Professor e aluno – Quem ensina e quem aprende?


* Maria do Carmo Marques de Barros Torres

Penso que aprender e ensinar é, antes de qualquer coisa, uma relação humana de duas vias. E como tal merece toda a atenção.

Enquanto ensinamos, temos realmente a oportunidade de aprender. Mas, aprender o quê se há a crença de ter muito mais conhecimento que o nosso aprendiz? O que, venhamos não é de todo uma mentira. É esperado e exigido de quem ensina, no mínimo, ter conhecimentos suficientes a serem transmitidos àquele que aprende.

Mesmo assim, aprendemos com o nosso aprendiz questões que não são encontradas nos livros. São questões ligadas mais ao sensorial, ao emocional e ao afetivo, onde há a descoberta e redescoberta das duas partes da diferenciação crucial entre o escutar e o ouvir, entre o olhar e o enxergar.

Aprender e Ensinar não são faculdades estanques, e há que se conscientizar que são partes de um longo processo sem limites, e que a cada horizonte chegado há sempre outro à espera, e aí está a graça da relação.

Quando houver trocas sem a preocupação com os títulos, mas com buscas incansáveis do novo, sem medo do desconhecido e com o reconhecimento humilde de que aquele que aprende ao mesmo tempo ensina e aquele que ensina também aprende, estimulando as duas vias numa busca de possibilidades para a transformação do conhecimento em saber.

Saber este que nos faz sentir vivos e prontos a nos relacionarmos conosco e com o outro.

* Maria do Carmo Marques de Barros Torres é Psicóloga Clínica e Educadora.

Fonte: http://aprendiz.uol.com.br/content/trihotiuet.mmp

Aprender a aprender


Prof Izaias Resplandes

Publicado no Recanto das Letras em 20/07/2008
Código do texto: T1088705

“Ser ou não ser: eis a questão”. Apesar de sua idade centenária, a enunciação shakesperiana continua atualíssima, em face da constatação fática de que a posse do mundo se dá numa ordem inversamente proporcional ao crescimento do conhecimento que se tem dele. Se por um lado ele se amplia, em virtude dos avanços científicos, por outro, ele possui a cada dia menos donos, em decorrência da inércia e do comodismo da maioria dos homens de hoje. A verdade é que, enquanto o conhecimento se multiplica em progressão geométrica, a sua apropriação coletiva caminha a cavaleiro, em progressão aritmética. Aquela sede de saber tudo que tinha o homem do passado, hoje se esvaece diante das dimensões do conhecimento. Substitui-a o mais vil senso comum: eu não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Triste realidade egocêntrica. A constatação de um que não tem condições de saber tudo, leva-o a não querer saber de nada. Típica atitude da raposa de La Fontaine. Não conseguindo alcançar os lindos cachos de uvas que pendiam do parreiral, exclama a raposa: “também, quem quer uvas verdes!”.

Destarte, a descoberta de um ou mais paradigmas, que possam tornar possível à apropriação do verdadeiro conhecimento que hoje se produz no mundo, é o grande desafio que afronta a genialidade do homem deste século. Se não é possível tudo, então devemos selecionar e nos apropriarmos apenas do melhor. A nossa missão será encontrar as agulhas perdidas no palheiro cósmico do conhecimento. Para tanto, devemos ser capazes de separar o joio do trigo, o conhecimento aparente do verdadeiro, o que presta do que não tem valor. Isso irá requerer de nós uma formação diferenciada e que seja adequada a essa realidade.
Preocupada com isso, a UNESCO deu a Jacques Delors a missão de chefiar uma equipe que pesquisasse as possibilidades para uma educação efetiva no século vinte e um. Do trabalho resultou o documento intitulado “Os quatro pilares da educação”, publicado como parte do livro “Educação: um tesouro a descobrir”, da Editora Cortez, São Paulo, 1999, pp. 89-102.

Os quatro pilares envolvem o aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Uma coisa leva à outra. Mas, aqui focalizo apenas o aprender a aprender, o qual é a base para as demais estruturas. Não conseguindo isso, não faremos, não conviveremos e não seremos ninguém além de mais um na multidão de quase sete bilhões de seres que hoje enche o planeta.

