Uma Grande Resposta a Uma Grande Provocação

Olá amigos

Eu alguns dias atrás fiz uma provocação aqui no blog e lá no Facebook convidando as pessoas a refletirem sobre o nosso papel de educadores/professores, de questionar o sistema, de olhar pra frente e tentar ver se estamos no caminho certo ou não. Bem, vários amigos queridos participaram e deixaram suas contribuições no blog e lá no Facebook. O meu amigo José Carlos Antônio (@profjc) fez uma colocação que eu gostaria de compartilhar aqui com vocês. Após a leitura que tal fazermos uma reflexão?

“Grande Robson!

Excelente iniciativa. Excelente texto. Excelentes reflexões. Ou seja, nenhuma novidade, você continua ótimo!

Puxa-saquismo à parte, confesso que não tenho nenhuma resposta para suas indagações. Mas vou explicar por quê. E vou tentar fazê-lo à partir de uma estratégia um pouco inusual.

Imagine-se como um professor 30 anos atrás. Como você estaria preparando seus alunos para que eles enfrentassem o futuro e hoje fossem pais competentes dos alunos que temos nas escolas e cidadão capazes de lidar com o mundo atual?

Hum… Veja bem, esses seus alunos de 30 anos atrás são os adultos que estão no mercado de trabalho, ou desempregados; são policiais e bandidos, são professores e analfabetos funcionais, são políticos e eleitores, são pais dos seus alunos atuais. O que foi feito deles, com eles e para eles nos idos tempos de colégio 30 anos antes? 30 anos atrás não tínhamos internet, nem celulares, nem TV a cabo, NetFlix e TEDs. Há 30 anos éramos idiotas?

Talvez fôssemos, mas na verdade é mais provável que tenhamos sido apenas humanos incapazes de prever o futuro. Como, aliás, continuamos a ser hoje em dia.

Porém, não nos perguntávamos, com a frequência e desespero como fazemos hoje, como deveríamos educar nossas crianças para o futuro. Apenas educávamos para lhes ensinar valores, conceitos e técnicas que acreditávamos serem necessárias para qualquer um, em qualquer situação presente ou futura.

Nós sabíamos nada sobre o futuro e nem éramos capazes de imaginá-lo como o nosso presente atual. Mas isso não nos era problema. Não tínhamos a pretensão da futurologia.

E hoje? Hoje nos perguntamos como devemos educar as crianças para um futuro que temos certeza de não sermos capazes de imaginar (talvez isso seja uma evolução, mas será que é?). E, no entanto, além da certeza sobre o futuro também perdemos outras certezas. Muitas.

Tudo, absolutamente tudo, o que você colocou no seu texto eu me atreveria a resumir assim: não temos mais certeza sobre que conteúdos, habilidades, competências, valores e práticas devemos ensinar. Não temos certeza sobre modelos de escola, currículos, competências ou valores.

Talvez nossa incerteza e nosso “medo de errar” venha da constatação de que nesses 30 anos quase nada deu certo na Educação e na sociedade. Vivemos há décadas numa montanha russa à espera de uma subida.

Talvez seja apenas um modismo desse início de século crer que estejamos realmente perdidos. Ou será que nos convenceram de que somos mesmo incapazes de encontrar rumos? Ou pior, será que acreditamos mesmo que estamos sem rumo?

Nas últimas duas décadas tenho refletido sobre tudo isso. Tenho feito muitos experimentos, muitas observações. E a cada dia tenho mais certeza de que o que perdemos de fato foram apenas as nossas certezas. Vivemos as décadas da desilusão. Do crer que já não vale a pena acreditar. Há quem veja isso como ganho.

Às vezes para seguir adiante é preciso dar alguns passos para trás. Principalmente se você estiver à beira de algum abismo. Talvez estejamos mesmo precisando voltar um pouco no tempo, para aquela época em que acreditávamos em algo e fazíamos o que tinha que ser feito. Essa vida de incertezas contemplativas, de aventuras sem convicção, de discursos vazios sob holofotes e claques, isso não está prestando não.

Terminando, então: não tenho respostas. Só tenho minhas certezas. Não tenho medo de errar. Tenho medo de passar a vida não fazendo nada na esperança de um dia descobrir o “certo”. Educo meus alunos para serem pessoas melhores. Simples assim. E o que é mais curioso: isso independe do modelo de escola, independe do currículo oficial, independe dos recursos tecnológicos e até mesmo do que chamam por aí de “inovações”. É incrível o que se pode fazer com apenas umas poucas convicções.
Grande abraço!

P.S.: Espero ter confundido muita gente. Essa é uma das minhas convicções: sem confusão não há reordenamento.”

Que tal? O que tem a me dizer sobre isso? Leia também os outros comentários na postagem original que estão igualmente fantásticos.

Um grande abraço

Robson Freire

“Todos nós dançamos uma música misteriosa” – Um sensível texto de Albert Einstein

“A escola fracassou comigo, e não eu com ela. Ela me deixou entediado. Os professores se comportavam como Feldwebel (sargentos). Eu queria saber o que eu queria saber, mas eles queriam que eu aprendesse para o exame. O que eu mais odiava era o sistema competitivo lá, e especialmente dos esportes. Devido a isso, eu não valia nada, e várias vezes eles sugeriram que eu saísse.

“Todos nós dançamos uma música misteriosa” – Um sensível texto de Albert Einstein

Era uma escola católica em Munique. Eu senti que a minha sede de conhecimento estava sendo estrangulada por meus professores; as notas eram sua única medição. Como pode um professor a compreender a juventude com tal sistema?

A partir de doze anos comecei a suspeitar da autoridade e desconfiar de meus professores. Eu aprendi principalmente em casa, primeiro do meu tio e, em seguida, de um estudante que vinha para comer com a gente uma vez por semana. Ele me mostrava livros sobre física e astronomia.

Quanto mais eu lia, mais confuso eu era pela ordem do universo e pela desordem da mente humana, pelos cientistas que não concordaram sobre o como, o quando, ou o porquê da criação.

Então, um dia esse aluno me trouxe ‘Crítica da Razão Pura’ de Kant. Lendo Kant, comecei a suspeitar de tudo o que me foi ensinado. Eu já não acreditava no Deus conhecido da Bíblia, mas sim no Deus misterioso expresso na natureza.

As leis básicas do universo são simples, mas porque nossos sentidos são limitados, não podemos compreendê-las. Há um padrão na criação.

Se olharmos para uma árvore lá fora com raízes buscando pela água por debaixo do pavimento, ou uma flor que exala o seu cheiro doce às abelhas polinizadoras, ou até mesmo nós mesmos e as forças interiores que nos impulsionam a agir, podemos ver que todos nós dançamos uma música misteriosa, e o flautista que toca a melodia de uma distância, com qualquer nome que queiramos dar-lhe: Força Criativa ou Deus, escapa todo o conhecimento dos livros.

Todos nós dançamos uma música misteriosa

A ciência nunca está terminada porque a mente humana utiliza apenas uma pequena parte de sua capacidade, e a exploração do mundo pelo homem também é limitada.

A criação pode ser espiritual na origem, mas isso não significa que tudo criado é espiritual. Como eu posso explicar essas coisas para você? Vamos aceitar o mundo é um mistério. A natureza não é nem exclusivamente material, nem inteiramente espiritual.

Homem, também, é mais do que carne e sangue

Caso contrário, nenhuma religião teria sido possível. Por trás de cada causa há outra causa; o fim ou o começo de todas as causas ainda não foi encontrado.

No entanto, apenas uma coisa deve ser lembrada: não há efeito sem causa, e não há nenhuma ilegalidade na criação.

Se eu não tivesse uma fé absoluta na harmonia da criação, eu não teria tentado por trinta anos expressá-la em uma fórmula matemática. É só a consciência do homem sobre o que ele faz com sua mente que o eleva acima dos animais, e permite-lhe tornar-se consciente de si mesmo e sua relação com o universo.

Eu acredito que eu tenho sentimentos religiosos cósmicos. Eu nunca poderia entender como alguém poderia satisfazer estes sentimentos ao orar a objetos limitados. A árvore do lado de fora é a vida, uma estátua está morta. Toda a natureza é vida, e vida, como eu a observo, dura e complexa, rejeita um homem semelhante a Deus.

O homem tem infinitas dimensões e encontra Deus em sua consciência. [A religião cósmica] não possui outro dogma senão ensinar ao homem que o universo é racional e que o seu destino mais elevado é ponderar-lo e co-criar com suas leis.

Eu gosto de experimentar o universo como um todo harmonioso. Cada célula possui vida. A matéria, também, possui vida; É energia solidificada. Nossos corpos são como prisões, e estou ansioso para ser livre, mas eu não especulo sobre o que vai acontecer comigo.

Eu gosto de experimentar o universo como um todo harmonioso

Eu vivo aqui e agora, e minha responsabilidade é neste mundo agora. Eu lido com as leis naturais. Este é o meu trabalho aqui na Terra. O mundo precisa de novos impulsos morais que, temo, não virão das igrejas, fortemente comprometidas como têm sido ao longo dos séculos.

Talvez esses impulsos devem vir de cientistas na tradição de Galileu, Kepler e Newton. Apesar de falhas e de perseguições, estes homens dedicaram suas vidas para provar que o universo é uma entidade única, em que, creio eu, um Deus humanizado não tem lugar.

O cientista genuíno não é movido pelo louvor ou culpa, nem prega. Ele desvenda o universo e as pessoas vêm ansiosamente, sem ser empurradas, para contemplar uma nova revelação: a ordem, a harmonia, a magnificência da criação!

E conforme o homem se torna consciente das leis estupendas que governam o universo em perfeita harmonia, ele começa a perceber o quão pequeno ele é. Ele vê a pequenez da existência humana, com as suas ambições e intrigas, o seu crer em ‘eu sou melhor do que você’.

Este é o começo da religião cósmica dentro dele; a comunhão e o serviço humano tornar-se seu código moral. Sem tais fundamentos morais, estamos irremediavelmente condenados.

Se queremos melhorar o mundo não podemos fazê-lo com o conhecimento científico, mas com ideais. Confúcio, Buda, Jesus e Gandhi fizeram mais para a humanidade do qualquer ciência jamais fez.

Temos que começar com o coração do homem – com a sua consciência – e os valores da consciência só podem ser manifestados por um serviço altruísta para a humanidade.

A religião e a ciência caminham juntas. Como eu disse antes, a ciência sem religião é manca e religião sem a ciência é cega. Eles são interdependentes e têm um objetivo comum – a busca da verdade.

