>Revolução Silenciosa

>Olá Amigos

Vivemos num mundo, onde em muitos aspectos e parecido com o mundo em que viveram os nossos pais e avós. Mas muitas invenções feitas nesse século mudaram o modo de relacionar e principalmente ensinar.

Os computadores, a internet e outras tecnologias relacionadas à telecomunicação encontram-se mudando tudo em quase todos os setores da sociedade. É como não podia deixar de ser a escola e em particular a Educação no Rio de Janeiro  está sofrendo com esse avanço tecnológico.

Atualmente estamos assistindo a uma revolução educacional e cultural que se caracteriza pelo amplo uso das tecnologias da informação e comunicação. O conhecimento é um fator importante de produção nessa sociedade. Ainda que não pareça tão evidente para alguns, essas mudanças estão presentes no nosso dia a dia, transformando o mundo em que vivemos todo dia um pouquinho mais.

Para alguns de nós educadores, elas podem não parecer tão importantes ou significativas, mas de alguma forma esse avanço tecnológico está mudando o nosso jeito de aprender e ensinar e com isso profissional de educação deve se especializar sempre. Isto nos convida a mudar o papel de transmissor de conhecimentos para o gestor de aprendizagem. A figura do transmissor de conhecimento e da importância da memorização vai perdendo força.

Estar preparado é sim uma obrigação do professor. Precisamos entender que escola deve ser a responsável pela formação não somente de seus estudantes, mas também de suas famílias, de professores, das pessoas em seu entorno e da comunidade de educação.

Formar para integrar e consolidar diferentes possibilidades de parcerias usando para isso todos os recursos disponíveis.

Criar uma rede de conhecimento que descentralize da escola o saber. Assim, os professores podem aprender com as crianças, as famílias, com os professores, a comunidade, com as famílias e a escola, com a comunidade criando assim uma teia de saberes e conhecimentos.

Abraços

Robson Freire

Revolução Silenciosa

Olá Amigos

Vivemos num mundo, onde em muitos aspectos e parecido com o mundo em que viveram os nossos pais e avós. Mas muitas invenções feitas nesse século mudaram o modo de relacionar e principalmente ensinar.

Os computadores, a internet e outras tecnologias relacionadas à telecomunicação encontram-se mudando tudo em quase todos os setores da sociedade. É como não podia deixar de ser a escola e em particular a Educação no Rio de Janeiro  está sofrendo com esse avanço tecnológico.

Atualmente estamos assistindo a uma revolução educacional e cultural que se caracteriza pelo amplo uso das tecnologias da informação e comunicação. O conhecimento é um fator importante de produção nessa sociedade. Ainda que não pareça tão evidente para alguns, essas mudanças estão presentes no nosso dia a dia, transformando o mundo em que vivemos todo dia um pouquinho mais.

Para alguns de nós educadores, elas podem não parecer tão importantes ou significativas, mas de alguma forma esse avanço tecnológico está mudando o nosso jeito de aprender e ensinar e com isso profissional de educação deve se especializar sempre. Isto nos convida a mudar o papel de transmissor de conhecimentos para o gestor de aprendizagem. A figura do transmissor de conhecimento e da importância da memorização vai perdendo força.

Estar preparado é sim uma obrigação do professor. Precisamos entender que escola deve ser a responsável pela formação não somente de seus estudantes, mas também de suas famílias, de professores, das pessoas em seu entorno e da comunidade de educação.

Formar para integrar e consolidar diferentes possibilidades de parcerias usando para isso todos os recursos disponíveis.

Criar uma rede de conhecimento que descentralize da escola o saber. Assim, os professores podem aprender com as crianças, as famílias, com os professores, a comunidade, com as famílias e a escola, com a comunidade criando assim uma teia de saberes e conhecimentos.

Abraços

Robson Freire

Léa Fagundes: “O professor deve tornar-se um construtor de inovações”

Pioneira do uso da informática em sala de aula e com quase 60 anos de magistério, a gaúcha Léa da Cruz Fagundes é coordenadora do Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde nasceu o Projeto Amora, em parceria com os professores do Colégio de Aplicação. Presidente da Fundação Pensamento Digital e consultora de programas federais de inclusão digital em escolas públicas, Léa também é coordenadora pedagógica do projeto Escola, Conectividade e Sociedade da Informação (ECSIC). Inspirado no Amora, o projeto atingiu 10 mil alunos de 25 escolas municipais de Porto Alegre. Nesta entrevista, ela fala sobre as transformações profundas que as tecnologias digitais estão operando nos processos de aprendizagem e na reinvenção da escola.”Na cultura da sociedade conectada a aprendizagem se dá no contexto de vida, e o cidadão precisa ser um aprendiz permanente”.

MIDIATIVA – Qual a relação conceitual entre o projeto Amora e o Escola, Conectividade e Sociedade da Informação?

LÉA FAGUNDES – A concepção do AMORA explicita a busca da interdisciplinaridade, a substituição da organização hierárquica e repressora, que mantém a dependência e a submissão, pela organização heterárquica, que estimula a participação cooperativa e solidária, promove a autonomia e a responsabilidade da autoria.

Assim, o AMORA foi concebido pela comunidade de professores do Colégio de Aplicação e de pesquisadores da UFRGS em 1996/97 e passou a servir como experimento piloto do Projeto EducaDi/CNPQ 97/98. Neste último, 10 escolas públicas de quatro cidades, Fortaleza (CE), São Carlos (SP), Porto Alegre e Novo Hamburgo (RS), iniciaram o uso da Informática conectadas pela Internet aplicando os subsídios da experiência do AMORA, em diferentes aspectos e em diferentes níveis de transição. Os resultados do AMORA serviam como referência tanto para a metodologia de uso da Internet quanto para as novas definições das funções dos professores e as produções dos alunos. Nele delineamos uma metodologia social – a metodologia dos Projetos de Aprendizagem.

O Projeto Escola, Conectividade e Sociedade da Informação tem a mesma concepção do AMORA, acrescentando-se a dimensão da comunicação colaborativa e efetiva entre as comunidades das outras escolas do sistema municipal de ensino amplamente conectadas à rede digital.


MIDIATIVA – Qual é o objetivo deste projeto?


