WebQuest: Aprendendo com pesquisa

sobre Educação Por Lúcia Serafim
maluserafim@gmail.com

Frente ao cenário que hoje se apresenta envolto em recentes tecnologias digitais, cabe à educação trabalhar na perspectiva de favorecer aprendizagens que ajudem o aprendiz a desenvolver a capacidade de colocar e resolver problemas, de promover o desabrochar da inteligência, de exercitar a curiosidade e explorar a dúvida, como condição ao acerto, possibilitar a discussão, a previsão, a desenvoltura, a atenção rigorosa, o senso ético e também de oportunidade. Neste mover rompem-se limites que separam as disciplinas e através da circulação de conceitos e olhares, novos esquemas cognitivos se estruturam na diversidade de conexões. Interdisciplinar pode significar troca, parceria e cooperação em torno de um projeto. Como afirma Morin (1996, p.136):

As novas tecnologias digitais têm o potencial de oferecer novos olhares, novas formas de acessar a informação, novos estilos de pensar e raciocinar. Surgem novas maneiras de processar a construção do conhecimento e criar redes de saberes, que podem gerar novos ambientes de aprendizagem. Ambientes cognitivos abertos à compreensão do ser humano em sua multidimensionalidade , como um ser indiviso em sua totalidade, com seus diferentes estilos de aprendizagem e suas distintas formas de resolver problemas.

Diante das reflexões realizadas é que se situa a necessidade de novas expressões na prática pedagógica de professores, quando também a estes se possibilita condições de aprendizagem para que possam analisar e rever a prática, num exercício de práxis. E neste sentido, parto de crenças de que estes ao se apropriarem de situações didáticas inserindo dispositivos potencializadores de aprendizagem com tecnologias e ferramentas de aprendizagem disponíveis na Web, estas possibilidades poderão fazer parte dos planejamentos e decisões dos docentes em suas construções cotidianas para aplicação com seus alunos nas diversas séries e níveis.

E neste desencadear de conhecimentos sugiro uma metodologia conhecida como WebQuest que foi apresentada como possibilidade metodológica que orienta o trabalho de pesquisa utilizando os recursos da Internet. Metodologia, estudada, desenvolvida e disponibilizada por Bernie Dodge, Educational Technology, San Diego State Universit em 1995, e disseminada no Brasil por Jarbas Novelino Barato. No site do Projeto WebQuest – Escola do Futuro – USP, ela é definida como:

[…] modelo extremamente simples e rico para dimensionar usos educacionais da Web, com fundamento em aprendizagem cooperativa e processos investigativos na construção do saber. Foi proposto por Bernie Dodge em 1995 e hoje já conta com mais de dez mil páginas na Web, com propostas de educadores de diversas partes do mundo (EUA, Canadá, Islândia, Austrália, Portugal, Brasil, Holanda, entre outros).

Assim ao constituir aprendizagens com os alunos inserindo variadas atividades pedagógicas mediadas por tecnologias digitais é possível enriquecer os aspectos da interdisciplinaridade e o currículo.Nesta metodologia o professor sistematiza, reestrutura e compartilha suas aulas configurando uma produção de conhecimento investigativo, que aguça e orienta a pesquisa do aluno porque o professor primeiro navega na rede pelas indicações que fará para os alunos.

Neste contexto de uso crítico de metodologias inovadoras com tecnologias digitais na prática docente, acredita-se também que os professores que atuam diretamente com os cursos superiores que se propõem a formar professores licenciados em qualquer área do conhecimento também devam assim como os da Educação Básica encarnar convicções como co-responsáveis que são no processo de formação das pessoas, de que a inserção e vivência destes novos saberes – fazeres na construção de significado de aprendizagem dos alunos permite que se crie condições para que a aprendizagem ocorra, utilizando os recursos de interação e pesquisa disponíveis o na Internet de forma colaborativa.

Surgimento e importância da Webquest na prática docente

No ano de 1995, é criado um novo conceito que consiste numa abordagem à organização de conteúdos web no contexto do ensino. Esse novo método foi chamado de WebQuest – criado pelos professores Bernie Dodge e Tom March, na San Diego State University, Estados Unidos – em que “Web” significa rede e se refere à World Wide Web e “Quest” quer dizer pesquisa, exploração ou busca.

A proposta da WebQuest parte da criação de sites, que eu sugiro também slides ou blogs com atividades orientadas para a pesquisa em que toda e qualquer informação encontrada na Internet, promoveria no aluno o desenvolvimento e a capacidade de resolver problemas e motivar a aprendizagem, envolvendo a interdisciplinaridade com as disciplinas adotadas tradicionalmente nas escolas. Além da Internet, pode-se usar também outros meios de comunicação como o email, fóruns, groups, entre outros. A proposta é que as atividades sejam baseadas na investigação, de forma que os conteúdos encontrados na Internet sejam explorados de forma orientada, em que o professor organiza e estrutura em condição, modo de desafio no qual deve ser solucionado pelos alunos.

Esse desafio deve anexar propostas de extensão da investigação, como a produção de um texto sobre o tema estudado, construção de blogs, slides, sobre os resultados obtidos através dos estudos feitos usando a WebQuest, dentre outros. Além disso, possibilita uma racionalização da utilização dos recursos da Internet, tornando o processo de pesquisa menos cansativo e mais produtivo. Portanto, a WebQuest extrai o melhor das possibilidades de pesquisa, indicando fontes mais adequadas a determinadas matérias, contextualizando-as e orientando a aprendizagem das mesmas.

