Tecnologia deve ser ALIADA e não SOLUÇÃO

Raphaella Marques de Carvalho

Em tempos de mudanças constantes na nossa sociedade, o conhecimento e a informação ultrapassaram as esferas globais para se tornarem altamente digitais. A escola que outrora era a grande fonte do saber, hoje é mais um canal de aprendizado. Nessa perspectiva, a problemática da Educação é compreender e replanejar as suas práticas pedagógicas diante do novo contexto social e digital em que os alunos e todos nós estamos vivendo. Esse novo formato ,segundo Araci Hack Catapan (2003), é um “mundo da comunicação digitalizada que se formaliza com maior agilidade, pois se sustenta na codificação da informação e na comunicação da mensagem por diferentes formas de linguagem.”( http://nourau.uniararas.br/pt_BR/document/?code=200 acessado em 10/01/2012)

A prática pedagógica nem sempre acompanha a velocidade da modernidade, no caso do século XXI, pois ainda temos muitas características do XIX e XX nas nossas salas de aula. Não que sejam obsoletos, porém, não podemos negar as atuais necessidades da sociedade que anseia por mais participação e colaboração, sobretudo, de maneira interativa e altamente digitalizada. Sabemos que o espírito inovador transita em cada geração de alunos e professores, pois o ser humano é criativo e ousado, mesmo com o receoso de alguns diante das novas ações. Para Marshall Berman (1984),

“Ser humano é viver uma vida de paradoxo e contradição. É sentir-se fortalecido pelas imensas organizações burocráticas que detêm o poder de controlar e frequentemente destruir comunidades, valores vidas; e ainda sentir-se compelido a enfrentar essas forças, a lutar para mudar o seu mundo transformando-o em nosso mundo. É ser ao mesmo tempo revolucionário e conservador: aberto a novas possibilidades de experiências e aventuras…” (p.13)

Sendo assim, acredito que os recursos multimídias e digitais podem ser aliados no planejamento escolar se utilizados significativamente para os alunos e sobretudo, desenvolvidos colaborativamente pelos alunos. A formação dos professores é fundamental para confiança no manuseio das ferramentas e adequação dos mesmos na elaboração dos projetos. Atualmente, temos mais variedade e qualidade de plataformas digitais, sites educacionais e ferramentas online. É interessante diversificar os recursos tecnológicos no planejamento das aulas, explorando o máximo dos conteúdos de todas as disciplinas.

Trabalho numa escola do município do Rio de Janeiro e a minha turma do 4ºano do Ensino Fundamental tem um blog (http://estudandoenavegando.blogspot.com.br ), onde publicamos as produções de sala de aula, disponibilizamos os recursos usados nas aulas e sugestões de sites educacionais para estudarem sozinhos. Exploro muitos sites, vídeos, músicas e a plataforma de aulas digitais da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, a Educopédia (www.educopedia.com.br ).

As atividades expostas no blog Estudando e Navegando são devidamente planejadas, procuro apresentar os trabalhos que estão vinculados aos recursos multimídia e /ou interdisciplinares. Planejar atividades dessa natureza exige mais pesquisas e uma avaliação mais criteriosa dos recursos que serão utilizados, o que no final demanda mais tempo. Atualmente, o computador é um material tão fundamental como um livro para desenvolver um planejamento mais interativo e atrativo para o aluno.

Administrar um blog educacional permite uma motivação por parte dos alunos nas suas produções, contribuiu para a integração e a valorização com a família em outros ambientes e permite um espaço de colaboração entre os docentes. Eles ficam muito contentes quando sabem que estão ganhando mais seguidores no blog e no twitter. A maioria dos alunos não está conectada nas suas casas, mas calculo uns 20%, que já estão no meu facebook e acompanham o blog. Eles estão “curtindo” estudar mais na internet, para eles, eu sou a professora “flex”, tudo que fazemos compartilho rápido!

É gratificante observar que os alunos estão gostando dessa nova relação comigo fora da sala de aula, pois sempre sugiro que eles acessem o blog para estudarem mais através dos sites e plataformas que ficam disponíveis nas postagens. Essa é a outra vantagem do blog, é possibilidade de deixar disponível “full time” todo material desenvolvido na sala de aula. Estamos numa nova caminhada, acredito que o fruto das novas práticas pedagógicas serão percebidas no futuro, mas uma coisa é certa, o mundo digital é mais real que qualquer coisa e precisamos utilizá-lo e reinventá-lo a favor da Educação.

