Olhar Empático do Mestre

Celso Antunes

Imagine uma obra de Picasso vista por uma pessoa comum, sem instrução e sem nada saber sobre quem foi seu autor. Pense sobre como essa pessoa descreveria a obra e imagine qual resposta daria caso lhe perguntasse quanto por ela, se pudesse, acharia justo pagar? Imagine agora, a mesma obra vista por um colecionador, por pessoa versada em arte e que soubesse apreciar obras geniais. Não é difícil descobrir que esta última veria na obra o que o primeiro jamais seria capaz de enxergar e que aos seus olhos educados, um Picasso autêntico constitui peça invulgar. O que separa esses dois olhares?

Educação! Diria você. O primeiro observador não possui olhar “educado” e, dessa forma, apreciaria com a singeleza dos simples e, mesmo que fosse informado sobre o valor da obra, não compreenderia porque traços que lhe parecem tão grotescos podem ser assim valorizados. O segundo, ao contrário, preparado para identificar beleza, identifica nos traços do gênio o imenso poder de síntese e de criação do artista. Sem, dúvida, o fator relevante a separar os dois olhares é a educação, mas não só a educação.

Nem todas as pessoas cultas apreciam obras de arte. Essa possibilidade existe para alguns porquês acrescentam à educação, a empatia do olhar, o gosto pelo maravilhoso, a paixão que seduz e embriaga. Educação sem empatia ajuda um pouco, mas a verdadeira empatia imprime roteiros ao olhar, desperta a emoção que se agrega ao que se vê. E, empatia sem educação, por acaso existe?

Claro que existe. Veja essa empatia no artesão que não fez escola, mas que destacou-se de outros de seu entorno para, no entalhe que executa, chegar a sensibilidade que encanta. Repare nos pintores primitivos que sem freqüentarem academias de arte, souberem olhar de forma especial e diferente a natureza e as pessoas com a acuidade e sensibilidade incomum que esculpiram, compuseram ou pintaram obras de incontestável valor artístico, sem nunca terem ouvido nada sobre a nobreza da arte. O olhar carregado de ternura e de empatia e sensibilidade aprimora-se com a educação, mas seguramente a precede.

E o que essas considerações tem a ver com a sala de aula?

Muita coisa, principalmente para professores da Educação Infantil. Qual a amplitude do olhar desse professor? Com que nível de empatia e encanto acolhe a linguagem infantil, destacando-a, elogiando-a e fazendo com que a criança descubra-se “importante” pelo trabalho que faz? Ainda uma vez, vale insistir sobre a imensa diferença que existe entre o elogio falso, entre a hipocrisia de se dar ênfase com a indiferença de quem segue uma rotina e o olhar verdadeiramente empático de quem sabe se encantar, ainda que esse encanto não dispense a correção. Professores inesquecíveis são todos aqueles que parecem possuir uma invisível “lente de aumento” descobrindo na produção de seus alunos a qualidade oculta, o detalhe relevante que destaca o elogio sincero.

Para uma criança, mas não só para crianças, todo elogio autêntico funciona como alimento essencial a auto-estima, como prova de que sendo capaz de despertar admiração de um adulto é “pessoa importante” e como tal ganha a garantia serena da proteção que, inconscientemente, reclama. Um olhar empático e atento, carregado de sincera admiração, pode não ser a única competência importante para um mestre, mas é sem dúvida uma competência imprescindível.

Fonte: http://www.celsoantunes.com.br/pt/textos_exibir.php?tipo=TEXTOS&id=16

Para professor enrolão, seminário é a solução

girafales

Fui estudante de graduação entre os anos de 1990 e 1994, e um dia desses estava me lembrando dos seminários que tive que apresentar em sala de aula. Lembro-me com detalhes, pois isso aconteceu em apenas duas ocasiões.