É cada vez maior o número de WebQuests criadas por professores e alunos. Já foram criados mais de 10 mil em todo o mundo. Do ponto de vista construtivista, esta metodologia tem permitido que algumas das concepções que regem o construcionismo sejam cumpridas como a interatividade, onde o aluno tem o papel principal na construção do conhecimento; o respeito ao universo de cada aluno no processo de abstração do conhecimento, sabendo que cada indivíduo tem processo de aprendizado diversificado; como também tem sido permitido uma melhor aproximação do aprendiz com o computador, através de simulações de situações da vida real, colocando-o em experiências de aplicação e/ou teste de seus conhecimentos.

A webQuest é uma ferramenta intelectual, não física, nem de computação. Uma pessoa que conhece muitos recursos para construir páginas na web vai usá-los. Quem conhece pouco vai fazer uma página mais simples, mas o mais importante é a concepção educacional. A parte de informática fica em segundo plano, não é o foco do trabalho. (Barato, 2004)

De acordo com Bernie Dodge, a WebQuest foi desenvolvida de modo que o docente abrace essa ação didática como aprendizagem colaborativa de outros saberes desenvolvidos em sala, facilitando o pensar crítico e a integração das tecnologias numa perspectiva de criação do saber; permitindo ao aluno envolver-se em níveis que facilitem o desenvolvimento de pensamentos cada vez mais aprimorados, através da comparação, formulação de hipóteses para que, finalmente, pesquise uma solução viável para o problema sem que haja simplesmente a memorização do conteúdo, valorizando a construção do conhecimento através de um processo evolutivo, estimulando a capacidade de análise, síntese e de pesquisa.

Fonte: http://www.algosobre.com.br/educacao/webquest-aprendendo-com-pesquisa.html

WebGincanas: Liberdade e Estrutura

Abril 24, 2009 by jarbas

leger-2

Retomo aqui assunto que já abordei outras vezes neste Boteco. Uso de novos meios de comunicação e idéias mal assimiladas de construtivismo podem levar a um laissez faire pedagógico cujo exemplo mais frequente é o pedido docente “procurem na Internet“. Por isso é comum a gente ver muitos estudantes completamente perdidos no imenso mar de informações do ciberespaço. Vez ou outra, algum desses náufragos de Internet joga uma garrafa ao mar, esperando ser resgatado por alguém de boa vontade. Durante alguns anos fiquei à disposição de educadores para responder questões sobre WebQuests no site da Escola do Futuro da USP. De vez em quando, os correspondentes não eram professores, nem o assunto era WebQuest. Quase toda semana eu recebia algum pedido desesperado de estudantes cujos professores haviam dito a fala mágica “pesquisem na Internet”.

Lembro-me de que certa vez um estudante de ensino médio me escreveu pedindo uma informação bem organizada, escrita numas duas páginas, sobre Revolução Industrial, relacionando tal evento histórico com a dinâmica da economia atual. Na prática, ele me pedia para elaborar um trabalho escolar solicitado pelo docente. Ele deve ter buscado na Internet. Há muita coisa sobre o assunto na rede mundial de computadores. Mas marinheiros de primeira viagem têm muita dificuldade para encontrar o “tesouro”. Eles têm dificuldade para selecionar informações de qualidade. Têm dificuldade para transformar as informações encontradas num novo produto. Alguns descobrem sites onde há educadores de plantão para fornecer respostas sobre um assunto. E mesmo que o tema estudado nada tenha a ver com a pauta de tais educadores, usam o serviço de apoio para pedir socorro. O caso mais famoso que conheço é o de um aluno que entrou num site de bioética para doutorandos em filosofia, pedindo ao responsável, o filósofo Aquiles von Zuben, que lhe mandasse rapidamente um texto curto sobre o sentido da vida, tema que seu professor havia pedido para pesquisar na Internet.

Os dois casos aqui relatados mostram situações nas quais os alunos vão para a Internet sem ajuda de qualquer estrutura capaz de apoiá-los na busca. É quase certo que os professores desses alunos acham que não podem fornecer dicas ou modos de organizar a busca porque acreditam que os estudantes devem “construir o próprio conhecimento”. E isso não é um equívoco apenas de professores do chão-de-escola. Há acadêmicos influentes que pensam da mesma forma. Numa mesa redonda num programa de TV introduzi a idéia de estrutura dizendo que os professores devem ser como cartógrafos, elaborando mapas que ajudem seus alunos a navegar pelos mares da Internet. Um figurão da academia ficou impaciente. Pediu a palavra. Me disse que eu parecia ignorar que os alunos devem construir o conhecimento e pontificou que os estudantes devem ser tudo na navegação: cartógrafos, pilotos, navegadores, descobridores. Só não medisse como marinheiros de primeira viagem podem construir mapas de certas áreas de conhecimento sem nada saber sobre elas. Por isso continuei a pensar que mapas de navegação precisam ser feitos por conhecedores do assunto, os professores.

Enfrentamos aqui uma situação delicada. Educação é uma atividade cujo sucesso é medido pela autonomia intelectual de quem estudou uma matéria ou assunto. Ou seja, sabemos que houve boa educação quando os formandos são capazes de elaborar saberes sobre o assunto estudado sem tutela de professores ou de qualquer outros agentes culturais. A palavra para isso é autonomia. Por isso a orientação do ensino numa perspectiva construtivista é tão importante. Por outro lado qualquer processo construtivo progride mais quando os construtores podem contar com andaimes e ferramentas já prontas. É assim que entendo o papel de WebGincanas. Vejo-as como mapas que podem facilitar navegações pela Internet. Se você prefere a metáfora da construção, vejo WebGincanas como andaimes e ferramentas que facilitam construção de saber inicial sobre um assunto, com uso de informações existentes na Internet.

