Uma viagem visual e sonora

Olá Amigos

Essa dica de hoje é pára os amantes de um bom filme e de uma maravilhosa trilha sonora. A dica é o filme “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra”, que para os fãs de cinema é uma viagem auditiva e visual, que será exibido pela primeira vez no Brasil.

O canal de assinatura da HBO é quem nos trará esse belo presente nesta quinta feira (27/8). “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra” é o terceiro filme da trilogia dirigida pelo documentarista Godfrey Reggio e que foi iniciada com “Koyaanisqatsi – Uma Vida Fora de Equilíbrio ” nos anos 80 e seguida por “Powaqqatsi – Vida em Transformação” nos 90, todos igualmente maravilhosos.

Nesta nova produção, imagens digitalmente modificadas se fundem com a música de Philip Glass num estimulante documentário sobre a globalizada e violenta sociedade contemporânea, em que a tecnologia alterou de todas as formas possíveis a experiência humana.

No elenco do longa-metragem, Marlon Brando, Elton John, Julia Louis-Dreyfus, Bhagwan Mirchandani e Steven Soderbergh, que fazem depoimentos e lêem textos que pontuam as impressionantes imagens.

Eu assisti as versões “alternativas” dos filmes e fiquei simplesmente maravilhado e impactado com o que vi e ouvi. Os filmes são maravilhosos!!! Mas especialmente com o filme “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra”, pela atualidade e modernidade do tema. Para ilustrar o que eu disse olhe o que cita o Nivaldo Ribeiro: “Naqoyqatsi” é uma experiência e além de qualquer palavra que mescla a força das imagens com a música e atinge em cheio o coração hiperacelerado da aldeia global digitalizada do século XXI. Ao misturar imagens cotidianas alteradas através de efeitos digitais de última geração, o documentário hipnotiza o espectador que, mesmo sem querer, se deixa levar pela sonoridade de Philip Glass.

Como todos sabem adoro filmes com mensagens não verbais, e apesar da natureza não verbal do filme, o grande lance em “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra”, é fazer com que as pessoas falem a respeito de como a tecnologia afeta nosso dia-a-dia, alterando as formas de mídia, arte, entretenimento, política, esportes, medicina, ética e a cara da natureza humana. É um absurdo de bom, aínda mais se o som for Dolby digital…

Recomendo ver a Trilogia Qatsi, alugar, comprar pois os filmes são daquelas experiências imperdíveis da vida. Nesta mesma linha de filme Baraka (indicação do Paulo Bicarato do Alfarrábio) é outra viagem maravilhosa. Essa dica vai especialmente para os queridos amigos Sérgio Lima e José Roig.

Recomendo

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Projeto Cinema no Caldeirão – 11/04

Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é o “Blade Runner” do fantástico diretor Ridley Scott. Independente de o filme ser cult ou não ele toca numa questão que foi tema de um debate na lista de Blogs Educativos. O debate começou com a minha amiga Jenny Horta do blog PC e a Criança, sugerindo um texto para leitura intitulado A web 3.0 será a rede dos robôs? . Mais a frente a minha amiga Elisângela Zampieri do blog Sobre Educação fez um comentário na lista, que alem de altamente pertinente ela citava um texto indicado pelo nosso amigo José Roig do blog Letra Viva entre outros blogs.

O texto falava de um robô que foi programado para simular emoções humana, e que depois de passar 24 horas junto com uma pesquisadora o robô pirou. O robô ficou na frente da porta impedindo a pesquisadora de sair e ficou emitindo sons animalescos e só depois de desligado e que ela conseguiu sair.

Agora fico eu cá pensando com os meus botões onde isso vai dar? A Elisângela Zampieri cita no seu comentário:”de que pelo andar da carruagem em algum tempo conviverão civilizadamente, homens robotizados e robôs humanizados. Sinceramente, me pergunto: Pra que isso? Será que a solidão do ser humano chegou ao ponto de se submeter ao amor de um robô?”. Depois olhando o blog da Elisângela Zampieri encontrei um outro texto intitulado Inteligencia Artificial que vem acrescentar mais molho ao debate.

Baseado na novela “Do Androids Dream of Electric Sheep?” de Philip Kindred Dick, escrita em 1968 e dirigido por Ridley Scott em 1982. No ano de 2019 o mundo é um lugar caótico controlado por grandes corporações. Deckard (Harrison Ford) é um ex- blade runner (caçador de andróides, uma unidade especial da polícia) que é forçado a voltar à ativa após um grupo de replicantes (androides) se rebelar e fugir das colônias espaciais para Terra.

O filme toca em aspectos filosóficos sobre a natureza humana e tem uma vasta visão tecnológica de um futuro próximo, das condições políticas e sociais da Terra nesse tempo. Toca constantemente em temas como Inteligência Artificial (A.I) e Engenharia Genética. Tem cenários detalhados e efeitos visuais excelentes, além de personagens bem desenvolvidos, com diálogos ricos que mantém a trama mais viva e real. Para quem gosta de cinema e sci-fi é um filme indispensável.

