Afinal qual é o caminho?

Olá amigos

Tenho lido diversas coisas bastante interessantes e outras bastante repetitivas, mas cada uma dizendo ser a solução, o Santo Graal, da nova escola do século XXI. Li algumas propostas de flexibilização do currículo, de escola integral, de tec-learning, sem notas, sem séries, sem turmas, com gestão democrática, etc..

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Conheci a Escola da Ponte do José Pacheco e li sobre o seu projeto Âncora, desenvolvido em Cotia/SP. O projeto é bem parecido com a Escola da Ponte que são apoiados em três pilares: valores, multirreferencialidade teórica e marco legal, como os Parâmetros Curriculares Nacionais. Lá, crianças de todas as idades e níveis de conhecimento ocupam os mesmos espaços e aprendem juntos. Para isso, a escola adota ferramentas que auxiliam a prática pedagógica e possibilitam o exercício da reflexão, da autonomia e do engajamento coletivo. Há uma equipe de diretores e conselheiros e todos que trabalham no local são considerados educadores.

A outra proposta é a do Colégio Bandeirantes, uma das melhores escolas do país no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e que é conhecida por estimular a competitividade entre seus alunos, anunciou que vai eliminar a divisão dos alunos por áreas do conhecimento e por notas a partir de 2017.

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A ideia da escola é flexibilizar o currículo e permitir que o aluno selecione algumas disciplinas nas quais pretende se aprofundar – algo parecido com a atual proposta de reforma do ensino médio do governo federal.

O colégio também está de olho no desenvolvimento dos chamados “aspectos não cognitivos” dos alunos, que ganham cada vez mais importância no cenário internacional. Isso significa desenvolver habilidades como liderança, comunicação e capacidade de trabalhar em grupo.

Outra mudança bastante interessante, mas não tão recente, é a interdisciplinaridade. Além da eliminação da turmas por áreas e por notas, o Bandeirantes vai fazer uma outra mudança importante: as antigas aulas de laboratório de física, de química, de biologia e de artes serão ministradas em conjunto em um novo laboratório de “ciências e artes” – que vai ocupar um andar inteiro do prédio. A proposta é trabalhar por projetos com, simultaneamente, professores de várias áreas.

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Outra questão que sempre acho pertinente trazer a discussão é sobre a arquitetura escolar. Alguns especialistas, tanto de arquitetura como na educação, acham que a arquitetura da escola deve dialogar com o projeto pedagógicos. Há exemplos nacionais que, na história recente, tentaram refletir sobre o espaço escolar. É o caso dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), fundados durante a gestão do então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, e os Centros Educacionais Unificados (CEUs), criados na administração da ex-prefeita de São Paulo (SP), Marta Suplicy.

O grande problema dessas iniciativas pontuais é que essas experiências só duram enquanto o político está no poder e depois caem em desuso. Ficam muito atreladas ao período político e não a uma política educacional de longo prazo, e isso é muito ruim.

Temos ai agora na porta duas reformas que serão devastadoras para a educação que são a PEC 241 que congela os investimentos no setor público e que tira principalmente da Educação e da Saúde por 20 anos uma melhora do sistema público e a Reforma do Ensino Médio (Medida Provisória (MP) 746/2016) proposta pelo ilegítimo governo Temer.

Bem não sabemos o que virá pela frente e os caminhos a seguir na direção dessa nova escola que desponta no horizonte, mas de uma coisa todos sabemos: Serão tempos de muita luta.

Abraços