Não falei explicitamente de liberdade. Alguns a entendem como situação na qual os alunos tomam todas as decisões sobre o processo de aprendizagem. Não vejo a coisa desta maneira. Penso que os professores podem fazer propostas. Podem inclusive organizar estruturas. Não acho que com isso os alunos não terão liberdade. Boa aprendizagem é resultado de negocição de significados. Algumas vezes parece que o professor deve ter a primeira palavra para que a negociação comece.

Já abordei a questão de liberdade e estrutura numa coleção de eslaides publicada no meu espaço do Slideshare. Ao ver tal matéria, repare que o modelo WebGincana estava num estágio de desenvolvimento que não incluía algumas das características atuais. Tirante este detalhe, acho que o material ainda é uma boa referência para conversas sobre fundamentos do modelo de estrutura ao qual dei o nome de WebGincana. Para ver a coleção de eslaides, clique no destaque que segue.

Fonte: http://jarbas.wordpress.com/2009/04/24/webgincanas-liberdade-e-estrutura/

>WebGincanas: Liberdade e Estrutura

>Abril 24, 2009 by jarbas

leger-2

Retomo aqui assunto que já abordei outras vezes neste Boteco. Uso de novos meios de comunicação e idéias mal assimiladas de construtivismo podem levar a um laissez faire pedagógico cujo exemplo mais frequente é o pedido docente “procurem na Internet“. Por isso é comum a gente ver muitos estudantes completamente perdidos no imenso mar de informações do ciberespaço. Vez ou outra, algum desses náufragos de Internet joga uma garrafa ao mar, esperando ser resgatado por alguém de boa vontade. Durante alguns anos fiquei à disposição de educadores para responder questões sobre WebQuests no site da Escola do Futuro da USP. De vez em quando, os correspondentes não eram professores, nem o assunto era WebQuest. Quase toda semana eu recebia algum pedido desesperado de estudantes cujos professores haviam dito a fala mágica “pesquisem na Internet”.

Lembro-me de que certa vez um estudante de ensino médio me escreveu pedindo uma informação bem organizada, escrita numas duas páginas, sobre Revolução Industrial, relacionando tal evento histórico com a dinâmica da economia atual. Na prática, ele me pedia para elaborar um trabalho escolar solicitado pelo docente. Ele deve ter buscado na Internet. Há muita coisa sobre o assunto na rede mundial de computadores. Mas marinheiros de primeira viagem têm muita dificuldade para encontrar o “tesouro”. Eles têm dificuldade para selecionar informações de qualidade. Têm dificuldade para transformar as informações encontradas num novo produto. Alguns descobrem sites onde há educadores de plantão para fornecer respostas sobre um assunto. E mesmo que o tema estudado nada tenha a ver com a pauta de tais educadores, usam o serviço de apoio para pedir socorro. O caso mais famoso que conheço é o de um aluno que entrou num site de bioética para doutorandos em filosofia, pedindo ao responsável, o filósofo Aquiles von Zuben, que lhe mandasse rapidamente um texto curto sobre o sentido da vida, tema que seu professor havia pedido para pesquisar na Internet.

Os dois casos aqui relatados mostram situações nas quais os alunos vão para a Internet sem ajuda de qualquer estrutura capaz de apoiá-los na busca. É quase certo que os professores desses alunos acham que não podem fornecer dicas ou modos de organizar a busca porque acreditam que os estudantes devem “construir o próprio conhecimento”. E isso não é um equívoco apenas de professores do chão-de-escola. Há acadêmicos influentes que pensam da mesma forma. Numa mesa redonda num programa de TV introduzi a idéia de estrutura dizendo que os professores devem ser como cartógrafos, elaborando mapas que ajudem seus alunos a navegar pelos mares da Internet. Um figurão da academia ficou impaciente. Pediu a palavra. Me disse que eu parecia ignorar que os alunos devem construir o conhecimento e pontificou que os estudantes devem ser tudo na navegação: cartógrafos, pilotos, navegadores, descobridores. Só não medisse como marinheiros de primeira viagem podem construir mapas de certas áreas de conhecimento sem nada saber sobre elas. Por isso continuei a pensar que mapas de navegação precisam ser feitos por conhecedores do assunto, os professores.

Enfrentamos aqui uma situação delicada. Educação é uma atividade cujo sucesso é medido pela autonomia intelectual de quem estudou uma matéria ou assunto. Ou seja, sabemos que houve boa educação quando os formandos são capazes de elaborar saberes sobre o assunto estudado sem tutela de professores ou de qualquer outros agentes culturais. A palavra para isso é autonomia. Por isso a orientação do ensino numa perspectiva construtivista é tão importante. Por outro lado qualquer processo construtivo progride mais quando os construtores podem contar com andaimes e ferramentas já prontas. É assim que entendo o papel de WebGincanas. Vejo-as como mapas que podem facilitar navegações pela Internet. Se você prefere a metáfora da construção, vejo WebGincanas como andaimes e ferramentas que facilitam construção de saber inicial sobre um assunto, com uso de informações existentes na Internet.

