Professor precisamos de sua luta e de sua voz

Olá amigos

Uma intensa onda vigilantista mundial vem assolando o ciberespaço. E hoje venho falar sobre esse tema que tem passado despercebido pela maioria dos meus colegas professores: as tentativas de controlar a rede ou como ficou conhecido o AI-5 Digital #AI5Digital

A liberdade de expressão e informação é um direito humano reconhecido. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todos tem o direito à “liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”. Hoje, a internet é o meio dominante de troca de informações.

Não ter acesso livre  é uma afronta aos direitos já conquistados e uma forma de impedir a livre troca de informações.

Neste momento, nosso foco principal esta no PL 84/99, a polêmica “Lei Azeredo”. A proposta, que prevê a punição para crimes digitais, causa arrepio em muitos militantes das redes sociais, que já estão chamando a proposta de “AI-5 Digital, que tramita na Câmara. A pressão para a aprovação do projeto vem aumentando, e para mostrar que há resistência popular, Deputados, Ciberativistas, e diversos coletivos e organizações se mobilizaram para diversos atos públicos Brasil afora para mostrar nossa indignação

Este movimento liderados pelos governos são fomentados por grandes corporações e os velhos barões da mídia que se beneficiarão com a censura e controle da Internet.Esta liberdade esta incomodando o “establishment”, e fazendo com que grandes corporações e os governos andem de mãos dadas para tornar a Internet um ambiente controlado, um ambiente onde o capital volte a dominar.

No Brasil já existem diversas ações vigilantistas, são censuras de blogs e até de jornais inteiros, são comunidades no Orkut que são sumariamente eliminadas, e são diversos projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado que tornarão a Internet no Brasil um ambiente inóspito.

Por mais tentativas que “o lado negro da força” venha tentando controlar a rede, fica evidente todo dia que a rede nos pertence. Foi como se a rede desse um megafone a cada um de nos para que possamos expressar nossas opiniões, por mais louca, simples ou filosófica que ela possa ser.

Essa rede nos deu também a possibilidade de sermos extremamente criativos, de extrapolarmos os limites de nossa imaginação, mas principalmente de podermos demonstrar isso para nossos amigos, família ou para pessoas totalmente estranhas aos nossos círculos, pelo simples desejo de conhecer coisas diferentes e criativas irão ver nosso trabalho.

Para acessarmos a mídia do jeito que queremos e principalmente dizer o que quisermos, devemos primeiro defender o direito de usar a rede livremente, antes de criminalizar precisamos decidir quais são os nossos direitos na rede. E principalmente deve ser considerado crime a violação de alguns desses direitos. Por isso a participação de todos no Marco Civil Regulatório é fundamental para todos que usam a rede.

Na tentativa de frear a aprovação do AI-5 Digital, uma mobilização da sociedade civil conseguiu reunir mais de 160 mil assinaturas numa petição online chamada “Pelo veto ao projeto de cibercrimes – Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento da internet brasileira”.

Nesse momento todos devemos ter um único propósito: o de que a regulamentação da internet no Brasil deve respeitar acima de tudo o princípio da liberdade de expressão e a livre circulação de conteúdos, possibilidade peculiar da rede mundial de computadores. O contrário disso representa seguir o rumo da contramão da história.

Reforçar este ponto chave no debate da regulação da internet do Brasil deve ser uma tarefa de todas e todos os brasileiros. O que está em jogo é o fluxo do poder que sai das mãos da velha mídia e seus barões para pessoas como eu e vocês. Hoje qualquer um pode chamar a atenção do público com uma música, um vídeo, um texto ou uma simples imagem e é isso que importa: você é o autor dessa revolução. E eles querem tirar isso de você.

A rede está finalmente tornando-se, naquilo que sempre quisermos/sonhamos: um lugar onde as grandes empresas nunca poderão controlar e onde o povo pode se expressar livremente. Ou seja: A Fronteira Final.

Mas todo esse poder e liberdade têm um preço: sua luta. Por isso sua participação na defesa desses direitos é tão importante contra aqueles que querem retomar esse poder de você, assim tirando o direito de decidir o que fazer na rede.

