Redes Sociais – Orkut e Facebook – a nova onda na vida de estudantes de toda idade!

O Orkut e o Facebook apresentam para a educação a oportunidade de entrar em um campo cheio de informações e de atingir a maioria dos adolescentes e jovens.

O Orkut e o Facebook são, antes de tudo, softwares criados para relacionamento, interação, colaboração e troca de ideias e devemos estar atentos a esses princípios quando resolvemos conhecê-los mais de perto e investir neles. Basicamente o trabalho com os dois são o mesmo, só que existem possibilidades dentro de um que não existem no outro, como postar fotos dentro dos grupos de discussão, ou das páginas temáticas, como o Facebook por exemplo, ferramenta que o Orkut ainda não possui.

Desses, o mais conhecido e utilizado no Brasil é o Orkut, por isso caso a escola resolva investir nessas redes sociais, melhor que o faça nele para depois tentar o Facebook.

Essas redes sociais apresentam ferramentas como grupos de discussão (ou comunidades) com diversos temas educacionais. Por exemplo, na rede social Orkut encontra-se mais de mil comunidades sobre Matemática. Dentre elas, está a chamada “Eu amo matemática”, em que existem mais de 90 mil membros, com tópicos de discussão que giram em torno da resolução e explicação de teorias e problemas matemáticos. Os membros postam suas dúvidas e são auxiliados por professores e alunos que gostam e entendem da disciplina.

Visto desse ângulo, muito dos conteúdos expostos nessas redes sociais são os mesmos tratados em sala de aula, porém, nelas, os conteúdos são tratados de maneira colaborativa, pois tanto alunos como professores podem dar suas opiniões e apresentar suas dúvidas sem medo e com a certeza de que serão ajudados.

Outra ferramenta são os APPS, aplicativos produzidos por empresas, que podem ser adicionados aos perfis dos usuários e muitos deles podem ser utilizados por grupos. Existem jogos disponíveis nessas redes que envolvem cálculo matemático e exigem boa comunicação. Esses aplicativos podem ser utilizados em sala de aula para ajudar a explicar alguns conceitos como cálculo, tipo de escrita, conhecimentos gerais, inclusive História e Geografia.

Um dos aplicativos mais acessados atualmente na rede Orkut é o “Colheita feliz”. Nele, o jogador pode ter uma fazenda de verdade, invadir a fazenda de seus amigos para “roubar” frutos ou ajudá-los a manter a plantação livre de pestes e pragas. Pode, ainda, comprar novas terras e aumentar sua plantação. Se o professor estiver disposto a conhecer o aplicativo, pode explorar muitos conceitos, dentro do programa, que são trabalhados em aula e ainda vai contar com o interesse dos seus alunos em sala.

O Orkut é um dos ambientes virtuais mais acessados hoje por esses jovens e até mesmo por crianças e embora seja “proibido” e discutível a participação de menores nos sites de relacionamento, o fato é que eles estão lá, on-line, nessas redes sociais.

Se o professor não conseguir compartilhar com os alunos a mesma cultura, não consegue estabelecer um diálogo. Precisam se integrar a essa realidade porque os desafios são numerosos e constantes; é essencial apropriar-se da funcionalidade e da essência dos objetos e ambientes virtuais de aprendizagem, aproveitar da vivência e experiência dos alunos com os diversos softwares para incorporar a cultura digital e virtual e aprimorar a sua prática.

A escola e ou outras instituições voltadas à Educação necessitam permear os processos de ensino e aprendizagem desses recursos midiáticos. O trabalho com as tecnologias precisa ser em equipe, porque se apenas um professor responder pelo conhecimento do processo e da mídia, os outros tendem a se desinteressar pelo assunto.

Nesse ambiente virtual tem-se a possibilidade de criar perfis ou comunidades para se aproximar mais de seu público-alvo, mas deve-se tomar cuidado e ter sempre alguém atento a esse aspecto para que não sejam postados assuntos que possam denegrir a imagem da instituição. A escola deve também criar uma comunidade adequada ao público que quer atingir. Se for para público jovem, deve manter a comunidade ativa e com notícias e desafios que interessem a esses jovens. Se for para os pais, a mesma abordagem, ou seja, os assuntos devem ser de interesse para eles. É importante lembrar que esse é um espaço de colaboração e discussão, então, caso a instituição não esteja disposta a ouvir e responder aos tópicos de discussão, pode criar uma ferramenta contra e não a favor.

Além de aproveitar os grupos de discussão e os aplicativos já existentes, os professores podem criar comunidades próprias para suas turmas com temas relacionados à sua disciplina, ou à comunidade de uma determinada turma, ou até mesmo da escola. Nesta, podem ser postadas dúvidas e colaborações sobre os temas expostos em sala de aula, o que só funcionará bem se o professor direcionar o uso dos meios de comunicação, criar regras de utilização e estiver disposto a acompanhar de perto o andamento da comunidade.

É conveniente, mesmo sendo uma comunidade moderada – na qual os membros podem ser ou não aceitos pelo moderador -, que outras pessoas com interesse nos mesmos assuntos possam entrar e discutir com a turma. Esse processo aumenta a vontade de colaboração e de exposição de ideias, pois eles percebem a curiosidade e o empenho não só dos colegas, mas de pessoas desconhecidas e podem se sentir mais motivados a interagir. E também por esse motivo, a presença do professor responsável é importantíssima para filtrar pessoas com más intenções e afins…

As pessoas, de maneira geral, gostam de se sentir úteis e de transmitir os conhecimentos que possuem e a Web hoje é o grande meio para isso. Vamos começar?

Quer saber mais sobre as redes sociais Facebook e Orkut? Acesse:

http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1313595-6174,00-ENTENDA+COMO+FUNCIONA+O+FACEBOOK.html. Acesso em: 30. mar. 2010.
http://veja.abril.com.br/blog/vida-em-rede/tag/facebook/>. Acesso em: 30. mar. 2010.

Quer saber mais sobre as principais diferenças entre Orkut e Facebook? Acesse:
http://www.baixaki.com.br/info/3937-orkut-x-facebook-quais-as-principais-diferencas-.htm>. Acesso em: 31. mar. 2010.