A fotografia cheia de sombras e a grande maioria de cenas durante a noite indicam um futuro obscuro para a humanidade. Ainda nas perspectivas, é possível perceber no filme a grande influência dos povos orientais na sociedade de América do Norte, com muitos luminosos e o mandarim fluente em Los Angeles – isso que se começou a tratar agora em nossa realidade da ascendência de países como a China e o Japão no resto do mundo.

Na caracterização do filme, aspectos como o envolvimento da mocinha, que no caso é uma Replicante, com o protagonista e o clima noir remetem imediatamente à histórias de detetive. Diferente das outras películas do gênero, Blade Runner apresenta uma sociedade sem muitas extravagâncias, a não ser por cenas nas ruas em que, talvez como reflexo do ápice da globalização, é possível perceber Judeus, Krishnas e Islâmicos se esbarrando amigavelmente na multidão.

No que diz respeito aos Replicantes, estes pouco se assemelham a andróides, pois são cópias geneticamente melhoradas, de carne e sangue, de humanos. Eles estariam mais para os clones, tão pouco falados na época e tão famosos hoje em dia. É interessante perceber que esse debate ético com esse tipo de cobaias é permanente, inclusive no cinema, como visto recentemente no filme A Ilha (The Island, 2005) – filme que pode ser considerado um “Replicante” do universo de Blade Runner, no que diz respeito à roteiro.

Robôs e cinema são uma combinação fantástica. Filmes como O Dia em que a Terra Parou, Eu, Robô, Minority Report, AI – Inteligencia Artificial, O Homem Bicentenário, entre outros mostram um futuro onde homens e maquinas conviverão, nem sempre harmoniosamente. Se vamos estar vivos para vivenciar isso eu não sei mas que eu queria um Rose igualzinha a dos Jetsons eu queria muito.

Blade Runner é o filme de ficção perfeito. Não deixe de assistir e de ler as indicações pois esse debate é bem legal. Pois com o desenvolvimento atual da tecnologia, que cada vez nos aproxima mais desse momento, e, se alguma vez lá chegarmos teremos de encarar o fato de que não apenas nós somos capazes de pensar. E será a inteligência e a capacidade de raciocínio apenas aquilo que nos distingue da máquina, ou haverá algo mais que uma máquina nunca conseguirá ter, a “alma”.

Afinal você é um replicante ou não?

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Projeto Cinema no Caldeirão – 11/04

>Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é o “Blade Runner” do fantástico diretor Ridley Scott. Independente de o filme ser cult ou não ele toca numa questão que foi tema de um debate na lista de Blogs Educativos. O debate começou com a minha amiga Jenny Horta do blog PC e a Criança, sugerindo um texto para leitura intitulado A web 3.0 será a rede dos robôs? . Mais a frente a minha amiga Elisângela Zampieri do blog Sobre Educação fez um comentário na lista, que alem de altamente pertinente ela citava um texto indicado pelo nosso amigo José Roig do blog Letra Viva entre outros blogs.

O texto falava de um robô que foi programado para simular emoções humana, e que depois de passar 24 horas junto com uma pesquisadora o robô pirou. O robô ficou na frente da porta impedindo a pesquisadora de sair e ficou emitindo sons animalescos e só depois de desligado e que ela conseguiu sair.

Agora fico eu cá pensando com os meus botões onde isso vai dar? A Elisângela Zampieri cita no seu comentário:”de que pelo andar da carruagem em algum tempo conviverão civilizadamente, homens robotizados e robôs humanizados. Sinceramente, me pergunto: Pra que isso? Será que a solidão do ser humano chegou ao ponto de se submeter ao amor de um robô?”. Depois olhando o blog da Elisângela Zampieri encontrei um outro texto intitulado Inteligencia Artificial que vem acrescentar mais molho ao debate.

Baseado na novela “Do Androids Dream of Electric Sheep?” de Philip Kindred Dick, escrita em 1968 e dirigido por Ridley Scott em 1982. No ano de 2019 o mundo é um lugar caótico controlado por grandes corporações. Deckard (Harrison Ford) é um ex- blade runner (caçador de andróides, uma unidade especial da polícia) que é forçado a voltar à ativa após um grupo de replicantes (androides) se rebelar e fugir das colônias espaciais para Terra.

O filme toca em aspectos filosóficos sobre a natureza humana e tem uma vasta visão tecnológica de um futuro próximo, das condições políticas e sociais da Terra nesse tempo. Toca constantemente em temas como Inteligência Artificial (A.I) e Engenharia Genética. Tem cenários detalhados e efeitos visuais excelentes, além de personagens bem desenvolvidos, com diálogos ricos que mantém a trama mais viva e real. Para quem gosta de cinema e sci-fi é um filme indispensável.