Nessa linha, é de destacar que, entre tanto conhecimento e ante a impossibilidade de se apreender tudo, faz-se necessário que cada um saiba encontrar na vastidão o que realmente interessa. Não há mais aquela necessidade de decorar o fragmento que lhe caía nas mãos. Naquele tempo de poucos livros, ficava-se muito feliz caso se encontrasse uma bula de remédio para ler. Não importava o que significavam aquelas estranhas palavras, tais como dilametilamenofenildimetilpirazolona. O importante é que se tinha algo para se ler e decorar. Recordo-me de ter que dar a lição para o mestre, de cor, vírgula por vírgula, ponto por ponto. Então, ficava orgulhoso por demais, quando conseguia passar para a lição seguinte. Hoje, os tempos são outros e me entristeço de ter perdido tanto tempo de minha vida decorando aquelas coisas que foi sem sentido e sem utilidade para minha vida e das quais tenho poucas recordações.

Hoje o conhecimento é produzido e reproduzido por mil formas e em grande quantidade. Com o avanço das comunicações, é possível acessá-lo, a qualquer hora e em qualquer lugar. O conhecer não é mais uma questão de internalização da informação. O conhecimento é volátil, muda a toda hora. Terá sua posse aquele que tiver a técnica para adquiri-lo com rapidez, antes que se torne defasado. Nesse sentido, à educação não compete mais a transmissão do conhecimento. Aliás, isso nunca competiu de verdade. Tinha-se a ilusão de que alguém ensinava e de que alguém aprendia. Mas tudo não passava de um mundo de faz-de-conta. E o pior é que, ainda hoje tem muita gente que pensa dessa forma. Todavia, já está provado que ninguém educa ninguém. O homem é sujeito de sua própria aprendizagem. Segundo Amaral Fontoura, “aprende-se o que interessa. O resto decora-se para passar nos exames e se esquece no dia seguinte”. Daí, a pergunta que não quer calar: Então, qual a finalidade de se decorar algo que hoje tem apenas um valor relativo e amanhã, não vale mais nada? Nenhuma! Essa é a resposta. O professor da decoreba comete um verdadeiro atentado contra os novos tempos, quando prende seus alunos em pequenos fragmentos do saber, ao invés de prepará-los para adquirir o domínio de tudo o que vierem a necessitar durante sua vida e que tem realmente valor para ele.

A orientação dos sábios da UNESCO é que o professor deve ensinar a aprender e não a decorar. Aquele que se formou na escola da decoreba precisa voltar urgentemente aos bancos escolares. Seus paradigmas de ensino/aprendizagem não correspondem mais aos tempos atuais. Já estão superados. Sabe-se hoje que a educação é processual e que, uma vez iniciada, só termina com a morte. É algo para a vida toda. Aquele que se prende ao trabalho da decoreba, ainda não entendeu que o mundo é dinâmico e que não se repete. Aliás, de acordo com a velha lição de mestre Heráclito de Éfeso, um homem não banha duas vezes no mesmo rio, porque as águas de hoje, já não são as mesma de ontem. Aquelas já estão no mar.

Conclui-se. Estamos no tempo de aprender a aprender. Aquele que souber isso estará verdadeiramente preparado para viver. Do contrário, vai morrer de decorar e não vai sair do lugar.

Izaias Resplandes de Sousa é professor de Matemática, Pedagogo, acadêmico de Direito (9º. Semestre) da UNIC – Primavera do Leste (MT) e membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT. Blog: http://www.respland.blogspot.com. Fundador e membro da UPE – União Poxorense de Escritores, Poxoréu, MT.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/1088705

Escola da Idade Média à Mídia

Olá Amigos

Encontrei essa jóia e resolvi publicar pois ela traz um debate interessante sobre o aprendizado em rede e as transformações que aconteceram e estão acontecendo no jeito de ensinar e aprender, na sociedade capitalista e na escola moderna. Apresentação foi feita pelo professor Simão Pedro Marinho, na disciplina Informática e Educação, do curso de Ciências Biológicas da PUC Minas.

