>Capacite-se

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#fullpost { display: inline; } Olá Amigos

Atualmente o mercado de trabalho no Brasil e no mundo está cada vez mais competitivo e exigindo profissionais cada vez mais preparados para atingir e superar os novos desafios que o mundo empresarial moderno exige.

Temos hoje no mercado de trabalho uma situação inusitada: sobram vagas e faltam profissionais capacitados para ocupá-las. Mas por quê?

Por que a escola e universidades focam o desenvolvimento acadêmico e não o profissional, e o mercado está ávido de profissionais cada vez mais capacitados e altamente qualificados para esse novo mercado de trabalho.

Ai a gente se pergunta como escolher um bom curso que faça a diferença?

Quais as melhores universidades/faculdades para se matricular?

Qual o melhor curso à distância?

Qual o melhor custos x benefícios?

São muitas perguntas sobre como encontrar boas opções de Cursos Programas Empresariais que podem abrir a porta desse novo mercado.

Sempre fui um eterno defensor dos cursos a distancia, pois vejo neles a oportunidade de levarmos a qualquer lugar ou pessoa a chance de mudar o seu futuro. Existem algumas diferenças entre um curso presencial e um curso ministrado a distância que precisam ser ditas.

No curso presencial, à presença física do aluno no local em que o curso está acontecendo é obrigatória, agora já no curso a distância não a necessidade de sua presença no local, esses encontros são quase sempre através da internet. Há também os cursos semi presenciais que mesclam encontros presenciais e virtuais.

Independente do tipo de modalidade que você for escolher o importante é que o curso traga o conhecimento que você está procurando, porém cada modalidade exigirá do aluno formas diferentes de dedicação.

Como tudo na vida não vá com tanta sede ao pote, procure sempre saber o máximo possível sobre a instituição de ensino que você pretende estudar, pois essa escolha vai definir quem é quem no mercado de trabalho. A qualidade do curso está ligada principalmente a qualidade dos profissionais de trabalham para ela, por isso converse com quem faz ou já fez e tire suas conclusões.

Um bom lugar para você buscar informações sobre isso é nas redes sociais, de entrar em contato com ex-alunos. Uma analise dos novos cursos e profissões, também é muito importante, pois ninguém vai fazer um curso para uma determinada profissão em que o mercado atualmente não tenha procura. Atene-se.

Os cursos a distância são excelentes opções, eles realmente não deixam nada a desejar a nenhum curso presencial, basta apenas você se dedicar e ser disciplinado, respeitando horários e cumprindo suas tarefas. Lembre-se o sucesso é 10% inspiração e 90% transpiração.

Capacite-se ou fique de fora da festa.

Sucesso!!!

Abraços

Robson Freire

Capacite-se

Olá Amigos

Atualmente o mercado de trabalho no Brasil e no mundo está cada vez mais competitivo e exigindo profissionais cada vez mais preparados para atingir e superar os novos desafios que o mundo empresarial moderno exige.

Temos hoje no mercado de trabalho uma situação inusitada: sobram vagas e faltam profissionais capacitados para ocupá-las. Mas por quê?

Por que a escola e universidades focam o desenvolvimento acadêmico e não o profissional, e o mercado está ávido de profissionais cada vez mais capacitados e altamente qualificados para esse novo mercado de trabalho.

Ai a gente se pergunta como escolher um bom curso que faça a diferença?

Quais as melhores universidades/faculdades para se matricular?

Qual o melhor curso à distância?

Qual o melhor custos x benefícios?

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Sempre fui um eterno defensor dos cursos a distancia, pois vejo neles a oportunidade de levarmos a qualquer lugar ou pessoa a chance de mudar o seu futuro. Existem algumas diferenças entre um curso presencial e um curso ministrado a distância que precisam ser ditas.

No curso presencial, à presença física do aluno no local em que o curso está acontecendo é obrigatória, agora já no curso a distância não a necessidade de sua presença no local, esses encontros são quase sempre através da internet. Há também os cursos semi presenciais que mesclam encontros presenciais e virtuais.

Independente do tipo de modalidade que você for escolher o importante é que o curso traga o conhecimento que você está procurando, porém cada modalidade exigirá do aluno formas diferentes de dedicação.

Como tudo na vida não vá com tanta sede ao pote, procure sempre saber o máximo possível sobre a instituição de ensino que você pretende estudar, pois essa escolha vai definir quem é quem no mercado de trabalho. A qualidade do curso está ligada principalmente a qualidade dos profissionais de trabalham para ela, por isso converse com quem faz ou já fez e tire suas conclusões.

Um bom lugar para você buscar informações sobre isso é nas redes sociais, de entrar em contato com ex-alunos. Uma analise dos novos cursos e profissões, também é muito importante, pois ninguém vai fazer um curso para uma determinada profissão em que o mercado atualmente não tenha procura. Atene-se.