Por isso, é um absurdo para a religião proscrever Galileu ou Darwin ou outros cientistas. E é igualmente absurdo quando os cientistas dizem que não há Deus. O verdadeiro cientista tem fé, o que não significa que ele deve se inscrever em um credo.

O verdadeiro cientista tem fé, o que não significa que ele deve se inscrever em um credo

Sem religião não há caridade. A alma que é dada a cada um de nós é movida pelo mesmo espírito vivo que move o universo.

Eu não sou um místico. Tentar descobrir as leis da natureza não tem nada a ver com misticismo, embora em face da criação eu me sinta muito humilde. É como se um espírito se manifestasse infinitamente superior ao espírito do homem. Através da minha busca na ciência conheço os sentimentos religiosos cósmicos. Mas eu não me importo de ser chamado um místico.

Eu acredito que nós não precisamos nos preocupar com o que acontece depois desta vida, enquanto nós fazemos o nosso dever aqui, para amar e servir.

Eu tenho fé no universo, porque ele é racional. Leis ditam cada acontecimento. E eu tenho fé no meu propósito aqui na Terra. Tenho fé em minha intuição, a língua da minha consciência, mas não tenho fé em especulações sobre o Céu e o Inferno. Estou preocupado com este tempo aqui e agora.

Muitas pessoas pensam que o progresso da raça humana está baseado em experiências de natureza empírica, crítica, mas eu digo que o verdadeiro conhecimento está a ser obtido apenas através de uma filosofia da dedução. Pois é a intuição que melhora o mundo, não apenas seguir um caminho trilhado do pensamento.

A intuição nos faz olhar para os fatos não relacionados e depois pensar sobre eles, até que tudo possa ser traduzido em uma lei. Procurar por fatos relacionados significa manter o que se tem em vez de procurar novos fatos.

A intuição é o pai de novos conhecimentos, enquanto que o empirismo nada mais é que um acúmulo de conhecimento antigo. A intuição, não o intelecto, é o “abre-te sésamo” de si mesmo.

Na verdade, não é o intelecto, mas a intuição que leva a humanidade adiante. A intuição diz ao homem o seu propósito nesta vida.

Eu não preciso de qualquer promessa de eternidade para ser feliz. Minha eternidade é agora. Eu tenho um único interesse: cumprir o meu propósito aqui onde estou.

Este propósito não me é dado por meus pais ou meu ambiente. É induzido por certos fatores desconhecidos. Esses fatores tornam-me uma parte da eternidade”.

Albert Einstein

Fonte do texto: Einstein e o poeta: Em Busca do Homem Cósmico (1983). A partir de uma série de reuniões William Hermanns teve com Einstein em 1930, 1943, 1948, e 1954.

Estamos no caminho certo de como construir o estudante do século 21?

Olá amigos

Há dias eu venho divagando e digerindo um montão de coisas. Filmes que eu assisto e que me fazem pensar ( Spare Parts, A Rainha de Katwe,  Moonlight, A Chegada e Estrelas Além do Tempo) , textos ( 1 2 3 4 5 ) e livros (1) que leio e até andar sem rumo nas redes sociais tá nesse rolo ( 1 2 3 ). Essa inquietação culminou com a aprovação da reforma do ensino médio. Mas a questão que sempre volta a me incomodar é o papel da educação e da formação do estudante diante disso tudo.

A minha cabeça fervilha de perguntas….. 

Os estudantes brasileiros estão sendo preparados para o futuro? A escola está preparada para receber esse aluno? Os currículos são adequados para as necessidades do século 21? O professor está pronto pra ensinar esse aluno? As metodologias e práticas pedagógicas atuais e seus modismos (PBL, Aprendizagem Centrada no Aluno, Cultura Maker, Mobile Learning, REA,  Mooc, EaD, etc..) darão o suporte necessário ao professor para ensinar esses alunos? Qual o papel da tecnologia nessa formação?

Mas a principal pergunta é: Para que futuro esse aluno deve estar preparado?

Numa passadinha rápida pelo YouTube na página do TED Talks vocês irão ver uma quantidade imensa de palestras sobre como “mudar a educação“. Eu fico sinceramente desconfiado de que ou eu sou muito burro ou os caras tem a receita de como fazer a pedra filosofal. Só pode. Tem muitas palestras de como fazer o aluno moderno, como transformar a escola em centros de excelência (quero ver fazer isso na África sem recurso nenhum), de como fazer o professor mudar de vinho nacional pra um Château Lafite Rothschild em um piscar de olhos. Essa palestras, quando muito, servem para dar um direcionamento ou dicas de como agir pontualmente em determinadas situações ou contextos educacionais. Mas não serve pra todo mundo nem para tudo.

O historiador inglês Eric Hobsbawm disse que “a tarefa de educar as pessoas nesse século talvez não seja tão ruim quanto ao século anterior, que já tinha visto duas grandes guerras“. Ele também coloca que A experiência humana perdeu espaço no fim do século 20 para as técnicas de administração do mundo.”. Aí começam as perguntas necessárias: Como preparar crianças e jovens para enfrentar, e quem sabe melhorar, uma sociedade desigual e polarizada, com ricos cada vez mais ricos e com uma competitividade crescente a custa de uma desigualdade sem igual de muitos? O que fazer para que a geração que hoje vai para as escolas aprenda a proteger o planeta e a respeitar o próximo? Qual a melhor maneira de mostrar a esses jovens, habituados a relações virtuais, o quão valioso é o contato físico, o olho no olho?

Os desafios nunca foram tão grandes, e o papel da escola nesse processo de formação e superação é crucial.

O educador Moacir Gadotti diz que Não basta apenas entregar um conjunto de informações: é preciso preparar para pensar”. Mas pensar como? Voltado para que “norte”? O tecnológico? O da inovação? O do fazer? O da criatividade ou da sustentabilidade? A tão propalada ideia do pensar fora da caixa (o que seja lá essa maldita caixa)? Ou tudo isso junto e misturado?

Outra vez Moacir Gadotti volta a dizer que “A grande mudança pode ser sintetizada no conceito de Educação para toda a vida”. Isto é, a aquisição de conhecimentos não se limita à escola: ela nunca pára de acontecer. Esse debate vem desde lá os anos 90, quando a Unesco encomendou ao político francês Jacques Delors um relatório sobre a educação para o novo século. No texto, concluído em 1996, Delors indica quatro pilares que devem moldar o aprendizado no nosso tempo: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Aí venho eu com mais perguntas: Aprender a aprender o que? Pra quem? Como? Aprender a fazer o que? Pra quem? Como? Aprender a conviver com quem? Em relações igualitárias de gênero, raça, etnia, credo, no mercado de trabalho ou apenas socialmente? Ou somente virtualmente? Aprender a ser quem? Mas qual EU? O EU verdadeiro que dorme comigo todas as noites ou o Eu que esperam que eu seja profissionalmente e socialmente?

Estamos meio que vivendo como em um episodio de Black Mirror (Perdedores 3×01 Nosedive) da Netfilx, onde a vida das pessoas é guiada pela avaliação que as pessoas fazem nas redes sociais. Vivemos regidos pelos “likes & views” e compartilhamentos que nossos personagens (ou avatares) recebem nas redes sociais. Mas mesmo que não sejamos (bem lá no fundo) aquilo que demonstramos quando ninguém está olhando (o episodio mostra isso muito bem no final), a impressão que fica é que hoje somos quase como uma Sociedade do Espetáculo como bem descreve Guy Debord em seu livro. A máscara que criamos para que os outros não vejam as rachaduras do nosso caráter, o nosso preconceito mais puro e cruel, a necessidade de fazer parte e o oportunismo social. Definitivamente não estamos distantes dessa merda toda e Black Mirror está apenas desenhando as possibilidades.

Mas é a educação como pode ajudar a mudar isso?

No Brasil, com um sistema de ensino dito cambaleante, fraco, ineficiente (do ponto de vista das avaliações internacionais), escolas desprovidas de recursos e professores despreparados ou desmotivados (será mesmo que são e estão?), a proposta de Delors acaba soando como utopia. Mas, esses os quatro pilares vêm sendo colocados em prática por instituições públicas e privadas (muito mais nas escolas privadas) como tentativa de reverter e inovar o ensino.

Então como é isso na prática?

No Aprender a aprender o gostar de aprender é o que mais se espera do estudante do século 21. E esse “gostar” não depende apenas do aluno, mas das estratégias adotadas pela escola. Aprender não é uma coisa arrumadinha, pronta e acabada (não existe fórmula mágica e nem receita de bolo perfeita) é sim um processo pessoal complexo que nem sempre se adapta à estrutura tradicional da escola. Para contemplar a forma de aprender de cada um, as vezes é preciso fazer uma revolução completa em tudo, mas as vezes apenas uma ação pontual é capaz de causar uma revolução.

A escola do século 21 exige autonomia do aluno, mas ela também deve ensiná-lo a pedir ajuda, acolhendo seus possíveis erros. Eu sempre falo com os meus pares que lugar para cometer erros é na escola, onde as conseqüências não são drásticas. Na escola o estudante pode tentar, errar, tentar de novo, acertar. A solução oferecida como prato feito ou como receita perfeita não ensina o aluno a pensar.

No Aprender a fazer o que se espera do profissional do novo milênio? Além de saberes específicos de sua área, conhecimento de informática e de línguas estrangeiras, assim como iniciativa e capacidade de trabalhar em equipe, são exigências do mercado de trabalho que busca mão-de-obra qualificada. Mas a nossa escola ensina assim? Esses conceitos são trabalhados na escola pensando tão a longo prazo? A tão falada Cultura Maker seria a solução? Mas esse conceito não é facilmente aplicável nas disciplinas tipo filosofia, sociologia, história, então como faremos o Maker nessas disciplinas?

O uso de informática, por sua vez, já é realidade em muitas escolas, que são equipadas com laboratórios e dispõem de mídias variadas até mesmo em sala de aula. Os computadores, claro, são dotados de filtros, programas que impedem o acesso a alguns endereços eletrônicos. O tradicional quadro-negro cedeu lugar às lousas digitais, nas quais o professor projeta a tela do computador que usa na sala de aula. A criança que faltou à aula pode acessar todo o conteúdo perdido no site do colégio.