Semestre passado perguntei a um formando do mesmo curso, qual teria sido a quantidade de seminários, e este me confidenciou que não sabia ao certo. Encontrou-me posteriormente, e disse que foi contar, e que teria apresentado por volta de 40 seminários. Em algumas disciplinas chegou a apresentar 3 trabalhos, em um mesmo semestre.

É preciso pensar com cuidado o que isso significa. E principalmente em que momento esta virada aconteceu com tanta força.

É inegável que um bom trabalho de pesquisa com apresentação pode agregar muito valor ao aluno, tanto em relação ao aprendizado quanto ao desenvolvimento pessoal, já que no cotidiano profissional será necessário fazer apresentações em público.

Mas quando observamos que em grande parte das disciplinas os conteúdos são ministrados por estudantes, alguma coisa está errada.

Em algumas disciplinas é normal a apresentação e orientação de trabalhos, como por exemplo, as disciplinas de Metodologia, ou mesmo de pesquisa. Em outros casos são seminários para conclusão, com poucas horas-aula, justificando pela motivação que pode gerar nos alunos, além do conteúdo que pode ser trabalhado.

Mas o que dizer quando são disciplinas teóricas, do tronco principal da grade de ensino, com mais da metade da carga horária sendo de seminários? Ou ainda quando o próprio livro-texto é dividido entre os alunos para que estes apresentem o conteúdo?

Um aluno de direito me relatou o caso de um professor de Processo Civil que chegou no primeiro dia de aula com o código, dividiu o mesmo em capítulos, e avisou aos alunos que a partir da próxima aula seriam chamados em ordem alfabética para apresentarem o texto durante as duas horas.

Uma parte dos professores acredita que o aluno pode ter um bom desempenho na apresentação de seminários, mas para outra parte, o seminário “comendo” parte significativa das horas-aula de uma disciplina é apenas um pretexto para esconder sua incompetência em desenvolver 60 horas-aula de estudo por completo.

A verdade é que uma parte dos professores se esconde terceirizando suas aulas aos alunos, até porque não têm leitura e didática suficientes para enfrentar 60/70 alunos durante o semestre inteiro.

Outros acabam repassando a forma de ensinar nos programas de pós-graduação, onde a dinâmica é totalmente diferente, e pouco se importam se os estudantes estão ou não aprendendo o conteúdo obrigatório.

Nos cursos de administração e direito a situação é mais dramática, pois no país houve grande expansão do número de faculdades e alunos, sem que a formação de professores acompanhasse este ritmo.

Por exemplo, há 15 anos eram 5 mil professores de administração no Brasil. Hoje existem por volta de 30 mil profissionais. É simplesmente impossível multiplicar por 6 o número de bons profissionais em tão pouco tempo. O resultado está aí.

Como as Federais possuem pacotes mais atrativos (salário e estabilidade), é natural que consigam os melhores professores, mas o que dizer no caso das demais?

E se para o aluno que perguntei, os 40 seminários apresentados por ele foram em uma Universidade Federal, o que dizer do restante das instituições?

Como sou um professor “antiquado”, utilizo minhas 60 horas da melhor forma possível, dando todas as aulas e aplicando as provas, pois ainda não consegui encontrar um método mais adequado de avaliação. Mesmo reconhecendo que o mundo está mudando rapidamente, e que será preciso uma nova metodologia, ainda não mudei minha forma de ensinar.

Talvez o errado seja eu.

* Post publicado originalmente às 23h55 de ontem.

Autor: Pierre Lucena 27/08/09

Fonte: http://acertodecontas.blog.br/educacao/para-professor-enrolo-seminrio-a-soluo/

Autoria na Era Digital

Professor Sérgio Abranches fala sobre o advento do copia e cola

servletrecuperafoto

Por Marcus Tavares

O que o professor deve fazer quando recebe de seus alunos um trabalho totalmente copiado da internet? Como trabalhar com o advento do Ctrl C + Ctrl V? Na escola do início do século XXI, quais são os significados de autoria, plágio e cópia? O assunto é polêmico, pois não se trata mais de um fato episódico nem exclusivo de um sistema e nível de ensino.