Então querido professor faça a sua parte: Lute, mobilize, proteste, solte sua voz contra essa violência. Diga um #MEGANÃO ao #AI5Digital

Para saber mais recomendo os links:

Ivana Bentes  (parte 1, parte 2 e parte 3)
Blog do Sergio Amadeu ( link1, link2, link3 )

Abraços e vamos à luta por uma internet livre

Robson Freire

Música e Cultura Livre

Olá Amigos

Nesses dias em que a discussão sobre licenciamento de conteúdo na internet, direitos de copyrigth, teve um debate legal nas lista de discussão Edublogosfera e Blogs Educativos iniciado pela amiga Jenny Horta (grande botafoguense) do PC e a Criança sobre o uso de uma música do Gilberto Gil em uma apresentação em pps/odt.

Há as definições da lei que regulamenta o uso do conteúdo na internet e seus órgãos reguladores (ECAD), as informações repassadas pelo meu amigo Frederico da Teia e pela Ju Sampaio que com a contribuição deles trouxeram um maior entendimento sobre o assunto para todos do grupo, mas desde o Campus Party há um movimento pela liberdade de uso de toda e qualquer obra. Sem entrar no mérito se é certo ou não, (recomendo a leitura dos artigos da Juliana Sardinha do Dicas Blogger sobre direitos autorais), há um grupo que saiu na frente e liberou o seu conteúdo sem “enrolo”.

Um desses vanguardistas é o músico Hermeto Pascoal, que liberou para qualquer músico no brasil e no exterior toda sua obra. O gesto de Hermeto Pascoal coloca ele em posição de destaque do que hoje se chama de Cultura Livre: aquela que defende que todo bem cultural, científico e tecnológico produzido pertence à sociedade e não exclusivamente ao seu criador. Hermeto, que costuma dizer que suas músicas, quando prontas, são jogadas ao vento e portanto ao mundo pertencem. Isso sim é um avanço imenso para a disseminação na política da cultura e do conhecimento livre.

Outro coisa boa foi o site Jamenco que é uma comunidade de música livre, legal e publicação ilimitada sob as licenças Creative Commons. Resumindo um lugar onde você pode criar a sua comunidade e pegar músicas que podem ser usadas legalmente por qualquer um. Não falo de meia duzia de músicas, mas sim de mais de 22 mil álbuns de músicas disponíveis para uso e download.

Portando da próxima vez em que precisar de uma música, faça assim: Abra seus ouvidos, abra seu coração e sua mente. Pense livre.

“Open your ears, open your heart and your mind. Think free.”

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Música e Cultura Livre

>Olá Amigos

Nesses dias em que a discussão sobre licenciamento de conteúdo na internet, direitos de copyrigth, teve um debate legal nas lista de discussão Edublogosfera e Blogs Educativos iniciado pela amiga Jenny Horta (grande botafoguense) do PC e a Criança sobre o uso de uma música do Gilberto Gil em uma apresentação em pps/odt.

Há as definições da lei que regulamenta o uso do conteúdo na internet e seus órgãos reguladores (ECAD), as informações repassadas pelo meu amigo Frederico da Teia e pela Ju Sampaio que com a contribuição deles trouxeram um maior entendimento sobre o assunto para todos do grupo, mas desde o Campus Party há um movimento pela liberdade de uso de toda e qualquer obra. Sem entrar no mérito se é certo ou não, (recomendo a leitura dos artigos da Juliana Sardinha do Dicas Blogger sobre direitos autorais), há um grupo que saiu na frente e liberou o seu conteúdo sem “enrolo”.

Um desses vanguardistas é o músico Hermeto Pascoal, que liberou para qualquer músico no brasil e no exterior toda sua obra. O gesto de Hermeto Pascoal coloca ele em posição de destaque do que hoje se chama de Cultura Livre: aquela que defende que todo bem cultural, científico e tecnológico produzido pertence à sociedade e não exclusivamente ao seu criador. Hermeto, que costuma dizer que suas músicas, quando prontas, são jogadas ao vento e portanto ao mundo pertencem. Isso sim é um avanço imenso para a disseminação na política da cultura e do conhecimento livre.

Outro coisa boa foi o site Jamenco que é uma comunidade de música livre, legal e publicação ilimitada sob as licenças Creative Commons. Resumindo um lugar onde você pode criar a sua comunidade e pegar músicas que podem ser usadas legalmente por qualquer um. Não falo de meia duzia de músicas, mas sim de mais de 22 mil álbuns de músicas disponíveis para uso e download.