Tudo isso é muito legal, mas a grande questão é como fazer o melhor uso possível da informática. Muitos alunos lidam facilmente com as novas tecnologias, mas de uma maneira muito superficial. Usam bem o que lhes interessa como as redes sociais e smartphones, mas não sabem nenhuma linguagem de programação que faria uma grande diferença entre usar e criar. Muitas das vezes não sabem nem o básico que é fazer uma pesquisa na web. Como se ensina a separar o joio do trigo? Trabalhando o senso crítico do aluno e ensinando onde pode averiguar se o que leu na internet é verdadeiro ou não. Sabendo isso não se fica soterrado sob uma avalanche de informação inútil e muitas das vezes falsas/erradas. Quem não souber selecionar corre o risco de ficar para trás. Mas cabe à escola preparar o aluno para que esse processo seja estimulante e determinante.

Outra questão importante e como incentivar o tão desejado espírito de equipe e de colaboração, sem que isso afete a possibilidade de liderança? Há varias propostas democráticas no ambiente escolar que caminham nessa direção. Eu vi na Escola da Ponte em Portugal como funciona as assembleias semanais de alunos, professores e funcionários que tratam de assuntos relevantes para a comunidade escolar. Todos podem opinar e os assuntos, do mais básico até os mais complexos e de difícil solução, são votados e decididos por eles.

Experiências como essa ainda são bem raras por aqui, mas começam a ganhar espaço. É uma questão primordial no mundo moderno hoje é Saber escolher. Quando escolhe o que é melhor para a escola, o aluno enfrenta um problema real do cotidiano e busca soluções e saber escolher é uma competência fundamental para o jovem do século 21. Ele já se experimenta como cidadão e como isso se refletira no futuro dele como profissional dentro da escola.

No Aprender a conviver tem gente que pensa como o filósofo e educador Alípio Casali, que diz que a geração que se prepara para o século 21 enfrenta uma grave crise de socialização. Famílias dispersas, pais ausentes e o distanciamento de instituições tradicionais, deixam as crianças meio perdidas, sem referências. E de que os vínculos vêm enfraquecendo aceleradamente, o que está produzindo indivíduos com dificuldades para os relacionamentos sociais, mesmo diante da imensa interação que se desenrola hoje em dia nas redes sociais. Para ele a escola do futuro não pode deixar de lado seu papel de socializar adequadamente, ensinando a cada criança o jogo tenso entre direitos, deveres, ordem e liberdade. Para ele “O convívio é uma experiência estruturante. O conhecimento também se dá por transmissão.”

Esta aprendizagem, sem dúvida, representa um dos maiores desafios da atualidade. O mundo atual está repleto de violência, em oposição à esperança que alguns têm no progresso da humanidade. A educação deve utilizar duas vias complementares. Primeiramente a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, tendo este método o intuito de evitar ou resolver os conflitos latentes.

Muitas escolas preocupadas com esse esgarçamento de vínculos, incentivam o trabalho em grupo. No trabalho em grupo a criança, as vezes, é obrigada a trabalhar mesmo com quem não tem afinidades dentro das regras da boa convivência. Assim, aprende como o outro pensa e aprende a respeitar os limites de cada um e superar as vezes situações que não tem nenhuma ação concreta. Pois além de estabelecer laços, outro desafio para o estudante do século 21 é a boa relação com a heterogeneidade. Conviver com a diversidade é uma expressão da inteligência humana.

Mais do que uma exigência do mercado de trabalho, que valoriza as diferenças, respeitar o outro é uma questão de sobrevivência da espécie no planeta. É preciso aceitar a diversidade não apenas com respeito, mas também valorizando a diversidade e as diferenças ideológicas como riqueza.

No Aprender a ser vem sempre aquela fatídica pergunta: Quem você quer ser quando crescer?. “Um cidadão do mundo, preocupado com as questões sociais e ecológicas” talvez fosse esta a resposta da maioria dos estudantes de hoje, que faria com que poderíamos sonhar com um mundo melhor para as próximas décadas. Mas no contexto atual, não basta fazer. Os ideais têm de estar incorporados. É uma questão de ser. Fazer desse aluno um ser justo, correto e de caráter forte é uma tarefa para a família e para a escola na transmissão de valores importantes para a vida adulta. A parte mais importante desse ser é a construção dessa identidade do aluno. Situa-lo no seu contexto social, cultural e intelectual. Delors coloca assim:

A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espirito, corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal e espiritualidade. Todo o ser humano deve receber uma educação que lhe dê ferramentas para o despertar do pensamento crítico e autônomo, assim como para formular seus juízos de valor e ser autônomo intelectualmente.

Mais do que nunca a educação parece ter como papel essencial, conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, o discernimento, os sentimentos e a imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos de seus próprios destinos (pg 81).

Despertar na criança a noção de que o planeta está em perigo e prepará-la para defender a Terra é uma das principais missões da escola no século 21 a outra missão tão importante, ou talvez mais importante, é em relação as desigualdades sociais que afligem a humanidade. Lutar por um mundo mais justo socialmente, inclusivo, tolerante e que respeite a diversidade.

O segredo para criar cidadãos conscientes é fazer com que essa preocupação não fique apenas na teoria mas que ocupe espaço na vida escolar das crianças. Os muros da escola são realmente estreitos demais para o ensino contemporâneo. O conhecimento que se adquire com a prática é mais significativo. E se já não bastasse essas coisas todas, eis que vem uma reforma do ensino médio imposta de cima pra baixo, desrespeitando toda a discussão que vem sendo feita para a reforma do ensino médio desde 2006.

E o Brasil o que fez pra mudar?

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (8) a chamada Medida Provisória do Novo Ensino Médio, com segmentação de disciplinas segundo áreas do conhecimento e implementação do ensino integral. Foram 43 votos favoráveis e 13 votos contrários ao Projeto de Lei de Conversão (PLV) 34/2016,  proposta originada após alterações promovidas na MPV 746/2016 pela comissão mista e pela Câmara dos Deputados.

Não há duvida que o ensino médio precisava de uma sacudida, de mudanças estruturais mesmo, mas o que foi proposto e o que foi aprovado distanciam o que se propunha enquanto discussão coletiva de uma imposição política de um governo ilegítimo de uma politica educacional dos anos 90. Bem algumas coisas positivas podem ser tiradas dessa mudança? Talvez. A reforma flexibiliza o conteúdo que será ensinado aos alunos, muda a distribuição do conteúdo das 13 disciplinas tradicionais ao longo dos três anos do ciclo, dá novo peso ao ensino técnico e incentiva a ampliação de escolas de tempo integral. Mas isso é suficiente? Não.

O currículo do ensino médio será definido pela Base Nacional Comum Curricular – BNCC (que deverá dar um passo significativo, se pra melhor ou pior ninguém ainda sabe), atualmente em elaboração. Mas talvez aqui o que está sendo vendido como “moderno” não tenha o efeito desejado: a adoção dos eixos curriculares. Pois a nova lei já determina como a carga horária do ensino médio será dividida. Tudo o que será lecionado vai estar dentro de uma das seguintes áreas, que são chamadas de “itinerários formativos”

  1. linguagens e suas tecnologias
  2. matemática e suas tecnologias
  3. ciências da natureza e suas tecnologias
  4. ciências humanas e sociais aplicadas
  5. formação técnica e profissional

As escolas, pela reforma, não são obrigadas a oferecer aos alunos todas as cinco áreas, mas deverão oferecer ao menos um dos itinerários formativos. E aqui o grande ponto de ruptura. Vamos lá pela lei, eu não sou obrigado a oferecer os cinco itinerários formativos, apenas um. Beleza. Qual gestor público vai adotar mais de um  itinerário, se a adoção deles implica em investimento  em estrutura e em professor? Como pode disciplinas como História e Geografia não serem obrigatórias como é Matemática e Português? Fora o engodo de que Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes terem se tornados obrigatórias. Elas são apenas obrigatórias na Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Não nos eixos formativos. Uma emenda definiu que as matérias devem ter “estudos e práticas” incluídos como obrigatórios na BNCC.

A língua inglesa passará a ser a disciplina obrigatória no ensino de língua estrangeira, a partir do sexto ano do ensino fundamental. Isso quer dizer que Congresso manteve a proposta do governo federal. Antes da reforma, as escolas podiam escolher se a língua estrangeira ensinada aos alunos seria o inglês ou o espanhol, que dentro de uma politica de integração adotada pelo Mercosul, o ensino do espanhol (que é a língua mais falada no mundo em numero de países que adotam o espanhol como língua oficial).

Imaginar que agora, se a escola só oferece uma língua estrangeira, essa língua deve ser obrigatoriamente o inglês, e se ela oferece mais de uma língua estrangeira, a segunda língua, preferencialmente, deve ser o espanhol, mas isso não é obrigatório. Precisamos contextualizar, mais uma vez, a importância do ensino do espanhol como língua obrigatória, pois no mundo moderno atual as políticas comerciais e diplomáticas que norteiam as relações dos países e do Brasil (MERCOSUL e BRICS) o ensino do idioma espanhol não é apenas necessário, é estratégicos em todos os pontos de vista possíveis.

Outro objetivo da reforma é incentivar o aumento da carga horária para cumprir a meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que, até 2024, 50% das escolas e 25% das matrículas na educação básica (incluindo os ensinos infantil, fundamental e médio) estejam no ensino de tempo integral.

No ensino médio, a carga deve agora ser ampliada progressivamente até atingir 1,4 mil horas anuais. Atualmente, o total é de 800 horas por ano, de acordo com o MEC. No texto final, os senadores incluíram uma meta intermediária: no prazo máximo de 5 anos, todas as escolas de ensino médio do Brasil devem ter carga horária anual de pelo menos mil horas. Não há previsão de sanções para gestores que não cumprirem a meta. (lógico pois ninguém é louco de cobrar uma coisa que eles sabem não vão cumprir, pois depende de um investimento pesado em estrutura com um PEC que congela investimentos em todas as áreas).

Outro alvo de críticas foi a permissão para que professores sem diploma específico ministrem aulas. O texto aprovado no Congresso manteve a autorização para que profissionais com “notório saber”, reconhecidos pelo sistema de ensino, possam dar aulas exclusivamente para cursos de formação técnica e profissional, desde que os cursos estejam ligados às áreas de atuação deles.

Também ficou definido pelos deputados e senadores que profissionais graduados sem licenciatura poderão fazer uma complementação pedagógica para que estejam qualificados a ministrar aulas. O perigo é essa brecha ser usada para todo ensino médio e não apenas o profissional e técnico.

Bem ainda vamos precisar de tempo para digerir isso tudo, mas o principal é chamar os professores para fazerem uma reflexão mais ampla e crítica (em todos os sentidos) sobre os rumos do que fazemos, de como fazemos e principalmente de como queremos fazer. O mundo está mudando rapidamente, e os alunos também. E nos professores estaremos aonde nisso?