LÉA FAGUNDES – O objetivo principal do ECSIC (Escola, Conectividade e Sociedade da Informação) é disseminar e testar a aplicação dos resultados das pesquisas do LEC (Laboratório de Estudos Cognitivos) e do CAP (Colégio de Aplicação) no sistema de ensino de uma cidade inteira. Procuramos respostas aos problemas: “Escolas públicas que atendem às populações carentes e discriminadas de uma grande cidade podem encontrar novos e poderosos recursos para melhorar seu atendimento aos alunos com o uso das tecnologias digitais? Como reestruturar seus espaços, a distribuição dos tempos, a grade curricular para facilitar a prática de novas concepções de ensino?”

A concepção do AMORA e do Escola e Conectividade segue uma outra lógica. Não é mais a lógica do individualismo e da competição em que os mais fortes são privilegiados e os fracos são excluídos. Não é a lógica do atendimento de massa em que uma sala abriga uma classe organizada como se fosse “homogênea”, considerando apenas “idade e nível de escolaridade”, a quem é ensinado o mesmo conteúdo, da mesma forma, ao mesmo tempo, a todos os alunos, no mesmo espaço. O conteúdo é o centro do processo, é ordenado em seqüências lineares, de modo compartimentalizado e descontextualizado. O suporte da produção é o plano estável do papel e a comunicação e as trocas são restritas.

No AMORA, e nas tentativas do Escola e Conectividade, busca-se o atendimento à atividade do aluno, como sujeito integrando o coletivo no centro do processo. Os espaços e os tempos precisam ser flexíveis para que os alunos se organizem em pequenos grupos e se reorganizem continuamente em função de seus interesses e necessidades. As condições de espaços e tempos são planejadas semanalmente pelos professores para facilitar o atendimento a pequenos grupos por diferentes especialistas. O suporte da produção dos alunos é o meio digital, dinâmico, em que a comunicação ampla e as trocas recíprocas são naturais, facilitadas e estimuladas. A própria concepção dos projetos é realimentada e reconstruída continuamente na dinâmica de seus desenvolvimentos e das trocas entre os pares, internas e externas, em constante reconstrução.

MIDIATIVA – Como funciona a parceria com as 25 escolas municipais de Porto Alegre? Quantos alunos ela atende?

LÉA FAGUNDES –A Prefeitura de Porto Alegre tem 54 escolas de ensino fundamental e 2 de ensino médio. O critério para integrar o projeto é a adesão espontânea da Escola. Neste primeiro ano de 2003, 25 escolas foram aderindo durante o ano. A parceria está baseada num Convênio oficial celebrado entre a Secretaria Municipal de Educação (SMED) de Porto Alegre e o LEC/UFRGS.

O BNDES concede à Prefeitura de Porto Alegre fundos para bolsas de Iniciação Científica, Mestre e Doutor. Estas bolsas garantem a formação de equipes de orientadores, tutores e monitores que acompanham o trabalho em cada uma das escolas, apoiando os professores em serviço. Ao mesmo tempo recursos em software, ambientes virtuais interativos de aprendizagem, recursos de comunicação e repositórios das produções estão disponíveis no servidor da rede, em tempo integral.

A SMED oferece uma Coordenação pedagógica de Informática na Educação e uma equipe de 5 assessores, com equipamentos conectados a Internet para articular as interações entre a Universidade e as Escolas parceiras. Neste ano de 2003 conseguimos atingir 10 mil alunos. Mas atingir não quer dizer atender. O atendimento dedicado depende da conquista dos gestores das escolas e da confiança dos professores na necessidade das mudanças. Depende da paixão que o processo suscita nos professores para que superem seus medos e incertezas, despertem a consciência sobre o condicionamento milenar que sofreram, comecem a sonhar e tomem decisões de correr riscos em busca das transformações da Escola.

MIDIATIVA – De que forma o uso das novas tecnologias, principalmente a Internet, está mudando as formas de aprendizado e as relações entre alunos e professores?

LÉA FAGUNDES – Com o uso das novas tecnologias digitais, a atividade humana muda. E muda numa velocidade nunca antes imaginada pelo homem. Na verdade é uma mudança de cultura que está constituindo a sociedade conectada, a sociedade do conhecimento. A quantidade de megabytes de informação produzidos só nos últimos dois anos supera a quantidade de informação produzida em toda nossa história.

Já as “formas de aprender” são desconhecidas pela maioria dos educadores por falta de estudos sobre ciência cognitiva e conhecimentos sobre as relações mente, cérebro e sentimentos. Mas, em nossos estudos ao longo dos últimos 20 anos no LEC, com o uso das tecnologias temos conseguido conhecer melhor as “formas de aprender”, isto é, as formas como a inteligência humana naturalmente constrói o conhecimento. Só as estudando podemos ir acompanhando os efeitos do uso dessas tecnologias e, sobretudo da Internet. No entanto não podemos afirmar que sejam “novas formas”, porque pode ser o enriquecimento das possibilidades e um desenvolvimento efetivo que as formas naturais de aprender apresentam, mas que não são consideradas pelo tratamento do ensino tradicional.

Em resumo, uma nova inteligência está aparecendo na criança desta cultura e o homem dos próximos tempos disporá de novas formas de “pensar”. O funcionamento cognitivo é sistêmico, dinâmico e complexo e só se desenvolve na e pela interação. As condições de interação são determinantes tanto para o funcionamento atual quanto para a potencialização da genética de um aprendiz. Nas concepções da Escola e dos sistemas de ensino as “relações entre professores e alunos” são determinantes para o processo interativo de desenvolvimento de um novo aprendiz.

Na cultura da sociedade conectada a aprendizagem se dá no contexto de vida e o cidadão precisa ser um aprendiz permanente. A formação é continuada. Não existe mais “conclusão” e formatura. O papel do professor que detém a autoridade do saber e decide o que, como e quando o aluno deve aprender está superado. O professor precisa ser também um aprendiz, com todas as incertezas, um formulador de dúvidas tal como seus alunos, um parceiro. Suas novas funções, no entanto, são exigentes: ele precisa tornar-se o orientador confiável, um negociador nas buscas, na problematização e testagens das informações disponíves nas fontes da rede mundial e, sobretudo, nas buscas de novas respostas. As novas relações necessitam se constituir em respeito mútuo, considerações de reciprocidade que garantam a cooperação e a solidariedade na escolha dos conteúdos a estudar, e nas tomadas de decisões sobre como estudá-los para também produzir novas informações.

MIDIATIVA – Que dificuldades enfrentam os professores na capacitação para o uso de tecnologias de informação em sala de aula?

