Uso pedagógico de apresentações de slides digitais

Do projetor de slides ao datashow e ao “ppt”

O velho projetor de slides

O velho projetor de slides

Se você for um professor que nunca viu um mimeografo (hã???), então talvez também não tenha conhecido o fascinante projetor de sides.

O projetor de slides foi, e ainda é, uma tecnologia incrível, capaz de levar imagens de qualidade que enriquecem muito os conteúdos abordados nos livros didáticos e permitem ao professor ilustrar conceitos, apresentar esquemas, pranchas, mapas, etc., de uma forma bem mais prática e agradável do que fazendo uso apenas da lousa e do giz.

As únicas dificuldades de uso do projetor de slides, que eu me lembre, eram preparar os slides (era preciso comprá-los prontos ou pagar para um estúdio fotográfico fazê-los para você) e lembrar qual deveria ser a posição correta para colocá-los de maneira que não fossem projetados invertidos. Também é verdade que a lâmpada do projetor queimava fácilmente e não custava muito barato.

Retroprojetor

Retroprojetor

Projetores de slides são contemporâneos do famoso e esquecido (ou quase) retroprojetor.

Retroprojetores foram bastante usados para projetar em uma tela, ou na própria parede, imagens, textos ou qualquer registro gráfico que pudesse ser impresso em uma transparência.

Ao contrário dos projetores de slides, os retroprojetores permitiam também que o professor fizesse anotações, em tempo real, sobre as transparências.

O retroprojetor também era fácil de usar e não era preciso comprar transparências preparadas, pois podia-se prepará-las usando uma lâmina transparente apropriada e canetinhas coloridas especiais (que hoje usamos para escrever em CDs e DVDs). Assim como o projetor de slides, o retroprojetor também tinha uma lâmpada que vez por outra queimava e sempre custava caro.

Muitas escolas ainda possuem retroprojetores, e algumas ainda conservam o projetor de slides. Mas pouquíssimos professores utilizaram essas TICs em suas práticas pedagógicas cotidianas e desses são raros os que ainda as utilizam.

Datashow

Projetor multimídia e telão

De fato, há boas razões para abandonarmos o projetor de slides e o retroprojetor: agora temos os computadores e os programas geradores de apresentações de slides e, além disso, as apresentações podem ser projetadas com um projetor multimídia (datashow) ou podem ser convertidas para o formato de vídeo e apresentadas em um televisor acoplado a um DVD Player.

Nesse artigo vamos falar um pouco das apresentações de slides digitais e sobre como podemos utilizá-las em nossas práticas pedagógicas.Por que o professor deveria se interessar por apresentações de slides digitais (feitas em computador)?

Uma apresentação de slides digital tem muitas utilidades para o professor. Abaixo listamos algumas possibilidades:

  • ela permite a apresentação do resumo de uma aula de forma organizada e pode, portanto, servir de roteiro de estudo para o aluno;
  • é possível apresentar esquemas, desenhos, ilustrações ou qualquer outro tipo de imagem digitalizada;
  • além das imagens, a apresentação de slides digital permite que se agregue som e movimento, ou seja, é possível até mesmo inserir filmes em uma apresentação digital;
  • os diversos recursos de formatação e de criação de efeitos especiais dão à apresentação um aspecto profissional e dinâmico que pode ser bastante didático e agradável para os alunos;
  • as apresentações feitas em computador podem ser armazenadas, modificadas, reaproveitadas, distribuídas e compartilhadas na internet;
  • o custo (em tempo e dinheiro) para produzir apresentações de slides digitais é muito pequeno e o benefício de utilizá-las pode ser bem grande;
  • para produzir uma boa apresentação de slides digital não é preciso nenhum conhecimento sobre computadores além do necessário para produzir um texto formatado em um editor de textos comum;
  • há vários softwares para gerar apresentações digitais que são gratuítos e, na internet, há serviços da web 2.0 que também podem gerá-las, armazená-las e distribuí-las sem nenhum custo;
  • as apresentações de slides são também ferramentas de autoria, tanto para professores quanto para alunos, e são ótimas ferramentas para apresentação de trabalhos escolares;
  • os alunos atuais precisam ter contato com essa tecnologia para se capacitarem melhor para o mundo do trabalho ou para o prosseguimento de seus estudos em níveis superiores, onde as apresentações de slides digitais são muito comuns;
  • já existe uma variedade enorme de objetos educacionais na forma de apresentações de slides digitais disponíveis e compartilhadas na internet, e esse número cresce a cada dia;
  • apresentações podem ser usadas em aula, em reuniões de pais, em conselhos de classe e em eventos da escola.

Aula com apresentação de slides digital

Um exemplo simples de “resumo” para apoiar uma aula de física.

Além dessas possibilidades, ainda há muito espaço para a criatividade de professores e alunos que poderão descobrir muitas outras possibilidades. Se você conhece alguma outra possibilidade de uso pedagógico das apresentações de slides digitais, envie como sugestão nos “comentários” deste artigo. Aproveite e comente sobre sua experiência com o uso desse recurso.