Convido aos amigos educadores a fazerem comigo essa reflexão. Seja aqui nos comentários ou em seus próprios espaços. Para isso deixo essa reflexão para todos que quiserem debater:

“Em toda a história da escolarização, nunca se exigiu tanto da escola e dos professores quanto nos últimos anos. Essa pressão é decorrente, em primeiro lugar, do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação e, em segundo lugar, das rápidas transformações do processo de trabalho e de produção da cultura. A educação e o trabalho docente passaram então a ser considerados peças-chave na formação do novo profissional do mundo informatizado e globalizado.” (FREITAS, 2005).

A pergunta final que deixo para vocês é essa:

Robson Freire

O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea?

[Segue o fichamento do texto de HOBSBAWN que produzi para subsidiar minha aula na turma de História Contemporânea, na PUC-GO, no primeiro semestre de 2010. Utilizei o mesmo texto no curso oferecido para a formação especial de professores na UNEB/Campus IX (Barreiras-BA), pela PARFOR/CAPES, no final do ano passado]

O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea?

Referência do texto fichado aqui: HOBSBAWN, Eric. O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea? (36-48). In _____. Sobre história. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.

1. Da utilidade do conhecimento histórico

Para que serve a história? Quais as utilidades deste conhecimento? De que forma este conhecimento pode ser operacionalizado na vida, na dimensão da experiência individual? O conhecimento histórico contribui para a aquisição de algum resultado, seja no âmbito pessoal ou social/coletivo?

“pessoas que só admitem despender um bom dinheiro em coisas que tenham uma compensação prática e óbvia”

As relações entre passado, presente e futuro são indispensáveis e de interesse vital para nossa sociedade → é inevitável que nos situemos no continuum de nossa existência, da família e do grupo a que pertencemos. Aprendemos com isto:

“é o que a experiência significa” (p. 36) → “os historiadores são o banco de memória da experiência”

Todo o passado constitui a história e a maior parte deste passado é da competência dos historiadores que compilam e constituem a memória coletiva do passado [esta atividade ou função manifesta é a base que sustenta a confiança que a sociedade “deve ter” no conhecimento produzido pelos historiadores, segundo o autor] (37)

“necessitamos e utilizamos a história mesmo quando não sabemos por que”

[por exemplo, na maioria das celebrações dos marcos cronológicos, como os aniversários, as efemérides nacionais ou institucionais] (37);

2. Função tradicional da história

Até o final do século XVIII, supuseram que a história pudesse nos dizer como uma dada sociedade deveria funcionar. O passado era o modelo para o presente e o futuro

“a história representava a chave para o código genético pelo qual cada geração reproduzia seus sucessores e organizava suas relações”

É o que a Didática da História (na reflexão alemã) denomina de função tradicional do passado: as sociedades tendem a buscar nas tradições (familiares, regionais/culturais, nacionais/ideológicas/identitárias) os referentes que servem de orientação para a ação/comportamento presente.

→ Indícios da função tradicional do passado: velho = sabedoria (longa experiência + memória de como eram, como eram feitas as coisas e, portanto, como deveriam ser feitas)

→ “senado” (Congresso sênior); o “conceito de precedente” em sistemas legais baseados no direito consuetudinário

→ história como autoridade para o presente [a história oficial/história nacional é utilizada pelas elites brasileiras para construírem um discurso em relação ao passado, cuja consequência prática é a base de sua perpetuação no poder, no presente e no futuro. Serve a esta ideia a representação histórica que o “povo brasileiro” não é belicoso. Logo é pacífico, subserviente, passivo e obediente. Quer funções mais apropriadas à reprodução de um status quo que estas?]

3. Função mitológica da história ou a narrativa de origem

É a lição da história de experiência acumulada e coagulada. Por exemplo:

“os bons tempos do passado, e é para lá que a sociedade deveria voltar”

Utopia como nostalgia (boa e velha moralidade da cidadezinha do interior; a crença literal na Bíblia que é um documento histórico antigo) → hoje, esta função não é mais disponível:

“o retorno ao passado é algo tão distante que tem de ser reconstruído ou um retorno a algo que nunca existiu realmente, mas foi inventado para tal fim”

→ “qualquer nacionalismo moderno, não poderia ser concebido como um retorno a um passado perdido, porque o tipo de Estados-nações territoriais, dotados de tipo de organização que ele visava, simplesmente, não existiu até o século XIX”

→ “entender mal a história é parte essencial de se tornar nação” (Ernest Renan) (38)

→ “A atividade profissional dos historiadores é desmantelar essas mitologias, a menos que se contentem – e receio que os historiadores nacionais muitas vezes se contentam – em ser os servos dos ideólogos” (38)

É o exemplo de contribuição (negativa) importante que a história pode nos dar a respeito das sociedades contemporâneas;

4. O “meu tempo” é hoje

Esse é o título de um documentário sobre Paulinho da Viola. É fantástica a potência que possui esse título para criticarmos a noção de “história mitológica” que Hobsbawm acabou de nos apresentar. Na frase, a história/tempo não está no passado. O tempo é o presente. Engraçado que um dos primeiros indícios que uma pessoa está ficando velha (já li isso em algum lugar) é dizer: “no meu tempo…” como se ela, o tempo dela, tivesse, em algum momento, sido apartado do que ela é no presente. Esse funcionamento é o primeiro indício que uma coisa ficou datada. Tipo o corte de cabelo dos 80’s, a calça boca de sino dos 60’s, o cabelo colorido dos 90’s ou suas roupas de flanela. É preciso que a história volte-se para o presente. É a leitura que Walter Benjamin (1892-1940) fez do anjo pintado por Paul Klee. Contudo, a condição fundamental para que isso aconteça, é ir ao passado. Ir ao passado é um recurso e uma condição para se chegar ao presente e nele se situar; com ele dialogar, nele viver.

5. O presente não pode tomar o passado como modelo em nenhum sentido operacional

“Desde o início da industrialização, a novidade que toda geração traz é mto mais marcante que sua similaridade com o que havia antes”

Diante disso, imaginem o quanto é difícil para uma pessoa jovem hoje imaginar um mundo sem internet; sem CD; sem TV; sem cor impressa; sem rádio; sem energia elétrica; sem rádio; sem cinema; sem rede de abastecimento de água encanada e residencial; sem imagem fotográfica… acabei de faze um breve percurso cronológico que nos leva diretamente a meados do século XIX. Mas essa volta poderia ser feita ate períodos históricos mais afastados. É o que nos propõe Maria Bethania numa releitura de uma música de Arnaldo Antunes.

6. Debaixo d’água – Agora (ao vivo), Maria Bethânia, 2007, álbum Dentro do mar tem rio.

7. Há uma parte muito grande de assuntos humanos nos quais o passado retém sua autoridade e, portanto, a história ou a experiência, no genuíno sentido antiquado, opera do mesmo modo como operava no tempo de nossos antepassados (38);

8. Uso antiquado ou experiencial da história (o que a história nos diz sobre o passado): A história elementar (saber como era alguma prática ou saber os valores que norteiam as práticas sociais)

→ “são necessárias duas pessoas para aprender as lições da história ou de qualquer outra coisa: uma para dar a informação e outra para ouvir”

→ a mera experiência histórica sem muita teoria sempre pode nos dizer muita coisa sobre a sociedade contemporânea

→ as situações humanas são, de tempos em tempos, recorrentes → registro acumulado de muitas gerações (“já vi isto antes”)

→ [traços de uma abordagem materialista?]

→ “a ciência social moderna, a política e o planejamento adotaram um modelo de cientificismo e manipulação técnica que, sistemática e deliberadamente, negligencia o humano e, acima de tudo, a experiência histórica” (39)

→ ciclos de longa duração de Kondratiev (descobertos no século XX) = padrão secular da economia mundial na qual períodos de cerca de vinte a trinta anos de expansão econômica e prosperidade se alternam com períodos de dificuldades econômicas com a mesma duração → uma dentre as poucas periodicidades que permitem previsão (40)

→ o computador de nossas cabeças tem, ou pode ter, experiência histórica embutida [consciência histórica geneticamente transmitida?]

→ tipo de conhecimento histórico que os intelectuais, de Tucídides a Maquiavel, teriam reconhecido ou praticado (41);

9. O que a história nos diz sobre o presente

(o que a história pode nos dizer sobre o inédito?): não há precedentes →

“a história, mesmo quando generaliza com muita eficácia, ela não vale muitas coisa se não generaliza, sempre está atenta à dessemelhança”

→ a historiografia tradicionalmente se desenvolveu a partir do registro de vidas e eventos específicos e irrepetíveis.

“estou me referindo a transformações que fazem do passado um guia direto fundamentalmente inadequado para o presente”

→ as transformações rápidas, profundas, radicais e contínuas são características do mundo a partir do final do século XVIII e, especialmente, a partir da metade do XX (41)

→ uma das funções menores dos historiadores é mostrar que a inovação não é e não pode ser absolutamente universal (descobrir uma prática absolutamente nova)

→ a evolução humana:
como deixamos de nos assustar com os perigos da natureza para nos assustar por aqueles que nós mesmos criamos?