A fotografia cheia de sombras e a grande maioria de cenas durante a noite indicam um futuro obscuro para a humanidade. Ainda nas perspectivas, é possível perceber no filme a grande influência dos povos orientais na sociedade de América do Norte, com muitos luminosos e o mandarim fluente em Los Angeles – isso que se começou a tratar agora em nossa realidade da ascendência de países como a China e o Japão no resto do mundo.

Na caracterização do filme, aspectos como o envolvimento da mocinha, que no caso é uma Replicante, com o protagonista e o clima noir remetem imediatamente à histórias de detetive. Diferente das outras películas do gênero, Blade Runner apresenta uma sociedade sem muitas extravagâncias, a não ser por cenas nas ruas em que, talvez como reflexo do ápice da globalização, é possível perceber Judeus, Krishnas e Islâmicos se esbarrando amigavelmente na multidão.

No que diz respeito aos Replicantes, estes pouco se assemelham a andróides, pois são cópias geneticamente melhoradas, de carne e sangue, de humanos. Eles estariam mais para os clones, tão pouco falados na época e tão famosos hoje em dia. É interessante perceber que esse debate ético com esse tipo de cobaias é permanente, inclusive no cinema, como visto recentemente no filme A Ilha (The Island, 2005) – filme que pode ser considerado um “Replicante” do universo de Blade Runner, no que diz respeito à roteiro.

Robôs e cinema são uma combinação fantástica. Filmes como O Dia em que a Terra Parou, Eu, Robô, Minority Report, AI – Inteligencia Artificial, O Homem Bicentenário, entre outros mostram um futuro onde homens e maquinas conviverão, nem sempre harmoniosamente. Se vamos estar vivos para vivenciar isso eu não sei mas que eu queria um Rose igualzinha a dos Jetsons eu queria muito.

Blade Runner é o filme de ficção perfeito. Não deixe de assistir e de ler as indicações pois esse debate é bem legal. Pois com o desenvolvimento atual da tecnologia, que cada vez nos aproxima mais desse momento, e, se alguma vez lá chegarmos teremos de encarar o fato de que não apenas nós somos capazes de pensar. E será a inteligência e a capacidade de raciocínio apenas aquilo que nos distingue da máquina, ou haverá algo mais que uma máquina nunca conseguirá ter, a “alma”.

Afinal você é um replicante ou não?

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Projeto Cinema no Caldeirão – 14/03

Olá Amigos

O Projeto Cinema no Caldeirão apresenta hoje o filme “O Show de Truman – O Show da Vida”, dirigido pelo consagrado Peter Weir (de “Mestre Dos Mares” e “Sociedade dos Poetas Mortos”). A escolha do filme em questão se deu atraves de um debate sobre privacidade e realtys shows que assolam a TV brasileira com os seus BBB e derivados.

O filme para mim, trata-se de um filme altamente poético, fantasiosamente improvável e realisticamente palpável. Ele dá margem à inúmeras abordagens, suscita muitas perguntas, enfim, nos faz pensar.

Os reality shows têm um espaço significativo na televisão atualmente. É um tipo de programa que atrai grandes audiências, o que faz com que produtores invistam cada vez mais nesse formato. Mas afinal, o que eles têm de especiais para tamanho sucesso? Será o espectador tão curioso assim pela vida alheia, ou será que eles somente gostam de assistir a algo real, sem a dramatização dos filmes ou das novelas?

De acordo com “O Show de Truman – O Show da Vida” (EUA – 1998), a resposta para isso é uma junção dessas duas teorias. A mídia é mostrada no filme de forma manipuladora, usando o seu poder para seduzir e iludir massas, além de vender produtos. A propósito, “O Show de Truman” satiriza a publicidade na televisão, com os personagens fazendo propaganda de produtos de uma forma bastante artificial.

Outra questão levantada no filme é sobre a veracidade e ética dos reality shows. No Brasil, programas como Big Brother e Casa dos Artistas são conhecidos justamente por mostrarem a vida real, e são divulgados como programas sem roteiro. Entretanto, assim como em “Show de Truman”, discute-se a questão de que há sim um roteiro por trás desses programas de realidade, afinal, há dinheiro envolvido no processo, e os produtores não podem correr o risco de terem prejuízo com histórias enfadonhas, que não atrairiam o público.

Quando o Céu é de Mentira
Isso é abordado logo no início do filme, quando Cristof diz que “Não há roteiro. Não há intromissões. Não é sempre Shakespeare, mas é genuíno”. Percebe-se posteriormente no filme que isso é mentira, já que é ele mesmo que monta o roteiro da vida de Truman. Através dessa prática, o filme critica a mídia e seu poder sobre a população.

Com isso, “O Show de Truman” é um filme ousado e ambicioso, e mostra uma característica louvável para qualquer produto audiovisual atualmente: a originalidade.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Projeto Cinema no Caldeirão – 14/03

>Olá Amigos

O Projeto Cinema no Caldeirão apresenta hoje o filme “O Show de Truman – O Show da Vida”, dirigido pelo consagrado Peter Weir (de “Mestre Dos Mares” e “Sociedade dos Poetas Mortos”). A escolha do filme em questão se deu atraves de um debate sobre privacidade e realtys shows que assolam a TV brasileira com os seus BBB e derivados.