Requisitos pedagógicos para uma boa apresentação de slides digital

Quer você produza suas próprias apresentações, quer você as obtenha na internet, antes de usá-las é bom saber que:

  1. Uma apresentação de slides digital com fins educacionais precisa ter “conteúdo” e esse conteúdo precisa ter qualidade. É imprescindível que os conceitos e as informações apresentadas sejam corretas, estejam atualizadas e sejam apresentadas em uma linguagem clara, objetiva, precisa e concisa;
  2. A apresentação deve ter o papel de guia e ser acompanhada de uma discussão e de uma reflexão sobre os assuntos tratados. Uma apresentação não pode se esgotar em si mesma ou ser vista como uma “página de conteúdo do livro didático”. Apresentações são resumos de idéias organizados de forma didática;
  3. Para que uma apresentação de slides digital possa substituir com vantagens um resumo escrito em lousa, é preciso que ela incorpore elementos que dificilmente poderiam ser apresentados em lousa, como sons e imagens, por exemplo;
  4. O tempo de apresentação dos slides e a quantidade de conceitos e informações apresentadas, bem como o tamanho total da apresentação, devem ser dimensionados de maneira que se possa tratá-los dentro do espaço da aula, sem criar descontinuidades e sem exigir um número excessivo de aprendizagens;
  5. A apresentação não substitui o trabalho do professor e nem deve ocupar um tempo muito grande da aula, podendo ser intercalada com intervenções do professor e dos alunos ou com o uso de outros recursos (como a lousa, demonstrações, atividades dos alunos, etc.);
  6. A sequência de slides, as imagens, sons e outros recursos incorporados à apresentação devem ser didaticamente válidos, ou seja, tudo o que for apresentado deve ter um objetivo educacional claro e premeditado;
  7. Para toda apresentação de slides deve haver uma avaliação correspondente onde se possa averiguar a aprendizagem do aluno. Em alguns casos essa avaliação pode ser proposta como parte da própria apresentação;
  8. É importante fornecer as fontes de pesquisa usadas para gerar a apresentação e dar os créditos necessários para todos os autores, coautores e colaboradores;
  9. As apresentações devem ser disponibilizadas, preferencialmente na internet, para que os alunos e outros professores possam acessá-las em qualquer momento futuro;
  10. Como a apresentação de slides é uma ferramente essencialmente “visual”, é preciso um cuidado especial com o design e o uso de fontes, cores, imagens e efeitos especiais. Uma apresentação com caráter pedagógico não deve ser apenas um show pirotécnico de efeitos especiais.

Aspectos técnicos de uma boa apresentação

Há um certo consenso de que uma boa apresentação de slides deve possuir algumas características técnicas que a torne agradável, acessível e eficiente como ferramenta de comunicação. Seguem abaixo algumas características técnicas que uma boa apresentação de slides digital deve possuir:

  • A apresentação deve ser visível por todos na sala. Posicione o telão em um local que permita sua visualização por todos os presentes e faça sua exposição ao lado e não na frente do telão. Se for obrigado a ficar um pouco mais distante do telão, use um apontador laser para apontar; se estiver próximo ao telão e este for pequeno, use um apontador do tipo “vareta”;
  • A letra utilizada para os textos dos slides deve ter uma tamanho suficientemente grande para que todos possam ler os textos, mesmo aqueles que estão mais distantes do telão. Evite usar fontes com tamanho menor do que 20. Especialistas recomendam o uso de fontes com tamanho 30;
  • Procure usar apenas as fontes (tipos de letras usadas pelo computador) mais comuns e disponíveis em todos os computadores (Arial, Verdana, Times New Roman). Uma fonte “sofisticada” pode não existir no computador onde a apresentação será executada e, nesse caso, seu texto pode ficar desconfigurado;
  • Evite usar cores de fundo ou imagens de fundo escuras, com muito contraste ou muito detalhadas. As cores claras, ou mesmo o fundo branco, permitem uma visualização melhor para quem está distante do telão e evitam problemas de contraste com as cores das letras ou problemas de interpretação das cores pelo projetor. Além disso, a iluminação local também pode afetar as cores mostradas no telão;
  • Evite usar letras coloridas e use-as apenas quando quiser destacar uma palavra ou frase importante. Textos coloridos raramente causam um bom impacto visual, as cores do projetor nem sempre são iguais as cores vistas na tela do computador e a escolha infeliz da cor da letra e do fundo da apresentação podem tornar a visualização do slide difícil ou mesmo muito desagradável;
  • Use apenas os dois terços superiores do espaço do slide, pois em muitas salas o público mais distante não consegue enxergar a área total do telão e têm dificuldade para ver o terço inferior do slide;
  • Procure não usar imagens reduzidas demais. É preferível que uma imagem seja apresentada em um slide próprio, acompanhada apenas de um título e de sua legenda, do que inserida no meio de um texto. O mesmo vale para gráficos e figuras em geral;
  • Efeitos de transição de slides dão um aspecto mais dinâmico à apresentação e a tornam menos “monôtona”, mas não têm nenhum impacto na aprendizagem dos conteúdos do slide;
  • As animações de objetos (textos e figuras que entram em cena de determinada forma e em momentos distintos de um mesmo slide) devem ser usados com bastante parcimônia. Use efeitos de animação apenas quando quiser apresentar itens de forma sequencial e evite “efeitos pirotécnicos” que podem contribuir mais para a desatenção do que para a atenção do seu público sobre o conteúdo exposto;
  • Evite listar mais do que três itens (parágrafos) em um mesmo slide. O excesso de informações concentradas em um mesmo slide prejudica a compreensão do conteúdo exposto e causa a impressão de “complexidade do assunto”. Preferencialmente coloque nos slides apenas as idéias principais e não explicações ou detalhes;
  • Evite apresentações de slides com muitos slides. Uma apresentação com mais de 30 slides causa muito mais a sensação de ser um livro do que de ser uma apresentação multimídia propriamente dita. Especialistas recomendam no máximo 10 slides;
  • Antes de propor-se a apresentar slides com sons ou vídeos inseridos nos slides, verifique se o local utilizado possui caixas de som capazes de criar sons audíveis em todo o ambiente. É muito desagradável assistir um vídeo com som sem poder ouvir corretamente as falas ou a música;
  • Sempre que for inserir um filme em um slide, escolha a opção de apresentá-lo em tela cheia. Vídeos apresentados em áreas pequenas são de difícil visualização e tornam praticamente impossível a leitura de legendas quando elas estão presentes;
  • Numere os slides (isso pode ser feito de forma automática) de sua apresentação, preferencialmente na forma “slide N de Ntotal”. Isso dá ao seu público e a você mesmo uma boa percepção de tempo e de rítmo da apresentação;
  • Se tiver dificuldade para visualizar o telão ou a tela do computador da posição onde você se encontra durante a apresentação, tenha em mãos uma cópia impressa dos slides que serão apresentados;
  • Sempre inclua uma página de abertura, uma página de índice e uma página final de créditos em suas apresentações. Na página de créditos forneça seu e-mail para contato e evite incluir sua “biografia” nesse slide;
  • Evite fazer suas falas sentado durante a apresentação; procure não ficar nunca de costas para o público para apontar slides; mantenha um tom de voz audível e não monótono e evite a todo custo “ler os slides” (pois o público geralmente já sabe ler);
  • Antes de fazer uma apresentação pública pela primeira vez, execute a apresentação no seu computador ou, preferencialmente, usando um projetor de slides multimídia (datashow) para se certificar de que os slides aparecerão conforme você planejou;
  • Faça sempre um “ensaio” da apresentação e cronometre o tempo que gastará em suas falas, ajustando a apresentação e suas falas para o espaço de tempo real de que você disporá quando fizer a apresentação para seu público. Especialistas recomendam um tempo máximo de apresentação de 20 minutos.