Vejam, Reflitam e Comentem

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

As TICs precisam ser explicadas na mídia


Paula Villela
Jornalista

Apesar do termo TICs – Tecnologia da Informação e Comunicação – ser muito citado em matérias que abordam inclusão digital, em muitos casos ele vem sendo utilizado como ferramentas contra o desemprego e aquecimento da economia nas matérias divulgadas na imprensa. Porém, de acordo com a Coordenadora-Executiva da ONG Rede Mulher de Educação, Vera Vieira, no site do grupo, “as TICs podem ser definidas como tecnologias e instrumentos usados para compartilhar, distribuir e reunir informação, bem como para comunicar-se umas com as outras, individualmente ou em grupo, mediante o uso de computadores e redes de computadores interconectados”.

Função das TICs e da mídia
As TICs também têm outras funções. De acordo com o presidente da assembléia geral do PSL-Empresas (projeto de organização das empresas de Software Livre), Ricardo Filipo, “as TICs funcionam interferindo na forma como as informações fluem nos meios físico, social e psíquico de um ambiente humano, abrangendo portanto o contexto dos equipamentos, eletrônicos, sonoro, visual, sensitivo e o contexto humano dos relacionamentos”. Portanto, parte-se do princípio de que o governo e a sociedade civil precisam saber verdadeiramente do que se tratam as TICs para poder participar ativamente da construção da sociedade da informação. Infelizmente, somente uma parcela desses grupos, em especial a sociedade civil, possui esse tipo de conhecimento. Caberia à mídia então, conscientizar, participar, divulgar essas tecnologias, assim como as ferramentas de inclusão digital.

Como o assunto é abordado
Analisando matérias saídas em jornais e na Internet percebe-se que as TICs são, de uma maneira geral, tratadas com superficialidade, fazendo parte de pautas como datas de eventos (sem que ninguém explique a importância daquele congresso e qual o diferencial em relação à sociedade), decisões governamentais (com o mesmo tipo de enfoque do anterior) e novidades tecnológicas. Trata-se de um problema geral das mídias, que precisam correr contra o tempo e lidar com excesso de informações que chegam às redações. Porém, isso não justifica abordar as TICs como se estivesse falando de samba. Enquanto esse último assunto faz parte do inconsciente coletivo da sociedade brasileira e é cultural, as TICs são assuntos relativamente novos, o qual poucos possuem o acesso real (de tocar, saber mexer, conhecer) e naturalmente, desconhecem o seu sentido. Então, quando os jornais e a Internet só fazem referências às vantagens como a inclusão digital, por exemplo, como sendo ferramenta contra desemprego, a população tende a só enxergar as TICs como tal.

Importância da divulgação
Segundo Filipo, “a única importância de se divulgar as TICs é torná-las conhecidas e logo utilizáveis. Mas isto só terá valor para aqueles indivíduos que ainda não conseguem praticar a tepatia. Na outra ponta estão os (..) excluídos digitais. Não basta apenas divulgar as TICs”. Para ele, é uma crueldade caso não se possua infra-estrutura de Tecnologia de Informação. As mídias acabam favorecendo então, aos dominantes (em geral mais ricos), que vêem a visibilidade promovida pelas TICs como forma de que seus produtos apareçam mais. Ao mesmo tempo, Filipo complementa: “a meu ver deveriam ser publicadas e alardeadas as TICs éticas, abertas e que possam trazer melhorias para a vida das pessoas, sem favorecer quaisquer empresas ou grupo em particular. Na prática eu acredito que outros “lobbies” tenham preferência, o que é lamentável ou no mínimo terrivelmente trágico para nós humanos”.

Realmente, é bem trágico quando se pensa que a atuação dessas tecnologias no fluxo das informações acabam formando idéias, contextos, culturas e a abordagem sobre elas estão sendo distorcidas por alguns. Felizmente, ainda podem ser encontradas matérias em informativos temáticos, que se propõem a explicar as TICs ou a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, sem classificá-las em uma categoria ou limitá-las a um determinado aspecto. Não se faz necessário um artigo ou um texto monstruoso para falar sobre o assunto em questão, mas basta consciência e preocupação com o resultado que uma informação, ou a falta dela, poderá causar na sociedade.