LÉA FAGUNDES – Trata-se de uma mudança de cultura, mudanças de concepções, de um novo paradigma! Esta situação provoca instabilidade e muitas incertezas. Toda a formação dos professores tem sido feita em cima de certezas, de princípios estabelecidos para a preservação, para a conservação, na concepção de que um bom professor deve conhecer mais profundamente o que vai ensinar. É corrente afirmar-se que os professores estão mal preparados porque não “dominam” os conteúdos que ensinam. Além disso ele também deve ter um bom “domínio” de sua classe de alunos, para manter a disciplina, referindo-se ao “bom comportamento” dos alunos. E nesta formação eles dominam também os materiais pedagógicos, manejam bem as tecnologias de ensino.

Ora, frente às tecnologias digitais, nunca se domina completamente o equipamento, e muito menos se consegue um controle seguro sobre seus usuários. Isto é também assustador. O professor se amedronta ante suas fragilidades no controle de mudanças imprevistas. Então resiste, buscando defender-se. E passa a solicitar cursos, formações. Ele, que ensina e acredita no que faz, quer também ser ensinado: quer aulas, quer materiais didáticos, quer diretrizes de software educativo e manuais, tutoriais.

Em nossa concepção, o auxílio de que o professore precisa, e merece receber, deve se constituir num apoio em serviço e em experiências de capacitação, em que ele possa experimentar por si mesmo as novas práticas de uso das tecnologias na educação, interagindo com seus pares na realidade de sua escola. Essa formação precisa ser compartilhada, mantendo-se a comunicação na rede para sustentar os questionamentos e as reflexões pertinentes. Para tornar-se um orientador da construção de conhecimento de seus alunos, ele precisa também tornar-se um construtor de inovações.

MIDIATIVA – Como você avalia o desenvolvimento dos alunos que são estimulados a buscar o conhecimento na Internet e a lidar com mídias interativas em geral?

LÉA FAGUNDES – Pode não acontecer desenvolvimento, mas a degradação. O desenvolvimento do aluno não depende da mídia, mas dos usos que ele faça dessas mídias. Vai depender das formas de intervenção dos educadores, dos contextos em que eles interajam, da atenção, do cuidado e dedicação que recebam.

Por isso, o paradigma precisa ser bem explicitado: os alunos terão liberdade de acesso e de escolha, mas para que vão usar sua facilidade de apropriação? Se continuarem sendo oprimidos, reprimidos, controlados, punidos e desrespeitados, vão lutar por liberdade e independência, tentar quebrar os elos das correntes…Então, desprotegidos e sem limites, ingressam nas atmosferas das enfermidades sociais.

Entretanto, quando a intervenção é ética, acolhedora e imaginativa, a liberdade é compartilhada, o processo de desenvolvimento se expressa em múltiplas formas: a curiosidade pelo conhecimento, o desejo de aprender, o desejo e a habilidade de formular questões, o respeito aos diferentes, as competências para realizar trocas usando diferentes sistemas de códigos, o trabalho colaborativo em grupos, a competência para buscar as informações relevantes, para fundamentar suas escolhas, de planejar, realizar e documentar seus próprios projetos de pesquisa, a apropriação dos recursos tecnológicos para utilizar em suas próprias produções, a criatividade na autoria e na publicação de suas produções, etc.

MIDIATIVA – Com a construção e publicação de sites próprios, os alunos não apenas aprendem a operar programas, mas também se constituem como autores de conteúdo. Que tipo de impacto esse processo gera?

LÉA FAGUNDES – No paradigma construtivista os equipamentos eletrônicos não devem servir para o consumo dos usuários. A tecnologia não vai ensinar ao aprendiz. Trata-se do oposto – o aprendiz vai dominar a tecnologia, vai ensiná-la, colocando-a a seu serviço. Ela é a parte do contexto dependente do humano para servi-lo em seus objetivos sem restrições. Suas resistências devem ser superadas e sua apropriação disseminada o mais amplamente possível com justiça e ética sociais. Esse será o maior impacto: os homens não precisarão dominar uns aos outros para ter escravos e afirmar seus poderes na sociedades. Eles têm seus escravos com os robôs a seu serviço. Ora, se um aluno pode ser um autor e as trocas são possíveis, livres e consistentes, a autoria também pode ser compartilhada. Não existe mais a necessidade da “propriedade intelectual” como um bem de mercado. O capital do conhecimento não se perde quando é compartilhado, pelo contrário, ele se multiplica. Um aluno, quando se torna autor, aumenta o poder de sua “auto-estima” porque ele também é capaz de produzir. Então se torna competente para conviver e compartilhar com outros autores em harmonia e com solidariedade.

Fonte: http://www.midiativa.tv/blog/?p=341

Educacao, ainda precisamos do velho modelo?

Olá Amigos

Por indicação do amigo Hélio Paz (@heliopaz) cheguei ao texto indicado e depois de ler o texto (que está abaixo) me vi fazendo a pergunta que encabeça a postagem. Então fiz uma coisa, resolvi separar os topicos e ir colocando minha opinião mas detalhada sobre o texto. Mas então aproveita e faz uma coisa: Comenta ai.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Educacao, ainda precisamos do velho modelo?                                                            

Alunos que não entendem o enunciado

24 de outubro de 2006, 16:46

Grande parte dos alunos entre 17 e 21 anos tem dificuldade na interpretação de textos. Como o futuro profissional de tecnologia poderá desempenhar tarefas e trabalhar em equipe?

http://www.dificuldadedeaprendizagem.com/images/dificuldade-de-aprendizagem.jpg


Por Sthefan Berwanger

Todo ano é a mesma coisa: grande parte dos alunos matriculados em cursos superiores de tecnologia ou no bacharelado apresenta problemas na interpretação de textos.

A situação é terrível e desanimadora: em um simples texto de três linhas não se consegue identificar o que é dado e o que está sendo pedido.

Logo que comecei a lecionar não acreditava no que estava acontecendo. Afinal, a palavra estava lá escrita, clara e imutável, e as orações continham todos os elementos essenciais na ordem correta: sujeitos, verbos e predicados.

Em princípio pensei em duas hipóteses: ou era implicância dos alunos com a minha pessoa, ou os textos apresentados eram herméticos demais, sobretudo para turmas de primeiro ano.