Encontrando apresentações na internet

Existem milhares de apresentações de slides digitais compartilhadas na internet que você poderá baixar e usar com seus alunos. Essa facilidade só existe porque muitas pessoas compartilham suas apresentações com os demais. Faça o mesmo com as apresentações que você mesmo criar.

Uma forma extremamente simples de encontrar apresentações prontas na internet consiste em usar um buscador como o Google. Tomando com exemplo esse buscador, experimente digitar o assunto que está procurando e acrescente a expressão “filetype:ppt” no final do seu texto (algo como “fotossíntese filetype:ppt”, sem as aspas). Aparecerão centenas de links para apresentações no formato usado pelo PowerPoint (extensão “ppt”) sobre o tema fotossíntese. Além da extensão “ppt” também há outra extensão de arquivo bastante utilizada para apresentações: o “pps”. Nesse caso sua frase de busca seria algo como “fotossíntese filetype:pps”, sem aspas.

Slideshare

O Slideshare é um dos locais mais famosos para se hospedar ou obter gratuitamente suas apresentações.

Também é uma boa idéia procurar apresentações voltadas à educação em sites que fornecem objetos educacionais ou em serviços de compartilhamento de apresentações, como SlideShare, por exemplo. Nos links sugeridos para aprofundamento, no final desse artigo, há boas informações sobre onde e como compartilhar ou obter apresentações de slides digitais.

Criando e compartilhando apresentações de slides digitais

Para criar uma apresentação de slides digital você precisa de um software de criação de apresentações. O mais comumente usado talvez seja o PowerPoint, que vem geralmente no pacote de softwares de escritório Microsoft Office. O único inconveniente do PowerPoint é que ele é parte de um pacote de softwares pago. Mas você também pode usar um software muito semelhante e gratuíto, o Impress, que é instalado com o pacote de escritório OpenOffice, ou com a versão brasileira do OpenOffice, o BrOffice. O Impress é totalmente gratuito e tem as mesmas funcionalidades que o PowerPoint.

Há também opções de serviços da web 2.0 que fornecem softwares para criação de apresentações digitais. A vantegem de usar esses serviços é que você não precisa baixar e instalar nenhum software no seu computador e pode gerar suas apresentações diretamente pela internet e depois baixá-las para seu computador. Um ótimo serviço desse tipo é oferecido pelo Google por meio do GoogleDocs. Com esse serviço você pode criar, armazenar e compartilhar suas apresentações de slides no próprio GoogleDocs (veja o artigo sobre o “Uso pedagógico do GoogleDocs“).

Para aprender a usar esses softwares de gerações de apresentação há milhares de apostilas, tutoriais e apresentações na internet que tratam desse assunto. Mas há dois recursos muito pouco explorados pelos professores e que podem ajudá-los imensamente:

  1. A ajuda do próprio software: todo software vem acompanhado de uma “Ajuda” que pode ser acessada diretamente no próprio software e que é um manual completo sobre como fazer cada coisa. Consultando a ajuda do próprio software geralmente se resolve mais de 90% das dúvidas sobre como usar o software;
  2. A aprendizagem colaborativa: embora professores gostem que seus alunos trabalhem em grupos de forma colaborativa, poucos usam esse recurso para seu próprio aprendizado tecnológico. Sentar-se ao lado de um colega que já tem alguma experiência, ou dos próprios alunos, e solicitar ajuda, ainda é um dos meios mais eficazes para aprender a usar as novas tecnologias.