Os cursos a distância são excelentes opções, eles realmente não deixam nada a desejar a nenhum curso presencial, basta apenas você se dedicar e ser disciplinado, respeitando horários e cumprindo suas tarefas. Lembre-se o sucesso é 10% inspiração e 90% transpiração.

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Abraços

Robson Freire

McLuhan: “O MEIO É A MENSAGEM”

Com esta célebre frase , o canadense Herbert Marshall McLuhan (1911-1980) levantou uma discussão que aborda a relação entre a forma e o conteúdo na transmissão da informação.
A impressionante velocidade com que as inovações tecnológicas aparecem, colaboram, na mesma proporção, para a mudança nas relações de comunicação da sociedade.

Para relembrar:

Antigamente, tínhamos as cartas como forma preponderante de comunicação a distância. Hoje os e-mails predominam.

Antes, vídeo-cassete. Atualmente, DVDs players. Fitas-cassete versus mp3 e ipod, máquina fotográfica analógica x digital, máquina de escrever x computador, enfim, vários são os exemplos desta transformação e quebras de paradigmas.

Onde quero chegar com isso?

Uma série de fatores influenciam na recepção de uma mensagem. Palavras ditas através do telefone são diferentes das mesmas palavras ditas pessoalmente.

Quantas vezes nos pegamos duvidando do que foi dito ao telefone?  Estando frente a frente você pode avaliar o que foi dito através de sentidos que você não tem ao telefone como, por exemplo, gestos e olhares.

O estudo que proponho a seguir tem a finalidade de mostrar que a mudança do meio de comunicação altera a mensagem, ou seja, o sentimento causado ao receptor não é o mesmo quando transmitido por meios diferentes, mesmo que o texto seja idêntico.

Para exemplificar, peguemos o Jornal Zero Hora, versão digital e impressa.

zero-hora.jpg

Linearidade:Quando você pega o jornal impresso, você escolhe por onde vai começar a leitura através de uma editoria de seu interesse. Eu, particularmente, começo  pela capa, contra-capa e esportes, nesta ordem.

Na versão online, tem os links correspondentes às editorias, o que nos permite fazer esta mesma escolha. Ou seja, nós damos a linearidade que queremos na leitura. E assim é nas duas versões do jornal.

Concentração:Para ler a versão online você precisa estar disponível a frente do computador, o que, teoricamente, dá melhor poder de concentração e predisposição à leitura. Embora tenhamos que reconhecer que as vezes somos interrompidos pela curiosidade de ver e-mails ou pelo bonequinho do MSN avisando que novas mensagens chegaram.

O jornal impresso nos dá a opção de lermos  no ônibus, numa recepção de consultório ou rapidamente nas bancas. Isto tira a capacidade de atenção, pois temos que cuidar a parada pra descer, driblar os enjôos ou esperar pela chamada do médico.

Na versão online, temos comerciais que não são estáticos. Se movimentam de um lado para o outro ou aparecem repentinamente no meio da página, exigindo muitas vezes que você interrompa a leitura para fechar o arquivo. Os chamados popups. Eles também são objetos de dispersão.

Interação: o jornal da internet permite que você entre em murais, chats, fóruns e enquetes. você ainda tem a possibilidade de mandar a notícia para um amigo. Se quiser fazer isso pelo meio tradicional, também existe a possibilidade, mas terá que mandar cartas para a sessão do leitor. E sabe-se lá se vai ser recebida.

Hiperlink: a versão digital do jornal oferece a opção de navegar por outros sites através da existência dos hiperlinks. Se você tem uma dúvida ou desconhecimento sobre determinado assunto, pode se aprofundar nos links oferecidos. Ou até mesmo abrir um site e procurar sobre aquela palavra que você nunca ouviu falar.

Bem, aí estão apenas alguns exemplos de que o meio interfere na mensagem final. Por isso McLuhan dizia que o meio é a própria mensagem.

Portanto, é importante compreendermos que quando se passa de uma mídia para a outra é preciso uma reciclagem. É importante saber reconhecer a potencialidades, as deficiências e os limites de cada uma delas.

Quando você coloca uma gravação televisiva na internet ela passa a ser qualquer outra coisa, menos televisão.

Há uma remediação, ou seja, transformação do meio. Há uma nova linguagem, há um novo público, novos conceitos.  O tempo, as interferências externas, as técnicas de produção são outras e precisam ser respeitadas.

Não há um meio melhor que outro. Há sim, um diferente do outro.

Fonte: http://lucianogasparini.wordpress.com/2007/05/03/macluhan-o-meio-e-a-mensagem

O Twitter na nova Educação

Texto Luciana Maria Allan

Um olhar crítico sobre os recursos tecnológicos disponíveis deve ser uma prática permanente na nova Educação

Foto: O @colband segue especialistas e repassa para os alunos as últimas tendências


O @colband segue especialistas e repassa para os alunos as últimas tendências

O Twitter é uma ferramenta de microblogging que permite a troca de mensagens, com até 140 caracteres. Provavelmente, você já leu esta definição em dezenas e dezenas de artigos. Muitos deles ensinando como redigir o conteúdo a ser compartilhado; outros questionando as funcionalidades desta rede social.