Fonte: http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/20/ticsnamidia.htm

The Best Posts

Olá Amigos

Ontem fizemos uma postagem que levanta um tema sobre a eficiência de se ensinar ciências em blogs. A postagem teve uma repercussão bem legal (mais no pessoal de áreas afins) e que gerou boas postagens derivadas e algumas que foram descobertas por indicação.

O comentário/postagem do meu amigo Sérgio Lima (físico por excelência) postou em seu blog a resposta ao que foi levantado aqui no Caldeirão de Ideias. Leiam a postagem dele e todos os links sugeridos por ele para que você tem uma noção (ou será da dimensão) do assunto. Há também uma postagem da Cybele Meyer igualmente imperdível pois vem complementar o que o Sérgio, eu e o Jaime Balbino falamos.

O Jaime Balbino cita: “Aos que pensam que a “cientificação” do Saber tende a ser prejudicial para o processo de apropriação do próprio Saber, retirando Dele outras percepções e outros elementos não-quantitativos, como paixão ou encantamento; é importante refletir mais sobre o real papel da(s) linguagem(ns) no processo de apropriação do conhecimento. Talvez percebam que, quando utilizado num processo reflexivo profundo e “multi-lingual”, o modelo científico representa um momento importante, senão definitivo, para a reflexão e sistematização. É neste estágio que o indivíduo conquista a propriedade para argumentar sobre aquilo que aprendeu e conhece; e é através dele que a coletividade abandona o “senso-comum” em benefício do conhecimento.”

Olha pessoal os desdobramentos são imensos e os pontos de vistas não relacionados aqui precisam ser discutidos, então por isso, se você não concorda com a nossa opinião:

Comente, Opine.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>The Best Posts

>Olá Amigos

Ontem fizemos uma postagem que levanta um tema sobre a eficiência de se ensinar ciências em blogs. A postagem teve uma repercussão bem legal (mais no pessoal de áreas afins) e que gerou boas postagens derivadas e algumas que foram descobertas por indicação.

O comentário/postagem do meu amigo Sérgio Lima (físico por excelência) postou em seu blog a resposta ao que foi levantado aqui no Caldeirão de Ideias. Leiam a postagem dele e todos os links sugeridos por ele para que você tem uma noção (ou será da dimensão) do assunto. Há também uma postagem da Cybele Meyer igualmente imperdível pois vem complementar o que o Sérgio, eu e o Jaime Balbino falamos.

O Jaime Balbino cita: “Aos que pensam que a “cientificação” do Saber tende a ser prejudicial para o processo de apropriação do próprio Saber, retirando Dele outras percepções e outros elementos não-quantitativos, como paixão ou encantamento; é importante refletir mais sobre o real papel da(s) linguagem(ns) no processo de apropriação do conhecimento. Talvez percebam que, quando utilizado num processo reflexivo profundo e “multi-lingual”, o modelo científico representa um momento importante, senão definitivo, para a reflexão e sistematização. É neste estágio que o indivíduo conquista a propriedade para argumentar sobre aquilo que aprendeu e conhece; e é através dele que a coletividade abandona o “senso-comum” em benefício do conhecimento.”

Olha pessoal os desdobramentos são imensos e os pontos de vistas não relacionados aqui precisam ser discutidos, então por isso, se você não concorda com a nossa opinião:

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Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Aprender a Aprender

João Paixão Netto

Ora, antes de pensar Matemática, Medicina, Direito, Engenharia, Filosofia etc., é preciso simplesmente saber pensar, óbvio. Presume-se que as pessoas nascem pensando… o que está longe de ser verdade. As pessoas nascem com inteligência, o que não significa que façam uso dela.

No entanto, já no século IV a.C., milhares de anos antes do Curso Objetivo, do Curso Anglo etc., o filósofo grego Aristóteles anunciava, sem muita propaganda ou marketing, um curso deste tipo. Foi ele o primeiro a anunciar um curso que ensinava a lidar com as formas do pensamento, sem ligar para o seu conteúdo. Ensinava a pensar correto, pois um raciocínio não é verdadeiro nem falso, e sim válido ou inválido.

Como insistir em verdadeiro e falso, como se só houvesse essas duas alternativas, como se a todas as perguntas fosse possível responder com esse tipo de dualismo, um dos tantos que infernizam a vida humana, como seus colegas: certo/errado, bom/mau, bonito/feio, moral/imoral, normal/anormal, natural/anti-natural, teísta/ateu, homossexual/heterossexual (ah! novela Mulheres Apaixonadas, com mãe e filha se dilacerando por causa disso) etc.