Ao usar ou adaptar uma apresentação feita por outra pessoa, mesmo que você a modifique bastante, dê ao autor original o crédito pela apresentação que você modificou. Faça isso na página de créditos onde você colocará também a sua informação de contato. Faça a mesma coisa quando criar uma apresentação baseada em textos de blogs, livros ou outras fontes, procurando sempre citar corretamente as fontes utilizadas.

Referências de consulta na internet

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2010/07/17/uso-pedagogico-de-apresentacoes-de-slides-digitais/

Uso pedagógico do E-mail

26/08/2009

Lembra como eram as comunicações escritas antigamente?

Lembra como eram as comunicações escritas antigamente?
Há uma década atrás, quando eu participava da formação de um grupo de professores para o uso pedagógico dos computadores e da Internet e perguntava à turma “quem tem e-mail?”, de cada 100 professores apenas uns cinco levantavam a mão e, então, quando eu perguntava, quem se lembra do seu e-mail, raramente um desses cinco levantava a mão.
Felizmente os tempos mudam e agora para cada 100 professores, pelo menos 80 têm e-mail e cerca de 50 sabe dizê-lo de memória. Mas, afinal, para que usamos o e-mail? Será que exploramos o potencial “pedagógico” que ele nos oferece?
O e-mail, ou correio eletrônico (“eletronic mail”), originou-se no início da década de 60 e visava permitir uma troca rápida de informações em sistemas de computadores interligados. Grande parte do potencial que se percebeu logo de início com a interligação de computadores em rede mundial (Internet) estava ligado justamente a essa incrível possibilidade de substituir as “cartas em papel” por “cartas eletrônicas”.

Programa editor de e-mail
Programa editor de e-mail
Com o passar dos anos e a implantação efetiva de uma rede de computadores mundial, o e-mail passou a ser a forma mais rápida e eficaz de trocar mensagens assíncronas (não simultâneas) entre as pessoas. Mais recentemente, com o aumento da velocidade de transmissão de dados e o desenvolvimento de tecnologias que nos permitem anexar, enviar e receber arquivos, imagens, filmes, etc., o e-mail passou a ser uma espécie de “transportadora digital” capaz de levar de um computador a outro qualquer artigo digitalizado.
Evidentemente nem tudo é alegria e com o e-mail vieram os “spams” (e-mails não desejados, geralmente de propaganda) e os mais variados golpes de picaretas de todos os tipos. Além disso, como os e-mails podem transportar arquivos, eles podem também transportar vírus nesses arquivos ou, a pior praga de todas, aquelas imensas apresentações de Power Point que alguns “amigos” acham que seria ótimo se víssemos, mesmo que demore horas para baixar esses arquivos.
Feita essa introdução, vamos à questão central: de que maneira um professor pode usar o seu e-mail para fins pedagógicos?
Evidentemente uma resposta banal seria dizer que basta cada um usar sua criatividade, e é verdade, mas vamos tentar relacionar alguns usos e vamos deixar essa criatividade para as sugestões que serão enviadas nos comentários desse artigo.

O e-mail como forma de inclusão digital

Já apontei em outro artigo (“Cidadania digital”) que o simples fato de possibilitarmos a alguém a posse e uso de um e-mail já é, de certa forma, uma maneira de promover a inclusão digital dessa pessoa. No caso da Internet, e em especial das ferramentas Web 2.0, possuir um e-mail é fundamental para poder se cadastrar em diversos serviços gratuitos, além da possibilidade óbvia de trocar mensagens com outras pessoas e de “poder ser encontrado na rede”.
Se pensarmos em uma escola e nos alunos que desejamos que usem a Internet e as ferramentas Web 2.0 disponíveis nela, fica claro que a primeira ação que podemos fazer para promover a inclusão digital de nossos alunos é justamente ajudá-los a criarem seus e-mail e então explorarmos com eles as diversas possibilidades que se seguem daí.
Veja que é importante garantir sempre que o aluno tenha acesso aos computadores da escola e à Internet para poder lhe propor tarefas e atividades que usem esses recursos, pois não faz sentido pedir tarefas por e-mail se o aluno não tem como acessar a Internet na própria escola.

O e-mail como forma de contato extraclasse

Receba, envie, troque.
Receba, envie, troque.
Um professor que já se considere ou que esteja tentando ser um “Professor Digital” (faça o teste!) certamente pesquisa na Internet, lê jornais e revistas eletrônicas e tem sempre um assunto novo para comentar com seus alunos. Ao invés de recortar jornais e revistas e levá-los para a escola para colá-los em um mural, porque não distribuí-los diretamente aos alunos por e-mail?
Recados, calendários de provas, dicas sobre o assunto em estudo, sugestões de leitura extra ou mesmo curiosidades diversas (mas relevantes educacionalmente) podem ser enviadas ao custo de “um clique” se usarmos o e-mail como forma de distribuição desses materiais. Daí vem a importância de, antes de tudo, criarmos e-mails para nossos alunos e termos essa lista de e-mails conosco.
Além disso, um antigo sistema de apoio ao aluno em período extraclasse conhecido como “plantão de dúvidas” pode ser implementado usando-se o e-mail se você disponibilizar aos seus alunos o seu endereço de e-mail.