Para Sérgio Abranches, professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diante de um quadro “com poucas possibilidades e muita perplexidade”, os educadores vêm elaborando suas práticas de forma mais imediatista do que propriamente pedagógica. Para ele, é preciso que a escola reveja a participação dos alunos no processo de aprendizagem, no processo de construção da autoria.

Em entrevista, o professor afirma que, se o estudante não for convocado para ser autor-colaborador de determinada atividade, ele não terá o compromisso de produzir nada que seja dele ou a partir dele. “Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo dar uma googada (de google), como dizem os mais novos”, destaca.

Acesse a comunidade da revistapontocom no Orkut e participe do debate:
O que fazer quando o aluno entrega um trabalho Ctrl C + Ctrl V?

Acompanhe a entrevista:

O que muda na produção docente e discente com o acesso à internet? Professores e alunos estão sabendo tirar proveito de todas as possibilidades da rede?
Sérgio Abranches
– A internet tem se apresentado como um grande campo de práticas distintas e diversas, com ampla possibilidade para a Educação. Entretanto, isto não quer dizer que haja um aproveitamento de suas possibilidades, tanto por alunos quanto por professores. É preciso ainda um processo de formação específica para o uso pedagógico da internet, como de todas as atuais tecnologias da informação e comunicação, a fim de que a Educação possa aproveitar estas possibilidades. Em pesquisa recente, realizada por meus orientandos, observamos que já há uma familiaridade com o uso das tecnologias por parte dos professores, mas isto não significa que estes mesmos professores estejam utilizando as possibilidades que a internet apresenta. Do mesmo modo, observamos nos alunos que o uso da internet ainda é muito restrito em se tratando de questões educacionais. Mesmo que haja uma maior familiaridade por parte dos alunos com as atuais tecnologias, tal situação não redunda em grande proveito para a aprendizagem. Por outro lado, precisamos destacar o crescente número de projetos que busca incorporar tal uso às práticas educacionais. Penso que é por aí que conseguiremos identificar quais são as possibilidades que a internet oferece e que poderão ser aproveitadas pela Educação. Como exemplo, penso que a pesquisa acadêmica tende a ser profundamente dinamizada com a internet, bem como a aprendizagem colaborativa.

A web traz uma nova definição para o que seja autoria, pirataria e plágio?
Sérgio Abranches –
Em um certo sentido, creio que há uma modificação nestas definições. Mas depende fundamentalmente do tipo de uso que se faz da web. A questão da autoria – e os seus contrapontos da pirataria e do plágio – ganha uma nova significação com o uso da web. As formas colaborativas de produção via web introduzem uma nova conceituação do que seja autor. Tomemos como exemplo as diferentes experiências do tipo wiki, desde enciclopédia até pequenos glossários. Se tais práticas forem direcionadas pedagogicamente, podemos suscitar o aparecimento de um autor coletivo, não mais um sujeito único e que não é simplesmente o resultado da soma de diferentes partes, mas sim daquela interatividade proporcionada pela web. Com isso, questionamos também o que seja plágio ou pirataria. Estas duas últimas situações reproduzem concepções de conhecimento e de prática pedagógica que não se coadunam com um uso pedagógico da web. Deste modo, falar em autoria na web pode simplesmente reforçar a forma como tradicionalmente entendemos o que seja identidade (veja-se, por exemplo, o uso que muitos autores e jornalistas fazem dos blogs), ou então significar, a partir de uma proposta pedagógica diferenciada, o surgimento de um autor coletivo, colaborativo, participativo e aberto a novas elaborações. A questão da autoria na web é muito séria, por isso acredito que nós educadores devamos enfrentá-la corretamente, pois parte de nosso trabalho é “mexer” com as identidades.