Não falei explicitamente de liberdade. Alguns a entendem como situação na qual os alunos tomam todas as decisões sobre o processo de aprendizagem. Não vejo a coisa desta maneira. Penso que os professores podem fazer propostas. Podem inclusive organizar estruturas. Não acho que com isso os alunos não terão liberdade. Boa aprendizagem é resultado de negocição de significados. Algumas vezes parece que o professor deve ter a primeira palavra para que a negociação comece.

Já abordei a questão de liberdade e estrutura numa coleção de eslaides publicada no meu espaço do Slideshare. Ao ver tal matéria, repare que o modelo WebGincana estava num estágio de desenvolvimento que não incluía algumas das características atuais. Tirante este detalhe, acho que o material ainda é uma boa referência para conversas sobre fundamentos do modelo de estrutura ao qual dei o nome de WebGincana. Para ver a coleção de eslaides, clique no destaque que segue.

Fonte: http://jarbas.wordpress.com/2009/04/24/webgincanas-liberdade-e-estrutura/

WebGincanas: melhorias no modelo

By jarbas

ESTRUTURA DE UMA WEBGINCA PADRÃO HOJE

Faz algum tempo que defini, com a colaboração do Carlos Seabra, três possibilidades de organização de uma WebGincana. Para facilitar colaboração entre autores e garantir certa unidade na produção do modelo, estabelecemos que seria conveniente trabalhar com as seguintes alternativas:

  • WebGincanas curtas, com dez questões.
  • WebGincanas longas, com vinte questões.
  • WebGincanas padrão, com quinze questões.

Além do número de questões, estabelecemos outras orientações para cada uma das três alternativas. Não vou entrar em detalhes. No momento quero abordar as WG’s padrão, sugerindo algumas inovações no modo de conceber e propor questões.

Numa WebGincana padrão é preciso criar quinze questões para desafiar os alunos a encontrarem respostas na rede mundial de computadores (Web). Tais questões devem requerer respostas curtas (nada muito além de três itens (palavras, imagens, sons ou símbolos). Mas, elas não devem se assemelhar àquelas perguntas que tanto nos atormentaram nos questionários do velhos livros didáticos, ou a provas de professores que ficam apenas no quantos são, quando foi, cite dois exemplos etc. As questões precisam desafiar os respondentes a encontrarem, às vezes de maneira interpretativa, o que importa em textos, imagens e sons disponíveis na grande rede.

Autores de WebGincanas devem ser criativos e imaginosos para que as questões propostas tenham algumas das seguintes qualidades:

  • Humor.
  • Surpresa.
  • Encantamento.

Outra coisa. As perguntas devem ser redigidas para driblarem os mecanismos de busca (Google, Yahho etc). Ou seja, precisam ser escritas de maneira a evitar que os mecanismos de busca achem a resposta automaticamente. O que se quer numa WebGincana é que os alunos leiam ou examinem a fonte de informação para nela encontrar a resposta procurada. WebGincana não é uma atividade para treinar competência no uso de mecanismos de busca. É um desafio para que as pessoas encontrem informação exercendo suas capacidades de leitura das palavras escritas ou faladas, dos sons, das imagens, dos mapas, dos gráficos.

Além das questões que requerem uso de recursos da Web, dois complementos dão ao modelo uma uma cara mais nítida de gincana: atividades e missões. As atividades são ações que devem envolver o grupo em alguma produção simples:

  • desenhar à mão,
  • colorir imagens,
  • copiar figuras num álbum eletrônico,
  • recortar figuras,
  • fotografar um objeto,
  • etc.

ou em uma apresentação

  • cantar um música,
  • declamar um poema num jogral,
  • dramatizar um pequeno texto
  • etc.

As missões são algo bem gincaneiro, propondo para o grupo busca de de objetos, de pessoas que possam fornecer de viva voz alguma informação. Eis aqui alguns exemplos de missões:

  • Façam contato via celular com pessoa que tem sotaque de gaúcho e transfiram-na para falar com o professor ou professora.
  • Tragam até o local da WebGincana pessoa que calça quarenta e quatro ou mais.
  • Encontrem pessoa que fale sueco; gravem a voz de tal pessoa falando aquela língua escandinava; apresentem a gravação para a classe.
  • Encontrem na biblioteca o um livro de Josué Guimarães e tragam-no até a sala da WebGincana.

Relacionei alguns exemplos para dar uma idéia do que pode ser feito em missões. Espero que os autores sejam bastante criativos e inventem coisas muito mais interessantes.

Quero ressaltar um ponto importante: atividades e missões complementam resposta encontrada na Web. Não são ações independentes. Precisam estar vinculadas a um conteúdo previamente encontrado pelos alunos. Dou um exemplo. Veja o caso que segue

  • Missão. Encontrem, na biblioteca, uma outra obra do autor do romance ambientado numa cidade com nome de estrela e traga a obra até a sala da WebGincana.

Tal missão deve estar vinculada a uma questão como a que segue.

  • Questão. Encontrem nome de duas ou mais obras do escritor gaúcho que escreveu um romance que se passa numa cidade que tem nome de estrela.

O mesmo tipo de cuidado vale para as atividade. Veja aqui uma possível atividade.

  • Atividade. Ensaiem e apresentem um jogral de um poema do escritor brasileiro cujo sobrenome corresponde a um símbolo da pátria.

Essa atividade deve estar vinculada a uma questão como a que segue.

  • Questão. Ele foi um dos maiores poetas brasileiros e carregava no sobrenome um símbolo da pátria.