O e-mail como instrumento de produção de texto e conteúdo

Digitando também se produz textos
Digitando se produz textos
É óbvio que o e-mail, por sua característica fundamental como ferramenta de expressão escrita,  possibilita que o professor da área de Linguagem possa usá-lo para propor aos seus alunos a produção de textos. Por outro lado, produzir textos é uma atividade presente em todas as disciplinas e, portanto, todas podem usar o e-mail como um expediente útil para se produzir e entregar textos.
Da mesma forma, aqueles trabalhos de pesquisa que normalmente resultam em pilhas de papel impresso, podem ser solicitados de forma mais “ecológica e sustentável” na forma de arquivos digitais. Dado que o e-mail aceita figuras anexas ao texto e que outros tipos de arquivos, como apresentações, imagens, planilhas, músicas e mesmo pequenos filmes, podem ser anexados ao e-mail, tem-se uma infinidade de possibilidades muito mais ricas para a produção desses trabalhos do que o velho expediente do “papel”. Por outro lado, é muito mais fácil receber e organizar esses trabalhos quando eles são entregues por e-mail e o professor se organiza para recebê-los.

O e-mail como documentação e biblioteca de atividades e tarefas

Biblioteca digital: baixo custo, pouco espaço
Baixo custo, pouco espaço
Ao contrário dos papéis, que ocupam muito espaço, estragam, extraviam-se e são produzidos a partir de pobres árvores indefesas, os e-mails ocupam um “espaço de armazenamento” quase nulo e têm uma durabilidade virtualmente infinita. Trabalhos, tarefas, textos e toda sorte de atividade que os alunos puderem lhe enviar por e-mail poderão ser armazenados sem nenhum custo e terão a durabilidade que você quiser, pois você pode gravá-los em um CDROM ou, simplesmente, deixá-los armazenados no provedor de e-mails (como o GMail, por exemplo, que tem mais de 8 Gb de espaço de armazenamento disponível para cada conta de e-mail que você quiser ter).
Nem sempre é fácil recuperar um trabalho ou uma tarefa que um aluno fez no início do ano para avaliá-lo no final do ano, mas se este trabalho ou tarefa foi entregue por e-mail isso se torna uma tarefa extremamente simples. E se você usar o e-mail sistematicamente, ao final do ano será muito fácil “ver” quem lhe enviou as tarefas pedidas e quem não o fez.

Sete dicas para usar bem o e-mail com seus alunos

  1. Garanta, na sua escola, a inclusão digital dos seus alunos e o acesso deles aos computadores e à Internet. Argumentos para esse uso não faltam, mas às vezes é preciso enfrentar alguma resistência dos gestores, principalmente quando esses são retrógrados e se envolvem pouco com a comunidade escolar. É preciso garantir sempre que os alunos tenham acesso a esses equipamentos e recursos.
  2. Providencie para que todos os seus alunos tenham um endereço de e-mail e saibam como enviar e receber e-mails. Há diversos provedores de e-mails gratuitos e a maioria dos alunos já possuem um e-mail, embora nem saibam disso, pois muitos têm “MSN” e para tê-lo é preciso ter um e-mail do Hotmail. O Yahoo também fornece e-mails gratuitos e minha sugestão pessoal é o uso do Gmail (e-mail do Google).
  3. Crie um endereço de e-mail seu para usá-lo exclusivamente com seus alunos. Isso facilitará sua organização e com um pouco de criatividade você pode criar um e-mail fácil de ser lembrado, como professorfulano@gmail.com, ou escrevaparafulano@yahoo.com.br, etc.
  4. Anote os e-mails de todos os seus alunos e divulgue o seu e-mail para todos eles. Você pode até mesmo levá-los à sala de informática e fornecer uma tabela do Excel com campos para preencherem o nome, o número de chamada, a classe, a série e o endereço de e-mail. Com essa tabela em mão você terá, literalmente, uma porta de acesso à todos eles a qualquer momento.
  5. Quando solicitar algum trabalho, texto ou qualquer outra comunicação que o aluno lhe enviará por e-mail, acostume-os a escreverem no cabeçalho do e-mail o nome, o número de chamada, a série e a classe, como por exemplo: “Juquinha, 28, 2A”. Isso lhe permite identificar facilmente o aluno e usar filtros para classificar as mensagens por classe, por exemplo. Para saber como usar esses filtros, visite qualquer provedor de e-mail (como o Gmail, por exemplo) e procure lá informações sobre como usar bem as ferramentas disponíveis ou, ainda, pergunte aos colegas, aos amigos e a seus próprios alunos.
  6. Organize os endereços de e-mail dos seus alunos de forma que você possa selecionar todos de uma classe, por exemplo, quando quiser enviar um recado para a classe toda. Não abuse demais desse recurso, mas se você quiser pode enviar “resumos semanais” com dicas, sugestões e lembretes, por exemplo.
  7. Discuta com os alunos as regras de segurança no uso do e-mail e o bom uso da netiqueta. É importante, nesse novo mundo “virtual” que os alunos aprendam desde cedo que existem regras sociais até mesmo no uso das mídias digitais “à distância”.