O filme para mim, trata-se de um filme altamente poético, fantasiosamente improvável e realisticamente palpável. Ele dá margem à inúmeras abordagens, suscita muitas perguntas, enfim, nos faz pensar.

Os reality shows têm um espaço significativo na televisão atualmente. É um tipo de programa que atrai grandes audiências, o que faz com que produtores invistam cada vez mais nesse formato. Mas afinal, o que eles têm de especiais para tamanho sucesso? Será o espectador tão curioso assim pela vida alheia, ou será que eles somente gostam de assistir a algo real, sem a dramatização dos filmes ou das novelas?

De acordo com “O Show de Truman – O Show da Vida” (EUA – 1998), a resposta para isso é uma junção dessas duas teorias. A mídia é mostrada no filme de forma manipuladora, usando o seu poder para seduzir e iludir massas, além de vender produtos. A propósito, “O Show de Truman” satiriza a publicidade na televisão, com os personagens fazendo propaganda de produtos de uma forma bastante artificial.

Outra questão levantada no filme é sobre a veracidade e ética dos reality shows. No Brasil, programas como Big Brother e Casa dos Artistas são conhecidos justamente por mostrarem a vida real, e são divulgados como programas sem roteiro. Entretanto, assim como em “Show de Truman”, discute-se a questão de que há sim um roteiro por trás desses programas de realidade, afinal, há dinheiro envolvido no processo, e os produtores não podem correr o risco de terem prejuízo com histórias enfadonhas, que não atrairiam o público.

Quando o Céu é de Mentira
Isso é abordado logo no início do filme, quando Cristof diz que “Não há roteiro. Não há intromissões. Não é sempre Shakespeare, mas é genuíno”. Percebe-se posteriormente no filme que isso é mentira, já que é ele mesmo que monta o roteiro da vida de Truman. Através dessa prática, o filme critica a mídia e seu poder sobre a população.

Com isso, “O Show de Truman” é um filme ousado e ambicioso, e mostra uma característica louvável para qualquer produto audiovisual atualmente: a originalidade.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

O Show de Truman – O Show da Vida

A TV e o show da vida

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Muito antes dessa onda de shows televisivos que invadem a privacidade de pessoas anônimas ou de celebridades (refiro-me a Casa dos Artistas e ao Big Brother) tomarem conta da televisão foi lançado um filme nos cinemas (que fez grande sucesso) cuja temática explora, justamente essa questão tão essencial a todos nós, a privacidade.

Era “O Show de Truman”, do competente diretor Peter Weir (o mesmo de “A Testemunha” e “Sociedade dos Poetas Mortos”, filmes que merecem ser conferidos), estrelado pelo careteiro Jim Carrey (em seu melhor papel até aquele momento).

Truman (Jim Carrey), o sujeito do tal show, é um inocente, cuja vida tem sido transmitida ao vivo e em cores para os Estados Unidos inteiro em canal de TV paga. Desde o seu nascimento, até o momento em que a história se desenvolve, tudo o que se refere ao personagem de Carrey aparece na TV 24 horas por dia.

O problema é que ele é o único personagem dessa novela da vida real que não sabe o que está acontecendo, tudo o que ocorre ao seu redor é fictício, seu emprego é uma criação, seu casamento uma farsa (assim como foram o romance, a sedução e o namoro com sua esposa), seus amigos estão junto dele por estarem cumprindo um contrato como atores da rede que transmite o “Show de Truman”.

Todos e tudo que o cerca são, literalmente, artificiais. Cenários compõe a cidade da vida de Truman, os carros são sempre os mesmos, cumprindo o ritual de rodar a cidade e dar a impressão de que a vida segue seu rumo, sua normalidade. Quando vai ao supermercado e adquire um produto, as imagens de Truman segurando e comprando determinados produtos viram marketing para as mercadorias adquiridas.

Nesse ambiente de mentiras, Truman desperta ao quase ser acertado por uma câmera que despenca do alto dos cenários. Seria Deus tentando alertá-lo ou seria apenas um acidente dos “deuses” da mídia televisiva que o colocam no ar todos os dias?

A partir desse incidente, sua relação com o mundo que o cerca muda completamente, ele passa a desconfiar de tudo e de todos, inicia uma procura incessante pelos olhos eletrônicos que estão a monitorá-lo todo o tempo, começa a duvidar da seriedade dos amigos e da esposa, percebe que o mundo ao seu redor repete-se com uma insistência irritante!