Certo, errado, verdadeiro ou falso?

Entre certo e errado existe toda uma gama de valores: provavelmente certo, provavelmente errado, insuficiência de dados… Aristóteles mesmo caiu nessa cilada. Ele é o fundador da lógica bivalente, aquela que vê tudo em termos de verdadeiro ou falso, isto é, só admite dois valores lógicos. Foi preciso passarem 23 séculos para a lógica explodir esses conceitos, no século dezenove. Hoje falamos de lógicas, no plural: bivalente, trivalente, polivalente entre outras.

Dever-se-ia, pois, evitar pedir aos educandos que respondam verdadeiro ou falso às questões… Verdade e falsidade são algo objetivo, que se impõe a todos. Respostas como certo ou errado já são mais modestas, mais realistas. Certo ou errado são algo subjetivo, que depende da pessoa, dos dados de que dispõe. Seria ainda mais educativo fornecer ao educando uma gama de respostas: certo, provavelmente certo, insuficiência de dados, provavelmente errado, errado. Quanto mais ignorante é uma pessoa, mais certezas tem. Ela confunde o amor à certeza com o amor à verdade.
Por exemplo, se alguém perguntar a um marido alcoólatra se ele costuma bater na mulher quando está completamente embriagado, será que ele poderá responder a essa pergunta em termos de verdadeiro ou falso, de correto ou incorreto, como fazem aqueles policiais entrevistados lá no programa Cidade Alerta?. Evidentemente que não. Ele só poderá dizer: “provavelmente sim”, ou “provavelmente não”, ou “não sei”. Quem poderia responder a isso em termos de verdadeiro ou falso seria só Deus ou um vice-Deus. Mas Deus não é casado nem alcoólatra…

Ninguém nasce pensando

Aristóteles falava de um organon, um instrumento para ampliar a nossa capacidade de pensar. Uma espécie de “óculos” para aumentar a nossa visão intelectual, como os oculistas prometem ampliar a nossa visão física. Porque ninguém na realidade nasce pensando. Pensar é um hábito, uma conquista, algo que se adquire, que vira uma segunda natureza. As pessoas nascem com a capacidade de pensar. Não quer dizer que façam uso dela. O hábito é algo que se faz sem dificuldade, quase sem o sentir. Como a virtude, que se pratica sem o perceber, sem dificuldade. O vício também é assim: pratica-se com a maior facilidade. Basta observar a frieza com que os criminosos falam dos seus feitos monstruosos.

Se ninguém nasce pensando, ninguém também precisa morrer sem pensar. Pensar se aprende. Basta exercitar-se no pensamento. Se quem inventou o alfabeto era analfabeto, quem inventou o pensamento era um “burro” no bom sentido, que parou para pensar. O problema é o do que vem a ser pensar, afinal de contas. Para os dicionários, é refletir (voltar-se para si mesmo), considerar (etimologicamente, “olhar para os astros”, sidera em latim), formar idéias etc. Tudo demasiado vago, que deixa a pessoa na mesma, sem saber por onde começar.

Operações de pensamento

Na realidade, pensar é trabalhar sobre os dados que nos são fornecidos pelos sentidos. Dado é, como o nome está dizendo, aquilo que recebemos de graça, sem nenhum esforço, bastando abrir os olhos ou os ouvidos. Como tudo o que é de graça, isso pouco valor tem para nos orientar na selva da realidade. Só o dado trabalhado, burilado (como o diamante bruto) adquire toda a sua força, toda a sua importância para nós. Podemos trabalhá-lo de várias formas: observando-os bem (sabemos que a atenção espontânea, é dispersa, podendo deixar de lado o imperceptível e o significativo), comparando-os entre si, interpretando-os etc. Donde as chamadas operações de pensamento: observação, comparação, interpretação, classificação, resumo, imaginação (invenção), procura de pressupostos, crítica etc. Todas elas com regras apropriadas. É isso, se não me engano, que devia ser feito em sala de aula e fora dela. A matéria lecionada, o currículo não tem lá tanta importância.