Alguns links e recursos relacionados ao tema:

Fonte:

Uso pedagógico dos fóruns

08/06/2009 por profjc

Fórum: o que é, para que serve e como usá-lo pedagogicamente

Internet na Escola: exemplo de um fórum com finalidade pedagógica

Internet na Escola: exemplo de um fórum com finalidade pedagógica
Uma das ferramentas interativas mais comuns em qualquer Comunidade Virtual ou Ambiente de Ensino à Distância é o fórum. O fórum também é conhecido e referenciado às vezes como “lista de discussão” ou “grupo de discussão”.
Um fórum é um espaço interativo assíncrono para troca de mensagens e, às vezes, arquivos. Todas as mensagens enviadas para um fórum podem ser distribuídas para todos os seus participantes e ficam armazenadas no fórum para consulta posterior.
Os fóruns podem ser públicos, quando qualquer um pode acessar os seus recursos, ou privados, quando apenas os usuários registrados nele podem ler e publicar mensagens. Em geral, mesmo nos fóruns públicos, é necessário que o usuário esteja registrado como participante do fórum ou da comunidade (ou site) que fornece o fórum.
Os fóruns podem ser mediados ou não. Quando um fórum é mediado existe uma pessoa ou um grupo que acompanha e orienta o uso do fórum podendo, em alguns casos, bloquear usuários, excluir mensagens ou submetê-las à mediação antecipada (ou seja, as mensagens só são liberadas para o fórum após a aprovação dos seus mediadores).
Há fóruns temáticos onde se discute apenas um determinado tema ou onde os temas são fornecidos periodicamente pelos mediadores e, outros, onde os temas são livres e propostos diretamente pelos usuários.
Ao contrário de uma Comunidade de Relacionamento, onde as pessoas trocam mensagens pessoais e as conversas são descomprometidas, podendo abordar qualquer tema e, muitas vezes, envolvendo apenas um “bate-papo” entre os participantes, os fóruns geralmente abrigam debates ou conversas direcionadas para o tema do fórum (embora isso não seja uma regra determinante em todos os fóruns e existam fóruns específicos para relacionamentos sociais). Por essa razão, os fóruns são organizados de forma que para cada tópico aberto siga diversas mensagens em resposta a ele, todas relacionadas diretamente à mensagem original que abriu o tópico.
Exemplo de mensagens e respostas aninhadas

Exemplo de mensagens e respostas aninhadas
Fóruns podem tanto fornecer um espaço para a expressão e a autoria de seus participantes quanto um espaço de estudo e reflexão e, geralmente, se prestam a ambos. Por serem ferramentas assíncronas, onde cada um pode acessar, ler e escrever em qualquer tempo, e porque estão disponíveis na Internet, eles permitem que seus participantes acessem-nos de qualquer lugar e a qualquer momento, dando assim uma flexibilidade e uma praticidade de uso muito grande.

Do ponto de vista pedagógico os fóruns podem ser utilizados de várias formas:

1 – como elementos de organização do estudo de determinado tema ou texto: neste caso, um tópico inicial, que pode conter um texto ou várias referências de estudo, abre uma discussão sobre o tema abordado e é seguido pelas mensagens com comentários dos participantes. Como o fórum mantém armazenadas as mensagens enviadas pelos participantes, eles permitem que essas participações sejam analisadas e avaliadas pelo professor ou mediador. Um exemplo de uso pedagógico pode ser a discussão do tema de uma determinada aula, palestra, ou texto submetido aos alunos de uma classe para que estudem-no e o comentem no fórum.
2 – como espaços de socialização e fortalecimento de relações sociais: nesse caso os fóruns permitem que os participantes se conheçam, se apresentem e troquem mensagens sobre assuntos pessoais. Esse tipo de fórum é normalmente utilizado quando se reúnem pessoas espacialmente dispersas e que não se conhecem e quando se deseja que elas se apresentem e falem sobre si mesmas. Um exemplo de seu pedagógico pode ser a integração entre alunos e professores de diferentes escolas no momento inicial de um projeto ou tarefa conjunta.
3 – como espaço de troca de experiências, reflexões e informações: nesse tipo de fórum há um contexto, ao invés de um tema, que engloba todos os usuários de uma mesma comunidade de interesses. É comum, por exemplo, quando um fórum reúne professores de uma determinada disciplina ou que estejam interessados em aprender e discutir sobre um dado assunto. Um exemplo de uso pedagógico desse tipo de fórum é o fórum Internet na Escola, do Educarede, onde o tema motivador é o uso pedagógico dos computadores e da Internet (TICs).
4 – como biblioteca e para distribuição conteúdos específicos: nesse tipo de fórum as postagens geralmente trazem textos, arquivos anexados ou referências para estudo e o fórum é um meio de disseminar essas informações pelo grupo de participantes. O fórum funciona como uma “biblioteca” porque mantém armazenadas todas as mensagens e é mais prático do que uma biblioteca on-line porque distribui essas informações para todos os seus assinantes. Um exemplo de uso pedagógico desse tipo de fórum consiste em reunir e distribuir, para os alunos de uma dada turma, as informações sobre uma determinada disciplina ao longo do ano letivo, como uma espécie de biblioteca de paradidáticos (ou mesmo didáticos) sobre a disciplina em questão.
5 – como lista de avisos e distribuição, ou para coleta de informações: nesse tipo de fórum os participantes recebem avisos e comunicados sobre o tema do fórum ou sobre o tema corrente ou, alternativamente, recebem tarefas que devem cumprir e para as quais podem usar o fórum como meio de envio dessas tarefas. Um uso pedagógico para esse tipo de fórum consiste em remeter “tarefas de casa” e colhê-las novamente nas postagens de resposta dos alunos.
6 – como meio de documentação e relato: nesse tipo de fórum as mensagens e tópicos relatam ou documentam ações de um projeto em andamento e o fórum funciona como um “diário do projeto”. Um uso pedagógico para esse tipo de fórum pode ser o de documentar um determinado projeto de aprendizagem de uma turma ou da própria escola ou, ainda, como meio de documentação de todos os projetos em andamento em uma escola.
Evidentemente há ainda muitas outras possibilidades e elas aparecem a cada dia, pois os fóruns são ferramentas bastante flexíveis e tendem a se adaptarem às novas necessidades e tecnologias.