→ apesar de sermos mais altos e pesados do que nunca, biologicamente somos quase os mesmos que no início dos registros históricos

→ é quase certo que não somos mais inteligentes que os mesopotâmios, entretanto, o modo como as sociedades vivem e operam foi totalmente transformado (42)

→ “se fixamos nossa atenção naquilo que é permanente, não podemos explicar o que obviamente foi transformado, a menos que acreditemos que não possa haver nenhuma mudança histórica, mas apenas combinação e variação” (42)

→ o objetivo de se traçar a evolução histórica da humanidade não é antever o que acontecerá no futuro, ainda que o conhecimento e o entendimento histórico sejam essenciais a todo aquele que deseja basear suas ações e projetos em algo melhor que a clarividência, a astrologia ou o franco voluntarismo (42)

→ ler na história (descobrir padrões e mecanismos da transformação) é diferente de deduzir da história (previsões / esperanças) (43);

10. O progresso e a concepção materialista da história

Qualquer tentativa genuína para dar sentido à história humana deve tomar o progresso (sentido literal de um processo direcional) como ponto de partida

→ o progresso é a capacidade persistente e crescente da espécie humana de controlar as forças de natureza por meio do trabalho manual e mental, da tecnologia e da organização da produção [a abordagem e interpretação da categoria ‘progresso’ por parte do autor é pragmática e não considera valores e condicionantes morais e éticos?] → a concepção e análise da história construída por Karl Marx baseou-se na ideia de progresso, daí sua importância para os historiadores

→ “não é possível nenhuma discussão séria da história que não se reporte a Marx ou, mais precisamente, que não parta de onde ele partiu. E isso significa, basicamente, uma concepção materialista da história” (43)

→ durante a maior parte da história registrada, de 80 a 90% da população esteve envolvida na produção de alimentos básicos. Hoje, uma população de 3% dos estadunidenses produz comida suficiente para alimentar outros 97% (44);

11. Quais as consequências destas mudanças?

Elas podem definir uma dimensão urgente do problema = a necessidade de redistribuição social

→ durante maior parte da história, o crescimento econômico operava por meio da desigualdade (apropriação do excedente social gerado pela capacidade do homem de produzir por meio de uma minoria para fins de investimento em melhoria adicional) (44)

→ isto era compensado pelo crescimento da riqueza total que tornou cada geração mais aquinhoada que suas predecessoras. Os trabalhadores partilhavam desses benefícios mediante a participação no processo produtivo (posse de empregos – assalariados – ou por meio da venda de sua produção no mercado – camponeses e artesãos)

12. Qual o problema do tempo presente?

A maioria da população não é mais necessária para a produção. Do que ela se manterá?

→ o motor principal do crescimento econômico do Ocidente são os lucros empresariais

→ Uma economia empresarial depende cada vez mais das compras

→ A maioria da população tem de viver de transferência de recursos públicos (entre ½ e 2/3 dos gastos públicos – pensões, seguridade e bem-estar social) = mecanismo político e administrativo de redistribuição social [os programas sociais do governo federal: bolsa família, bolsa escola, benefício dos idosos, aposentadoria etc.] = crescimento do setor estatal = ônus tributário sobre os lucros empresariais = pressão pelo desmantelamento do sistema de redistribuição de rendas

→ mas este mecanismo de redistribuição não foi projetado para uma economia na qual a maioria poderia ser excedente às necessidades produtivas, mas sim para uma economia de pleno emprego e por ele sustentada.

13. O crescimento econômico mediante uma economia de mercado não foi um mecanismo eficaz para diminuir as desigualdades internas ou internacionais, embora tendesse a aumentar o setor industrializado do planeta → as desigualdades embutidas nesses desenvolvimentos históricos são desigualdades de poder: populações pobres e países pobres são fracos, desorganizados e tecnicamente incompetentes: relativamente mais fracos hoje do que no passado (46) → dentro de nossos países podemos cozinhá-los em guetos (“um nível aceitável de violência” [qual é a violência aceitável? Que violência você aceita?]) ou isolarmos em carros blindados, condomínios fechados → os pobres e descontentes, nacional e internacionalmente, devem ser contidos (46);

14. Muros e grades, Engenheiros do Havaí, 1993. Álbum Filmes de Guerra, canções de amor.

15. O que a história pode nos dizer: pode-se supor que os pobres não mais mobilizem em protesto, pressão, mudança e revolução social, em nível nacional ou internacional, como fizeram entre 1880 e 1950; mas não que permaneçam ineficazes enquanto forças políticas/militares, principalmente quando não puderem ser comprados pela prosperidade →
o que a história não pode nos dizer é o que acontecerá, apenas quais problemas teremos que resolver (47);

CONCLUSÃO

16. O que a história pode nos dizer sobre as sociedades contemporâneas baseia-se em uma combinação entre experiência histórica e perspectiva histórica [horizonte de expectativas]

→ “é tarefa dos historiadores saber consideravelmente mais sobre o passado do que as outras pessoas, e não podem ser bons historiadores a menos que tenham aprendido, com ou sem teoria, a reconhecer semelhanças e diferenças” (47)

→ [é possível identificar semelhanças e diferenças sem um exercício teórico?];

17. “Infelizmente, uma coisa que a experiência histórica também ensinou aos historiadores é que ninguém jamais parece aprender com ela. No entanto, temos que continuar tentando” (47);

18. Razão pela qual as lições da história não são aprendidas ou são desprezadas:

  • História utilitarista: Devido uma abordagem a-histórica, manipuladora, de solução de problemas, que se vale de modelos e dispositivos mecânicos [factualista, narrativista, não-problematizadora, informacionista, professoral? História para passar/não-passar no vestibular, no Rio Branco, no concurso do Estado?];
  • História como inspiração e ideologia (mito de auto-justificação) / “história-Venda para os olhos”: distorção sistemática da história para fins irracionais → Por que todos os regimes fazem seus jovens estudarem história na escola?
    “não para compreenderem sua sociedade e como ela muda, mas para aprová-la, orgulhar-se dela, serem ou tornarem-se bons cidadãos” “e o mesmo é verdade para causas e movimentos”;

19. É tarefa dos historiadores remover as vendas ou tentar levantá-las um pouco → ao fazer isto, dizem algumas coisas das quais ela poderia se beneficiar, ainda que hesite em aprendê-las

“uma pena que os historiadores somente sejam autorizados e encorajados a fazer isso nas universidades”

[será?] → as universidades são/devem se tornar os locais onde mais facilmente se pode praticar uma história crítica (48).

Fonte: http://euzebiocarvalho.blogspot.com.br/2013/01/o-que-historia-tem-dizer-nos-sobre.html

Como criar uma sala de aula centrada no aluno? Um pequeno passo de cada vez.

Por Shelley Wright.

Os professores que estão interessados ​​em mudar suas salas de aula muitas vezes não sabem por onde começar. Pode ser esmagadora, assustadora e até desanimadora, especialmente quando ninguém mais à sua volta parece pensar que o sistema está quebrado.

Uma pergunta que eu sou perguntado é frequentemente “onde deve um professor começar?” Os professores devem apenas deixar estudantes ir ou há um processo ao inquérito bom estudante-centrado? Eu refleti sobre isso uma quantidade razoável, e eu acho que pequenos passos estratégicos são a chave. Eu acho que deixar os alunos “ir” sem qualquer estrutura provavelmente criará falha, especialmente se os alunos não passaram muito tempo colaborando. As habilidades precisam ser modeladas.

Muitos professores provavelmente envolveram-se em algum tipo de inquérito ou aprendizagem baseada em projetos, mas com resultados frustrantes ou sombrios. Eu ouço coisas como, “os alunos não estavam na tarefa”, “um estudante mandou a maioria das crianças ao redor”, “o produto final não era muito bom”, e muitos mais. Eu tive essas mesmas experiências. O que eu vim a perceber quando vejo esses “comportamentos” por falta de um termo melhor, é provável dizer-me os alunos estão faltando habilidades, ou uma estrutura para ajudá-los através do processo de aprendizagem. É meu trabalho fazer perguntas às crianças para descobrir o que realmente está acontecendo.

Quando eu começar com um novo grupo de alunos, o design é apertado. A escolha é dada, mas eu escolho frequentemente o tópico e as opções para a voz do estudante. Eu modelar habilidades como colaboração, pensando em voz alta sobre o meu aprendizado, e explicando tecnologia de integração e por que ele está sendo usado. Acrescento também atividades de grupo específicas que ajudam as crianças a desenvolver essas habilidades e utilizam rubricas, como aquelas encontradas no site do BIE, para ajudá-las a avaliar sua própria capacidade de colaboração, etc.

Eu também descobri que eu preciso ensinar a diferença entre colaboração e cooperação. A maioria dos estudantes foi ensinada a cooperar. Msgstr “Joga bem na caixa de areia”. A colaboração é uma coisa completamente diferente. Muitos adultos não sabem como colaborar bem.

1. COMEÇAR COM UMA UNIDADE

Comece criando uma unidade de pesquisa em um assunto.  Você pode pular e mudar tudo de uma vez como eu fiz, mas isso é um pouco louco. Em vez disso, se você projetar uma unidade em um assunto, no final de cada dia ou semana, você pode analisar o que funcionou eo que não. Embora o ensino não deixe sempre muito tempo para luxos como a reflexão, é realmente a chave para descobrir a aprendizagem inquérito, e como professor, é um dos seus papéis mais importantes.

Às vezes você não pode entender por que certas coisas não estão funcionando. Pergunte aos seus alunos. Eu sou surpreendido frequentemente por quanto sabem e como adepto estão em articular o que necessitam.

Dois dos melhores recursos que eu encontrei para a criação de uma sala de aula inquérito são  de Carol Kuhlthau  trabalho e de Alberta Aprendizagem  Guia de Consulta Learning.

Se você não sabe como criar uma sala de aula de investigação, pergunte-me. Estou feliz em ajudar. Você pode começar colocando comentários aqui. Se você precisar de recursos, eu provavelmente posso apontá-lo para alguns. Nos últimos Ano, tive a oportunidade de enviar e-mail, Skype e, se a distância permitir, professores, administradores e superintendentes visitar a minha sala de aula para ver o que fazemos.

2. FALAR SOBRE A APRENDIZAGEM

Converse com seus alunos sobre a sua aprendizagem  –  um monte .

Especialmente no início, eu falo com meus alunos sobre por que minha sala de aula é estruturada de forma diferente de todas as outras turmas da nossa escola. Eu mostrar-lhes  de Ken Robinson  falar sobre como o sistema escolar do século 20 realmente não preparar os alunos mais. Eu também mostrar-lhes de Chris Lehmann TED talk-X enfatizando como a educação está quebrada  e Karl Fisch do  Você Sabia? .

Digo aos meus alunos que, essencialmente, estou preparando-os para trabalhos que não existem atualmente, que usarão tecnologia que ainda não foi inventada, para corrigir problemas que atualmente não estamos cientes. Eles entendem o ponto. Trata-se de desenvolver habilidades e hábitos de aprendizagem, e usamos conteúdo para fazer isso.

Mas eu também falo com meu aluno sobre coisas como como seu cérebro funciona, e como conexões neurais precisam ser feitas. Que muitas vezes, para que os alunos aprendam algo novo, ele precisa estar ligado a coisas que eles já sabem. Pouco antes da recente pausa, durante a última semana de aula, nós falamos sobre a dissonância cognitiva e de Vygotsky  zona de desenvolvimento proximal . Eles gostam de saber que há uma razão para a maneira como eles se sentem quando não “entendem”. E gostam de saber que a zona de desenvolvimento de todos é diferente. Na verdade, eles ficaram surpresos ao descobrir que o cérebro de todos é diferente.

