Artistas-educadores e Educadores-artistas

 João Luís de Almeida Machado

Acredite ou não, entre os maiores mestres que tenho na vida estão expoentes como Charles Chaplin, Pablo Picasso, Machado de Assis, Elis Regina e tantos outros grandes artistas. Nestas linhas os chamarei de Artistas-educadores.

Impossível não aprender, por exemplo, escutando o Bêbado e a Equilibrista, de nosso saudoso Tom Jobim, em performance inesquecível da Elis. A história está lá, a ditadura militar que nos oprimiu, os exilados, a abertura política iminente, a anistia ampla, geral e irrestrita… Toda a oportunidade para que nos transformemos em nossas aulas em Educadores-artistas. Há aqueles que talvez até se sintam instados a soltar a voz e cantar, acompanhado por um CD ou pen-drive espetado no computador, ao lado de Elis, a chamar os alunos, a lhes mostrar o engajamento e a luta dos estudantes de então…

Ao ver Tempos Modernos, em outro caso de lições trazidas por estes artistas-mestres, artesãos da palavra, do celuloide, das canções e dos pincéis, percebemos rindo a linha de produção, o sistema capitalista, suas contradições, seus objetivos primordiais e o homem como mais uma engrenagem, mola-mestra (ou não) de todo o ciclo produtivo, descartável, passível de troca e substituição a qualquer momento. Chaplin capturou como ninguém, num clássico indiscutível, da década de 1930, o que hoje ainda não conseguimos ver, perceber e se libertar, quebrar as correntes…

E a guerra, seu terror, seus dramas, sua destruição material e de tudo aquilo que é maior para o ser humano (a alma, o sentimento, o cérebro, o corpo). Visualizar Guernica, de Picasso, é entrar com profundidade naquilo que seus pincéis traduziram em relação a tragédia da Guerra Civil Espanhola e como aquilo prejudicou cada um e todos os envolvidos. Quem ganhou? Alguém ganhou? Para quem foram os lucros da indústria bélica e da reconstrução do país depois de tantas lágrimas, de tanto sangue, de tantos corpos?

E Machado, com suas obras, a nos trazer o cotidiano, as mazelas, os relacionamentos, a alma humana capturada por seus sagazes olhos e traduzida em contos e romances que o tornaram um dos maiores entre todos os mestres da língua portuguesa? Qual mestre, como ele e tantos escritores sagazes de então ou de outras épocas foram tão felizes em nos colocar no olho do furacão da vida como ela é?

Arte e educação conversam o tempo todo. Não há como separar, distinguir ou tentar de algum modo macular a relação. Buscar o diálogo, a interface, o relacionamento continuado entre ambas, ainda mais agora, neste universo globalizado e plugado, em que museus, obras literárias, filmes e músicas (entre outras produções artísticas) estão tão próximas, ao nosso alcance por um simples clique do mouse ou toque na tela do celular ou de um tablet.

Pensar a educação e a arte, neste mundo virtual conectado, em que tudo pode estar conversando e próximo, respeitando os artistas e produtores culturais mas fazendo-os perceber também o quanto suas realizações educam e, no sentido inverso, mostrando para todos os professores, de diferentes áreas do sabe, o quanto esta integração é fundamental, é referencial para o mundo em que vivemos hoje.

Sobre o autor: João Luís de Almeida Machado, CGerente de Tecnologia Educacional do Sistema de Ensino Poliedro, Doutor em educação pela PUC-SP, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie (SP), é autor dos livros “Na Sala de Aula com a Sétima Arte” e “O Prazer de Aprender” e membro da Academia Caçapavense de Letras. Twitter: @joaoluis28; Facebook: https://www.facebook.com/joaoluis28 ; Blog: www.vithais.com.br ; e-mail: joaoluis28@gmail.com 

Presente do Futuro: o cinema como janela para o mundo

“O  que realmente me deixa feliz não é o fato de saber como as pessoas me viram, mas como viram minha cidade. O Brasil inteiro percebeu que dentro do Brasil existem vários Brasis. Manari é um deles”, Valéria Fagundes.

valeria-fagundes
Por Marcus Tavares

Talvez, você se lembra dela. Valéria Fagundes era uma jovem estudante do interior de Pernambuco. Morava em Manari, que possuía o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. A história dela foi uma de muitas retratadas pelo  documentário Pro Dia Nascer Feliz, do diretor João Jardim. O filme estreou, aqui no Rio, em janeiro de 2007.

Na ocasião, tive a oportunidade de entrevistar o diretor.  Segundo ele, trata-se de um documentário investigativo que mostra que não existem padrões de escolas, mas realidades complexas que envolvem alunos, professores e sistemas públicos e privados de educação. De certa forma, o conteúdo das cenas não é muito diferente das histórias que já foram publicizadas pela mídia. Mas, o fato é que elas estão todas reunidas numa costura narrativa simples, objetiva e sem ser piegas.

Passados três anos e em comemoração ao Dia da Criança no Rádio e na TV, uma data festiva coordenada há mais de 15 anos pelo Unicef, que tem o objetivo de dar vez e voz, na mídia, ao público infantil, resolvi conversar com Valéria. Afinal, o que aconteceu com aquela jovem estudante que lutava, no agreste de Pernambuco, contra todas as dificuldades para estudar? A partir do momento em que sua história ganhou as telas do país sua vida mudou? Qual foi o impacto do cinema na sua vida?