A nova Educação, calcada principalmente nos elementos humanos e na real troca de experiência, exige um planejamento preciso. Dessa forma, um olhar crítico sobre os recursos tecnológicos disponíveis deve ser uma prática permanente. Portanto, entender as funcionalidades e sua essência é requisito básico. Caso contrário, não se tem eficácia. Parece óbvio, mas poucos fazem desta forma!

Na maioria das vezes, no Twitter, mensagens sem propósitos povoam as páginas; usuários seguem outros sem qualquer critério; e links são postados sem acrescentar conteúdo. Na área de Educação, por exemplo, é comum lermos mensagens questionando a qualidade do ensino (“O ensino no Brasil tem qualidade?”) ou defendendo a sua importância (“Educação é fundamental”). Mas poucas apresentam soluções ou caminhos a serem seguidos para obter resultados significativos. Talvez isso ocorra porque poucos conhecem a verdadeira utilidade das ferramentas sociais: propagar discussões e, ao mesmo tempo, oferecer elementos para o aprimoramento contínuo.

Neste contexto, as poucas ações sérias e de qualidade merecem destaque. O Colégio Bandeirantes, por exemplo, utiliza o Twitter para divulgar informações dos departamentos, curiosidades e convites. Com mais de 500 seguidores, o @colband, além de noticiar informações institucionais, segue especialistas e repassa para os alunos as últimas tendências.

Com uma proposta clara (“o nosso propósito de formação integrada valoriza o desenvolvimento de potencialidades intelectuais e afetivas dos nossos alunos”), o Twitter do Colégio Bandeirantes foi estruturado após muito planejamento e é decorrência de uma ampla pesquisa da instituição para a escolha do conteúdo a ser propagado. O resultado: alunos seguem, propagam as informações divulgadas pelo @colband e têm a oportunidade de enviar mensagens diretas para o Twitter, tirando dúvidas e fazendo considerações.

Outras instituições de ensino também estão se relacionando de forma efetiva no Twitter – embora com mais timidez do que o @colband: Parthenon (@tparthenon), com 157 seguidores; Bilac (@colegiobilac), com 90 seguidores; e Dante Alighieri (@colegiodante), com 270 seguidores.

No Brasil, ações eficazes como estas e do Colégio Bandeirantes são muito limitadas. Já no exterior, são mais evidentes. Além dos colégios aderirem à ferramenta para propagar informações, os próprios alunos estão sendo incentivados a utilizá-la. O The Guardian noticiou, recentemente, que ensinamentos relacionados ao Twitter farão parte do currículo das escolas primárias do Reino Unido.

No Brasil, essa revolução deve demorar para acontecer. Por aqui, começou, recentemente, o debate de estudos antigos, como, por exemplo, o “Can we use Twitter for educational activities?” (“Podemos usar o Twitter para atividades educacionais?”, em português). Detalhe: o documento foi lançado pelas pesquisadoras Gabriela Grosseck e Carmen Holotescu em 2008, atestando, de certa forma, a falta de agilidade brasileira.

O estudo defende, por exemplo, a necessidade de se twittar dentro das salas de aulas, promovendo a rápida discussão de temas, e reforça a necessidade do Twitter ser utilizado como ferramenta educacional. Outras dicas interessantes: compartilhamento de vídeos de aprendizagem; reenvio de tweets interessantes e divulgação de mensagens com os links do site, blog ou podcast da instituição de ensino.

Não esqueça: faça enquetes, abra discussões, troque experiências com os alunos e aproveite a oportunidade para despertar o senso crítico e o poder de síntese dos discentes – uma das competências mais privilegiadas hoje no mercado de trabalho.

Mais importante do que divulgar informações é fazer com que a mensagem seja compreendida de forma clara, simples e sintética! No próximo artigo, falaremos sobre as outras ferramentas que discutem as novas tecnologias aplicadas à Educação. Enquanto isso, explore o NING. Lá, há comunidades interessantes sobre Educação, novas tecnologia e inclusão digital. Aproveite!

(*) Luciana Maria Allan é diretora do Instituto Crescer Para a Cidadania e doutoranda na Faculdade de Educação da USP. E-mail: luciana@institutocrescer.org.br

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/twitter-educacao-507544.shtml

As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola e os Centros de Recursos Educativos. Algumas reflexões.

Leonel Melo Rosa (Universidade Aberta)

Comunicação apresentada no painel “Centro de Recursos: um espaço de aprendizagens múltiplas”, II Encontro de Nacional de Centros de Recursos Educativos, Escola Secundária Emídio Navarro,

Almada, 28 de Outubro de 1999.

