências… pensar. Confesso saber (no sentido, também, de `estar convencida’) que o ensino-aprendizagem para qualquer ser humano (aluno, professor…) tem de ser faseado e tem de fazer sentido, sob pena de não ocorrer verdadeira aprendizagem. Assim, ninguém vive dignamente a sua profissão numa cadência desenfreada de alterações profundas, num sistema top-down e em cascata, com a agravante das incongruências se sucederem ao mesmo ritmo das orientações/determinações superiormente emanadas. Na melhor das hipóteses sobrevive-se à custa de manipulação de dados e de subversão de princípios.

Eu, professora, me confesso (ainda) disposta a lutar para que a escola se paute pela seriedade e dignidade, pelo binómio ensinar-aprender, num contexto de formar e crescer. Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora, me questiono…
– Contribuí para este estado da situação? Espero que não.
– Fui conivente com ele? Talvez em parte, por omissão e desorientação nos primeiros meses do meu “reencontro” com a escola.
– Posso alterá-lo? Quero acreditar que sim, certa de que só o poderei fazer se não estiver isolada. Afinal, a escola somos nós (também) que a fazemos!

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=4DAC20983055309EE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0

>Eu, professora, me confesso?

>
Maria Helena Ramalho| 2008-05-20

Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora com 50 anos de idade e no 29.º ano de serviço, me confesso “transportada” repentinamente para um tempo e um contexto que não são os meus.

Um tempo, algures entre um passado, que felizmente já não vivi como docente (o de ditadura), e um futuro ainda muito confuso, em que tudo parece acontecer a um ritmo alucinante e com trajectórias pautadas pela irregularidade e imprevisibilidade.

Um contexto, em que as condições materiais e espaciais escolares são das menos favoráveis de toda a minha carreira (apesar do tão falado “choque tecnológico”), em que a estrutura educativa e escolar está de tal modo verticalizada e a cadeia de transmissão de informação tão extensa e difusa que os fenómenos de entropia marcam o quotidiano, abrindo caminho a uma opacidade nada favorável a ambientes construtivos e colaborativos.

Eu, professora por opção e vocação, confesso colocar em causa o meu papel na escola de hoje. Por temperamento e circunstâncias diversas, sempre tive uma postura discreta (excessivamente, segundo alguns), sempre me bastou o carácter sedutor e gratificante de cada aula, de cada encontro pedagógico com os meus alunos. Quando o mérito era reconhecido por pares e por superiores hierárquicos melhor, mas nunca foi (nem é) essa a preocupação da minha vida profissional. Hoje, as circunstâncias do encontro pedagógico estão tão condicionadas e são, por vezes, tão violentas, que dificilmente se consegue fruir o momento, se consegue encantar e ser encantado. Quanto ao reconhecimento do mérito por terceiros, o clima que se está a instalar na(s) escola(s) leva-me a recear que não só tenha menos probabilidade de acontecer como, pior ainda, possa a subserviência vir a ser considerada `mérito’.

Eu, professora, confesso saber ler, interpretar, detectar incongruências… pensar. Confesso saber (no sentido, também, de `estar convencida’) que o ensino-aprendizagem para qualquer ser humano (aluno, professor…) tem de ser faseado e tem de fazer sentido, sob pena de não ocorrer verdadeira aprendizagem. Assim, ninguém vive dignamente a sua profissão numa cadência desenfreada de alterações profundas, num sistema top-down e em cascata, com a agravante das incongruências se sucederem ao mesmo ritmo das orientações/determinações superiormente emanadas. Na melhor das hipóteses sobrevive-se à custa de manipulação de dados e de subversão de princípios.

Eu, professora, me confesso (ainda) disposta a lutar para que a escola se paute pela seriedade e dignidade, pelo binómio ensinar-aprender, num contexto de formar e crescer. Ainda acalento o sonho de “ser professora de…”, de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora, me questiono…
– Contribuí para este estado da situação? Espero que não.
– Fui conivente com ele? Talvez em parte, por omissão e desorientação nos primeiros meses do meu “reencontro” com a escola.
– Posso alterá-lo? Quero acreditar que sim, certa de que só o poderei fazer se não estiver isolada. Afinal, a escola somos nós (também) que a fazemos!

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=4DAC20983055309EE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0