Neste sentido, o que é autoria nos dias de hoje?
Sérgio Abranches
– Bem, isto é muito difícil de se definir. Em primeiro lugar, devemos considerar que a própria produção de conhecimento é uma reelaboração de conhecimentos já estabelecidos socialmente. Assim, autoria não pode ser entendida como aquilo que me distingue dos outros. Ao contrário, em um contexto globalizado, multicultural, o que me identifica pode ser exatamente aquilo que me aproxima, me coloca em relação com o outro e com os outros. Autoria passa então por uma transformação: não é mais o sinal de minha presença exclusiva neste mundo, através de uma obra única e intransferível, mas sim o que me coloca diante de tantos outros e que, nesta situação, marcam a minha identidade. É claro que precisamos tomar cuidado para que esta nova situação não seja o sinal da desresponsabilização, do “esconder-se para não se comprometer”. Portanto, é muito mais exigente, pois não se limita a dizer o que é e o que não é. Penso que estejamos próximos da passagem da autoria clássica (definidora de uma identidade única) para uma “alteria” (uma identidade construída com o outro).

Neste contexto de produção acadêmica, que regras devem ser estabelecidas entre professores e jovens?
Sérgio Abranches
– É importante pensarmos em regras na produção acadêmica. Mas penso que primeiro devemos pensar em novos projetos, novos contratos didáticos, novas formas de produção do conhecimento. Os jovens já nascem neste contexto, são digitais. A maioria dos professores ainda pertence a uma outra geração, analógica na sua forma de ser e de produzir conhecimento. Esta contradição precisa ser enfrentada. Neste sentido, uma questão básica, que não me arrisco a dizer que seja uma regra para a produção acadêmica em tempos midiáticos, deve ser a partilha da produção do conhecimento. Não estou falando aqui da socialização do conhecimento, algo muito importante. Falo do processo de produzir conhecimento. Este deve ser partilhado, cooperado. Os grupos de pesquisas precisam incorporar esta atitude, não só como metodologia de trabalho, mas como forma de produção e, assim, incorporar o “modus operandi” desta geração digital, tecnológica. Outro elemento que eu apontaria é a ampla divulgação desta produção. Os jovens, quando se dispõem a produzir seus conhecimentos academicamente, procuram sempre estas referências e não podem se relacionar com elas como se fossem estacas fixas, imóveis. Ao contrário, devem percebê-las como incentivadoras. Citaria também a necessidade de inovação metodológica. Este é um aspecto que ainda estamos deixando de lado. Precisamos inovar nossas concepções metodológicas e nosso fazer. Creio ser esta uma regra a ser colocada por aqueles que pretendem contribuir com a Educação e com o conhecimento de um modo geral.

Afinal, o que o professor deve fazer quando recebe um trabalho Ctrl C + Ctrl V?
Sérgio Abranches
– Em primeiro lugar, creio que o professor deve fazer o maior esforço possível para não receber um trabalho Ctrl C + Ctrl V. Em outras palavras, o professor deve se preocupar em preparar suas atividades de modo que esta possibilidade não seja viável. Dizendo de outro modo, a questão está na maneira como o professor propõe as atividades aos alunos. Qual é a diferença entre este tipo de trabalho e aquele que nós fazíamos antigamente copiando longas páginas das enciclopédias que nossos pais compravam à prestação, dizendo para nós que ali estava tudo o que precisávamos saber/aprender? Sim, é claro que tem diferença, mas na minha opinião muito mais na forma e na dinâmica do que no conteúdo e na aprendizagem. Neste sentido, a primeira questão que o professor deve fazer é refletir sobre o que ele propôs aos alunos e o modo como ele propôs. Aí está a raiz da questão. Se o aluno não foi convocado para ser autor-colaborador daquela atividade, ele não se sente com o compromisso de produzir nada que seja dele, ou a partir dele. Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo “dar uma googada” (de google), como dizem os mais novos. A segunda questão é pedir ao aluno que explicite o seu processo de produção do conhecimento (que questões ele levantou para fazer tal trabalho, que fontes ele buscou, qual o tipo de análise que ele fez), caso isto não tenha sido apresentado anteriormente. Deste modo, pode-se refletir sobre o processo e não somente sobre o resultado. Uma outra questão é o confronto com outras produções de outros alunos. Não quero aqui propor que haja um conflito, um embate, mas sim que haja uma troca, uma reflexão conjunta apontando os elementos que distinguem, caracterizam as diferentes produções. Sei que ao dizer isto não posso me esquecer do volume de trabalho dos professores, particularmente os que atuam na educação básica, fato este que dificulta uma análise e mesmo uma atenção mais particularizada aos alunos, impedindo então que se possa fazer tal processo, pois demanda tempo. Por isso, evitar que tal procedimento aconteça partindo de uma nova proposta pedagógica é fundamental

