Uso pedagógico do telefone móvel (Celular)

janeiro 13, 2010 por profjc

Contextualizando

O primeiro telefone móvel (celular)

Martin Cooper, da Motorolla, e o primeiro telefone celular. O telefone móvel, ou celular, foi lançado em 1973, em Nova Iorque. Na época ele era gigantesco, pesava o equivalente a dúzias de celulares modernos e tinha uma área de abrangência muito restrita, além de ser analógico (*1) e não digital (*2).

Somente uma década mais tarde, em 1983, chegaria ao mercado o primeiro modelo comercialmente viável, o DynaTAC 8000x, da Motorola, pesando apenas 794,16 gramas.

Você pode encontrar um pouco da história dos celulares nos links sugeridos no final deste artigo.
O meu primeiro celular, foi um “tijolinho” da Motorola que inaugurou a linha de microcelulares, o Microtac. Na época (década de 90) ele custava caríssimo e só funcionava em uns poucos lugares “iluminados”, pois a maior parte do país ainda era uma área de sombra (*3) para a telefonia móvel incipiente de então.

Meu primeiro telefone celular

Meu primeiro celular foi um Motorola Microtac. O mais leve da categoria em sua época, pesando apenas 290 gramas!Confesso que na época eu mesmo não via nenhuma outra utilidade no telefone celular que não fosse a de poder falar de diferentes lugares com um mesmo telefone. O celular era então apenas um telefone e somente adultos dispostos a investirem uma quantia razoável, e que tivessem uma boa razão para tal, se dispunham a comprá-lo.
Hoje em dia o telefone celular é um dos aparatos tecnológicos mais comuns. Segundo pesquisa do Núcleo Gestor da Internet no Brasil, em 2008 52% da população do Brasil já possuía telefone celular. Nos grandes centros urbanos já é quase impossível encontrar alguém com mais de 14 anos que não tenha um telefone celular.

Celular moderno

Celular moderno, com tela giratória e com capacidade para HDTV. Os telefones celulares atuais são pequenos, leves, tem baterias duradouras, funcionam em quase todos os lugares e há muito deixaram de exercer apenas a função de telefone. Hoje em dia os telefones celulares são verdadeiras centrais multimídias computadorizadas (*4) onde se pode telefonar (Sim! Os telefones celulares ainda servem para telefonar!), ouvir rádio, mp3, assistir TV, tirar fotos, fazer filmes, gravar voz, jogar videogame, mandar e receber e-mails ou arquivos e acessar a Internet, dentre outras muitas funções.
E é justamente por serem centrais multimídias computadorizadas que os telefones celulares deixaram de ser apenas telefones e passaram a ter múltiplas finalidades. E é claro que entre os muitos usos que podemos fazer deles, alguns também podem ser pedagógicos!

Desfazendo alguns mitos

Antes de propor usos pedagógicos para o telefone móvel celular atual é preciso desfazer alguns mitos sobre a presença do celular na escola e o principal deles é o que diz que o telefone celular é desnecessário na escola e, além disso, atrapalha o andamento das aulas.

Alguns professores se queixam que os telefones celulares distraem os alunos. É verdade. Mas antes dos telefones celulares eles também se distraiam. A única diferença é que se distraiam com outras coisas; como aliás, continuam fazendo nas escolas onde os telefones celulares foram proibidos. O que causa a distração nos alunos é o desinteresse pela aula e não a existência pura e simples de um telefone celular. Exemplo claro disso é que em muitas escolas e em muitas aulas os alunos não se distraem com seus celulares, apesar de estarem com eles em suas mochilas, nos bolsos ou mesmo sobre as carteiras.

Alguns afirmam que os alunos usam celulares para colar. Bom, é provável que sim. Alunos colam sempre que estão diante de provas e atividades que permitam ou estimulem a cola. Essas provas e atividades são geralmente pobres e requerem apenas uma resposta “decorada” ou que se assinalem alternativas, coloque-se verdadeiro ou falso ou se forneça um número como resposta. Nesses casos colar é a solução mais inteligente como resposta a uma avaliação pouco inteligente. Em avaliações onde o aluno precisa pensar, construir respostas próprias ou realizar “ações”, praticamente não há como colar, nem com celular, nem sem celular. Além disso, como todo professor sabe muito bem, a “tecnologia da cola” é muito anterior à do celular.

Aviozinhos de papel

Se proibirmos o uso de cadernos acabaremos com os aviozinhos de papel na classe? Há quem diga que os alunos usam os telefones celulares para, propositalmente “zoarem” nas aulas, com o professor ou com os colegas. É verdade! E eles também zoariam nessas mesmas aulas sem os celulares: jogando aviõezinhos, bolinhas de papel, fazendo piadinhas e outras milhares de traquinagens possíveis. Não é o celular que incentiva o aluno à indisciplina e sim o desejo dele de confrontar o professor. A solução para esses casos não tem nenhuma relação com o telefone celular, assim como não tem nenhuma relação com os aviõzinhos de papel (ou também proibiremos os alunos de trazerem cadernos na escola porque eles tiram folhas e fazem aviõzinhos de papel?).
Assim como se argumenta que a Internet permite que os alunos tenham acesso a materiais impróprios e façam uso indevido dela, também há quem diga que os telefones celulares permitem uma série de “violações” às regras e normas éticas e morais. Na verdade também nunca foi preciso ter telefone celular para violar essas regras e a escola serve, entre outras coisas, para ajudar na formação ética e moral de seus alunos, e isso não se faz com imposição, omissão ou simples proibição. Ética e valores são conteúdos transdiciplinares que devem estar presentes sempre, inclusive ao lidarmos com as novas tecnologias.

Também se argumenta que é constrangedor para os alunos que não têm celular conviverem com outros que os têm. Provavelmente também seja verdade, mas também é igualmente verdadeiro para os tênis que eles usam, para a calça jeans, para o caderno de capa dura, para o estojo, para o relógio, etc., etc. Na escola temos que aprender, todos nós, a conviver com as diferenças e compreender a realidade que as produz. Não podemos simplesmente decretar que todos usem as mesmas roupas (apesar da exigência de uniformes em algumas escolas), que tenham os mesmos materiais escolares, que façam uso do mesmo vocabulário, dos mesmos brinquedos e principalmente, que tenham as mesmas idéias.

Enfim, todos os argumentos que costumo ouvir defendendo a proibição dos celulares nas escolas são argumentos pouco refletidos, onde os problemas reais que são apontados dizem respeito à forma de gestão de aula do professor ou a maneira como a própria escola idealiza o aluno e não ao aparelho de telefone celular propriamente dito. Antes do telefone celular esses mesmos argumentos eram usados para proibir o walkman, o baralho de cartas, os jogos de tabuleiro, as revistas, o rádio de pilhas, a calculadora, etc. etc. Na verdade às vezes eu tenho a impressão de que alguns professores gostariam que seus alunos ficassem nus, amarrados às carteiras e com uma mordaça na boca.

Além desses todos, também há um argumento bastante recorrente para justificar a proibição dos celulares na escola: eles não ajudam o professor em nada, então para que permiti-los? Vamos refletir um pouco mais sobre isso?