Numa WebGincana padrão é preciso criar três atividades e duas missões. Cabe ao autor decidir que questões merecem complemento na forma de atividade ou missão. Espero que interessados na elaboração de WebGincanas percebam que atividades e missões tem diversas finalidades. Listo aqui algumas delas.

  • Criar maior interesse e dinâmica no estudo do tema escolhido.
  • Integrar outras fontes de informação, sobretudo as ambientais, ao trabalho.
  • Ativar certas habilidades necessárias como consultar a biblioteca, apresentar-se em público, entrevistar pessoas, reparar em detalhes do ambiente em que vive.

UM CAMINHO DE MUDANÇA

Descrevi até aqui orientações elaboradas há uns três anos. Elas surgiram com base em pressupostos que privilegiam informações escritas. De um lado pagam tributo a uma educação muito centrada em textos. De outro, são bastante congruentes com as fontes disponíveis na Web, majoritariamente textuais. Mas a rede mundial de computadores está incorporando, cada vez mais, informações imagéticas e sonoras a seu acervo. Além disso, muitas fontes de informação são interativas; o usuário pode manipulá-las de alguma forma.

A fartura de imagens e sons, assim como a possibilidades interativas de alguns sites, sugerem tratamento mais rico das questões que as orientações originais que descrevi. Acho que podemos experimentar algumas mudanças. Sugiro inicialmente que das quinze questões de uma WebGincana padrão, seis exijam leitura/interpretação de imagens, obtenção de informação em fonte sonora e algum tipo de intereção em sites nos quais isso for possível.

Exemplifico possibilidades de questões que não exijam apenas leitura e interpretação de texto. Para tanto, vou considerar uma WebQuest hipotética sobre a Américado Sul.

  • Questão. Em Geography Zone, há um desafio para apontar num mapa países do continente. Vocês devem jogar o jogo e obter na segunda tentativa pelo menos 80% de acertos. Para entrar no desafio Países da América do Sul, cliquem aqui.
  • Questão. Descubram o nome das moedas dos países da América do Sul que tem mais de um idioma oficial. Os dados necessários podem ser pesquisados no site Países, no qual vocês chegam com um clique aqui.
  • Questão. Vejam as fotos do Brsil feitas por Jeff, ciclista que atravessou a nossa América do de sul a norte. Selecionem e copiem uma foto do Jeff sobre o rio Madeira. Encontrem em mapa do site do próprio Jeff, trecho do rio Madeira nas proximidades de Porto Velho. Chamem o professor para mostrar o achado de vocês na tela. Ah! Aqui está o site do Jeff.

Paro por aqui. Começarei a experimentar essas e outras mudanças com meus alunos deste ano.

Fonte: http://jarbas.wordpress.com/2009/03/20/webgincanas-melhorias-no-modelo/

>WebGincanas: melhorias no modelo

>By jarbas

ESTRUTURA DE UMA WEBGINCA PADRÃO HOJE

Faz algum tempo que defini, com a colaboração do Carlos Seabra, três possibilidades de organização de uma WebGincana. Para facilitar colaboração entre autores e garantir certa unidade na produção do modelo, estabelecemos que seria conveniente trabalhar com as seguintes alternativas:

  • WebGincanas curtas, com dez questões.
  • WebGincanas longas, com vinte questões.
  • WebGincanas padrão, com quinze questões.

Além do número de questões, estabelecemos outras orientações para cada uma das três alternativas. Não vou entrar em detalhes. No momento quero abordar as WG’s padrão, sugerindo algumas inovações no modo de conceber e propor questões.

Numa WebGincana padrão é preciso criar quinze questões para desafiar os alunos a encontrarem respostas na rede mundial de computadores (Web). Tais questões devem requerer respostas curtas (nada muito além de três itens (palavras, imagens, sons ou símbolos). Mas, elas não devem se assemelhar àquelas perguntas que tanto nos atormentaram nos questionários do velhos livros didáticos, ou a provas de professores que ficam apenas no quantos são, quando foi, cite dois exemplos etc. As questões precisam desafiar os respondentes a encontrarem, às vezes de maneira interpretativa, o que importa em textos, imagens e sons disponíveis na grande rede.

Autores de WebGincanas devem ser criativos e imaginosos para que as questões propostas tenham algumas das seguintes qualidades:

  • Humor.
  • Surpresa.
  • Encantamento.

Outra coisa. As perguntas devem ser redigidas para driblarem os mecanismos de busca (Google, Yahho etc). Ou seja, precisam ser escritas de maneira a evitar que os mecanismos de busca achem a resposta automaticamente. O que se quer numa WebGincana é que os alunos leiam ou examinem a fonte de informação para nela encontrar a resposta procurada. WebGincana não é uma atividade para treinar competência no uso de mecanismos de busca. É um desafio para que as pessoas encontrem informação exercendo suas capacidades de leitura das palavras escritas ou faladas, dos sons, das imagens, dos mapas, dos gráficos.

Além das questões que requerem uso de recursos da Web, dois complementos dão ao modelo uma uma cara mais nítida de gincana: atividades e missões. As atividades são ações que devem envolver o grupo em alguma produção simples:

  • desenhar à mão,
  • colorir imagens,
  • copiar figuras num álbum eletrônico,
  • recortar figuras,
  • fotografar um objeto,
  • etc.

ou em uma apresentação

  • cantar um música,
  • declamar um poema num jogral,
  • dramatizar um pequeno texto
  • etc.