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Numa época como a nossa, quando a discussão acerca dos direitos das pessoas é uma constante nos cenários nacional e internacional, a questão da privacidade sendo invadida por câmeras de televisão merece uma discussão acalorada em sala de aula. Muitos se perguntam os motivos que levam pessoas a enfrentar, conscientemente, o desafio de serem vistos diariamente por milhões de pessoas como o que ocorre com os já citados programas veiculados por canais abertos e fechados. Alguns, cedem a tentação da fama instantânea, conseguida graças a superexposição na mídia mais procurada por todas as classes sociais, a TV. É um tiro certeiro, as pessoas são reconhecidas nas ruas, tornam-se familiares a milhões de desconhecidos por invadirem seus lares através das telinhas e, com maior ou menor habilidade, conseguem ficar em evidência por mais alguns meses mesmo depois do programa terminar. Outras pessoas arriscam o espaço, a individualidade e, em muitos casos, correm o sério risco de se exporem ao ridículo movidas pelos prêmios milionários dados aos vencedores dessas verdadeiras maratonas.

Mas, e no caso de Truman, levado ao estrelato sem consulta prévia, na mais pura inocência, desconhecedor de sua própria história de vida? Não há dinheiro movendo suas ações, assim como, no seu cotidiano ele não consegue imaginar a repercussão de seus atos e o montante de popularidade por ele obtidos junto ao grande público que acompanha sua “novela da vida real”.

Os direitos aos quais temos acesso não terminam quando começam os dos outros? A manipulação da rede de televisão que controlava o “Show de Truman” não consistia portando um desrespeito a um dos direitos essenciais da cidadania? Em que consiste a cidadania senão na consideração pelos outros e por suas dignidades? Não deve existir (e pelo que sei, já existe) por parte das emissoras de televisão um código de ética que não os faça lesar a integridade física e moral das pessoas que são apresentadas em seus programas? O próprio conceito de ética, foi criado para ser violado ou tem valor real e deve, por isso ser respeitado?

Discussões como essas podem nos levar a fomentar aulas interessantes em história, relacionando com o surgimento das Declarações dos Direitos Humanos em diferentes contextos, como no da Revolução Francesa ou no do final da 2ª Guerra Mundial (na época da criação da ONU); pode alimentar interessantes debates para a área de redação, com o adendo de que, o professor pode se utilizar de textos extraídos de jornais ou revistas que façam um contraponto, um termo de arguição e aprofundamento; pode servir como indicador de caminhos para aulas de filosofia e pode gerar o questionamento da questão da própria ética na sociedade em que estamos inseridos.

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Por outro lado, o filme nos lança uma situação das mais interessantes ao afirmar a vida cotidiana como o maior dos espetáculos. Momentos tão desprezados de nossas existências quando realçados pelo brilho dos refletores das câmeras de TV parecem ganhar em vigor, fôlego e graça. Um abraço numa criança, a reunião com os amigos depois do expediente, ler um livro ou dar um beijo na mulher amada ganham contornos de grandes acontecimentos. Será que nós não estamos deixando essas cenas da vida real passarem sem dar a elas o verdadeiro reconhecimento e valor que elas merecem?


Ficha Técnica

O Show de Truman
(The Truman Show)

Direção: Peter Weir Produção:
País: EUA
Ano da Produção: 1998
Duração: 102 minutos
Gênero: Drama
Elenco: Jim Carrey, Ed Harris, Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone.

Links

www.trumanshow.com – Site oficial
– http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=1900

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=98

Projeto Cinema no Caldeirão – 07/03

Olá Amigos

O filme escolhido hoje para o projeto Cinema no Caldeirão é o “Encontrando Forrester” do fantástico, polêmico e talentosíssimo diretor Gus Van Sant, o mesmo diretor de outros filmes igualmente polêmicos como “Drugstore Cowboy” e “Garotos de Programa” entre outros.

O papel Sean Connery como mestre norteador e F. Murray Abraham como o professor preconceituoso e arrogante já valem a indicação do filme. O enredo do filme está basicamente estruturado sobre três personagens.

O primeiro é Jamal Wallace, um negro de dezesseis anos que mora no Bronx e que se dedica a jogar Basquete. Aluno de escola pública, Jamal recebe uma bolsa para estudar em um colégio freqüentado pelas elites, em Manhattan.

O segundo é William Forrester, escritor consagrado pela crítica e pelo público após publicar seu primeiro e único livro. Desiludido com a incompreensão da sua obra, Forrester desenvolve uma fobia social, isola-se em seu apartamento, também no Bronx, onde divide espaço com os livros que lê.

O terceiro é Crawford, professor de literatura na escola de Manhattan, e escritor frustrado. Destes três personagens, o único negro é Jamal; Forrester e Crawford são brancos.

Jamal Wallace, como já dissemos, é negro, pobre e mora no subúrbio de Nova York. Seus amigos são também negros e pobres, identificados com a cultura do Bronx e empregam o tempo ocioso jogando basquete de rua, esporte em que se destaca Jamal. No filme a bola de basquete parece imantada às mãos de Jamal, e serve como elo entre este e sua cultura de origem. No entanto, o personagem é profundo conhecedor de literatura e língua inglesa, e deseja também ser um escritor de qualidade. Sua postura identitária é permanentemente conflituosa: da mesma forma como se reconhece um negro pobre do Bronx, necessita se fazer aceito junto aos brancos. Jamal deseja ser reconhecido como igual entre os brancos.