Para a Filosofia nenhum assunto lhe é estranho; pelo contrário, todo bom assunto lhe é estranho. Assim também para a “pensamentática”. Essa e a decoreba usam do mesmo currículo, mas não com os mesmos resultados. A primeira forma o cidadão, o profissional competente; a segunda, o diplomado. Vale a pena, pois, ensinar a pensar.

Os entendidos garantem que não fazemos uso nem de 5% da nossa capacidade de pensar

Sabe-se que esta divisão das pessoas é feita pelos “bons”

Idea (grego), donde Cícero tirou o latim idea, significa exatamente isto: “visão mental”

Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1209

>Aprender a Aprender

>João Paixão Netto

Ora, antes de pensar Matemática, Medicina, Direito, Engenharia, Filosofia etc., é preciso simplesmente saber pensar, óbvio. Presume-se que as pessoas nascem pensando… o que está longe de ser verdade. As pessoas nascem com inteligência, o que não significa que façam uso dela.

No entanto, já no século IV a.C., milhares de anos antes do Curso Objetivo, do Curso Anglo etc., o filósofo grego Aristóteles anunciava, sem muita propaganda ou marketing, um curso deste tipo. Foi ele o primeiro a anunciar um curso que ensinava a lidar com as formas do pensamento, sem ligar para o seu conteúdo. Ensinava a pensar correto, pois um raciocínio não é verdadeiro nem falso, e sim válido ou inválido.

Como insistir em verdadeiro e falso, como se só houvesse essas duas alternativas, como se a todas as perguntas fosse possível responder com esse tipo de dualismo, um dos tantos que infernizam a vida humana, como seus colegas: certo/errado, bom/mau, bonito/feio, moral/imoral, normal/anormal, natural/anti-natural, teísta/ateu, homossexual/heterossexual (ah! novela Mulheres Apaixonadas, com mãe e filha se dilacerando por causa disso) etc.

Certo, errado, verdadeiro ou falso?

Entre certo e errado existe toda uma gama de valores: provavelmente certo, provavelmente errado, insuficiência de dados… Aristóteles mesmo caiu nessa cilada. Ele é o fundador da lógica bivalente, aquela que vê tudo em termos de verdadeiro ou falso, isto é, só admite dois valores lógicos. Foi preciso passarem 23 séculos para a lógica explodir esses conceitos, no século dezenove. Hoje falamos de lógicas, no plural: bivalente, trivalente, polivalente entre outras.

Dever-se-ia, pois, evitar pedir aos educandos que respondam verdadeiro ou falso às questões… Verdade e falsidade são algo objetivo, que se impõe a todos. Respostas como certo ou errado já são mais modestas, mais realistas. Certo ou errado são algo subjetivo, que depende da pessoa, dos dados de que dispõe. Seria ainda mais educativo fornecer ao educando uma gama de respostas: certo, provavelmente certo, insuficiência de dados, provavelmente errado, errado. Quanto mais ignorante é uma pessoa, mais certezas tem. Ela confunde o amor à certeza com o amor à verdade.
Por exemplo, se alguém perguntar a um marido alcoólatra se ele costuma bater na mulher quando está completamente embriagado, será que ele poderá responder a essa pergunta em termos de verdadeiro ou falso, de correto ou incorreto, como fazem aqueles policiais entrevistados lá no programa Cidade Alerta?. Evidentemente que não. Ele só poderá dizer: “provavelmente sim”, ou “provavelmente não”, ou “não sei”. Quem poderia responder a isso em termos de verdadeiro ou falso seria só Deus ou um vice-Deus. Mas Deus não é casado nem alcoólatra…

Ninguém nasce pensando

Aristóteles falava de um organon, um instrumento para ampliar a nossa capacidade de pensar. Uma espécie de “óculos” para aumentar a nossa visão intelectual, como os oculistas prometem ampliar a nossa visão física. Porque ninguém na realidade nasce pensando. Pensar é um hábito, uma conquista, algo que se adquire, que vira uma segunda natureza. As pessoas nascem com a capacidade de pensar. Não quer dizer que façam uso dela. O hábito é algo que se faz sem dificuldade, quase sem o sentir. Como a virtude, que se pratica sem o perceber, sem dificuldade. O vício também é assim: pratica-se com a maior facilidade. Basta observar a frieza com que os criminosos falam dos seus feitos monstruosos.