Fonte – Rio Mídia

Confira o artigo publicado pelo professor para o 2º Simpósio hipertexto e tecnologias na educação, promovido em setembro do ano passado pela UFPE.

Fonte: http://www.revistapontocom.org.br/?p=712

>Autoria na Era Digital

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Professor Sérgio Abranches fala sobre o advento do copia e cola

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Por Marcus Tavares

O que o professor deve fazer quando recebe de seus alunos um trabalho totalmente copiado da internet? Como trabalhar com o advento do Ctrl C + Ctrl V? Na escola do início do século XXI, quais são os significados de autoria, plágio e cópia? O assunto é polêmico, pois não se trata mais de um fato episódico nem exclusivo de um sistema e nível de ensino.

Para Sérgio Abranches, professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diante de um quadro “com poucas possibilidades e muita perplexidade”, os educadores vêm elaborando suas práticas de forma mais imediatista do que propriamente pedagógica. Para ele, é preciso que a escola reveja a participação dos alunos no processo de aprendizagem, no processo de construção da autoria.

Em entrevista, o professor afirma que, se o estudante não for convocado para ser autor-colaborador de determinada atividade, ele não terá o compromisso de produzir nada que seja dele ou a partir dele. “Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo dar uma googada (de google), como dizem os mais novos”, destaca.

Acesse a comunidade da revistapontocom no Orkut e participe do debate:
O que fazer quando o aluno entrega um trabalho Ctrl C + Ctrl V?

Acompanhe a entrevista:

O que muda na produção docente e discente com o acesso à internet? Professores e alunos estão sabendo tirar proveito de todas as possibilidades da rede?
Sérgio Abranches
– A internet tem se apresentado como um grande campo de práticas distintas e diversas, com ampla possibilidade para a Educação. Entretanto, isto não quer dizer que haja um aproveitamento de suas possibilidades, tanto por alunos quanto por professores. É preciso ainda um processo de formação específica para o uso pedagógico da internet, como de todas as atuais tecnologias da informação e comunicação, a fim de que a Educação possa aproveitar estas possibilidades. Em pesquisa recente, realizada por meus orientandos, observamos que já há uma familiaridade com o uso das tecnologias por parte dos professores, mas isto não significa que estes mesmos professores estejam utilizando as possibilidades que a internet apresenta. Do mesmo modo, observamos nos alunos que o uso da internet ainda é muito restrito em se tratando de questões educacionais. Mesmo que haja uma maior familiaridade por parte dos alunos com as atuais tecnologias, tal situação não redunda em grande proveito para a aprendizagem. Por outro lado, precisamos destacar o crescente número de projetos que busca incorporar tal uso às práticas educacionais. Penso que é por aí que conseguiremos identificar quais são as possibilidades que a internet oferece e que poderão ser aproveitadas pela Educação. Como exemplo, penso que a pesquisa acadêmica tende a ser profundamente dinamizada com a internet, bem como a aprendizagem colaborativa.