Sobre a autora: Raphaella Marques de Carvalho, Graduada em História (UGF), especialista em História do Brasil(UCAM), Gestão Educacional (UCB), Docência Superior (AVM) e cursando a pós Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF), Professora da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Coordenadora do programa Educopédia da Subsecretaria de Novas Tecnologias Educacionais da SME-RJ , Curadora de Conteúdos das redes sociais da Educopédia e Moderadora do blog do programa. Atua na área de Informática Educacional desde 2003, tem experiência como produtora de material digital e projetos pedagógicos vinculados à informática educacional, consultora e oferece treinamentos em escolas particulares do RJ. Professora Blogueira premiada em 3º lugar no Troféu Rioeduca na categoria blog de professora promovido pela SME-RJ em 2011. Twitter: @RaphaellaClio; Facebook: raphaellamarquesdecarvalho ; E-mail: raphaellacarvalho@rioeduca.net ; Site oficial: http://www.raphaellamarques.com/  ; Blog: http://estudandoenavegando.blogspot.com.br

Educopédia e NAVE

Olá Amigos

Nesse final de semana participei do projeto Educopédia, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, lá no Colégio Estadual José Leite Lopes ou mais conhecido como NAVE – Núcleo Avançado de Educação que é uma parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro com a Oi.
O lugar por si só já vale a visita, pois é maravilhoso. Um sonho para quem como eu trabalha e respira educação e tecnologia todos os dias a mais de 10 anos, e estar num lugar daqueles é um sonho que espero sinceramente ver repetido em todos os municípios do estado. Não digo todas as escolas serem como o do NAVE, mas pelo menos uma escola daquela em todos os municípios do estado.

Mas voltando ao projeto do Educopédia, que é um projeto do Subsecretário de Projetos Estratégicos Rafael Parente, fiquei encantado com o método de seleção utilizado pela equipe da UFRJ e do Instituto Oi Futuro, através da Organização Oi Tonomundo, pois foge do tradicional exame de currículo e parte para o que cada um realmente pode fazer. No método proposto por eles efetivamente poderá se avaliar o que cada um tem para dar ao projeto Educopédia. Além de ter tido a sorte de ficar em dois grupos (especialista e grupo de trabalho 1) muito legais, mas gostaria especialmente de agradecer as professoras Renata e Lenita que foram fantásticas nas contribuições e minha nota para elas é 10.

A minha felicidade ficou ainda mais completa, pois tive a oportunidade de encontrar dois queridos amigos virtuais, que neste final de semana se materializaram em carne e osso, deixando de serem apenas bits na imensidão da internet. Espero poder contribuir bastante para o projeto, mas mesmo que não fique no grupo final vou torcer pelo projeto, pois ele é muito bom e vai acrescentar e contribuir bastante a educação do município do Rio de Janeiro.

Sinceramente espero que ideias inovadoras e libertarias sejam mais constantes na educação brasileira. E como diz uma frase de um dos cartazes lá do NAVE que profetiza: “É uma nova era de linguagens que está sendo escrita, um Big Bang de novas informações. Por isso, é preciso inovar. Ser criativo.

Viva o novo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Reforço Digital e Educopédia – Entrevista com Rafael Parente

Olá Amigos

Sempre gosto de destacar e mostrar aqui no Caldeirão de Ideias textos, sugestões e iniciativas que fazem a diferença para a educação.

Conheci o professor Rafael Parente (@rafael_parente) através do twitter da minha subsecretaria Teca Pontual, que alias se mostra cada vez mais competentíssima e eficiente no cargo.

O Rafael Parente alem de contribuir com twittadas cada vez mais relevantes e interessantes é um dos idealizadores de um projeto maravilhoso e inovador desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro – SME RJ, intitulado Reforço Digital e o Educopédia.

É a primeira vez que vejo uma Secretária Municipal de Educação Cláudia Costin (@ClaudiaCostin)tão acessível aos professores da rede e que faz da inovação tecnológica realmente um caminho a ser seguido. Ela junto a atual Secretária de Educação do Estado a Teresa Porto são o que há de melhor na educação desse pais, principalmente em não medir esforços para levar a frente propostas realmente inovadoras para os alunos da rede pública.

Não foi suficiente? Sim falta muito ainda, mas elas tiveram a coragem de fazer o necessário.

Agora vou reproduzir uma entrevista feita com o professor Rafael Parente onde ele fala sobre o Reforço Digital e o Educopédia e as ações da SME-RJ.