As missões são algo bem gincaneiro, propondo para o grupo busca de de objetos, de pessoas que possam fornecer de viva voz alguma informação. Eis aqui alguns exemplos de missões:

  • Façam contato via celular com pessoa que tem sotaque de gaúcho e transfiram-na para falar com o professor ou professora.
  • Tragam até o local da WebGincana pessoa que calça quarenta e quatro ou mais.
  • Encontrem pessoa que fale sueco; gravem a voz de tal pessoa falando aquela língua escandinava; apresentem a gravação para a classe.
  • Encontrem na biblioteca o um livro de Josué Guimarães e tragam-no até a sala da WebGincana.

Relacionei alguns exemplos para dar uma idéia do que pode ser feito em missões. Espero que os autores sejam bastante criativos e inventem coisas muito mais interessantes.

Quero ressaltar um ponto importante: atividades e missões complementam resposta encontrada na Web. Não são ações independentes. Precisam estar vinculadas a um conteúdo previamente encontrado pelos alunos. Dou um exemplo. Veja o caso que segue

  • Missão. Encontrem, na biblioteca, uma outra obra do autor do romance ambientado numa cidade com nome de estrela e traga a obra até a sala da WebGincana.

Tal missão deve estar vinculada a uma questão como a que segue.

  • Questão. Encontrem nome de duas ou mais obras do escritor gaúcho que escreveu um romance que se passa numa cidade que tem nome de estrela.

O mesmo tipo de cuidado vale para as atividade. Veja aqui uma possível atividade.

  • Atividade. Ensaiem e apresentem um jogral de um poema do escritor brasileiro cujo sobrenome corresponde a um símbolo da pátria.

Essa atividade deve estar vinculada a uma questão como a que segue.

  • Questão. Ele foi um dos maiores poetas brasileiros e carregava no sobrenome um símbolo da pátria.

Numa WebGincana padrão é preciso criar três atividades e duas missões. Cabe ao autor decidir que questões merecem complemento na forma de atividade ou missão. Espero que interessados na elaboração de WebGincanas percebam que atividades e missões tem diversas finalidades. Listo aqui algumas delas.

  • Criar maior interesse e dinâmica no estudo do tema escolhido.
  • Integrar outras fontes de informação, sobretudo as ambientais, ao trabalho.
  • Ativar certas habilidades necessárias como consultar a biblioteca, apresentar-se em público, entrevistar pessoas, reparar em detalhes do ambiente em que vive.

UM CAMINHO DE MUDANÇA

Descrevi até aqui orientações elaboradas há uns três anos. Elas surgiram com base em pressupostos que privilegiam informações escritas. De um lado pagam tributo a uma educação muito centrada em textos. De outro, são bastante congruentes com as fontes disponíveis na Web, majoritariamente textuais. Mas a rede mundial de computadores está incorporando, cada vez mais, informações imagéticas e sonoras a seu acervo. Além disso, muitas fontes de informação são interativas; o usuário pode manipulá-las de alguma forma.

A fartura de imagens e sons, assim como a possibilidades interativas de alguns sites, sugerem tratamento mais rico das questões que as orientações originais que descrevi. Acho que podemos experimentar algumas mudanças. Sugiro inicialmente que das quinze questões de uma WebGincana padrão, seis exijam leitura/interpretação de imagens, obtenção de informação em fonte sonora e algum tipo de intereção em sites nos quais isso for possível.

Exemplifico possibilidades de questões que não exijam apenas leitura e interpretação de texto. Para tanto, vou considerar uma WebQuest hipotética sobre a Américado Sul.

  • Questão. Em Geography Zone, há um desafio para apontar num mapa países do continente. Vocês devem jogar o jogo e obter na segunda tentativa pelo menos 80% de acertos. Para entrar no desafio Países da América do Sul, cliquem aqui.
  • Questão. Descubram o nome das moedas dos países da América do Sul que tem mais de um idioma oficial. Os dados necessários podem ser pesquisados no site Países, no qual vocês chegam com um clique aqui.
  • Questão. Vejam as fotos do Brsil feitas por Jeff, ciclista que atravessou a nossa América do de sul a norte. Selecionem e copiem uma foto do Jeff sobre o rio Madeira. Encontrem em mapa do site do próprio Jeff, trecho do rio Madeira nas proximidades de Porto Velho. Chamem o professor para mostrar o achado de vocês na tela. Ah! Aqui está o site do Jeff.

Paro por aqui. Começarei a experimentar essas e outras mudanças com meus alunos deste ano.

Fonte: http://jarbas.wordpress.com/2009/03/20/webgincanas-melhorias-no-modelo/

>WebGincana

>Olá Amigos

Hoje estamos postando hoje sobre um conceito ate então pouco conhecido por mim e muito pouco utilizado, mas com grande potencial de aplicação: WebGincana.

Chequei a postagem abaixo atraves de uma indicação da Professora Suzana Gutierrez editora do blog Gutierrez/Su uma postagem onde ela recomenda vários textos (eu também recomendo a leitura) mas duas postagens em especial me chamaram a atenção. Um texto da Sonia Bertocchi que provoca boas reflexões sobre a sala de aula intitulado Aluno ajuda Aluno e um texto do professor Jarbas editor do blog Boteco Escola explica o que acontece quando a paranóia contribui para jogar o bebê fora junto com a água do banho, (ou quando administradores incompetentes se metem a censurar acessos). No exemplo do Prof. Jarbas, a Educação Física seria uma das disciplinas mais lesadas ( que é uma bandeira da Su em defesa da Educação Física, que alias é sua praia).