  • Você, professor, já usou um rádio, rádio-gravador ou um aparelho de reproduzir sons em sala de aula?
  • Já usou alguma vez uma calculadora, em alguma aula?
  • Já usou uma TV, um videocassete ou um DVD em alguma atividade?
  • Já manteve contato com os alunos por e-mail, pela Internet ou por outro dispositivo que permita comunicação à distância?
  • Já fez alguma atividade onde fosse necessário tirar fotos ou gravar um filme?
  • Já propôs alguma entrevista que fosse gravada e depois transcrita?
  • Já usou jogos eletrônicos (videogames) com seus alunos?
  • Costuma comunicar datas de provas e de entregas de trabalho para seus alunos e pede que eles anotem?
  • Já pediu alguma vez aos seus  alunos que copiassem suas anotações feitas na lousa?
  • Já lhes disse alguma vez: “Preste muita atenção na explicação que vou dar agora!” ou algo semelhante a isso?
  • Já consultou a hora para saber quanto falta para o término da aula ou já usou um cronômetro para lhe avisar quando faltarem cinco minutos para o final da sua aula?

Bom, se você já fez pelo menos uma das atividades ou ações descritas acima, então saiba que ela poderia ter sido feita de forma equivalente com o uso de telefones celulares modernos e, não raro, de forma até bem mais eficaz!

Usando o celular na escola

Vou contar uma breve historinha:

O MEC envia livros para as escolas, mas nem sempre há livros para todos. Em 2009 deparei-me com uma situação destas, em que uma classe ficou sem livros e foi necessário então compartilhar os livros entre duas classes. Porém isso impedia os alunos de levarem os livros para casa para poderem estudar… O que fazer?

Em outros tempos eu pediria aos alunos que copiassem as partes mais importantes do livro usadas em cada aula e diríamos que isso era a “matéria para ser estudada”. Isso demanda muito tempo de aula gasto inutilmente, pois não temos esse tempo disponível, temos? Além disso, a menos que o objetivo da aula seja treinar caligrafia ou chatear os alunos, fazer cópias de livros e mesmo da lousa é algo realmente “inútil”. Também existe a possibilidade de fotocopiarmos algumas páginas, mas isso tem um custo com o qual poucas escolas públicas podem arcar.

Mas não precisamos mais fazer nada disso. Agora basta pedir aos alunos que peguem seus celulares e FOTOGRAFEM as páginas importantes do livro! E foi justamente isso que os alunos fizeram.

Fotografando e gravando com o celular

O Celular como ferramenta de registro O mesmo vale para a lousa e mesmo para as pesquisas bibliográficas na biblioteca. Quando algum aluno me pergunta hoje em dia se precisa copiar minhas anotações da lousa, eu logo lhe recomendo que faça algo mais inteligente: fotografe a lousa! E eles fazem!
Essa brevíssima historinha, que é apenas uma dentre muitas,  já me permite então listar algumas sugestões para o uso pedagógico dos telefones móveis celulares modernos em sala de aula e fora dela:

  1. Se você em algum momento faz cálculos em suas aulas e solicita que os alunos os façam, e a menos que por alguma boa razão eles devam fazer esses cálculos com algoritmos específicos e usando papel e lápis, então considere fortemente a possibilidade de usar os celulares como calculadoras. Além disso, se você é professor de matemática e quer ensinar seus alunos como resolver expressões aritméticas obedecendo as regras de precedência de operadores, considere que o uso de calculadoras, e portanto celulares, consiste em um método bastante eficaz de fazê-lo, pois as máquinas seguem a ordem que nós determinamos para as operações; o telefone celular é uma calculadora também;
  2. Se você marca datas de provas, entregas de trabalho ou outras datas que considera importante que os alunos se lembrem, peça-lhes que anotem essas datas. Não no caderno, mas sim na agenda do celular! Eles andam com o celular no bolso o tempo todo e só estão perto do caderno quando estão na escola, confere? O telefone celular é uma agenda que tem até mecanismo de alerta;
  3. Já é possível criar um serviço de envio de mensagens de aviso por e-mail ou via torpedos. Pelo celular é possível receber atualizações de sites, blogs e até mesmo de mensagens do Twitter, bem como fazer o caminho oposto. Se quiser dar um passo adiante você pode criar um serviço desses e disponibilizar para seus alunos; o telefone celular também é um serviço de leitura de notícias e de publicação de notícias;
  4. Os celulares atuais gravam sons, imagens (fotos) e ambos (filmes). Todos esses recursos servem para “registro”. Permita, e mesmo incentive, que seus alunos fotografem sua lousa ao invés de copiá-la no caderno. Isso lhes permite prestar atenção em você, enquanto você fala e escreve, ao invés de repartirem a atenção entre o que você diz e o que eles estão copiando nos cadernos. O mesmo vale para as suas explicações importantes que podem ser gravadas como sons ou como filmes. Imagine o quanto é mais interessante para o aluno “assisti-lo” ou mesmo “ouvi-lo” na hora de estudar do que apenas conferir anotações, nem sempre fiéis, feitas nos cadernos! Use, você mesmo, esses recursos para registrar atividades feitas com os alunos; o telefone celular é uma câmera fotográfica digital, uma filmadora digital e um rádio-gravador digital;
  5. Proponha o uso dos celulares como ferramentas para os alunos desenvolverem seus trabalhos. Como foi dito acima, com o celular eles dispõem de gravador de voz, imagem e vídeo, muito embora eles mesmos não tenham o hábito de registrar suas atividades. Isso é o que chamamos de “making-off” das atividades e, ao fim e ao cabo, é esse o único registro que nos interessa e não o resultado final da atividade. Por exemplo, se eles têm que confeccionar uma maquete, porque não fotografar todas as etapas e depois transformar isso em um filme (animação) que pode ser incluído como parte da própria atividade? O telefone celular é uma ferramenta de registro, edição e publicação.
Aparelho de celular moderno

Siemens SK65 – celular ou computador? Há uma infinidade de possibilidades de uso pedagógico dos telefones celulares modernos em sala de aula e fora dela. Quais lhe interessam? Isso certamente depende da forma como você, professor, usa a tecnologia para si mesmo, em suas aulas e com os seus alunos. Quem não vê nenhum uso pedagógico para o rádio, a televisão, a máquina fotográfica, a filmadora, o gravador, a calculadora, a agenda, etc., então também não verá nenhuma utilidade para o celular, pois é isso que ele representa hoje em dia: não é mais um simples telefone, o celular é uma central de multimídia computadorizada.

Celulares na escola

Eles têm, eles trazem e eles usam… Porque não? À propósito, sempre foi muito comum a falta de recursos tecnológicos nas escolas, principalmente nas escolas públicas. Com o telefone celular passamos a ter muitos desses recursos disponíveis não apenas pela escola, mas também pelos alunos! Isso deveria ser comemorado, mesmo que não concordemos que os alunos prefiram ganhar celulares dos seus pais do que enciclopédias, pois com os celulares eles também ganham diversas possibilidades de aprendizagem que antes não tinham porque a própria escola não dispunha desses recursos. Isso é fascinante, não é?