1- Introdução

Com a enorme influência das TIC sobre os meios de produção e comunicação, a escola precisa absolutamente de as integrar se não quer ficar definitivamente isolada. Porém, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que as TIC poderão ser a panaceia para uma escola em crise, pois elas não passam de ferramentas de ensino e, como tal, tanto podem ser usadas para novas práticas pedagógicas baseadas nas pedagogias activas, centradas no aluno, como podem servir apenas para transmitir conhecimentos, seguindo um modelo tradicional, em que o professor e os conteúdos programáticos ocupam o centro do processo educativo.

Como diz Jacques Tardif, “o desenvolvimento exponencial das TIC, assim como a sua força, impedirão que a escola as trate com ligeireza e duma maneira superficial, exigindo reflexões sérias sobre as modalidades e o grau de integração (Tardif, 1998)” (1) .

2- As TIC e a “Educação para os Media”

Sou dos que acreditam que a “educação para os media” está intimamente ligada à integração das TIC na educação, pelo que gostaria de partilhar algumas reflexões.

Como diz René de la Borderie “saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar educação para os media”. Esta consiste na “aprendizagem dos mecanismos de funcionamento dos media, sobretudo aquele que mais influencia os jovens – a televisão – e deveria constituir uma das prioridades da nossa prática pedagógica (Borderie, 1997)” (2) .

Em todas as disciplinas, deveria ser implementada uma prática transversal da educação para os media, duma forma planeada, ampla e sistemática, do mesmo modo que deveria haver uma prática transversal da educação para o ambiente e da educação para a cidadania.

Todos os alunos de todos os níveis de ensino deveriam ser abrangidos por uma educação para os media pois, “se acreditamos que a educação para os media constitui uma das condições para a formação do espírito crítico e para o desenvolvimento da autonomia no mundo da comunicação, então é preciso que ela comece a ser realizada desde os primeiros anos de escolaridade (Borderie, 1997) (3) ”.

O mesmo se passa em relação às TIC. A sua integração deve ser feita logo no ensino pré-escolar. Para as crianças destas idades, o CD-ROM, por exemplo, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das capacidades de observação e reflexão, de coordenação psico-motora ou para o despertar dos sentidos. As potencialidades do multimédia tornam-no um instrumento quase insuperável já que reúne em simultâneo a imagem, a cor, o som e ainda todos os efeitos visuais e sonoros que conseguem prender a atenção da criança. Porém, há que ter cuidado com “as ambiguidades do ludo-educativo” (Carrier, 1997) (4) , etiqueta frequentemente usada pelo marketing para atrair as crianças (ludo) e os pais (educativo) e que muitas vezes tem muito do primeiro e pouco do segundo.

Para uma maior eficácia da educação para os media, deverá haver uma coordenação entre os centros de recursos educativos, centros de documentação, bibliotecas, mediatecas (caso não estejam todos reunidos em apenas um centro de recursos), clubes, todos devidamente articulados com as estruturas directivas da escola (sobretudo na sua vertente pedagógica) de modo a que todas as acções desenvolvidas estejam devidamente integradas no Projecto Educativo da Escola.

3- Novas aprendizagens – novas práticas pedagógicas

3-1. As potencialidades pedagógicas das TIC

As práticas pedagógicas que utilizam as TIC duma forma planeada e sistemática permitem:

– o desenvolvimento de uma competência de trabalho em autonomia (fundamental ao longo da vida), já que os alunos podem dispor, desde muito novos, de uma enorme variedade de ferramentas de investigação. “Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá jamais transformar a realidade do sistema educativo, as tecnologias de informação e comunicação trazem dentro de si uma nova possibilidade: a de poder confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade das suas aprendizagens (Carrier, J.-P., 1998)” (5) .

– um acesso à informação com rapidez e facilidade (um dos seus principais trunfos);

– uma prática de confrontação, verificação, organização, selecção e estruturação, já que as informações não estão apenas numa fonte. As inúmeras informações disponíveis não significarão nada se o utilizador não for capaz de as verificar e de as confrontar para depois as seleccionar. A recolha de informações sem limite pode muito bem provocar apenas uma simples acumulação de saberes.

o desenvolvimento das competências de análise e de reflexão.

– a abertura ao mundo e disponibilidade para conhecer e compreender outras culturas;

– a organização do seu pensamento;

– o trabalho em simultâneo com um ou mais colegas situados em diferentes pontos do planeta.

– a criação de sites (em colaboração com os colegas e professores da sua ou de outras escolas), a qual vai permitir que os alunos realizem:

– um trabalho de estruturação das suas ideias;

– uma organização espacial;

– uma apresentação com cuidados estéticos;

– um trabalho de descrição e apresentação que proporcionará uma pesquisa histórica, geográfica e cultural sobre a escola, o local e a região onde habitam e estudam;

– um registo de sons e imagens (fotografia e vídeo);

– uma tradução em várias línguas.

Todas estas actividades pressupõem um profundo trabalho de interdisciplinaridade cujo espaço de realização pode ser o CRE.