1) Sobre o reforço digital e o Educopédia

A ideia do reforço digital foi da secretária Cláudia Costin no ano passado. Já o Educopédia é uma ideia antiga minha. A nossa estratégia aqui na SME é transformar a primeira versão do Reforço Digital em Educopédia já no segundo semestre. O Reforço Digital faz parte do programa Escola 3.0, que visa reunir ações de modernização e informatização da rede, podendo ser acessado pelo link na página da SME: http://www.rio.rj.gov.br/sme/ e também a partir de CDs que estão sendo distribuídos para as escolas. Esse projeto está sendo implementado pela subsecretaria de projetos estratégicos, por meio de uma parceria entre MultiRio, Iplan e Mídia-Educação, com os seguintes objetivos:
I. Agir como mais um apoio aos professores para melhorar a qualidade da educação do município através do oferecimento de atividades digitais online e em CDs;
II. Servir como alternativa para alunos que precisam de praticar mais o conteúdo apresentado em sala de aula, nos computadores das escolas durante o contra turno, por exemplo.
Entre as várias justificativas científicas para esse projeto, sabemos que a utilização do computador e da internet aumentam o interesse e a motivação dos alunos, além do que, com o reforço digital, os alunos poderão apreender os conteúdos mais profundamente, em qualquer horário ou lugar. As escolas podem emprestar os CDs para que os alunos façam cópias e os alunos podem acessar a página de qualquer lugar que tenha internet. Nessa primeira versão, o Reforço oferece 50 questões de múltipla escolha de cada ano (2º a 9º) e de cada disciplina (inicialmente apenas matemática e língua portuguesa, mas incorporaremos outras disciplinas em breve). O próprio sistema indica se a resposta enviada está correta ou não. A segunda versão (Educopédia), incluirá vídeos, animações e jogos e é nossa meta inaugurá-la no 2º semestre. O Educopédia incluirá aulas digitais auto-explicativas, correspondentes às semanas de aula e seguindo as orientações curriculares da SME para serem usadas por alunos ou professores (para revisão da matéria).

2) Sobre nossas estratégias para a integração TICs + educação

A subsecretaria de projetos estratégicos cuida de cinco programas da Secretaria Municipal de Educação do Rio, incluindo o Escola 3.0, que visa a melhoria da qualidade da educação através da modernização e informatização da rede, a construção de um planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo observando macro-tendências consequentes da utilização das novas tecnologias no contexto educacional e a articulação de ações entre Iplan, MultiRio, Mídia-Educação e parceiros, através de uma postura mais pró-ativa. O reforço digital e o educopédia são projetos dentro desse programa. A nossa principal estratégia é fazer com que a rede toda, incluindo alunos, professores, gestores, etc, entendam que aprender qualquer coisa com a ajuda das tecnologias é muito mais fácil e divertido. Estou na rede há pouco tempo, mas estou muito impressionado positivamente com a recepção das pessoas em todos os níveis (escolas, CREs e nível central) de novas ideias, incluindo capacitações, pesquisas, diário online e reforço digital.

As metas da fase 1 do Escola 3.0 são as seguintes:
-Pelo menos 90% das escolas terão laboratórios de informática com 20 máquinas funcionando, no mínimo;
-Todas as turmas de 6º a 9º anos da rede terão 1 netbook ou tablet para cada 3 alunos e 1 projetor com caixas de som para cada 2 professores;
-Todas as escolas terão internet sem fio de pelo menos 7MB nas salas de aula;
-Todos os professores e gestores se sentirão pelo menos razoavelmente aptos a integrarem tecnologias para melhorar o seu trabalho;
-A 1ª versão do sistema Escola 3.0 estará sendo utilizada por toda a rede.

O Escola 3.0 é sustentado por 3 pilares:
– Infraestrutura e manutenção: A meta a longo prazo é que cada aluno e professor tenha o seu netbook, tablet, ou outra ferramenta com que ele possa consumir, produzir e compartilhar conteúdos educacionais. Os espaços de aprendizagem serão equipados com projetores e internet sem fio. A manutenção será de responsabilidade do Iplan.
– Capacitação de professores e gestores: O trabalho da Universidade do Educador Carioca, da MultiRio e de parceiros (MEC, Microsoft, institutos e outros) equipará professores e gestores com conhecimento para tirar o melhor proveito de computadores, internet, smartphones, etc, reconhecendo, inclusive, que o seu papel mudou. Como a quantidade de novas informações em qualquer área tende a se multiplicar em velocidade cada vez maior, o professor deixa o papel de detentor do conhecimento para se tornar o arquiteto de processos de aprendizagem, buscando, com os alunos, as melhores fontes de informações e as melhores formas de aprender.
– Sistema Escola 3.0: Iplan, MultiRio, universidades e Microsoft se unirão para criar um sistema que reunirá o novo sistema de gestão acadêmica em tempo real (SGA Web), um LMS, uma filosofia pedagógica, redes sociais e novos conteúdos. Alunos, professores, gestores e familiares utilizarão esse sistema nas escolas, residências ou lan houses. Por meio dele, professores e alunos produzirão, consumirão e compartilharão conteúdos e opiniões a partir de uma rede social, serão avaliados em tempo real de acordo com a sua utilização e construirão portfolios eletrônicos, incluindo gráficos e tabelas que ilustrarão o desenvolvimento de novas competências e habilidades. O sistema também permitirá a realização de atividades assíncronas, fora da sala de aula.