Alguns cuidados finais

Porém, antes de sair por aí reformulando todas as suas práticas e instituindo a obrigatoriedade do uso do telefone celular na escola, tenha em mente que ainda temos muitos alunos que não têm telefone celular ou que têm telefones celulares que não dispõem de todos os recursos mencionados aqui. Além disso, em alguns estados e municípios (e há uma lei tramitando com validade para o país todo) o celular é proibido na escola. Portanto, é preciso sempre:

  • propor atividades que envolvam o uso de celulares para grupos de alunos em que pelo menos um aluno do grupo disponha do celular com o recurso que será utilizado;
  • permitir que os alunos aprendam a usar o recurso antes de propô-lo como parte de uma atividade. Geralmente os alunos dominam os celulares melhor do que seus professores e aprendem rápido a usá-lo, por isso é uma boa idéia “deixar que eles mesmos ensinem e aprendam a usar o recurso entre eles mesmos” (e aproveite para aprender também!);
  • discutir as questões éticas e morais envolvidas no uso de imagens e registros, bem como o uso indevido dos celulares e de outros equipamentos de mídia;
  • estabelecer claramente no planejamento da sua atividade, e descrever em detalhes no seu planejamento de aula, os objetivos do uso do celular nas atividades propostas. Haverá sempre alguém para se indignar com o fato do celular estar sendo usado na sua aula, infelizmente;
  • e, por último, estabelecer claramente as regras de uso dos celulares na escola de maneira geral e, em particular, durante as aulas em que não estarão usando o celular “como parte da aula”, da mesma forma como estabelecemos as regras para o uso do baralho, dos jogos de tabuleiro, dos avioezinhos de papel e de todo o resto.

Veja que não é difícil negociar o que pode e o que não pode, quando se deve e quando não se deve usar o celular. Fazemos isso da mesma forma como estabelecemos outras regras de convivência na escola. Os conflitos mais comuns que surgem nas salas de aula devem-se justamente à falta de uma definição clara desses acordos e da crença em pressupostos perigosos, como o de que o aluno “deve saber naturalmente o que é certo e o que é errado”.

Também é importante discutir com os alunos os limites éticos e morais do uso do celular, e de outros instrumentos tecnológicos modernos, fora da escola. O celular é parte do cotidiano deles e ensiná-los a usá-lo com sabedoria é também parte da nossa tarefa como educadores. E esta é mais uma boa razão para usar os celulares na escola como ferramentas pedagógicas, pois com isso somos naturalmente levados ao contexto do seu uso responsável e podemos desempenhar nosso papel de educadores de forma natural.

Glossário:

(*1) Sinal Analógico: sinal contínuo que varia com o tempo. A informação é transmitida por meio dessas variações.
(*2) Sinal Digital: sinal transmitido da forma de “zero” e “um”, ou seja, a informação é transmitida na forma binária.
(*3) Área de sombra: região onde os telefones celulares não conseguem conexão com nenhuma torre de transmissão e, portanto, não funcionam.
(*4) Central multimídia computadorizada: este termo esta sendo usado aqui para descrever um aparato que disponibiliza diversas mídias (texto, rádio, TC, etc.) de maneira digital, isto é, controlada por um processador (computador).

Sugestão de outros textos disponíveis na Internet:

DynaTAC 8000x

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Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2010/01/13/uso-pedagogico-do-telefone-movel-celular/

C vc pd lr isso rápido, bm pra vc

SYDNEY (Reuters) – As abreviações e simplificações usadas em mensagens de texto para celulares não estão somente acabando com a nossa ortografia, mas exigindo mais tempo para serem lidas e compreendidas, afirma um estudo australiano publicado nesta quarta-feira.

Nenagh Kemp, conferencista da Universidade da Tasmânia, pediu para 55 alunos de graduação para escreverem e depois lerem em voz alta mensagens de texto em idioma correto e abreviado como o frequentemente usado em celulares.

Enquanto os estudantes foram significativamente mais rápidos ao escreverem abreviado, quase metade deles demorou o dobro do tempo para lerem essas mensagens em voz alta do que ao lerem em idioma correto.

Os estudantes também cometeram mais erros lendo as mensagens abreviadas do que aquelas escritas de modo convencional.

“É mais rápido escrever nesse tipo de linguagem, mas quando esse texto é lido, as pessoas demoram mais tempo. Como adultos que sabem ler, nós estamos acostumados a ler palavras inteiras e frases, então torna-se algo difícil de decifrar para nós”, disse Kemp, conferencista de psicologia que se especializou em uso da linguagem.

Kemp disse que sua pesquisa mostrou que, apesar da crença popular de que o modo abreviado de escrita está arruinando a ortografia, este tipo de linguagem não reflete habilidades literárias, pelo menos não em adultos.

“Não há problemas em usar abreviações em um celular, porque economiza tempo, mas é preciso ter certeza de que o leitor entenderá o que você está escrevendo”, acrescenta. “E não deixe isso impregnar seus emails, redações acadêmicas ou formulários. Mantenha as separações.”

Fonte: http://br.tecnologia.yahoo.com/article/10122008/5/noticias-tecnologia-c-vc-pd-lr.html

>Interações sociais mediadas pelo celular

>

Por Maria Aparecida Moura
Professora da Universidade Federal de Minas Gerais

Por Camila Maciel Mantovani
Jornalista e mestre em Ciências da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais

O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação deu à sociedade uma nova configuração. Atualmente, vive-se em um mundo conectado em redes onde os fluxos da informação remodelam as formas de interação entre os sujeitos. Pode-se dizer que o desenvolvimento dos processos de comunicação e informação forneceu suporte material para a globalização, fenômeno de caráter econômico, cultural e social. As alterações nas noções de tempo e espaço e a globalização dos fluxos de informação refletiram em todos os campos da vida social: trabalho, lazer, educação, entre outros.

A interação social, antes realizada através das relações face-a face, foi, ao longo da história, transformando-se através da interposição de inúmeras e diversificadas formas de mediação. A interposição das mediações nas trocas comunicacionais tornou-se necessária para garantir a aproximação de sujeitos geograficamente dispersos. Com esse intuito, surgiram, ou foram apropriados socialmente, a carta, o telegrama, o telefone fixo, o fax, o e-mail e, mais contemporaneamente, o telefone celular.

As mediações comunicacionais foram introduzidas no contexto das relações sociais sem, contudo, romperem com os princípios de sociabilidade presentes na interação face a face. Assim, veicula de forma implícita e/ou explicita traços dos sujeitos em interação. Através dos indícios presentes na letra, na escolha do papel, no estilo e, posteriormente, no tom e intensidade da voz e na própria imagem dos interlocutores, garantindo uma migração paulatina do presencial ao tecnologicamente mediado.

Se, anteriormente, o que estava em evidência na mediação era a manutenção dos laços de sociabilidade, com o passar do tempo, outras variáveis foram agregadas, alterando significativamente a natureza da interação. Com o uso das mediações comunicativas, a conectividade e a agilidade das interações experimentadas chegaram rapidamente ao mundo do trabalho e das trocas comerciais, passando a serem vistas como elemento de interesse econômico estratégico.

Nesse contexto, pode-se dizer que a Internet, nos últimos anos, foi um dos meios de comunicação e informação que mais evidenciaram o movimento em torno da noção de global. A internet promoveu o encurtamento de distâncias e criou um espaço comum de trocas informacionais, ligando todas as partes do globo.