Se ninguém nasce pensando, ninguém também precisa morrer sem pensar. Pensar se aprende. Basta exercitar-se no pensamento. Se quem inventou o alfabeto era analfabeto, quem inventou o pensamento era um “burro” no bom sentido, que parou para pensar. O problema é o do que vem a ser pensar, afinal de contas. Para os dicionários, é refletir (voltar-se para si mesmo), considerar (etimologicamente, “olhar para os astros”, sidera em latim), formar idéias etc. Tudo demasiado vago, que deixa a pessoa na mesma, sem saber por onde começar.

Operações de pensamento

Na realidade, pensar é trabalhar sobre os dados que nos são fornecidos pelos sentidos. Dado é, como o nome está dizendo, aquilo que recebemos de graça, sem nenhum esforço, bastando abrir os olhos ou os ouvidos. Como tudo o que é de graça, isso pouco valor tem para nos orientar na selva da realidade. Só o dado trabalhado, burilado (como o diamante bruto) adquire toda a sua força, toda a sua importância para nós. Podemos trabalhá-lo de várias formas: observando-os bem (sabemos que a atenção espontânea, é dispersa, podendo deixar de lado o imperceptível e o significativo), comparando-os entre si, interpretando-os etc. Donde as chamadas operações de pensamento: observação, comparação, interpretação, classificação, resumo, imaginação (invenção), procura de pressupostos, crítica etc. Todas elas com regras apropriadas. É isso, se não me engano, que devia ser feito em sala de aula e fora dela. A matéria lecionada, o currículo não tem lá tanta importância.

Para a Filosofia nenhum assunto lhe é estranho; pelo contrário, todo bom assunto lhe é estranho. Assim também para a “pensamentática”. Essa e a decoreba usam do mesmo currículo, mas não com os mesmos resultados. A primeira forma o cidadão, o profissional competente; a segunda, o diplomado. Vale a pena, pois, ensinar a pensar.

Os entendidos garantem que não fazemos uso nem de 5% da nossa capacidade de pensar

Sabe-se que esta divisão das pessoas é feita pelos “bons”

Idea (grego), donde Cícero tirou o latim idea, significa exatamente isto: “visão mental”

Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1209

Aprender a Aprender

Luchini Tiago

“Aprender? Certamente mas, primeiro, viver e aprender pela vida, na vida.” John Dewey

Este é o tema que tem me assombrado estes últimos dias: “como aprender a aprender?” Sei que a frase soa ridiculamente mas está aí uma habilidade que não é treinada nas escolas. Em toda minha carreira acadêmica, ninguém nunca parou para me ensinar como eu deveria aprender.

Nossos currículos estão cheios de matérias que vão sendo lancadas pelos professores para que os alunos pesquem uma coisa ou outra. Na prática, devido à estrutura do sistema, resolvemos decorar de forma apressada (ou colar num pedaço de papel) toda aquela série bizarra de coisas aparentemente inúteis que nos foi jogada e cospí-las de volta na hora da prova.

Assim como o papel da cola é jogado fora depois da prova, tudo aquilo que decoramos também é jogado na lata de lixo mais próxima dentro dos 5 minutos que se sucedem após a prova. Você provavelmente se recorda de alguma situação onde não lembrava como resolveu determinada questão da prova – que eventualmente acabou de fazer, diga-se de passagem.

O problema é que não aprendemos. Vamos virando máquinas para processar um conteúdo e cospí-lo de forma relativamente processada na outra ponta. Infelizmente, no caminho do processamento, pouco ou nada agregamos de pensamento crítico ao conteúdo sendo processado.

Percebi essa dificuldade enquanto estudante e depois mais contundentemente como professor Universitário.

Certa feita um professor distribuiu uma série de textos e pediu que os alunos lessem e indicassem os pontos que não concordavam com o texto. Foi um desafio gigantesco para a maioria dos alunos pois o mestre não queria um simples resumo do texto; ele não queria que os alunos lessem e depois cuspissem o mesmo texto com outras palavras. Isso é fácil! Ele queria que os alunos entendessem o texto (o que é totalmente diferente de ler) e depois pudessem concatenar uma série de outros conceitos e experiências pessoais para poder realizar – de modo crítico – uma lista dos pontos com os quais não concordava com o texto.