Outras ações específicas de curto prazo do Escola 3.0 são:
-Diário eletrônico
-Instalação de novos laboratórios
-Compra de netbooks e projetores para Escolas do Amanhã
-Pesquisa-diagnóstico com Oi Futuro e IBOPE para entender como alunos, professores e diretores se relacionam com as TICs
-Site de parceria SME/Parceiros para comunicação mais eficiente
-Capacitações com MEC, Microsoft e MultiRio

3) Sobre o papel das novas tecnologias na educação

As novas tecnologias estão mudando a forma como o cérebro funciona, como as pessoas se comunicam, pensam e se relacionam. Eu acredito que as novas tecnologias podem ajudar muito a melhorar a qualidade da educação, mas é importante que várias ações integradas aconteçam. É preciso entender como professores, diretores e alunos pensam e agem antes de se planejar novas ações. Várias pesquisas científicas indicam, por exemplo, que: a utilização de computadores e da internet aumenta o interesse e a motivação dos alunos, que as tecnologias quebram barreiras de tempo e espaço e que a co-autoria e o compartilhamento de informações são facilitados.

Eu entendo que exista hoje um grupo um pouco desconfiado, já que vários investimentos foram feitos, mas geraram pouco impacto na aprendizagem. Haviam grandes promessas e a sensação de que a modernização da infra-estrutura traria um avanço educacional. As pessoas não levaram em conta que inovações só acontecem quando os envolvidos na ponta se sentem capazes e motivados para fazê-las. Um outro problema foi que novas tecnologias não trariam novos resultados funcionando com processos antigos; era preciso criar novos procedimentos e sistemas. Não adiantava pegar uma mensagem do quadro e transferi-la para um computador sem preparar professores e diretores, mas foi exatamente o que aconteceu em alguns lugares.

Além disso, quando pensamos nos objetivos da educação pública, fica ainda mais claro no quanto as tecnologias podem ajudar. Segundo a nossa Lei de Diretrizes e Bases, a educação pública deve desenvolver crianças e jovens por completo, formar cidadãos e preparar futuros profissionais. As novas tecnologias democratizam o acesso à informação, o que facilita o desenvolvimento integral do aluno. As últimias eleições para presidentes nos EUA e no Irã demonstraram como as tecnologias podem fortalecer o exercício da cidadania. Atualmente, quase todas as profissões já fazem uso de computadores e robôs. O mundo já é outro. As escolas já têm de lidar com nativos digitais. Como, então, pensar em uma escola pública que não entenda o ensino da utilização das novas tecnologias como algo importante?

4) Sobre parcerias com o estado

Além de pessoalmente acreditar muito no poder das parcerias, gosto muito da secretária e sou fã incondicional da Teca Pontual. Temos conversado muito e é bem possível que o Educopédia englobe o Ensino Médio no futuro. Também conversamos muito sobre várias outras possibilidades de parceria…

5) Sobre o trabalho na SME

Eu estou muito feliz na SME. A Secretária Cláudia Costin é uma pessoa incrível, super inteligente, dedicada e sensível. Tenho aprendido muito e me esforçado muuuito para ajudar a melhorar a educação pública da cidade. Como subsecretário de projetos estratégicos, também cuido dos programas: Escolas do Amanhã, Universidade do Educador Carioca, Rio Criança Global e Cidade Educadora. Nasci e cresci em Brasília, mas sou apaixonado pelo Rio e estou vivendo a melhor fase da minha vida. Quero fica aqui para o resto da minha vida.

Queridos amigos e leitores, são pessoas assim que semeiam a terra para que mais tarde outros colham os frutos

Abraços

Equipe NTE Itaperuna