Mas foi através dessa postagem que cheguei ao texto Saberes em jogo não entram na universidade (no link ao lado ou na postagem abaixo) e fiquei conhecendo o conceito de WebGincana desenvolvido e aplicado por ele. Fiquei encantado com as possibilidades educacionais e como isso iria ajudar em muito o uso do computador na escola. Alem de algumas dicas imperdíveis, que se bem utilizadas com certeza são o caminho para uma aula TOP.

Selecionei algumas paginas com dicas e conceitos sobre WebGincana

  1. http://www.aprendaki.com.br/proj_sociais.asp?codigo=22
  2. http://webgincana.wikispaces.com/Abertura
  3. http://webgincana.utopia.com.br/testes/index.html
  4. http://blog.nivaldo-junior.pro.br/2006/04/19/um-modelo-de-webgincana/
  5. http://www1.sp.senac.br/hotsites/gde/
  6. http://aprendente.blogspot.com/2005/05/exemplo-de-webgincana.html
  7. http://jarbas.wordpress.com/2009/03/06/webgincanas-roteiros-sobre-historia-e-fundamentos/
  8. http://www.linuxnaescola.com.br/webgincana/quadrinhos
  9. http://www.cartanaescola.com.br/edicoes/30/saberes-em-jogo/
  10. http://josybonardo.sites.uol.com.br/webgincana/cartobrincando_usjt.htm

Se alguem já usou comente aqui, divida conosco a sua experiencia.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

WebGincana

Olá Amigos

Hoje estamos postando hoje sobre um conceito ate então pouco conhecido por mim e muito pouco utilizado, mas com grande potencial de aplicação: WebGincana.

Chequei a postagem abaixo atraves de uma indicação da Professora Suzana Gutierrez editora do blog Gutierrez/Su uma postagem onde ela recomenda vários textos (eu também recomendo a leitura) mas duas postagens em especial me chamaram a atenção. Um texto da Sonia Bertocchi que provoca boas reflexões sobre a sala de aula intitulado Aluno ajuda Aluno e um texto do professor Jarbas editor do blog Boteco Escola explica o que acontece quando a paranóia contribui para jogar o bebê fora junto com a água do banho, (ou quando administradores incompetentes se metem a censurar acessos). No exemplo do Prof. Jarbas, a Educação Física seria uma das disciplinas mais lesadas ( que é uma bandeira da Su em defesa da Educação Física, que alias é sua praia).

Mas foi através dessa postagem que cheguei ao texto Saberes em jogo não entram na universidade (no link ao lado ou na postagem abaixo) e fiquei conhecendo o conceito de WebGincana desenvolvido e aplicado por ele. Fiquei encantado com as possibilidades educacionais e como isso iria ajudar em muito o uso do computador na escola. Alem de algumas dicas imperdíveis, que se bem utilizadas com certeza são o caminho para uma aula TOP.

Selecionei algumas paginas com dicas e conceitos sobre WebGincana

  1. http://www.aprendaki.com.br/proj_sociais.asp?codigo=22
  2. http://webgincana.wikispaces.com/Abertura
  3. http://webgincana.utopia.com.br/testes/index.html
  4. http://blog.nivaldo-junior.pro.br/2006/04/19/um-modelo-de-webgincana/
  5. http://www1.sp.senac.br/hotsites/gde/
  6. http://aprendente.blogspot.com/2005/05/exemplo-de-webgincana.html
  7. http://jarbas.wordpress.com/2009/03/06/webgincanas-roteiros-sobre-historia-e-fundamentos/
  8. http://www.linuxnaescola.com.br/webgincana/quadrinhos
  9. http://www.cartanaescola.com.br/edicoes/30/saberes-em-jogo/
  10. http://josybonardo.sites.uol.com.br/webgincana/cartobrincando_usjt.htm

Se alguem já usou comente aqui, divida conosco a sua experiencia.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

>Saberes em jogo

>por Max Fischer

Receita para cativar adolescentes: junte computador, internet com uma pitada de competição e adicione o tema que quiser

Criada a partir de um jogo de caça ao tesouro chamado Scavenger Hunt, popular nos EUA, as WebGincanas começam a fazer sucesso nas escolas brasileiras. Sua história no Brasil começou em 2003, quando o professor Jarbas Novelino iniciou a tradução de algumas Scavenger Hunts para a matéria de Tecnologia Educacional que lecionava no curso de Pedagogia na Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo.

“No formato original havia apenas perguntas que precisavam ser respondidas por meio de consultas a fontes na web. Acrescentei a essa estrutura atividades ‘gincaneiras’. Assim os alunos tiveram de fazer algumas missões práticas como parte do jogo”, afirma Novelino, ao diferenciar a versão brasileira da original.

“Mas eu ainda achava que estava trabalhando com Scavenger Hunts. Em 2006, trabalhei no modelo com a colaboração de Carlos Seabra (Fundador da Sociedade Brasileira de Informática na Educação), e elaboramos uma proposta de definição para as WebGincanas. Sugerimos que elas fossem constituídas por um conjunto de quinze questões, três atividades e duas missões, bem diferente do modelo norte-americano”, explica.

Dois exemplos de sucesso de WebGincana podem ser vistos na Escola Educandário Santa Rita de Cássia, em São Paulo, ou em uma das 69 escolas públicas de Ensino Fundamental de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

“Uma WebGincana é diferente da outra. O que você vai aplicar numa escola de elite na zona sul não pode ser igual ao que será aplicado numa escola de periferia da zona norte”, explica Nivaldo Junior, professor do Rita de Cássia, enfatizando a necessidade de contextualização das atividades. Na sua escola, Nivaldo normalmente promove a WebGincana no começo do segundo semestre, já que é preciso conhecer os alunos para personalizar a atividade.