Portando da próxima vez em que precisar de uma música, faça assim: Abra seus ouvidos, abra seu coração e sua mente. Pense livre.

“Open your ears, open your heart and your mind. Think free.”

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Por que não liberar?

Voltar à velha rotina de imersão em livros é sempre muito produtivo. Esta semana tive contato com um ótimo texto, daqueles que ficam grudados na gente e que temos certeza que dificilmente iremos esquecer. O texto de que falo é O rumor da língua, de Roland Barthes.

O melhor do texto de Barthes é o modo como ele traz os holofotes para cima do leitor e estabelece: o leitor é livre para fazer o que bem entender com o texto, e como texto podemos entender não só os livros, mas tudo que podemos ler (o próprio mundo é um texto). O importante da afirmação do autor é que, se pararmos e erguermos a cabeça (como ele próprio diz) não há como questionar a liberdade do leitor. Lembro muito bem dos meus primeiros anos de leitura, quando eu construía as minhas histórias em quadrinhos com os personagens dos gibis que comprava na feira.

Para os que produzem algum tipo de material para ser “lido” (leitura aqui entendida como algo muito além da leitura só de livro), como música, pintura, fotografia, propaganda, quadrinhos, arte ou entretenimento em geral, isso traz um imenso dilema: se o meu leitor, alvo principal de minha produção, cria e recria a minha obra o tempo todo, porque proibi-lo de divulgar, de tornar pública essa criação?

Quando eu iniciei com a publicação de tirinhas, antes do imenso hiato que separa minha antiga fase da fase atual, eu tinha um pensamento muito parecido com o de Charles Schultz, genial criador do adorável Snoopy. Pra quem não sabe, Schultz proibiu a utilização de qualquer um de seus personagens, apenas ele e o animador da série de TV, poderiam usar os adoráveis personagens de Peanuts. Com isso, o autor desejava que sua obra não fosse “pervertida”, que não colocassem seus personagens em rumos e caminhos muito diferentes dos que ele imaginou.

Isso é bom, se pensarmos que a obra manterá sempre o seu espírito original, da mesma forma que o seu criador planejou. No entanto acarreta alguns problemas que, pondo em uma balança, acabam prejudicando mais a obra do que ajudando. Primeiro, devemos pensar no dano que isto causa para as gerações futuras. Hoje o acesso aos Peanuts já é algo difícil para a nova geração, tão habituada que está aos animes. Imagine então daqui a 10 ou 20 anos. Se os traços de Schultz e as animações derivadas de suas tiras já parecem retrógadas para a garotada, como será daqui a duas décadas? Se a produção de outras obras estivesse permitida pelo autor a coisa poderia ser muito diferente: a genialidade dos personagens de Peanuts poderiam sobreviver por um tempo indeterminado em tiras, revistas e animações (até filmes) que se repetiriam e se recriariam ao longo dos anos.

Evidentemente a liberação de obras por outros que não o criador pode gerar alguns constrastes demasiadamente bruscos quando comparadas criação derivada e criação original, um belo exemplo disso é a nova versão de desenhos feitas para o Pica-Pau no início deste século. A nova ave em nada se parece com o personagem perverso e carismático que encantou o público do século XX. Entretanto, o Pica-Pau continua lá e outras obras que resgatem o espírito original do personagem podem ser criadas. Sem falar que as obras derivadas do original, muitas vezes, podem ser muito boas e até melhores. Vejam o que aconteceu com os Looney Toones, criação iniciada por Tex Avery. A Warner caprichou nas novas versões da série e conseguiu produzir desenhos tão bons quanto os originais (com todas as adaptações e inovações necessárias).

Hoje, como podem ver pelo que eu disse até aqui, meu pensamento é completamente diferente. Na arte e no entretenimento não vejo motivo para proibir outra pessoa de desfrutar, criar e produzir a partir de algo que eu fiz. Por que proibir o acesso das pessoas à minha criação só porque elas não podem pagar para ter acesso a elas? A resposta está na indústria do consumo e na sociedade que até bem pouco tempo seguia muito bem as regras do mercado capitalista.