O universo de alunos a que me refiro é composto em grande parte por jovens recém saídos do ensino médio, com idade entre 17 e 21 anos, e por uma parcela um pouco menor que tem entre 22 e 29 anos. Não é raro turmas com alunos já na faixa dos 30 ou 40 anos — e neste pequeno grupo o desempenho interpretativo é um pouco melhor, mas ainda assim segue abaixo do esperado.

Tem que entender o texto

O estudante que obtém diploma em um curso superior de tecnologia precisa, entre outras habilidades e competências, saber criar soluções adequadas aos inúmeros problemas inerentes à sua atividade profissional.

Para que esse processo ocorra satisfatoriamente, ele precisa primeiro entender o problema que quase sempre vem documentado na forma escrita. Precisa extrair as informações de que necessita e refletir sobre os caminhos que o levarão à solução.

A ditadura

Como docente, nunca havia questionado a origem desta dificuldade, até o dia em que li a entrevista do psicólogo Carlos Perktold (1) que trata justamente da dificuldade da geração pós 1964 em entender o que lê. Segundo o artigo, este fenômeno não ocorre exclusivamente na população com baixa escolaridade, não é catalogável como doença e nem é uma característica de pessoas com déficit intelectual; é sim um fenômeno intelectual de toda uma geração.

O argumento principal dado na entrevista é que após o golpe militar de 1964 houve uma castração cultural e política da geração nascida após esse período, capaz de causar um desestímulo ao hábito da leitura e por conseqüência prejudicar a capacidade crítica.

Disciplinas como Filosofia e Sociologia foram retiradas do currículo do antigo ensino clássico, atual ensino médio, porque o regime não estaria interessado na formação de pessoas capazes de analisar idéias, refletir sobre os conceitos sociais e atuar politicamente.

A televisão

Foi também a partir desse período, com o barateamento dos aparelhos, que a televisão ampliou sua participação dentro da população brasileira. O processo de expansão, que resultou na televisão como meio de comunicação de massa, se estendeu pelas décadas seguintes, com as transmissões via satélite, a melhoria da qualidade técnica e de conteúdo e a maior variedade de programas.

Desta forma, os recursos audiovisuais tomaram o lugar do texto escrito e surge então uma geração que entende o que ouve, mas não o que lê. Pode-se argumentar que o rádio também poderia ter o mesmo efeito que a televisão, mas segundo Perktold, o rádio pelo fato de não carregar a imagem, estimula o ouvinte a imaginar, fantasiar e pensar.

O que o docente pode fazer?

Então como contornar o problema? Infelizmente não é possível reverter o cenário em apenas um semestre, sobretudo pelo esforço de apenas um professor. É preciso lembrar que os educandos se submeteram, ano após ano, à mesma rotina de exposição exagerada à televisão e ausência de (boa) leitura e cultura em geral. Tentar obrigá-los a engolir textos e mais textos e a formar uma opinião crítica pode ser uma violência, com todas as suas consequências.

O que costumo fazer é explicar o mesmo exercício várias vezes, sob vários ângulos, fazer comparações e criar metáforas e analogias que tenham a ver com o universo concreto deles.

Muitas vezes dou sugestões de leitura online e off-line, indico bibliotecas públicas e também estimulo visitas a eventos culturais gratuitos, pois uma grande parte dos alunos é financeiramente carente e depende de bolsa de estudos.

Outra solução adotada é criar pequenos enunciados matemáticos com o objetivo específico de treiná-los na identificação do que é dado, e do que é pedido.

Algo bem simples, como por exemplo:

“Dada a equação z = x + y. Sabendo que x vale 4 e y vale 7, quanto vale z?”.
A internet

Falando um pouco do presente, com vistas ao futuro, está em curso uma mudança importante: o surgimento da mídia digital que gradativamente vem tomando o espaço da televisão.

A sua principal característica é a descentralização da audiência e a produção de mídia para públicos específicos. Com essa mudança de modelo em curso, seria interessante observar como a geração nascida durante a revolução tecnológica irá aprender e se comportar criticamente nesse meio, que oferece um número gigantesco de opções a respeito do que se quer ver, ler ou ouvir. [Webinsider]

Referência bibliográfica

(1) PERKTOLD, C. Assisto, logo existo. Revista Carta Capital, 7jul. 2004, n. 298, p.28-29.

Sobre o autor

Sthefan Berwanger (sthefan.berwanger@xporcento.com.br) é responsável pela área de BI da X Porcento e é professor do programa de pós-graduação pela Faculdade Impacta Tecnologia.

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/10/24/alunos-que-nao-entendem-o-enunciado/

>Alunos que não entendem o enunciado

>24 de outubro de 2006, 16:46

Grande parte dos alunos entre 17 e 21 anos tem dificuldade na interpretação de textos. Como o futuro profissional de tecnologia poderá desempenhar tarefas e trabalhar em equipe?

http://www.dificuldadedeaprendizagem.com/images/dificuldade-de-aprendizagem.jpg


Por Sthefan Berwanger

Todo ano é a mesma coisa: grande parte dos alunos matriculados em cursos superiores de tecnologia ou no bacharelado apresenta problemas na interpretação de textos.

A situação é terrível e desanimadora: em um simples texto de três linhas não se consegue identificar o que é dado e o que está sendo pedido.

Logo que comecei a lecionar não acreditava no que estava acontecendo. Afinal, a palavra estava lá escrita, clara e imutável, e as orações continham todos os elementos essenciais na ordem correta: sujeitos, verbos e predicados.

Em princípio pensei em duas hipóteses: ou era implicância dos alunos com a minha pessoa, ou os textos apresentados eram herméticos demais, sobretudo para turmas de primeiro ano.

O universo de alunos a que me refiro é composto em grande parte por jovens recém saídos do ensino médio, com idade entre 17 e 21 anos, e por uma parcela um pouco menor que tem entre 22 e 29 anos. Não é raro turmas com alunos já na faixa dos 30 ou 40 anos — e neste pequeno grupo o desempenho interpretativo é um pouco melhor, mas ainda assim segue abaixo do esperado.

Tem que entender o texto

O estudante que obtém diploma em um curso superior de tecnologia precisa, entre outras habilidades e competências, saber criar soluções adequadas aos inúmeros problemas inerentes à sua atividade profissional.

Para que esse processo ocorra satisfatoriamente, ele precisa primeiro entender o problema que quase sempre vem documentado na forma escrita. Precisa extrair as informações de que necessita e refletir sobre os caminhos que o levarão à solução.