No outro extremo temos o professor de literatura Crawford, um escritor frustrado e reconhecido pelos seus alunos como autoritário e vingativo. Crawford assumirá para si a função de preservar uma suposta pureza cultural, representada no filme pela literatura.

Como outro personagem temos o escritor William Forrester. Forrester publicou apenas um romance, no entanto, é um autor consagrado pelo público e pela crítica. Apesar de todo o seu sucesso, resolve se recolher a uma vida solitária em seu apartamento, no alto de um velho prédio, também no Bronx. Seu único contato com o mundo exterior é através do seu secretário, e da janela do seu apartamento, Forrester tem a visão da quadra onde Jamal e seus amigos jogam basquete. O filme retrata o escritor através de um clássico clichê: o artista anti-social e quase inatingível. É este o caso de William Forrester: o escritor amargurado que despreza seus leitores e escreve para suprir uma necessidade pessoal, alcoólatra, sociofóbico e que mora no alto de uma torre.

A discussão que o filme propõe a respeito da literatura e da figura do escritor é vasta, e não há espaço para discutirmos aqui. Cabe-nos sim observar que a despeito de toda a sua introspecção, Forrester tem a função de facilitar o diálogo entre Jamal e a cultura do “outro”, representada, neste caso, pela literatura e pela aceitação plena no colégio em Manhattan. É o escritor que convida Jamal para entrar em seu apartamento, é ele que propõe o diálogo através da leitura crítica dos textos do adolescente que almeja escrever bem; sua função é mediar dois mundos, tornando possível o trânsito de Jamal por estes, ou seja, cabe a William Forrester o papel de mestre.

Ao contribuir com a resolução do impasse entre Jamal Wallace e Crawford, entre protagonista e antagonista, Forrester também se transforma, também cede em suas posições, também recicla sua subjetividade. Tanto Jamal quanto Forrester, por aceitarem o diálogo, posicionam-se em áreas fronteiriças. No caso destes dois personagens, a identidade pode ser compreendida enquanto fronteira, o que não acontece com o professor Crawford; que está enraizado em seus preconceitos e, assim, este personagem é o único que não se desenvolve, terminando ultrapassado e desmoralizado.

Assim, o que o filme Encontrando Forrester propõe é justamente a importância do diálogo interétnico, e a compreensão de que identidades são constituídas na mobilidade, e móveis devem permanecer. Proposta interessante para um tempo de pouco dialogo entre os seres humanos e aos fantasmas da xenofobia, sempre presentes.

A relação entre criador e criatura não é nada profunda, no começo. Os diálogos dos dois são o forte do filme. “Essa não é uma pergunta sobre sopa” é o código usado por eles, quando a pergunta era de cunho mais pessoal. O mais rico do filme “Encontrando Forrester” parte de uma relação entre dois indivíduos antagônicos, que dividem o amor pela literatura e pela arte de escrever. Jamal vê seus trabalhos revisados pelo ilustre autor e a medida em que os encontros entre mestre e aprendiz ocorrem, tanto se desperta uma amizade inusitada, na qual Jamal encontra um guia para ajudá-lo a desenvolver seu talento, como Forrester também encontra ajuda para se libertar da sua condição de ermitão.

A produção realça a amizade dos personagens, a importância da presença de Jamal na reclusão de Forrester. Ele acreditava que tudo já estava definido em sua vida, que não havia mais nada a ousar. Por isso, ”Encontrando Forrester” emociona. E como.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Projeto Cinema no Caldeirão – 07/03

>Olá Amigos

O filme escolhido hoje para o projeto Cinema no Caldeirão é o “Encontrando Forrester” do fantástico, polêmico e talentosíssimo diretor Gus Van Sant, o mesmo diretor de outros filmes igualmente polêmicos como “Drugstore Cowboy” e “Garotos de Programa” entre outros.

O papel Sean Connery como mestre norteador e F. Murray Abraham como o professor preconceituoso e arrogante já valem a indicação do filme. O enredo do filme está basicamente estruturado sobre três personagens.

O primeiro é Jamal Wallace, um negro de dezesseis anos que mora no Bronx e que se dedica a jogar Basquete. Aluno de escola pública, Jamal recebe uma bolsa para estudar em um colégio freqüentado pelas elites, em Manhattan.

O segundo é William Forrester, escritor consagrado pela crítica e pelo público após publicar seu primeiro e único livro. Desiludido com a incompreensão da sua obra, Forrester desenvolve uma fobia social, isola-se em seu apartamento, também no Bronx, onde divide espaço com os livros que lê.

O terceiro é Crawford, professor de literatura na escola de Manhattan, e escritor frustrado. Destes três personagens, o único negro é Jamal; Forrester e Crawford são brancos.