No entanto, experimenta-se, atualmente, a intensificação do uso de um outro meio de comunicação que também traz consigo a idéia de conectividade. Este meio é o telefone celular.

2. A Tecnologia da telefonia móvel

A intensificação do uso do telefone celular foi acompanhada por uma forte campanha (quase mesmo uma imposição) em torno da necessidade de os sujeitos estarem conectados, sempre aptos a ingressar em processos de interações instantâneas. Antes, um dos principais meios que possibilitavam a conectividade via rede eram os computadores, hoje, os telefones celulares assumem esse papel.

A história dos aparelhos de telefonia móvel inicia-se de forma bastante semelhante à da Internet (Arpanet 1969). Ambas foram criadas com propósitos militares, o que evidencia a forte presença governamental na promoção e disseminação da idéia de uma sociedade da informação. Diversas pesquisas em TI’s foram financiadas e incentivas pelos ministérios de defesa dos governos, com destaque para o dos Estados Unidos. (Kumar, 1997).

Durante a II Guerra Mundial, a necessidade de um telefone móvel tornou-se premente. O sistema de comunicação utilizado pelo exército norte-americano era formando por duas partes: os soldados carregavam nas costas uma mochila de quatro quilos com apenas parte do telefone. A conexão por rádio com o sistema telefônico, que era o componente mais pesado, ficava no jipe do pelotão. A partir de então, pesquisadores se empenharam em criar um telefone sem fios que pudesse ser usado em qualquer lugar. Em 1947, nos laboratórios Bell foi desenvolvido um sistema de alta capacidade que fazia uso de várias antenas interligadas. Cada uma em sua área seria uma célula. Daí o nome telefone celular.

O primeiro aparelho foi criado em 1973 e diferia-se radicalmente dos modelos atuais. O Dynatac 8000X pesava aproximadamente um quilo, tinha vinte e cinco centímetros de comprimento, sete centímetros de largura e três de espessura. No entanto, foi apenas em 1982 que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) norte-americana autorizou a comercialização dos telefones celulares. Desde então, muitas foram as transformações pelas quais passaram os telefones celulares, transformações estas que não se limitaram apenas aos aspectos físicos dos mesmos, mas que se refletiram principalmente em suas funções.

O advento dos telefones digitais proporcionou não só o aumento do número de linhas, mas também o surgimento de novos serviços wireless. Como tudo foi transformado em dado, foi possível incorporar aos aparelhos serviços de e-mail, mensagens de texto, fax e até mesmo imagens e vídeo. Nesse contexto, os dados socialmente compartilhados tornaram-se fluxos informacionais.

2.1 A telefonia celular no Brasil

No Brasil, os celulares chegaram no ano de 1990, e a expansão de seu uso está atrelada ao processo de privatização pelo qual passaram as empresas de telecomunicações no país.

Segundo Dantas (2002), a abertura do mercado de telefonia móvel para o capital privado obrigou as antigas estatais e as novas empresas que se instalavam a realizarem grandes investimentos no setor. Com isto, houve um aumento significativo na escala de produção de aparelhos e na oferta de novos serviços, numa ampla disputa pelos consumidores.

De acordo com dados recentes publicados pela Anatel (1) (Agência Nacional de Telecomunicações), o Brasil possui hoje mais de 54 milhões de celulares habilitados em funcionamento. Isso significa que, para cada grupo de 100 habitantes, existem hoje cerca de 30 celulares habilitados em todo país. Em 2003, essa relação era de 21,51 telefones móveis para cada 100 habitantes.

Ainda segundo dados da Anatel, no período de um ano, o número de celulares no Brasil cresceu 42,02%. Os telefones pré-pagos representaram em junho de 2004 79,06% do total de celulares, contra apenas 20,94% de pós-pagos.

A introdução do sistema pré-pago foi, para Dantas (2002), a principal razão do sucesso do celular entre as camadas populares. Através desse sistema o usuário adquire o cartão que lhe permite realizar determinado número de chamadas. Porém, ao se darem conta do alto custo das ligações efetuadas a partir de tais modelos as pessoas começaram a utilizar o telefone celular apenas para receber ligações.

3. A elaboração de conteúdos para celular

O mercado da telefonia móvel esteve, durante algum tempo, vinculado apenas ao serviço de voz. Nesse cenário, as operadoras eram os únicos atores, determinando preços de assinaturas e tarifas – modelo de negócio bastante semelhante ao da telefonia fixa. Porém, a digitalização dos celulares permitiu que fossem incorporadas novas funcionalidades ao aparelho, o que fez com que as operadoras de telefonia móvel passassem a vislumbrar novas possibilidades de geração de renda, abrindo espaço para outros atores comerciais. Sendo assim, começaram a ser desenvolvidos os serviços de valor agregado para telefonia móvel, em formatos diversos – imagem, som, vídeo, texto – e que são ofertados através de diferentes empresas especializadas.

Atualmente, já existem no Brasil outros canais de ofertas de produtos via celular, que não apenas os broadcasts – mensagens de texto enviadas aos celulares dos clientes pelas operadoras. São exemplos da nova forma de abordagem do cliente os sites de ringtones e imagens, para celular, de times de futebol, de revistas e até mesmo de canais de televisão (2).

No país, uns dos principais produtos ofertados via celular são os ringtones, também conhecidos como tons ou toques musicais. A venda dos ringtones é feita trabalhando-se a idéia de personalização de chamadas. O usuário, ao receber o item em seu celular, arquiva-o no aparelho e depois o relaciona a um grupo de chamada, ou seja, a determinados telefones gravados em sua agenda. Quando o usuário receber uma ligação advinda de algum desses números, ele poderá identificar quem lhe chama apenas pelo toque do celular.

As imagens e os vídeos elaborados para os celulares além de também serem promovidos com base na idéia de personalização, agregam a noção de troca de informações entre usuários.

4. Fluxos informacionais e agregação just-in-time

A complexidade tecnológica atribuída aos processos de interação social deu margem ao surgimento de novas formas de agregação social, nas quais o laço de sociabilidade não figura como elemento central. Trata-se do que se convencionou chamar de agregação just-in-time.

A agregação just-in-time é caracterizada por processos instantâneos e efêmeros de interação social entre sujeitos dispersos geograficamente. Ela se estabelece via tecnologia, interconectando fluxos informacionais, independente dos limites do tempo e do espaço. Um exemplo desse tipo de agregação é a recém-criada Comunidade – Álibi (3) construída para agregar sujeitos dispostos a fornecer um álibi para outros que desejam faltar ao trabalho, à faculdade ou ter encontros amorosos clandestinos sem ter que passar pelo constrangimento de fornecer uma desculpa face a face. Trata-se de uma agregação colaborativa just-in-time entre pessoas que, na maioria das vezes, nunca se viram ou se falaram.