A web traz uma nova definição para o que seja autoria, pirataria e plágio?
Sérgio Abranches –
Em um certo sentido, creio que há uma modificação nestas definições. Mas depende fundamentalmente do tipo de uso que se faz da web. A questão da autoria – e os seus contrapontos da pirataria e do plágio – ganha uma nova significação com o uso da web. As formas colaborativas de produção via web introduzem uma nova conceituação do que seja autor. Tomemos como exemplo as diferentes experiências do tipo wiki, desde enciclopédia até pequenos glossários. Se tais práticas forem direcionadas pedagogicamente, podemos suscitar o aparecimento de um autor coletivo, não mais um sujeito único e que não é simplesmente o resultado da soma de diferentes partes, mas sim daquela interatividade proporcionada pela web. Com isso, questionamos também o que seja plágio ou pirataria. Estas duas últimas situações reproduzem concepções de conhecimento e de prática pedagógica que não se coadunam com um uso pedagógico da web. Deste modo, falar em autoria na web pode simplesmente reforçar a forma como tradicionalmente entendemos o que seja identidade (veja-se, por exemplo, o uso que muitos autores e jornalistas fazem dos blogs), ou então significar, a partir de uma proposta pedagógica diferenciada, o surgimento de um autor coletivo, colaborativo, participativo e aberto a novas elaborações. A questão da autoria na web é muito séria, por isso acredito que nós educadores devamos enfrentá-la corretamente, pois parte de nosso trabalho é “mexer” com as identidades.

Neste sentido, o que é autoria nos dias de hoje?
Sérgio Abranches
– Bem, isto é muito difícil de se definir. Em primeiro lugar, devemos considerar que a própria produção de conhecimento é uma reelaboração de conhecimentos já estabelecidos socialmente. Assim, autoria não pode ser entendida como aquilo que me distingue dos outros. Ao contrário, em um contexto globalizado, multicultural, o que me identifica pode ser exatamente aquilo que me aproxima, me coloca em relação com o outro e com os outros. Autoria passa então por uma transformação: não é mais o sinal de minha presença exclusiva neste mundo, através de uma obra única e intransferível, mas sim o que me coloca diante de tantos outros e que, nesta situação, marcam a minha identidade. É claro que precisamos tomar cuidado para que esta nova situação não seja o sinal da desresponsabilização, do “esconder-se para não se comprometer”. Portanto, é muito mais exigente, pois não se limita a dizer o que é e o que não é. Penso que estejamos próximos da passagem da autoria clássica (definidora de uma identidade única) para uma “alteria” (uma identidade construída com o outro).

Neste contexto de produção acadêmica, que regras devem ser estabelecidas entre professores e jovens?
Sérgio Abranches
– É importante pensarmos em regras na produção acadêmica. Mas penso que primeiro devemos pensar em novos projetos, novos contratos didáticos, novas formas de produção do conhecimento. Os jovens já nascem neste contexto, são digitais. A maioria dos professores ainda pertence a uma outra geração, analógica na sua forma de ser e de produzir conhecimento. Esta contradição precisa ser enfrentada. Neste sentido, uma questão básica, que não me arrisco a dizer que seja uma regra para a produção acadêmica em tempos midiáticos, deve ser a partilha da produção do conhecimento. Não estou falando aqui da socialização do conhecimento, algo muito importante. Falo do processo de produzir conhecimento. Este deve ser partilhado, cooperado. Os grupos de pesquisas precisam incorporar esta atitude, não só como metodologia de trabalho, mas como forma de produção e, assim, incorporar o “modus operandi” desta geração digital, tecnológica. Outro elemento que eu apontaria é a ampla divulgação desta produção. Os jovens, quando se dispõem a produzir seus conhecimentos academicamente, procuram sempre estas referências e não podem se relacionar com elas como se fossem estacas fixas, imóveis. Ao contrário, devem percebê-las como incentivadoras. Citaria também a necessidade de inovação metodológica. Este é um aspecto que ainda estamos deixando de lado. Precisamos inovar nossas concepções metodológicas e nosso fazer. Creio ser esta uma regra a ser colocada por aqueles que pretendem contribuir com a Educação e com o conhecimento de um modo geral.