O que pode e o que não pode:

Apesar de terem formatos e propósitos variados, há algumas regras que se aplicam a praticamente todos os fóruns e que ajudam a mantê-los produtivos e organizados:
1 – é importante manter uma conversação adequada, pois todas as mensagens são públicas e distribuídas para todos os participantes. Isso significa que não se pode nem pensar em usar termos chulos, palavrões, ou expressões rudes com os colegas. Também não é recomendável usar gírias ou expressões muito regionais em fóruns com participação de pessoas do país todo, pois muitos participantes não compreenderiam essas palavras ou podem mesmo ter significados diferentes para elas. Da mesma forma, abreviações e expressões simplificadas que usamos em trocas de mensagens por meio de bate-papos, recadinhos do Orkut ou no MSN, nunca são bem vindas nos fóruns.
2 – a participação em um fórum deve ser frequente se você espera interagir com os demais participantes pois, embora o fórum seja uma ferramenta assíncrona e cada participante possa responder a uma determinada mensagem quando lhe convier, se o tempo decorrido entre a mensagem original e a resposta for muito grande, pode ocorrer da resposta já não ser importante quando for enviada, ou dos demais participantes nem terem mais interesse nela. Disso decorre que, apesar de ser uma ferramenta assíncrona, o fórum requer uma frequência de participação relativamente grande e que as mensagens sejam respondidas em um prazo curto.
3 – não devemos responder uma mensagem criando um novo tópico, mas sim respondendo diretamente ao tópico para o qual se quer dar uma resposta. Para isso os fóruns têm sempre uma opção de “responder à mensagem” e outra para “criar um novo tópico”. Quando respondemos uma mensagem criando um novo tópico, dificilmente os demais participantes perceberão que essa nova mensagem é uma resposta. Os fóruns também possuem, geralmente, uma organização “em cascata”, de forma que as respostas ficam “aninhadas” (deslocadas para a direita) em relação às mensagens que estão sendo respondidas. Isso permite uma melhor visualização das perguntas e respostas, mas que só funciona bem se você usar corretamente o recurso de responder ou criar novos tópicos.
4 – devemos seguir as regras de netiqueta, que incluem não escrever com letras maiúsculas nem usando negrito, e sobre como usar símbolos para representar emoções (os emoticons), são especialmente válidas nos fóruns e devem ser seguidas se você quiser ser bem aceito pelos demais participantes. É considerado falta de educação quebrar essas regras e, como os fóruns são ambientes sociais, é desagradável parecer “chato e deselegante” para os colegas. Conhecer as regras de netiqueta é um requisito básico para começar a participar dos fóruns de forma produtiva.
5 – não devemos postar mensagens em um fórum sem antes conhecê-lo e saber como são suas regras e qual é o tipo de fórum. Isso significa que antes de enviar uma mensagem é recomendável ler várias mensagens dos membros do fórum para saber como eles interagem e sobre o que o fórum trata (se é temático, se é de relacionamento social, etc.). Uma mensagem discrepante das demais, quer pela forma, quer pelo conteúdo, é quase sempre uma “quebra de netiqueta”.
6 – não devemos fazer críticas pessoais e, em nenhuma hipótese, ofender outro participante. Os fóruns abrigam discussões “coletivas”, embora permitam o confronto de idéias entre pessoas individualmente. Isso quer dizer que se sua opinião for agressiva você deve enviá-la diretamente ao e-mail da pessoa com quem quer polemizar e não ao fórum, da mesma forma como resolvemos nossos problemas pessoais conversando diretamente com a pessoa envolvida e não com um microfone e um autofalante em praça pública.
A participação nos fóruns nos possibilita aprender, ensinar e estabelecer relacionamentos com outras pessoas, mas requer de nós que sejamos capazes de nos relacionar virtualmente de forma educada, amigável e organizada, respeitando as regras de cada fórum e os valores de cada grupo participante. Embora a virtualidade da Internet nos faça parecer às vezes que estamos sozinhos em nosso computador quando escrevemos uma mensagem para um fórum, na prática cada mensagem nossa é como uma fala que fazemos diante de um auditório muito grande e repleto de pessoas diferentes que nos observam.

netiquetaSugestões de leitura, aprofundamento e fóruns:

E agora, Mestre Giz?

By profjc

Apagador

Há duas décadas atrás, lá pelo final da década de 80, Mestre Giz reinava na escola e era a última palavra depois do livro didático. Tinha um enorme orgulho, aliás, de conhecer o livro didático, seu mestre, de cabo a rabo. Suas aulas eram impecáveis e se você perdesse uma delas na sexta série A, poderia assistir a mesma aula na sexta série B, pois Mestre Giz tinha uma aula tão “redondinha” que até as piadinhas eram perfeitamente encaixadas no contexto da aula. Absolutamente tudo sem imprevistos e nem improvisos.

Sada de Informática

Como que por mágica, Mestre Giz deu uma cochilada numa bela e preguiçosa tarde, logo depois do almoço, e viu-se transportado no tempo para uma década adiante, lá pelo final dos anos 90, na virada para 2000. Acordou babado e meio assustado com o que viu: uma sala cheia de computadores, com uma Internet meio capenga e dezenas de cadeados por todos os lugares possíveis. Era a escola tecnológica chegando.