Fonte: http://www.editorapositivo.com.br/editora-positivo/professores-e-coordenadores/para-sala-de-aula/tecnologia-educacional/leitura.html?newsID=e9d50d1f117340afa7a1486521c7927b

Redes sociais a serviço do ensino


Mais de 5 milhões de estudantes brasileiros já pertencem a uma rede social na internet, como o Facebook ou o Twitter. A novidade é que, agora, parte deles começa a frequentar esses círculos virtuais estimulados pela própria escola – e com fins educativos. Alguns colégios, a maioria particular, fazem uso simples de tais redes, colocando ali informações como calendário de aulas e avisos. Muitas vezes, incluem ainda exercícios e o conteúdo das aulas, recurso que vem se prestando a aproximar os pais da vida escolar.

O maior avanço proporcionado por esses sites, no entanto, se deve à possibilidade que eles abrem para o aprendizado em rede – o que já acontece há mais tempo, e com sucesso, em países como Japão e Inglaterra. No espaço virtual, os alunos debatem, sob a supervisão de um professor, temas apresentados na sala de aula e ainda, de casa, podem tirar dúvidas sobre a lição.

O Twitter está sendo também adotado nas escolas por uma de suas particularidades: como nenhum texto ali pode ultrapassar 140 caracteres, os alunos são desafiados a exprimir ideias com concisão – habilidade revelada por grandes gênios da história e tão requerida nos tempos modernos. A experiência tem funcionado no Colégio Hugo Sarmento, de São Paulo, onde os estudantes se lançam em animadas gincanas das quais saem campeões aqueles com o maior poder de síntese. Conclui o professor de português Tiago Calles: “As redes fazem parte da vida deles. Não há como a escola ignorá-las”.

Esse já é um consenso. O que se discute é como fazer uso seguro – e produtivo – das redes. Entre os sites de relacionamento, o Twitter agrada às escolas justamente por preservar, ao menos em parte, a privacidade dos alunos: é preciso nome de usuário e senha para tomar parte dos encontros on-line promovidos pelo colégio. Todo o conteúdo que resulta daí, porém, fica disponível na internet e qualquer um pode ver.

Preocupadas com isso, muitas escolas preferem criar redes próprias, que funcionam como uma intranet. “Evitamos assim a exposição dos alunos e temos condições de nos responsabilizar pelo que acontece na rede”, explica Eduardo Monteiro, coordenador no Colégio Santo Inácio, do Rio de Janeiro, onde há um ano os alunos participam de debates virtuais que abarcam todas as disciplinas.

Outro perigo do ambiente virtual, este de ordem pedagógica, diz respeito ao tipo de linguagem que os alunos tendem a usar na rede, bem distante da norma culta. Não é fácil estimulá-los a empregar o bom português nesse contexto. Avalia Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, em São Paulo: “Em atividades on-line, damos o exemplo aos estudantes, respeitando a pontuação e fugindo do coloquial – mas eles costumam escrever muito mal”.

De todos os desafios, no entanto, talvez o mais difícil seja tornar o ensino em rede algo realmente eficaz. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas escolas que haviam aderido à modalidade se viram forçadas a voltar atrás. Quando os exercícios ocorriam nos domínios do colégio, verificou-se que os estudantes tinham o hábito de engatar em chats e navegar por sites de fast-food enquanto a aula virtual se desenrolava – um fiasco. Com base na experiência internacional, já se sabe um pouco do que funciona nesse campo. A mais bem-sucedida de todas as medidas tem sido colocar as crianças para compartilhar projetos de pesquisa em rede, reproduzindo assim (ainda que em escala bem menor) o que se vê nos melhores centros de pesquisa do mundo.

O Brasil está começando a adotar as redes virtuais no ensino com pelo menos cinco anos de atraso em relação a países da OCDE. O conjunto de experiências brasileiras, até agora, parece apontar para a direção certa – mas requer avanços. “É preciso integrar melhor o uso das redes ao currículo escolar. Sem isso, os efeitos serão modestos ou nulos”, pondera José Armando Valente, do Núcleo de Informática Aplicada à Educação da Unicamp.

Para executar tarefa de tamanha complexidade, antes de tudo é necessário que as escolas disponham de uma equipe de professores bem treinados, artigo raríssimo num país que acumula tantas deficiências nesse setor. Por completa inexperiência, muitos deixam os computadores acumulando pó e, quando fazem uso deles em sala de aula, é para dar burocráticas lições de informática. Há, portanto, um gigantesco caminho a percorrer – e isso deve ser feito logo.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/redes-sociais-servico-ensino

Por que não usar web 2.0 e redes sociais no ensino?


Humberto Zanetti*

Sempre pensamos em web 2.0 para o comércio ou para o relacionamento pessoal, mas poucos utilizam as vantagens dessas ferramentas e conceitos para a área da educação.

Recentemente um consultor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Seely Brown, comentou em entrevista sobre a falta de investimento das escolas e universidades de todo o mundo na elaboração de projetos educacionais que utilizem recursos de web 2.0.

Brown enfatiza que tais projetos poderiam introduzir nos alunos a cultura de divulgar e debater ideias, como no uso de wikis e blogs.

Esse princípio é sempre enfatizado por pesquisadores na área da educação: dar a possibilidade de o aluno se tornar mais do que um ser passivo na etapa de aprendizagem. O aluno pode se tornar um agente pensante que veja nessas ferramentas a oportunidade ideal, estimulado pela possibilidade de formar e trocar conhecimentos.

O professor por sua vez terá a oportunidade de verificar aspectos muitas vezes difíceis de serem identificados na sala de aula, como a capacidade de elaborar textos, pesquisar sobre um assunto, dar uma opinião e debater a de outros.

Essa rede de comunicação também pode agregar valores à instituição de ensino. Um wiki bem desenvolvido, por exemplo, pode ser usado como ferramenta de pesquisa para alunos futuros, formando uma enciclopédia particular.

Como e quais ferramentas usar?

A princípio essa metodologia dever ser inserida gradativamente, com uma mescla de atividades em sala e em ambiente virtual. Seria válido o professor dar “uma aula” sobre o conceito, as ferramentas e os objetivos e trazer aos poucos, posteriormente, em cada aula, o estímulo ao uso da tecnologia. Passada essa fase, pode pedir tarefas onde o conteúdo deverá ser exposto periodicamente via blog, ou após finalizado, submetido a um wiki.

Professores têm a possibilidade de utilizar os recursos web 2.0 também para seu controle de aulas, através de ferramentas online que ajudam o trabalho do profissional de ensino. Um exemplo seria um blog onde o professor compartilha informações com seus alunos e publica seu calendário de aulas e avaliações sempre atualizado, a relação parcial de notas, além de comentários sobre assuntos abordados.