3-2. O papel dos CRE

Do que ficou dito atrás sobre as potencialidades pedagógicas das TIC, é fácil concluir que os CRE podem criar as condições para proporcionar que as TIC se tornem de facto numa ferramenta que contribua para práticas pedagógicas inovadoras.

A ausência de um programa escolar limitador e de momentos periódicos de avaliação e a possibilidade de uma relação mais informal entre o professor responsável pelo CRE e o aluno constituem algumas das vantagens dos CRE. Todas estas condições permitem pôr em prática com mais facilidade do que na sala de aula todas as actividades atrás indicadas. Para além das actividades já sugeridas, os CRE podem ainda desenvolver outras actividades:

É no CRE que estão reunidos, analisados e postos à disposição da comunidade escolar todos os documentos em suportes variados (verbais, icónicos, ou gráficos). Pôr estes recursos à disposição dos intervenientes no processo educativo implica que o aluno seja ajudado na sua utilização. ”Só temos boas razões para pensar que o CRE é, na escola, um laboratório de comunicação onde as imagens e os média constituem não só uma fonte pedagógica para os trabalhos na sala de aula mas também um objecto de estudo, condição essencial para uma utilização correcta como meio de ensino e de aprendizagem (Borderie, 1997) (6) ”.

1- É indispensável uma formação técnica nos campos a) das ferramentas de navegação; b) do tratamento de texto; c) da recolha de dados.

2- A formação do aluno para uma pesquisa documental multimédia implica também uma formação no campo da “construção de saberes” (Carrier; Lafage 1997) (7) . Para isso, o aluno deve aprender a:

– construir uma pesquisa a fim de obter documentos pertinentes;

– organizar e relacionar os documentos recolhidos;

– verificar a origem dos documentos;

– formular opiniões críticas;

– confrontar estas informações com as de outras fontes;

– realizar um documento de síntese.

É claro que neste trabalho de formação do aluno, o professor tem um papel decisivo. No CRE, mas também na sala de aula equipada com as TIC, cabe ao professor:

– orientar o aluno, dando-lhe pistas e objectivos concretos;

– estabelecer com o aluno uma relação baseada na confiança, no conselho e no acompanhamento;

– propor o reforço de certas noções abordadas nas aulas;

– propor a realização de projectos de investigação documental informatizada, para desenvolver a sua motivação, associar o domínio de ferramentas informáticas à procura de informações precisas, e finalmente, melhorar a sua competência de leitura.

– abordar projectos baseados na análise crítica e comparativa dos media (televisão, imprensa e Internet) de parceria com os professores de cada disciplina.

A confrontação de suportes diversos, tais como os documentos obtidos na Internet, artigos da imprensa, livros e outros documentos, permite ao aluno escolher em função da sua pesquisa, o documento que lhe parece mais adaptado. Porém, a tarefa do aluno torna-se cada vez mais complexa, com tanta variedade de fontes de informação. Por isso, uma ideia é propor-lhe a comparação dos vários suportes tendo em conta critérios de rapidez de acesso à informação, riqueza do conteúdo e validade das informações, o que lhe permitirá desenvolver o seu espírito crítico.

Além de contribuir para formação dos alunos, o CRE também pode (e deve) ser um espaço privilegiado para a formação de professores. Para que os professores deixem de “ter vergonha” (8) de utilizar as TIC, devem aproveitar os CRE para efectuarem a sua formação quer em acções de formação quer com uma prática sistemática, que poderá ser apoiada pelo(s) professor(es) responsável(eis) pelo CRE e, porque não, pelos próprios alunos.

Conclusão

Como ficou claro, a integração das TIC nos processos de aprendizagem pode constituir um factor de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, a escola tem de acompanhar as transformações sociais. A escola, por natureza lenta, analítica e virada para o passado, tem de ser capaz de se tornar mais atraente, diminuindo o fosso que a separa do mundo exterior onde o aluno vai absorver grande parte das informações que lhe interessam. Cabe à escola transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém o monopólio da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.

Para possibilitar um acesso igual à informação, a escola tem de conseguir combater as desigualdades existentes à partida, dando a todos os alunos “a possibilidade de recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação” (9) .

O simples fornecimento de equipamento informático às escolas não contribui automaticamente para atingir este objectivo.

Tal como aconteceu, em muitos casos, com a utilização pedagógica do audiovisual, se não forem preenchidas certas condições, a integração das TIC no sistema educativo poderá mesmo contribuir para agravar as desigualdades sociais. E, entre outras, essas condições são:

– uma correcta e actualizada formação dos professores;

– uma utilização das TIC devidamente planeada, inserida numa ampla estratégia educativa centrada no aluno;

– uma transformação da atitude da escola (e dos professores).

Esta transformação vai exigir que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.