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como você foi ‘parar’ no filme Pro Dia Nascer Feliz?
Valéria Fagundes
– O filme aborda as condições de ensino em todo o Brasil. Então o diretor [João Jardim] foi até a minha cidade para ver como funcionava a educação na cidade de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do país, Manari [ dados de 2000]. Ao chegar à cidade, o João percebeu uma aglomeração de alunos em frente à casa do prefeito. Estávamos reivindicando transporte escolar. O diretor conversou com vários jovens, inclusive comigo. Depois ele nos acompanhou no caminho para escola e durante as aulas. E aí foi selecionando os personagens.

revistapontocom – Você tinha ideia do que era uma produção de cinema?
Valéria Fagundes
– Para falar a verdade nunca tinha ido ao cinema nem imaginava como seria uma produção cinematográfica. O diretor não nos disse que aqueles depoimentos estariam mundo afora,embora a presença da equipe do filme tenha causado o maior reboliço na cidade.

revistapontocom – Como foi “da noite para o dia” se ver na tela do cinema e sob os holofotes da imprensa?
Valéria Fagundes
– Foi um choque! A primeira vez que me vi na telona foi em Recife. Quando acabou a sessão, as pessoas me abraçavam. Certa vez, uma mulher me disse: se eu pudesse, botava essa menina no bolso e levava pra casa [risos]. Não entendia direito porque causava esse tipo de sentimento nas pessoas. Mas também não queria que me vissem como uma coitadinha. Apesar de tudo e da vida árdua, parte do que sei e do que sou  aprendi com aquele povo e naquelas condições. Eu vivia ali no meio daquela realidade e sabia que não era nada fácil. Mas quando essa mesma realidade foi projetada é que a ficha caiu. Manari passou a ser capa de revista, notícias de jornal. De repente, me vi dando entrevista, aparecendo na TV.

revistapontocom – O fato de você ter aparecido no filme mudou a sua vida?
Valéria Fagundes
– Costumo dizer que minha vida pode ser dividida antes e depois do filme. A partir da aparição no documentário, comecei a viajar e conhecer praticamente todos os estados do país. Conheci pessoas importantes e principalmente ampliei minha visão sobre o mundo. Na verdade, o filme abriu algumas portas. Então comecei a projetar meu futuro por meio dessas oportunidades.

revistapontocom –  Mudou, inclusive, a sua maneira de pensar?
Valéria Fagundes
– Com certeza. Minha maneira de pensar mudou de tal forma que não pude continuar em Manari, porque a maioria das pessoas já se acomodou com aquela realidade e não vislumbra  possibilidade de mudança. Então cheguei ao um ponto que precisei sair e trilhar outro caminho. As pessoas pensam de forma muito limitada. O que elas sabem é o que é transmitido pela grande mídia. Elas absorvem e pronto. Nunca param pra questionar  porque Manari ainda permanece nesse panorama ruim. Nem as crianças nem os jovens sabem quais são os seus direitos. Esse pensamento limitado vai sendo transmitido.

revistapontocom – As pessoas viram você de forma diferente depois do filme?
Valéria Fagundes
– Acredito que sim. As pessoas perceberam que tudo aquilo que eu dizia começava a fazer sentido. Meus professores começaram a entender que existem várias outras valérias que estão à espera de uma oportunidade para fazer da sala de aula um ambiente mais agradável.  O que realmente me deixa feliz não é o fato de saber como as pessoas me viram, mas como viram minha cidade. O Brasil inteiro percebeu que dentro do Brasil existem vários Brasis. Manari é um deles.

revistapontocom – Que importância o cinema teve para você?
Valéria Fagundes
– O cinema projetou a história de minha cidade que até então era desconhecida. Projetou minha história e possibilitou o encontro do meu sonho com a realidade.

revistapontocom – Depois de três anos do filme, a Valéria….
Valéria Fagundes
– Sou outra pessoa no mesmo retrato. Muitas coisas daquela Valéria do filme ainda mantenho, mas foi preciso abrir mão de outras  para me manter firme e forte aqui na selva de concreto. Estou cursando o 6º período do curso de jornalismo, escrevendo um livro sobre minha vida e trabalhando com midiaeducação. Recentemente, inscrevi um roteiro num edital da Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Cultural de Pernambuco. O roteiro foi selecionado e vou dirigir um curta sobre a história de Manari.