Todas essas possibilidades descritas não exigem despesas adicionais. Um serviço bem interessante é o Edublogs.org. Voltado especificamente para profissionais de ensino, fornece um serviço de blog e atualmente integra ferramenta wiki do Wikispaces gratuitamente. Esta dobradinha de ferramentas forma um ambiente simples e eficaz de aprendizado e colaboração.

Claro que nesse processo há barreiras. A primeira seria fazer com que os educadores aprendam e usem a web a seu favor. Que procurem se adequar e utilizem essas ferramentas como um meio de melhorar o processo educativo.

Em segundo lugar seria a etapa de treinar e educar os alunos nessas tecnologias e conceitos, onde vai se procurar mostrar como pode ser vantajoso tirar proveito de um ambiente colaborativo.

Cabe a nós, professores, a tarefa de abrir os olhos para essa nova oportunidade. O processo de aprendizagem não é somente transmitir o conhecimento e sim ensinar como usá-lo, como modificá-lo e até mesmo discordar dele. Temos as ferramentas, só falta usar.

*Humberto Zanetti (profzanetti@gmail.com) é professor pela Anhanguera Educacional S.A., freelancer e pesquisador em arquitetura da informação, user interface e design de interação e mantém site e blog pessoais.

Fonte: Webinsider

A exploração dos mundos virtuais


Na era do ciberespaço, o ensino tradicional tem o papel de levar o aluno a ser o explorador do seu universo de interesses

Rogério da Costa

Levando-se em conta as características do ciberespaço, fica claro que os indivíduos podem aprender de modo diverso do que é proposto pelo sistema professor-aluno, que é possível aprender quando trocamos idéias com outras pessoas e que, ao relacionarmos informações dispersas, estamos, de alguma forma, produzindo conhecimento.

A navegação em rede, cabe lembrar, significa basicamente a possibilidade de explorar, de um modo não-linear, universos distintos de informação e conhecimento. E a idéia de exploração, por si só, já nos convida a refletir sobre a aprendizagem de uma maneira distinta daquela que comumente entendemos: a recepção do conhecimento apenas por intermédio do professor.

A própria atividade de exploração dos mundos virtuais requer um aprendizado! Isso nos leva a crer que o ensino tradicional, por sua vez, terá um papel importante a desempenhar nesse aspecto: ensinar o aluno a ser, ele próprio, o explorador de seu universo de interesses.

As comunidades virtuais e o aprendizado coletivo que elas implicam constituem também aspecto fundamental da navegação em rede. Aprender a aprender coletivamente com certeza é uma outra tarefa para o ensino presencial, sendo que não é produtivo, nesse caso, estabelecermos uma concorrência entre o ensino por meio de ambientes virtuais e o ensino presencial. Eles podem ser vistos como perfeitamente complementares.

O fato de estarmos sendo provocados a pensar o ensino via Internet, com todo o desafio que isso significa e com toda a riqueza que ele nos promete, nos faz refletir sobre a própria arquitetura do ensino tradicional que temos hoje. Isso nos leva a crer que nossa relação com o ensino presencial se tornará cada vez mais complexa, mais crítica e, esperamos, mais rica em mudanças e inovações.

O processo de aprendizagem no ambiente virtual

Os desafios da aprendizagem em ambientes virtuais promoveram inúmeros debates já nos primeiros anos do surgimento da web. Essas discussões lembravam, acertadamente, que na sala de aula os alunos estão sob a influência direta do professor, ou instrutor. Há expectativas sociais sobre, por exemplo, o que o professor fará, se perguntará algo, como avaliará uma pergunta, o que os outros comentarão etc. O ambiente é social. Há pessoas de quem gosto, que me olham, ou, ao contrário, de quem não gosto etc. Há também um comportamento de aprendizagem, pois posso levantar a mão para fazer uma pergunta, resolver uma dúvida em segundos perguntando ao colega ao lado, há silêncio durante os exames etc. Na sala, sobretudo, o controle pertence ao professor. Isso significa que ele pode exigir dos alunos determinado comportamento: “olhem para cá”, “prestem atenção neste ponto”, “comecem a prova agora” etc.

Em casa, diante de seu computador, não há expectativas sociais, pois o estudante está em seu próprio ambiente, e o professor chega ao ambiente do estudante quando este assim o deseja. Ele não está preocupado com o que o professor dirá, ou não, sobre seu comportamento. E o modo como ele se comporta com o computador só ao próprio estudante interessa. Neste caso, o controle pertence ao estudante.

A pergunta que se faria nesse momento é: se não podemos fazer com que as pessoas façam o que queremos que elas façam, como podemos ensiná-las? Resposta: nós ensinamos de um modo que se alinhe com o que as pessoas já desejam fazer. E isso começa por compreender que cada um tem um estilo de aprendizagem distinto. Há pessoas que possuem uma capacidade enorme de lembrar do que viram; outras são excelentes em recordar o que ouviram. E há ainda as que são boas nas duas capacidades cognitivas. Mas também há os que precisam fazer, ou exercitar, uma atividade para sedimentar conteúdos na memória, ou os que precisam da repetição para pensar e refletir sobre um assunto e, assim, consolidar um conhecimento.

O desafio de cursos virtuais seria o de fornecer informações às pessoas em seu próprio estilo de aprendizagem. É difícil para as pessoas mudarem esse estilo, seja em sala de aula, conferências, seja via computador. O importante, então, seria dar oportunidade para que cada estilo de aprendizagem encontrasse na ferramenta apoio e estímulo.

É preciso desenvolver instrumentos para quem aprende de forma sequencial, global, colaborativa, ou de modo autônomo. Quem aprende é um indivíduo, e apesar de termos métodos diferentes de ensino, cada indivíduo aprende da mesma maneira estando em sala de aula ou na web, pois o modo como ele fixa a informação em seu cérebro é basicamente o mesmo. O que muda é o controle das ações.

Redes sociais e aprendizagem

Qual seria o papel das redes sociais nas escolas? Essa pergunta ainda é colocada por inúmeros gestores, que mostram preocupação, ou insegurança, em relação ao uso de ferramentas colaborativas em seus programas pedagógicos. Acontece que o foco das redes sociais e das comunidades virtuais que elas promovem está tanto no conteúdo quanto nas pessoas, tanto no que alguém disse quanto em quem disse o quê. Afinal, são as pessoas que levam consigo as informações sobre os conteúdos, ou sobre como se chegar até eles. São elas que incentivam, sugerem, inclinam, influenciam os alunos na investigação sobre conteúdos.