E, sim, eu uso as palavras grandes. Eu simplesmente explicar o que eles significam. Eu não os uso para soar esperto. Eu uso-os porque faz meus estudantes sentir espertos; A maioria de nossa sociedade não trata nossos alunos como eles são capazes de entender ou fazer muito. Eu faço.

3. FAÇA O TRABALHO DA TECNOLOGIA PARA VOCÊ

Incorporar a tecnologia de forma autêntica ao processo de aprendizagem.

As primeiras ferramentas que eu ensino meus alunos são Google Docs, Diigo ou Delicious para marcar sua pesquisa, e Symbaloo para abrigar suas ferramentas.

A experiência me ensinou que, no primeiro dia em que introduzir uma classe no Google Docs, não obteremos nada. Para eles, é a coisa mais incrível do mundo. Eles geralmente passam a maior parte da classe digitando para trás e para frente uns para os outros no doc. Nada demais. No entanto, eventualmente, meus alunos abrem o Google Docs sem que eu diga para eles. Eu tenho alunos que literalmente usá-los para cada laboratório, ensaio e atribuição. E a capacidade de um grupo trabalhar e editar o mesmo documento ao mesmo tempo, mais do que compensa a classe inicial que perdemos.

As ferramentas de mídia social que usamos para mostrar o nosso aprendizado em nossa  unidade de escravidão  parecia que as ferramentas mais naturais e lógicas para usar. Como comunidade de aprendizado, queremos que nosso aprendizado se estenda além das quatro paredes da sala de aula. Então, temos uma discussão, ou provavelmente várias discussões, sobre o que deve ser parecido. Também queremos que nossos projetos tenham implicações no “mundo real”. O que é mais mundo real do que a advocacia contra a escravidão moderna usando as mídias sociais?

Essencialmente, estes são os dois critérios que usamos para avaliar o produto que vamos criar. Como estendemos nosso aprendizado além de nossa sala de aula – e como o que fazemos aqui pode fazer a diferença para o mundo real? Nossa seleção de ferramentas é guiada pelas respostas a essas perguntas.

4. ESPERAR BATIR A PAREDE

Lembre-se que a aprendizagem inquérito é um  processo emocional.  Cada estágio de aprendizagem tem emoções específicas ligadas a ele, e em algum momento, você e seus alunos provavelmente irão bater na parede. Isso é normal.

Eu descobri que precisamos falar mais como uma classe de investigação. Meu papel é estar bem ciente de como meus alunos estão fazendo emocionalmente, especialmente quando estamos lidando com um tema pesado e esmagador como a escravidão. Embora isso possa não importar muito em uma sala de aula tradicional, ele pode completamente explodir uma comunidade aprendendo através de inquérito.

Não vou prometer que qualquer coisa será fácil. Não é. Você provavelmente terá dias em que você se pergunta por que você já começou. Mas confie em mim, vale a pena.

Fonte: https://shelleywright.wordpress.com/2015/08/30/how-to-create-a-student-centred-classroom-one-small-step-at-a-time/

A arte de se reinventar

Em tempos de mudanças em velocidade cada vez maior, aprender a se reinventar é uma arte indispensável aos que realmente desejam galgar espaços notáveis ou até mesmo manter-se em condições minimamente competitivas nos ambientes de trabalho e de desenvolvimento profissional.

Aquele tempo do emprego vitalício já ficou para trás, coisa que em empresas de médio e especialmente, pequeno porte, a bem da verdade, nunca existiu. Entretanto, é preciso encarar que, embora a máxima do emprego vitalício tenha morrido, a carreira não. E para que ela também não fique par trás, é necessário que se tenha um espectro de visão um pouco mais amplo acerca das supostas garantias do emprego, a fim de que a aprendizagem da reinvenção seja um fato e não um duro enfretamento com uma realidade repentina.

De modo que faz bem saber, que a arte de se reinventar exige:

  • Compreender o dinamismo do novo mundo no que tange aos ferramentais disponíveis para a execução de tarefas, bem como aos processos horizontais de tomadas de decisão;
  • A manutenção de uma rede de contatos viva, pois esta poderá ser determinante na definição de novos caminhos profissionais. E essa tarefa impõe interesses reais de relacionamentos entre os contatos, não apenas uma lista a que se recorra em momentos críticos. Aliás, uma rede de contatos viva, também se reproduz em um processo rico de diversidade de pensamento e argumentação que o ajudará a se diferenciar, se você se colocar como parte efetiva da rede;
  • O desenvolvimento de uma marca pessoal, o que significa dizer, antes de mais nada, que você precisa se conhecer muito bem, em suas mais disfarçadas deficiências, tal como, claro, em suas habilidades e capacitações mais louváveis. É esse escopo de saber que o permitirá criar uma presença consistente nos ambientes a que se propõe conquistar e o balizará para startar novos processos profissionais, a descobrir novos caminhos e a propor novas soluções quando ninguém consegue percebê-las.

Claro que reinventar-se não se esgota em três tópicos. No entanto, são estes, norteadores para que diante do inusitado ou de um inesperado acontecimento na sua carreira profissional, você não se veja estático, imobilizado pela incerteza e descrença, mas tenha condições de encarar que novas possibilidades e novos caminhos se abrem a quem se dispõe a começar de novo, a aprender sempre e a se reinventar.

Fonte: http://www.daexe.com.br/a-arte-de-se-reinventar/

Iphan: seleção 20 bolsas para o Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural.

Com o objetivo de formar, durante 24 meses, profissionais graduados em diversas áreas de conhecimento para atuarem no campo da preservação do patrimônio cultural, o Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (PEP/MP/Iphan) abre as inscrições para a seleção de 20 bolsas. Os interessados poderão se inscrever até o dia 03 de março de 2017 para a seleção de 20 bolsas. O curso tem duração de 24 meses e as atividades começam dia 1º de agosto de 2017.

O Mestrado Profissional associa as práticas de preservação nas unidades da Instituição, distribuídas no território nacional, ao aprendizado teórico-metodológico e à pesquisa. O início das atividades será dia 01 de agosto de 2017, conforme determinações do Edital.

Confira o Edital.

Mais informações
E-mail: mestrado.pep@iphan.gov.br

Para acesso direto ao edital: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Edital%20de%20Sele%C3%A7%C3%A3o%20do%20Mestrado%20Profissional%20-%202017.pdf

Como Pensar “Fora da Caixa”

Então, te pediram pra pensar fora da caixa no trabalho, ou você quer ter uma ideia muito criativa para o seu novo romance? Não se preocupe! Pensar fora da caixa, assim como com qualquer habilidade, pode ser desenvolvida através da prática. Esse texto foi desenvolvido em 3 partes, então para começar a desenvolver suas habilidades de pensamento criativo, comece lendo o Passo 1 e vá até a parte 3. Esperamos que o texto te ajude de alguma maneira. Então let’s go.

Parte 1 – Criando Soluções Criativas

1 – Mude seu espaço.

É importante ficar longe de todas rotinas típicas para poder incentivar a criatividade. A ideia de mudar é muito comum entre os pensadores criativos e de sucesso. Isso significa que, ou você cria um ritual específico para a criatividade, ou você simplesmente encontra uma forma de fazer uma pausa.[1]

  • Tome um banho. Tem algo estranhamente conducente no banho, já que todos já tivemos aquela ideia brilhante enquanto estávamos no chuveiro (mas acabamos esquecendo enquanto procurávamos caneta e papel). Se você estiver preso com uma ideia, vá para o chuveiro, pegue um papel e uma caneta e veja o que acontece.
  • Saia para um passeio. Assim como o banho, tem algo no ato de caminhar que fomenta a criatividade. Quer seja caminhar como prelúdio para o início do seu projeto criativo, ou como parte do projeto em si, caminhar ajudará você a fazer a criatividade fluir. Steve Jobs costumava ter reuniões em caminhadas para gerar ideias. Tchaikovsky andava várias vezes ao redor da sua vila antes de trabalhar em sua última criação.
  • Crie uma distância psicológica entre sua rotina normal e a hora da criatividade. A escritora Toni Morrison sempre assistia o sol nascer todas as manhãs antes de começar a escrever. Ela sentia que isso a ajudava a acessar sua criatividade.

2 – Faça Brainstorm.

Lançar diversas ideias diferentes, especialmente aquelas que parecem um pouco exageradas, ou fora do contexto pode ser uma ótima forma de escolher algumas ideias bem legais. O Brainstorming ajuda a abrir o seu pensamento, assim você não fica preso na mesma mentalidade antiga e nos mesmos padrões de pensamento.[2]

  • A fase de brainstorming não tem a ver com o que é ou não possível fazer. Evite limitar-se quando estiver fazendo o brainstorming. Esse é o momento em que todas as ideias são bem-vindas, não importa o quão bobas, ou impraticáveis sejam. Se você começar a se limitar nesta fase do projeto de pensamento, você não progredirá muito.
  • Evite dizer coisas para você durante esta fase que irão reprimir sua criatividade, em vez de encorajá-la. Policie-se quando disser: “Isso não vai funcionar”, “Já fizemos assim antes e não funcionou”, “Não podemos resolver este problema”, “Não temos tempo o suficiente”.[3]
  • Por exemplo: digamos que você fique empacado enquanto escreve sua nova história. Em vez de ficar obcecado com a próxima fase dela, comece a lançar ideias do que pode acontecer depois, ou como a história pode progredir se não houvesse limites do que você poderia escrever (mesmo que você precise mudar o final da história para deixá-la plausível).

3 – Conceitualize novamente o problema.

Parte daquilo que é encontrar soluções e ideias criativas vem da observação do problema ou projeto através de um novo ângulo. Olhar algum de uma forma nova permite que você veja todas as novas soluções que, do contrário, não teriam sido consideradas. Por sorte, existem alguns auxiliares neste processo de conceitualização.[4][5]

  • Vire o problema de cabeça para baixo. Isso pode ser feito tanto literalmente, quanto figurativamente; virar uma imagem de cabeça para baixo pode, na verdade, deixá-la mais fácil de desenhar, porque o seu cérebro precisa olhá-la como formas, em vez de pensar no que realmente está ali. Isso funciona mais com problemas conceituais.
  • Por exemplo, se você estivesse escrevendo um livro e não soubesse como guiar o protagonista até um certo ponto da história, pergunte-se “O personagem realmente precisa ser o protagonista? Como essa história funcionaria com um personagem diferente enquanto protagonista? Ou com mais de um personagem?”.
  • Trabalhe de trás para frente. Às vezes, você precisa se concentrar na solução primeiro, e fazer o processo inverso a partir dela. Por exemplo: digamos que você trabalhe na publicidade de um jornal. Ele está perdendo dinheiro porque não tem recebido anúncios suficientes. Comece do final, do melhor resultado (ter vários anúncios bons). Trabalhe de trás para frente entrando em contato com os tipos de negócios e grupos que possam lhe dar os anúncios com melhor custo-benefício.