Fonte: http://www.revistapontocom.org.br/?p=2475

Pro dia nascer feliz


A educação brasileira em fotogramas

Duas-meninas-morenas-à-frente-da-escola
 
Em 1960 o Brasil tinha, aproximadamente, 14 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar. Deste total, apenas 50% conseguia ter acesso à educação… A publicidade oficial da época, ciente do fato, criou propaganda através da qual falava da necessidade deste contingente de excluídos da escola chegar às salas de aula e como isto melhoraria a vida do país… Acreditava-se piamente que o caminho mais certo para o desenvolvimento político, social e econômico passava pelas vias escolares…
“Pro Dia Nascer Feliz”, documentário de João Jardim, produzido entre os anos de 2005 e 2006, procura dar uma visão do que ocorreu mais de 40 anos depois, quando os dados oficiais nos dizem que 97% das crianças e adolescentes em idade escolar estão tendo a oportunidade de estudar. Para tanto, o diretor e sua equipe de produção se propuseram a acompanhar a realidade de seis unidades educacionais, localizadas em diferentes estados brasileiros, todas equiparadas apenas pelo fato de serem escolas públicas.
Este “retrato” da educação brasileira, com apenas três anos, constitui documento de valor inestimável para entendermos um pouco da realidade das escolas do país, de suas carências materiais às dificuldades de trabalho dos professores, da impossibilidade de chegar às escolas por falta de transporte à arcaica e ideologizada metodologia de ensino.
Ao assistirmos ao filme, o que salta aos olhos é, a princípio, a carência material e infraestrutura precária das escolas (exceto no caso da escola de São Paulo). Em quase 2 mil unidades educacionais do país (num universo de 210 mil escolas), conforme dados do MEC/INEP (2004), não há água encanada. Se não bastasse este dado alarmante, há ainda 13,7 mil escolas em que não há banheiros… Paredes sujas, carteiras jogadas no pátio ou nos cantos e ausência de qualquer tipo de instalação de apoio, suporte ou incentivo ao estudo – como quadras, laboratórios e salas de computação, além de grades por todos os lados dão uma ideia do descalabro da educação.
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O que era para ser um ambiente acolhedor, motivador, que criasse uma experiência instigante, interessante e desafiadora para os alunos em seu processo de construção do conhecimento torna-se, então, um espaço que, ao contrário, rechaça, dificulta e acaba, na realidade, promovendo a evasão, o desinteresse, a vontade de não estudar…
Há também o descompromisso dos pais e da comunidade… As escolas não lhes apetecem, não são vistas por eles como parte primordial do núcleo onde residem… Os filhos devem frequentá-la, pois há um compromisso social assumido e, ainda, persiste a ideia de que isto pode lhes ser útil no futuro. A ilusão de que tudo mudará a partir da educação não existe mais, pelo menos não da forma como foi trabalhada há 40 anos pelos governos da época.
Como a comunidade está ausente, abre-se espaço para que outras forças se façam presente. É o que se vê no Rio de Janeiro (e em regiões periféricas de cidades de médio e grande porte), onde quem dá as cartas é, muitas vezes, o traficante local. A força destes marginais oprime os professores e dá demonstrações aos adolescentes e jovens de que o estudo, por si só, não lhes garante nada, enquanto a venda de drogas e a manipulação de armas de fogo podem lhes conferir poder, dinheiro, respeito, temor por parte de seus pares…
O documentário igualmente prima por nos colocar em contato com a fala dos alunos e dos professores. Dos estudantes percebemos a violência e a rudeza que surgem da necessidade de sobreviver em ambiente no qual não há espaço para a candura, a inocência ou a bondade e o respeito pelo próximo. Quanto mais urbana é a escola, maior é a competição feroz e o medo que acaba por se estabelecer – a exceção é a escola paulistana, na qual os pais de classe média, com melhor situação social, dão a seus filhos melhores condições e estímulo quanto ao estudo (o que é corroborado pelo mercado de trabalho competitivo e seletivo que encontrarão depois de formados).
Jovens-conversando-e-rindo-muito
A fala dos estudantes, quanto mais pobre e sem perspectivas é a escola, demonstra o quanto sua educação é fraca, desprovida de maiores elementos culturais, pautada apenas em bases primárias. Há exceções, é claro, como a garota que se encantou desde cedo com os livros de Vinícius de Morais, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade… O que, de certo modo, demonstra o quanto a leitura faz diferença na vida de uma pessoa…
Quanto aos professores, nos rincões do país, faltam-lhes melhor formação e condições de trabalho. Seus salários são baixos, seus equipamentos de trabalho são escassos, sua motivação é igualmente rara e, se não fosse a necessidade de se manter, é possível que muitos viessem a desistir. Mas, como dizia Euclides da Cunha “o sertanejo é um forte”, o que vale tanto para estes professores quanto para seus alunos.
Nas áreas urbanas, por sua vez, novamente excetuando a escola de classe média paulistana, o que se percebe muito forte é o descontentamento, a falta de perspectivas, as condições pouco apropriadas para o trabalho e a perda de engajamento e amor à profissão… Muitos professores faltam de forma abusiva (contabiliza-se, segundo dados da rede estadual paulista para o Ensino Médio, até 30 faltas por docente a cada ano), tantos outros daqueles que vão cumprem o básico (batem o cartão, literalmente) e há ainda, felizmente, os heróis da resistência que continuam a acreditar na educação e trabalham com afinco. Não deixaram de ser críticos, demonstram algum ceticismo, mas não bateram em retirada e tampouco esmoreceram…
De qualquer modo, “Pro Dia Nascer Feliz” deveria ser obra obrigatória nas escolas, comunidades e, também, pré-requisito para todos os políticos brasileiros que estão exercendo mandato ou que futuramente estarão… Quem sabe assim eles não criam vergonha na cara e realmente se mexam para que as escolas deste país não apenas tenham suas salas cheias de alunos, mas que também possam oferecer educação de qualidade!
Cartaz-de-Pro-Dia-Nascer-Feliz
Ficha Técnica
Pro dia nascer feliz