As agregações just-in-time podem também ter implicações nas formas presenciais de interação social. Um bom exemplo disso é o uso público do telefone celular. Atualmente, as pessoas podem realizar agregações ou exclusões sociais pelo simples reconhecimento de um toque de chamada ao celular (ringtones). A escolha desses ringtones revela muito da subjetividade do portador do aparelho. Assim, quando alguém recebe um telefonema ao som de um ringtone do seu time ou mesmo da sua música favorita estende para o universo presencial a publicização de traços de sua personalidade, reincorporando, desse modo, alguns elementos típicos da interação face a face. Verifica-se, nesses casos, que a objetividade da interação social tecnologicamente mediada acabou por forçar um novo ciclo de apropriações sociais.

Hoje os celulares tornaram-se uma verdadeira extensão do corpo humano e vão além da simples função de estabelecer interações entre sujeitos. Atualmente, esses aparelhos revelam a interação entre fluxos informacionais ao permitirem a realização de download de vídeos e músicas em MP3, fotografias, envio de e-mail, a sincronização sem fio entre diferentes aparelhos e acessórios e a comunicação, via celular, de qualquer lugar do mundo através da quadribanda e da tecnologia GSM. Nesse caso, a interação é motivada mais pela informação disponibilizada, do que pelo sujeito que realiza as trocas informacionais.

Para Myerson (2001), já que os celulares deixaram de ser apenas um “telefone” para se tornarem um “equipamento”, a comunicação assumiu características de processamento de dados. Portanto, o ato comunicacional, inserido nesse processo, nada mais é que uma troca entre equipamentos, envolvendo a transmissão de informações.

A convergência de outras mídias para integrar a plataforma dos celulares é divulgada como sendo a capacidade de os aparelhos interagirem com outros meios de comunicação. Nesse sentido interagir significa fazer uma conexão, entrar em rede. Novamente, conforma ressalta Myerson (2001), “é o equipamento que é capaz de interagir, nessa nova linguagem, sendo assim, o outro nesse processo é uma rede e não um agente humano” (4).

O celular tornou-se, então, uma senha de sociabilidade por manter os sujeitos conectados, via satélite, sem as restrições que as barreiras da temporalidade e do espaço impunham. Na atualidade, é possível estabelecer, por telefone, interações de caráter efêmero que dêem a entender que serão duradouras. Isso é possível devido à incorporação de indícios ofertados pela manipulação da voz, do som ambiente e da imagem dos sujeitos em interação. Trata-se do que Castells (5) (2003: p. 110) denominou portifólio de sociabilidade – caracterizado pela manipulação de imagens pessoais – uma espécie de avatar (6) do self utilizado em interações sociais determinadas.

Castells (2003) ressalta, ainda, que os sujeitos vivenciam um momento de privatização da sociabilidade demarcada pelo individualismo em rede. Seriam as “comunidades personalizadas”, corporificadas em redes egocentradas. Esse novo padrão de sociabilidade, segundo o autor, é induzido pela crise do patriarcalismo, pela individualização e fragmentação do contexto espacial da existência e racionalizado pela crise de legitimidade política.

Cabe ressaltar que essa mobilização em torno do celular não é um fenômeno puramente tecnológico, mas principalmente cultural. Daí todo o discurso a respeito da necessidade de se adotar esse novo meio. É como se, ao não estar conectado nessa rede sem fios, o sujeito deixasse de registrar a sua presença no mundo.

Para Bauman (2004) o celular confere aos sujeitos a ubiqüidade, gerando um estado de permanente conexão entre indivíduos em movimento. Portar um celular significa manter-se inserido em uma rede de potenciais interações. Ele agrega a idéia de família, de intimidade, de emergência e de trabalho. Nele o público e o privado se mesclam diluindo-se as fronteiras entre esses dois territórios.
Em recente pesquisa realizada, Munier (2004) apontou a preponderância do celular como elemento mediador da necessidade de sociabilidade. Ao pesquisar as mediações tecnológicas adotadas nas interações sociais entre jovens franceses, constatou-se que, em momentos de angústia e isolamento, os interlocutores preferem majoritariamente o celular (seja através dos serviços de voz, ou mensagens de texto -sms) em detrimento de outros instrumentos digitais de interação. Essa preponderância justifica-se pelo fato de o celular ter forte conotação pessoal, sendo, portanto, mais conveniente para as comunicações íntimas.

O estudo de Munier corrobora a constatação de que o público jovem configura-se como o segmento social mais propenso ao uso do telefone celular. A familiaridade desse grupo com as tecnologias da informação é grande. A naturalidade com que muitos incorporam os aparatos tecnológicos no seu dia a dia pode ser comparada à aprendizagem da fala. Acrescente-se a isso uma característica marcante dessa fase da vida humana na qual o processo de constituição da identidade passa pelo sentimento de pertencimento a um grupo social.

Há que se destacar também a forte campanha em torno da promoção dos telefones celulares. Myerson (2001) nomeia esse fenômeno de mobilisation – the massive mobile campaign. Segundo o autor, a campanha em torno da promoção dos telefones celulares espreita os sujeitos em todos os lugares. Eles são promovidos através de diversas mídias e eventos direcionados a públicos específicos, como partidas de futebol, shows de rock, dentre outros.

Nesse complexo cenário, as mediações comunicativas ganharam uma centralidade excessiva e tensionaram o caráter das interações sociais reduzindo-as drasticamente à troca de mensagens. Entretanto, essa redução não ocorreu de forma pacífica. Hoje é possível afirmar que a telefonia móvel celular ganhou destaque justamente por incorporar, em termos tecnológicos, os aspectos críticos identificados na correlação de forças estabelecida no debate sobre a função social da mediação comunicativa. Se o telefone fixo já era considerado a mídia mais interativa por permitir a troca e a alteração do curso das mensagens em tempo real, o celular associou a isso a portabilidade, a conectividade e a multifuncionalidade.

5. Considerações finais

A crescente desmaterialização dos objetos informacionais, através do processo de digitalização, relativizou o papel do suporte e possibilitou a interconexão entre os dispositivos tecnológicos. Convergência e interatividade eram palavras que acompanhavam todas as caracterizações e descrições da Internet nos anos que se seguiram à sua difusão. Porém, passado o momento de euforia, elas já não causavam o mesmo impacto. No entanto, hoje, tais termos voltaram à cena, figurando ao lado de uma outra ferramenta: o telefone celular, que passa a ser visto como um novo veículo de comunicação multimídia.

Ao se analisar as alterações ocorridas na noção de informação, pode-se compreender a posição destacada da telefonia móvel na atualidade. As sociedades modernas presenciaram uma transformação no caráter da informação. Se antes esta circulava em ambientes como os cafés e outros espaços de socialização, com o crescente processo de urbanização, a informação precisou tornar-se mais fluida para acompanhar o deslocamento dos sujeitos pela cidade.

Os celulares exacerbaram a necessidade dos rituais de sincronia – interações que exigem espaço e tempo determinado para se efetivar. Contudo, o ritual sincrônico característico do celular prescindiu da noção de espaço e reduziu o papel do sujeito no processo de interação social, haja vista a preponderância dos fluxos informacionais.

Para dar conta desses rituais, é preciso liberar os sujeitos do excesso de interposições materiais antes exigidas para realizar conexões. Assim, nos processos de sociabilidade contemporâneos, não há como estar fora ou longe, é preciso manter-se acessível em situações e contextos diversos.