Além desta inevitável mudança de atitude da parte da escola (e dos professores), termino com as palavras de Geneviève Jacquinot: “Os media só podem servir de fonte de acesso ao conhecimento se forem integrados, dentro ou fora da escola, no quadro de um projecto ou de uma metodologia. (…) É urgente definir uma nova função da escola na sociedade actual. A questão mais importante é a de saber como vamos fazer uma educação democrática para todos ou, pelo menos, para uma maioria. (…) Devemos construir um discurso sobre a nova função da escola na sociedade tecnológica e criar práticas novas. Uma “educação para os media” bem controlada, exigente, pode ajudar-nos muito nessa tarefa (Jacquinot, 1995)” (10) .

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Notas

(1) Tardif, Jacques (1998) Intégrer les nouvelles technologies de l’information. Quel cadre pédagogique?, Paris, ESF.

(2) Borderie, René de la (1997) Education à l’image et aux médias, Paris, Nathan.

(3) Borderie, René de la, op. cit.

(4) Carrier, Jean-Pierre (1997)”Les cédéroms dans le biberon : le multimédia et l’éveil des tous-petits.”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris : Retz, CEMEA , p. 69.

(5) Carrier, Jean-Pierre (1998) “S’informer et communiquer”, Vers l’Education Nouvelle, nº 487, 7.

(6) Borderie, René de la, op. cit.

(7) Carrier, Claire; Lafage, Claire ”Le CDI à l’heure du multimédia”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, pp 39-41.

(8) Um estudo recente efectuado pela Universidade de Aveiro, revela que a principal dificuldade dos professores na utilização das TIC em ambiente escolar é a “vergonha”. Vergonha de demonstrar perante os alunos a escassa habilidade no uso de computadores e afins. A amostra deste estudo foram 101 professores no distrito de Aveiro, dos quais apenas um tinha usado o computador para “navegar “ na Internet, sendo que os restantes só usavam computadores para tarefas administrativas. (In Correio da Educação, nº 14, 18/10/99, p. 4.)

(9) Livro Verde da Sociedade da Informação , Ministério da Ciência e Tecnologia.

(10) Jacquinot, Geneviève (1995) “De la nécessité de rénover l’éducation aux médias”, revue Communication, 16, Québec, Univ. Laval.

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Fonte: http://www.univ-ab.pt/~porto/textos/Leonel/Pessoal/tic_cre.htm

>As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola e os Centros de Recursos Educativos. Algumas reflexões.

>

Leonel Melo Rosa (Universidade Aberta)

Comunicação apresentada no painel “Centro de Recursos: um espaço de aprendizagens múltiplas”, II Encontro de Nacional de Centros de Recursos Educativos, Escola Secundária Emídio Navarro,

Almada, 28 de Outubro de 1999.

1- Introdução

Com a enorme influência das TIC sobre os meios de produção e comunicação, a escola precisa absolutamente de as integrar se não quer ficar definitivamente isolada. Porém, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que as TIC poderão ser a panaceia para uma escola em crise, pois elas não passam de ferramentas de ensino e, como tal, tanto podem ser usadas para novas práticas pedagógicas baseadas nas pedagogias activas, centradas no aluno, como podem servir apenas para transmitir conhecimentos, seguindo um modelo tradicional, em que o professor e os conteúdos programáticos ocupam o centro do processo educativo.

Como diz Jacques Tardif, “o desenvolvimento exponencial das TIC, assim como a sua força, impedirão que a escola as trate com ligeireza e duma maneira superficial, exigindo reflexões sérias sobre as modalidades e o grau de integração (Tardif, 1998)” (1) .

2- As TIC e a “Educação para os Media”

Sou dos que acreditam que a “educação para os media” está intimamente ligada à integração das TIC na educação, pelo que gostaria de partilhar algumas reflexões.

Como diz René de la Borderie “saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar educação para os media”. Esta consiste na “aprendizagem dos mecanismos de funcionamento dos media, sobretudo aquele que mais influencia os jovens – a televisão – e deveria constituir uma das prioridades da nossa prática pedagógica (Borderie, 1997)” (2) .

Em todas as disciplinas, deveria ser implementada uma prática transversal da educação para os media, duma forma planeada, ampla e sistemática, do mesmo modo que deveria haver uma prática transversal da educação para o ambiente e da educação para a cidadania.

Todos os alunos de todos os níveis de ensino deveriam ser abrangidos por uma educação para os media pois, “se acreditamos que a educação para os media constitui uma das condições para a formação do espírito crítico e para o desenvolvimento da autonomia no mundo da comunicação, então é preciso que ela comece a ser realizada desde os primeiros anos de escolaridade (Borderie, 1997) (3) ”.

O mesmo se passa em relação às TIC. A sua integração deve ser feita logo no ensino pré-escolar. Para as crianças destas idades, o CD-ROM, por exemplo, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das capacidades de observação e reflexão, de coordenação psico-motora ou para o despertar dos sentidos. As potencialidades do multimédia tornam-no um instrumento quase insuperável já que reúne em simultâneo a imagem, a cor, o som e ainda todos os efeitos visuais e sonoros que conseguem prender a atenção da criança. Porém, há que ter cuidado com “as ambiguidades do ludo-educativo” (Carrier, 1997) (4) , etiqueta frequentemente usada pelo marketing para atrair as crianças (ludo) e os pais (educativo) e que muitas vezes tem muito do primeiro e pouco do segundo.