País/Ano de produção: Brasil, 2006
Duração/Gênero: 88 min., Documentário
Direção de João Jardim
Roteiro de João Jardim

Links
http://www.adorocinema.com/filmes/pro-dia-nascer-feliz
http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=12482
http://www.cinerevista.com.br/nacional/Prodianascerfeliz.htm

videos-relacionados
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uxEQhcZNHfM&hl=pt-br&fs=1&]

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1679

Eu vi o Homem na Lua: 40 anos

Olá Amigos

Já fazem 40 anos desde aquele dia em que vi um montão de pessoas na sala da minha casa. Perguntei ao meu pai o que estava acontecendo e ele falou:

– Meu filho o que está acontecendo é história. O homem chegou a lua.

Apollo 11 astronaut Edwin Buzz Aldrin, Jr., the lunar module pilot of the first lunar landing mission, stands on the surface of the moon.
NASA/Newsmakers/Getty Images

Parei e fiquei olhando ali meio incrédulo, pois como o homem pode ir a lua, mas os meus olhos me mostravam que sim. Desde então acalentei o sonho de ser um astronauta, alias sonho de qualquer garoto na infância. Usar aquela roupa maneira, viajar de foguete (ou funete, né mãe?) e poder ir a onde ninguém mais foi.

Apollo 11 lifted off aboard the powerful Saturn V rocket.
Ralph Morse/Time Life Pictures/Getty Images

Em 20 de julho de 1969, aparelhos de televisão em todo o mundo transmitiram a mesma imagem indistinta: Neil Armstrong descendo a escada do Módulo de Pouso Lunar Eagle e tocando a superfície da Lua com sua bota. A frase dele, “um pequeno passo para um homem, um salto imenso para a humanidade”, tornou-se uma das mais conhecidas na história. O famoso pouso foi um final triunfante para a corrida espacial.

The lunar landing module Eagle descends onto the surface of the moon, carrying Apollo 11 astronauts Buzz Aldrin and Neil Armstrong.
MPI/Getty Images

Mas aquele momento histórico na superfície da lua foi resultado de muitos anos de esforços dos programas espaciais norte-americano e soviético. Os astronautas que primeiro desceram à superfície da Lua tiveram de viajar 383 mil quilômetros para chegar ao seu destino, sobreviver ao severo ambiente lunar e voltar para casa são e salvo. Não foi uma tarefa fácil.

Virgil I. Grissom, Edward White and Roger Chaffee were killed in a fire inside a practice module for the aborted Apollo 1 mission at Cape Kennedy, Florida.
MPI/Getty Images

Até hoje, apenas 12 pessoas – todas homens e todas integrantes do programa espacial dos Estados Unidos – caminharam na Lua. Mesmo com toda a tecnologia do século 21, a profissão de astronauta ainda é conhecida como carreira para poucos e destemidos bravos. Mas se os astronautas de hoje podem ser considerados homens corajosos, o que dizer daqueles que sem qualquer garantia de sobrevivência, e a troco de quase nenhum dinheiro, deram os primeiros passos da humanidade rumo ao espaço na década de 40?

Os Eleitos - Ed. Especial (DVD Duplo)

Outra emoção sobre o pouso do homem na lua foi o filme “Os Eleitos” (1983) de Philip Kaufman (A Insustentável Leveza do Ser). O filme conta sobre o épico e glorioso sonho americano de conquistar os céus e viajar pelo espaço. Esse sonho também é um marco cinematrográfico que mostra um audacioso piloto de testes, sete valentes astronautas em uma brilhante jornada de heroísmo: Os Eleitos, o espetacular filme de Phillip Kaufman baseado na obra de Tom Wolfe.

http://static.hsw.com.br/gif/homem-na-lua-bg-top.jpg

Vencedor de 4 Oscar, Os Eleitos narra a história do pioneiro programa Mercury e seus astronautas: nomes como Shepard, Grissom, Glenn, Carpenter, Schirra, Cooper e Slayton, os primeiros americanos a viajarem com suas primitivas naves espaciais rumo a uma nova fronteira.

http://static.hsw.com.br/gif/homem-na-lua-bg-bottom.jpg

Antes deles, porém, os livros de histórias falam sobre o lendário Chuck Yeagar, o homem que muito antes das luzes da fama se voltarem para os “espaçonautas”, se tornou o primeiro homem a quebrar a barreira do som pilotando o admirável X-1. Sam Shepard (como Yeager), Dennis Quaid, Barbara Hershey, Fred Ward e muitos outros, fazem desta divertida e arrebatadora saga humana, algo tocante e envolvente. Os Eleitos é um entretenimento emocionante, em todos os seus preciosos momentos.

full moon
NASA/Photodisc/Getty Images

A cena deles caminhando todos juntos dentro do galpão é uma das mais bonitas já filmadas. Assista o trailer do filme e depois corra para locadora.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QuR1p7UdI2Y&hl=pt-br&fs=1&]

Isso mostra o tão importantes são os sonhos. Eles devem ser sempre alimentados. O mundo é de quem sonha, acredita e realiza.