Mas no caso dos alunos, quem são essas pessoas? São os professores, os amigos de classe, os professores de outra classe indicados por colegas que assistiram e gostaram de seu curso, os amigos dos amigos, os pais e parentes, os colegas de clube etc.

Essas pessoas constituem a rede pessoal de cada aluno e, acreditem, elas são a coisa mais interessante na vida de cada um, aquilo que mais mobiliza sua atenção voluntária.
Essa atenção voluntária é uma espécie de energia preciosa que não podemos desperdiçar, ao contrário, devemos estimular e alimentar de forma a capitalizá-la para a produção de conhecimento. As redes sociais, formadas com o auxílio da rede de computadores e celulares, é uma das experiências atuais mais consistentes de consolidação, expansão e capitalização das redes pessoais. E as comunidades virtuais, que as precederam, existem há mais de 20 anos!

Mas apenas recentemente as redes sociais tornaram-se um fenômeno que chamou a atenção da investigação científica e, também, do mundo empresarial. Esse fenômeno nos revela que é essencial organizar a possibilidade de relação entre as pessoas, as diversas formas pelas quais elas entrarão em sinergia e, como consequência, transmitirão informações e construirão conhecimentos.

A produção e a organização de conteúdos, desse ponto de vista, deveriam depender fundamentalmente da forma como a relação entre as pessoas é estabelecida. As redes sociais organizam de forma transversal a comunicação entre usuários e conseguem fazer com que os conteúdos circulem. Circular significa estar vivo. Conteúdo organizado que não circula é conteúdo desvitalizado!

O fato é que, de alguma maneira, estamos começando a perceber que as pessoas desempenham, em boa parte de seu tempo, o papel de índices de informação para outras pessoas, e isso não é diferente no âmbito da escola.

Convergência cultural na Internet

O uso da rede mundial de computadores já está integrado a todas as formas e a todos os níveis de ensino. A expansão inigualável desse meio de comunicação marca uma mutação profunda vivenciada em relação à pesquisa, que se afirma cada vez mais como diagonal, transdisciplinar, coletiva, colaborativa, desenvolvida para além das fronteiras das instituições.

Já é evidente o papel e a importância da Internet na promoção de grandes redes de ensino, aprendizagem e pesquisa. As funções de produção de conhecimentos e de difusão de informações encontram-se cada vez mais distribuídas entre inúmeros agentes através da web. Atualmente, não apenas as instituições de ensino superior contribuem com a disponibilização de conteúdo educativo e informativo na rede, mas também as bibliotecas, museus, editoras, jornais, rádios, televisões, revistas, empresas e as mais diversas organizações. As empresas, não nos esqueçamos, têm sido, nos últimos tempos, grandes promotoras de encontros, colóquios, congressos e debates por todo o mundo.

Desde cedo, com o advento da web, muitos foram os atores e várias as iniciativas de se construírem redes de conhecimento autenticado através da Internet. Sites de grandes museus, destacadamente, puseram-se a oferecer um número significativo de cursos virtuais, além de fóruns de discussão, artigos e links para sites com temas relacionados, entre outros recursos.

Todo esse processo de multiplicação dos agentes produtores e difusores de conhecimento, e de consórcios entre instituições culturais na Internet traduziu um grande desafio: a democratização do acesso aos conteúdos autenticados.

Em 2004 e 2005, surgiram duas iniciativas que mudariam o quadro da produção virtual de informações e conhecimentos na web: Wikipedia e YouTube. Ao lado da consolidação global do Google como mecanismo de busca, a Wikipedia se consolidou como uma efetiva inteligência coletiva que produz incessantemente um espaço de referência de conhecimentos e informações, uma enciclopédia universal virtual feita por colaboradores de todo o mundo.

Na esteira dessa inovação, por si só tão evidente, deu-se a iniciativa do You Tube, uma enciclopédia de outra natureza, audiovisual. Agora todo tipo de pesquisa acaba ganhando uma direção privilegiada, Wikipedia e YouTube, que por sua vez redistribui o sentido das pesquisas para outros sites, onde se pode aprofundar aquilo que se procura. Atualmente, Wikipedia e You Tube são incontornáveis em qualquer processo de ensino e aprendizagem, não porque não possamos escapar deles, mas porque é sempre muito interessante consultá-los sobre qualquer assunto.

Sobre o autor

Rogério da Costa é filósofo, professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Fonte: http://www.ondajovem.com.br/materiadet.asp?idtexto=423

Transmissão de um estigma

Estudo da Universidade de Chicago traz fortes evidências de que o baixo desempenho das meninas em matemática está relacionado com a didática adotada nas aulas – e não com a genética

© DIETMAR KLEMENT/ISTOCKPHOTO
Alunas são mais sensíveis à insegurança de docentes e tendem a reproduzi-la; fato não ocorre com os meninos

A polêmica sobre o aparente fracasso feminino com os números e as contas surgiu em 2005, quando o economista Lawrence Summers, na época reitor da Universidade Harvard, defendeu que causas inatas estariam por trás da maior facilidade masculina para ciências exatas. De lá para cá, muitos cientistas têm se manifestado contra a afirmação de Summers, sugerindo que a desvantagem das mulheres em áreas como computação e engenharia é determinada por fatores sociais. A hipótese, no entanto, é difícil de ser comprovada experimentalmente, mas um estudo recente feito pela Universidade de Chicago traz fortes evidências de que o baixo desempenho de meninas em matemática tem origem na falha da didática daquele que ensina.

Os pesquisadores avaliaram, no início e no final do ano letivo, os níveis de ansiedade de 17 professoras americanas de ensino fundamental em relação às aulas de matemática, o que segundo os autores reflete sua insegurança no exercício da disciplina que é a base para as demais ciências exatas. Os estudiosos analisaram também as notas dos alunos – 52 meninos e 65 meninas – ao longo do ano e a percepção deles no que diz respeito ao estereótipo de que a habilidade com números é uma característica masculina. Os resultados foram publicados nos Proceedings of the National Academy of Sciences.