Jamal Wallace, como já dissemos, é negro, pobre e mora no subúrbio de Nova York. Seus amigos são também negros e pobres, identificados com a cultura do Bronx e empregam o tempo ocioso jogando basquete de rua, esporte em que se destaca Jamal. No filme a bola de basquete parece imantada às mãos de Jamal, e serve como elo entre este e sua cultura de origem. No entanto, o personagem é profundo conhecedor de literatura e língua inglesa, e deseja também ser um escritor de qualidade. Sua postura identitária é permanentemente conflituosa: da mesma forma como se reconhece um negro pobre do Bronx, necessita se fazer aceito junto aos brancos. Jamal deseja ser reconhecido como igual entre os brancos.

No outro extremo temos o professor de literatura Crawford, um escritor frustrado e reconhecido pelos seus alunos como autoritário e vingativo. Crawford assumirá para si a função de preservar uma suposta pureza cultural, representada no filme pela literatura.

Como outro personagem temos o escritor William Forrester. Forrester publicou apenas um romance, no entanto, é um autor consagrado pelo público e pela crítica. Apesar de todo o seu sucesso, resolve se recolher a uma vida solitária em seu apartamento, no alto de um velho prédio, também no Bronx. Seu único contato com o mundo exterior é através do seu secretário, e da janela do seu apartamento, Forrester tem a visão da quadra onde Jamal e seus amigos jogam basquete. O filme retrata o escritor através de um clássico clichê: o artista anti-social e quase inatingível. É este o caso de William Forrester: o escritor amargurado que despreza seus leitores e escreve para suprir uma necessidade pessoal, alcoólatra, sociofóbico e que mora no alto de uma torre.

A discussão que o filme propõe a respeito da literatura e da figura do escritor é vasta, e não há espaço para discutirmos aqui. Cabe-nos sim observar que a despeito de toda a sua introspecção, Forrester tem a função de facilitar o diálogo entre Jamal e a cultura do “outro”, representada, neste caso, pela literatura e pela aceitação plena no colégio em Manhattan. É o escritor que convida Jamal para entrar em seu apartamento, é ele que propõe o diálogo através da leitura crítica dos textos do adolescente que almeja escrever bem; sua função é mediar dois mundos, tornando possível o trânsito de Jamal por estes, ou seja, cabe a William Forrester o papel de mestre.

Ao contribuir com a resolução do impasse entre Jamal Wallace e Crawford, entre protagonista e antagonista, Forrester também se transforma, também cede em suas posições, também recicla sua subjetividade. Tanto Jamal quanto Forrester, por aceitarem o diálogo, posicionam-se em áreas fronteiriças. No caso destes dois personagens, a identidade pode ser compreendida enquanto fronteira, o que não acontece com o professor Crawford; que está enraizado em seus preconceitos e, assim, este personagem é o único que não se desenvolve, terminando ultrapassado e desmoralizado.

Assim, o que o filme Encontrando Forrester propõe é justamente a importância do diálogo interétnico, e a compreensão de que identidades são constituídas na mobilidade, e móveis devem permanecer. Proposta interessante para um tempo de pouco dialogo entre os seres humanos e aos fantasmas da xenofobia, sempre presentes.

A relação entre criador e criatura não é nada profunda, no começo. Os diálogos dos dois são o forte do filme. “Essa não é uma pergunta sobre sopa” é o código usado por eles, quando a pergunta era de cunho mais pessoal. O mais rico do filme “Encontrando Forrester” parte de uma relação entre dois indivíduos antagônicos, que dividem o amor pela literatura e pela arte de escrever. Jamal vê seus trabalhos revisados pelo ilustre autor e a medida em que os encontros entre mestre e aprendiz ocorrem, tanto se desperta uma amizade inusitada, na qual Jamal encontra um guia para ajudá-lo a desenvolver seu talento, como Forrester também encontra ajuda para se libertar da sua condição de ermitão.

A produção realça a amizade dos personagens, a importância da presença de Jamal na reclusão de Forrester. Ele acreditava que tudo já estava definido em sua vida, que não havia mais nada a ousar. Por isso, ”Encontrando Forrester” emociona. E como.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Encontrando Forrester

Novos Mapas, Novos Caminhos

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“Encontrando Forrester” é indicativo de caminhos que podemos (e devemos) percorrer, serve como um autêntico mapa a indicar alguns dos melhores percursos para todos. No caso do filme, essa orientação ambienta-se num ambiente ainda mais propício a atitudes que norteiem e apresentem soluções de continuidade para as pessoas, ou seja, numa escola. O que, a princípio, poderia parecer o óbvio, a estruturação de uma relação entre professor, literalmente escolado pela vida e sustentado pelo conhecimento adquirido através de seus estudos, e aluno (ou seu coletivo), tem um deslocamento de eixo, uma transposição de ordem, com os professores e a escola funcionando no sentido inverso daquilo que dela esperamos.

Mas, afinal, o que esperamos da(s) escola(s)?