Mas tem uma coisa que eu gostaria muito de saber:

O que você estava fazendo nesse dia?

Me conte a sua história.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

“Lifes For Sharing”

Olá Amigos

Assisti agora o outro vídeo T-Mobile Advert “Lifes For Sharing”, que da título a postagem que é muito bom. Só tem uma palavra para descrever o vídeo: Contagiante. Igual a vírus de gripe suína o vídeo é demais de contagiante e inteligente, logico que o produto (olha ai de novo) celular estava a venda, mas mesmo assim achei muito legal a mensagem do vídeo. O anuncio foi filmado as 11 horas de uma quinta-feira do dia 15 de janeiro de 2009 na estação Liverpool Street, Londres ( durante a hora do rush). Isso fora a trilha sonora muito boa. Repara na reação das pessoas em volta.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mUZrrbgCdYc&rel=1&fs=1&showsearch=0&hd=0]
Na trilha sonora rola Lulu – Shout, Yazz – The only way is up, Pussycat Dolls – Don’t cha, Valsa Vienense, Kool & the Gang, Rainbow – Since you’ve been gone, Millie Small – My Boy Lollipop e Contours – Do you love me.

Olha, vira e mexe assisto o vídeo e quando vejo estou dançando na sala.

Recomendo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

“Lifes For Sharing”

Olá Amigos

Assisti agora o outro vídeo T-Mobile Advert “Lifes For Sharing”, que da título a postagem que é muito bom. Só tem uma palavra para descrever o vídeo: Contagiante. Igual a vírus de gripe suína o vídeo é demais de contagiante e inteligente, logico que o produto (olha ai de novo) celular estava a venda, mas mesmo assim achei muito legal a mensagem do vídeo. O anuncio foi filmado as 11 horas de uma quinta-feira do dia 15 de janeiro de 2009 na estação Liverpool Street, Londres ( durante a hora do rush). Isso fora a trilha sonora muito boa. Repara na reação das pessoas em volta.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mUZrrbgCdYc&hl=pt-br&fs=1]
Na trilha sonora rola Lulu – Shout, Yazz – The only way is up, Pussycat Dolls – Don’t cha, Valsa Vienense, Kool & the Gang, Rainbow – Since you’ve been gone, Millie Small – My Boy Lollipop e Contours – Do you love me.

Olha, vira e mexe assisto o vídeo e quando vejo estou dançando na sala.

Recomendo.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Projeto Cinema no Caldeirão – 02/05

Olá amigos

O filme de hoje do Projeto Cinema no Caldeirão é o “Felicidade não se Compra” do fantástico diretor Frank Capra com James Stewart e Donna Reed (1 Globo de Ouro de 1946). Além de ser um dos grandes clássicos do cinema mundial e ser um filme constante em qualquer relação dos melhores filmes de todos os tempos o filme tem uma qualidade que está esquecida um pouco nesses tempos de crise mundial: Amor e esperança.

http://www.jafilmes.com/site_2008/secoes/belem/noticias_belem/iap/12_dezembro_08/felicidade-nao-se-compra-poster02.jpg

Atualmente há lições mais importantes a serem dadas em qualquer aula, escola ou momento que não aquelas que falem direto ao coração sobre solidariedade, fraternidade e humanidade. O corre corre do dia a dia em sala de aula faz com que esqueçamos um pouco disso. Precisamos resgatar esses valores que são esquecidos um pouco por causa das exigências que recaem sobre o profissional de educação.

http://vidaordinaria.com/wp-content/uploads/2008/12/felicidade-nao-se-compra.jpg

Levar valores imprescindíveis para a formação de nossos estudantes e não somente conteúdos programados são sim atribuições do profissional de educação. Devemos ser mestres não apenas da matemática, da geografia ou do inglês, temos que aperfeiçoar também as qualidades humanas, dar mais valor e realce, sobretudo a capacidade de se doar, de ser fraterno, de ser sincero. Tudo em favor de um mundo mais justo e melhor, onde a felicidade seja mais que um sonho…

http://receioderemorso.files.wordpress.com/2008/12/10103849.jpg

Como fazer isso? Segundo diz o João Almeida faça assim: “Incorpore a sua prática profissional o hábito de estimular leituras que relatem momentos e realizações solidárias, mesmo que isso signifique “sacrificar” alguns momentos por semana ou quinzena. Aproxime esses temas de suas aulas. Quantifique se for em exatas, compare com a história, forneça como temática para projetos, utilize como tema para redações ou leitura de clássicos. Essas ações serão lembradas para sempre por seus alunos e, se devidamente trabalhadas, irão se incorporar a suas vidas, a seu cotidiano.

http://cinemanamangueirosa.zip.net/images/Felicidade_Nao_Se_Compra2.gif

Perfeito. Agora uma dica: o filme vai passar na SKY ou NET no Telecine Classic canal 65 no domingo dia 03 de maio as 7:50 da manhã, vale a pena acordar mais cedo para assistir. Imperdível