Ao fim do período letivo, os dados apontaram uma correlação negativa entre os níveis de ansiedade das professoras e as notas das meninas, diferentemente do observado no início do ano, quando a diferença entre os sexos não era significativa. Segundo os autores, por alguma razão as alunas são mais sensíveis à insegurança das professoras e tendem a reproduzi-la, o que não ocorre com os meninos. Isso foi constatado por meio da análise dos desenhos feitos pelos alunos a pedido dos pesquisadores. Eles contaram uma história sobre duas crianças: uma muito hábil em matemática e outra que gostava muito de ler. Em nenhum dos casos o sexo do personagem foi definido. Em seguida, os estudantes tinham de desenhar a história. Na ilustração feita no início do ano, não houve predomínio de um ou outro sexo em ambas as histórias, mas o resultado mudou significativamente no segundo desenho feito no final do ano. Nele, a maioria das meninas retratou a criança que gosta de ler como garota e a que prefere matemática como menino.

Fonte: http://ow.ly/1wVTf

A superação da didática tradicional


Tecnologia – Uma ótima ferramenta educacional

O avanço tecnológico possibilita ao aluno o acesso a uma complexidade de informações já prontas no que se refere aos conteúdos disciplinares. Esse fato implica também no desestímulo quanto à leitura e à pesquisa em outras fontes bibliográficas que não sejam ligadas ao contexto virtual.

Assim sendo, a figura do professor já não é tão idealizada quando comparada a outros tempos, pois a busca por novos conhecimentos muitas vezes se resume em apenas um toque e pronto! Já está saciado todo o anseio, e talvez a aprendizagem se realize em um ambiente que atenda melhor as expectativas, diferente da sala de aula.

Diante disso, a tarefa do educador em buscar novas alternativas para a efetiva aplicação de sua didática tornou-se uma constante. É preciso que haja um relacionamento fraterno, contudo, sem perder o total domínio do sentimento de autoridade.

Dentre essas alternativas figuram-se o uso dos recursos tecnológicos para a aplicação de conteúdos, pois é uma maneira de tornar as aulas mais dinâmicas, interativas e versáteis.

É como se o educador se dispusesse a “mergulhar” no universo do aluno, fazendo com que o mesmo se tornasse um sujeito ativo de seu próprio conhecimento, como é o caso de proporcionar uma aula no laboratório de informática em substituição ao método da aula expositiva e dialogada.

Mediante esses propósitos instaura-se um termo que é de fundamental importância – “o despertar do interesse por parte do aluno”. De posse deste recurso, toda e qualquer atividade didática terá um fim em si mesma – o ensino X aprendizagem realizado de maneira satisfatória.

No que se refere às aulas de Língua Portuguesa, é extremamente proveitoso trabalhar os diferentes gêneros textuais, como, por exemplo, instigando os educandos a criarem seu próprio blog, podendo assim compartilhar informações com outros estudantes.

Criar e revisar textos no próprio editor, tal procedimento permite refazer/acrescentar algo que achar conveniente, sem ter que partir para uma reescrita propriamente dita.

Proporcionar momentos para que os alunos tenham a oportunidade de elaborar trabalhados possivelmente sugeridos, utilizando, usufruindo das ferramentas oferecidas pelos programas, no caso o Power Point.

Recursos como estes diversificam a prática pedagógica, promovendo uma efetiva interação dentro do contexto escolar, contribuindo, portanto, para a eficácia dos resultados pretendidos.

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Ensino e educação de qualidade (!?)


José Manuel Moran

Há uma preocupação com ensino de qualidade mais do que com a educação de qualidade. Ensino e educação são conceitos diferentes. No ensino se organizam uma série de atividades didáticas para ajudar os alunos a que compreendam áreas específicas do conhecimento (ciências, história, matemáticas).

Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Fala-se muito de ensino de qualidade. Muitas escolas e universidades são colocadas no pedestal, como modelos de qualidade. Na verdade, em geral, não temos ensino de qualidade. Temos alguns cursos, faculdades, universidades com áreas de relativa excelência. Mas o conjunto das instituições de ensino está muito distante do conceito de qualidade.

O ensino de qualidade envolve muitas variáveis:

  • Organização inovadora, aberta, dinâmica. Projeto pedagógico participativo.
  • Docentes bem preparados intelectual, emocional, comunicacional e eticamente. Bem remunerados, motivados e com boas condições profissionais.
  • Relação efetiva entre professores e alunos que permita conhecê-los, acompanhá-los, orientá-los.
  • Infra-estrutura adequada, atualizada, confortável. Tecnologias acessíveis, rápidas e renovadas.
  • Alunos motivados, preparados intelectual e emocionalmente, com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal.

O ensino de qualidade é muito caro, por isso pode ser pago por poucos ou tem que ser amplamente subsidiado e patrocinado.

Poderemos criar algumas instituições de excelência. Mas a grande maioria demorará décadas para evoluir até um padrão aceitável de excelência.

Temos, no geral, um ensino muito mais problemático do que é divulgado. Mesmo as melhores universidades são bastante desiguais nos seus cursos, metodologias, forma de avaliar, projetos pedagógicos, infra-estrutura. Quando há uma área mais avançada em alguns pontos é colocada como modelo, divulgada externamente como se fosse o padrão de excelência de toda a universidade. Vende-se o todo pela parte e o que é fruto as vezes de alguns grupos, lideranças de pesquisa, como se fosse generalizado em todos os setores da escola, o que não é verdade. As instituições vendem externamente os seus sucessos – muitas vezes de forma exagerada – e escondem os insucessos, os problemas, as dificuldades.

Temos um ensino em que predomina a fala massiva e massificante, um número excessivo de alunos por sala, professores mal preparados, mal pagos, pouco motivados e evoluídos como pessoas.

Temos bastantes alunos que ainda valorizam mais o diploma do que o aprender, que fazem o mínimo (em geral) para ser aprovados, que esperam ser conduzidos passivamente e não exploram todas as possibilidades que existem dentro e fora da instituição escolar.

A infra-estrutura costuma ser inadequada. Salas barulhentas, pouco material escolar avançado, tecnologias pouco acessíveis à maioria.

O ensino está voltado, em boa parte, para o lucro fácil, aproveitando a grande demanda existe, com um discurso teórico (documentos) que não se confirma na prática.. Há um predomínio de metodologias pouco criativas; mais marketing do que real processo de mudança.
É importante procurar o ensino de qualidade, mas conscientes de que é um processo longo, caro e menos lucrativo do que as instituições estão acostumadas.

Nosso desafio maior é caminhar para uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso precisamos de pessoas que façam essa integração em si mesmas do sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social. E até agora encontramos poucas pessoas que estejam prontas para a educação com qualidade.

José Manuel Moran – Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância
Texto publicado no livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, 12ª ed. Campinas: Papirus, p.12

Fonte: http://www.eca.usp.br/prof/moran/qual.htm

Liberdade de Ensinar

Como garantir a liberdade de ensinar na escola?