4 – Sonhe acordado.

Sonhar acordado ajuda você a criar conexões e formar padrões e a relembrar informações. Este é o segredo quando se está tentando pensar fora da caixa, porque sonhar acordado pode ajudar você a criar conexões que do contrário não teriam sido consideradas. Então, muitas vezes, suas melhores ideias parecem vir do nada, enquanto você está sonhando acordado.[6]

  • Dê a si mesmo tempo para sonhar acordado. Desligue o computador, TV e seu celular. Se você estiver constantemente ligado nestas distrações, será muito mais difícil para o seu cérebro descansar e criar conexões.
  • Você pode sonhar acordado enquanto caminha, ou durante o banho (esse é um dos motivos que explica porque reservar um tempo para caminhar, ou tomar um banho pode ser tão conducente ao pensamento criativo). Sonhe acordado pela manhã, antes de levantar, ou a noite, antes de dormir.

5 – Defina parâmetros.

Às vezes, se você está tendo problemas em pensar fora da caixa, é hora de dar a si mesmo alguns parâmetros básicos. Pode parecer que isso minará a sua criatividade, mas se você definir os parâmetros corretos descobrirá que na verdade as coisas podem se abrir para você.[7]

  • Começar grande demais pode colocar uma pressão extrema em você. Por exemplo: em vez de dizer “Como eu consigo aumentar as vendas de propaganda?”, faça perguntas do tipo “Como eu posso incentivar o crescimento das propagandas dos estabelecimentos da comunidade? O que eu posso fazer para mostrar que as propagandas em nosso jornal são uma boa opção?”, ou “Como eu posso identificar os negócios com maior probabilidade de colocar anúncios em nosso jornal?”, ou “Ou, quais benefícios eu posso usar para incentivar as empresas a fazerem publicidade conosco?”
  • Você ainda está fazendo perguntas abertas e ainda está considerando uma ampla variedade de opções, mas está ancorando suas ideias a uma questão, ou tarefa específica. Isso ajudará você a criar mais ideias específicas.
  • Outro exemplo: em vez de se perguntar “Como eu posso fazer um romance para jovens adultos diferente de todos os demais existentes no mercado?”, você considera partes mais específicas da história: “Quem é o personagem principal? Ele é como todo outro personagem principal (branco, heterossexual, bonito, mas não sabe disso?)?”, ou se for um romance de fantasia “Como é o sistema de magias? É o tipo de magia vagamente pagão que aparece nas revistas para adolescentes?”
  • Ou, você pode dizer a si mesmo que precisa reescrever uma cena na sua história apenas agora que o personagem não tem acesso a mágica. Como ele vai sair da situação?

6 – Considere o pior caso.

O medo é o que retrai a criatividade. Ele é que faz você permanecer nos caminhos que conhece melhor. Quando se considera o pior caso, você não apenas se planeja para ele, mas também pode se convencer que esse caso nem é tão ruim a ponto de você não querer tentá-lo.

  • Para o exemplo da publicidade: você pode levar em conta o que acontecerá se você tentar implementar um novo esquema criativo para oferecer incentivos para parceiros de propaganda a longo prazo (melhor posicionamento no layout, anúncios coloridos a preço reduzido, etc). Talvez, o pior que pode acontecer é que ninguém aceitará a oferta, o que você perca dinheiro por conta disso. Crie planos para lidar com esses potenciais contratempos.
  • Para o exemplo do romance: seu pior caso pode ser que nenhuma editora, ou agente queira vender seu romance porque na verdade é um clone do último best-seller para adolescentes.

Parte 2 – Mantendo Sua Criatividade a Longo Prazo

1 – Elimine a negatividade.

A coisa que mais lhe impedirá de pensar fora da caixa é a negatividade. Ficar dizendo a si mesmo constantemente que você não pode pensar criativamente, ou vetar cada ideia que você tem porque é “exagerada” demais, irá limitar severamente o seu pensamento.[8]

  • Considere o que você diz a si mesmo sobre suas ideias. Quando você cria aquela ideia maravilhosa, você pensa imediatamente “Eu nunca conseguiria escrever isso!”. Esta é uma forma infalível de conseguir jamais escrever sua ideia.
  • Sempre que você se vir respondendo negativamente a suas ideias, substitua esse pensamento negativo por um positivo, ou neutro. Por exemplo: se você se pegar pensando “Eu jamais vou conseguir incentivar os anunciantes com esses incentivos”, pare e diga “Eu vou testar como esses incentivos podem nos conseguir uma melhor fidelização na publicidade.”

2 – Mantenha sua criatividade afiada.

Assim como com qualquer habilidade, a criatividade precisa ser exercitada para continuar existindo. Mesmo que você não tenha um problema em particular que precise da sua solução criativa, continue trabalhando em sua criatividade. Isso ajudará quando você for confrontado subitamente com algo que precise de uma solução criativa.[9]

  • Alfabetize as palavras. Pegue uma palavra de uma revista, ou outdoor e ponha as letras em ordem alfabética. Por exemplo: a palavra NÚMERO ficaria E-N-M-O-R-U-Ú. O motivo é que esse exercício aumenta a função do cérebro ao forçar você a usar todas as informações que você tem (todas as letras) e fazer algo incomum com ela. Esse exercício treina seu cérebro para criar conexões e soluções surpreendente ao olhar diferentemente para os problemas.
  • Faça um jogo em que você tenha que criar formas de usar novas ou diferentes para vários objetos na sua casa. Isso ensinará você a olhar os itens e situações com um olhar inusitado. Por exemplo: usar uma boa velha como vaso de plantas, ou fazer uma mesa com livros.

3 – Mude sua rotina.

A criatividade tem sucesso quando você não fica preso na mesma rotina antiga. Mesmo as menores mudanças têm boas consequências no tocante a tirar você da rotina e incentivar o pensamento criativo.[10]

  • Saia da sua zona de conforto. Fazer coisas novas, especialmente coisas que você não planejou ajuda você a lidar melhor com as novas situações. Além disso, ajuda a abrir a sua mente e introduzir a você novas ideias e situações que podem ajudar a criar ideias novas, ou inusitadas.
  • Seja espontâneo. Faça coisas que você não planejou, ocasionalmente. Isso forçará você a se adaptar ao momento e a superar os problemas na hora que eles aparecerem. Você pode até mesmo mesclar isso com um projeto em execução.
  • Mude pequenas coisas. Por exemplo: caminhe para casa usando rotas diferentes, todos os dias. Mude sempre a cafeteria em que você vai pela manhã.

4 – Estude outra indústria.

Isso ajudará você a mostrar como as pessoas de fora do seu campo de atuação operam e lhe dará ideias que você pode incorporar nos eu trabalho. A indústria pode ser completamente diferente da sua, ou ter algo compartilhado com a sua, mas deve ser diferente o bastante para lhe dar uma nova perspectiva.

  • Por exemplo: a pessoa da publicidade pode dar uma olhada em tópicos de psicologia, ou olhar como é a operação do tipo de negócio que será anunciado.
  • O romancista pode precisar ler coisas fora do campo dele (romances adolescentes), como não-ficção, mistérios e os clássicos para ter inspiração.

5 – Aprenda coisas novas.

Quanto mais você amplia seus horizontes, mais conexões seu cérebro consegue fazer. Quanto mais informações seu cérebro puder acessar, mas ele é capaz de criar ideias inusitadas.

  • Faça aulas fora da sua área. Pode ser qualquer aula, desde aulas de culinária (contanto que você não seja um chef), ou rapel. O romancista pode então usar o que aprendeu em suas aulas de culinária para criar um sistema de magia (as pessoas precisam sentir o que estão fazendo e não usar instruções, em vez de seguirem um conjunto bem específico de instruções).
  • Aprenda um novo idioma. Isso não apenas ajuda a manter sua mente afiada e a formar novas conexões, mas também pode abrir espaço para novas formas de pensar. A pessoa da publicidade pode usar isso para fazer uma seção de anúncios bilíngue que atinja um grupo diferente de pessoas do que aquele que era o alvo.

Parte 3 – Conectando-se Criativamente com Outras Pessoas

1 – Cerque-se de pessoas criativas.

Os humanos são animais sociais. Você estará inspirado quando as outras pessoas estiverem. A criatividade se manterá alta quando você trabalha, ou tem amizade com pessoas que inspiram esta criatividade em você e em seu trabalho.

  • Você achará especialmente útil se fizer amizade com pessoas que não são da mesma área que você. Elas podem lhe dar uma perspectiva no seu trabalho que você não teria de ninguém que já está saturado com as mesmas ideias que você.
  • Este é outro motivo pelo qual é tão importante fazer coisas fora da sua zona de conforto. É aqui onde você encontrará pessoas que desafiam e inspiram criatividade em você, pessoas que pensam diferentemente de você.

2 – Preste atenção as ideias das outras pessoas.

As ideias não existem no vácuo. Até mesmo os pensadores criativos como Salvador Dali (por exemplo) começaram com ideias em suas pinturas capturadas de fontes anteriores. Prestar atenção as ideias das outras pessoas ajudará você a criar as suas próprias.

  • Você verá como as outras pessoas pensam fora da caixa. Aprender os padrões de pensamento das outras pessoas e suas maneiras de pensar ajudará você a não ficar estagnado no seu próprio processo de pensamento. Você pode até mesmo dizer “Como o meu amigo pintor veria esse problema dos anúncios?”
  • Você também pode olhar as ideias de inovadores famosos. Examine quais ideias eles tiveram e funcionaram e quais não funcionaram. Observe suas práticas no encorajamento do pensamento criativo (como os exemplos de Steve Jobs, Tchaikovsky, e Toni Morrison na primeira parte do artigo) e tente seguir estas práticas.

3 – Aprenda a ouvir.

Uma forma de encorajar o pensamento criativo é se manter quieto e ouvir o que as outras pessoas têm a dizer. Parte do porquê isso é uma boa ideia é que ajuda a realmente ouvir o que as outras pessoas estão dizendo, assim você não apresenta as mesmas ideias que já foram introduzidas. Isso ajuda você a organizar seus pensamentos antes de falar.