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Projeto Cinema no Caldeirão – 02/05

>Olá amigos

O filme de hoje do Projeto Cinema no Caldeirão é o “Felicidade não se Compra” do fantástico diretor Frank Capra com James Stewart e Donna Reed (1 Globo de Ouro de 1946). Além de ser um dos grandes clássicos do cinema mundial e ser um filme constante em qualquer relação dos melhores filmes de todos os tempos o filme tem uma qualidade que está esquecida um pouco nesses tempos de crise mundial: Amor e esperança.

http://www.jafilmes.com/site_2008/secoes/belem/noticias_belem/iap/12_dezembro_08/felicidade-nao-se-compra-poster02.jpg

Atualmente há lições mais importantes a serem dadas em qualquer aula, escola ou momento que não aquelas que falem direto ao coração sobre solidariedade, fraternidade e humanidade. O corre corre do dia a dia em sala de aula faz com que esqueçamos um pouco disso. Precisamos resgatar esses valores que são esquecidos um pouco por causa das exigências que recaem sobre o profissional de educação.

http://vidaordinaria.com/wp-content/uploads/2008/12/felicidade-nao-se-compra.jpg

Levar valores imprescindíveis para a formação de nossos estudantes e não somente conteúdos programados são sim atribuições do profissional de educação. Devemos ser mestres não apenas da matemática, da geografia ou do inglês, temos que aperfeiçoar também as qualidades humanas, dar mais valor e realce, sobretudo a capacidade de se doar, de ser fraterno, de ser sincero. Tudo em favor de um mundo mais justo e melhor, onde a felicidade seja mais que um sonho…

http://receioderemorso.files.wordpress.com/2008/12/10103849.jpg

Como fazer isso? Segundo diz o João Almeida faça assim: “Incorpore a sua prática profissional o hábito de estimular leituras que relatem momentos e realizações solidárias, mesmo que isso signifique “sacrificar” alguns momentos por semana ou quinzena. Aproxime esses temas de suas aulas. Quantifique se for em exatas, compare com a história, forneça como temática para projetos, utilize como tema para redações ou leitura de clássicos. Essas ações serão lembradas para sempre por seus alunos e, se devidamente trabalhadas, irão se incorporar a suas vidas, a seu cotidiano.

http://cinemanamangueirosa.zip.net/images/Felicidade_Nao_Se_Compra2.gif

Perfeito. Agora uma dica: o filme vai passar na SKY ou NET no Telecine Classic canal 65 no domingo dia 03 de maio as 7:50 da manhã, vale a pena acordar mais cedo para assistir. Imperdível

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

A Felicidade Não Se Compra

Quando somos verdadeiramente ricos

Imagem-de-família-feliz

Poucas pessoas percebem, ao longo de suas vidas, qual é a maior de todas as riquezas que possuímos. O cinema também tem trabalhado muito pouco o tema, priorizando muito mais as desgraças e desventuras que a felicidade e as realizações. É por isso que “A Felicidade Não Se Compra”, filme de 1946, realizado por Frank Capra (um dos maiores cineastas de todos os tempos), se eternizou na memória de muitos apreciadores da sétima arte e também daqueles que de forma incessante buscam uma vida mais pródiga e feliz.

James Stewart e Donna Reed protagonizam uma história que muitos de nós gostaríamos de viver. Não, nem tudo são rosas. Há turbulências, desvios, erros e problemas como na vida de qualquer um de nós. O fundamental, porém, é que impera a humanidade nas relações entre as pessoas em detrimento de interesses pessoais mesquinhos. A ambição, que costuma envenenar ambientes familiares ou profissionais, dá espaço para relações mais fraternas e solidárias a partir da ação de pessoas comuns, como eu ou você.

E o mais impressionante para muitos é perceber que o verdadeiro “amor ao próximo” não precisa de embalagens vistosas para deslumbrar. Essa forma poderosa de ação pode ser efetivada a partir das ações que desempenhamos em nosso cotidiano. Adicionar um pouco de esperança e otimismo ao dia a dia de cada um de nós pode representar muito para as pessoas que se sentam ao lado na mesa do jantar ou no escritório em que trabalhamos.

Já ouvi muitas pessoas dizerem que reconhecem uma pessoa pelo semblante, pelas linhas que marcam seu rosto. Concordo com elas. Sou capaz de perceber quando meus filhos, esposa, amigos ou mesmo alunos e colegas de trabalho não estão vivendo um bom momento apenas pela expressão de seus rostos. Garanto que muitas pessoas que estão lendo esse artigo também podem fazer isso.

A alegria, a capacidade de superação, a fé e a valorização da vida e de tudo aquilo que somos e representamos para outras pessoas tem que ser a tônica de nossas vidas. Uma das mais poderosas lições do filme “A Felicidade Não Se Compra” reside justamente na idéia de nossa importância pessoal, ou seja, de como nossa existência pode afetar de modo positivo a vida de outras pessoas.