Vicente Martins

Que devemos entender por liberdade de ensinar?
Qual a relação entre a liberdade de ensinar e a liberdade de aprender?

Para responder a estas questões , tomaremos, como ponto de referência, o inciso II, do artigo 206, da Constituição de 1988, que se volta ao princípio de liberdade. No primeiro instante, pode-se levantar a questão do sentido de liberdade atribuído ao artigo.

Podemos deduzir, a partir da leitura do inciso II, do artigo 206, da Constituição Federal, que se trata do reconhecimento de que, no processo de formação escolar, cabe à escola, representada por professores, alunos, principalmente estes, a decisão e o agir segundo a sua proposta pedagógica.

As instituições podem assegurar a ação pedagógica ou o agir educacional do professor, no âmbito da educação escolar, respeitando suas metodologias próprias e diretivas segundo a orientação de sua educação superior. O que garante a liberdade de ensinar do professor é o respeito da escola a atitude pedagógica, o discernimento, a exegese que o mesmo faz da pedagogia posta no fazer escolar. Quem define, pois, caminho a percorrer, em sala, para fazer a aprender, é o professor.

São quatro formas de liberdades pedagógicas, a saber:

a) a liberdade de aprender b) a liberdade de ensinar c) a liberdade de pesquisar d) a liberdade de divulgar

Cabe às instituições de ensino o reconhecimento de que o processo de formação escolar se dá fundamentalmente com a liberdade de aprender. Nesse princípio, fica claro que aprender é mais importante do que ensinar.

Aprender deve resultar de uma condição de liberdade de escolha e do reconhecimento das potencialidades que caracterizam as pessoas na sua essência.

Dar liberdade para aprender significa o reconhecimento do efetivo exercício da potencialidade do aluno.

A liberdade de aprender se manifesta pelo reconhecimento de que a aprendizagem resulta de condicionamentos, implicações e consequências individuais. Por isso, quem tem liberdade de liberdade tem o poder conservar condicionamentos ou transformá-lo em benefício de uma assimilação ativa, essência do aprender.

A aprendizagem do aluno depende da liberdade de ensinar do professor. Assim a liberdade de ensinar reside fundamentalmente no liberdade de pensamento e do fazer aprender a prender, de modo a externar, sem qualquer inspeção policialesca da escola, os modelos pedagógicos mais adequados para o trabalho com o alunos. Agora, caberá ao professor conhecer as diferentes pedagogias e métodos para fazer, nas diferentes situações, a escolha do modelo mais apropriado para o ensino.

Ter liberdade de ensinar é ter a liberdade de escolher o que considera melhor para seus educandos.

A liberdade de ensinar pressupõe, também, que ao professor sejam asseguradas as condições objetivas para ensinar, instruir, transmitir conhecimento, através de suas exposições dialogadas e dos recursos materiais e tecnológicos disponíveis nas instituições de ensino, mas o professor poderá reconhecer que ensinar é fundamentalmente levar o aluno a aprender por si. Enfim, o professor deve ter liberdade de ensinar para poder viabilizar a liberdade de aprender do aluno. Quem sabe, ensina. Quem ensina com liberdade, educa. Quem sabe ensinar com liberdade e amor, desenvolve integralmente o educando.

A liberdade de pesquisar, especialmente na educação superior, é um princípio que os profissionais de educação não podem abrir mão para assegurar sua autonomia universitária. Todo professor deve ter o compromisso com a investigação pedagógica.

Os docentes da educação básica também estar engajados na investigação do processo ensino-aprendizagem, desenvolvendo trabalhos científicos que oxigenem o processo pedagógico.

Quem tem a liberdade de aprender, de ensinar e pesquisar acaba desenvolvendo estratégias e atividades originais no ambiente escolar, de tal modo significativo que deve a liberdade de divulgar seu pensamento, sua arte e seu saber. Quem tem liberdade de aprender descobre que a verdadeira liberdade reside em ter um pensamento próprio e que nada no meio escolar justifica enclausuramento de ideias ou de sua memória crítica.

Quem tem liberdade de ensinar transforma suas aulas em muito mais do que lições, mas em artes de ensinar, de tal modo que a liberdade de ensinar revela-se, em muitos professores, como a liberdade de pôr em prática uma ideia, valendo-se, para tanto, de sua competência técnica.

Quando os professores transformam suas aulas em artes revela-se, que sob a liberdade de ensinar, podem obter resultados, no processo escolar, de modos diferentes, de formas pedagógicas das mais diversas.

A liberdade de divulgar a arte refere-se, também, as formas de criação de caráter estético resultantes da vivência pessoa dos alunos e professores, manifestas em obras de arte, artes visuais, artes religiosas, artes populares, arte poéticas e artes musicais.

Quando respeitamos a liberdade dos agentes da escola de divulgarem suas artes, passamos a valorizar a capacidade criadora dos artistas emergentes na escola.

A liberdade de pesquisar exige a garantia da liberdade de divulgar o saber.

Quem pesquisa, fundamenta-se, pedagogicamente, no conhecimento adquirido nos cursos de atualização ou pós-graduação, nas leituras, na formação científica e na captura de informações por meio de recursos tradicionais ou eletrônicos.

Pesquisar é um imperativo para os profissionais de educação escolar.

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de Sobral, Ceará, Brasil

Fonte: http://www.centrorefeducacional.com.br/liberens.htm

Se seu professor falasse assim?

Olá Amigos

O vídeo abaixo é um comercial de uma universidade do EUA, chamada Kaplan University. O discurso do professor no comercial é emblemático, mesmo tirando o fato de que é um comercial e quem tem todo um apelo comercial, o discurso é fantástico.

Ele começa o discurso pedindo desculpas por ele e o sistema ter falhado com os aluno. Veja o vídeo e depois vamos fazer umas considerações.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=e50YBu14j3U&hl=en&fs=1&]

O comercial é incrível. Mostra como as coisas evoluem e como o homem vai acompanhar esse processo, alguns antes dos outros, pois ficar preso ao passado é inútil pois como diz o professor Pedro Demo na postagem abaixoA tecnologia vai se implantar aqui “conosco ou sem nosco. É não faz sentido para não fazer algo como uma forma melhor do que você poderia fazê-lo antes e práticas tradicionais podem ainda funcionar bem, mas quando TICs são utilizadas de forma consciente e eficiente os resultados são comprovadamente melhores. Você nem ninguem não pode parar a evolução.