Afinal, o que o professor deve fazer quando recebe um trabalho Ctrl C + Ctrl V?
Sérgio Abranches
– Em primeiro lugar, creio que o professor deve fazer o maior esforço possível para não receber um trabalho Ctrl C + Ctrl V. Em outras palavras, o professor deve se preocupar em preparar suas atividades de modo que esta possibilidade não seja viável. Dizendo de outro modo, a questão está na maneira como o professor propõe as atividades aos alunos. Qual é a diferença entre este tipo de trabalho e aquele que nós fazíamos antigamente copiando longas páginas das enciclopédias que nossos pais compravam à prestação, dizendo para nós que ali estava tudo o que precisávamos saber/aprender? Sim, é claro que tem diferença, mas na minha opinião muito mais na forma e na dinâmica do que no conteúdo e na aprendizagem. Neste sentido, a primeira questão que o professor deve fazer é refletir sobre o que ele propôs aos alunos e o modo como ele propôs. Aí está a raiz da questão. Se o aluno não foi convocado para ser autor-colaborador daquela atividade, ele não se sente com o compromisso de produzir nada que seja dele, ou a partir dele. Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo “dar uma googada” (de google), como dizem os mais novos. A segunda questão é pedir ao aluno que explicite o seu processo de produção do conhecimento (que questões ele levantou para fazer tal trabalho, que fontes ele buscou, qual o tipo de análise que ele fez), caso isto não tenha sido apresentado anteriormente. Deste modo, pode-se refletir sobre o processo e não somente sobre o resultado. Uma outra questão é o confronto com outras produções de outros alunos. Não quero aqui propor que haja um conflito, um embate, mas sim que haja uma troca, uma reflexão conjunta apontando os elementos que distinguem, caracterizam as diferentes produções. Sei que ao dizer isto não posso me esquecer do volume de trabalho dos professores, particularmente os que atuam na educação básica, fato este que dificulta uma análise e mesmo uma atenção mais particularizada aos alunos, impedindo então que se possa fazer tal processo, pois demanda tempo. Por isso, evitar que tal procedimento aconteça partindo de uma nova proposta pedagógica é fundamental

Fonte – Rio Mídia

Confira o artigo publicado pelo professor para o 2º Simpósio hipertexto e tecnologias na educação, promovido em setembro do ano passado pela UFPE.

Fonte: http://www.revistapontocom.org.br/?p=712

Almanaque da Rede – O Blog de Papel

Olá Amigos

Ontem durante a reunião do Portal Conexão Professor e Conexão Aluno conhecemos o Almanaque da Rede. A proposta do Almanaque da Rede é fantástica, uma reinvenção da escrita nos tempos atuais. Levar aos alunos a forma correta de se fazer varias formas de textos é uma proposta que sem sombra de duvida é das mais uteis que vi atualmente.

Você quer aprender a escrever para contar sua história? A história das pessoas que você conhece, para inventar personagens, para conquistar amigos e amores, para aumentar suas chances no vestibular e no seu futuro profissional? Então, você está no lugar certo!

Almanaque da rede é um laboratório de escrita, presencial e digital, gratuito, aberto a estudantes da rede pública de ensino médio das escolas das coordenadorias da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Almanaque da rede tem uma versão em papel que foi distribuída pela Secretaria Estadual de Educação em toda a primeira série do ensino médio, em março de 2009.

Desde março, o projeto “Almanaque da Rede” ensina estudantes do 1° ano do ensino médio a fazer narrações, dissertações, descrições e mensagens através das cores. O almanaque, além de ser uma agenda multicolorida utilizada em sala de aula, também é apresentado como jogos na internet. Os alunos com maior pontuação ganham passeios culturais entre outros brindes.

Confira uma aula prática do Almanaque da Rede

São propostas como essa que fazem a diferença.

Conheça e Divulgue

Abraços

Equipe NTE Itaperuna