A ditadura

Como docente, nunca havia questionado a origem desta dificuldade, até o dia em que li a entrevista do psicólogo Carlos Perktold (1) que trata justamente da dificuldade da geração pós 1964 em entender o que lê. Segundo o artigo, este fenômeno não ocorre exclusivamente na população com baixa escolaridade, não é catalogável como doença e nem é uma característica de pessoas com déficit intelectual; é sim um fenômeno intelectual de toda uma geração.

O argumento principal dado na entrevista é que após o golpe militar de 1964 houve uma castração cultural e política da geração nascida após esse período, capaz de causar um desestímulo ao hábito da leitura e por conseqüência prejudicar a capacidade crítica.

Disciplinas como Filosofia e Sociologia foram retiradas do currículo do antigo ensino clássico, atual ensino médio, porque o regime não estaria interessado na formação de pessoas capazes de analisar idéias, refletir sobre os conceitos sociais e atuar politicamente.

A televisão

Foi também a partir desse período, com o barateamento dos aparelhos, que a televisão ampliou sua participação dentro da população brasileira. O processo de expansão, que resultou na televisão como meio de comunicação de massa, se estendeu pelas décadas seguintes, com as transmissões via satélite, a melhoria da qualidade técnica e de conteúdo e a maior variedade de programas.

Desta forma, os recursos audiovisuais tomaram o lugar do texto escrito e surge então uma geração que entende o que ouve, mas não o que lê. Pode-se argumentar que o rádio também poderia ter o mesmo efeito que a televisão, mas segundo Perktold, o rádio pelo fato de não carregar a imagem, estimula o ouvinte a imaginar, fantasiar e pensar.

O que o docente pode fazer?

Então como contornar o problema? Infelizmente não é possível reverter o cenário em apenas um semestre, sobretudo pelo esforço de apenas um professor. É preciso lembrar que os educandos se submeteram, ano após ano, à mesma rotina de exposição exagerada à televisão e ausência de (boa) leitura e cultura em geral. Tentar obrigá-los a engolir textos e mais textos e a formar uma opinião crítica pode ser uma violência, com todas as suas consequências.

O que costumo fazer é explicar o mesmo exercício várias vezes, sob vários ângulos, fazer comparações e criar metáforas e analogias que tenham a ver com o universo concreto deles.

Muitas vezes dou sugestões de leitura online e off-line, indico bibliotecas públicas e também estimulo visitas a eventos culturais gratuitos, pois uma grande parte dos alunos é financeiramente carente e depende de bolsa de estudos.

Outra solução adotada é criar pequenos enunciados matemáticos com o objetivo específico de treiná-los na identificação do que é dado, e do que é pedido.

Algo bem simples, como por exemplo:

“Dada a equação z = x + y. Sabendo que x vale 4 e y vale 7, quanto vale z?”.
A internet

Falando um pouco do presente, com vistas ao futuro, está em curso uma mudança importante: o surgimento da mídia digital que gradativamente vem tomando o espaço da televisão.

A sua principal característica é a descentralização da audiência e a produção de mídia para públicos específicos. Com essa mudança de modelo em curso, seria interessante observar como a geração nascida durante a revolução tecnológica irá aprender e se comportar criticamente nesse meio, que oferece um número gigantesco de opções a respeito do que se quer ver, ler ou ouvir. [Webinsider]

Referência bibliográfica

(1) PERKTOLD, C. Assisto, logo existo. Revista Carta Capital, 7jul. 2004, n. 298, p.28-29.

Sobre o autor

Sthefan Berwanger (sthefan.berwanger@xporcento.com.br) é responsável pela área de BI da X Porcento e é professor do programa de pós-graduação pela Faculdade Impacta Tecnologia.

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/10/24/alunos-que-nao-entendem-o-enunciado/

Ainda precisamos do velho modelo de educação?

Irapuan Martinez, um velho amigo, sempre defendia a tese de que Internet se aprende na Internet, esta afirmativa ja faz quase dez anos. Por muito tempo argumentei que não era bem assim, afinal eu tinha um Centro de Treinamento Macromedia, e precisava defender o argumento de que aprendendo comigo era mais rápido.

http://radian.org/notebook/wp-content/uploads/20071128-IMG_1120.JPG

Mas o tempo passou e meu filho cresceu digitalmente livre, nunca instalei nenhum software de controle, e ele sempre teve o proprio computador. Ensinei-o a se defender digitalmente, e sobrevivemos. Ele usou esta liberdade para aprender à aprender. Na web ele aprendeu Perl, Ruby, C#, ActionScript 3, Modelagem de jogos, aprendeu a gerenciar e construir servidores de MMORPG, modelagem de mundos virtuais e agora estava no quarto aprendendo modelagem no Maya, e a cada dia me surpreende com uma novidade. Tudo isto com poucos livros, alias os poucos livros sobre o assunto continuam novinhos, ele não os usa, aprendeu tudo na Internet. O espirito do consumismo hedônico da nova geração nele se deu pelo conhecimento, ele é um devorador de conhecimento, mas não demonstra nenhum apego com ele, joga fora projetos sem a menor cerimonia.

Meu filho costuma chamar a escola dele de Jurasica, apesar de ter lousas digitais, não permite que o aluno use nenhum equipamento eletrônico em sala de aula. Ele não quer um notebook, pois não pode rodar os seus jogos prediletos, nem um mini notebook porque não o deixarão usar na sala de aula.

O que acabei de relatar do meu filho, é um retrato do que vem por ai, ele não é a media, faz parte de uma minoria digitalmente alfabetizada, a grande maioria dos amigos dele, avalio em 90% ainda utilizam a tecnologia sob a édige da ignorância arrogante, do preconceito midiaticamente construido, desta forma sempre tiveram a internet sob uma visão distorcida, uma internet como um mundo de perversidade e maldade, e repleta da bobagens e com nada para ensinar, azar o deles, sorte do meu filho.

E é no conflito destes dois mundos que foco meu artigo, que não tem objetivo conclusivo, apenas de levantar a discussão. A semente da questão se deu pelo último Descolagem de 2008, foram várias palestras interessantes e a do Luli, apesar dele aplicar uma dinâmica de locutor às suas palestras, pesquei muitos insights interessantes. Um deles foi sobre o que acontece com a tecnologia no ambiente educacional, foi mais ou menos assim:

O educador não entende a tecnologia, o desconhecimento apresenta-se como uma ameaça, e esta ameaça é respondida como o entendimento de que a tecnologia é nociva. Dai surge o bordão de que na Internet só tem bobagem, e que ela “come criancinhas”.