As mudanças decorrentes do acesso rápido e especializado interferiram nas relações sociais e nas formas de lidar com a informação. Contudo, neste momento, não se pode precisar a direção e as implicações das novas formas de sociabilidade mediadas pela tecnologia. Verifica-se que a agregação social por elas permitida irá alterar, de modo significativo, as formas de interação social na contemporaneidade e, poderão levar ao estabelecimento de novos padrões de comunicação e trocas informacionais entre os homens.

Bibliografia:

– BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: A Busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
– BAUMAN, Zygmunt. Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade. In: Amor Líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
– CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede:v.1. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
– CASTELLS, Manuel. Comunidades virtuais ou sociedade de rede? In: A Galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2003.
– DANTAS, Marcos. A lógica do capital-informação: a fragmentação dos monopólios e a monopolização dos fragmentos num mundo de comunicações globais. Rio de Janeiro: Contraponto, 2 ed., 2002.
– KUMAR, Krishan. Da sociedade pós-industrial à pós-moderna: novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
– LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Ed. 34. 1996.
– LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999.
– METROS, Susan E. Making Connections. Revista Leonardo. v.32, n.4, 1999.
– MUNIER, Brigitte. L’influence des nouvelles technologies multimédias sur les formes de sociabilité. Communications & languages. n. 140, juin.2004.
– MYERSON, George. Heidegger, Habermans and the mobile phone. United Kingdom: Icon Books, 2001.
Links:

http://www.anatel.gov.br/comunicacao_movel/
http://courses.atlas.uiuc.edu/spcom/spcom199/fudali/History.html
http://www.ringtones.com.br/capricho
http://www.ringtones.com.br/cruzeiro
http://www.ringtones.com.br/mtv

Notas:
1. http://www.anatel.gov.br/Tools/frame.asp?link=/biblioteca/releases/2004/release_15_07_2004.pdf. Acessado no dia 20 de julho de 2004.
2. http://www.ringtones.com.br/cruzeiro; http://www.ringtones.com.br/mtv; www.ringtones.com.br/capricho.
3. http://www.sms.ac (Clube do Álibe). http://amorios.com.ar (Argentina).
4. MYERSON, 2001: p. 52 (tradução nossa)
5. CASTELLS, Manuel. Comunidades virtuais ou sociedade de rede? In: _______. A galáxia da Internet; reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. São Paulo: Jorge Zahar, 2003.
6. Termo apropriado do sânscrito; refere-se a uma deidade hindu que vem a terra através da encarnação. ambiente virtual, refere-se às múltiplas identidades assumidas pelos interlocutores no estabelecimento de interações sociais.

Texto originalmente publicado na Revista Textos de la CiberSociedad, 6. Temática Variada

Fonte: http://www.revistapontocom.org.br/?p=676

Interações sociais mediadas pelo celular

Por Maria Aparecida Moura
Professora da Universidade Federal de Minas Gerais

Por Camila Maciel Mantovani
Jornalista e mestre em Ciências da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais

O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação deu à sociedade uma nova configuração. Atualmente, vive-se em um mundo conectado em redes onde os fluxos da informação remodelam as formas de interação entre os sujeitos. Pode-se dizer que o desenvolvimento dos processos de comunicação e informação forneceu suporte material para a globalização, fenômeno de caráter econômico, cultural e social. As alterações nas noções de tempo e espaço e a globalização dos fluxos de informação refletiram em todos os campos da vida social: trabalho, lazer, educação, entre outros.

A interação social, antes realizada através das relações face-a face, foi, ao longo da história, transformando-se através da interposição de inúmeras e diversificadas formas de mediação. A interposição das mediações nas trocas comunicacionais tornou-se necessária para garantir a aproximação de sujeitos geograficamente dispersos. Com esse intuito, surgiram, ou foram apropriados socialmente, a carta, o telegrama, o telefone fixo, o fax, o e-mail e, mais contemporaneamente, o telefone celular.

As mediações comunicacionais foram introduzidas no contexto das relações sociais sem, contudo, romperem com os princípios de sociabilidade presentes na interação face a face. Assim, veicula de forma implícita e/ou explicita traços dos sujeitos em interação. Através dos indícios presentes na letra, na escolha do papel, no estilo e, posteriormente, no tom e intensidade da voz e na própria imagem dos interlocutores, garantindo uma migração paulatina do presencial ao tecnologicamente mediado.

Se, anteriormente, o que estava em evidência na mediação era a manutenção dos laços de sociabilidade, com o passar do tempo, outras variáveis foram agregadas, alterando significativamente a natureza da interação. Com o uso das mediações comunicativas, a conectividade e a agilidade das interações experimentadas chegaram rapidamente ao mundo do trabalho e das trocas comerciais, passando a serem vistas como elemento de interesse econômico estratégico.

Nesse contexto, pode-se dizer que a Internet, nos últimos anos, foi um dos meios de comunicação e informação que mais evidenciaram o movimento em torno da noção de global. A internet promoveu o encurtamento de distâncias e criou um espaço comum de trocas informacionais, ligando todas as partes do globo.

No entanto, experimenta-se, atualmente, a intensificação do uso de um outro meio de comunicação que também traz consigo a idéia de conectividade. Este meio é o telefone celular.

2. A Tecnologia da telefonia móvel

A intensificação do uso do telefone celular foi acompanhada por uma forte campanha (quase mesmo uma imposição) em torno da necessidade de os sujeitos estarem conectados, sempre aptos a ingressar em processos de interações instantâneas. Antes, um dos principais meios que possibilitavam a conectividade via rede eram os computadores, hoje, os telefones celulares assumem esse papel.

A história dos aparelhos de telefonia móvel inicia-se de forma bastante semelhante à da Internet (Arpanet 1969). Ambas foram criadas com propósitos militares, o que evidencia a forte presença governamental na promoção e disseminação da idéia de uma sociedade da informação. Diversas pesquisas em TI’s foram financiadas e incentivas pelos ministérios de defesa dos governos, com destaque para o dos Estados Unidos. (Kumar, 1997).

Durante a II Guerra Mundial, a necessidade de um telefone móvel tornou-se premente. O sistema de comunicação utilizado pelo exército norte-americano era formando por duas partes: os soldados carregavam nas costas uma mochila de quatro quilos com apenas parte do telefone. A conexão por rádio com o sistema telefônico, que era o componente mais pesado, ficava no jipe do pelotão. A partir de então, pesquisadores se empenharam em criar um telefone sem fios que pudesse ser usado em qualquer lugar. Em 1947, nos laboratórios Bell foi desenvolvido um sistema de alta capacidade que fazia uso de várias antenas interligadas. Cada uma em sua área seria uma célula. Daí o nome telefone celular.

O primeiro aparelho foi criado em 1973 e diferia-se radicalmente dos modelos atuais. O Dynatac 8000X pesava aproximadamente um quilo, tinha vinte e cinco centímetros de comprimento, sete centímetros de largura e três de espessura. No entanto, foi apenas em 1982 que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) norte-americana autorizou a comercialização dos telefones celulares. Desde então, muitas foram as transformações pelas quais passaram os telefones celulares, transformações estas que não se limitaram apenas aos aspectos físicos dos mesmos, mas que se refletiram principalmente em suas funções.