  • Por exemplo: a pessoa dos anúncios tentou vender anúncios a uma empresa que odiava o jornal. Se ela não tivesse ouvido as preocupações da empresa (como a sensação de que seus anúncios não eram priorizados e que eles não gostavam de alguns tipos de conteúdo apresentados no jornal), ela não teria conseguido que a empresa pusesse o anúncio. Essa empresa depois virou parte do esquema para trazer de volta os anunciantes insatisfeitos.

4 – Lembre-se, você será apresentado a ideias que podem ser “anormais”.

Isso é algo que deve ser lembrado quando estiver lidando com outras pessoas, especialmente em termos de relações de negócios. Às vezes as ideias de fora da caixa não são exatamente a forma correta de se agir.

  • Também é bom ter em mente que suas ideias nem sempre vão funcionar. Não tem problema! Isso faz parte do processo de aprendizado e é por isso que você leva em conta o pior caso quando está criando uma ideia.

Dicas

  • Esteja disposto a explorar coisas que estão fora da sua zona de conforto. É refrescante e você pode encontrar novos interesses e conhecer pessoas novas.
  • Leia algo que não faz parte do seu gênero. Por exemplo, se você acha que odeia ficção policial, por que não ler uma? Você pode se surpreender positivamente; até mesmo se não se surpreender, você desafiou o seu processo de pensamento.

Avisos

Aprender a mudar seu estilo de pensamento não é um processo fácil, ou rápido. Seja paciente. Aproveite a jornada.

Fontes e Citações

  1. http://www.huffingtonpost.com/2014/07/17/how-to-find-great-ideas_n_5591342.html
  2. http://www.hsc.csu.edu.au/design_technology/innovation_emerging/creativity/2453/emercrea.htm
  3. http://www.umich.edu/~elements/probsolv/strategy/brainstorming.htm
  4. http://www.entrepreneur.com/blog/224501
  5. http://blogs.hbr.org/2011/11/how-to-think-creatively/
  6. http://www.theatlantic.com/education/archive/2013/10/teach-kids-to-daydream/280615/
  7. http://www.entrepreneur.com/article/224807
  8. http://www.sciencedaily.com/releases/2010/08/100802165441.htm
  9. http://www.psychologytoday.com/blog/the-power-forgetting/201404/surprising-exercises-get-you-thinking-outside-the-box
  10. http://www.umich.edu/~elements/probsolv/strategy/creative.htm

Sobre o Artigo
Categorias: Desenvolvimento Pessoal

Noutras línguas:

English: Think ‘Outside of the Box’, Español: pensar fuera de la caja, Français: penser hors des sentiers battus, Italiano: Pensare al di Fuori degli Schemi, Русский: нестандартно мыслить, 中文: 跳出思维定式, Bahasa Indonesia: Berpikir Kreatif, Čeština: Jak myslet kreativně, Nederlands: Buiten het kader denken, العربية: التفكير “خارج الصندوق”, Deutsch: Unkonventionell denken, हिन्दी: ‘सीमा से परे’ सोचें, Tiếng Việt: Suy nghĩ Vượt Khuôn khổ

Fonte: http://pt.wikihow.com/Pensar-%22Fora-da-Caixa%22

Transforme seu celular em uma lousa digital (app Lensoo Create)

O aplicativo Lensoo Create permite que o usuário transforme seu smartphone em uma lousa digital, com a possibilidade de escrever ou digitar, inserir imagens na tela e gravar suas aulas, esse app (IOS e Android) pode transformar qualquer aula comum em uma experiência incrível.

A lousa digital é um  recurso que permite explorar inúmeras possibilidades nos processos de ensino-aprendizagem. Essa ferramenta existe em várias unidades educacionais da rede municipal de Curitiba e possibilita aos profissionais da educação, a oportunidade de criar aulas mais interessantes e inovadoras.

Nesse sentido, o EduTecnologia produziu uma série de tutoriais que abordam desde a instalação  do software da lousa até o download e edição de aulas que podem ser reproduzidas nessa ferramenta. Para acessar o primeiro vídeo sobre a Lousa Digital clique na imagem abaixo.

Fonte: EduTecnologia

Esqueça o “fora da caixa”, mas tente sair da zona de conforto

É perfeitamente possível encontrarmos experiências bastante disruptivas dentro de um sistema escolar cuja estrutura e forma de organização não são mais compatíveis com a atual sociedade digital.

Por Priscila Gonsales

Primeiro precisamos defini-la: a “caixa”, cada vez mais citada para simbolizar uma sensação de enclausuramento relacionada a estruturas ou situações tradicionais rígidas ou pouco flexíveis. Você deve ouvir a todo tempo que precisa sair e pensar fora da caixa para fazer algo que realmente seja considerado bacana, diferente, arrojado… ou seja, tudo de ruim costuma estar associado à “caixa” e você deve ir contra isso — é o que nos diz o manual do planeta inovação ,  aquele em que todos querem chegar desesperadamente, mas cujo mapa ninguém tem de fato.

Não há um mapa porque o caminho não é preciso, assim como viver também não é (viva Fernando Pessoa!). Mas… e quando a “caixa” é o nosso próprio ambiente de trabalho? A gestão da instituição em que atuamos? Nossa dinâmica familiar? Um sistema de ensino estruturado? Quando a “caixa” representa algo complexo demais, talvez o melhor caminho não seja negá-lo ou ignorá-lo, nem mesmo esforçar-se para eliminá-lo. Será que apenas pensar em agir fora da caixa não geraria uma atitude pouco empática de nossa parte em relação às pessoas ao redor dessas “caixas” todas?

REPRODUCAO S3 BALLON4 11/10/01 BALLON/ESPECIAL DOMINGO ED/CADERNO2 OE – ILUSTRACAO DO LIVRO MAN FLIES – THE STORY OF ALBERTO SANTOS-DUMONT MASTER OF THE BALLON – SANTOS DUMONT. REPRODUCAO DE IMPRESSO.

Visitei a exposição de Santos Dumont no recém-inaugurado Museu do Amanhã, no Rio, e saí de lá com a frase de Guimarães Rosa na cabeça: “Mestre não é quem ensina mas quem de repente aprende”. Não fazia ideia que o notório pai da aviação tinha aprendido tanto com os próprios erros. Ele sofreu vários acidentes com seus protótipos de aviões que não funcionaram e nem por isso se cansou de por a mão na massa e seguir aprimorando até que o sucesso viesse depois de dez anos de tentativas fracassadas. Além de inovador, Santos Dumont é considerado também o “patrono dos makers”, como escreveu Ronaldo Lemos, especialmente por ter sempre compartilhado seus estudos e projetos, para que pudessem ser reutilizados ou servir de inspiração a outros estudiosos.

É interessante notar que Santos Dumont não precisou sair fora da caixa em sua empreitada de cientista e inventor. De família abastada dona de fazenda de café, desde criança era fascinado pelo funcionamento dos maquinários agrícolas e também pelos livros de ficção científica de Júlio Verne. Seu pai um dia lhe disse que a única coisa com a qual ele precisaria se preocupar era com os estudos em Paris, pois por toda a vida teria tranquilidade financeira garantida. A “caixa” do inventor estava posta e ele não se viu obrigado a abandoná-la para poder “inventar” o avião. Ao contrário, preferiu conviver com a mesma.

O que ele precisou fazer mesmo foi sair da zona de conforto. Conforto de um futuro próspero de riqueza que pouco exigiria de seu esforço de trabalho. Conforto de ter errado tantas vezes, ótima justificativa para a desmotivação. E conforto de alguns fatores negativos que poderiam levá-lo à estagnação, já que nenhum favorecia suas atividades:

Falta de incentivo: ele não estava recebendo um financiamento (patrocínio, bolsa etc.) de terceiros para se aventurar nas pesquisas sobre aviação;

Falta de conhecimento total sobre o tema: ele sabia que muitos outros cientistas, de variadas nacionalidades, antes dele, já tinham se aventurado na área, por isso preferiu estudá-los e não construir do zero;

Falta de um mestre para seguir: ele criou seu próprio estilo, seu jeito de ser e agir, e até de se vestir, não igual, mas diferente;

Falta de haver um momento propício (ou certo): ele não esperou que uma determinada data ou ocasião chegasse para iniciar seus inventos;

Além da retaguarda financeira para investir em suas invenções e equipes de trabalho, Santos Dumont teve outras “caixas” em seu caminho, que foram também estrategicamente aproveitadas, como os compromissos oficiais com membros do governo e da elite francesa. Foi durante um desses que ganhou de presente da Condessa D’Eu uma pulseira com uma medalhinha, e teve o insight de criar o relógio de pulso.

Agir, pensar ou estar fora da caixa também passou a ser sinônimo de “lado certo” quando o assunto é educação, uma espécie de comportamento ideal para quem atua na área. No entanto, precisamos ter cautela, pois nem tudo o que está vigente é necessariamente ruim ou precisa ser totalmente eliminado. Sabe aquela expressão popular “não jogue o bebê junto com a água do banho”? É isso. Para mudar é preciso ouvir e dialogar com o que existe e não simplesmente impor um “novo modelo ideal”.

Além do mais, é perfeitamente possível encontrarmos experiências bastante disruptivas dentro de um sistema escolar cuja estrutura e forma de organização não são mais compatíveis com a atual sociedade digital. Experiências assim só acontecem porque pessoas decidiram sair de suas zonas de conforto e tentar algo além do seu próprio padrão. Citei alguns exemplos nesse outro artigo.

E você? Sabe identificar qual é a “caixa” que dificulta sua busca por soluções mais inovadoras? E conseguiria delimitar sua “zona de conforto”? Isto é, o que é externo a você e o que depende de você? No #ConexãoIED, uma mentoria online coletiva, trabalhamos a educação para o desenvolvimento humano, a partir de desafios de design sugeridos semanalmente. Que tal experimentar criar seu próprio desafio? Veja um exercício bem simples:

  1. Reserve um tempo tranquilo do seu dia para você mesmo;
  2. Use uma cartolina se quiser criar um painel grande ou uma folha sulfite se preferir;
  3. Divida em quatro partes, como na figura abaixo, e preencha cada uma conforme a orientação:

Priscila Gonsales é máster em Educação, Família e TIC pela Universidade Pontifícia de Salamanca (ES), pós-graduada em Gestão de Processos Comunicacionais pela USP, cofundadora do Instituto Educadigital, que desenvolve projetos de integração da cultura digital na educação. @Prigon

Fonte: http://www.arede.inf.br/esqueca-o-fora-da-caixa-mas-tente-sair-da-sua-zona-de-conforto/