Para alguns professores só porque uma coisa é rotulada de “progresso” não significa necessariamente que ele fornece uma maneira melhor de fazer uma coisa, apenas uma maneira mais fácil, e penso que pensando assim estamos a ponto de ver uma geração de alunos ser desperdiçada.

Você concorda que devemos adotar novas práticas?
O vídeo deu a vocês alguma coisa para pensar?
Mas o seu problema não é tanto a tecnologia, mas a falta de disciplina que os resultados na sequência das suas vantagens?

Opine e Comente

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola e os Centros de Recursos Educativos. Algumas reflexões.

Leonel Melo Rosa (Universidade Aberta)

Comunicação apresentada no painel “Centro de Recursos: um espaço de aprendizagens múltiplas”, II Encontro de Nacional de Centros de Recursos Educativos, Escola Secundária Emídio Navarro,

Almada, 28 de Outubro de 1999.

1- Introdução

Com a enorme influência das TIC sobre os meios de produção e comunicação, a escola precisa absolutamente de as integrar se não quer ficar definitivamente isolada. Porém, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que as TIC poderão ser a panaceia para uma escola em crise, pois elas não passam de ferramentas de ensino e, como tal, tanto podem ser usadas para novas práticas pedagógicas baseadas nas pedagogias activas, centradas no aluno, como podem servir apenas para transmitir conhecimentos, seguindo um modelo tradicional, em que o professor e os conteúdos programáticos ocupam o centro do processo educativo.

Como diz Jacques Tardif, “o desenvolvimento exponencial das TIC, assim como a sua força, impedirão que a escola as trate com ligeireza e duma maneira superficial, exigindo reflexões sérias sobre as modalidades e o grau de integração (Tardif, 1998)” (1) .

2- As TIC e a “Educação para os Media”

Sou dos que acreditam que a “educação para os media” está intimamente ligada à integração das TIC na educação, pelo que gostaria de partilhar algumas reflexões.

Como diz René de la Borderie “saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar educação para os media”. Esta consiste na “aprendizagem dos mecanismos de funcionamento dos media, sobretudo aquele que mais influencia os jovens – a televisão – e deveria constituir uma das prioridades da nossa prática pedagógica (Borderie, 1997)” (2) .

Em todas as disciplinas, deveria ser implementada uma prática transversal da educação para os media, duma forma planeada, ampla e sistemática, do mesmo modo que deveria haver uma prática transversal da educação para o ambiente e da educação para a cidadania.

Todos os alunos de todos os níveis de ensino deveriam ser abrangidos por uma educação para os media pois, “se acreditamos que a educação para os media constitui uma das condições para a formação do espírito crítico e para o desenvolvimento da autonomia no mundo da comunicação, então é preciso que ela comece a ser realizada desde os primeiros anos de escolaridade (Borderie, 1997) (3) ”.

O mesmo se passa em relação às TIC. A sua integração deve ser feita logo no ensino pré-escolar. Para as crianças destas idades, o CD-ROM, por exemplo, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das capacidades de observação e reflexão, de coordenação psico-motora ou para o despertar dos sentidos. As potencialidades do multimédia tornam-no um instrumento quase insuperável já que reúne em simultâneo a imagem, a cor, o som e ainda todos os efeitos visuais e sonoros que conseguem prender a atenção da criança. Porém, há que ter cuidado com “as ambiguidades do ludo-educativo” (Carrier, 1997) (4) , etiqueta frequentemente usada pelo marketing para atrair as crianças (ludo) e os pais (educativo) e que muitas vezes tem muito do primeiro e pouco do segundo.

Para uma maior eficácia da educação para os media, deverá haver uma coordenação entre os centros de recursos educativos, centros de documentação, bibliotecas, mediatecas (caso não estejam todos reunidos em apenas um centro de recursos), clubes, todos devidamente articulados com as estruturas directivas da escola (sobretudo na sua vertente pedagógica) de modo a que todas as acções desenvolvidas estejam devidamente integradas no Projecto Educativo da Escola.

3- Novas aprendizagens – novas práticas pedagógicas

3-1. As potencialidades pedagógicas das TIC

As práticas pedagógicas que utilizam as TIC duma forma planeada e sistemática permitem:

– o desenvolvimento de uma competência de trabalho em autonomia (fundamental ao longo da vida), já que os alunos podem dispor, desde muito novos, de uma enorme variedade de ferramentas de investigação. “Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá jamais transformar a realidade do sistema educativo, as tecnologias de informação e comunicação trazem dentro de si uma nova possibilidade: a de poder confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade das suas aprendizagens (Carrier, J.-P., 1998)” (5) .

– um acesso à informação com rapidez e facilidade (um dos seus principais trunfos);

– uma prática de confrontação, verificação, organização, selecção e estruturação, já que as informações não estão apenas numa fonte. As inúmeras informações disponíveis não significarão nada se o utilizador não for capaz de as verificar e de as confrontar para depois as seleccionar. A recolha de informações sem limite pode muito bem provocar apenas uma simples acumulação de saberes.

o desenvolvimento das competências de análise e de reflexão.

– a abertura ao mundo e disponibilidade para conhecer e compreender outras culturas;

– a organização do seu pensamento;

– o trabalho em simultâneo com um ou mais colegas situados em diferentes pontos do planeta.

– a criação de sites (em colaboração com os colegas e professores da sua ou de outras escolas), a qual vai permitir que os alunos realizem:

– um trabalho de estruturação das suas ideias;

– uma organização espacial;

– uma apresentação com cuidados estéticos;

– um trabalho de descrição e apresentação que proporcionará uma pesquisa histórica, geográfica e cultural sobre a escola, o local e a região onde habitam e estudam;

– um registo de sons e imagens (fotografia e vídeo);

– uma tradução em várias línguas.

Todas estas actividades pressupõem um profundo trabalho de interdisciplinaridade cujo espaço de realização pode ser o CRE.

3-2. O papel dos CRE

Do que ficou dito atrás sobre as potencialidades pedagógicas das TIC, é fácil concluir que os CRE podem criar as condições para proporcionar que as TIC se tornem de facto numa ferramenta que contribua para práticas pedagógicas inovadoras.