Na verdade sugiro que você leia sobre o Descolagem #3 Educação, e vejam os videos disponíveis, todos os palestrantes tiveram insights interessantes, foi um compartilhamento sublime de conhecimento.

Voltando à discussão, em breve mais crianças serão digitalmente alfabetizadas, com a ubiquidade do acesso à Internet, o computador é o único vilão que os papais dinossauros enxergam. Mas onde iremos chegar?

Simples, muito simples, como diz o Luli, as escolas são verdadeiras redes sociais, ninguem vai para a escola para aprender, vai para encontrar com os amigos, aprendem como consequencia. Alias é justamente no aprender e ensinar que esta a questão.

O modelo falido de educação no Brasil pode ficar pior, e corre o risco das crianças surpreenderem seus professores com informações e novidades que eles mesmos não sabiam. Alguns mitos foram e serão quebrados, e isto demanda uma reação rapida por parte dos educadore e escolas, é uma questão de sobrevivência, antes que eles se tornem obsoletos:

  1. Ensinar a aprender – Para muitos não existe outra opção, o professor precisa mastigar a informação e deposita-la na cabeça do aluno, mas isto é uma herança do secular sistema educional, onde um professor fala e os alunos escutam. É um mal tão sedimentado em nossa sociedade, que quando o professor tenta ser diferente, ensinando a aprender por exemplo, é criticado. Mas o certo é isto, é ensinar à aprender, aprendendo à aprender o aluno aprende a filtrar as informações, mas se o aluno aprender sozinho para que serve o professor?
  2. Orientador e motivador – O professor passa a atuar como um orientador e motivador, um instigador da curiosidade, ensina ao aluno a buscar informações relevantes, a confrontar as discordantes e principalmente o ensina à tirar suas próprias conclusões.
  3. Internet só tem bobagem – Acho que não tem bobagem maior do que esta afirmativa, e o pior é que as crianças estão descobrindo que estão sendo enganadas por seus professores, afinal não é bem assim. Tem bobagem sim, mas tem muita coisa relevante.
  4. A informação precisa ser sistematizada – Esta ai um caso curioso, a sistematização da informação para aplicação em sala de aula é uma herança do tempo que o acesso ao conhecimento era elitizado, hoje em dia muita gente compartilha informação relevante na web, e esta informação esta acessível a qualquer um. A essência esta em ensinar ao aluno à sistematizar estas informação, quem sabe um roteiro de pesquisa não ajude?
  5. Tecnologia tira a atenção do aluno – Na verdade o aluno esta acostumado a interagir, e a buscar informações com velocidade, a nova geração esta ficando multitarefa, é aquela geração que usa o computador assiste TV e ainda pode estar ouvindo música, tudo ao mesmo tempo, “zapeando” de um para o outro na hora em que um tiver algo relevante. Imagine este mesmo aluno sentado numa carteira assistindo a um único discurso vindo de uma única fonte, no caso o professor. Esta na hora de virar a tecnologia a favor da educação.
  6. Use as novas tecnologias – Não evite as tecnologias, a proibição de celular em sala de aula é uma grande bobagem, a nova geração é conectada, e diferente do que se preconizava, tem intensa vida social online, e tem boa parte do seu lazer digital em grupo. As escolas deveriam aprender com a industria dos Games, porque não uma aula por semana no Second Life? Porque não adaptar um MMORPG para ensinar história? Porque não pedir um trabalho de Geografia no Google Maps, ou modelo de física no Flash?

A questão é que não faço ideia de como pode ser o novo modelo de educação, não sou educador, sou publicitário e professor eventual, posso estar falando um monte de bobagens, mas ao menos emito minhas opiniões, compartilho minhas ideias, gosto de uma boa e construtiva discussão.

E você acha que o velho modelo educacional ainda sobrevive quantos anos?

Autor: João Carlos Caribé

Postado originalmente no blog Entropia!

Fonte: http://www.trezentos.blog.br/?p=269

>Ainda precisamos do velho modelo de educação?

>

Irapuan Martinez, um velho amigo, sempre defendia a tese de que Internet se aprende na Internet, esta afirmativa ja faz quase dez anos. Por muito tempo argumentei que não era bem assim, afinal eu tinha um Centro de Treinamento Macromedia, e precisava defender o argumento de que aprendendo comigo era mais rápido.

http://radian.org/notebook/wp-content/uploads/20071128-IMG_1120.JPG

Mas o tempo passou e meu filho cresceu digitalmente livre, nunca instalei nenhum software de controle, e ele sempre teve o proprio computador. Ensinei-o a se defender digitalmente, e sobrevivemos. Ele usou esta liberdade para aprender à aprender. Na web ele aprendeu Perl, Ruby, C#, ActionScript 3, Modelagem de jogos, aprendeu a gerenciar e construir servidores de MMORPG, modelagem de mundos virtuais e agora estava no quarto aprendendo modelagem no Maya, e a cada dia me surpreende com uma novidade. Tudo isto com poucos livros, alias os poucos livros sobre o assunto continuam novinhos, ele não os usa, aprendeu tudo na Internet. O espirito do consumismo hedônico da nova geração nele se deu pelo conhecimento, ele é um devorador de conhecimento, mas não demonstra nenhum apego com ele, joga fora projetos sem a menor cerimonia.

Meu filho costuma chamar a escola dele de Jurasica, apesar de ter lousas digitais, não permite que o aluno use nenhum equipamento eletrônico em sala de aula. Ele não quer um notebook, pois não pode rodar os seus jogos prediletos, nem um mini notebook porque não o deixarão usar na sala de aula.

O que acabei de relatar do meu filho, é um retrato do que vem por ai, ele não é a media, faz parte de uma minoria digitalmente alfabetizada, a grande maioria dos amigos dele, avalio em 90% ainda utilizam a tecnologia sob a édige da ignorância arrogante, do preconceito midiaticamente construido, desta forma sempre tiveram a internet sob uma visão distorcida, uma internet como um mundo de perversidade e maldade, e repleta da bobagens e com nada para ensinar, azar o deles, sorte do meu filho.