Para uma maior eficácia da educação para os media, deverá haver uma coordenação entre os centros de recursos educativos, centros de documentação, bibliotecas, mediatecas (caso não estejam todos reunidos em apenas um centro de recursos), clubes, todos devidamente articulados com as estruturas directivas da escola (sobretudo na sua vertente pedagógica) de modo a que todas as acções desenvolvidas estejam devidamente integradas no Projecto Educativo da Escola.

3- Novas aprendizagens – novas práticas pedagógicas

3-1. As potencialidades pedagógicas das TIC

As práticas pedagógicas que utilizam as TIC duma forma planeada e sistemática permitem:

– o desenvolvimento de uma competência de trabalho em autonomia (fundamental ao longo da vida), já que os alunos podem dispor, desde muito novos, de uma enorme variedade de ferramentas de investigação. “Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá jamais transformar a realidade do sistema educativo, as tecnologias de informação e comunicação trazem dentro de si uma nova possibilidade: a de poder confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade das suas aprendizagens (Carrier, J.-P., 1998)” (5) .

– um acesso à informação com rapidez e facilidade (um dos seus principais trunfos);

– uma prática de confrontação, verificação, organização, selecção e estruturação, já que as informações não estão apenas numa fonte. As inúmeras informações disponíveis não significarão nada se o utilizador não for capaz de as verificar e de as confrontar para depois as seleccionar. A recolha de informações sem limite pode muito bem provocar apenas uma simples acumulação de saberes.

o desenvolvimento das competências de análise e de reflexão.

– a abertura ao mundo e disponibilidade para conhecer e compreender outras culturas;

– a organização do seu pensamento;

– o trabalho em simultâneo com um ou mais colegas situados em diferentes pontos do planeta.

– a criação de sites (em colaboração com os colegas e professores da sua ou de outras escolas), a qual vai permitir que os alunos realizem:

– um trabalho de estruturação das suas ideias;

– uma organização espacial;

– uma apresentação com cuidados estéticos;

– um trabalho de descrição e apresentação que proporcionará uma pesquisa histórica, geográfica e cultural sobre a escola, o local e a região onde habitam e estudam;

– um registo de sons e imagens (fotografia e vídeo);

– uma tradução em várias línguas.

Todas estas actividades pressupõem um profundo trabalho de interdisciplinaridade cujo espaço de realização pode ser o CRE.

3-2. O papel dos CRE

Do que ficou dito atrás sobre as potencialidades pedagógicas das TIC, é fácil concluir que os CRE podem criar as condições para proporcionar que as TIC se tornem de facto numa ferramenta que contribua para práticas pedagógicas inovadoras.

A ausência de um programa escolar limitador e de momentos periódicos de avaliação e a possibilidade de uma relação mais informal entre o professor responsável pelo CRE e o aluno constituem algumas das vantagens dos CRE. Todas estas condições permitem pôr em prática com mais facilidade do que na sala de aula todas as actividades atrás indicadas. Para além das actividades já sugeridas, os CRE podem ainda desenvolver outras actividades:

É no CRE que estão reunidos, analisados e postos à disposição da comunidade escolar todos os documentos em suportes variados (verbais, icónicos, ou gráficos). Pôr estes recursos à disposição dos intervenientes no processo educativo implica que o aluno seja ajudado na sua utilização. ”Só temos boas razões para pensar que o CRE é, na escola, um laboratório de comunicação onde as imagens e os média constituem não só uma fonte pedagógica para os trabalhos na sala de aula mas também um objecto de estudo, condição essencial para uma utilização correcta como meio de ensino e de aprendizagem (Borderie, 1997) (6) ”.

1- É indispensável uma formação técnica nos campos a) das ferramentas de navegação; b) do tratamento de texto; c) da recolha de dados.

2- A formação do aluno para uma pesquisa documental multimédia implica também uma formação no campo da “construção de saberes” (Carrier; Lafage 1997) (7) . Para isso, o aluno deve aprender a:

– construir uma pesquisa a fim de obter documentos pertinentes;

– organizar e relacionar os documentos recolhidos;

– verificar a origem dos documentos;

– formular opiniões críticas;

– confrontar estas informações com as de outras fontes;

– realizar um documento de síntese.

É claro que neste trabalho de formação do aluno, o professor tem um papel decisivo. No CRE, mas também na sala de aula equipada com as TIC, cabe ao professor:

– orientar o aluno, dando-lhe pistas e objectivos concretos;

– estabelecer com o aluno uma relação baseada na confiança, no conselho e no acompanhamento;

– propor o reforço de certas noções abordadas nas aulas;

– propor a realização de projectos de investigação documental informatizada, para desenvolver a sua motivação, associar o domínio de ferramentas informáticas à procura de informações precisas, e finalmente, melhorar a sua competência de leitura.