Porém, graças à internet e principalmente à noção de “compartilhamento” que foi enriquecida e evidenciada em muito com o surgimento do projeto GNU e do Linux. Após essas iniciativas do compartilhamento do saber, outras iniciativas foram surgindo e hoje nós encontramos inúmeras formas e projetos que incentivam a livre distribuição e utilização dos mais variados materiais.

Os gigantes da indústria ainda teimam em criticar esse modelo, alegando que isso tira os benefícios do autor. Sob o pretesto imbecil de que assim o autor não terá reconhecimento – como se reconhecimento se traduzisse no número de zeros à direita que a sua conta bancária possui.

Alguns exemplos de como essas desculpas estão erradas podem ser encontradas aos montes por aí. Para iniciar, podemos falar do mais famoso: Linus Torvalds. Alguém acredita que o célebre criador do Linux seria tão famoso se não tivesse liberado a sua criação pra todo mundo usar, abusar e modificar? Certamente não. Outro caso significativo é do Radiohead, que lançou um álbum na web, que você pagava o quanto quisesse e se quisesse, e que redendeu mais lucro do que o álbum anterior, vendido nos moldes tradicionais. No campo dos quadrinhos, há a mais famosa das webcomics nacionais: os Malvados. André Dahmer, criador do site, não permite a livre utilização e criação de obras derivadas, mas permite a circulação das suas tiras pela web sem problemas (desde que o avise antes), e isso certamente foi o que o tornou mais popular e o faz hoje vender camisetas, canecas e livros das tiras que (pasmem) ele publica no site.

Enfim, isso tudo serve apenas pra tentar fazer você, que produz ou consome algum tipo de produto cultura, entender que há outras maneiras de se lucrar com a obra. Não é necessário amarrar ela em inúmeros “direitos autorais” para que os outros saibam quem a produziu (vaidade inevitável). Não é justo privar as pessoas de escutar uma música, ler um livro ou um quadrinho, ver uma pintura só porque elas não podem pagar por isso. Muito menos justo é impedi-las de expor suas “leituras” de produções que elas ouviram, leram e observaram.

Viva a criação e a liberdade. Isso é o que verdadeiramente movimenta o mundo.

É isso.

Ótima semana pra todos.

Um abraço.

Deus esteja

Fonte: http://noisnatira.com/2009/03/29/por-que-nao-liberar/

>Por que não liberar?

>

Voltar à velha rotina de imersão em livros é sempre muito produtivo. Esta semana tive contato com um ótimo texto, daqueles que ficam grudados na gente e que temos certeza que dificilmente iremos esquecer. O texto de que falo é O rumor da língua, de Roland Barthes.

O melhor do texto de Barthes é o modo como ele traz os holofotes para cima do leitor e estabelece: o leitor é livre para fazer o que bem entender com o texto, e como texto podemos entender não só os livros, mas tudo que podemos ler (o próprio mundo é um texto). O importante da afirmação do autor é que, se pararmos e erguermos a cabeça (como ele próprio diz) não há como questionar a liberdade do leitor. Lembro muito bem dos meus primeiros anos de leitura, quando eu construía as minhas histórias em quadrinhos com os personagens dos gibis que comprava na feira.

Para os que produzem algum tipo de material para ser “lido” (leitura aqui entendida como algo muito além da leitura só de livro), como música, pintura, fotografia, propaganda, quadrinhos, arte ou entretenimento em geral, isso traz um imenso dilema: se o meu leitor, alvo principal de minha produção, cria e recria a minha obra o tempo todo, porque proibi-lo de divulgar, de tornar pública essa criação?

Quando eu iniciei com a publicação de tirinhas, antes do imenso hiato que separa minha antiga fase da fase atual, eu tinha um pensamento muito parecido com o de Charles Schultz, genial criador do adorável Snoopy. Pra quem não sabe, Schultz proibiu a utilização de qualquer um de seus personagens, apenas ele e o animador da série de TV, poderiam usar os adoráveis personagens de Peanuts. Com isso, o autor desejava que sua obra não fosse “pervertida”, que não colocassem seus personagens em rumos e caminhos muito diferentes dos que ele imaginou.