O filme de Gus Van Sant nos mostra um pouco daquilo que as escolas se tornaram e nos faz refletir se estamos vivendo uma prática educacional que possa ser realmente apreciada e aproveitada por alunos e professores. Um momento de reflexão sobre a educação proposto por um filme, mesmo que tratando de uma realidade que não é a nossa, brasileira, mas a de um país com o qual temos relações tão próximas (assim como todo o mundo e a cultura ocidentais), é um indício de que há qualidades que devem ser examinadas no todo da película.

Mas, voltando a questão, a escola deve ser um ambiente proporcionador de possibilidades de aprendizagem, deve permitir aos educandos o acesso ao conhecimento, deve fazer com que a relação estabelecida entre os estudantes e o que a eles é oferecido por cada matéria seja sedimentada pela curiosidade (pelo estímulo, pelo prazer), deve ser um ambiente que permita a participação e a interação (a troca de experiências entre os alunos e os professores), deve promover projetos e práticas que envolvam os alunos coletivamente, entre tantas outras alternativas de pensar educação que encontramos hoje em dia, essas me parecem ser aceitas por um contingente respeitável de educadores e, admitidas por pessoas que trabalham educação com extrema seriedade.

No filme, o professor (o experiente F. Murray Abraham, vencedor do Oscar de melhor ator, por sua interpretação de Salieri, no ótimo e imperdível “Amadeus”, de Milos Forman, sobre a vida de Mozart) defronta-se com uma situação inusitada para seus vários anos de prática educacional ao encontrar em sua sala de aula, numa escola particular frequentada eminentemente por brancos provenientes de uma camada social mais abastada, um aluno negro de origem humilde (chamado no filme de Jamal), alçado a uma melhor possibilidade de estudos em virtude de suas grandes habilidades atléticas (trata-se de um ótimo jogador de basquete) e de seu surpreendente rendimento escolar.

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O preconceito racial e social não permitem que o professor seja capaz de perceber o grande potencial do referido aluno, fazendo com que o mesmo se feche a qualquer possibilidade de admitir que os trabalhos e textos produzidos por esse aluno possam mesmo ter sido produzidos por ele.

Jamal passa então a viver uma relação conturbada na escola, onde o professor procura provas de que os trabalhos produzidos por ele tenham sido escritos por uma outra pessoa.

O que faz com que possamos perceber os novos caminhos citados no início do texto é a existência de um terceiro personagem importante na trama, o escritor William Forrester vivido por Sean Connery (de tantos grandes filmes e de imenso talento), autor de um clássico da literatura americana, que depois da publicação e do reconhecimento do livro pela crítica especializada, retirou-se, aposentando-se prematuramente, escondendo-se no Bronx, o bairro onde vive Jamal. Por acidente, os dois acabam se conhecendo e, a relação tempestuosa de início, amadurece de forma a trazer bons resultados para ambos. Além de grande jogador de basquete (o que lhe permite obter o reconhecimento e maior proximidade com os alunos da escola particular onde estuda), Jamal tem grande sensibilidade literária, lê com grande frequência, seleciona suas leituras e, além disso, escreve mesmo quando não há pedidos da escola. Essa insistência, essa persistência de Jamal em ler e estudar, fazem com que Forrester acabe se interessando por ele e o auxilie, troque idéias, aperfeiçoe suas próprias concepções (justamente o que esperamos de nossos professores) e, acabe por influenciá-lo do alto de sua experiência (omitindo a maior parte do tempo sua identidade e, obviamente, sua eminência devido a sua produção literária celebrada).

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Não é isso que estamos procurando? Diálogo, troca de experiências, aprendizado por parte dos alunos e também dos professores, respeito e consideração pela maturidade e aperfeiçoamento que o tempo trouxe aos mais velhos, leitura de livros independentemente da obrigatoriedade e das imposições escolares? “Encontrando Forrester” abre canais para que esses temas sejam discutidos, tempera essa discussão com outros temas paralelos de grande interesse (como as diferenças étnicas e sociais, a valorização dos livros clássicos e a necessidade de fazer com que se equilibre a atividade física e intelectual nas escolas) e, além de tudo, é um grande divertimento. Filme de temática séria, nos emociona, nos faz pensar, cativa pela força de seus personagens e pela abordagem sensível do diretor Van Sant (o mesmo diretor de filmes polêmicos como “Drugstore Cowboy” e “Garotos de Programa”).

Ficha Técnica

Encontrando Forrester
(Finding Forrester)

País/Ano de produção:- EUA, 2000
Duração/Gênero:- 136 min., drama
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Gus Van Sant
Roteiro de Mike Rich
Elenco:- Sean Connery, F. Murray Abraham, Anna Paquin, Robert Brown,
Michael Nouri, April Grace, Matt Damon, Busta Rhymes.

Links

http://www.adorocinema.com/filmes/encontrando-forrester/encontrando-forrester.htm
http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=1580

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=46