– abordar projectos baseados na análise crítica e comparativa dos media (televisão, imprensa e Internet) de parceria com os professores de cada disciplina.

A confrontação de suportes diversos, tais como os documentos obtidos na Internet, artigos da imprensa, livros e outros documentos, permite ao aluno escolher em função da sua pesquisa, o documento que lhe parece mais adaptado. Porém, a tarefa do aluno torna-se cada vez mais complexa, com tanta variedade de fontes de informação. Por isso, uma ideia é propor-lhe a comparação dos vários suportes tendo em conta critérios de rapidez de acesso à informação, riqueza do conteúdo e validade das informações, o que lhe permitirá desenvolver o seu espírito crítico.

Além de contribuir para formação dos alunos, o CRE também pode (e deve) ser um espaço privilegiado para a formação de professores. Para que os professores deixem de “ter vergonha” (8) de utilizar as TIC, devem aproveitar os CRE para efectuarem a sua formação quer em acções de formação quer com uma prática sistemática, que poderá ser apoiada pelo(s) professor(es) responsável(eis) pelo CRE e, porque não, pelos próprios alunos.

Conclusão

Como ficou claro, a integração das TIC nos processos de aprendizagem pode constituir um factor de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, a escola tem de acompanhar as transformações sociais. A escola, por natureza lenta, analítica e virada para o passado, tem de ser capaz de se tornar mais atraente, diminuindo o fosso que a separa do mundo exterior onde o aluno vai absorver grande parte das informações que lhe interessam. Cabe à escola transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém o monopólio da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.

Para possibilitar um acesso igual à informação, a escola tem de conseguir combater as desigualdades existentes à partida, dando a todos os alunos “a possibilidade de recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação” (9) .

O simples fornecimento de equipamento informático às escolas não contribui automaticamente para atingir este objectivo.

Tal como aconteceu, em muitos casos, com a utilização pedagógica do audiovisual, se não forem preenchidas certas condições, a integração das TIC no sistema educativo poderá mesmo contribuir para agravar as desigualdades sociais. E, entre outras, essas condições são:

– uma correcta e actualizada formação dos professores;

– uma utilização das TIC devidamente planeada, inserida numa ampla estratégia educativa centrada no aluno;

– uma transformação da atitude da escola (e dos professores).

Esta transformação vai exigir que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.

Além desta inevitável mudança de atitude da parte da escola (e dos professores), termino com as palavras de Geneviève Jacquinot: “Os media só podem servir de fonte de acesso ao conhecimento se forem integrados, dentro ou fora da escola, no quadro de um projecto ou de uma metodologia. (…) É urgente definir uma nova função da escola na sociedade actual. A questão mais importante é a de saber como vamos fazer uma educação democrática para todos ou, pelo menos, para uma maioria. (…) Devemos construir um discurso sobre a nova função da escola na sociedade tecnológica e criar práticas novas. Uma “educação para os media” bem controlada, exigente, pode ajudar-nos muito nessa tarefa (Jacquinot, 1995)” (10) .

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Notas

(1) Tardif, Jacques (1998) Intégrer les nouvelles technologies de l’information. Quel cadre pédagogique?, Paris, ESF.

(2) Borderie, René de la (1997) Education à l’image et aux médias, Paris, Nathan.

(3) Borderie, René de la, op. cit.

(4) Carrier, Jean-Pierre (1997)”Les cédéroms dans le biberon : le multimédia et l’éveil des tous-petits.”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris : Retz, CEMEA , p. 69.

(5) Carrier, Jean-Pierre (1998) “S’informer et communiquer”, Vers l’Education Nouvelle, nº 487, 7.

(6) Borderie, René de la, op. cit.

(7) Carrier, Claire; Lafage, Claire ”Le CDI à l’heure du multimédia”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, pp 39-41.

(8) Um estudo recente efectuado pela Universidade de Aveiro, revela que a principal dificuldade dos professores na utilização das TIC em ambiente escolar é a “vergonha”. Vergonha de demonstrar perante os alunos a escassa habilidade no uso de computadores e afins. A amostra deste estudo foram 101 professores no distrito de Aveiro, dos quais apenas um tinha usado o computador para “navegar “ na Internet, sendo que os restantes só usavam computadores para tarefas administrativas. (In Correio da Educação, nº 14, 18/10/99, p. 4.)

(9) Livro Verde da Sociedade da Informação , Ministério da Ciência e Tecnologia.

(10) Jacquinot, Geneviève (1995) “De la nécessité de rénover l’éducation aux médias”, revue Communication, 16, Québec, Univ. Laval.

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Fonte: http://www.univ-ab.pt/~porto/textos/Leonel/Pessoal/tic_cre.htm