Isso é bom, se pensarmos que a obra manterá sempre o seu espírito original, da mesma forma que o seu criador planejou. No entanto acarreta alguns problemas que, pondo em uma balança, acabam prejudicando mais a obra do que ajudando. Primeiro, devemos pensar no dano que isto causa para as gerações futuras. Hoje o acesso aos Peanuts já é algo difícil para a nova geração, tão habituada que está aos animes. Imagine então daqui a 10 ou 20 anos. Se os traços de Schultz e as animações derivadas de suas tiras já parecem retrógadas para a garotada, como será daqui a duas décadas? Se a produção de outras obras estivesse permitida pelo autor a coisa poderia ser muito diferente: a genialidade dos personagens de Peanuts poderiam sobreviver por um tempo indeterminado em tiras, revistas e animações (até filmes) que se repetiriam e se recriariam ao longo dos anos.

Evidentemente a liberação de obras por outros que não o criador pode gerar alguns constrastes demasiadamente bruscos quando comparadas criação derivada e criação original, um belo exemplo disso é a nova versão de desenhos feitas para o Pica-Pau no início deste século. A nova ave em nada se parece com o personagem perverso e carismático que encantou o público do século XX. Entretanto, o Pica-Pau continua lá e outras obras que resgatem o espírito original do personagem podem ser criadas. Sem falar que as obras derivadas do original, muitas vezes, podem ser muito boas e até melhores. Vejam o que aconteceu com os Looney Toones, criação iniciada por Tex Avery. A Warner caprichou nas novas versões da série e conseguiu produzir desenhos tão bons quanto os originais (com todas as adaptações e inovações necessárias).

Hoje, como podem ver pelo que eu disse até aqui, meu pensamento é completamente diferente. Na arte e no entretenimento não vejo motivo para proibir outra pessoa de desfrutar, criar e produzir a partir de algo que eu fiz. Por que proibir o acesso das pessoas à minha criação só porque elas não podem pagar para ter acesso a elas? A resposta está na indústria do consumo e na sociedade que até bem pouco tempo seguia muito bem as regras do mercado capitalista.

Porém, graças à internet e principalmente à noção de “compartilhamento” que foi enriquecida e evidenciada em muito com o surgimento do projeto GNU e do Linux. Após essas iniciativas do compartilhamento do saber, outras iniciativas foram surgindo e hoje nós encontramos inúmeras formas e projetos que incentivam a livre distribuição e utilização dos mais variados materiais.

Os gigantes da indústria ainda teimam em criticar esse modelo, alegando que isso tira os benefícios do autor. Sob o pretesto imbecil de que assim o autor não terá reconhecimento – como se reconhecimento se traduzisse no número de zeros à direita que a sua conta bancária possui.

Alguns exemplos de como essas desculpas estão erradas podem ser encontradas aos montes por aí. Para iniciar, podemos falar do mais famoso: Linus Torvalds. Alguém acredita que o célebre criador do Linux seria tão famoso se não tivesse liberado a sua criação pra todo mundo usar, abusar e modificar? Certamente não. Outro caso significativo é do Radiohead, que lançou um álbum na web, que você pagava o quanto quisesse e se quisesse, e que redendeu mais lucro do que o álbum anterior, vendido nos moldes tradicionais. No campo dos quadrinhos, há a mais famosa das webcomics nacionais: os Malvados. André Dahmer, criador do site, não permite a livre utilização e criação de obras derivadas, mas permite a circulação das suas tiras pela web sem problemas (desde que o avise antes), e isso certamente foi o que o tornou mais popular e o faz hoje vender camisetas, canecas e livros das tiras que (pasmem) ele publica no site.

Enfim, isso tudo serve apenas pra tentar fazer você, que produz ou consome algum tipo de produto cultura, entender que há outras maneiras de se lucrar com a obra. Não é necessário amarrar ela em inúmeros “direitos autorais” para que os outros saibam quem a produziu (vaidade inevitável). Não é justo privar as pessoas de escutar uma música, ler um livro ou um quadrinho, ver uma pintura só porque elas não podem pagar por isso. Muito menos justo é impedi-las de expor suas “leituras” de produções que elas ouviram, leram e observaram.

Viva a criação e a liberdade. Isso é o que verdadeiramente movimenta o mundo.

É isso.

Ótima semana pra todos.

Um abraço.

Deus esteja

Fonte: http://noisnatira.com/2009/03/29/por-que-nao-liberar/