Ao instigar o espírito de competição, o educador pode, no entanto, gerar um novo problema: como estimular uma concorrência entre os estudantes de maneira positiva para a aprendizagem? Uma WebGincana tanto pode ensinar aos alunos participantes a importância da cooperação no trabalho em equipe quanto valorizar o individualismo e a competitividade. “O professor tem de tomar muito cuidado com isso. Um computador ou uma WebGincana é que nem uma pedra: você pode fazer uma coisa muito legal com ela ou pode jogá-la na cabeça de alguém”, alerta Nivaldo Junior.

Na visão de Verônica dos Santos, participante da Seção de Laboratório e Educação Tecnológica de São Bernardo do Campo, “uma aula comum é conteudista. Nela, o professor detém o conhecimento e apenas o transmite aos alunos. Já a WebGincana e a WebQuest trabalham com a informação de modo que faça sentido para os alunos”. Mas, enquanto uma WebGincana é a atividade ideal quando se quer trazer um conhecimento novo ao aluno, a WebQuest é sugerida caso se deseje que o aluno pense, critique ou julgue uma situação.

“A internet pode educar de várias formas. WebGincanas não são uma solução quando se quer transformação de informações. WebQuests não são o caminho quando o resultado que se espera é o de reprodução de informações”, explica Novelino.

Não é possível calcular o número de WebGincanas ou WebQuests no Brasil, pois não existe um local único para armazená-las na internet. Contudo, existe um projeto em São Bernardo em fase de finalização que pretende guardar todas as WebGincanas da cidade em um único lugar virtual. A implantação do Portal Cidade Escola de São Bernardo está prevista para o começo do ano que vem.

Para Novelino isso não é problema. “Hoje existem cerca de 4 mil menções do termo WebGincana na Web. Isso sinaliza que, talvez, existam aproximadamente duas centenas de WebGincanas publicadas na internet. Acho que começaremos a criar bancos quando tivermos um número um pouco maior de publicações. No caso das WebQuests, por exemplo, a organização de repertórios de WQs começou quando havia cerca de 40 mil citações do modelo em buscas”, lembra.

Promova uma WebGincana

1º passo: Saiba quando aplicar

A WebGincana pode ser aplicada em dois momentos:
logo no começo de um tema, quando o professor pode estimular a curiosidade dos alunos pelo tema, ou no final do aprendizado, momento em que os alunos testarão seus conhecimentos. Para Novelino o ideal é fazer uma ou duas WebGincanas por semestre, já que “fazer uso muito freqüente de WG, ou de qualquer outra solução de organização de informações para fins de aprendizagem, pode levar a rotinas que provocam desinteresse”.

2º passo: Verificar a possibilidade de criação

Após decidir a data, a próxima coisa que o professor deve fazer ao pensar em aplicar uma WebGincana em seus alunos é se o conteúdo a ser trabalhado poderá trazer alguma surpresa, humor ou situações inesperadas. Caso contrário a WebGincana pode acabar sendo um simples questionário para os alunos. O professor também deve ser bastante inventivo na criação de cada pergunta ou tarefa. Não existe um limite para temas. Uma WebGincana pode misturar questões de história, matemática e geografia na mesma atividade.

3º passo: Procurando fontes

O terceiro passo é verificar se há na internet fontes de informação adequadas ao nível de desenvolvimento dos alunos. Fontes muito difíceis ou muito fáceis não são motivadoras.

4º passo: Construindo a WebGincana

A WebGincana tradicional é dividida em cinco partes.
Na introdução o professor passa as informações iniciais sobre o tema da atividade. Por exemplo, numa WebGincana sobre danças regionais pode-se perguntar sobre a bate-caixa (dança típica do interior de São Paulo) ou Congada (Goiás).

A segunda etapa é o “desafio”, onde estará exposta uma série de questões e atividades que serão respondidas via internet ou “off-line”. Para responder essas questões, o aluno vai aos “Recursos”, os locais pré-escolhidos pelo professor para a pesquisa. O quarto item é a “Avaliação”, com as regras e critérios que serão utilizados nos julgamentos das respostas e atividades dos alunos. E, por fim, o grupo chega à “Conclusão”, texto que encerra a atividade.

5º passo: Construindo a WebGincana

O publicador mais usado é o Php webquest, que pode ser encontrado em www.livre.escolabr.com/ferramentas/wq/, mas há como montar a WebGincana no PowerPoint e publicar o arquivo no Slideshare (www.slideshare.net/), criar um site específico para ela ou escrevê-la em um documento de Word e colocá-la na rede do laboratório da escola. “WebGincana é um conceito em construção. Não é uma solução pronta e acabada. Por isso é conveniente que os autores procurem trabalhar de modo cooperativo, associando-se a outros professores na escola ou rede de ensino”, comenta Novelino.

Saiba Mais

Embora não haja ainda um banco de WebGincanas, os interessados podem examinar diversos exemplos do modelo nos seguintes endereços:

www.webgincana.utopia.com.br/testes/
www.jarbas.wordpress.com/4-webgincanas-de-alunos

Também é possível entrar em contato com os professores Novelino e Junior pelos endereços:

Junior: www.linuxnaescola.com.br
Novelino: www.jarbas.wordpress.com

Fonte: http://www.cartanaescola.com.br/edicoes/30/saberes-em-jogo/