O advento dos telefones digitais proporcionou não só o aumento do número de linhas, mas também o surgimento de novos serviços wireless. Como tudo foi transformado em dado, foi possível incorporar aos aparelhos serviços de e-mail, mensagens de texto, fax e até mesmo imagens e vídeo. Nesse contexto, os dados socialmente compartilhados tornaram-se fluxos informacionais.

2.1 A telefonia celular no Brasil

No Brasil, os celulares chegaram no ano de 1990, e a expansão de seu uso está atrelada ao processo de privatização pelo qual passaram as empresas de telecomunicações no país.

Segundo Dantas (2002), a abertura do mercado de telefonia móvel para o capital privado obrigou as antigas estatais e as novas empresas que se instalavam a realizarem grandes investimentos no setor. Com isto, houve um aumento significativo na escala de produção de aparelhos e na oferta de novos serviços, numa ampla disputa pelos consumidores.

De acordo com dados recentes publicados pela Anatel (1) (Agência Nacional de Telecomunicações), o Brasil possui hoje mais de 54 milhões de celulares habilitados em funcionamento. Isso significa que, para cada grupo de 100 habitantes, existem hoje cerca de 30 celulares habilitados em todo país. Em 2003, essa relação era de 21,51 telefones móveis para cada 100 habitantes.

Ainda segundo dados da Anatel, no período de um ano, o número de celulares no Brasil cresceu 42,02%. Os telefones pré-pagos representaram em junho de 2004 79,06% do total de celulares, contra apenas 20,94% de pós-pagos.

A introdução do sistema pré-pago foi, para Dantas (2002), a principal razão do sucesso do celular entre as camadas populares. Através desse sistema o usuário adquire o cartão que lhe permite realizar determinado número de chamadas. Porém, ao se darem conta do alto custo das ligações efetuadas a partir de tais modelos as pessoas começaram a utilizar o telefone celular apenas para receber ligações.

3. A elaboração de conteúdos para celular

O mercado da telefonia móvel esteve, durante algum tempo, vinculado apenas ao serviço de voz. Nesse cenário, as operadoras eram os únicos atores, determinando preços de assinaturas e tarifas – modelo de negócio bastante semelhante ao da telefonia fixa. Porém, a digitalização dos celulares permitiu que fossem incorporadas novas funcionalidades ao aparelho, o que fez com que as operadoras de telefonia móvel passassem a vislumbrar novas possibilidades de geração de renda, abrindo espaço para outros atores comerciais. Sendo assim, começaram a ser desenvolvidos os serviços de valor agregado para telefonia móvel, em formatos diversos – imagem, som, vídeo, texto – e que são ofertados através de diferentes empresas especializadas.

Atualmente, já existem no Brasil outros canais de ofertas de produtos via celular, que não apenas os broadcasts – mensagens de texto enviadas aos celulares dos clientes pelas operadoras. São exemplos da nova forma de abordagem do cliente os sites de ringtones e imagens, para celular, de times de futebol, de revistas e até mesmo de canais de televisão (2).

No país, uns dos principais produtos ofertados via celular são os ringtones, também conhecidos como tons ou toques musicais. A venda dos ringtones é feita trabalhando-se a idéia de personalização de chamadas. O usuário, ao receber o item em seu celular, arquiva-o no aparelho e depois o relaciona a um grupo de chamada, ou seja, a determinados telefones gravados em sua agenda. Quando o usuário receber uma ligação advinda de algum desses números, ele poderá identificar quem lhe chama apenas pelo toque do celular.

As imagens e os vídeos elaborados para os celulares além de também serem promovidos com base na idéia de personalização, agregam a noção de troca de informações entre usuários.

4. Fluxos informacionais e agregação just-in-time

A complexidade tecnológica atribuída aos processos de interação social deu margem ao surgimento de novas formas de agregação social, nas quais o laço de sociabilidade não figura como elemento central. Trata-se do que se convencionou chamar de agregação just-in-time.

A agregação just-in-time é caracterizada por processos instantâneos e efêmeros de interação social entre sujeitos dispersos geograficamente. Ela se estabelece via tecnologia, interconectando fluxos informacionais, independente dos limites do tempo e do espaço. Um exemplo desse tipo de agregação é a recém-criada Comunidade – Álibi (3) construída para agregar sujeitos dispostos a fornecer um álibi para outros que desejam faltar ao trabalho, à faculdade ou ter encontros amorosos clandestinos sem ter que passar pelo constrangimento de fornecer uma desculpa face a face. Trata-se de uma agregação colaborativa just-in-time entre pessoas que, na maioria das vezes, nunca se viram ou se falaram.

As agregações just-in-time podem também ter implicações nas formas presenciais de interação social. Um bom exemplo disso é o uso público do telefone celular. Atualmente, as pessoas podem realizar agregações ou exclusões sociais pelo simples reconhecimento de um toque de chamada ao celular (ringtones). A escolha desses ringtones revela muito da subjetividade do portador do aparelho. Assim, quando alguém recebe um telefonema ao som de um ringtone do seu time ou mesmo da sua música favorita estende para o universo presencial a publicização de traços de sua personalidade, reincorporando, desse modo, alguns elementos típicos da interação face a face. Verifica-se, nesses casos, que a objetividade da interação social tecnologicamente mediada acabou por forçar um novo ciclo de apropriações sociais.

Hoje os celulares tornaram-se uma verdadeira extensão do corpo humano e vão além da simples função de estabelecer interações entre sujeitos. Atualmente, esses aparelhos revelam a interação entre fluxos informacionais ao permitirem a realização de download de vídeos e músicas em MP3, fotografias, envio de e-mail, a sincronização sem fio entre diferentes aparelhos e acessórios e a comunicação, via celular, de qualquer lugar do mundo através da quadribanda e da tecnologia GSM. Nesse caso, a interação é motivada mais pela informação disponibilizada, do que pelo sujeito que realiza as trocas informacionais.

Para Myerson (2001), já que os celulares deixaram de ser apenas um “telefone” para se tornarem um “equipamento”, a comunicação assumiu características de processamento de dados. Portanto, o ato comunicacional, inserido nesse processo, nada mais é que uma troca entre equipamentos, envolvendo a transmissão de informações.

A convergência de outras mídias para integrar a plataforma dos celulares é divulgada como sendo a capacidade de os aparelhos interagirem com outros meios de comunicação. Nesse sentido interagir significa fazer uma conexão, entrar em rede. Novamente, conforma ressalta Myerson (2001), “é o equipamento que é capaz de interagir, nessa nova linguagem, sendo assim, o outro nesse processo é uma rede e não um agente humano” (4).

O celular tornou-se, então, uma senha de sociabilidade por manter os sujeitos conectados, via satélite, sem as restrições que as barreiras da temporalidade e do espaço impunham. Na atualidade, é possível estabelecer, por telefone, interações de caráter efêmero que dêem a entender que serão duradouras. Isso é possível devido à incorporação de indícios ofertados pela manipulação da voz, do som ambiente e da imagem dos sujeitos em interação. Trata-se do que Castells (5) (2003: p. 110) denominou portifólio de sociabilidade – caracterizado pela manipulação de imagens pessoais – uma espécie de avatar (6) do self utilizado em interações sociais determinadas.