E é no conflito destes dois mundos que foco meu artigo, que não tem objetivo conclusivo, apenas de levantar a discussão. A semente da questão se deu pelo último Descolagem de 2008, foram várias palestras interessantes e a do Luli, apesar dele aplicar uma dinâmica de locutor às suas palestras, pesquei muitos insights interessantes. Um deles foi sobre o que acontece com a tecnologia no ambiente educacional, foi mais ou menos assim:

O educador não entende a tecnologia, o desconhecimento apresenta-se como uma ameaça, e esta ameaça é respondida como o entendimento de que a tecnologia é nociva. Dai surge o bordão de que na Internet só tem bobagem, e que ela “come criancinhas”.

Na verdade sugiro que você leia sobre o Descolagem #3 Educação, e vejam os videos disponíveis, todos os palestrantes tiveram insights interessantes, foi um compartilhamento sublime de conhecimento.

Voltando à discussão, em breve mais crianças serão digitalmente alfabetizadas, com a ubiquidade do acesso à Internet, o computador é o único vilão que os papais dinossauros enxergam. Mas onde iremos chegar?

Simples, muito simples, como diz o Luli, as escolas são verdadeiras redes sociais, ninguem vai para a escola para aprender, vai para encontrar com os amigos, aprendem como consequencia. Alias é justamente no aprender e ensinar que esta a questão.

O modelo falido de educação no Brasil pode ficar pior, e corre o risco das crianças surpreenderem seus professores com informações e novidades que eles mesmos não sabiam. Alguns mitos foram e serão quebrados, e isto demanda uma reação rapida por parte dos educadore e escolas, é uma questão de sobrevivência, antes que eles se tornem obsoletos:

  1. Ensinar a aprender – Para muitos não existe outra opção, o professor precisa mastigar a informação e deposita-la na cabeça do aluno, mas isto é uma herança do secular sistema educional, onde um professor fala e os alunos escutam. É um mal tão sedimentado em nossa sociedade, que quando o professor tenta ser diferente, ensinando a aprender por exemplo, é criticado. Mas o certo é isto, é ensinar à aprender, aprendendo à aprender o aluno aprende a filtrar as informações, mas se o aluno aprender sozinho para que serve o professor?
  2. Orientador e motivador – O professor passa a atuar como um orientador e motivador, um instigador da curiosidade, ensina ao aluno a buscar informações relevantes, a confrontar as discordantes e principalmente o ensina à tirar suas próprias conclusões.
  3. Internet só tem bobagem – Acho que não tem bobagem maior do que esta afirmativa, e o pior é que as crianças estão descobrindo que estão sendo enganadas por seus professores, afinal não é bem assim. Tem bobagem sim, mas tem muita coisa relevante.
  4. A informação precisa ser sistematizada – Esta ai um caso curioso, a sistematização da informação para aplicação em sala de aula é uma herança do tempo que o acesso ao conhecimento era elitizado, hoje em dia muita gente compartilha informação relevante na web, e esta informação esta acessível a qualquer um. A essência esta em ensinar ao aluno à sistematizar estas informação, quem sabe um roteiro de pesquisa não ajude?
  5. Tecnologia tira a atenção do aluno – Na verdade o aluno esta acostumado a interagir, e a buscar informações com velocidade, a nova geração esta ficando multitarefa, é aquela geração que usa o computador assiste TV e ainda pode estar ouvindo música, tudo ao mesmo tempo, “zapeando” de um para o outro na hora em que um tiver algo relevante. Imagine este mesmo aluno sentado numa carteira assistindo a um único discurso vindo de uma única fonte, no caso o professor. Esta na hora de virar a tecnologia a favor da educação.
  6. Use as novas tecnologias – Não evite as tecnologias, a proibição de celular em sala de aula é uma grande bobagem, a nova geração é conectada, e diferente do que se preconizava, tem intensa vida social online, e tem boa parte do seu lazer digital em grupo. As escolas deveriam aprender com a industria dos Games, porque não uma aula por semana no Second Life? Porque não adaptar um MMORPG para ensinar história? Porque não pedir um trabalho de Geografia no Google Maps, ou modelo de física no Flash?

A questão é que não faço ideia de como pode ser o novo modelo de educação, não sou educador, sou publicitário e professor eventual, posso estar falando um monte de bobagens, mas ao menos emito minhas opiniões, compartilho minhas ideias, gosto de uma boa e construtiva discussão.

E você acha que o velho modelo educacional ainda sobrevive quantos anos?

Autor: João Carlos Caribé

Postado originalmente no blog Entropia!

Fonte: http://www.trezentos.blog.br/?p=269

O aparente e o real no mundo digital

José Manuel Moran

Educador humanista inovador

Complemento do meu livro Desafios na Comunicação Pessoal . 3ª São Paulo: Paulinas, 2007.

Cada vez é mais difícil perceber o que é real e o que aparente. Os afetos verdadeiros dos movidos por outros interesses. É difícil separar o que é divulgação de exibicionismo, no mundo físico e no digital. Blogs são ótimos para divulgação, mas vemos tanto exibicionismo, tanta necessidade de se mostrar!. Parece que se não nos percebem, não existimos. E que se não bisbilhotamos a vida dos outros, nos falta algo.

Estamos, sem dar-nos conta, mais voltados para fora de nós do que para nós mesmos. Agitamo-nos, olhando-nos o tempo todo no espelho dos outros. É importante ter retornos, mas não a qualquer preço e, principalmente, não forçando o que não somos, violentando nosso jeito de ser, querendo aparentar o que não é autêntico em nós.

Há uma mudança de ênfase hoje na divulgação da intimidade. Todos tínhamos um lado público, que se expressava mais no profissional e nos diversos ambientes sociais nos quais nos movíamos. Havia também um ambiente privado, o familiar, o pessoal, muitas vezes indevassável, desconhecido pela maioria.

Agora com as redes sociais, os blogs, o Youtube, o Twitter e tantas outras possibilidades de divulgar e ver em tempo real, não há quase distinção entre o público e o privado, entre o que é real e o que é aparente. Há uma febre por divulgar-se, autopromover-se, mostrar-se o tempo todo e ao mesmo tempo por xeretar a vida dos outros, por compartilhar e bisbilhotar ao mesmo tempo, cujas manifestações mais paradigmáticas hoje são os reality shows, os Big Brothers. O Twitter é uma rede social de comunicações curtas, nervosas, que mostra a banalidade do cotidiano. E se formam redes de pessoas que acompanham essas mensagens, e que monitoram cada passo que divulgamos.