É claro que não somos anjos, nem mesmo de 2ª classe (quem assistir o filme entenderá essa colocação). Somos seres humanos, de carne e osso, fadados a errar (e com os erros também podemos e devemos aprender) e, do mesmo modo, destinados a acertar tantas outras vezes. O importante é que queiramos sempre fazer o melhor, dividir com as outras pessoas aquilo que podemos dar que represente nossos sentimentos mais puros e genuínos de humanidade, justamente a solidariedade, a compaixão, a fraternidade, a paz e o amor…

Casal-dançandoCriança-conversando-com-jovem

O Filme

Um sonho acompanha a trajetória do jovem George Bailey (James Stewart, um dos maiores ícones do cinema americano) desde seus anos de infância, viajar e conhecer o mundo para ajudar a melhorá-lo com grandes construções como pontes e edifícios. Sua vida, entretanto, marcada por inúmeros percalços não irá permitir que suas aspirações se concretizem. Desde cedo, quando ainda era menino, George consolida sua vida como a de uma pessoa que está por perto para ajudar ao próximo. Não de forma totalmente consciente do valor dessa participação fraterna e solidária. Desprovido de qualquer busca de valorização ou reconhecimento em função de suas ações, movido somente pelo bom coração que possui.

Por esse motivo, George é capaz de ajudar pessoas como seu primeiro patrão a não cometer um grave erro como farmacêutico manipulador de remédios ou ainda salvando a vida de seu irmão mais novo. Sua grandeza é realçada na defesa de pessoas pobres que com dificuldade tentam construir o grande sonho de suas humildes vidas, ter uma casa própria. Nesse sentido, apesar do desconforto dessa situação, George assume a firma de seu pai. É do pai, inclusive, que ele herda a noção de justiça e compaixão, abdicando dos lucros em favor de uma vida modesta desde que isso lhe garanta um sono dos mais tranqüilos.

Suas alegrias, apesar de alguns contratempos causados pela falta de dinheiro ou ainda pela deslealdade do homem mais rico da cidade, o senhor Potter (Lionel Barrymore), são ainda maiores a partir de seu casamento com a bela Mary (Donna Reed) e com o nascimento dos filhos. Nesse momento tudo parece caminhar para um final dos mais felizes. É quando o acaso resolve lhes pregar uma peça e faz com que o dinheiro que garantiria os saldos e o cumprimento dos contratos de sua firma simplesmente desaparece…

Acuado pelas dívidas e pela possibilidade de ser preso, George fica desesperado e pensa em tirar sua vida para resgatar um seguro de vida que poderia assegurar a sobrevivência de sua firma e o nome de sua família. O que fazer quando sua vida parece não ter valido a pena? E se eu não tivesse nem ao menos existido, tudo seria muito melhor, não seria? Será que a minha vida foi de alguma forma importante para alguém?

Partindo dessa premissa, a de que nossa existência é fundamental para o equilíbrio e para a felicidade de muitas outras vidas, que Frank Capra consolida um dos mais celebrados clássicos do cinema mundial. Imperdível!

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Aos Professores

• Não há lições mais importantes a serem dadas em qualquer aula, escola ou momento que não aquelas que falem direto ao coração sobre solidariedade, fraternidade e humanidade. Temos nos esquecido disso. Os conteúdos têm exigido tanto de nós, professores, que deixamos de agitar bandeiras imprescindíveis para a formação de nossos estudantes. E não apenas como discursos vazios, desprovidos de significado, de sentido. Até mesmo pelo fato de que nossa existência perde completamente o sentido se nós mesmos não realizamos tais atitudes, se não incorporamos o sentido do auxílio, se não vivenciamos a humanidade que se espera de nós. Somos os mestres não apenas da matemática, da geografia ou do inglês, temos que aperfeiçoar também as qualidades humanas, dar mais valor e realce, sobretudo a capacidade de se doar, de ser fraterno, de ser sincero. Tudo em favor de um mundo mais justo e melhor, onde a felicidade seja mais que um sonho…

• Como fazer isso? Incorpore a sua prática profissional o hábito de estimular leituras que relatem momentos e realizações solidárias, mesmo que isso signifique “sacrificar” alguns momentos por semana ou quinzena. Aproxime esses temas de suas aulas. Quantifique se for em exatas, compare com a história, forneça como temática para projetos, utilize como tema para redações ou leitura de clássicos. Essas ações serão lembradas para sempre por seus alunos e, se devidamente trabalhadas, irão se incorporar a suas vidas, a seu cotidiano.

• Que tal trabalhar o mote principal do filme com seus alunos, ou seja, realizar uma atividade de reflexão em torno da questão central que é: como seria o mundo se você não estivesse por aqui? Para isso é necessário que os estudantes vejam o filme e depois discutam em sala as repercussões da existência pessoal sobre a instância coletiva. O que se pretende é que eles percebam que nossas atitudes e ações influenciam a vida de muitas e muitas pessoas. E que, a partir daí, revejam suas vidas para fazer com que de suas existências floresça a felicidade…

• O que acham de tentar criar um projeto solidário a partir da escola e consolidá-lo como uma prática regular na vida da cidade? Que tal estabelecer um projeto, de comum acordo com os outros professores e com a direção da escola, para que sejam feitas doações de alimentos, agasalhos, remédios ou mesmo de tempo e carinho para pessoas que realmente precisam muito disso?