Castells (2003) ressalta, ainda, que os sujeitos vivenciam um momento de privatização da sociabilidade demarcada pelo individualismo em rede. Seriam as “comunidades personalizadas”, corporificadas em redes egocentradas. Esse novo padrão de sociabilidade, segundo o autor, é induzido pela crise do patriarcalismo, pela individualização e fragmentação do contexto espacial da existência e racionalizado pela crise de legitimidade política.

Cabe ressaltar que essa mobilização em torno do celular não é um fenômeno puramente tecnológico, mas principalmente cultural. Daí todo o discurso a respeito da necessidade de se adotar esse novo meio. É como se, ao não estar conectado nessa rede sem fios, o sujeito deixasse de registrar a sua presença no mundo.

Para Bauman (2004) o celular confere aos sujeitos a ubiqüidade, gerando um estado de permanente conexão entre indivíduos em movimento. Portar um celular significa manter-se inserido em uma rede de potenciais interações. Ele agrega a idéia de família, de intimidade, de emergência e de trabalho. Nele o público e o privado se mesclam diluindo-se as fronteiras entre esses dois territórios.
Em recente pesquisa realizada, Munier (2004) apontou a preponderância do celular como elemento mediador da necessidade de sociabilidade. Ao pesquisar as mediações tecnológicas adotadas nas interações sociais entre jovens franceses, constatou-se que, em momentos de angústia e isolamento, os interlocutores preferem majoritariamente o celular (seja através dos serviços de voz, ou mensagens de texto -sms) em detrimento de outros instrumentos digitais de interação. Essa preponderância justifica-se pelo fato de o celular ter forte conotação pessoal, sendo, portanto, mais conveniente para as comunicações íntimas.

O estudo de Munier corrobora a constatação de que o público jovem configura-se como o segmento social mais propenso ao uso do telefone celular. A familiaridade desse grupo com as tecnologias da informação é grande. A naturalidade com que muitos incorporam os aparatos tecnológicos no seu dia a dia pode ser comparada à aprendizagem da fala. Acrescente-se a isso uma característica marcante dessa fase da vida humana na qual o processo de constituição da identidade passa pelo sentimento de pertencimento a um grupo social.

Há que se destacar também a forte campanha em torno da promoção dos telefones celulares. Myerson (2001) nomeia esse fenômeno de mobilisation – the massive mobile campaign. Segundo o autor, a campanha em torno da promoção dos telefones celulares espreita os sujeitos em todos os lugares. Eles são promovidos através de diversas mídias e eventos direcionados a públicos específicos, como partidas de futebol, shows de rock, dentre outros.

Nesse complexo cenário, as mediações comunicativas ganharam uma centralidade excessiva e tensionaram o caráter das interações sociais reduzindo-as drasticamente à troca de mensagens. Entretanto, essa redução não ocorreu de forma pacífica. Hoje é possível afirmar que a telefonia móvel celular ganhou destaque justamente por incorporar, em termos tecnológicos, os aspectos críticos identificados na correlação de forças estabelecida no debate sobre a função social da mediação comunicativa. Se o telefone fixo já era considerado a mídia mais interativa por permitir a troca e a alteração do curso das mensagens em tempo real, o celular associou a isso a portabilidade, a conectividade e a multifuncionalidade.

5. Considerações finais

A crescente desmaterialização dos objetos informacionais, através do processo de digitalização, relativizou o papel do suporte e possibilitou a interconexão entre os dispositivos tecnológicos. Convergência e interatividade eram palavras que acompanhavam todas as caracterizações e descrições da Internet nos anos que se seguiram à sua difusão. Porém, passado o momento de euforia, elas já não causavam o mesmo impacto. No entanto, hoje, tais termos voltaram à cena, figurando ao lado de uma outra ferramenta: o telefone celular, que passa a ser visto como um novo veículo de comunicação multimídia.

Ao se analisar as alterações ocorridas na noção de informação, pode-se compreender a posição destacada da telefonia móvel na atualidade. As sociedades modernas presenciaram uma transformação no caráter da informação. Se antes esta circulava em ambientes como os cafés e outros espaços de socialização, com o crescente processo de urbanização, a informação precisou tornar-se mais fluida para acompanhar o deslocamento dos sujeitos pela cidade.

Os celulares exacerbaram a necessidade dos rituais de sincronia – interações que exigem espaço e tempo determinado para se efetivar. Contudo, o ritual sincrônico característico do celular prescindiu da noção de espaço e reduziu o papel do sujeito no processo de interação social, haja vista a preponderância dos fluxos informacionais.

Para dar conta desses rituais, é preciso liberar os sujeitos do excesso de interposições materiais antes exigidas para realizar conexões. Assim, nos processos de sociabilidade contemporâneos, não há como estar fora ou longe, é preciso manter-se acessível em situações e contextos diversos.

As mudanças decorrentes do acesso rápido e especializado interferiram nas relações sociais e nas formas de lidar com a informação. Contudo, neste momento, não se pode precisar a direção e as implicações das novas formas de sociabilidade mediadas pela tecnologia. Verifica-se que a agregação social por elas permitida irá alterar, de modo significativo, as formas de interação social na contemporaneidade e, poderão levar ao estabelecimento de novos padrões de comunicação e trocas informacionais entre os homens.

Bibliografia:

– BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: A Busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
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– DANTAS, Marcos. A lógica do capital-informação: a fragmentação dos monopólios e a monopolização dos fragmentos num mundo de comunicações globais. Rio de Janeiro: Contraponto, 2 ed., 2002.
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– LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999.
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– MUNIER, Brigitte. L’influence des nouvelles technologies multimédias sur les formes de sociabilité. Communications & languages. n. 140, juin.2004.
– MYERSON, George. Heidegger, Habermans and the mobile phone. United Kingdom: Icon Books, 2001.
Links:

http://www.anatel.gov.br/comunicacao_movel/
http://courses.atlas.uiuc.edu/spcom/spcom199/fudali/History.html
http://www.ringtones.com.br/capricho
http://www.ringtones.com.br/cruzeiro
http://www.ringtones.com.br/mtv

Notas:
1. http://www.anatel.gov.br/Tools/frame.asp?link=/biblioteca/releases/2004/release_15_07_2004.pdf. Acessado no dia 20 de julho de 2004.
2. http://www.ringtones.com.br/cruzeiro; http://www.ringtones.com.br/mtv; www.ringtones.com.br/capricho.
3. http://www.sms.ac (Clube do Álibe). http://amorios.com.ar (Argentina).
4. MYERSON, 2001: p. 52 (tradução nossa)
5. CASTELLS, Manuel. Comunidades virtuais ou sociedade de rede? In: _______. A galáxia da Internet; reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. São Paulo: Jorge Zahar, 2003.
6. Termo apropriado do sânscrito; refere-se a uma deidade hindu que vem a terra através da encarnação. ambiente virtual, refere-se às múltiplas identidades assumidas pelos interlocutores no estabelecimento de interações sociais.

Texto originalmente publicado na Revista Textos de la CiberSociedad, 6. Temática Variada

Fonte: http://www.revistapontocom.org.br/?p=676