Cada vez agimos mais para nos mostrar do que para nos esconder. Se sabemos que vamos ser vistos, lidos ou bisbilhotados nosso comportamento não será “autêntico”, será direcionado para o espetáculo do voyeurismo. Quando sabemos que há câmeras nos filmando passamos a atuar, de alguma forma. As câmeras, as telas que nos mostram orientam nosso dia a dia, como protagonistas ou consumidores de informação, como criadores de mensagens ou como observadores da vida alheia.

Muitos devem olhar para este texto como se fosse saudosista, como se não compreendesse que estamos em época de grandes mudanças, que as pessoas gostam de criar grandes redes de amigos virtuais, e que toda essa efervescência é natural, dada a facilidade de tornar-se visível e a necessidade de sermos valorizados.

Entendo perfeitamente esta efervescência. Preocupa-me o que está por baixo do frenético movimento destas trocas virtuais. Estamos tendo tempo para nós? para conhecer-nos de verdade? Para selecionar melhor, refletir, aprofundar, avaliar o que vale a pena entre tantas possibilidades? Encontramos tempo também para as pessoas reais ao nosso lado, com suas contradições e afetos concretos?

Há muitas mudanças acontecendo e não podemos ignorá-las ou condená-las. Só estou chamando a atenção para uma inversão de valores, que pode nos prejudicar como pessoas e sociedade. Não seria melhor depender menos da quantidade de olhares dos outros, e mais da qualidade desses olhares?. Não seria melhor valorizar mais qualidade do que quantidade em tudo? Por que precisamos de centenas ou milhares de amigos virtuais? Não valeria mais a pena cuidar dos poucos amigos verdadeiros que nos acompanham de verdade nos bons e nos maus momentos e que talvez não estão inscritos nas nossas redes digitais? Por que precisamos aparecer sempre e bisbilhotar tanto? Talvez para não encarar a profunda solidão existencial que sentimos quando estamos sós, sem toda essa intrincada parafernália tecnológica que nos sustenta.

O que é real e o que é aparente? Não é fácil distinguir, mas se não acharmos tempo para refletir mais, para valorizar as coisas simples da vida, corremos o risco de agitar-nos demais e de perder nossa identidade no redemoinho efervescente da construção social digital.

Fonte: http://www.eca.usp.br/prof/moran/aparente.htm

>O aparente e o real no mundo digital

>

José Manuel Moran

Educador humanista inovador

Complemento do meu livro Desafios na Comunicação Pessoal . 3ª São Paulo: Paulinas, 2007.

Cada vez é mais difícil perceber o que é real e o que aparente. Os afetos verdadeiros dos movidos por outros interesses. É difícil separar o que é divulgação de exibicionismo, no mundo físico e no digital. Blogs são ótimos para divulgação, mas vemos tanto exibicionismo, tanta necessidade de se mostrar!. Parece que se não nos percebem, não existimos. E que se não bisbilhotamos a vida dos outros, nos falta algo.

Estamos, sem dar-nos conta, mais voltados para fora de nós do que para nós mesmos. Agitamo-nos, olhando-nos o tempo todo no espelho dos outros. É importante ter retornos, mas não a qualquer preço e, principalmente, não forçando o que não somos, violentando nosso jeito de ser, querendo aparentar o que não é autêntico em nós.

Há uma mudança de ênfase hoje na divulgação da intimidade. Todos tínhamos um lado público, que se expressava mais no profissional e nos diversos ambientes sociais nos quais nos movíamos. Havia também um ambiente privado, o familiar, o pessoal, muitas vezes indevassável, desconhecido pela maioria.

Agora com as redes sociais, os blogs, o Youtube, o Twitter e tantas outras possibilidades de divulgar e ver em tempo real, não há quase distinção entre o público e o privado, entre o que é real e o que é aparente. Há uma febre por divulgar-se, autopromover-se, mostrar-se o tempo todo e ao mesmo tempo por xeretar a vida dos outros, por compartilhar e bisbilhotar ao mesmo tempo, cujas manifestações mais paradigmáticas hoje são os reality shows, os Big Brothers. O Twitter é uma rede social de comunicações curtas, nervosas, que mostra a banalidade do cotidiano. E se formam redes de pessoas que acompanham essas mensagens, e que monitoram cada passo que divulgamos.

Cada vez agimos mais para nos mostrar do que para nos esconder. Se sabemos que vamos ser vistos, lidos ou bisbilhotados nosso comportamento não será “autêntico”, será direcionado para o espetáculo do voyeurismo. Quando sabemos que há câmeras nos filmando passamos a atuar, de alguma forma. As câmeras, as telas que nos mostram orientam nosso dia a dia, como protagonistas ou consumidores de informação, como criadores de mensagens ou como observadores da vida alheia.

Muitos devem olhar para este texto como se fosse saudosista, como se não compreendesse que estamos em época de grandes mudanças, que as pessoas gostam de criar grandes redes de amigos virtuais, e que toda essa efervescência é natural, dada a facilidade de tornar-se visível e a necessidade de sermos valorizados.

Entendo perfeitamente esta efervescência. Preocupa-me o que está por baixo do frenético movimento destas trocas virtuais. Estamos tendo tempo para nós? para conhecer-nos de verdade? Para selecionar melhor, refletir, aprofundar, avaliar o que vale a pena entre tantas possibilidades? Encontramos tempo também para as pessoas reais ao nosso lado, com suas contradições e afetos concretos?

Há muitas mudanças acontecendo e não podemos ignorá-las ou condená-las. Só estou chamando a atenção para uma inversão de valores, que pode nos prejudicar como pessoas e sociedade. Não seria melhor depender menos da quantidade de olhares dos outros, e mais da qualidade desses olhares?. Não seria melhor valorizar mais qualidade do que quantidade em tudo? Por que precisamos de centenas ou milhares de amigos virtuais? Não valeria mais a pena cuidar dos poucos amigos verdadeiros que nos acompanham de verdade nos bons e nos maus momentos e que talvez não estão inscritos nas nossas redes digitais? Por que precisamos aparecer sempre e bisbilhotar tanto? Talvez para não encarar a profunda solidão existencial que sentimos quando estamos sós, sem toda essa intrincada parafernália tecnológica que nos sustenta.

O que é real e o que é aparente? Não é fácil distinguir, mas se não acharmos tempo para refletir mais, para valorizar as coisas simples da vida, corremos o risco de agitar-nos demais e de perder nossa identidade no redemoinho efervescente da construção social digital.

Fonte: http://www.eca.usp.br/prof/moran/aparente.htm