Cadeados

Mestre Giz logo desconfiou daquela parafernália toda e concordou de imediato com a gestão da escola de que era preciso colocar muitos cadeados nas portas e impedir os mortais comuns de mexerem naquelas coisas, evitando assim quebrá-las. Também concordou que seria preciso muito treinamento, formação e projetos inovadores nos próximos anos para que se pudessem usar aquelas coisas e, acima de tudo, era preciso saber para que se usariam aquelas coisas. Se era para ensinar, ele não precisava, pois já sabia fazer isso.

Surfando na net

Dias, semanas, meses e anos se passaram e os alunos revoltosos continuavam querendo usar aquelas maquininhas. Mas para quê? Mestre Giz até foi obrigado a fazer um curso sobre como usar um tal de Word e outro Excel, mas já havia esquecido tudo e, além disso, ele não precisava realmente daquilo. Alguns colegas, até mais velhos do que ele, já tinham computadores em sua casa e os usavam, até para “surfar” na Internet, e ele mesmo já havia comprado um para sua filha, mas na escola as coisas eram diferentes porque faltava alguma coisa a mais para poder usar os computadores: faltava um motivo!

Lan House

Certa vez um professor metido a diferente levou a classe até a Sala de Informática, mas quebrou a cara porque os computadores estavam muito velhos e desatualizados e a Internet nem funcionava em alguns computadores. Além disso, os alunos usavam as Lan Houses do bairro e dispunham de máquinas muito melhores em suas próprias casas. Mestre Giz não pôde esconder um certo sorriso de satisfação ao ver comprovada a sua tese de que aquelas maquininhas eram mesmo inúteis na escola.

Como o tempo é o grande carrasco das verdades absolutas, um dia aquele professor teimoso, de tanto teimar, conseguiu fazer algo dar certo na Sala de Informática. Não foi nada de muito sofisticado, apenas uma pesquisa rápida na Internet e um texto, digitado naquele tal de Word. Pura perda de tempo, concluiu logo Mestre Giz. A cena se repetiu outras vezes e até mesmo com outros professores, mas a grande pergunta de Mestre Giz continuava sem resposta: e para que EU preciso disso?

Giz e lousa

Hoje cedo Mestre Giz levantou da cama pelo mesmo lado que sempre levanta, pisou com o pé direito primeiro, como sempre, e tomou seu café com leite e pão com manteiga antes de ir para a escola. Escola que, aliás, parece cada dia pior. Os alunos já não têm mais tanto respeito como antes e nem demonstram muito interesse pelas suas aulas que, à propósito, continuam “redondinhas” como há duas décadas! “Azar o deles”, sentencia Mestre Giz.

Professor Conectado

Alguns colegas professores andam com notebooks ao invés de cadernos, e usam um tal de data-show de vez em quando, ao invés do projetor de slides. Parece que é melhor, mas dá muito trabalho fazer alguma coisa no computador para depois ter que usar o notebook da escola e o data-show e, além disso, não há ninguém na escola para fazer toda essa montagem para os professores. Os professores têm que, eles mesmos, colocarem as imagens no computador e ligar tudo no data-show. Assim fica muito difícil, conclui para si mesmo Mestre Giz, com um certo ar de espanto com aqueles professores que conseguem fazer essas coisas sozinhos e sem cursos ou formações especiais.

Giz e lousa com cor

Na hora do intervalo, Mestre Giz fez as contas para sua aposentadoria e descobriu que agora falta pouco. Ainda bem, pensou ele, afinal a escola mudou muito e está cada dia mais difícil ensinar. Ele tem pena desses professores mais novos que são obrigados a usarem computadores, Internet, data-show, DVD e outras porcarias para poderem ensinar suas disciplinas. Ele nunca precisou de nada disso. É pena também que os alunos não saibam dar o merecido valor às suas aulas e não entendam que ele já sabe tudo o que os alunos precisam saber. É pena que a juventude ache que pode escolher o que aprender só porque tem uma tal de Internet e que passem tanto tempo nos computadores ao invés de estarem mergulhados nos livros.

Quando estava saindo para o almoço uma aluna lhe perguntou se não podia entregar em um CDROM a pesquisa que ele passou como tarefa, ou mandar por e-mail. É claro que ele respondeu que não. E como esses alunos estão a cada dia mais atrevidos, a garota lhe perguntou com a maior inocência “porque não?”.

Crianças

Sacando como sempre de sua arma mais poderosa, a razão, Mestre Giz disparou na aluna o mesmo petardo que vem disparando há duas décadas em todos aqueles que lhes questionam o porquê dele simplesmente se negar a usar as novas tecnologias na educação: “Ora, minha cara, eu não preciso de nada disso para lhe ensinar minha matéria”. Mas, desta vez, ao invés do silêncio que costuma receber em resposta, a garota, atrevida que é, parece que resolveu retrucar com algo que até então Mestre Giz ainda não havia compreendido muito bem: “Eu sei que VOCÊ não precisa, professor, mas EU preciso e PRECISAREI A VIDA TODA. Porque não posso usar então?”.

E agora, Mestre Giz?

(*) Este texto é uma fábula. Ele é totalmente fictício. Mestre Giz, ou professores que acreditam que não precisam usar as novas tecnologias na escola porque são capazes de ensinar sem elas e que desconhecem a necessidade que os alunos têm de aprender com elas, são personagens inexistentes na vida real. Qualquer semelhança entre os personagens dessa fábula e a realidade cotidiana de uma escola é mero fruto da sua própria imaginação.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2009/09/18/e-agora-mestre-giz/