Ficha Técnica

A Felicidade Não Se Compra (It`s a Wonderful Life)

País/Ano de produção: EUA, 1946
Duração/Gênero: 129 min., Drama
Direção de Frank Capra
Roteiro de Frank Capra, Albert Hackett e Frances Goodrich
Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell, Henry Travers, Beulah Bondi, Frank Fayden, Ward Bond, Gloria Grahame.

Links

http://www.adorocinema.com/filmes/felicidade-nao-se-compra/felicidade-nao-se-compra.asp

http://parceiros.cineclick.com.br/cinemateca/ficha_filme.php?id_cine=325

http://www.webcine.com.br/filmessc/felicnao.htm

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=336

Projeto Cinema no Caldeirão – 25/04

Olá Amigos

O filme escolhido hoje para o Projeto Cinema no Caldeirão é “O Nome da Rosa” do instigante diretor Jean-Jacques Annaud, de filmes fantásticos como o A Guerra do Fogo, O Urso, O Amante, Sete Anos no Tibete, Círculo de Fogo entre outros, baseado num livro de Umberto Eco.

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A escolha do filme partiu do meu amigo Sergio Lima editor do blog Blog e Física entre outros, que havia indicado um texto intitulado Ainda precisamos do velho modelo de educação? que levou a uma série de reflexões no nosso grupo. Ele trata do fato que moderar, censurar e proibir comentários, uso de laboratorio e bloqueio de blogs e sites alem de proibir o uso da internet.

Ele cita: “Qualquer um que viva o dia-dia da Escola sabe que esta é a visão predominante na mesma (e nos seus profissionais!) a Internet é um mundo de maldade, perversidade, bobagens que nós, os educadores iluminados, temos que filtrar/mediar para os nossos alunos! Atire o primeiro mouse quem não teve um endereço bloqueado na escola por conta desta visão medieval…

Ai ele lembra da cena em que os monges escondiam um livro com uma verdade libertadora. O filme “O nome da Rosa” trata da história ocorrida no ano de 1327 – Século XIV – num Mosteiro Beneditino Italiano que continha, na época, o maior acervo Cristão do mundo. Poucos monges tinham o acesso autorizado, devido às relíquias arquivadas naquela Biblioteca.

No Filme, um monge Franciscano e Renascentista, interpretado pelo ator Sean Conery, foi designado para investigar vários crimes que estavam ocorrendo no mosteiro. Os mortos eram encontrados com a língua e os dedos roxos e, no decorrer da história, verificamos que eles manuseavam (desfolhavam) os livros, cujas páginas estavam envenenadas. Então, quem profanasse a determinação de “não ler o livro”, morreria antes que informasse o conteúdo da leitura.

O Livro havia sido escrito pelo Filósofo Aristóteles e falava sobre o riso: “Talvez a tarefa de quem ama os homens seja fazer rir da verdade, porque a única verdade é aprendermos a nos libertar da paixão insana pela verdade”.

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Isso tudo sugeria, além de outras coisas, principalmente pela razão, que Jesus sorriu, pois Ele (Jesus), além de amar todos os homens, desejava que todos encontrassem a verdade e, através dela (da verdade), fossem libertos.

Acho que esta frase está ligada à máxima “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”.

E na história, por trás de “quem matou e quem morreu” aparecem nítidas disputas entre o misticismo, o racionalismo, problemas econômicos, políticos e, principalmente, o desejo da Igreja em manter o poder absoluto cerceando o direito à liberdade de todos.

A Igreja não aceitava que pessoas comuns tivessem acesso ao significado de seus dogmas (fundamentos da religião) nem questionassem e fossem contra os mesmos e, por esse motivo, para definir o poder sobre o povo, houve a instauração da Inquisição que foi criada para punir os crimes praticados contra a Igreja Católica que se unia ao poder monárquico.

O período Renascentista que se desenvolveu na Europa entre 1300 e 1650, época em que se desenrola o filme (1327), vinha de encontro a Igreja, exatamente porque o Renascimento pregava a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural.

Dessa forma, o Monge Francisco e Renascentista, William de Baskerville, utilizava-se da Ciência e conseqüentemente da razão para dar solução aos crimes do mosteiro e desagradava, em muito, a Santa Inquisição, na figura do Inquisidor Bernardo Gui que realmente existiu e foi considerado um dos mais severos inquisidores.

Entendi que na Biblioteca do Monastério haviam pergaminhos que falavam sobre a infalibilidade de Deus e que não era preciso se ter uma fé cega em detrimento à figura do homem.

Para não se ter uma fé cega é preciso utilizar-se da Ciência como instrumento principal para se desvendar os mistérios impostos pela religião.

Por esse motivo, creio eu, que a Ciência teve ascendência sobre a religião, pois através da razão vários mistérios eram descortinados, inclusive o poder desenfreado da Igreja que, na verdade, só contribuiu para o misticismo e o entrave do desenvolvimento intelectual de todo um período histórico, principalmente o da Idade Média, cercado pela Inquisição e seu poderio absurdo e desmedido.

Recomendo com louvor

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Abraços

Fonte: http://recantodasle tras.uol. com.br/resenhasd efilmes/249488 (publicado em 26/09/06).