A ausência de um programa escolar limitador e de momentos periódicos de avaliação e a possibilidade de uma relação mais informal entre o professor responsável pelo CRE e o aluno constituem algumas das vantagens dos CRE. Todas estas condições permitem pôr em prática com mais facilidade do que na sala de aula todas as actividades atrás indicadas. Para além das actividades já sugeridas, os CRE podem ainda desenvolver outras actividades:

É no CRE que estão reunidos, analisados e postos à disposição da comunidade escolar todos os documentos em suportes variados (verbais, icónicos, ou gráficos). Pôr estes recursos à disposição dos intervenientes no processo educativo implica que o aluno seja ajudado na sua utilização. ”Só temos boas razões para pensar que o CRE é, na escola, um laboratório de comunicação onde as imagens e os média constituem não só uma fonte pedagógica para os trabalhos na sala de aula mas também um objecto de estudo, condição essencial para uma utilização correcta como meio de ensino e de aprendizagem (Borderie, 1997) (6) ”.

1- É indispensável uma formação técnica nos campos a) das ferramentas de navegação; b) do tratamento de texto; c) da recolha de dados.

2- A formação do aluno para uma pesquisa documental multimédia implica também uma formação no campo da “construção de saberes” (Carrier; Lafage 1997) (7) . Para isso, o aluno deve aprender a:

– construir uma pesquisa a fim de obter documentos pertinentes;

– organizar e relacionar os documentos recolhidos;

– verificar a origem dos documentos;

– formular opiniões críticas;

– confrontar estas informações com as de outras fontes;

– realizar um documento de síntese.

É claro que neste trabalho de formação do aluno, o professor tem um papel decisivo. No CRE, mas também na sala de aula equipada com as TIC, cabe ao professor:

– orientar o aluno, dando-lhe pistas e objectivos concretos;

– estabelecer com o aluno uma relação baseada na confiança, no conselho e no acompanhamento;

– propor o reforço de certas noções abordadas nas aulas;

– propor a realização de projectos de investigação documental informatizada, para desenvolver a sua motivação, associar o domínio de ferramentas informáticas à procura de informações precisas, e finalmente, melhorar a sua competência de leitura.

– abordar projectos baseados na análise crítica e comparativa dos media (televisão, imprensa e Internet) de parceria com os professores de cada disciplina.

A confrontação de suportes diversos, tais como os documentos obtidos na Internet, artigos da imprensa, livros e outros documentos, permite ao aluno escolher em função da sua pesquisa, o documento que lhe parece mais adaptado. Porém, a tarefa do aluno torna-se cada vez mais complexa, com tanta variedade de fontes de informação. Por isso, uma ideia é propor-lhe a comparação dos vários suportes tendo em conta critérios de rapidez de acesso à informação, riqueza do conteúdo e validade das informações, o que lhe permitirá desenvolver o seu espírito crítico.

Além de contribuir para formação dos alunos, o CRE também pode (e deve) ser um espaço privilegiado para a formação de professores. Para que os professores deixem de “ter vergonha” (8) de utilizar as TIC, devem aproveitar os CRE para efectuarem a sua formação quer em acções de formação quer com uma prática sistemática, que poderá ser apoiada pelo(s) professor(es) responsável(eis) pelo CRE e, porque não, pelos próprios alunos.

Conclusão

Como ficou claro, a integração das TIC nos processos de aprendizagem pode constituir um factor de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, a escola tem de acompanhar as transformações sociais. A escola, por natureza lenta, analítica e virada para o passado, tem de ser capaz de se tornar mais atraente, diminuindo o fosso que a separa do mundo exterior onde o aluno vai absorver grande parte das informações que lhe interessam. Cabe à escola transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém o monopólio da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.

Para possibilitar um acesso igual à informação, a escola tem de conseguir combater as desigualdades existentes à partida, dando a todos os alunos “a possibilidade de recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação” (9) .

O simples fornecimento de equipamento informático às escolas não contribui automaticamente para atingir este objectivo.

Tal como aconteceu, em muitos casos, com a utilização pedagógica do audiovisual, se não forem preenchidas certas condições, a integração das TIC no sistema educativo poderá mesmo contribuir para agravar as desigualdades sociais. E, entre outras, essas condições são:

– uma correcta e actualizada formação dos professores;

– uma utilização das TIC devidamente planeada, inserida numa ampla estratégia educativa centrada no aluno;

– uma transformação da atitude da escola (e dos professores).

Esta transformação vai exigir que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.

Além desta inevitável mudança de atitude da parte da escola (e dos professores), termino com as palavras de Geneviève Jacquinot: “Os media só podem servir de fonte de acesso ao conhecimento se forem integrados, dentro ou fora da escola, no quadro de um projecto ou de uma metodologia. (…) É urgente definir uma nova função da escola na sociedade actual. A questão mais importante é a de saber como vamos fazer uma educação democrática para todos ou, pelo menos, para uma maioria. (…) Devemos construir um discurso sobre a nova função da escola na sociedade tecnológica e criar práticas novas. Uma “educação para os media” bem controlada, exigente, pode ajudar-nos muito nessa tarefa (Jacquinot, 1995)” (10) .

_____________________

Notas

(1) Tardif, Jacques (1998) Intégrer les nouvelles technologies de l’information. Quel cadre pédagogique?, Paris, ESF.

(2) Borderie, René de la (1997) Education à l’image et aux médias, Paris, Nathan.

(3) Borderie, René de la, op. cit.

(4) Carrier, Jean-Pierre (1997)”Les cédéroms dans le biberon : le multimédia et l’éveil des tous-petits.”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris : Retz, CEMEA , p. 69.

(5) Carrier, Jean-Pierre (1998) “S’informer et communiquer”, Vers l’Education Nouvelle, nº 487, 7.

(6) Borderie, René de la, op. cit.

(7) Carrier, Claire; Lafage, Claire ”Le CDI à l’heure du multimédia”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, pp 39-41.

(8) Um estudo recente efectuado pela Universidade de Aveiro, revela que a principal dificuldade dos professores na utilização das TIC em ambiente escolar é a “vergonha”. Vergonha de demonstrar perante os alunos a escassa habilidade no uso de computadores e afins. A amostra deste estudo foram 101 professores no distrito de Aveiro, dos quais apenas um tinha usado o computador para “navegar “ na Internet, sendo que os restantes só usavam computadores para tarefas administrativas. (In Correio da Educação, nº 14, 18/10/99, p. 4.)

(9) Livro Verde da Sociedade da Informação , Ministério da Ciência e Tecnologia.

(10) Jacquinot, Geneviève (1995) “De la nécessité de rénover l’éducation aux médias”, revue Communication, 16, Québec, Univ. Laval.

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Fonte: http://www.univ-ab.pt/~porto/textos/Leonel/Pessoal/tic_cre.htm