Como professor fiz um teste de interpretação curioso. Realizei um exame com 2 questões cada qual com um tema – A e B – e pedi que utilizassem respectivamente duas abordagens treinadas em aula – X e Y. As respostas corretas seriam aquelas onde A fosse discorrido com o uso de X e B fosse discorrido com o uso de Y (algo como AX e BY). No exame seguinte eu apliquei exatamente as mesmas questões – A e B – só que inverti as abordagens: pedi que discorressem com o uso de Y e X (ou AY e BX ao invés de AX e BY).

Embora as respostas precisassem ser totalmente diferentes, grande parte dos alunos concluiu que eu era algum idiota retardado e estava aplicando a mesma prova duas vezes. Não foram capazes de interpretar o que estava escrito e terem um mínimo de visão crítica.

Precisamos aprender a aprender.

Fonte: http://oprofessor.wordpress.com/2007/10/04/aprender-a-aprender/

>Aprender a Aprender

>Luchini Tiago

“Aprender? Certamente mas, primeiro, viver e aprender pela vida, na vida.” John Dewey

Este é o tema que tem me assombrado estes últimos dias: “como aprender a aprender?” Sei que a frase soa ridiculamente mas está aí uma habilidade que não é treinada nas escolas. Em toda minha carreira acadêmica, ninguém nunca parou para me ensinar como eu deveria aprender.

Nossos currículos estão cheios de matérias que vão sendo lancadas pelos professores para que os alunos pesquem uma coisa ou outra. Na prática, devido à estrutura do sistema, resolvemos decorar de forma apressada (ou colar num pedaço de papel) toda aquela série bizarra de coisas aparentemente inúteis que nos foi jogada e cospí-las de volta na hora da prova.

Assim como o papel da cola é jogado fora depois da prova, tudo aquilo que decoramos também é jogado na lata de lixo mais próxima dentro dos 5 minutos que se sucedem após a prova. Você provavelmente se recorda de alguma situação onde não lembrava como resolveu determinada questão da prova – que eventualmente acabou de fazer, diga-se de passagem.

O problema é que não aprendemos. Vamos virando máquinas para processar um conteúdo e cospí-lo de forma relativamente processada na outra ponta. Infelizmente, no caminho do processamento, pouco ou nada agregamos de pensamento crítico ao conteúdo sendo processado.

Percebi essa dificuldade enquanto estudante e depois mais contundentemente como professor Universitário.

Certa feita um professor distribuiu uma série de textos e pediu que os alunos lessem e indicassem os pontos que não concordavam com o texto. Foi um desafio gigantesco para a maioria dos alunos pois o mestre não queria um simples resumo do texto; ele não queria que os alunos lessem e depois cuspissem o mesmo texto com outras palavras. Isso é fácil! Ele queria que os alunos entendessem o texto (o que é totalmente diferente de ler) e depois pudessem concatenar uma série de outros conceitos e experiências pessoais para poder realizar – de modo crítico – uma lista dos pontos com os quais não concordava com o texto.

Como professor fiz um teste de interpretação curioso. Realizei um exame com 2 questões cada qual com um tema – A e B – e pedi que utilizassem respectivamente duas abordagens treinadas em aula – X e Y. As respostas corretas seriam aquelas onde A fosse discorrido com o uso de X e B fosse discorrido com o uso de Y (algo como AX e BY). No exame seguinte eu apliquei exatamente as mesmas questões – A e B – só que inverti as abordagens: pedi que discorressem com o uso de Y e X (ou AY e BX ao invés de AX e BY).

Embora as respostas precisassem ser totalmente diferentes, grande parte dos alunos concluiu que eu era algum idiota retardado e estava aplicando a mesma prova duas vezes. Não foram capazes de interpretar o que estava escrito e terem um mínimo de visão crítica.

Precisamos aprender a aprender.

Fonte: http://oprofessor.wordpress.com/2007/10/04/aprender-a-aprender/